Recusada pela Justiça, recomendação para liberar Curió e sua turma da cadeia abriu crise no Ministério Público

O casal Curió tentou deixar a cadeia com o aval
de Orfileno Bezerra, mas foi barrado por Maria das
Graças Amorim e criou um problemão
para Danilo Castro, que está de férias

O Maranhão institucional está vivendo uma das mais graves crises desde a volta do estado democrático de direito com a Constituição do Estado, editada em 1989. Um dos frutos mais importantes gerados pelo Ministério Público Estadual, o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas – Gaeco, que combate à corrupção na malha estrutural do Poder Público, a começar por Prefeituras, mergulhou, nos últimos dias, numa crise sem precedentes, causada exatamente pelos desdobramentos judiciais de uma das suas ações mais fortes em tempos recentes: o desmonte da quadrilha que teria roubado milhões do pequeno município de Turilândia.

O roteiro da crise tem formato clássico: o Gaeco investigou ampla e cuidadosamente denúncia consistente e descobriu, segundo seu relatório, que o prefeito reeleito de Turilândia (31,6 mil habitantes e situado na Baixada Ocidental), Paulo Curió, comandou uma quadrilha, que incluiu todos os nove vereadores do município, ao longo de três anos rapinou nada menos que R$ 56 milhões dos cofres públicos. Com base no relatório, a Justiça estadual determinou o afastamento e a prisão preventiva – sem prazo para terminar – do prefeito, da primeira-dama, da ex-vice-prefeita, dos vereadores e servidores envolvidos na bandalheira. Passados alguns dias, um batalhão de advogados de defesa bateu às portas do Ministério Público pedindo para que o prefeito e sua turma fossem liberados para responder ao processo em liberdade. No exercício temporário do cargo de procurador geral de Justiça, o procurador Orfileno Bezerra Neto considerou o pedido justo e recomendou à Justiça a liberação do grupo. Diante do pedido surpreendente e do seu potencial explosivo, a desembargadora Maria da Graça Amorim, da 3ª Câmara Criminal do TJMA o considerou incoerente e o negou. Em meio ao pedido do chefe temporário do MF e a dura reação da magistrada, os 10 promotores que integram o Gaeco reagiram indignados e pediram demissão.

Assim, uma quadrilha, por meio de um batalhão de advogados, mesmo não tendo conseguido deixar a cadeia, conseguiu criar uma “tempestade perfeita” e danosa numa das instituições mais importante do arcabouço institucional do Maranhão. Isso porque, além da reação indignada dos integrantes do Gaeco, o ataque judicial do prefeito afastado Paulo Curió conseguiu trazer à tona perigosas divisões dentro do Ministério Público. O exemplo mais eloquente desse cenário: de férias, o procurador geral de Justiça, Danilo Castro, publicou nota tentando colocar panos quentes, afirmando que “tecnicamente” a decisão do seu substituto Orfileno Neto está correta, mas com o cuidado de não tirar as razões dos integrantes demissionários do Gaeco. No contraponto, o ex-procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, se posicionou em nota criticando o pedido de soltura e se solidarizando com os demissionários.

Independentemente do desfecho dessa “tempestade perfeita”, que vem causando perplexidade no Maranhão e no Brasil, uma situação é indiscutível e preocupante: o Ministério Público do Maranhão, que parecia haver superado diferenças que quase o arrastaram para o charco na primeira década desse século, permanece uma instituição dividida. Isso porque parece não fazer sentido que um procurador geral interino tome uma decisão dessa monta contrariando exatamente o grupo que durante meses investigou, denunciou e obteve a prisão da suposta quadrilha. A desembargadora Maria da Graça Amorim, que foi promotora e procuradora de Justiça, enxergou na recomendação do PGR interino fortes sinais de contradição e decidiu manter Paulo Curió e sua turma na cadeia.

A solução da crise, que até ontem à noite se mantinha, é o grande desafio do procurador geral Danilo Castro. Ele sabe que simples medidas administrativas apaziguadora não resolverão o problema. Se decidir acatar o pedido de demissão dos 10 promotores, que dizem estar agindo em defesa do Gaeco e do próprio Ministério Público, estará alimentando uma crise que pode se aprofundar ainda mais na instituição. E isso num momento em que as instituições, principalmente as que integram o arcabouço judiciário do estado e do país, estão sob ataques de segmentos que desprezam o estado democrático de direito. O Ministério Público, portanto, tem de atuar como uma instituição sólida, à prova de crise.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão reforça posição de apoio à cultura ao exaltar premiações do cinema brasileiro no Globo de Ouro

Carlos Brandão festejou o prêmio de Wagner Moura

Em meio a uma maratona de visitas a municípios – esteve recentemente em Açailândia e Timon, onde tem os prefeito Benjamin (União) e Rafael Brito (PSB) como aliados firmes – o governador Carlos Brandão relaxou na noite de domingo ao assistir à festa do Globo de Ouro, na qual o cinema brasileiro fez história, com as premiações de “O Agente Secreto” como o melhor filme de língua não inglesa, e Wagner Moura como melhor ator na categoria drama.

Tão logo esses prêmios foram anunciados, o governador Carlos Brandão postou nas suas redes sociais, em tom de comemoração: “O Brasil fez histórias no ´Golden Globes`. Wagner Moura venceu como melhor ator em Filme Drama, e O Agente Secreto conquistou o prêmio de Melhor Filme de Língua não Inglesa. Um reconhecimento à força do cinema nacional e ao grande momento vivido pela arte brasileira”.

Com a sua manifestação, o mandatário maranhense dá uma demonstração de que, ao contrário de correntes políticas conservadoras e retrógradas, que fazem de tudo para travar o desenvolvimento cultural e artístico brasileiro, ele aposta na cultura e nas artes como fatores de desenvolvimento social e econômico.

Bacabal: Roberto Costa avisa: não haverá descanso enquanto as crianças não forem encontradas

Roberto Costa (e), Iracema Vale e Florêncio
Neto no QG da operação de busca das crianças

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), está decidido a intensificar as buscas para encontrar as crianças Aghata Isabelly (6 anos) e Allan Michael (4 anos), desaparecidas numa região quilombola do município. Ele vem dedicando parte da sua agenda diária ao acompanhamento das buscas, que são feitas por militares, policiais, bombeiros, familiares e voluntários, que estão atuando sem trégua. E está colocando todos os recursos possíveis do município para assegurar e ampliar ao máximo o raio das buscas.

Além de entender que se trata de uma obrigação da Prefeitura, Roberto Costa transformou o caso num compromisso pessoal, de vida, que está dentro da visão da sua gestão de apoiar incondicionalmente os menos favorecidos e indefesos, caso das comunidades quilombolas existentes em Bacabal. Para ele, tudo o que for feito para resgatar as duas crianças será pouco.

O prefeito vem trabalhando para envolver o máximo possível de recursos nas buscas, tendo recebido o aval e o apoio integral do governador Carlos Brandão (sem partido), que fez questão de ir a Bacabal, levando o apoio do Governo e a sua solidariedade pessoal. A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), também foi a Bacabal em apoio às operações.

Roberto Costa tem dito que enquanto as crianças não forem encontradas não haverá descanso para ele e para a equipe que comanda na operação que já dura nove dias.

São Luís, 13 de Janeiro de 2026.

Camarão se reúne de novo com partidos de esquerda e mostra que pretende liderar frente

Felipe Camarão com líderes de partidos e movimentos de esquerda, ontem, no Turu

O vice-governador Felipe Camarão (PT) colocou ontem para uma pedra enorme como obstáculo aos rumores que durante a semana sugeriram que ele poderia estar aberto a uma conversa com o governador Carlos Brandão (sem partido). Ele reuniu, na residência oficial a que tem direito, no Turu, líderes do PT, PSB, PCdoB, PSOL e Rede, reafirmando, em discurso forte, que não abre mão da sua candidatura ao Governo, qualquer que seja a circunstância. “Mais um passo na construção da nossa pré-candidatura”, afirmou, tendo ouvido dos aliados presentes incentivos para que mantenha inalterado o projeto de candidatar-se ao Palácio dos Leões. Na quinta-feira, Felipe Camarão participou ativamente da manifestação, no Centro de São Luís, que lembrou o 8 de Janeiro, tendo reafirmado sua pré-candidatura com vários interlocutores.

É a segunda vez, em duas semanas, que o vice-governador se reúne com líderes dos partidos de esquerda – a primeira foi em Santa Rita. Na leitura de um dos seus apoiadores, essas reuniões têm dois objetivos claros. O primeiro é um esforço para colocar os partidos de esquerda num mesmo campo, evitando que essas forças se dispersem com candidaturas próprias que não chegam a lugar algum. E pelo visto, as lideranças dessas legendas parecem dispostas a evitar a dispersão e se juntarem numa aliança partidária que tenha consistência política e eleitoral.

O segundo objetivo é que, ao juntar os partidos de esquerda, dando a essa união um caráter de frente partidária, Felipe Camarão mostre que não está fazendo uma caminhada solitária, que seu projeto político e sua determinação de se candidatar ao Palácio dos Leões vai muito além de um projeto pessoal. E nessa linha, ele pretende trabalhar para ampliar essa aliança, incluindo nelas partidos de centro-esquerda – como o PDT por exemplo – e até mesmo uma ou outra legenda de centro, embora nenhuma delas tenha sinalizado a possibilidade de vir a apoiá-lo. Praticamente todas os partidos de centro-direita e de direita estão alinhados com o governador Carlos Brandão (sem partido) e, por via de desdobramento, inclinados a apoiar o projeto de candidatura de Orleans Brandão.

Nas suas declarações, o vice-governador tem sido enfático no sentido de afirmar sua condição de pré-candidato pela cúpula nacional do PT com o aval do presidente Lula da Silva. Essa posição e esses movimentos visam também mostrar à banda maior do PT maranhense, que tende a apoiar a candidatura de Orleans Brandão, que o seu projeto tem consistência política e pode eleitoralmente viabilizado. Ontem, por exemplo, ele concitou o grupo partidário de esquerda a consolidar a aliança em torno do seu projeto de candidatura com convocações do tipo “Vamos junto. É Lula, é Camarão!”.

O projeto maior do vice-governador Felipe Camarão é consolidar a sua pré-candidatura a governador, assumindo ou não o Governo – o que parece mais improvável a cada dia -, é montar um palanque forte para o presidente Lula da Silva no Maranhão. O problema é que, aliado de proa do presidente da República, o governador Carlos Brandão vem montando um palanque com uma ampla aliança, que reúne partidos de direita, centro-direita, centro e centro-esquerda. Na conversa que teve em novembro passado com o líder petista sobre o cenário político do Maranhão, o mandatário maranhense lhe ofereceu o seu palanque na corrida à reeleição no estado.

Numa perspectiva mais aberta, não será surpresa se o vice-governador Felipe Camarão vier a consolidar essa frente de esquerda e se lance candidato a governador, visando também garantir um palanque ao presidente. Nesse aspecto, ele vai confrontar exatamente o candidato do governador, Orleans Brandão, que, se tiver o seu projeto confirmado como tudo está indicando, comandará uma ampla e densa aliança partidária, que foi montada pelo então governador Flávio Dino e foi mantida sem problemas pelo governador Carlos Brandão. Será um confronto desproporcional, porque as aliança brandonista já é política e eleitoralmente muito mais consistente.

O vice-governador certamente tem essa realidade desenhada no seu tabuleiro. E sabe que tudo isso poderá ganhar outros contornos se o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD) entrar na corrida.  

PONTO & CONTRAPONTO

Definições e incertezas na montagem de chapas para as vagas no Senado

Weverton Rocha e André Fufuca na base de Orleans Brandão;
Eliziane Gama aguarda Eduardo Braide,
e Roberto Rocha e Hilton Gonçalo em faixa própria

Se o cenário da disputa para o Governo do Estado continuar com a feição atual, e mesmo que o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, entre na briga, o quadro da disputa para as duas vagas de senador terá mesmo o senador Weverton Rocha (PDT), candidato à reeleição, e o ministro do Esporte André Fufuca (PP), deputado federal que tentará voo mais alto, como os candidatos a serem apoiados pela chapa encabeçada por Orleans Brandão (MDB). Os movimentos mais recentes têm mostrado que não há espaço para um terceiro nome na base de apoio do emedebista.

A senadora Eliziane Gama (PSD), candidata à reeleição, emite sinais cada vez mais evidentes de que já aposta todas as suas fichas na candidatura do prefeito Eduardo Braide, que é do seu partido. Ela teria sido convencida pelo presidente nacional da agremiação, Gilberto Kassab, de que o seu caminho é se afastar da base governista e abraçar o projeto de poder independente liderado pelo prefeito de São Luís.

A julgar pelos seus movimentos recentes, Eliziane Gama deixa a impressão de ter certeza de que Eduardo Braide vai deixar a Prefeitura de São Luís para ser candidato ao Governo do Estado. Ela tem demonstrado serenidade diante dessa expectativa geral, não emitindo qualquer sinal de preocupação sobre seu partido ter ou não ter um candidato. Para alguns observadores, isso evidencia que ela tem convicção de que o prefeito será candidato.

E pelo que corre nos bastidores, se Eduardo Braide for candidato, o PSD terá apenas um candidato ao Senado, a senadora Eliziane Gama, que brigará pela reeleição. A possibilidade de o partido acatar o projeto de candidatura da deputada estadual Mical Damasceno ao Senado “é zero”, na avaliação de um apoiador do prefeito, que também descartou a filiação do ex-senador e pré-candidato ao Senado Roberto Rocha ao partido. Nesse contexto, o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza) corre em faixa própria.

Pelo menos até o momento, o vice-governador Felipe Camarão não falou em candidato a senador na sua chapa. E a explicação foi dada por aliado do petista: “Nós queremos é o governador Brandão como candidato a senador na chapa do Felipe”.

Correção: quem será candidato a deputado federal é Vinícius Ferro (Seplan) e não “Márcio” Ferro

Vinícius Ferro (Seplan)

Na edição de 8 de janeiro, Repórter Tempo publicou um grupo de secretários de Estado que estão arrumando as gavetas e colocando a casa em ordem para deixar o cargo na primeira quinzena de março para se candidatarem à Assembleia Legislativa (sete) e à Câmara Federal (dois). E cometeu um erro primário: trocou o nome do secretário de Planejamento Vinícius Ferro por “Márcio Ferro”, fruto, portanto, de um descuido imperdoável, mas que, infelizmente, ocorre no Jornalismo.

Pois bem, o especialista em Ciências Contábeis Vinícius Ferro, que tem sido um braço importante do governador Carlos Brandão no planejamento orçamentário das ações do Governo, decidiu que é hora de dar um tempo do trabalho técnico para tentar uma incursão na vida parlamentar, planejando-se para ser candidato a deputado federal. Conversou com o governador Carlos Brandão, que concordou com o arrojado projeto político de marinheiro de primeira viagem no agitado, movediço, mas sedutor, oceano eleitoral.

No meio político, principalmente na seara da aliança governista, Vinícius Ferro é visto como um nome forte. Ele trabalha em sintonia fina com secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). Decidiu entrar na corrida à Câmara Federal depois que Orleans Brandão, que antes planejava candidatar-se a deputado federal. Com a guinada do emedebista para ser candidato a governador, o secretário Vinícius Ferro se movimentou e numa boa articulação conseguiu assumir alguns espaços importantes abertos com a saída de Orleans Brandão da corrida proporcional.

A exemplo de Bira do Pindaré (PSB), outro secretário que vai deixar o cargo para ser candidato a deputado federal, Vinícius Ferro é apontado como nome potencialmente forte na disputa.

São Luís, 10 de Janeiro de 2026.

Rumor sugere “proposta” de Brandão a Camarão, mas vozes dos dois lados descartam reaproximação

Felipe Camarão e Carlos Brandão: mais distantes,
apesar dos rumores sobre “conversa”

Um rumor agitou os bastidores políticos maranhenses nas últimas 48 horas: o vice-governador Felipe Camarão (PT) teria sido sondado para renunciar ao cargo, seria apoiado na corrida à Câmara Federal, abrindo caminho para a eleição de um governador-tampão pela Assembleia Legislativa, por via indireta, portanto. Houve reações moderadas e estridentes, enquanto o vice-governador Felipe Camarão reafirmou sua posição de não abrir mão do cargo, podendo ser candidato a senador ou deputado – federal ou estadual -, já que não precisa renunciar para tal. O rumor correu como uma surpresa, já que, diante de tudo o que foi dito até agora sobre acertos e desacertos na corrida sucessória, uma proposta dessa natureza não faria o menor sentido.

O governador Carlos Brandão (sem partido) está usando toda a sua experiência política para consolidar um projeto sucessório que dê continuidade ao prestígio que ele e seu Governo acumularam ao longo dos últimos três anos e nove meses, quando venceu uma reeleição no 1º turno e vem comandando um Governo municipalista. Nesse projeto, claro, não cabe adversário, nem o chefe do Executivo está disposto a abrir mão do poder de fogo que dispõe, já que pode, em tese, fazer um sucessor da sua mais absoluta confiança. E como está mais que demonstrado, o vice-governador Felipe Camarão não se encaixa no perfil desenhado pelo governador Carlos Brandão.

Ao longo dos últimos meses, Carlos Brandão vem construindo as candidatura do sobrinho, o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), para muitos já um fato consumado e irreversível, e para alguns, um projeto que pode ser mudado até o dia 4 de abril, quando o governador e o vice-governador dirão, finalmente, como será o jogo. Se Carlos Brandão renunciar para ser candidato ao Senado, Felipe Camarão assumirá o Governo no ato, colocando a candidatura de Orleans Brandão em xeque. Esse é o ponto, outros arranjos não farão muito sentido.

(Vale lembrar que foi esse o projeto rascunhado pelo então poderoso secretário de Infraestrutura Luiz Fernando Silva em 2014. Candidato assumido ao Governo. Como não havia vice-governador – Washington Oliveira havia renunciado para ir para o TCE -, ele queria que a então governadora Roseana Sarney renunciasse, passe o cargo para o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo, para que ele promovesse a eleição de um governador-tampão, no caso o próprio Luiz Fernando, que tentaria ser candidato à reeleição. Não deu certo. Roseana Sarney não topou. E no caso atual, o cenário é mais complexo, porque existe um vice que não abre mão do cargo).

O projeto do governador a Carlos Brandão vai de vento em popa, mas enfrenta dois problemas. O primeiro é o vice-governador Felipe Camarão, que permanecendo no cargo, sendo ou não candidato a alguma coisa, tira do governador um mandato de senador praticamente garantido. O outro, maior ainda, é o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que pode fazer uma aliança com Felipe Camarão e fortalecer ainda mais o seu projeto de chegar aos Leões. Esse cenário abre portas para negociações, mas em política só se negocia quando os dois lados estão dispostos a sentarem à mesa, e desarmados. E todos os sinais indicam que no momento atual não existe clima para isso no tabuleiro estadual, mesmo levando em conta a máxima segundo a qual na política do Maranhão “boi voa”, ao que raposas felpudas acrescentaram: “até de asa quebrada”.

Uma prova dessa tensão é o fato de que a tentativa de conciliação feita pelo presidente Lula da Silva (PT), que teve como ponto forte a renúncia do governador para se candidatar a senador, não produziu qualquer resultado até aqui. O governador Carlos Brandão ouviu o presidente e prometeu apresentar uma “contraproposta”, que já teria sido encaminhada. Mas os movimentos de Felipe Camarão e seus aliados e os de Carlos Brandão e seu grupo indicam que um acordo que reaproxime esses grupos é, por enquanto, ainda uma quimera política.

PONTO & CONTRAPONTO

Rubens Pereira pede demissão e deve somar com Rubens Júnior na base de apoio a Camarão

Rubens Pereira deixa Governo
em apoio a Rubens Júnior

O secretário estadual de Articulação Política, Rubens Pereira, o Rubão, um dos principais articuladores políticos do Governo e pai do deputado federal Rubens Júnior (PT), entregou o cargo ontem à noite ao governador Carlos Brandão novo pedido de exoneração. O gesto foi formalizado em mensagem encaminhada ao mandatário estadual, na noite de ontem.

Na mensagem, Rubens Pereira justifica o pedido de exoneração argumentando que o momento, para ele, “é de reflexão” a respeito do que “é melhor para o povo maranhense”, afirmando ainda que deixa o cargo com “sentimento de dever cumprido”, acrescentando que “a vida pública requere de nós coerência e compromisso”. E reitera o pedido de exoneração, feito quando estourou a “Crise dos Áudios”, em outubro passado, que abalou irremediavelmente a relação dele e do deputado Rubens Júnior com o governador Carlos Brandão.

A saída de Rubens Pereira do núcleo político do Governo confirma o afastamento do deputado Rubens Júnior da base governista e da órbita da candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB), para integrar a linha de frente do projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT).  

Lula veta projeto que muda dosimetria para condenados por tentativa de golpe

Lula da Silva: sem perdão para golpistas

O presidente Lula da Silva (PT) vetou ontem, integralmente, o Projeto de Lei da Dosimetria, que mudaria as regras e reduziria as penas dos condenador pelos atos de 8 de Janeiro de 2023 e pelos responsáveis pela trama golpista, inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos de cadeia, que poderia ser reduzida para 2 anos e sete meses com as novas regras.

Mesmo aplicando o veto durante o ato que lembrou a tentativa de golpe em cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Lula da Silva não fez qualquer comentário sobre o projeto em si, limitando-se a fazer o que já havia dito que faria. Foi uma atitude de um chefe de Estado consciente, preferindo não fazer alarde do seu gesto, numa clara atitude de respeito ao Congresso Nacional.

Na base da sua justificativa, o presidente da República explica a decisão argumentando que a matéria é inconstitucional, à medida que praticamente chancela o golpismo no Brasil e desrespeita as decisões do Supremo Tribunal Federal, que realizou um julgamento justo, aberto, transparente, com total direito de defesa e baseado em provas robustas. Mudar a dosimetria das penas seria uma violência contra o Poder Judiciário e um estimulo ao golpismo, que ainda tem muitos simpatizantes no País.

No meio político, correu ontem a certeza de que a Câmara Federal derrubará o veto presidencial, havendo alguma dúvida se o mesmo acontecerá no Senado. Outro caminho será o da judicialização, a questão sendo levada à Suprema Corte.

O ato do presidente Lula da Silva alertou que o 8 de Janeiro e a tentativa de golpe não podem ser esquecidos, e que apesar dos avanços de consolidação, a democracia ainda corre riscos no Brasil.

São Luís, 09 de Janeiro de 2026.

Orleans e outros oito secretários deixarão o Governo em meados de marços para serem candidatos

Orleans Brandão, Sebastião Madeira,
Natássia Weba, Paulo Casé, Tiago
Fernandes, Abigail Cunha, Yuri Arruda,
Bira do Pindaré e Márcio Ferro deixarão
cargos para serem candidatos

Os bastidores dos Governos Federal e do Estado estão em agitação desde que o presidente Lula da Silva (PT) e o governador Carlos Brandão (sem partido) reuniram suas equipes para definir o futuro dos ministros e secretários que devem encarar as urnas nas eleições de outubro. No Maranhão, o processo de desincompatibilização foi deflagrado pelo governador Carlos Brandão na primeira reunião de 2026 com o primeiro escalão do Governo, durante a qual aproveitou para orientar os secretários e subsecretários pré-candidatos a deixarem os seus cargos na segunda quinzena de março e não no dia 04 de abril, quando faltarão exatos sei meses para as eleições. Ao contrário do que era previsto, a relação de pré-candidatos não é extensa, mas é expressiva.

O nome de maior peso a deixar o Governo será o administrador Orleans Brandão, que pedirá demissão do cargo de secretário de Assuntos Municipalistas para se candidatar ao Governo do Estado pelo MDB. Sua candidatura foi inclusive confirmada pelo governador Carlos Brandão durante a reunião com os secretários, deixando em todos os auxiliares de que se trata de um projeto consolidado e irreversível.

Decididos a disputar cadeiras na Câmara Federal, deixarão seus cargos os secretários de Planejamento e Orçamento, contabilista Vinícius Ferro, que vai encarar as urnas pela primeira vez, e o de Agricultura Familiar e Economia Solidária, advogado e bancário Bira do Pindaré (PSB), um político veterano ex-petista que já foi deputado estadual e deputado federal. Na avaliação de fontes governistas, os dois têm cacife para conquistar os mandatos pretendidos.

A guerra por cadeiras na Assembleia Legislativa é a que atrairá o maior números de candidatos saídos da equipe de ponta do Governo: seis secretários de Estado. A lista começa com o chefe da Casa Civil, o médico Sebastião Madeira (PSDB), um veterano com quatro mandatos de deputado estadual e dois de prefeito de Imperatriz, trajetória enriquecida como dirigente partidário, tendo sido um dos fundadores do ninho dos tucanos no Maranhão e destacado dirigente do PSDB no plano nacional.

Um dos quadros mais destacados do secretariado, o advogado Tiago Fernandes, que comanda a poderosa a influente Secretaria de Estado da Saúde, deixará o cargo na segunda quinzena de março para pleitear uma cadeira na Assembleia Legislativa, segundo os passos do seu antecessor no cargo, o atual deputado estadual e candidato à reeleição Carlos Lula (PSB), que faz oposição ao Governo. O secretário Paulo Casé, que é arquiteto, deixará o comando da igualmente importante Secretaria de Desenvolvimento Social para disputar uma cadeira no parlamento estadual, já estando anunciando dobradinha com o irmão, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que comanda o União Brasil no Maranhão.

A médica Natássia Weba (Podemos) deixará o comando da Secretaria de Estado de Ciências e Tecnologia para entrar na guerra pelo voto, levando o propósito de substituir o pai, Wemetério Weba (PP), que teve mandato de deputado estadual cassado no final do ano passado – no meio político, ela é apontada com uma candidata forte. Já Abigail Cunha, que é advogada, (PL) deixará a Secretaria da Mulher para reassumir seu mandato na Assembleia Legislativa e ser candidata à reeleição – sua cadeira é hoje ocupada pelo suplente Pará Figueiredo (PL). E finalmente, o secretário de Cultura, Yuri Arruda, que é engenheiro civil, anunciou que deixará o cargo para tentar trabalhar quatro anos no Palácio Manoel Bekcman.

Trata-se de um time forte, com boa qualificação e que, cada um ao seu modo, reuniu cacife para entrar na disputa. E pelo que está evidenciado, tanto os dois candidatos a deputado federal quanto os sete que aspiram cadeiras na Assembleia Legislativa estão mobilizados em torno do candidato a governador da base governista.

PONTO & CONTRAPONTO

Rubens Jr. reforça o projeto de candidatura de Felipe Camarão aos Leões

Felipe Camarão e Rubens Jr.: aliados

O posicionamento claro do deputado federal e vice-líder do Governo Rubens Jr. (PT), mostrado em imagem juntamente com o colega dele Márcio Jerry, presidente regional do PCdoB) e do deputado estadual Carlos Lula, vice-presidente estadual do PSB, mostrou que o vice-governador Felipe Camarão vem realizando movimentos bem sucedidos para reforçar o seu projeto de candidatura do Governo do Estado.

Até a chamada “Crise dos Áudios”, que estremeceu mais ainda o confronto aberto entre o Palácio dos Leões e seus adversários do grupo dinista, o deputado federal Rubens Jr. parecia trilhar sobre um muro, atuando mais como conciliador do que como um parlamentar posicionado. A partir dali, porém, ele mudou a postura e o tom, passando a manifestar inclinação pelo projeto do vice-governador, acompanhando a orientação da direção nacional do PT.

O apoio de Rubens Jr. a Felipe Camarão pode influenciar setores do PT e de outras correntes petistas, que em sua maioria tendem a compor com o governador Carlos Brandão em torno da candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB). Mesmo não sendo ligado a nenhum dos grupos que formam o partido, o parlamentar tem é muito bem visto pelo presidente Lula e reflete bem o clima dentro do PT.   

Ao postar a imagem, O deputado federal e vice-líder do governo Lula no Congresso Rubens Pereira Júnior (PT), apareceu na manhã desta terça-feira ao lado do vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT). A foto foi postada pelo próprio Felipe em suas redes sociais, em que brincou: “Ótimo papo sobre 2026… alguém adivinha o assunto?”

Os dois petistas posaram ao lado dos deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Carlos Lula (PSB). A imagem representa reforço na base de apoio à candidatura do PT ao governo do Maranhão. Ex-secretário de Educação na gestão de Flávio Dino, Felipe Camarão reafirmou que sua candidatura ao governo está mantida e mantém intensa agenda de reuniões com lideranças populares e partidárias.

Queda de Maduro pode agilizar a exploração de petróleo na Margem Equatorial Brasileira

Pedro Lucas Fernandes

Além de comemorar a queda do ditador Nicolás Maduro, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) tem outros motivos para festejar o ataque dos EUA à Venezuela, independentemente de ser ele uma ação criminosa.

É que, segundo analistas do mundo econômico, a queda da ditadura de Maduro pode levar aquele país, que é dono da maior reserva petrolífera do mundo a reestruturar a sua política de exploração e aumentar rapidamente a produção de petróleo.

Se essa previsão se confirmar, a produção venezuelana poderá pressionar a produção brasileira e se tornar uma concorrente incômoda. E para evitar esse problema, o Brasil deve agilizar ao máximo o seu projeto de exploração do petróleo da Margem Equatorial, que vai do Amapá ao Rio grande do Norte, com presença marcante do Maranhão.

Como é sabido, o deputado Pedro Lucas Fernandes é um dos mais ativos defensores da exploração petrolífera na Margem Equatorial, e certamente pressionará a Petrobrás para agilizar as pesquisas e a produção do petróleo nessa região.

São Luís, 07 de Janeiro de 2025.

Camarão reúne partidos de esquerda e reafirma que candidatura aos Leões está mantida

Felipe Camarão

Em meio ao cenário em que o governador Carlos Brandão (sem partido) tem confirmado que vai entrar de vez nas articulações políticas para definir as posições do seu grupo para as eleições de outubro, com o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB) em plena atividade de pré-campanha, o vice-governador Felipe Camarão (PT) se movimenta avisando que, ao contrário do que muitos pensam, ele nem de longe avalia a possibilidade de arquivar o seu projeto de disputar o Palácio dos Leões, “em qualquer circunstância”. O recado que a base governista e as correntes de esquerda ligadas ao vice-governador estão passando é que não há ainda nem sinal nem ambiente para uma cada vez mais improvável reconciliação. Os dois grupos estão trabalhando para ocupar espaço maior possível no cenário que será formado com a provável entrada do prefeito Eduardo Braide no jogo sucessório.

O recado mais contundente de que está politicamente vivo e dentro do jogo sucessório foi mandado no domingo pelo vice-governador Felipe Camarão. Ele reuniu, no Quilombo Cariongo, em Santa Rita, numa espécie de edição extra do programa “Diálogos pelo Maranhão”, lideranças do PT, do PSB, do PCdoB, do PSOL e do Rede para discutir o quadro político maranhense e, dentro dele, reafirmar, de maneira contundente, o seu projeto de candidatura. “Este é um projeto político em que eu pretendo que nos caminhemos todos juntos, com a humildade de saber que estamos sob a liderança do presidente Lula, e que a gente vai caminhar para o povo maranhense”, explicou o vice-governador.

Na reunião, Felipe Camarão foi enfático ao reafirmar que sua candidatura ao Governo do Estado está decidida, seja como líder de uma chapa de união, seja como no comando de uma frente de esquerda, ou, finalmente, numa corrida solitária. Ele se colocou à disposição para conversar, mas sem abrir mão de dois pontos: não abre mão da condição de vice-governador, descartando enfaticamente a possibilidade de vir a renunciar, nem admite retirar sua pré-candidatura ao Palácio dos Leões, descartando disputar vaga no Senado ou na Câmara Federal, enfim, será candidato a governador, e ponto final.

O vice-governador exibe inflexibilidade exatamente nos dois pontos em relação aos quais o governador Carlos Brandão quer discutir, o que em política desenha claramente um impasse. Carlos Brandão está determinado a só deixar o cargo para disputar o Senado se Felipe Camarão renunciar à vice-governança, caso contrário, permanecerá no Governo até o final do mandato, mergulhando na campanha em favor do seu candidato a governador, no caso o secretário Orleans Brandão. E o cenário se torna rigorosamente indefinido porque tanto o governador Carlos Brandão quanto o vice Felipe Camarão têm palavra final sobre os rumos dos grupos que lideram.

Com a reunião com as lideranças de partidos de esquerda no Quilombo Cariongo, o vice-governador deixou claro que, pelo menos por enquanto, não existe brecha para diálogo, principalmente se na pauta constar sua eventual desistência de disputar o Governo e sua renúncia à vice-governança. Por sua vez, o governador Carlos Brandão informa que consultará o seu grupo, “para tomar decisões no colegiado”, embora não haja qualquer dúvida de que o mandatário tem a palavra final sobre o futuro do grupo. Isso porque qualquer a decisão – ficar ou deixar o Governo – a ser tomada o afetará diretamente. E a leitura feita unanimemente no meio político é a de que a candidatura do secretário Orleans Brandão está atrelada a essas duas situações.

É verdade que o ano eleitoral está apenas nos seus momentos iniciais, mas em política, principalmente quando o objetivo são eleições a serem realizadas em 10 meses, não há espaço para indefinições. O vice-governador Felipe Camarão confirmou suas posições em Santa Rita, enquanto o governador Carlos Brandão avisa que vai ouvir seu grupo. O que sairá desses dois quadrados o eleitorado maranhense saberá em breve.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão continua sem partido, mas pode se filiar para se candidatar ou não às eleições de outubro

Carlos Brandão: gesto de quatro
anos e indefinição sobre partido

Entre as decisões que deverá de tomar nos próximos tempos, o governador Carlos Brandão terá de resolver sua vida partidária. Ele não está obrigado a se filiar a um partido como chefe do Poder Executivo. Mas se vier a ser candidato a senador ou a outro cargo eletivo em outubro, terá de se filiar a um partido até 4 de abril.

Até agora, o governador mantém a posição de permanecer no cargo até o final do mandato. Se assim continuar, ele poderia cumprir o resto do seu mandato na condição de “sem partido”. Mas se resolver entrar na corrida eleitoral com o candidato, terá de se filiar.

Carlos Brandão se elegeu em 2022 pelo PSB, partido que presidiu por mais de dois anos. No ano passado, porém, em meio ao rompimento na base governista, o comando nacional do PSB tirou-0lhe o coando ao partido, e diante do ato partidário de força, ele deixou o partido, mantendo-se até agora sem filiação partidária.

Se vier a se filiar a um partido, a tendência é assinar ficha no MDB, que é controlado pelo empresário Marcus Brandão e tendo atualmente Orleans brandão como presidente. Ou poderá retornar ao PSDB, partido pelo qual se elegeu duas vezes deputado federal e a vice-governador em 2014.

A decisão que vier a ser tomada pelo governador Carlos Brandão terá forte repercussão. Se ele não se filiar a uma legenda até 4 de abril, o seu grupo saberá que ele permanecerá no cargo até o final e a história das eleições será uma. Se ele assinar ficha de filiação em alguma sigla, abrirá caminho para se candidatar, dependendo da decisão mais importante: se renunciará ou não em 4 de abril.

Em Tempo: há cerca de dois meses, a Coluna indagou-lhe sobre situação partidária, e ele respondeu: “Não temos pressa”.

Com autoridade histórica, Sarney reafirma rejeição a Maduro, mas critica ação dos EUA na Venezuela

José Sarney e Raul Alfonsin: trabalho decisivo
para restaurar a democracia no Cone Sul

O ex-presidente José Sarney (MDB) entrou no grande debate sobre o ataque armado dos Estados Unidos à Venezuela, onde sequestrou o ditador Nicolás Maduro e sua mulher Cilia Flores, numa violenta e injustificada ação militar de desrespeito à soberania do país e às leis internacionais. O ex-presidente do Brasil reafirmou suas duras restrições ao regime ditatorial de Nicolás Maduro, mas reagiu com indignação à violação da soberania venezuelana, numa crítica velada ao uso da força militar pelo presidente norte-americano Donald Trump no continente, onde não existe confrontos militares entre nações.

José Sarney é, sem dúvida, um dos políticos brasileiros com maior autoridade para se manifestar sobre esse momento. Isso porque durante o seu Governo, além de reimplantar a democracia no Brasil, teve papel importante e decisivo na interrupção da onda ditatorial que assolou a América Latina durante no final sáculo passado.

O então presidente brasileiro trabalhou para fortalecer a democracia na América Latina, principalmente no Cone Sul, apoiando a volta da democracia na Argentina, formando uma parceria com o presidente Raul Alfonsín, e no Uruguai, com Juan Maria Sanguinetti. Foi o principal criador do Mercosul, que abriu as fronteiras econômicas nessa região do continente. Além disso, foi um dos articuladores do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, desativando os investimentos na produção de artefatos nucleares com fins militares.

No que diz respeito à Venezuela, José Sarney trabalhou de perto com o último presidente democrático daquele país, Carlos Andrés Perez, de quem era interlocutor habitual. E reagiu à implantação da ditadura de esquerda pelo coronel Hugo Chávez, que degringolou para um violento regime de exceção herdado e mantido por Nicolás Maduro.

“Defender a paz não é ser complacente com o autoritarismo, mas agir com responsabilidade para proteger a democracia, a estabilidade regional e, sobretudo, o povo venezuelano”, concluiu José Sarney na nota que divulgou sobre a ação armada dos EUA.

São Luís, 06 de Janeiro de 2026.

Orleans e Bonfim têm bases partidárias firmes; Camarão e Braide têm desafios a superar nesse campo minado

Orleans Brandão e Lahesio Bonfim têm situação partidária sólida,
o que não é o caso de Felipe Camarão e Eduardo Braide

Os quatro aspirantes ao Governo do Estado – três assumidos e um coberto por uma tênue capa de expectativa -, terão de fazer grandes ou pequenos ajustes nas suas vidas partidárias. Nesse contexto, os partidos são fundamentais, não apenas para legitimar candidaturas majoritárias, mas também para lastrear as candidaturas proporcionais, que são as linhas de frentes da guerra pelo voto. E mais do que isso, os partidos estão investindo forte na eleição de deputados federal e senador nessas eleições. O vice-governador Felipe Camarão terá de ajustar uma série de pontos com o PT, o secretário Orleans Brandão tem pequenos ajustes a fazer no MDB, do qual é presidente, e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim deve ajustar melhor sua postura às exigências do Novo, enquanto o prefeito de São Luís, Eduardo Braide, se vier a ser candidato, tem algumas pendências complicadas a resolver no PSD.

Orleans Brandão tem situação partidária bem definida, a começar pelo fato de que é o presidente regional do MDB. Aparentemente não existem problemas ou racha dentro do partido, pois até a dissidência de São Luís em 2024 foi superada com a volta do deputado federal Cléber Verde, que caminhava para abraçar a candidatura do prefeito Eduardo Braide ao Governo, caso ele venha a ser candidato, voltou ao leito da base governista já declarando apoio a Orleans Brandão. O secretário de Assuntos Municipalistas, conta, portanto, com um partido sólido e azeitado e, ao que tudo indica, com as suas correntes – sendo o sarneysismo a principal delas – se preparando para a corrida às urnas. E com a possibilidade de receber muitos reforços na janela partidária de março.

Lahesio Bonfim faz sua pré-campanha sem se preocupar com o seu partido, o Novo. Não porque não queira dar pitacos na condução da legenda, mas porque o Novo é dirigido nacionalmente com uma empresa, com regras rígidas, movimentos pré-determinados e sobre os quais a palavra final é dos dirigentes e não do candidato. Político outsider, que pouco afeito a trabalhar em grupo, preferindo projetos solitários, Lahesio Bonfim vem se dando bem com o Novo, em que pesem tremores eventuais na relação, mas sem consequências maiores.

O vice-governador Felipe Camarão vive há algum tempo uma situação mal resolvida com o seu partido, o PT, que está claramente dividido em relação à sua candidatura. Ao mesmo tempo em que o comando nacional do partido e o próprio presidente Lula da Silva têm reiterado apoio à sua pré-candidatura, a maioria das lideranças petistas maranhenses está posicionada ao lado do governador Carlos Brandão (sem partido) e claramente inclinada a apoiar a pré-candidatura de Orleans Brandão, caso o governador permaneça no cargo. A situação é tão complicada que já correm rumores de uma possível migração de Felipe Camarão o PSB. As conversas do governador Carlos Brandão com o presidente lula da Silva poderá desatar esse nó.

Nesse cenário, a situação partidária mais complicada é a do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, que não decidiu ainda se será ou não candidato a governador. Se optar pela candidatura, terá de resolver complicadas situações no seu partido, o PSD. Atualmente, o PSD é um partido com uma senadora (Eliziane Gama), um deputado federal (Josivaldo JP) e dois deputados estaduais (Mical Damasceno e Eric Costa), que trilham caminhos completamente diferentes. Se vier a ser candidato, o primeiro passo de Eduardo Braide será colocar ordem na casa e definir quem vai para onde nesse tabuleiro, para saber com quem de fato contará. A janela partidária de março poderá indicar o caminho. Vale registrar que o deputado Fernando Braide, irmão e porta-voz do prefeito Eduardo Braide na Assembleia Legislativa está hoje filiado ao Solidariedade.

Essas questões e pendências são fortes pontos de desgaste na estrutura dos partidos e com repercussão negativa nas pré-candidaturas. Ao solucioná-las, os pré-candidatos ganharão a certeza de que irão para as suas convenções sem maiores problemas e sem risco de serem incomodados por constrangimentos.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte Jr. terá de decidir entre permanecer no PSB ou migrar para outro partido

Duarte Jr.: caminho partidário indefinido

Um dos mais destacados representantes do Maranhão no Congresso Nacional, o deputado Duarte Jr. está se preparando para tomar uma decisão quer pode afetar, para mais ou para menos, o seu projeto de reeleição: permanecer no PSB ou migrar para outro partido.

Não será uma decisão o fácil. Ele se elegeu pelo PSB que em 2022 era comandado pelo governador Flávio Dino, que passou o comando para o governador Carlos Brandão. Só que, por conta do rompimento na base governista, o comando nacional do PSB tirou o partido com controle do governador Carlos Brandão e o entregou à senadora Ana Paula Lobato, do chamado grupo dinista.

Com laços fortes nos dois grupos, Duarte Jr. fez de tudo para se manter longe dessa crise, conservando a sua boa relação com o governador Carlos Brandão, ao qual está ligado pelo comando da rede Viva Procon, sem se afastar totalmente do grupo agora na oposição.

O problema é que a situação chegou num ponto em que o deputado federal Duarte Jr. terá de decidir se permanecerá no PSB, e no caso terá de seguir a linha do partido, ou migrar para outra legenda.

A janela partidária de março será o momento da decisão.

Grupo Gentil vai forte para as urnas; a dúvida é quanto ao futuro do seu líder

Fábio Gentil: será candidato?

Muito tem se comentado nos bastidores sobre o peso do grupo Gentil no cenário político estatual e, principalmente, o futuro político do seu líder, o ex-prefeito de Caxias e atual secretário estadual de Agricultura Fábio Gentil.

Com relação ao grupo, a opinião dominante é a de que ele está cacifado para reeleger a deputada federal Amanda Gentil (PP), que hoje comanda o partido no Maranhão, e a deputada estadual Daniella Jadão, que deve migrar do PSB para o PP.

A incógnita é exatamente o futuro político do secretário Fábio Gentil. Já se falou em emplaca-lo como candidato a vice-governador, já foi especulado que ele pode ser candidato a deputado federal substituindo a filha Amanda Gentil, e falou-se também na possibilidade de ele vir a ser candidato a deputado estadual, no caso sacrificando o projeto de reeleição da deputada Daniella. E finalmente o caminho visto por muitos como o mais provável: ser candidato a suplente de senador na chapa do ministro André Fufuca (PP).

Há também vozes sussurrando que Fábio Gentil não será candidato e continua secretário de Agricultura como um dos articuladores da candidatura governista aos Leões.   

São Luís, 04 de Janeiro de 2025.

Brandão confirma entrada no jogo político e diz que conversará com grupo “para tomar decisões no colegiado”

Carlos Brandão: foco na política
a partir de agora

“Vamos conversar com nosso grupo para tomar decisões no colegiado”. A declaração foi dada pelo governador Carlos Brandão (sem partido), ao confirmar, ontem, a pedido da Coluna, que janeiro abre a sua agenda política visando as eleições de outubro. O governador foi diversas vezes provocado para se posicionar em relação à corrida à sua sucessão, ao longo do ano passado, principalmente durante o segundo semestre, mas sempre se esquivou, argumentando que cumpria o compromisso de só se manifestar mais efetivamente sobre política a partir de janeiro de 2026. Ontem, ao ser indagado se já poderia se manifestar, ele respondeu que sim, e diante da pergunta sobre qual seria o seu primeiro passo, ele fez a declaração acima.

Ao informar que vai conversar com o grupo que lidera, “para tomar decisões no colegiado”, o governador Carlos Brandão sinaliza que tem decisões já tomadas, as quais pretende ouvir um grupo próximo, já que é muito difícil elencar um “conselho” ao qual o mandatário maranhense submeteria decisões que só ele tem cacife para tomar. É o caso, por exemplo, da pré-candidatura do secretário Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado, que é muito forte com a sua presença no comando do Governo, mas que perde consistência e poder de fogo se ele decidir deixar o Governo e disputar o Senado, como lhe pediu ao presidente Lula da Silva (PT). Isso não invalida o seu gesto de ouvir conselheiros, auxiliares e lideranças mais próximas, formando a ideia de colegiado.

O governador Carlos Brandão é um político muito experiente nesse jogo, valendo lembrar que ele, como então chefe da Casa Civil, teve papel importante na decisão que levou o então governador José Reinaldo Tavares a permanecer no cargo para garantir a eleição de Jackson Lago (PDT) derrotando Roseana Sarney (MDB) 2006, e deu no que deu. O cenário é parecido, com a vantajosa diferença de que o candidato que ele apoia é da sua mais absoluta confiança pessoal e política. Mesmo assim, Carlos Brandão tem noção muito clara do peso político e dos desdobramentos possíveis que tomadas de decisão desse quilate pode produzir.

Em princípio, o que ele submeterá ao que chama de colegiado é a pré-candidatura de Orleans Brandão – que vem fazendo a sua parte para atrair mais suporte político e eleitoral ao projeto -, e a proposta que lhe fez o presidente Lula da Silva na conversa que os dois mantiveram no final de novembro. O que ele denominou de “contraproposta” a ser levada ao presidente da República, provavelmente ainda neste mês, será exatamente o resultado das consultas ao grupo que define como colegiado.

A rigor: o governador Carlos Brandão tem dois caminhos a seguir. O primeiro é permanecer no Governo até o final do mandato e manter a candidatura de Orleans Brandão à sua sucessão. E o segundo é deixar o Governo e se candidatar ao Senado, compondo com o seu sucessor ou fazendo-lhe oposição negociando aliança com um adversário. Ele sabe com, com muita clareza, que qualquer que seja a decisão que ele vier a tomar, terá um custo político muito elevado. A grande diferença é que permanecendo no cargo, poderá eleger o sucessor, mas sabendo que a partir de 1º de janeiro de 2027 será um político sem mandato e de futuro incerto. Por outro lado, como senador da República não terá o poder que detém como governador, mas será um par da República, com grande influência e com autoridade para pleitear a volta ao Governo em 2030.

Essa equação comporta diferentes combinações, que serão colocadas na mesa para discursão, e com um dado importante: o decisivo 03 de abril está a apenas 87 dias, com um Carnaval bem no meio. Ou seja, não há tempo a perder.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane Gama entra 2026 com o desafio de definir como vai se aliar para buscar a reeleição

Eliziane Gama: falta pouco para decidir seu rumo

A senadora Eliziane Gama (PSD) caminha para tomar decisão definitiva em relação ao seu futuro como candidata à reeleição. Ela tem sido discreta em relação ao assunto, mas nove entre dez pessoas que a conhecem dizem que ela está aguardando a manifestação do prefeito Eduardo Braide (PSD) para se declarar candidata à reeleição na chapa por ele a ser liderada.

Bem sintonizada com a direção nacional do PSD, a quem já sinalizou que entrará na briga pela reeleição apoiando a candidatura do prefeito de São Luís ao Governo do Estado, ela ainda não tratou do assunto diretamente com o chefe do Executivo da Capital. Há quem diga que ela já está sintonizada com o prefeito, mas há quem garanta que essa sintonia fina ainda não aconteceu.

Esse entendimento pleno só se dará quando Eduardo Braide decidir se será ou não candidato a governador. Se optar por ser candidato, terá certamente a senadora Eliziane Gama como parte da sua chapa como um dos candidatos ao Senado. Se o prefeito decidir que não disputará o Governo, a senadora terá que buscar outro caminho, sabendo que dificilmente terá vez na aliança governista, que já tem o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro André Fufuca (PP) disputando a preferência pelas duas cadeiras.

Eliziane Gama terá de mergulhar na paciência e na experiência no jogo para definir seu futuro.

Saqueada em R$ 38 mil por dia durante quatro anos, Turilândia deve sofrer intervenção na próxima semana

Paulo Curió está preso acusado de
desviar R$ 56 milhões em Turilândia

O futuro imediato de Turilândia – um município de 31,2 mil habitantes e situado no norte do estado -, desde dezembro sufocado por um escândalo de corrupção que ganhou projeção nacional por conta do volume roubado: R$ 56 milhões em quatro anos, o que dá R$ 14 milhões roubados a cada ano, o equivalente a R$ 1,16 milhão por mês, ou seja, R$ 38 mil por dia.

Pelo que foi levantado pelo Gaeco, que foi fundo na investigação, o prefeito Paulo Curió (União), reeleito, e sua vice, Tanya Mendes (PRD), comandaram uma quadrilha que envolvia servidores menores e cinco vereadores, a começar pelo presidente da Câmara Municipal, que também está preso.

Com base no relatório da investigação, o chefe do Ministério Público, procurador geral Danilo Castro encaminhou ao Tribunal de Justiça um pedido de intervenção no município. O pedido chegou ao TJ no final do ano, mas o desembargador plantonista entendeu não se tratar de matéria de urgência e deixou o pepino para a Corte resolver, quando retornar do recesso judiciário no dia 7, na primeira sessão plenária do ano.

No meio político ninguém duvida que o TJ atenderá ao MP e decretará intervenção.  

São Luís, 03 de Janeiro de 2026.

A dez meses das eleições, as decisões sobre candidaturas terão de ser tomadas sem perda de tempo

Carlos Brandão tem poder para manter ou desmontar um cenário com
Orleans brandão, Lahesio Bonfim e Felipe Camarão, mas que pode
ser alterado radicalmente por Eduardo Braide

Faltam exatamente 10 meses para as eleições gerais, e depois de um longo período de indefinições e incertezas quanto a candidaturas ao Governo do Maranhão e à duas vagas do estado no Senado da República, a corrida às urnas ganha, a partir de agora, um caráter de definição, sem muito espaço para “ser ou não ser” ou experimentações. Não há mais tempo.

As duas pesquisas sobre a corrida ao Palácio dos Leões e às vagas na Câmara Alta, divulgadas na virada do ano, uma da empresa EPO Estratégias e outra do instituto Prever, mostraram, cada uma a seu modo, que o quadro hipotético da disputa para o Governo permanece estável com a liderança inconteste do prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD), que não disse se será candidato, tendo como adversário mais próximo o secretário Orleans Brandão (MDB), evidenciando também que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo) em terceiro, seguido do vice-governador Felipe Camarão (PT) em último, mas ainda vivo.

Na corrida para as duas cadeiras no Senado, a novidade trazida pelas pesquisas foi a confirmação de que, se decidisse ser senador, o governador Carlos Brandão (sem partido) seria dono de uma cadeira, enquanto a segunda seria disputada pelos senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), o ministro André Fufuca e o ex-senador Roberto Rocha (sem partido). E o dado desconcertante é o registro da perda de gás do senador Weverton Rocha, provavelmente atingido pela repercussão das denúncias que rondam sua imagem política.

É com esse cenário de linhas imprecisas, mas que pode funcionar como baliza, que o ano eleitoral propriamente dito começa. As linhas para a corrida aos Leões só se tornarão precisas quando o prefeito Eduardo Braide disser, finalmente, se será ou não candidato. Com ele, o cenário mais provável será o de uma disputa com Orleans Brandão. Sem o prefeito, o tabuleiro será virado de cabeça para baixo, com uma disputa provável entre o emedebista e Lahesio Bonfim, com Felipe Camarão rondando e com chance de chegar ao segundo lugar, para enfrentar Orleans Brandão num segundo turno. (Fontes com trânsito no Palácio de la Ravardière preveem que o prefeito Eduardo Braide anunciará sua candidatura depois do Carnaval, entre 21 e 28 de fevereiro).

Mas a chave dessa disputa para o Governo do Estado estará na composição definitiva das chapas para a corrida ao Senado, dependendo de uma só tomada de decisão: o governador Carlos Brandão será ou não candidato a senador? Se ele permanecer no Governo, como está posto até agora, a corrida aos Leões se dará entre Eduardo Braide e Orleans Brandão. Mas se ele resolver montar o cavalo selado que está passando à sua frente para leva-lo ao Senado, o cenário da disputa para o Governo mudará radicalmente, e vai depender dos movimentos do governador Felipe Camarão, que será páreo duro para qualquer adversários – há quem diga que nesse cenário Orleans Brandão retiraria a sua candidatura, confirmando o embate entre Felipe Camarão e Eduardo Braide.

O poder de fogo do governador Carlos Brandão sobre as decisões para as eleições majoritárias no Maranhão se evidenciará na corrida ao Senado. Com ele na disputa, o quadro muda radicalmente e a segunda vaga será disputada pelos senadores Weverton Rocha e Eliziane Gama e pelo ministro André Fufuca e o ex-senador Roberto Rocha, que vem ganhando espaço nessa seara. Na conversa que tiveram em novembro sobre o quadro político do Maranhão, o presidente Lula da Silva (PT) pediu-lhe para ser candidato ao Senado. Na sema passada, o governador revelou que fará uma “contraproposta” ao presidente, sem soltar qualquer pista sobre ela.

O ano de 2026 começa, portanto, mergulhado na mesma expectativa com que terminou o ano de 2025. Com a diferença de que, a partir de agora, qualquer movimento feito em relação à disputa pelo Governo do Estado e para as vagas no Senado da República deve ter caráter definitivo, uma vez que não há mais tempo a perder. Afinal, o que vier a ser decidido além do que já está posto terá de ser combinado com o eleitorado, que não parece muito simpáticos a arranjos.

PONTO & CONTRAPONTO

Pesquisas: em situações diferentes, Weverton, Rocha e Iracema chamam a atenção na corrida ao Senado

Weverton Rocha perde espaço, Roberto Rocha sobe,
Eliziane Gama e André Fufuca estabilizam e Iracema Vale
entra forte num cenário indefinido

De todos os cenários levantados pelas duas pesquisas divulgadas na virada do ano, três relacionados com a corrida ao Senado chamaram a atenção.

O primeiro o da EPO, que mostrou o senador Weverton Rocha em quinto lugar, atrás de Carlos Brandão, Roberto Rocha, André Fufuca, Eliziane Gama. Se não houver outra explicação, a lógica leva à conclusão de que o tombo está relacionado com as denúncias, em especial a do INSS, o atingiram fortemente, o que pode comprometer seriamente o seu projeto de reeleição.

O segundo dado foi o cacife eleitoral mostrado pelo ex-senador Roberto Rocha (sem partido), que pode estar atraindo o eleitorado de extrema-direita bolsonarista. Chama a atenção o fato de que ele está bem situado com ou sem a candidatura do governador Carlos Brandão.

Finalmente, os 10% dados à deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa num cenário em que Weverton Rocha tem 23%, Roberto Rocha 22%, André Fufuca 17% e Eliziane Gama 16%. São apenas 13 pontos percentuais distante do líder e a apenas seis pontos da senadora. Uma posição potencialmente boa num cenário em que os nomes postos há tempos não conseguem avançar. E vale a observação de que até aqui Iracema Vale não havia sido testada para o Senado.

Vale também a observação de que o jogo de fato começa agora.

Roberto Costa comandou a distribuição de 20 mil cestas básicas em Bacabal

Roberto Costa: participação direta na entrega de cestas

O prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB), fez a diferença na virada do ano. Por meio do programa Cesta na Mesa, criado na sua gestão, a Prefeitura de Bacabal distribuiu nada menos que 20 mil cestas básicas à população de baixa renda.

O número impressiona, e aumenta de tamanho quando relacionado com a população de Bacabal, que é de 107 mil habitantes, chega-se à informação surpreendente de que cerca de 20% da população municipal foi agraciada com a ação social.

E se levado em conta em conta o fato de que cada cesta básica foi entregue a uma família, e considerando que uma família tem em média três pessoas, chega-se à surpreendente informação segundo a qual a distribuição de cesta básica em Bacabal alcançou pelo menos 60 mil pessoas, ou seja, mais da metade da população bacabalense  

Não há nada parecido em matéria de distribuição de cesta básica no plano municipal.

Ao participar diretamente da entrega, o prefeito Roberto Costa explicou a ação: “O nosso compromisso é trabalhar em todos os momentos pela cidade. O Cesta na Mesa é o nosso programa de assistência e de apoio às famílias que mais precisam do nosso suporte, principalmente nessas datas comemorativas, tão simbólicas na vida da nossa população. Esse é um momento em que também externamos nossa gratidão ao povo, à confiança que recebemos”.

É isso aí. São Luís, 03 de Janeiro de 2026.

Destaques de 2025: Dino teve um ano excepcional como ministro do Supremo e como “líder silencioso” na política maranhense

Flávio Dino ao proferir o seu voto no julgamento
da trama golpista, em setembro, no Supremo

Exceção feita ao ministro Alexandre de Moraes, pelas razões que já se conhece, nenhum membro do Supremo Tribunal Federal (STF) esteve sob os holofotes, na mira da imprensa e de maioria do Congresso Nacional e de parte da classe política, quanto o ministro Flávio Dino. E, por outro lado, com exceção do governador Carlos Brandão (sem partido), que dominou, efetivamente, a cena política maranhense nesse período, nenhuma personalidade foi tão envolvido na cena política maranhense quanto o agora não mais político ministro Flávio Dino, mesmo sem ter dito uma só palavra ou feito qualquer gesto visível para mover peças no tabuleiro da política estadual ao longo dos 365 dias de 2025. Como ministro da Suprema Corte, esteve no epicentro de todas as situações ocorridas ao longo do ano, e no Maranhão, mesmo sem falar foi espécie de sombra na conta de quem foram debitadas todas as crises ocorridas ao longo do ano.

2025 não foi um ano fácil, ao mesmo tempo em que um ano excepcional na vida do ministro Flávio Dino. O seu lastro como servidor da Justiça do País lhe deu o espaço no qual vem construindo uma carreira cujos primeiros passos já o tornaram juiz diferenciado pelos seus conhecimentos e suas firmes e desassombradas decisões, como os seus despachos e sentenças relacionadas com a escandalosa malha de desvio por meio de emendas parlamentares, e pelos seus votos no julgamento da trama do golpista, cujo ápice aconteceu em 11 de setembro, com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua turma.  

O desmonte corajoso do uso criminoso das chamadas “emendas pix”, entre outras bandalhas dom dinheiro público o levou a uma guerra aberta com o Congresso Nacional, onde forças conservadoras e parlamentares envolvidos com esses desvios fizeram carga pesada contra o ministro e contra a própria Corte. O mesmo aconteceu com o julgamento da trama golpista, que mobilizou os partidários do projeto de golpe para mover céu e terra contra Suprema Corte e alguns ministros em particular, entre eles, claro o ministro Flávio Dino, de longe o mais enfático entre os julgadores dos envolvidos na trama golpista. Ele terminou o ano como presidente da 1ª turma, que continua o julgamento dos outros núcleos que atuaram no projeto de golpe de estado, apesar da pressão contrária feita no Congresso Nacional.

(Ao longo do julgamento, o ministro Flávio Dino emitiu votos que já são referência, deu lições não só de Direito, mas também de postura ética, às vezes bem humoradas e a maioria destinada a advogados que tentaram transformar a tribuna da Suprema Corte num palanque de baixo nível. Usou sua autoridade ao mandar a Polícia retirar do plenário um causídicos indisciplinado e sedento de holofotes).

Por outro lado, mesmo sem mover uma palha, foi presença dominante no cenário político maranhense. No embalo de uma ação sobre nomeação de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ele foi colocado na ciranda, estadual, mesmo tendo avisado que na condição de ministro da Suprema Corte não mais se envolveria na política estadual. E não deu outra, tanto que o seu afastamento vem resultando no desmonte paulatino do chamado grupo dinista, hoje resumido ao vice-governador Felipe Camarão (PT), seis deputados estaduais, dois deputados federais e uma senadora.

(O ponto forte da suspeita do seu envolvimento na política estadual tem sido um processo, por ele relatado, que muda as regras para a nomeação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado. A Assembleia Legislativa fez todos os ajustes regimentais sobre o assunto, mas o processo continua amarrado no gabinete do ministro Flávio Dino, que colocou fogo em gasolina quando mandou a Polícia Federal investigar uma suspeita – levantada por uma advogada mineira, que ele próprio não admitiu como amicus curiae na ação – de que teria havido “compra de votos” no TCE).

Ao longo ano, uma boataria forte e bem articulada espalhou várias vezes que o ministro Flávio Dino estaria armando o afastamento do governador Carlos Brandão para permitir a posse do vice-governador Felipe Camarão, que assim concorreria à reeleição. Nada, nem uma frase, nem um documento ou uma gravação confirmou a tal armação, embora ela continue viva e circulando no meio político, com maior ou menor intensidade, dependendo do momento. Enquanto ao tal afastamento não vem, o governador Carlos Brandão se movimenta para fazer “barba, cabelo e bigode” nas eleições do ano que vem.

O ministro Flávio Dino passa a virada de ano descansando na sossegada Pousada Manati, na Praia de Barra Grande, na parte piauiense de uma ponta dos Lençóis, depois de um ano em que teve atuação forte e ativa como membro da Suprema Corte e que também viveu como “líder” distante e silencioso de um grupo político que está sobrevivendo a duras penas.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia estadual teve ano produtivo no campo legislativo

Deputados participam de sessão ordinária na Assembleia Legislativa

Mesmo agitada pelas situações desafiadoras que viveu ao longo do ano. A Assembleia Legislativa do Maranhão fechou 2025 como um ano produtivo sob o ponto de vista legislativo garantido pela ação parlamentar. Divulgados no início da última semana do mês, os números da sua atuação confirmam os bons resultados: 120 sessões ordinárias, 15 sessões extraordinárias, 73 sessões solenes e duas sessões especiais.

Ao longo do período legislativo do ano, compreendido entre 3 de fevereiro e 17 de dezembro, com um rápido intervalo em julho, o parlamento estadual examinou nada menos que 559 Projetos de Lei Ordinária, tendo aprovado 117. Os demais tendo rejeitado os demais por inconsistência legislativa ou, na maioria dos casos, por inconstitucionalidade.

 No período analisado, os deputados estaduais apresentaram um grande volume de matérias. Somente em Projetos de Lei Ordinária, foram 559 proposições, das quais 117 aprovadas, 124 foram rejeitados além de matérias rejeitadas, prejudicadas, anexadas, retiradas de pauta, com duas vetadas integralmente pelo chefe do Poder Executivo. Nesse contexto, 258 projetos continua tramitando, para serem examinados ao longo do ano legislativo de 2026.

Ao longo de 2025, os deputados estaduais propuseram 4.017 indicações, apresentaram 652 requerimentos e formularam 22 moções. O relatório informa ainda que a Casa examinou e aprovaram 158 Projetos de Resolução Legislativa, três Propostas de Emenda Constitucional, três Projetos de Decreto Legislativo e Complementar de iniciativa parlamentar.

O Poder Executivo manteve a tradição de ser o que mais propostas apresenta ao parlamento: foram a 121 proposições em 2025, sendo 63 Medidas Provisórias, das quais 55 foram aprovadas, e 40 Projetos de Lei Ordinária e quatro Projetos de Lei Complementar. O Poder Judiciário encaminhou nove proposições ao Legislativo maranhense, sendo cinco Projetos de Lei Ordinária e quatro Projetos de Lei Complementar, todas aprovadas.

A Defensoria Pública do Estado apresentou dois Projetos de Lei Complementar, ambos aprovados. O Tribunal de Contas do Estado encaminhou seis Projetos de Lei Ordinária, com cinco aprovados e um pendente de votação. O Ministério Público do Estado teve um Projeto de Lei Complementar aprovado no período.

Com essa produção, os deputados estaduais irão para as urnas de 2026 com a sensação de que cumpriram seu dever.

Judiciário atuou forte e terminou o ano inaugurando uma obra que foi escândalo nacional

Forum de Imperatriz: uma mega estrutura que engoliu mais de R$ 130 milhões

O Poder Judiciário do Maranhão o teve um ano ativo, fazendo a sua parte, apesar do dissabor de ter quatro desembargadores afastados por decisão do Conselho Nacional de Justiça por suspeita de participaram de um esquema de venda de sentença.

Sob a presidência do desembargador Froz Sobrinho, que atuou inclusive como conciliador em crises institucionais, o Poder Judiciário do Maranhão fechou o ano inaugurando o novo Fórum de Imperatriz, que depois de anos abandonado como uma carcaça reveladora da má gestão e do gasto irracional do dinheiro público, mudou de status e começou a funcionar. A obra virou escândalo nacional em matéria do Fantástico, da rede Globo.

A obra foi retomada na gestão do presidente Paulo Velten, quem fez um enorme esforço fiscal e de planejamento para continuar. Ele passou a bola para o presidente Froz Sobrinho, que cuidou do que faltava para inaugurá-lo no dia 10 de dezembro.

Batizada “Desembargador Raimundo Freire Cutrim”, mega estrutura com mais de 40 mil metros quadrados, com duas torres de seis pavimentos completas, uma torre parcial com três pavimentos, sendo um para abrigar dois salões destinados à realização de júri, com 290 metros quadrados, cada, nove elevadores, além de estacionamento e outros espaços físicos, Ela custaria R$ 50 milhões, mas acabou engolindo mais de R$ 120 milhões.

A Festa de inauguração foi pomposa, mas com uma ponta, muito discreta, de constrangimento, por parte dos desembargadores.

São Luís, 31 de Dezembro de 2025.

Destaques de 2025: Brandão atravessou um ano intenso como o grande protagonista da cena política estadual

Carlos Brandão na área externa do Palácio
dos Leões, onde mora, com o presidente
Lula da Silva e inaugurando obra no interior

O Maranhão viveu um ano ao mesmo tempo intenso e tenso em 2025, principalmente na evolução da cena política, marcada por encontros e desencontros, com o emagrecimento de forças políticas poderosas e o fortalecimento de outras antes vistas como sem muito futuro. Nesse tabuleiro, o governador Carlos Brandão foi a peça dominante, protagonizando uma trajetória em que usou a força do cargo e a experiência política acumulada para manter e fortalecer a sua base de sustentação. E a receita usada – uma política municipalista abrangente e decisões políticas arrojadas, sem fechar totalmente as portas do diálogo -, fez com que ele chegasse ao final do ano no controle pleno da situação, mesmo sem partido formal desde que lhe foi tirado comando do PSB no Maranhão. Não há dúvida de que, gostem ou não os seus adversários, e independentemente do que está por vir, Carlos Brandão encerra 2025 com o Governo bem avaliado e como o grande protagonista da política maranhense.

Aos 67 anos e uma trajetória política rica e diversificada – vários períodos como secretário de Estado, dois mandatos de deputado federal e dois e sete anos como vice-governador e atual governador reeleito em turno único -, Carlos Brandão viveu os últimos 364 dias num ambiente político marcado pela incerteza, por rompimentos, por enfrentamentos, por acusações, por supostas ameaças e por muito disse-me-disse. O ano político começou sob impacto do inesperado empate (21 a 21) na disputa pelo comando da Assembleia Legislativa, em novembro de 2024, tendo ele manifestado apoio à presidente Iracema Vale, que venceu a eleição pelo critério da maior idade, mas que acabou judicializada. A partir disso, a cena política do Maranhão mergulhou na incerteza, principalmente na relação do governador com o vice-governador Felipe Camarão (PT), que juntamente com seus aliados dinistas, esperava assumir o Governo e disputar a reeleição tendo Carlos Brandão como candidato a senador, repetindo a fórmula de 2022.

A relação do governador com seu antecessor, Flávio Dino, atual ministro do Supremo Tribunal Federal, se deteriorou rapidamente, por vários motivos além da eleição na Assembleia Legislativa, sendo um deles a ação que bloqueou a nomeação de conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Nesse processo, o ministro Flávio Dino determinou a apuração de uma suspeita de compra de vaga no TCE, apontando o governador Carlos Brandão. Não bastassem esses problemas, o comando nacional do PSB afastar o governador do comando da sigla no Maranhão, entregando-o à senadora Ana Paula Lobato, que juntamente com o marido, deputado Othelino Neto (PSB), é linha de frente na oposição ao governador e ao Governo.

Mesmo usando um discurso cuidadoso, sempre dando a entender que poderia haver uma reconciliação, o governador Carlos Brandão foi também endurecendo, e muito, as suas decisões, sendo a primeira delas a decisão, segundo ele irrevogável, de não apoiar a candidatura do vice Felipe Camarão à sua sucessão. E para não deixar nenhuma dúvida de que não estava blefando, decidiu permanecer no cargo até o final do mandato, abrindo mão uma eleição certa para o Senado – todas as pesquisas até aqui indicaram isso -, avisando que lançaria um candidato ao Governo. E dando o passo mais ousado, lançou e está apoiando abertamente o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão, seu sobrinho e braço direito no comando do Governo. Sua força política transformou Orleans Brandão no principal adversário do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se este vier a ser candidato a governador.

À frente de um Governo muito ativo e realizando obras estruturantes e sociais relevantes, contando com a importante parceria institucional com o presidente Lula da Silva (PT), de quem se declara também parceiro político, Carlos Brandão teceu uma ampla teia de alianças municipais, de modo que conta hoje com o apoio político declarado de mais de 170 prefeitos, incluindo os do maiores municípios. Conta também com o apoio político 30 dos 42 deputados estaduais, liderados pela presidente Iracema Vale (PSB), e de 12 dos 18 deputados federais, e de um dos três senadores, já que a senadora Eliziane Gama (PSD) está em processo de afastamento da base governista. Nesse contexto, exibe confiança de que seu projeto será vitorioso.

O fato é que o governador Carlos Brandão acumulou cacife político para seguir o rumo que quiser no cenário. E tem até abril de 26 para confirmar ou mudar o atual caminho.

PONTO & CONTRAPONTO

Sete referências de uma equipe que atuou forte no Governo do Estado em 2025

Sebastião Madeira, Aparício Bandeira, Marcellus Ribeiro,
Tiago Fernandes, Paulo Casé, Fábio Gentil e Bira do
Pindaré foram atuaram forte na equipe do Governo em 2025

Ao longo ano, o governador Carlos Brandão (sem partido) acionou toda a capacidade produtiva do Governo do Estado para atender a um grande conjunto de ações nas mais diferentes áreas. Nesse contexto, os titulares de todas as pastas foram importantes. Ouvindo fontes diversas, e sem pretender criar uma lista de “eleitos” nem um ranking de “melhores”, a Coluna destacou seis secretário que tiveram atuação forte e decisiva no Governo do Estado ao longo de 2025.

No comando da Casa Civil, o experiente médico e político Sebastião Madeira, trabalhou duro na relação do Governo com os demais Poderes do Estado, atuando também na articulação política como elo entre o Palácio dos Leões e a classe política e com a sociedade civil. Termina o ano apontado como forte candidato a deputado estadual, liderando o PSDB no Maranhão.

No comando da Secretaria de Infraestrutura, Aparício Bandeira, engenheiro civil experiente, e profundo conhecedor da máquina pública, foi decisivo no planejamento e acompanhamento mais de mil obras nos mais diferentes recantos do estado, incluindo a extensão da Avenida Litorânea em São Luís e a nova ponte sobre o Rio Preguiças em Barreirinhas, por exemplo.  

Auditor da Receita Federal de carreira, Marcellus Ribeiro vem liderando com eficiência a bem planejada modernização gestão tributária e financeira do estado. Sua atuação tem assegurado ao Governo do Maranhão uma política fiscal rigorosa, de modo a assegurar recursos para o Governo bancar o conjunto de ações, além do custeio da máquina e da política de investimentos.

O advogado e graduado em administração pública Tiago Fernandes teve um ano de grandes resultados no comando da Secretaria de Estado da Saúde, sendo o maior deles ganhou movimentos na semana passada: o Hospital de Alta Complexidade de Imperatriz, que equivale em estrutura ao Hospital Carlos Macieira, em São Luís

O secretário de Estado do Desenvolvimento Social (Sedes) é Paulo Casé arquiteto e engenheiro civil, foi o responsável direto pela grande expansão, ao longo do ano, de um dos programas sociais mais importantes do Governo brandão: o Restaurantes Populares, que encerra 2025 com a gigantesca malha 201 formada por unidades.

Ex-prefeito e líder de um grupo político forte em Caxias, o engenheiro civil Fábio Gentil (PP) tem feito a diferença no comando da pasta, dando vazão a programas como o “Tempo de Semear”. Além de titular da pasta da Agricultura, Fábio Gentil fecha o ano com papel importante na articulação política do Governo.

Um dos mais ativos auxiliares do governador Carlos Brandão, o advogado, bancário e ex-deputado federal Bira do Pindaré (PSB) encerra o ano apontado como eficiente no comando da Secretaria de Agricultura Familiar e como nome forte na disputa por vagas na Câmara Federal.

Marcus Brandão trilhou 2025 com forte presença nos bastidores políticos do Maranhão

Marcus Brandão durante entrevista, no vídeo que denunciou complô e no que confirma sugere Orleans Brandão

Ele não tem cargo no Governo, mas tem forte influência política na base governista por dois vieses: é o irmão mais velho e conselheiro do governador Carlos Brandão (sem partido) e pai de Orleans Brandão, pré-candidato lançado pelo mandatário à sua sucessão, e por ser até semanas atrás o presidente estadual do MDB, o que lhe deu legitimidade política para atuar na aliança partidária que dá sustentação ao Governo.

Ao longo de 2025, sua atuação nos bastidores políticos foi intensa, o que pode ser expressado em três episódios, que mostraram o seu poder de fogo.

O primeiro foi um vídeo no qual ele atuou para proteger o governador de suposta tentativa de adversários de querer tirá-lo do cargo, citando inclusive o ministro Flávio Dino como parte do suposto complô. O segundo, também em vídeo, este gravado dentro de um veículo, ele fez a primeira confirmação de que Orleans Brandão seria o nome a ser lançado pelo governador Carlos Brandão na corrida sucessória. E o terceiro foi a organização da maior convenção já realizada pelo MDB no Maranhão, na qual Orleans Brandão foi informalmente confirmado pré-candidato a governador e foi eleito presidente regional do partido.

A atuação política e a influência têm lhe custado preço elevado. Ele começou ano sob o impacto da sua demissão do cargo de diretor de Relações Institucionais da Assembleia Legislativa, sob a alegação de nepotismo cruzado feita por políticos de oposição, entre eles os deputados dinistas, que têm disparado chumbo grosso na sua direção, fazendo-lhe duras acusações.

Mas o empresário Marcus Brandão encerra o ano sinalizando que vai continuar atuando forte cenário político maranhense, para comandar a campanha do candidatura do secretário Orleans Brandão ao Governo do Estado ou a do governador Carlos Brandão, ou ainda, numa hipótese mais remota, a dele próprio a deputado federal.

São Luís, 30 de Dezembro de 2025.