
Brandão com o Governo Lula da Silva. Nesta imagem, da semana passada, ele com o ministro dos Transportes Renan Filho, que anunciou várias ações no Maranhão, como a entrega de 54 km de pavimentação em concreto rígido na BR-135 (Miranda/Caxuxa)
Se há, de fato, um ou vários projetos efetivos, no campo judicial, para afastar o governador Carlos Brandão (sem partido) do cargo, de modo que o vice-governador Felipe Camarão (PT) venha a assumir o Governo e se candidatar à reeleição, os projetistas que cuidem de fazer a coisa bem feita, e com base legal muito sólida. Isso porque o governador Carlos Brandão não parece um chefe de poder colocado contra a parede, temeroso de perder o poder e ver o seu projeto político ser tragado por uma tsunami. Ao contrário, o mandatário maranhense emite todos os sinais de que está pronto para enfrentar qualquer obstáculo que vier a ganhar forma na sua frente.
Sem apontar essa ou aquela personalidade do campo adversário, o governador Carlos Brandão manifestou essa impressão ao ser provocado sobre o assunto pela Coluna, ontem à noite: “Acho que esse pessoal está desesperado!”
E na mesma linha, evitando citar nomes, justificou sua avaliação: “Não conseguem ficar sem Governo! Perderam os votos que eram do Governo anterior. Querem me tirar na marra da cadeira criando processos jurídicos fantasiosos e mandando recados com ameaças”.
O governador Carlos Brandão foi além na resposta à indagação da Coluna, rascunhando o que ele chamou de desespero de seus adversários: “Tentaram ir para o (prefeito Eduardo) Braide (PSD). Só que o Braide não quer eles como aliados! Por outro lado, não têm chance de se aliar ao Lahesio (Bonfim, candidato do Novo), pelo fato de ser um candidato de direita!”.
E fechou a resposta com uma conclusão dura: “Estão perdidos!”
A Coluna tentou ouvir vozes oposicionistas de peso sobre o assunto, mas elas preferiram evitar declarações e simplesmente afirmar que nada têm a ver com a onda de especulações a iminência de supostas tentativas de afastar o governador Carlos Brandão do cargo. Uma dessas vozes, falando em off, afirmou acreditar que pode haver uma reviravolta na nomeação do advogado Daniel Brandão para o Tribunal de Contas do Estado, mas que isso não afetará diretamente o governador Carlos Brandão, por não ter sido ele quem assinou o ato. Se essa mudança vier a acontecer – o que muitos acham no mínimo improvável -, será uma tremenda reviravolta no cenário político estadual, com forte repercussão na cena política, mas sem o poder de alterar a corrida sucessória.
No mesmo contexto, oposicionistas dão outra versão para as conversas que vêm mantendo como o prefeito Eduardo Braide, quer publicamente vem mantendo o obstinado silêncio sobre ser ou não ser candidato. E o peso da dúvida está no fato de que, se sair, estará abrindo mão de dois anos e nove meses de mandato no comando da Prefeitura da Capital, a maior e mais importante do Maranhão, que representa nada menos que uma população de 1,2 milhão de habitantes e um orçamento de R$ 6,1 bilhões para este ano.
Com as posições, impressões e avaliações que compuseram sua resposta à Coluna, o governador deu uma demonstração bem clara de que está seguro de como está agindo no campo político, exibindo também expectativa otimista em relação ao desfecho nas urnas. Ele já disse e repetiu que está aberto a conversações, mas as condiciona com pontos inegociáveis: a candidatura de Orleans Brandão e a sua permanência no cargo. Quando fala em relação às definições que buscará na conversa decisiva que terá com o presidente Lula da Silva (PT) ao longo de março, ele admite conversar sobre uma improvável candidatura sua ao Senado, só possível com a renúncia de Felipe Camarão ao cargo de vice-governador, o que parece também impossível.
O fato é que o governador Carlos Brandão não leva muito a sério a onda de especulações, mas também não as menospreza inteiramente, indicando que está preparado para o pode estar a caminho no intenso movimento das águas de março.
PONTO & CONTRAPONTO
Braide inicia contagem regressiva para decidir se será ou não candidato ao Governo
O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), entra hoje numa espécie de contagem regressiva de média duração para decidir se será ou não candidato a governador do Maranhão. No meio político, parece haver uma divisão quase meio-a-meio sobre o assunto, com uma banda achando que ele deixará o cargo para enfrentar as urnas, e outra supondo que ele preferirá permanecer no cargo.
Se a decisão do prefeito depender de uma avaliação relacionada com vantagens e conveniência, a tendência nítida favorece a opção de deixar o cargo e enfrentar as urnas.
Isso porque, saindo agora e ganhando a eleição para o Governo, ele terá o controle do Maranhão e de São Luís, o que lhe dará um poder de fogo excepcional. Admitindo-se que ele deixe a Prefeitura e não se eleja governador, poderá se candidatar a prefeito em 2028, já que terá cumprido apenas um terço do segundo mandato.
Mas se, por outro lado, Eduardo Braide decidir permanecer no cargo, o mandato municipal terminará em dezembro de 2028, passando o cargo para um aliado ou para um adversário. Nesse caso, ficará dois anos sem mandato, para disputar o Governo em 2030.
O grande problema da segunda opção é que a corrida ao Palácio dos Leões em 2030, poderá ser renhida porque outra geração estará tentando chegar lá, como o ministro André Fufuca (PP), principalmente se for eleito senador, e os deputados federais Juscelino Filho (União), Pedro Lucas (União) e Duarte Jr. (PSB), a deputada Iracema Vale (MDB) e o prefeito de Bacabal Roberto Costa (MDB), por exemplo.
Todos eles têm projetos sobre o tema.
Pedro Lucas enfrenta as consequências de um racha no União Brasil
O deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que lidera a bancada do União Brasil na Câmara Federal, está sofrendo as consequências uma guerra que vem corroendo as entranhas do partido desde que o Antônio Rueda assumiu o comando da agremiação, que hoje é arte da federação União Progressista, fruto da aliança com o PP.
O União Brasil é fruto da fusão da banda do antigo PSL, partido de direita dura que rompeu com o bolsonarismo, e o DEM, de centro-direita, comandado pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto. Só que no jogo interno do poder, Antonio Rueda, que mantém fortes laços com o bolsonarismo, assumiu a presidência, tendo o deputado maranhense Pedro Lucas Fernandes como um dos seus fiéis escudeiros.
Nesse momento, quando muitos parlamentares aproveitam a janela fazem o troca-troca partidário, alguns integrantes da bancada do União tentam fazer esse movimento e acusam o líder e o presidente de criarem obstáculos.
Na verdade, o que está em andamento é um racha no União Brasil, com partido defendendo uma convivência mais produtiva com o Governo Lula da Silva (PT) e outra banda defendendo distanciamento do Governo e aproximação com as correntes da direita radical.
No Maranhão, o deputado Pedro Lucas integra a banda do União Brasil que segue Antonio Rueda e vem atuando para criar dificuldades para o Governo do presidente Lula da Silva, enquanto o deputado federal Juscelino Filho, que foi ministro das Comunicações, que integra a banda remanescente do antigo DEM, alinhado, portanto, a ACM Neto, atua para que o partido tenha uma relação produtiva com o Governo do PT.
Ninguém sabe e que medida esse racha prejudicará o União Brasil, mas algumas previsões indicam que o partido vai sair chumascado dessa peleja doméstica.
São Luís, 01 de Março de 2026.

