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Assembleia Legislativa reconhece estado de calamidade e confirma as medidas adotadas por Dino

 

Flávio Dino; municiado com meios legais para comandar ações contra pandemia

O governador Flávio Dino (PCdoB) está agora efetivamente munido de instrumentos legais para consolidar as medidas de combate ao coronavírus que tomou na semana passada, por meio do Decreto nº 35.677, em que declara Estado de Calamidade Pública no Maranhão, motivado pelo avanço da Covid-19 e da gripe H1N1 e pela cheia dos principais rios do estado, que já desabrigou centenas de famílias. O municiamento do chefe do Poder Executivo se deveu à aprovação, ontem, pela Assembleia Legislativa, numa sessão histórica – a primeira realizada com votação Remota por Videoconferência, com o plenário vazio -, comandada pelo presidente Othelino Neto (PCdoB), do Projeto de Decreto Legislativo reconhecendo estado de calamidade pública em território maranhense. Assim, ficam valendo, com base legal, as medidas adotadas pelo governador no dia 21/03, depois que as duas Casas do Congresso Nacional reconheceram o Estado de Calamidade Pública no País, ratificando decreto do presidente da República.

A decisão da Assembleia Legislativa confirmou a suspensão por 15 dias – valendo até 04/04, portanto, em todo o território estadual, de atividades que possibilitem grande aglomeração de pessoas em equipamentos públicos ou de uso coletivo, assim como atividades e serviços não essenciais, a exemplo de academias, shopping centers, cinemas, teatros, bares, restaurantes – estes poderão funcionar para atendimento delivery ou drive-thru -, lanchonetes, centros comerciais, lojas e estabelecimentos congêneres. Do mesmo modo, ficam suspensas pelo mesmo período, visitas a pacientes com suspeita de infecção ou infectados por Covid-19, internados em hospital público ou privado. O Decreto suspende, também por 15 dias, os prazos dos processos administrativos em tramitação no Poder Executivo. E proíbe a atracação de navios de cruzeiro oriundos de estados ou países com circulação confirmada do coronavírus.

Ao mesmo tempo, o Estado de Calamidade Pública garante a assistência médica em todo e qualquer estabelecimento hospitalar, clínicas e laboratórios, assim como a distribuição e a comercialização de medicamentos, gêneros alimentícios por supermercados e congêneres, e o funcionamento pleno dos serviços de abastecimento de água e geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, gás, combustíveis, telecomunicação, processamento de dados, de segurança privada, de imprensa e funerários.

E suspende, também as atividades da máquina pública estadual – secretarias, autarquias e empresas públicas – pelo mesmo período, exceto as da Casa Civil e as das Secretarias de Governo, Saúde, Fazenda, Comunicação Social e Assuntos Políticos, Segurança Pública, Administração Penitenciária, Gestão, Planejamento e Orçamento e do Desenvolvimento Social, além da Empresa Maranhense de Serviços Hospitalares (EMSERH). O Decreto deixa claro que a suspensão das atividades não significa folga para os servidores, que poderão realizar serviços por teletrabalho, conforme determinação dos dirigentes de cada pasta.

A situação de calamidade pública está lastreada na Constituição Federal, que prevê a saúde como direito de todos e dever do Estado, e na Constituição do Maranhão. E as medidas adotadas estão lastreadas nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde sobre a pandemia do coronavírus, e ainda no fato de que o Maranhão elaborou Plano de Contingência e que a situação demanda o emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública, a fim de evitar a disseminação da doença em âmbito estadual. Levou em conta também “o aumento brusco, significativo e transitório da ocorrência de doenças infecciosas geradas pelo vírus H1N1”, e o risco de doenças contagiosas que resultam das enchentes em diversos municípios.

O Decreto Legislativo aprovado ontem pela Assembleia Legislativa reconhecendo o Estado de Calamidade Pública decretado pelo governador Flávio Dino lhe dá, finalmente, o poder temporário de “condicionar e restringir o exercício de liberdades individuais, com vistas a ajustá-los aos interesses coletivos e ao bem-estar social da comunidade, em especial para garantir o direito à saúde e a redução do risco de doença e de outros agravos”.

Vale anotar que as medidas decretadas estão dentro dos padrões adotados por todos os países alcançados pela pandemia de coronavírus. E que elas se tornarão bem ais eficazes se os maranhenses cumprirem a quarentena lavando as mãos sempre que necessário.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto comemora pioneirismo da sessão por videoconferência

Othelino Neto viveu pioneirismo na presidência da sessão por videoconferência

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto foi dormir ontem provavelmente com a sensação de que sua gestão entrará para a história respondendo por um marco importante na trajetória do Poder Legislativa. O simples fato de presidir a sessão que reconheceu o Estado de Calamidade Pública decretado pelo governador Flávio Dino já seria suficiente para ser registrada nos anais como histórica. Mas ao presidir uma sessão extraordinária dessa importância como a primeira realizada em videoconferência, com a participação de 38 deputados, deu-lhe uma dimensão muito maior. Isso sem levar em conta a eficiência da equipe que lhe deu suporte mostrando preparo.

O presidente da Assembleia Legislativa agradeceu a ampla participação dos deputados estaduais que prontamente atenderam à convocação feita para a sessão extraordinária remota, na qual foi autorizado o decreto do governador do Estado que instalando o estado de calamidade pública em todo o no Maranhão por causa do coronavírus.

“Foi um momento novo para todos nós e com grande participação dos parlamentares. Hoje, chegamos a ter, entre uma votação e outra, 38 deputados presentes, o que é um número bastante elevado.  Certamente, os que não puderam comparecer tiveram dificuldades em razão da localidade que estão e não conseguiram acessar a internet. Mas, todos muito empenhados em buscar soluções para o momento atual”, destacou.

O chefe do Legislativo maranhense também agradeceu à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, por sempre referendar as decisões que têm de ser tomadas, sobretudo, neste momento de crise vivenciada por conta da propagação do novo coronavírus. Ele pontuou ainda que a montagem da estrutura e do sistema utilizado na sessão por videoconferência teve custo zero para o erário público. Informou também que todo o sistema foi construído pelo corpo técnico do setor de Tecnologia e Informação da Alema, o que permitiu a realização da sessão e o cumprimento da importante missão de ajudar no combate ao COVID-19.

“Agora temos a autorização para fazer as sessões por videoconferência, o que vai nos permitir, neste período em que não pudermos nos reunir presencialmente, deliberar sobre temas importantes para o Maranhão, como foi agora, quando autorizamos o Decreto de Calamidade Pública enviado pelo Poder Executivo”, frisou o parlamentar.

O clima entre os deputados foi de quase euforia com a novidade.

 

Bolsonaro assombra o Brasil em horário nobre em rádio e TV

Jair Bolsonaro briga com a máscara de proteção, parecendo perdido no papel de presidente

O presidente Jair Bolsonaro assombrou ontem o Brasil. O seu discurso, feito em horário nobre de rádio e TV, foi um misto de ignorância, arrogância e desequilíbrio jamais pronunciado por um chefe de Estado federal, estadual e municipal em qualquer momento dos 131 anos da República brasileira. A expressão patética, sem qualquer traço de serenidade, e misturando ódio e sarcasmo, produziu uma figura estranha, parecida com tudo, mesmos com um chefe de Estado e de Governo num momento de crise.

O presidente se esforçou para ser engraçado, fez piadinha insossa e – incrível! – debochou da morte, contrariando, de maneira agressiva, todos os padrões de sensatez que deve mover um homem público, principalmente em momentos como esse. Pior: com sua irresponsabilidade, ao mesmo tempo em que elogiou ministro Luiz Henrique Mandetta, mas seu discurso tosco foi a negação de tudo o que o Ministério da Saúde vem pregando em sintonia com a OMS.

O governador Flávio Dino foi preciso no comentário que fez da opereta inacreditável protagonizada pelo presidente da República: “O pronunciamento de hoje mostra que há poucas esperanças de que Bolsonaro possa exercer com responsabilidade e eficiência a Presidência da República. Os danos são imprevisíveis e gravíssimos”.

A conclusão óbvia de tudo isso é que o sr. Jair Bolsonaro perdeu, de fato, as condições para governar o País. Aliás, ele nunca as teve.

São Luís, 25 de Março de 2020.

Reunião com governadores sinalizou que Bolsonaro caiu na real e que Dino estava certo nas cobranças 

 

Videoconferência: imagem mostra Jair Bolsonaro marcando Flávio Dino com polegar

Os nove governadores do Nordeste encerraram a segunda-feira (23) dando ao País uma demonstração cabal e indiscutível de que, ao contrário do que pregavam o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua falange nas redes sociais, eles estão agindo certo na guerra contra o coronavírus. A vídeo-reunião de ontem, na qual o presidente da República anunciou um pacote de medidas – entre elas uma que prevê a liberação de R$ 8,5 bilhões para o combate direto ao coronavírus, e outra que suspende por três meses o pagamento das dívidas dos Estados para com a União -, foi a confirmação de que as críticas e cobranças feitas pelo governador Flávio Dino (PCdoB) e seus colegas nordestinos tinham sólidos fundamentos. Essa situação se consolidou com mais uma incoerência do presidente da República, que diante das inúmeras e duras críticas que recebeu, voltou atrás e revogou artigo da MP que prejudicaria milhões de trabalhadores. Foi um dia alentador. O presidente, parece, tomou um choque de realidade e, mesmo contra sua vontade, assumiu o papel que lhe cabe no enfrentamento dessa crise.

No início da noite, em entrevista à TV Mirante e em mensagens nas redes sociais, o governador Flávio Dino, que no domingo bateu forte na falta de comando por parte do presidente nas ações federais, fez uma avaliação honesta e franca da vídeo-reunião com o presidente Jair Bolsonaro, começando por deixar patente que ela foi o resultado de pressões. O governador defendeu todas as iniciativas tomadas por ele e seus colegas para tirar a população de circulação e, assim, evitar que o coronavírus se propague em larga escala, às vezes “peitando” o Palácio do Planalto e tendo de recorrer à Justiça. Ao mesmo tempo, o governador destacou como acertadas as medidas anunciadas pelo presidente Jair Bolsonaro, reconhecendo, com a franqueza de sempre, que, se forem de fato colocadas em prática com a liberação dos recursos previstos, os Estados e municípios terão as condições necessárias para enfrentar os problemas que ganham forma à medida que o coronavírus avança no País.

Os compromissos assumidos ontem pelo presidente com os governadores têm de ser concretizados na prática imediatamente. E o motivo da pressa está nos números mostrados no noticiário desta segunda-feira à noite: mais de 1900 casos confirmados, com 34 mortos em todo o País. No Maranhão, já são oito casos confirmados. Isso num contexto em que já não se tem como aferir os casos suspeitos, que já podem ser dezenas de milhares, uma vez que o coronavírus já alcançou todo o território nacional. Esse cenário levou o governador Flávio Dino a cobrar urgência na liberação dos recursos, que poderão ser liberados, já que o Brasil está sob estado de calamidade pública, o que elimina as restrições em relação a gastos em casos dessa natureza.

Com os recursos previstos, o Governo do Maranhão poderá colocar em prática todo o planejamento que vem fazendo desde que entendeu que o problema é grave. O Maranhão está realmente dando uma resposta forte à chegada da pandemia, principalmente nos grandes centros. São Luís tem sido exemplar no acatamento das medidas de confinamento social, com fechamento das escolas, das repartições públicas e do comércio – incluindo shoppings centers -, e suspensão de todas as atividades culturais. Grandes centros como Imperatriz, Caxias, Timon, Codó, Bacabal, Pedreiras, Coroatá, Santa Inês, Pinheiro, Chapadinha, Açailândia, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Barra do Corde, Grajaú, Zé Doca, que abrigam mais de dois milhões de maranhenses e que, tudo indica, adotaram medidas similares, e, até onde se sabe, estão conseguindo montar estruturas possíveis para enfrentar o que vem por aí. O problema é o que fazer para evitar que o coronavírus chegue aos outros cinco milhões de maranhenses espalhados por mais de 200 outros municípios, a grande maioria pobre e deficiente em matéria de estrutura de saúde.

É esse o maior desafio mostrado nas críticas, nas cobranças e nos alertas feitos insistentemente pelo governador do Maranhão ao presidente da República. Isso porque em muitas declarações e gestos que causaram perplexidade, o chefe da Nação pareceu esquecer que o Brasil tem 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 26 estados e o Distrito Federal e nada menos que 5.570 municípios, que abrigam mais de 220 milhões de brasileiros, a maioria dependendo do amparo do Poder Público para enfrentar essa ameaça de tragédia social.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia na História: deputados fazem primeira sessão remota para decidir contra coronavírus

Técnicos trabalharam ontem intensamente na preparação da sessão remota de hoje

A exemplo do que aconteceu com o Senado da República na semana passada, a Assembleia Legislativa viverá hoje um dia histórico no campo da tecnologia da comunicação: atendendo a convocação do presidente Othelino Neto (PCdoB), os deputados estaduais maranhenses se reunirão hoje, às 16 horas, em sessão extraordinária para discutir e votar o Projeto de Decreto Legislativo que reconhece o Estado de Calamidade no Maranhão, decretado pelo Governador Flávio Dino (PCdoB), como medida para combater o coronavírus. O dado histórico é que a sessão será realizada pelo Sistema Remoto de Videoconferência, ou seja, sem a presença dos deputados em plenário.

A sessão será duplamente especial. Primeiro porque o Projeto de Decreto Legislativo reconhecendo a situação de Calamidade Pública no Maranhão é inédita neste século e foi proposta pelo governador Flávio Dino numa situação de extrema gravidade e sem paralelo na história do estado: a pandemia do coronavírus, que se espalha por todo o planeta, avança no Brasil e já tinha oito casos confirmados no Maranhão na noite de ontem. Como medida preventiva ao coronavírus, o presidente Othelino Neto havia suspendido por 15 dias as atividades da Assembleia Legislativa. A sessão de hoje é uma exceção imposta pela   gravidade da situação.

No aspecto operacional, a sessão ganha dimensão histórica por ser a primeira a ser realizada pelo Sistema Remoto de Videoconferência. Para sua realização, a Diretoria de Tecnologia e Informação da Assembleia Legislativa, que mobilizou todo o seu arsenal de transmissão de som e imagem para garantir a transmissão, ao vivo, da sessão pela TV Assembleia, no canal aberto digital 51.2, pela TVN (canal 17), assim como pelo site www.al.ma.leg.br/tv e pela rádio web, www.radioalema.com. “É um aplicativo de videoconferência que oferece a melhor qualidade de imagem e áudio e o compartilhamento de tela, disponível no mercado. Além disso, é um meio muito seguro por onde os deputados poderão votar e discutir matérias”, ressaltou o diretor de Tecnologia e Informação, Paulo Marcelus.

Jornalista por formação, portanto fortemente vinculado ao processo da comunicação, sendo entusiasta dos avanços de transmissão da informação, o presidente Othelino Neto destacou o passo a ser dado hoje: “A ferramenta é uma forma de continuarmos desempenhando as nossas funções no Parlamento e, ao mesmo tempo, assegurarmos o isolamento social necessário para evitar a propagação da pandemia, que tem se alastrado por todo o mundo e que já chegou ao Maranhão”.

 

Pré-candidatos a prefeito de São Luís reduzem intensidade das suas pré-campanhas

O coronavírus fez com que os pré-candidatos a prefeito de São Luís tirassem o pé do acelerador e entrassem em marcha lenta na corrida para viabilizarem seus projetos eleitorais. Eduardo Braide (Podemos), Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Jeisael Marx (Rede), Carlos Madeira (SD), Franklin Douglas (PSOL), Saulo Arcangeli (PSTU), Eduardo Braide (Podemos), Wellington do Curso (PSDB), Adriano Sarney (PV),  Neto Evangelista (DEM), Duarte Júnior (Republicanos), Yglésio Moisés (PROS) e Detinha (PL), encontram-se, cada um a seu modo, participando do esforço para quebrar o impacto da pandemia que já chegou a São Luís e ameaça fazer um estrago  na população da capital. Todos torcem para que as medidas até aqui adotadas surtam efeito, mas alguns, mesmo não torcendo em contrário, se preparam para usar o alastramento do vírus como mote de campanha caso a situação se agrave e a Justiça Eleitoral mantenha o pleito, como já avisou o comando do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O certo é que os pré-candidatos quede fato têm chance de chegar ao Palácio de la Ravardière estão preocupados com o que o eleito terá de administrar se a virose do novo corona se agravar na Capital. As próximas semanas desenharão o cenário possível para janeiro de 2021, e isso poderá definir confirmar ou alterar o que está agendado para outubro.

São Luís, 24 de Março de 2020.

 

Dino critica Bolsonaro: “Não é hora de brigar com a China nem com governadores. É hora de salvar vidas”

 

Flávio Dino cobra mais ações federais contra o coronavírus e diz que Jair Bolsonaro tem postura equivocada e atrapalha o Ministério da Saúde

Causa perplexidade que numa situação de crise como a que o Brasil está vivendo, em decorrência da explosiva soma da pandemia do coronavírus com os problemas econômicos – que já eram gigantescos e que agora se agravarão em escala imensurável -, governadores tenham de reclamar de dificuldades de relacionamento com o Governo Federal, e em particular com o presidente da República.  As declarações do governador Flávio Dino (PCdoB), dadas em entrevista na manhã de ontem, quando anunciou o segundo caso de infectado por convid-19 no Maranhão e adotou novas medidas para conter a expansão do coronavírus, refletiram bem essa situação anormal. “Nós temos o ministro da Saúde tentando trabalhar, e dizendo: ´É grave`. E nós temos o presidente da República atrapalhando o trabalho do Ministério da Saúde, e fazendo com que outros órgãos federais não ajam”, reclamou o governador do Maranhão, enfatizando que essa é a posição dominante entre os 27 chefes de estados da Federação. Flávio Dino falou em tom de protesto, justificando sua reação com fatos como, por exemplo, o controle no aeroporto: teve de conseguir na Justiça autorização para fazer o controle sanitário dos passageiros que chegam a São Luís, mas quando pediu a suspensão temporária dos voos, seu pedido foi negado.

O conflito é claro: enquanto os governadores tentam endurecer a guerra contra o coronavírus, adotando medidas como quarentena, suspensão de todas as atividades que mobilizam pessoas, a começar pelo comércio, e limitando momentaneamente o direito de ir e vir em nome da saúde pública, o presidente da República faz de tudo para minimizar o problema e tentar evitar que a economia, já combalida, afunde ainda mais. Ou seja, a interpretação possível dessa situação é que, enquanto os governadores tentam salvar vidas, o presidente tenta salvar seu Governo, tomando decisões conflitantes e fazendo declarações contraditórias, dando caráter nitidamente político ao embate com os governadores. Exemplo: na tarde de sexta-feira, diante da decisão de vários governadores de fechar as fronteiras terrestres dos seus estados, pressionando também para fechar aeroportos, o presidente editou MP reafirmando que só o Governo Federal pode decidir sobre movimento de aeroportos, e instituiu uma novidade, proibiu o fechamento de fronteiras terrestres estaduais.

Flávio Dino protestou: “Nós estamos preocupados com a vida das pessoas. E a economia é importante porque ela serve às pessoas. Então, a vida é o bem fundamental. Se as pessoas morrem ou adoecem, não há economia que resista. Nós temos de ter hierarquia de prioridade. E nós temos de ter seriedade. O que os governadores, de um modo geral, estão fazendo é suprir omissões que o Governo Federal deixou em razão das atitudes equivocadas do presidente da República. Ele, lembremos, trouxe dezenas de infectados dos Estados Unidos, sem nenhuma necessidade. Uma viagem totalmente dispensável, e que trouxe o coronavírus para o coração do Poder. Nós tivemos a paralisação de grande parte do Governo Federal, do Senado e da Câmara, em razão desse voo. Ora, no dia seguinte, ao invés de fazer um recolhimento, uma quarentena, o presidente da República convoca e participa de manifestações de milhares de pessoas, e ele próprio comparece”.

Mais à frente, na mesma entrevista, o governador do Maranhão assinalou: “Num quadro de crise sanitária e de gravíssima crise econômica daí derivada, é atípico e indesejável que até o presente momento não tenha ocorrido nenhuma reunião com governadores. O Brasil é um país gigantesco. São 8,5 milhões de quilômetros quadrados, são 27 governos (estaduais), são 5.570 municípios. Então, o que nós – governadores – desejamos é que o Governo Federal, marcadamente o presidente da República, mude a atitude. Nós esperamos que mude, porque nós não queremos fazer disputa política neste momento, porque nós temos responsabilidade. Não é hora de brigar com a China, não é hora de brigar com governadores. É hora de brigar contra o vírus, é hora de brigar contra a pandemia. É hora de preservar a saúde das pessoas, cuidas dos profissionais de saúde. Essa é uma atitude patriótica, essa é uma atitude séria. É isso que nós estamos esperando que o presidente da República passe a adotar daqui para a frente.

Difícil isentar os governadores e o presidente da motivação política. Mas o que os separa nesse campo é abissal e visível. Isso porque, governadores como Flávio Dino mergulharam no trabalho, têm saldo elevado de bons resultados administrativos e, no caso da crise atual, se mostram responsáveis e produtivos, com direito de pretender voar politicamente mais alto, já o presidente Jair Bolsonaro, em vez de fazer o mesmo, só age politicamente, e da maneira menos sensata: alimentando o confronto com quem julga ser seu adversário, mesmo que o País esteja ameaçado por um inimigo comum muito perigoso.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Por ato de Othelino Neto, Assembleia interrompe atividades por 15 dias

Othelino Neto põe Assembleia em quarentena após boas ações dos deputados pela Saúde

A Assembleia Legislativa iniciou ontem uma quarentena de 15 dias como parte das suas ações no combater o coronavírus. Durante esse período, deputados e funcionários estarão dispensados do trabalho. A medida foi adotada por Resolução Legislativa nº 159/2020, editada neste sábado pelo presidente Othelino Neto (PCdoB). Menos de 24 horas antes, Othelino Neto anunciara a decisão dos 42 deputados de destinar R$ 50 mil dos seus recursos de emenda, num total de 2,1 milhões, para a compra de 50 respiradores para o Sistema Estadual de Saúde, contribuindo também para, numa parceria com o Poder Executivo, a aquisição de 200 mil cestas básicas para serem distribuídas a pessoas necessitadas durante a crise do coronavírus.

– Os estudos dizem que cerca de 5% dos infectados pelo novo coronavírus vão precisar de UTI e que um dos grandes problemas será a falta de respiradores. Tendo em vista que o equipamento é essencial para salvar muitas vidas, os 42 deputados estaduais decidiram que cada um vai indicar R$ 50 mil em emenda parlamentar, o que permitirá a compra, pelo Governo do Estado, de 50 respiradores para abastecer a nossa rede estadual de saúde. A decisão é fruto dessa preocupação, que é de todos nós – justificou Othelino Neto.

 

A Assembleia Legislativa tem tido papel destacado e decisivo nos   momentos recentes de crise, tanto como instituição, quanto como no individual dos deputados. Em janeiro, com o apoio dos deputados, o presidente Othelino Neto usou uma sobra orçamentária no valor de R$ 6,5 milhões, que seria devolvida ao Tesouro Estadual, na compra de 42 ambulâncias, de modo que cada deputado destinou a sua a algum município. Quando a decisão foi tomada, no final do ano passado, sequer se ouvia falar em coronavírus. Essas ambulâncias, que já estão em operação, poderão ser utilizadas para transportar doentes acometidos ela covid-19.

Outra ação importante dos deputados estaduais no campo da saúde pública, praticada a partir de uma sugestão do presidente Othelino Neto, foi a destinação de R$ 4,2 milhões dos seus recursos de emendas para o Hospital Aldenora Belo, referência regional em tratamento de câncer. Administrado pela Fundação Jorge Dino, o HAB encontrava-se mergulhado numa grave crise financeira. Cada deputado autorizou a liberação de R$ 100 das suas emendas para ajudar a resolver a crise financeira do HAB.

Com essas ações, que nada têm a ver com as suas atribuições legislativas, por serem iniciativas republicanas, o Poder Legislativo do Maranhão vem quebrando paradigmas e mostrando que uma instituição da sua natureza, que representa politicamente a sociedade, pode ir muito além da ação político-partidária e da produção legislativa em si.

É isso aí.

 

Edivaldo Júnior proíbe acesso às praias enquanto durar a quarentena

Edivaldo Holanda Júnior: prias vazias na quarentena

O prefeito Edivaldo Holanda Junior anunciou ontem que a partir de hoje as praias de São Luís estarão fechadas para laser por pelo menos 15 dias, ou enquanto durar a crise causada pelo coronavírus.  A medida foi tomada depois que muitas pessoas confundiram quarentena – que é isolamento social – com folga para diversão. Já adotada em outras cidades praianas, como o Rio de Janeiro, por exemplo, a medida será cumprida com a fiscalização o da Guarda Municipal.

A medida foi adotada pelo prefeito de São Luís em sintonia com o Governo do Estado, por meio do Corpo de Bombeiros, que atuará em sintonia com a Guarda Municipal. A ordem é abordar banhistas e orientar que eles retornem para as suas casas, de onde só devem sair por necessidade extrema, a exemplo do que está sendo adotado em toda a costa brasileira.

A medida foi adotada depois da confirmação dos primeiros dois casos de infectados por coronavírus, tendo o primeiro sido anunciado na noite de sexta-feira e ontem na manhã deste sábado.  O anúncio, prefeito Edivaldo Holanda Júnior avisou que normas medidas serão adotadas, caso a situação se agrave.

São Luís, 22 de Março de 2020.

Coronavírus desembarca no Maranhão. Anúncio foi feito por Flávio Dino, que adotará novas medidas

 

Flávio Dino anunciou a chegada do coronavírus ao Maranhão cumprindo a regra da transparência

“Cumprindo compromisso que fiz com a população maranhense, informo que recebemos, às 21:50, a confirmação do primeiro caso de coronavírus em nosso estado. O homem idoso fez viagem recente a São Paulo e não apresenta sintomas graves. Todas as medidas necessárias estão sendo tomadas”.

Com essa mensagem, publicada nas redes sociais – Instagram, Twitter, etc. – logo depois das 22 horas de ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB) deu a notícia que todos os maranhenses de alguma maneira aguardavam, mas no fundo nenhum queria tomar conhecimento: o Maranhão, até então resistindo como o último baluarte estadual brasileiro livre da covid-19, foi, infelizmente, alcançado pela pandemia de coronavírus. Num dos seus comunicados, o governador informou que a Vigilância Sanitária está tomando todas as providências para isolar o homem infectado. Mais do que isso, novas medidas para evitar a propagação da covid-19 serão anunciadas neste sábado.

O governador Flávio Dino deu a má notícia momentos depois de haver publicado nas mesmas redes uma mensagem de agradecimento à dedicação dos profissionais de Saúde. Sua manifestação se baseia principalmente no fato de que os integrantes dessa categoria têm trabalhado incansavelmente nos preparativos para enfrentar os impactos da pandemia em território maranhense. Esse trabalho tem consistido no acompanhamento de casos suspeitos, e também na assistência a doentes acometidos de outras viroses, como a H1N1, que já matou quatro no estado nos últimos dias. E ainda na preparação da estrutura hospitalar destinada a atender casos confirmados tão logo eles se manifestem.

O primeiro caso de covid-19 no Maranhão obedeceu à lógica das estatísticas. Aconteceu em São Luís, o centro mais populoso e principal portal de entrada no estado, sendo o paciente um homem idoso, que retornou recentemente ao Maranhão vindo de São Paulo, onde se encontra o maior foco da pandemia no País, com quase dez mortes confirmadas até o início da noite de ontem. Ou seja, o coronavírus chegou ao Maranhão vindo de São Paulo por via aérea, que foi a via que o trouxe da Europa, principalmente da Itália, para o Brasil. Informação de fonte não oficial, mas bem situada, diz que o homem infectado tem os sintomas, mas sua situação é estável e ainda, em princípio, não corre risco de morte. Há outros casos em monitoramento, sendo um deles um paciente de 59 anos, que esteve recentemente em São Paulo e Minas Gerais, e que está internado no Hospital Carlos Macieira com quadro grave de síndrome respiratória. O monitoramento não quer dizer que ele esteja infectado, o que só será confirmado ou não com o resultado dos exames a que foi submetido.

A julgar pelas informações que o governador Flávio Dino tem prestado aos maranhenses, num jogo aberto em que a transparência tem sido a mola-mestra, o Maranhão está preparado para enfrentar o que vier por aí. Já existe uma estrutura hospitalar, inclusive com leitos de UTI, reservada para eventuais pacientes, assim como equipes médicas em prontidão para entrar em ação. No mais, o combate efetivo ao coronavírus tem de ser feito pela sociedade, com o isolamento social e a obediência às orientações, sendo as principais ficar em casa por 15 dias, evitar contatos físicos e aglomerações e lavar as mãos sempre que possível. Com esse comportamento, o coronavírus será vencido.

Vale registrar que, apesar do tom preocupado, o anúncio feito pelo governador Flávio Dino nada tem de dramático, mas sim uma forte dose de realismo. Isso porque era penas uma questão de tempo, uma vez que seria quase impossível o Maranhão ficar imune a uma virose com espantosa velocidade de expansão e assombroso grau de letalidade, a julgar pelos exemplos da China e da Itália.

O mais importante agora é manter a serenidade, intensificar os cuidados e evitar o pânico.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Em meio à crise do coronavírus, Weverton Rocha mostra atuação forte no alto clero do Senado

Relator do projeto, Weverton Rocha participou da histórica sessão do Senado comandada pelo presidente em exercício, senador Antônio Anastazia (PSDB-MG)

Com o voto “sim” de 75 senadores, o Senado da República aprovou ontem, na primeira sessão virtual dos seus 196 anos de existência, o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 88/20, que reconhece o Brasil em Estado de Calamidade Pública por causa da pandemia do coronavírus. A medida, inicialmente aprovada pela Câmara Federal, permitirá que os Governos Federal, estaduais e municipais utilizem os recursos possíveis para evitar a expansão da covid-19 sem as limitações do teto de gastos nem as restrições previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Líder da bancada do PDT, o senador maranhense Weverton Rocha teve participação destacada e decisiva na histórica sessão, como relator do PDL, ao qual deu parecer favorável e, logo em seguida, votando pela sua aprovação. “A aprovação do PDL vai permitir que o governo consiga fortalecer o sistema de saúde e vai possibilitar a implantação de práticas que impeçam a expansão do vírus. É importante dar as condições para que o governo possa atender estados, municípios e a população como um todo”, declarou o parlamentar.

A senador Weverton Rocha fechou a semana no epicentro da vida parlamentar nacional, com participação efetiva e decisiva no grande debate que vem sendo travado por causa da pandemia de coronavírus e da assombrosa ameaça à qual estão sendo submetidos os mais de 200 milhões de brasileiros. Isso porque, além da relatoria do PDL que reconheceu o Estado de Calamidade Pública no País, que o transformou na figura central do Senado nas últimas 72 horas, o parlamentar maranhense também se destacou dias antes com a apresentação de três projetos de lei propondo medidas de natureza econômica para   combater o coronavírus em território brasileiro. O parecer que assegurou o reconhecimento do estado de calamidade pública no Brasil, aprovado pela unanimidade dos senadores que participaram da sessão virtual, deu-lhe argumentos fortes para defender os projetos que apresentou em relação à crise sanitária que vem abalando o Brasil.

O Estado de Calamidade Pública vai permitir que o Governo Federal gaste mais do que o previsto e desobedeça às metas fiscais para custear ações de combate à pandemia. Assim, o rombo nas contas públicas poderá ser superior a R$ 124,1 bilhões, podendo chegar a R$ 200 bilhões para além da meta fiscal definida pelo Palácio do Planalto no Orçamento para este ano.

No seu parecer, o senador Weverton Rocha contrariou algumas vozes governistas que defendiam liberdade total do Governo Federal para o uso de recursos. Ele acatou a versão aprovada pela Câmara Federal, que prevê a criação de uma comissão formada por seis deputados e seis senadores para acompanhar, na forma de controle externo, os gastos do Governo, realizando reuniões mensais com o ministro da Economia, Paulo Guedes: “As restrições apresentadas pela Câmara, quanto à necessidade de controle e acompanhamento do que vai ser feito, são válidas para que o Executivo tenha sempre em mente a necessidade de acolher o povo brasileiro, mas sem se distanciar dos fundamentos fiscais que foram, são e continuarão sendo essenciais”, defendeu.

No início da semana, antes de ser escalado relator do PDL da Calamidade Pública, o senador Weverton Rocha entrou forte na crise do coronavírus apresentando, de uma tacada, três projetos de lei relacionados com prováveis consequências da pandemia no Brasil. O foco dos projetos é a redução dos custos dos insumos utilizados em larga escala no combate ao coronavírus. Um deles propõe o tabelamento de produtos de segurança e prevenção à covid-19, como jalecos, álcool em gel, máscaras cirúrgicas e outros itens necessários até que a pandemia seja controlada. Outro projeto propõe a isenção de tributos sobre esses produtos, durante o período em que o território nacional for acometido pela pandemia. De acordo com o parlamentar, a chegada do Covid-19 tem provocado o aumento da procura por álcool em gel e máscaras. Com a expectativa de que o vírus alcance o pico de casos no país até o fim do mês, a procura tende a disparar, assim como os preços. No terceiro projeto, o senador Weverton Rocha propõe a realização de um concurso especial da Mega-Sena com a finalidade de destinar 47% do valor arrecadado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimento às vítimas do coronavírus.

“Apresentei estes projetos para dar minha contribuição neste momento difícil que o Brasil está vivendo. Vamos todos fazer a diferença”, finalizou.

A crise causada pelo coronavírus serviu, enfim, para mostrar que o senador Weverton Rocha atua fortemente no nível que representa o alto clero do Senado da República.

 

Proposta de Carlos Madeira de adiar eleições não foi levada a sério por pré-candidatos

A proposta do pré-candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, de adiar as eleições municipais para o primeiro semestre do ano que vem, prorrogando em seis meses o mandato dos atuais prefeitos e vereadores foi fulminada ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral, que numa decisão unânime descartou a possibilidade de alteração do Calendário Eleitoral deste ano. A proposta não ecoou de maneira simpática entre os demais pré-candidatos, pois nenhum deles manifestou opinião a respeito do assunto, e o silêncio, nesse caso, é uma maneira de manifestar discordância. Na contramão do que propõe o pré-candidato do Solidariedade, os demais pré-candidatos estão em estado de pré-campanha, cada um cuidando de fortalecer seu projeto de poder. Eduardo Braide (Podemos) tem feito pressão para ampliar a vacinação do H1N1, Rubens Júnior (PCdoB) adotou medidas para evitar a chegada do coronavírus na equipe que comanda na Secretaria das Cidades, Duarte Júnior (Republicanos) sugere medidas do Código do Consumidor para proteger direitos de eventuais infectados pela covid-19, Neto Evangelista (DEM) se solidarizou com vítimas de enchentes, e Bira do Pindaré (PSB) defendeu direitos trabalhistas amealhados por medidas governistas em Brasília. Todos com foco na corrida eleitoral agendada para Outubro.

São Luís, 21 de Março de 2020.

Em entrevistas à TV Mirante, Flávio Dino mostra que Governo está pronto para enfrentar o coronavírus

 

Entre o apresentador Júnior Albuquerque e o repórter Alex Barbosa, Flávio Dino não deixou pergunta sem resposta convincente sobre a luta contra o coronavírus no MA

Nas duas entrevistas que fez ontem com o governador Flávio Dino (PCdoB) e tendo a situação do Maranhão no contexto da pandemia do coronavírus, que já chegou ao Brasil e está a caminho do Maranhão, a TV Mirante conseguiu dois resultados. O primeiro foi passar à opinião pública a situação real do estado, onde o vírus ainda não chegou, mas se – ou quando – chegar, encontrará o Sistema Estadual de Saúde e a máquina pública em geral preparados com as condições possíveis para enfrentá-lo. O segundo foi mostrar que o Maranhão tem um governante altamente qualificado, efetivamente preparado e integralmente envolvido no comando direto da gestão pública, com domínio absoluto sobre todos os movimentos do Governo. “Nada de pânico. Estamos em alerta e nos preparando”, foram suas primeiras palavras na entrevista ao telejornal JM 1ª Edição exibindo, ao mesmo tempo, preocupação e senso de equilíbrio em relação ao quadro geral do País e à ameaça que já chegou ao Piauí e ao Pará e ronda o Maranhão. E argumentando que a situação exige que as diferenças políticas sejam por enquanto deixadas de lado e que o momento é de união contra um inimigo comum.

Seguro e bem informado, o governador anunciou a decisão de decretar Calamidade Pública, o que permitirá, segundo suas explicações, maior facilidade na aquisição dos insumos de combate ao coronavírus. E ao falar sobre o impacto da pandemia na economia, fez uma revelação espantosa, em se tratando do Maranhão:  o Estado poderá perder R$ 2 bilhões a ser confirmada a tendência recessiva imposta pela crise em andamento. Um indicador dessa perda é o turismo, que move a economia de serviços, e que está sendo duramente afetada com a provável suspensão de mais de 70% dos voos para São Luís.

Na contramão do alarmismo, decidiu manter os serviços públicos funcionando até quando for possível, garantindo também o prosseguimento de obras, que garantem investimentos de R$ 2 bilhões nas 50 frentes de trabalho abertas e mantidas pelo Governo do Estado. Isso, e mais o pagamento em dia dos salários dos servidores. Mas, vacinado contra o alarmismo, foi enfático ao informar que não há ainda motivo para determinar o fechamento de shoppings e lojas em geral, por exemplo. E ensinou que até agora a arma mais eficaz contra o coronavírus é a boa e frequente lavagem de mãos, lembrando que quem não tem tiver álcool em gel, pode usar sabão, limão e sal, que tem a mesma eficácia. Os insumos serão comprados pelo Consórcio do Nordeste, formado pelos governos da região, que fazem compras em bloco a um custo bem menor

Durante a entrevista, Flávio Dino deixou claro que seu Governo vem agindo intensamente movido pela certeza de que cedo ou tarde o vírus chegará ao Maranhão. E informou que a rede hospitalar está sendo preparada para eventuais infectados, assinalando que os que apresentarem os sintomas – febre alta, espirros, dores no corpo e dificuldades respiratórias – poderão fazer o teste no Centro de Testagem, no Diamante, e no Viva da Beira-Mar, alertando que haverá triagem, exatamente porque há escassez de testes, que não estão mais disponíveis para venda. O Governo também intensifica preparativos da rede assistencial com a ampliação da oferta de leitos, inclusive com a reserva de leitos de UTI para infectados. Há forte preocupação nas áreas fronteiriças, principalmente Timon. Em relação à entrada pelo mar, informou que a Emap tem um serviço de controle nessa área.

Além de fazer um apelo sensato à não politização dos problemas que eventualmente venham a ser criados pelo coronavírus, o governador apelou também no sentido de que a sociedade combata com veemência o uso de notícias falsas (fake news), nas redes sociais, que aqui e ali causam muitos problemas. E deu uma orientação de sábio que sabe o que diz e com a certeza do alcance das suas palavras: “Fiquem em casa, cuidem das suas famílias e dos seus filhos”.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Carlos Lula e Lula Fylho: boas surpresas na Saúde

Carlos Lula e Lula Fylho: surpresa e eficiência no comando da Saúde do Maranhão e na de São Luís

Em meio aos preparativos para enfrentar o coronavírus no Maranhão e em São Luís, duas autoridades estão se destacando, os secretários de Saúde do Estado, Carlos Lula, e do Município de São Luís, Lula Fylho.

Um dos advogados mais brilhantes da sua geração, Carlos Lula foi um dos esteios do candidato Flávio Dino no campo jurídico, principalmente na área do Direito Eleitoral. Ao formar sua equipe, entregou-lhe a difícil e complexa tarefa de enquadrar as empresas de saúde que prestavam serviços para o Governo do Estado. Fez o que tinha de ser feito. Tanto que pouco mais de um ano depois assumiu o comando da Secretaria de Estado da Saúde, realizando ali um trabalho que poucos acreditavam ser possível, ao comandar a arrojada expansão da rede hospitalar do Sistema Estadual de Saúde a partir do redimensionamento do programa de Saúde do Governo de Roseana Sarney (MDB). Hoje, o Sistema estadual de Saúde do Maranhão funciona bem e dentro da medida graças ao trabalho competente do secretário Carlos Lula.

O secretário de Saúde de São Luís, Lula Fylho, foi uma aposta arriscada do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Administrador de Empresas, dono de bar e graduado em gestão de pessoas e atuando como palestrante motivacional, Lula Fylho entrou na equipe do prefeito como secretário de Governo. Com a saída de Helena Duailibe da pasta da Saúde, o prefeito surpreendeu meio mundo ao nomear para uma pasta complexa e cheia de problemas um administrador sem qualquer ligação com a área de saúde. Mas, contrariando previsões, acertou. Lula Fylho se revelou um gestor eficiente e vem aos poucos colocando o Sistema Municipal de Saúde nos eixos.

Vale destacar que o bom trabalho de cada um se deve

 

Madeira propõe adiar eleições e prorrogar mandato de prefeitos e vereadores

Carlos Madeira quer eleições adiadas e mandatos prorrogados

Surpreendente e saudável a proposta do ex-juiz federal e candidato do Solidariedade à Prefeitura de São Luís, Carlos Madeira, adiar as eleições municipais para o primeiro semestre ao ano que vem, com a prorrogação dos atuais prefeitos e vereadores por seis meses. As eleições poderiam ser realizadas em abril e os eleitos assumiriam em junho. A mudança, claro, teria de ser feita por emenda à Constituição Federal, a exemplo do que aconteceu em 1986, quando o mandato de prefeitos e vereadores eleitos em 1982 foi prorrogado por dois anos. O argumento de Carlos Madeira é convincente. Afinal, é difícil imaginar uma disputa eleitoral envolvendo em média quatro candidatos para cada uma das mais de cinco mil prefeituras e para os milhares de cadeiras das mais de cinco mil câmaras municipais no momento em que o País enfrenta o que deve ser a maior crise sanitária da sua história, a exemplo do que ocorre em todo o planeta. Carlos Madeira propõe também que os R$ 3,8 bilhões do Fundo Eleitoral sejam relocados para o combate ao coronavírus. Não se duvida da sinceridade da proposta do pré-candidato do Solidariedade, mesmo que ela deixe no ar a impressão de que é um movimento que ele faz para entrar de vez no cenário da disputa.

São Luís, 20 de Março de 2020.

Flávio Dino, Othelino Neto e Joaquim Figueiredo agem em sintonia contra o novo corona vírus

 

Flávio Dino, Othelino Neto e Joaquim Figueiredo: em sintonia no esforço preparatório para a luta contra o coronavírus

A ameaça do novo corona vírus mudou radicalmente a rotina do Brasil, apesar de o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), andar na contramão dos fatos e ser atropelado pelo que há de racional no Governo, a área de Saúde. Nos estados, os governadores estão demonstrando mais espírito público do que o chefe da Nação, tomando providências adequadas na preparação para o enfrentamento do vírus letal. No Maranhão, o governador Flávio Dino (PCdoB) não esperou recomendações de Brasília e, numa grande articulação com seus colegas governadores, adotou uma série de medidas para preparar o Sistema Estadual de Saúde para o que vem por aí, e editou decreto suspendendo aulas nas redes de ensino pública e privada. Os demais Poderes agiram com igual preocupação. O presidente Othelino Neto (PCdoB) adotou uma série de medidas restritivas ao acesso às instalações da Assembleia Legislativa. No Poder Judiciário, o desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo dos Anjos e o desembargador-corregedor Marcelo Carvalho baixaram Portaria conjunta adotando um pacote de regras cm validade até 31 de março.

Político e gestor que se move por fortes doses de realismo e que costuma se antecipar às ameaças que aqui e ali rondam seu Governo e o Maranhão, Flávio Dino tem saído na frente na preparação para o enfrentamento da Covid-19. E ciente da gravidade da situação, criticou duramente a postura do presidente Jair Bolsonaro na manifestação de domingo. Inicialmente, o governador determinou ao secretário de Saúde, Carlos Lula, a adoção de uma série de providências para dotar a rede hospitalar das condições para encarar a virose pandêmica, já tendo garantida a reserva de 20 leitos de UTI e deve disponibilizar mais 121 leitos nos próximos dias para atender a eventuais casos de Covid-19, segundo informou o secretário de Saúde. E finalmente, determinou, por decreto, a suspensão das aulas nas redes escolares pública e privada, para evitar o contágio. A medida vale também para espaços de concentração de pessoas, como estádios, áreas de lazer, assim como adotou restrições no acesso às instalações onde funcionam órgãos públicos. As regras mudaram radicalmente a rotina de São Luís, onde a movimentação de veículos e pessoas está drasticamente reduzida desde ontem.

Em sintonia com o chefe do Poder Executivo, o deputado-presidente Othelino Neto baixou ontem um pacote de providências destinadas a evitar que o corona vírus alcance o complexo funcional da Assembleia Legislativa, onde é grande a circulação diária de visitantes. A Resolução Administrativa 157/20, elaborada com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Ministério da Saúde, e do Plano Nacional de Contingência suspendeu temporariamente o acesso de visitantes ao Palácio Manoel Beckman, proibiu a realização de eventos não relacionados às atividades legislativas, liberou servidores com mais de 60 anos e gestantes da presença no trabalho por 30 dias, e decidiu que as sessões plenárias e reuniões de comissões técnicas acontecerão normalmente, mas sem a presença de público externo. A Resolução determina o uso obrigatório de crachá funcional e a higienização, com uso de álcool gel, nas áreas de maior circulação. Além disso, suspendeu temporariamente as edições do programa “Assembleia em Ação”.

– É uma decisão que mudará a nossa rotina, mas com essas medidas estamos protegendo os nossos servidores, os deputados e toda a população – justificou o presidente Othelino Neto.

O Poder Judiciário também adotou medidas preventivas ao novo corona vírus, com a edição, ontem, da Portaria Conjunta nº 72020, firmada pelo desembargador-presidente José Joaquim Figueiredo e pelo desembargador-corregedor Marcelo Carvalho, com validade até 31 de março. Ela contém medidas destinadas a prevenir contra o corona vírus, de acordo com os tribunais superiores e o CNJ. Foram suspensas as sessões presenciais de julgamento e audiências no Tribunal de Justiça, salvo algumas exceções, e com acesso restrito às partes e aos advogados. Foram suspensas também as audiências judiciais em casos não urgentes e as sessões das Turmas Recursais, ressalvadas as audiências e sessões de julgamento com réu preso, as sessões do Tribunal do Júri com réu preso e as destinadas a evitar perda de direito. Foram liberados servidores com mais de 65 anos e gestantes, assim como portadores de doenças crônicas. Foram suspensos congressos, seminários e similares organizados pelo Poder Judiciário, assim como o afastamento de magistrados e servidores para fora do estado e do País, salvo casos urgentes e inadiáveis. A visitação pública foi suspensa, e o atendimento ao público externo só será feito por meio eletrônico ou telefônico. O pacote mantém o expediente interno e a realização de atos processuais, a publicação regular de sentenças, decisões, editais de intimação, notas de expediente no Diário da Justiça Eletrônico. Serão mantidos também os prazos processuais e as sessões virtuais de julgamento entre outras medidas administrativas.

Em sintonia plena, os Poderes constituídos do Maranhão estão dando um bom exemplo de que é possível unir esforços quando o interesse público está em jogo. Principalmente quando o inimigo é letal e não pode ser visto a olho nu.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton Rocha confirma aliança do PDT/DEM e procura um vice para Neto Evangelista

Neto Evangelista

O PDT e o DEM devem confirmar, no final deste mês, a aliança em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (DEM) à Prefeitura de São Luís. Segundo uma voz de peso no partido brizolista, a aliança é fato consumado e deve ser confirmada pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, e pelo presidente estadual do DEM, deputado federal Juscelino Filho. A aliança tem o respaldo da direção nacional dos dois partidos, mas enfrenta pequenos focos de resistência dentro do arraial pedetista. Neto Evangelista segue em frente fazendo de conta de que não há problemas para a formação da aliança, que poderá contar também com MDB que, como o PDT, vive o drama de não dispor um nome de peso para lançar candidato, já que a ex-governadora Roseana Sarney já teria descartado enfaticamente a possibilidade de se candidatar. Decidido a apoiar a aliança DEM/PDT, o senador Weverton Rocha se dedica agora a encontrar nas fileiras do seu partido um vice para Neto Evangelista.

 

Sucessão de fatos desastrosos causa a impressão de que Bolsonaro está desmoronando

Jair Bolsonaro: mundo desmoronando

A divulgação, por ele próprio, em redes sociais, de vídeo convocando partidários para ato no dia 15, as suas contraditórias declarações sobre o corona vírus durante visita aos EUA e na volta ao Brasil, sua inacreditável atitude junto a partidários durante a manifestação em frente ao Palácio do Planalto, a instabilidade da economia – agora agravada pela pandemia do corona vírus -, a declaração enfática da deputada estadual por São Paulo Janaína Pascoal (PSL) – que comandou o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016 – dizendo que se arrependeu do seu voto e pedindo a saída dele da Presidência, a declaração de um haitiano afirmando na sua frente que ele não é mais presidente, o puxão de orelha que recebeu do presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o panelaço contra ele nas grandes cidades – incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte -, e a chegada à Justiça, ontem, do primeiro pedido formal de impeachment, formulado pelo deputado distrital Leandro Grass (Rede), causam forte impressão de que o mundo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começa de fato a desmoronar. E pelo que tem demonstrado com declarações e atitudes, parece claro que ele não tem estatura nem argumentos para segurar a onda, que se avoluma a cada dia.

São Luís, 18 de Março de 2020.

Rubens Júnior mostra confiança, avalia ser melhor que Eduardo Braide e diz que não será um prefeito tutelado

 

Rubens Júnior: posições claras e surpreendentes

“Não será uma gestão tutelada por parentes, pelo governador, por B ou C. Eu estarei na linha de frente, sendo o responsável”, “Serei o protagonista, sem delegar a responsabilidade”, “Me preparei a vida inteira para isso”. Foram declarações do deputado federal licenciado Rubens Júnior (PCdoB), atual secretário das Cidades, em entrevista ao Jornal Pequeno (15/03), na qual mostra que aos 35 anos é um político maduro, bem lastreado, que sabe onde pisa, conduz-se pela moderação, mas também por uma vontade férrea, e que está determinado a chegar à Prefeitura de São Luís. Nas suas respostas, nenhuma referência belicosa ou desrespeitosa a adversários, que considera legitimados, a não ser uma saudável provocação ao principal deles, Eduardo Braide, pré-candidato do (Podemos) e até aqui líder nas pesquisas que mediram as preferências do eleitorado na corrida ao comando da Capital. Ele respondeu sem titubear a todas as perguntas feitas pelo jornalista Manoel dos Santos Neto, mostrando que está de fato preparado para conduzir a sua própria campanha e, em caso de sucesso, assumir os destinos da administração ludovicense no período de 2021/2024.

Na entrevista, Rubens Júnior coloca ponto final em discussões diversas, como a da sua condição de “candidato do governador”, e a do pré-candidato que “ainda não decolou nas pesquisas”. Quanto à primeira questão, não tergiversou e jogou aberto: “Sempre tive lado”, afirma, para em seguida destrinchar a afirmação acrescentando: “Sempre estive ao lado do governador Flávio Dino, desde o tempo em que ele perdia eleições”. E aproveitando para estocar a quem interessar possa: “Agora é muito fácil ser aliado do governador, com ele reeleito”. E com relação ao desempenho nas pesquisas, faz uma previsão ousada, mas exibindo surpreendente segurança: “Não tenho preocupação com pesquisa, mas tenho convicção de que (…) eu sou o candidato que mais irá crescer daqui pra frente”.

Rubens Júnior exibe, sem exageros retóricos, típicos de pré-candidato, confiança no sucesso da sua candidatura. Primeiro porque acredita no seu próprio cacife, lembrando sua trajetória de dois mandatos de deputado estadual, um de deputado federal, reeleito, tendo se licenciado do segundo para participar do Governo Flávio Dino como secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano. E estoca o principal adversário, Eduardo Braide: “Eu fui deputado estadual com Eduardo Braide, fui gestor como ele, fui deputado federal com ele, e todos podem comparar qualquer atuação nesses campos para confirmar que meu desempenho foi melhor que o dele”. E certo de que a eleição será decidida num segundo turno, avalia, convicto, que será o adversário de Eduardo Braide no embate final: “Eu tenho um lado, tenho firmeza. Quem tem o perfil ideal para vencer a eleição do segundo turno sou eu”.

O tom de político com personalidade forte, que sabe onde quer chegar, Rubens Júnior exalta o apoio que já recebeu do Progressistas e do DC, mas quer também uma aliança com o PT, fazendo questão de explicar os motivos: sempre atuou alinhado ao PT, com participação direta e efetiva na defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff e no apoio a todos os movimentos em defesa do partido e do ex-presidente Lula da Silva. Isso além do fato de que a agremiação petista será importante na sua campanha, a começar pelo tempo que lhe dará na campanha no rádio e na TV. Ou seja, a relação com o PT tem sido de apoio mútuo, o que lhe dá autoridade política para reivindicar a participação do partido na base de apoio da sua candidatura.

Na entrevista ao JP, Rubens Júnior surpreende pelo grau de convicção que exibe em relação ao futuro da sua candidatura e com a certeza de que tem condições plenas de vencer a eleição. Quem não conhece o cenário político maranhense talvez aponte algum excesso de confiança no pré-candidato do PCdoB, mas uma avaliação mais atenta certamente mostrará que ele sabe o que diz e o que faz nesse campo pantanoso da pré-campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Para Dino, manifestações mostraram que Bolsonaro está perdendo condições de governar

Apoiadores de Jair Bolsonaro reunidos na Avenida Litorânea

Foi um fracasso retumbante a manifestação de bolsonaristas, domingo, na Praça do Pescador, na Avenida Litorânea. Pouco mais de 200 pessoas enfeitadas de verde e amarelo estiveram lá. O fracasso ficou evidenciado pelo desânimo que marcou os discursos, pela tímida animação e, finalmente, pela falta de líderes bolsonaristas, que preferem se esconder. É verdade que o novo corona vírus contribuiu fortemente para desestimular aglomerações, mas mesmo que tiverem comparecido. Mas é verdade também que, mesmo o número de participantes multiplicado várias vezes, ainda assim a manifestação seria um fracasso.

O governador Flávio Dino (PCdoB) avaliou com precisão, em postagem no twitter, a manifestação bolsonarista:  “Vergonhosos ataques a Maia (presidente da Câmara Federal), Alcolumbre (presidente do Senado), Supremo (Tribunal Federal), Caiado (governador de Goiás), associados aos clamores por “AI 5” e intervenção militar, mostram o descontrole de uma pequena facção liderada por Bolsonaro. Este vai perdendo condições de governar, diante de uma grave crise econômica e sanitária”.

 

Benedito Buzar passa o bastão presidencial da AML para Carlos Gaspar

Carlos Gaspar recebeu de Benedito Buzar o comando da AML

A Academia Maranhense de Letras mudou o seu comando. Saiu o jornalista e pesquisador Benedito Buzar, que a presidiu por nove anos ininterruptos, passando o bastão presidencial para o intelectual e empresário Carlos Gaspar

Benedito Buzar foi um gigante no comando da Casa de Antônio Lobo. Dedicou mais de 3.200 dias a intensos movimentos destinados a mantê-la de pé. Cobrou apoio de governos, buscou a boa vontade da classe empresarial e faz uma série de movimentos com o objetivo de alimentar e garantir a instituição cultural mais destacada do Maranhão. Não foram dias fáceis, pois sem a sua determinação e sua paixão, a AML dificilmente seria o que é hoje. Ao longo dos seus mandatos, Benedito Buzar levou a AML a todos os grandes eventos culturais realizados em São Luís. E apesar das dificuldades que enfrentou, conseguiu realizar uma série de eventos, dando à Academia uma dinâmica que ela não teve nas gestões mais recentes. Passou o bastão de comando da Casa com a consciência tranquila, certo de que, se desejasse, poderia emplacar mais um mandato.

Sob Carlos Gaspar, a AML poderá ganhar novo impulso, provavelmente numa ótica bem mais pragmática e com dinâmica empresarial. Vale aguardar.

São Luís, 17 de Março de 2020.

Imperatriz tem quadro de candidatos quase definido, mas pode haver polarização entre Assis Ramos e Marco Aurélio

 

Assis Ramos, Marco Aurélio, Ildon Marques, Sebastião Madeira, Mariana Carvalho e Daniel Fiim devem disputar em Imperatriz

A confirmação oficial da pré-candidatura do empresário e ex-prefeito Ildon Marques (Progressistas) praticamente fechou o quadro de pré-candidatos à Prefeitura de Imperatriz. São eles: o prefeito Assis Ramos (DEM), o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB), o próprio Ildon Marques (Progressistas), o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), a empresária Mariana Carvalho (PSC) e, provavelmente, o médico Daniel Fiim (MDB). Esse leque de pré-candidato sugere que a Princesa do Tocantins, hoje com seus mais de 235 mil habitantes, o que faz dela o segundo maior colégio eleitoral do estado, bem como o maior, mais rico e mais importante município do interior do Maranhão. Sua importância política e econômica, aliada à sua localização geográfica estratégica lhe dá grande dimensão geopolítica, e explica, em grande medida, a atenção que os principais partidos políticos estão dedicando aos preparativos para a corrida sucessória.

Todos esses ingredientes políticos, geopolíticos e econômicos indicam que a metrópole tocantina será palco de uma disputa dura, difícil, situação que revela alguns aspectos decisivos para esse clima. O primeiro é que todos os envolvidos na disputa sucessória enxergam na Prefeitura de Imperatriz um trampolim para saltos bem mais altos. Alguns acreditam que respaldado por uma boa gestão e com uma articulação política eficiente, o prefeito de Imperatriz pode chegar facilmente à Câmara Federal, ao senado da República e ao Governo do Estado. A história recente mostrou, no entanto, que, à exceção de Ribamar Fiquene, que foi senador temporário e governador por um ano, todos os demais prefeitos de Imperatriz foram severamente punidos nas urnas em eleições seguintes. Provavelmente porque não fizeram a lição de casa como deviam.

A julgar pelo que corre nos bastidores da política municipal, o prefeito Assis Ramos está jogando todo o seu poder de fogo para pleitear a reeleição, tendo como propósito dá passos políticos mais largos depois de 2024. Mas as evidências chagas a públicos até aqui sugerem, algumas de maneira enfática, que a situação do prefeito não é nada confortável, no que diz respeito aos prognósticos eleitorais. O seu contrapeso político mais ameaçador é o deputado Marco Aurélio, tanto pelo seu prestígio de ex-vereador e deputado estadual influente – é o líder do Bloco governista na Assembleia Legislativa -, quanto em matéria de suporte político, uma vez que o seu partido, o PCdoB, que terá o PDT e o PT como aliados, faz jogo duro para viabilizar a sua eleição, sob o forte argumento segundo o qual Imperatriz ganhará muito com u prefeito inteiramente alinhado ao Palácio dos Leões. E tudo indica que a disputa será polarizada entre o prefeito e o deputado.

Isso não significa menosprezar concorrentes como Ildon Marques e Sebastião Madeira, dois ex-prefeitos – cada um governou a cidade duas vezes – e políticos experientes, ambos detentores de grande prestígio no município. Mas é evidente que estão no jogo para testar os seus cacifes políticos e eleitorais, já que sofreram derrotas fragorosas em eleições recentes – nenhum dos dois conseguiu eleger-se deputado federal, por exemplo, recebendo votações raquíticas em Imperatriz. A disputa para a Prefeitura, porém, é diferenciada, mais passional, que envolve a todos diretamente. Nesse aspecto, Ildon Marques e Sebastião Madeira cão candidatos que não podem ser deixados de levar em conta.

Mariana Carvalho, que já tem a vaga de candidata garantida pelo presidente estadual do PSC, deputado federal Aluísio Mendes, e Daniel Fiim, que tem o aval da cúpula do MDB, são apostas para o futuro. Isso não quer dizer que eles estejam antecipadamente fora do páreo. Vale lembrar que ela foi muito bem votada na corrida à Assembleia Legislativa, enquanto ele teve desempenho razoável na sua tentativa de construir bases uma cadeira na Câmara Federal. São, portanto, nomes cuja movimentação merece atenção, pois afinal, são dois quadros jovens, com largas redes de relacionamento na cidade e podem transformar essa corrida numa fase de preparação para embates futuros.

Outros nomes poderão aparecer, mas dificilmente surgirá algum candidato com força política e cacife eleitoral suficiente para entrar de igual com os demais candidatos, notadamente o prefeito Assis Ramos e o deputado Marco Aurélio.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT mantém dirigentes e Zé Inácio tem chance de ser candidato em São Luís

Zé Inácio fala na reunião da cúpula nacional do PT

O PT superou a crise interna que vinha se arrastando desde que não conseguiu concluir o processo de escolha dos novos dirigentes, iniciados em marco do ano passado e concluído em novembro. O impasse foi gerado, primeiro, porque o partido não teve condições de mobilizar filiados para votar nas chapas que concorriam às direções municipais e estadual, o que acabou gerando conflitos e denúncias de manipulação e até de fraude. Menos de 10% dos filiados do partido nos 217 municípios, inclusive em São Luís, foi às urnas com a confusão. Com a suspensão do processo de escolha, Lobato permaneceu temporariamente à frente do partido no estado, enquanto o vereador Honorato Fernandes se manteve à frente do diretório petista em São Luís.

O impasse, que se arrastava desde agosto do ano passado, com a crise alimentada pelo intenso confronto entre as correntes que formam o partido, foi resolvido na quinta-feira (12), durante reunião da Executiva Nacional. Ali, o representante maranhense na cúpula petista, deputado Zé Inácio, integrante da corrente “Unidade Petista por Lula Livre”, fez uma veemente defesa da permanência dos atuais dirigentes do partido no Maranhão, todos do mesmo grupo, obtendo da cúpula partidária sinal verde para Augusto Lobato permanecer à frente do PT no estado e Honorato Fernandes no comando da agremiação em São Luís.

Com a solução da crise de comando, o PT agora se volta para definir seu rumo nos 217 municípios, especialmente em São Luís e Imperatriz. Na Capital, o partido do ex-presidente Lula da Silva está entre participar da coligação em torno do candidato do PCdoB, deputado federal Rubens Júnior, juntamente com o Progressista, ou lançar candidato próprio à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Na última hipótese, o nome mais forte é o do deputado Zé Inácio – o deputado federal Zé Carlos Araújo está fora do jogo -, que teve sua vantagem ampliada com a sua intervenção em Brasília em favor da cúpula partidária no estado. Os demais pré-candidatos, a professora Criscielle Muniz e o delegado Lawrence Melo, tudo indica, não terão qualquer chance se de a opção for pelo lançamento de candidato próprio. O deputado Zé Inácio é, de longe, o grande favorito na disputa interna.

 

Provável aliança DEM/PDT/MDB pode livrar Hildo Rocha de denúncia ao Conselho de Ética

Weverton Rocha pode denunciar Hildo Rocha por tentativa de agressão durante reunião da bancada

Tudo indica que o senador Weverton Rocha (PDT) levará o deputado federal Hildo Rocha (MDB) ao Conselho de Ética da Câmara Federal por conta do comportamento dele durante reunião da bancada federal, na semana passada, para tratar do destino dos recursos de R$ 30 milhões da Emenda. Em reunião tensa, realizada no gabinete do deputado federal André Fufuca (Progressistas), o deputado Hildo Rocha, mesmo sabendo que o assunto estava liquidado pela assinatura de 14 dos 18 deputados e dois dos três senadores, insistiu em não apoiar o acordo e a exigir sua fatia no bolo milionário. Diante do lembrete de que isso não seria possível, Hildo Rocha iniciou um bate-boca, que terminou com ele atirando um copo de vidro na direção do senador Weverton Rocha, que reagiu e os dois só não foram às vias de fato se os outros integrantes da bancada não o impedissem.

Weverton Rocha estaria determinado a denunciar Hildo Rocha, mas haveria em torno deles vozes lembrando que uma denúncia poderia prejudicar as articulações objetivando atrair o MDB para a candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, a fim de participar de uma aliança com o DEM e o PDT. Se Hildo Rocha escapar da denúncia será por esse motivo, será um indicativo forte de que o MDB se unirá ao PDT na corrida em São Luís.

São Luís, 15 de Março de 2020.

ESPECIAL: Com sua voz forte e apurada, Rosa Reis fez de “Pajelança” um marco da música e da cultura popular do Maranhão

 

Capa de Pajelança, o disco de Rosa Reis que se transformou num clássico da MPM
Rosa Reis: artista de muito talento e sólida consciência cultural

Quando brindou o precioso acervo musical maranhense com o seu Pajelança, 23 anos atrás, Rosa Reis certamente sabia o que estava fazendo como cantora e militante cultural, mas provavelmente não tinha noção de que o seu canto e o seu disco extrapolariam as fronteiras do bom trabalho artístico para alcançar a condição de um dos marcos da Música Popular Maranhense (MPM). O disco a consolidou definitivamente como interprete, com sua voz forte, que mistura suavidade com firmeza, adaptando-se correta e perfeitamente ao reggae, ao afro-reggae, à canção pura e simples, ao samba chapado, à toada de diferentes sotaques, ao tambor de crioula e ao Cacuriá.

Rosa Reis vai dos graves aos agudos com facilidade, com potência e elasticidade vocais, para se aventurar em qualquer gênero e estilo, interpretando com a mesma facilidade tanto uma canção singela como uma toada forte. Mas o seu diferencial é o canto centrado, incisivo, suave ou agressivo quando o gênero, o ritmo e o poema exigem. Com esse arsenal de recursos, consegue dar a uma música personalidade própria, com a sua marca sonora, que é inconfundível, pois quem a ouve dificilmente esquece o que ouviu e facilmente a reconhece em outra audição. Na interpretação que dá a “Senzalas”, de Niceas Drumond e Cecílio Nena, por exemplo, Rosa Reis passa todo o sentimento contido em cada frase, dando ao belo reggae um tom de denúncia sem ranço. Em “Flor da pele”, de Zeca Baleiro, interpreta o sentido exato de cada frase, no tom melódico apropriado, sem mais nem menos. Com o mesmo talento, dá suavidade ao poema que César Teixeira musicou como um belo xote e batizou de “Estrela matutina”. Todas as faixas de Pajelança têm uma marca reconhecida e indelével da voz e da interpretação de Rosa Reis.

Com talento excepcional, alcançado pela educação vocálica recebida no Coral de São João e pela força expressiva lapidada no aprendizado da dramaturgia dos bailados da cultura popular resgatada pelo Laborarte, especialmente no viés da tradição afro, Rosa Reis dá sentido pleno às 14 faixas de Pajelança, dedicando a cada uma a medida melódica adequada, a dose rítmica certa e, principalmente, a força dramática de cada um desses poemas genialmente musicados por seus autores.

Dando expressão plena a preciosidades de César Teixeira, Josias Sobrinho, Joãozinho Ribeiro, Zeca Baleiro, Fauzi Baydoun, Escrete, Tião Carvalho, Tadeu de Obatalá, Niceas Drumond e Cecílio Nena e Dona Teté, Rosa Reis mostra toda a potência musical e discursiva do seu canto. Isso porque, demonstrando uma consciência cultural rara e absolutamente honesta, montou um disco que sintetiza sua visão e sua postura de afirmação superior diante de um mundo fortemente influenciado por uma modernidade confusa, que coloca em risco os nossos mais puros valores culturais, principalmente as manifestações de vertente popular. O disco é, portanto, resultado emblemático de um esforço nobre no sentido de valorizar o que o Maranhão tem de melhor em termos de música e expressão cultural.

Lançado a mais de duas décadas (1977), Pajelança é um desses vinhos musicais que parecem ganhar mais beleza quanto mais são ouvidos. Primeiro pela interpretação magistral e irretocável de Rosa Reis e segundo pela felicidade das faixas escolhidas, inteiramente identificadas com o cancioneiro maranhense. Tudo isso embalado por belos, perfeitos, coerentes e adequados arranjos elaborados por Jayr Torres e corretamente interpretados por uma banda competente formada basicamente pelo próprio Jayr Torres (guitarras, teclados, violão), Jonas Torres (contrabaixo), Arlindo Carvalho (percussão) e Moisés (bateria). E com algumas faixas enriquecidas coma participação especial de César Peixinho e Negreiros Xavier (pandeirões, pandeirinhos, tambor onça, matracas, etc.), Ed Santana, Jânio Padilha e Célio Muniz (metais), Mazé Veras, Salomão de Pádua e Regina (vocais), Francisco Pinheiro (clarinete) e de ninguém menos que o lendário mestre capoeirista Patinho, com o seu berimbau. A própria Rosa Reis dirigiu a execução da obra.

Pajelança é um clássico da MPM, extremamente atual e com vocação para se manter assim pelo resto dos tempos.

As faixas

1 – Jogando Caxangá é um afro-reggae de raiz de autoria de Tadeu de Obatalá, Bola de Brilhante e Carlos Gomes, que exalta a cultura afro a partir da tragédia iniciada nos navios negreiros vindos de Uganda. Rosa Reis interpreta essa faixa exibindo o peso da sua voz nas variações da melodia, alcançando ponto alto no refrão expressivo. Essa música exprime o viés afro da base cultural que embala a arte da cantora. Vale registrar o berimbau contagiante do saudoso Mestre Patinho.

2 – Carinho é fruto do que há de melhor no reggae cultivado por Fauzi Baydoun, de longe a maior expressão regueira do Maranhão. Na sua irretocável interpretação, Rosa Reis dá força à letra de Fauzi Baydoun indo dos graves aos agudos sem maior dificuldade, solfejando sem exageros, alimentando com esse cuidado o jogo de equilíbrio típico das suas interpretações. Faz de Carinho uma pedra para ouvir e, se for o caso, dançar agarradinho como manda o gênero.

3 – Flor da pele, pérola cultivada de Zeca Baleiro, ganha na interpretação de Rosa Reis uma carga dramática ímpar, que só a sua voz e o seu estilo são capazes de explorar. A cantora mostra essa força expressando sentimentos remexidos nas três partes do poema, no qual Zeca Baleiro consegue de fato provocar a sensibilidade dos inconformados e dominados pela paixão. É um dos pontos fortes do disco.

4 – Pajelança, que dá nome ao disco, é outra joia, esta em ritmo de soul, de Zeca Baleiro em parceria com Chico César e Tata Fernandes, na qual saem em busca de respostas e de identidades culturais. Rosa Reis dá a interpretação certa a cada verso, externando com clareza as inquietações contidas no poema. E o faz com voz centrada, firme, sem vacilação, tanto nas frases curtas, interrogativas, quanto nas extensões vocais. Dá um show.

5 – Cajapió é uma espécie de carimbó que lembra um baião estilizado, de autoria de Erivaldo Gomes. À essa faixa de oito versos, Rosa Reis dá uma interpretação simples e eficiente, abrindo a voz numa cadência irrepreensível.

6 – Estrela matutina é um singelo xote de autoria do mestre César Teixeira, na verdade um poema musicado, que guarda o refinamento das letras do autor, onde se encontram imagens do tipo “tu (estrela matutina) tens o doce brilho de um punhal na escuridão”. Rosa Reis alcança com exatidão e sem maiores esforços a paixão contida nos versos refinados de César Teixeira. Interpreta cada frase com o tom correto e a ênfase apropriada, dando ao xote a roupagem de uma canção de amor.

7 – Dançou é um reggae de Zeca Baleiro e Erivaldo Gomes, relatando encontros e desencontros passionais ao som do reggae. Rosa Reis mais uma vez mostra afinidade com o ritmo jamaicano, confirmando-se uma intérprete completa nessa seara. Encanta logo na abertura com um solfejo atraente, mantendo na sequência uma evolução contagiante, principalmente porque se mantém no agudo com firmeza. Uma bela exibição de potencial vocálico.

8 – Senzalas, o belo e contagiante reggae de Niceas Drumond e Cecílio Nena, pode ser encarado como o ponto alto do disco. Primeiro porque é uma pedra musical preciosa e bem lapidada, com discurso forte e variações sonoras contagiantes. Rosa Reis usa todos os seus recursos de voz para dar a dimensão exata a essa “pedra de responsa”, que reúne com perfeição um discurso forte e uma boa estrutura melódica. Chega ao ponto máximo quando diz, em primeira e segunda voz, que “o preto e o branco aflito e o bagaço de cana no litro faz a farra…” e logo em seguida dispara, com forte carga dramática, que “tem chicote na feira, chibata, e nem bom capoeira escapará traz amarras…” Uma interpretação magistral.

9 – Nós, o belo e forte samba chapado de Tião Carvalho, sucesso nacional na voz de Cássia Eller, ganha de Rosa Reis uma roupagem própria, perfeita, corretamente ritmada, com a ginga na medida certa.

10 – Boi do Anil e Cadê o Boi, duas toadas de peso saídas do rico balaio do genial Josias Sobrinho, às quais Rosa Reis dá interpretação especial. Na primeira, com sotaque de matraca, Rosa Reis canta como se estivesse declamando um poema-protesto escrito nos dias atuais. Na segunda, uma severa crítica política também muito atual em sotaque de zabumba, a cantora corresponde integralmente ao sentido da dura crítica política expressada na letra de Josias Sobrinho.

11 – Sentimento de tocador, uma bela toada de tambor de crioula de Escrete e José Raimundo Gonçalves, é interpretada por Rosa Reis sem maiores dificuldades. Ela consegue dar vazão aos bem construídos versos como se estivesse numa roda.

12 – Meu Baralho, um baralho de autoria do genial Joãozinho Ribeira, resgata um dos folguedos maranhenses. Rosa Reis interpreta a faixa com a cadência e alegria de uma manifestação de rua, dando a cada verso a graça que só uma intérprete com a seu talento e a sua consciência cultural pode dar.

13 – Cacuriá, cantiga de roda de domínio popular resgatada pela saudosa agitadora cultural Dona Teté. Rosa Reis brinca e dá vida a cada verso, num envolvimento de voz e alma, fazendo com que quem a ouve sinta a saudável pureza dessas cantigas.

14 – Rosa Reis fecha esse diamante da discografia maranhense com Boi de Piranha, uma toada-manifesto atualíssima em sotaque de matraca do mestre César Teixeira. Com a força da sua voz, com entonação perfeitamente encaixada em cada verso, ela convoca a todos para guarnicê lembrando que “pra vencer um batalhão tem de fincar o pé na terra com ferramenta na mão”, porque “aqui na terra quem não berra nada ganha”.

São Luís, 14 de Março de 2020.

Em Tempo: O registro sobre Pajelança, de Rosa Reis, é parte da pretensão do autor e editor da Coluna RepórterTempo de documentar impressões sobre discos fundamentais da Música Popular Maranhense. Já foram o publicados registros sobre Shopping Brazil, de César Teixeira (edição de 20/08/2026); Milhões de uns, de Joãozinho Ribeiro (edição 06/05/2017); Voos, de Fátima Passarinho (edição de 05/11/2017), e Apanhados geral, um, de Josias Sobrinho (edição de 20/04/2019). A partir de agora, esses registros serão publicados sempre no primeiro sábado de cada mês, ficando o próximo agendado para o dia 04/04/2020.

Brandão dá a volta por cima, turbina o Republicanos e estrutura base partidária para 2022

 

Carlos Brandão entre Ariston Ribeiro, Elizabeth Gonçalo, Cléber Verde e Daniella Tema à direita, e Duarte Júnior, Felipe dos Pneus e Fábio Macedo, em Brasília

O que até pouco tempo eram investidas tímidas, cautelosas, mas já com objetivos bem resolvidos, os movimentos partidários do vice-governador Carlos Brandão começam a ganhar ares bem mais fortes, tendo como evidência maior o súbito robustecimento do Republicanos (ex-PRB), capitaneado no Maranhão pelo ativo deputado federal Cléber Verde. Em menos de um mês, Carlos Brandão consumou articulações iniciadas no final do ano passado, turbinou a bancada do Republicanos na Assembleia Legislativa, formada até então pela presença solitária do deputado Zé Gentil, com nada menos que cinco deputados estaduais – Duarte Júnior. (ex-PCdoB), Daniella Tema (ex-DEM), Fábio Macedo (ex-PDT), Ariston Ribeiro (ex-Avante) e Felipe dos Pneus (ex-PRTB) –, com a possibilidade concreta da filiação, nos próximos dias, dos deputados Paulo Neto e Antônio Pereira, ambos do DEM. Não é pouca coisa, a julgar pela intensa movimentação dos partidos em busca de fortalecer suas fileiras às vésperas das eleições municipais e a dois anos da grande e decisiva peleja eleitoral de 2022, ambos chaves para o projeto, cada dia mais consistente, do vice-governador de chegar ao Palácio dos Leões.

O fortalecimento do Republicanos se deve a uma série de fatores, sendo o principal deles o projeto de poder do vice-governador Carlos Brandão, que ganha força com a habilidade com que vem se movimentando no movediço tabuleiro da sucessão estadual, e também pela sua reconhecida capacidade como organizador de partidos políticos. Esse talento veio à tona nas eleições municipais de 2016, quando, na condição de presidente do PSDB no estado, levou a sigla tucana ao segundo lugar em número de prefeitos eleitos, ganhando o comando de 29 municípios, à frente do PDT, que fez 28, só perdendo para o PCdoB, que sob o comando do hoje deputado federal Márcio Jerry e o aval do governador Flavio Dino, saiu das urnas com 46 prefeitos. Todo seu esforço para dar ao PSDB na segunda potência partidária do Maranhão, porém, foi por água abaixo com a investida do senador Roberto Rocha, que sem espaço no PSB, pelo qual fora eleito, articulou e retomou o comando do ninho dos tucanos no Maranhão.

Carlos Brandão sofreu um duro golpe ao perder o PSDB para Roberto Rocha, passando, de uma hora para outra, de chefe tucano influente à condição de “sem-legenda”. Foi sondado por várias agremiações, mas decidiu se filiar ao PRB, formando parceria forte e azeitada com o deputado federal Cléber Verde, considerado um dos mais competentes chefes partidários do Maranhão, tendo conseguido eleger 14 prefeitos em 2016, alcançando a quinta colocação naquele ranking, à frente, por exemplo, do PSB (13) e do PTB (7), partidos mais consolidados. Juntos, Carlos Brandão e Cléber Verde têm realizado um trabalho forte e bem-sucedido de articulação, o primeiro usando o prestígio que tem na classe política, com o reforço do projeto sucessório, e o segundo utilizando sua competência e larga experiência de articulador eficiente nessa complicada seara da política maranhense.

O vice-governador Carlos Brandão joga nesse campo com um objetivo claro: fazer com que o Republicanos saia das urnas de outubro com o maior número possível de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Sua ação é um contrapeso à intensa movimentação do senador Weverton Rocha, que tenta fortalecer o PDT para turbinar o seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões, e ao jogo pesado do deputado federal Josimar de Maranhãozinho para ingressar na seleta lista de pré-candidatos a governador. Ao contrário de Weverton Rocha e de Josimar de Maranhãozinho, que atuam de maneira exposta, Carlos Brandão articula discretamente, conversando muito, mas sem criar qualquer embaraço à sua condição de número 2 do Governo, a quem o governador Flávio Dino tem escalado para inúmeras missões mundo a fora em busca de recursos para o Maranhão.

Nos bastidores, já são muitos os políticos bem situados e os   jornalistas bem informados que já se movem pela certeza de que até aqui o vice-governador Carlos Brandão é a aposta do governador Flávio Dino para substituí-lo. E a construção de uma base com o fortalecimento do Republicanos é parte fundamental do processo de viabilização.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

DEM será o partido mais prejudicado com o fortalecimento do Republicanos

Neto Evangelistas e Andrea Rezende poderão ficar como únicos representantes do DEM na parlamento estadual

Além de fortalecer a posição do vice-governador Carlos Brandão, o crescimento do Republicanos vai resultar no drástico emagrecimento do DEM na Assembleia Legislativa. Com a saída da deputada Daniella Tema, e a se confirmar a desfiliação dos deputados Antônio Pereira e Paulo Neto, a bancada do DEM no parlamento estadual, que começou essa legislatura com cinco deputados e ficará reduzida a dois, a deputada Andrea Rezende e o deputado Neto Evangelista, este passando a correr o risco de perder força como pré-candidato a prefeito de São Luís. Com a investida forte do Republicanos, Avante e PRTB serão banidos da Assembleia Legislativa, por não terem mais representação, enquanto que PDT e PCdoB contabilizarão uma perda cada um, podendo a agremiação brizolista perder o deputado Glaubert Cutrim caso o seu irmão, deputado federal Gil Cutrim, também   deixar o partido, com a agravante de que os pedetistas deixarão de ter a maior bancada no Legislativo estadual.

 

Legislativo cria canal para cidadão participar do programa “Assembleia em Ação”

Qualquer cidadão poderá, a partir de agora, interagir com a Assembleia Legislativa por via virtual. É que o programa Assembleia em Ação criou um canal direto para permitir que a população se comunique com o parlamento estadual, com espaço para dar sugestões sobre temas a serem abordados medidas que dependem de decisão legislativa, fazer comentários sobre as edições do programa e tirar dúvidas sobre os objetivos do Assembleia em Ação. Para isso, basta acessar a plataforma  http://assembleiaemacao.al.ma.leg, no portal. Para acessar, basta clicar no banner localizado na parte superior da página oficial da Assembleia Legislativa e fazer um rápido cadastro, preenchendo todas as informações solicitadas. Após concluído o formulário, o canal de comunicação estará aberto à interação dos cidadãos com o Legislativo, conforme o projeto definido pela Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa.

Para lembrar: o Programa Assembleia em Ação foi criado com o objetivo maior de aproximar a Assembleia Legislativa promovendo a troca de conhecimentos e experiências entre o Legislativo estadual e as Câmaras Municipais, e uma convivência maior e mais produtiva dos 42 deputados estaduais com os 2.320 vereadores que representam os 217 municípios maranhenses, da classe política em geral e da sociedade.

O projeto prevê a realização desses encontros em todas as regiões do estado, levando conhecimento, discutindo assuntos de interesse dos municípios e do Maranhão e dialogar com a população, sempre sob o comando do presidente da Assembleia, deputado Othelino Neto (PCdoB). O programa já passou pelos municípios de Balsas, Timon, Trizidela do Vale e Imperatriz, com participação significativa de parlamentares e lideranças políticas das regiões envolvidas. A quinta edição do evento será realizada em Itapecuru Mirim, no dia 20 deste mês, congregando representantes de 23 municípios das regiões do Baixo Itapecuru, do Munim e do Eixo Rodoferroviário. Assim como em todas as edições, os trabalhos contarão com palestras ministradas por especialistas da Casa sobre processo legislativo e eleições municipais de 2020. (Com informações da Assessoria da Assembleia Legislativa)

São Luís, 13 de Março de 2020.