Pesquisa confirma tendência de dois turnos com disputa entre Eduardo Braide e Orleans Brandão

Eduardo Braide lidera seguido de perto por Orleans Brandão;
Lahesio Bonfim é terceiro e Felipe Camarão continua em último

Se a eleição para o Governo do Estrado fosse realizada agora, haveria dois turnos, sendo o segundo e decisivo disputado pelo prefeito Eduardo Braide (PSD) e o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB). No primeiro turno, Eduardo Braide teria 34,6% dos votos, enquanto Orleans Brandão sairia das urnas com 30,3% da votação. O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), ficaria em terceiro com 16,1%, seguido pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) com 6,9%. Foi esse o cenário encontrado pela pesquisa do instituto Paraná Pesquisa, que registrou também 5,7% de eleitores que não quiseram ou não souberam responder, e outros 6,4% que anulariam o voto.

O Paraná Pesquisas ouviu também os entrevistados sobre o segundo turno. Na disputa entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, o prefeito de São Luís seria eleito governador do Maranhão com 47,3%, contra 39,1% dados ao secretário de Assuntos Municipalistas. Em outra simulação, essa entre Orleans Brandão e Lahesio Bonfim, o candidato do MDB chegaria ao Palácio dos Leões com 47,1% contra 36,8% dados ao candidato do Novo.

Quatro informações, que só confirmam os levantamentos feitos depois que o secretário Orleans Brandão foi definido como pré-candidato, chamam a atenção no novo levantamento.

A primeira é o fato de o prefeito Eduardo Braide liderar a corrida ao Palácio dos Leões sem haver declarado se será ou não candidato a governador. Na semana passada, quando perguntado se será candidato, respondeu dizendo que essa a era uma informação que nem a primeira-dama Graziella Braide tinha naquele momento. Ele exerce uma liderança na condição de hipótese, que tem até o dia 4 de abril para se tornar concreta ou ser descartada. Ao contrário dos demais pré-candidatos, que nada têm a perder, Eduardo Braide tem o desafio de abrir mão de dois anos e meio de mandato como prefeito bem sucedido da maior e mais importante cidade do Maranhão.

A segunda é que Orleans Brandão chega ao segundo lugar como o resultado de uma bem armada construção política, que começou como uma possibilidade de disputar vaga na Câmara Federal, ganhou fôlego e, turbinado pelo apoio declarado do governador Carlos Brandão (sem partido) e ganhou envergadura de pré-candidato da aliança governista, que reúne 11 partidos. Com as cautelas de marinheiro de primeira viagem, ele tem sabido levar à frente a estratégia como secretário de Assuntos Municipalistas e braço direito do governador Carlos Brandão, por quem está sendo preparado, conforme declarações do próprio chefe do Poder Executivo. Tem potencial para crescer, mas sabe que, se Eduardo Braide for candidato, enfrentará um adversário muito forte.

A terceira informação diz respeito ao candidato do Novo, Lahesio Bonfim, pois não deixa de ser surpreendente que ele mantenha um cacife nada desprezível sem uma base sólida, o que, confirmado esse cenário, o torna um nome com peso para influenciar nas articulações para um eventual segundo turno. Ao mesmo tempo, se Eduardo Braide não for candidato, Lahesio Bonfim estará naturalmente credenciado como o principal adversário de Orleans Brandão, como foi de Carlos Brandão em 2022.

A quarta informação é sobre a posição do vice-governador Felipe Camarão, cujo percentual a ele destinado pelo eleitorado ser, de fato, desanimador. Ao contrário dos demais candidatos, o vice-governador ainda briga para obter o apoio do seu partido, o PT, que está nitidamente dividido entre ele e o candidato do MDB. Daí a necessidade que o petista tem de um posicionamento forte da cúpula nacional e do próprio líder maior, o presidente Lula da Silva, para confirma-lo ou não como candidato. Antes disso, ele dificilmente alcançará a barreira dos dois dígitos.

Os números encontrados pelo Paraná Pesquisas indicam uma tendência, que só será consolidada em definitivo com a definição do prefeito Eduardo Braide.

Em Tempo: A pesquisa ouviu 1.300 eleitores em diversas regiões do Maranhão no período de 5 a 8 de março, tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está registrada na Justiça Eleitoral sob o protocolo MA-00634/2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte Júnior caminha para definir seu futuro partidário, podendo ou não permanecer no PSB

Duarte Júnior: momento de decisão

Um dos quadros mais bem sucedidos da nova geração de políticos do Maranhão – mesmo com duas tentativas frustradas de chegar à Prefeitura de São Luís -, o deputado federal Duarte Júnior ainda não resolveu sua situação partidária. Atualmente, o parlamentar integra a bancada do PSB, mas vive uma situação delicada entre o grupo identificado como dinista, que hoje faz dura oposição ao Governo estadual, e a base do governador Carlos Brandão (ex-PSB e hoje sem partido).

Próximo ao governador Carlos Brandão, Duarte Júnior tem feito movimentos no sentido de apoiar o projeto de candidatura de Orleans Brandão (MDB), mas sem fazer gestos de hostilidades ao vice-governador Felipe Camarão (PT).

Na verdade, Duarte Júnior trabalhou para que o grupo de 2022 permanecesse unido, tendo se mantido distante nos confrontos que resultaram no rompimento do chamado grupo dinista com o governador Carlos Brandão.

 O parlamentar permanece ligado à cúpula nacional do PSB, sendo amigo do presidente nacional do partido, o prefeito do Recife João Campos, e da mulher dele, a deputada federal Tábata Amaral (PDT/SP). E segue a linha do partido na base de apoio do presidente Lula da Silva (PT).

No Maranhão, está vinculado ao governador Carlos Brandão, com quem tem boa relação, e por conta da presença da sua esposa, Karen Barros, no comando do Viva Cidadão, estrutura à qual é ligada desde o Governo Flávio Dino.

Por conta da situação política criada no Maranhão, é provável que o deputado federal Duarte Júnior esteja próximo de tomar uma das decisões mais difíceis em relação ao seu futuro partidário.

Edson Araújo será deputado até 31 de dezembro, mas não mais retornará à Alema

Edson Araújo: distante da Alema

O deputado Edson Araújo (sem partido, expulso que foi do PSB) não voltará mais à Assembleia Legislativa. Ele não renunciará ao mandato e certamente não será cassado por seus pares, mas a sua vida parlamentar está encerrada. Até o dia 31 dezembro, ele continuará deputado estadual, receberá seus vencimentos, mas permanecerá de licença médica.

Suspeito de envolvimento no criminoso esquema de descontos ilegais nos contracheques de aposentados do INSS, tendo movimentado milhões e milhões via entidades – na verdade quadrilhas – que exploravam aposentados do setor pesqueiro, o deputado tem um duro ajuste de contas com a Justiça.

No quinto mandato consecutivo, todos conseguidos por meio de sindicatos de pescadores, Edson Araújo era secretário de Estado, abrindo vaga para o suplemente Adelmo Soares (PSB), que vai concorrer com a vantagem de encontrar-se no exercício do mandato.

São Luís, 11 de Março de 2026. 

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