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Imperatriz, São José de Ribamar e Caxias serão palcos de embates duros por prefeituras

 

Assis Ramos, Marco Aurélio, Ildon Marques e Sebastião Madeira devem disputar em Imperatriz; Eudes Sampaio e Jota Pinto agitam São José de Ribamar, e Fábio Gentil, Adelmo Soares e César Sabá embate eleitoral em Caxias

Enquanto as forças políticas e partidárias de São Luís ainda se encontram mergulhadas em articulações para definir o quadro de candidatos à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), em Imperatriz, São José de Ribamar e Caxias, três dos cinco maiores e mais importantes municípios maranhenses, colégios eleitorais que abrigam perto de mais de 350 mil eleitores, já estão com os seus quadros de candidatos formatados, faltando pouco para o desenho definitivo da disputa. São três centros decisivos da política maranhense, com forte influência sobre os municípios que os orbitam. O que acontece em Imperatriz tem repercussão em pelo menos 15 municípios que a cercam. O mesmo ocorre com Caxias, cujos eventos políticos produzem desdobramentos em mais de uma dezena de municípios do Leste maranhense. O embate político em São José de Ribamar também repercute em toda a Ilha de Upaon Açú e na região metropolitana, incluindo São Luís. Na disputa que se aproxima, esses três importantes polos políticos têm em comum o fato de que os três prefeitos – o de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), o de Caxias, Fábio Gentil (PRB) e o de São José de Ribamar, Eudes Sampaio (PTB) estão em busca da reeleição, o que torna mais intensas a corrida pelo voto nessas três unidades maranhenses.

Segundo maior colégio eleitoral do Maranhão, com 162,4 mil eleitores aptos a votar em 2018, número que pode chegar a 170 mil para as eleições deste ano, Imperatriz tem o quadro da disputa pela Prefeitura praticamente definido. Ali, o cenário até o momento mostra o prefeito Assis Ramos (DEM) candidato à reeleição, tendo como principal adversário até agora o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB). O ex-prefeito Ildon Marques (PSB) mantém seu projeto de candidatura em banho maria, devendo tirá-lo somente em abril, quando decidirá se será ou não candidato. Na mesma linha encontra-se o ex-prefeito Sebastião Madeira (PSDB), que ainda não bateu martelo sobre entrar ou não na corrida. Outros nomes poderão se apresentar, mas todas as avaliações feitas até aqui indicam que o prefeito Assis Ramos enfrentará mesmo o deputado Marco Aurélio e, muito provavelmente, o ex-prefeito Ildon Marques. A pesquisa mais recente, feita pelo instituto Econométrica, apontou Marco Aurélio na dianteira, Ildon Marques em 2º e Assis Ramos em 3º, seguido do tucano Sebastião Madeira em 4º. Observadores tocantinos disseram à Coluna que o cenário só será mesmo definido quando Ildon Marques e Sebastião Madeira se posicionarem.

No outro extremo do Maranhão, mais precisamente na Ilha de Upaon Açu, uma guerra eleitoral vai sacudir São José de Ribamar, com mais de 100 mil eleitores, e onde o prefeito petebista Eudes Sampaio, que assumiu o cargo após a renúncia do prefeito Luís Fernando Silva, já bateu martelo como candidato à reeleição. Terá como adversário mais forte o ex-deputado Jota Pinto, recém lançado pelo PDT, para onde retornou após mais de uma década entrando e saindo de diversas legendas. Ali, a disputa será entre os dois grupos que controlam politicamente a Cidade do Padroeiro. De um lado está Luís Fernando Silva, a senadora Eliziane Gama (Cidadania), o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (PTB) e o deputado federal Gastão Vieira (PROS) mobilizados em torno de Eudes Sampaio. Do outro, Jota Pinto terá o apoio do senador Weverton Rocha, o todo-poderoso comandante do PDT maranhense, e dos Cutrim – o deputado federal Gil Cutrim, o deputado estadual Glaubert Cutrim e o conselheiro do TCE Edmar Cutrim, os três últimos especialmente empenhados em derrotar Luís Fernando Silva e seu grupo. Há quem preveja São José de Ribamar como campo de uma verdadeira guerra pelo voto.

Finalmente Caxias, um dos bastiões políticos mais importantes do Maranhão, onde estão quase 100 mil votos. Ali, o quadro da disputa foi desenhado na semana passada, o bem avaliado prefeito Fábio Gentil (PRB) vai em busca da reeleição tendo como oponente o deputado estadual Adelmo Soares (PCdoB), lançado com o apoio do Grupo Coutinho, que reúne PDT e PSB e apresentou a vereadora Taís Coutinho (PSB) como candidata a vice. Político experiente e hábil, o prefeito Fábio Gentil terá como vice Paulo Marinho Júnior, que já era seu vice, renunciou ao cargo para assumir mandato na Câmara Federal, mas voltará ao posto na convenção do partido, em junho. Na avaliação de muitos observadores, será um confronto de peso, que testará, ao mesmo tempo, o cacife do prefeito Fábio Gentil, que derrotou o grupo em 2016, e o da deputada Cleide Coutinho, que assumiu a liderança do grupo após a morte do deputado Humberto Couto. Além dos dois, corre por fora, como uma terceira via, o empresário César Sabá, lançado na semana passada como o novo líder do MDB e candidato do partido à Prefeitura da Princesa do Sertão.

Esses três cenários devem ser movimentados por confrontos que produzirão desfechos imprevisíveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sarneysistas desgarrados podem se juntar em torno de Adriano Sarney

Adriano Sarney 

Ganha corpo nos diversos segmentos do que já foi o Grupo Sarney a tese segundo a qual MDB, PSC, PSD se juntem em torno da candidatura do deputado estadual Adriano Sarney (PV) à Prefeitura de São Luís. Os defensores do projeto avaliam ser perda de tempo lançarem candidatos próprios, que não chegarão a lugar algum. Essas mesmas vozes acham que o caminho é fazer um grande esforço, superar as profundas divergências que distancia, por exemplo, o MDB do PV, que está distanciado do PSD e do PSC. O deputado estadual Adriano Sarney não é o candidato preferido do deputado Roberto Costa, hoje a voz mais influente do MDB. Também não conta com a simpatia do deputado federal Aluísio Mendes, que comanda o PSC maranhense, nem do deputado federal Edilázio Júnior, atual manda-chuva do PSD no estado. Há quem afirme que as divergências são superáveis e que o projeto pode ser viabilizado numa mesa redonda em que a conversa seja franca. A maior dificuldade é que Aluísio Mendes e Edilázio Júnior estudam levar, respectivamente, o PSC e o PSD para o projeto de candidatura do deputado Eduardo Braide (Podemos), enquanto o MDB tenta encontrar meios de lançar candidato próprio, de preferência a ex-governadora Roseana Sarney, que por sua vez torce pela revitalização do grande grupo partidário que comandou por mais de duas décadas.

 

Tadeu Palácio poderá disputar uma cadeira na Câmara Municipal de São Luís

Tadeu Palácio 

O ex-prefeito Tadeu Palácio (PSL) ainda não abandonou a ideia de tentar retornar ao Palácio de la Ravardière. Mas há quem diga que ele começa a pensar na possibilidade de voltar à Câmara Municipal, onde iniciou sua carreira e onde permaneceu por três mandatos até ser ungido candidato a vice na chapa do prefeito Jackson Lago (PDT), em 1988, projeto que lhe abriu caminho para ser prefeito em 2002 e se reeleger em turno único em 2004. Dedicado à Oftalmologia desde que deixou a Prefeitura na poeira do fracasso retumbante que foi o seu projeto de eleger o ex-deputado Clodomir Paz em 2008. É verdade que são apenas especulações que circulam o meio político, mas é verdade também que suas chances de brigar por uma cadeira na Câmara de São Luís são bem maiores do que tentar chegar ao Palácio de la Ravardière de novo.

São Luís, 12 de Fevereiro de 2020.

Encontro com Eliziane Gama e Márcio Jerry sinaliza que Edivaldo Holanda Jr. terá peso decisivo na guerra sucessória

 

Edivaldo Holanda Júnior entre Eliziane Gama e Márcio Jerry: prestígio em alta e força política para comandar forças aliadas na corrida à sua própria sucessão em São Luís

Uma fotografia feita ontem no gabinete principal do Palácio de la Ravardière agitou os nichos da especulação nos bastidores da sucessão na Capital. A imagem registra o prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) emoldurado pela senadora Eliziane Gama, que tem hoje palavra final sobre os rumos do Cidadania, e o deputado federal Márcio Jerry, comandante em chefe do PCdoB no Maranhão. Pela ótica do jornalismo factual, a imagem registra os três após a entrega de 18 novas ambulâncias para o Samu, compradas com recursos de emendas destinadas por Eliziane Gama e por Márcio Jerry para São Luís. Mirado pela ótica política, o registro fotográfico sugere uma soma de forças que poderá moldar um projeto de aliança partidária consistente e viável para disputar a Prefeitura da Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade nas eleições deste ano. E nesse caso, a imagem também estimula a interpretação a de que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que até aqui tem mantido silêncio obstinado sobre sua própria sucessão, terá participação decisiva no desfecho que as urnas da Capital produzirão em outubro.

O trio de líderes da fotografia sugestiva tem, cada um a seu modo, poder de fogo para influir forte e até mesmo decisivamente na sucessão municipal. A senadora Eliziane Gama é hoje uma voz de importância destacada na bancada maranhense no Congresso Nacional, e além disso, tem uma base respeitável em São Luís, que poderá liderar no apoio a um candidato a prefeito. O deputado Márcio Jerry comanda hoje o maior partido do Maranhão, com poder de fogo para nortear boa parte do eleitorado da Capital na direção de um candidato próprio ou da aliança. Eliziane Gama têm cacife para, se quiser, sair momentaneamente da zona de conforto senatorial e entrar na corrida à Prefeitura, podendo ser um diferencial na disputa. Márcio Jerry é detentor da mesma condição: se viesse a decidir ser o candidato do PCdoB em São Luís, só seria impedido por uma decisão contrária do governador Flávio Dino.

Nesse contexto, a situação do prefeito Edivaldo Holanda Júnior será mais ou menos influente dependendo das decisões que vier a tomar na corrida à sua sucessão. Em fim de mandato – está no comando municipal há sete anos -, e sem a imposição de deixar o cargo para disputar votos agora, e ainda com a vantagem excepcional de estar melhorando progressivamente na avaliação da opinião pública, Edivaldo Holanda Júnior encontra-se numa posição política ao mesmo tempo confortável e perigosa. Confortável porque, do alto de uma boa gestão e do prestígio político dela decorrente, reúne as condições necessárias para coordenar um movimento com substância para embalar uma candidatura. E perigosa por que parte grande do seu futuro político será desdobramento do resultado dessa eleição.

Edivaldo Holanda Júnior sabe que, independentemente de qual venha ser o grau da sua participação na campanha, se um candidato da aliança dinista for para o segundo turno com o candidato do Podemos, Eduardo Braide, favorito até aqui, como está sendo desenhado, e vencer a eleição, grande parte da vitória será creditada na sua conta, o que alargará o seu horizonte político. Mas se esse candidato for derrotado, não há a menor dúvida de que a derrota e suas consequências serão igualmente debitadas na sua conta, com efeitos danosos no seu futuro político. Daí ser lógico supor que o silêncio de agora é estratégico, devendo ser quebrado no momento em que ele assumir a condição de coordenador do processo, conforme acertado com o governador Flávio Dino.

A imagem registrada ontem no gabinete principal do Palácio de la Ravardière tem tudo a ver com a corrida sucessória na Capital, só que nenhum dos três é candidato. A leitura correta é a de que a senadora Eliziane Gama e o deputado federal Márcio Jerry terão participação maiúscula numa guerra eleitoral em que o prefeito Edivaldo Holanda Júnior terá peso decisivo.

 

PONTO e CONTRAPONTO

 

Nascida de um zum-zum de palanque, candidatura de Pedro Lucas não resistiu dois dias

Pedro Lucas: candidatura efêmera, decisão sensata

Não durou mais que dois dias, com uma longa noite no meio, o zum-zum que incluiu deputado federal Pedro Lucas Fernandes (PTB) na corrida à Prefeitura de São Luís. A “pré-candidatura” foi inventada na manhã de sábado, num palanque em São José de Ribamar, onde a cúpula do PTB e líderes de outros partidos, lançavam a candidatura do prefeito Eudes Sampaio à reeleição. Durante o empolgado discurso do deputado em apoio ao projeto do prefeito petebista, alguém sugeriu, numa conversa paralela, que Pedro Lucas Fernandes poderia ser candidato a prefeito de São Luís. E na conversa foram lembradas credenciais que fazem dele um nome talhado para o cargo: é ludovicense da gema, pertence a uma família de políticos com larga vivência na cidade, seu pai (o atual suplente de senador Pedro Fernandes) foi vereador por vários mandatos e secretário de Obras da Capital, seu tio (Manoel Ribeiro) foi vereador por vários mandatos, presidiu a Câmara várias vezes e foi prefeito por alguns dias, e ele próprio foi vereador e comandou a Secretaria de Estado das Cidades e Desenvolvimento Urbano antes de se eleger deputado federal.

Como um rastilho de pólvora, o zum-zum deixou o palanque de São José de Ribamar, correu no meio político, alcançou rapidamente a blogosfera e as colunas de jornais, mas com a mesma rapidez perdeu força. O deputado Pedro Lucas Fernandes, é claro, gostou imensamente de ter sido lembrado, ensaiou um movimento do tipo “vou pensar no assunto”, mas a verdade é que não está nos seus planos ser candidato a prefeito de São Luís neste momento. Primeiro porque, além de presidir o PTB no Maranhão, ele acabou de ser reeleito líder da bancada do PTB na Câmara Federal, posição que o mantém, agora com mais força, no altíssimo clero da Câmara Federal, com meios para projetar seu futuro político com mais cuidado e consistência. Não seria, portanto, por um impulso causado por uma conversa de palanque que ele dividiria a liderança do PTB com uma desgastante e imprevisível guerra pela Prefeitura de São Luís. Daí não surpreender que o zum-zum tenha perdido força tão rapidamente.

 

Duarte Júnior e Yglésio Moisés, exemplos de que a política às vezes atropela a lógica

Duarte Jr. e Yglésio Moyses bons quadros liberados por seus partidos

Os deputados estaduais Duarte Júnior e Yglésio Moisés deixaram seus partidos, o PCdoB e o PDT, respectivamente, em busca de outras legendas para disputar a Prefeitura de São Luís. O primeiro deve desembarcar no Republicanos (ex-PRB), controlado no maranhão pelo deputado federal Cléber Verde e que tem como estrela principal o vice-governador Carlos Brandão, pré-candidato assumido à sucessão do governador Flávio Dino. O segundo ainda faz mistério sobre a legenda que vai abrigá-lo, prometendo revelá-la até sexta-feira. Tudo certo, os dois estão partidariamente resolvidos e serão candidatos à Prefeitura de São Luís, com possibilidade de serem diferenciais numa disputa difícil.

O que é difícil de entender é como o PCdoB e o PDT, que não dispõem de nomes com peso eleitoral na Capital, correndo o risco de serem coadjuvantes nessa corrida, abrem mão de dois quadros com elevada qualificação técnica, saudável vontade política e visível potencial de crescimento eleitoral. São coisas da política, que por mais explicadas que sejam, não se encaixam facilmente na compreensão do observador comum.

São Luís, 11 de Fevereiro de 2020.

Fora da disputa, Roseana está entre o projeto do MDB e as candidaturas de Adriano Sarney e Eduardo Braide

 

Se não apoiar o projeto do MDB, Roseana Sarney poderá abraçar a candidatura de Adriano Sarney ou a de Eduardo Braide na corrida à Prefeitura de São Luís

Já são favas contadas que a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) não será mesmo candidata à Prefeitura de São Luís. A grande indagação agora é sobre qual o caminho que ela seguirá levando seus mais de 10,9% de intenções de voto – segundo pesquisa do DataIlha, embora muitos observadores garantam que o cacife eleitoral dela é bem maior. Os rumores que circulam nos bastidores políticos indicam que ela poderá, ou não, apoiar o candidato que vier a ser lançado pelo MDB; que ela caminha para declarar apoio à candidatura do sobrinho, deputado estadual Adriano Sarney, pelo PV, tentando levar o MDB para uma composição com ele; e que ela poderá ficar distanciada do processo apoiando a candidatura do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) por debaixo dos panos. A ex-governadora, porém, se mantém em silêncio, observando a movimentação à distância, sem querer se envolver diretamente nessa fase inicial das articulações, aguardando o momento certo de entrar em cena, para dizer o que pensa e como vai se posicionar.

Os três caminhos produzidos pelas especulações fazem todo sentido, e cada um deles se encaixa no perfil político de Roseana Sarney. Sua relação com o MDB, comandado pelo ex-senador João Alberto e que tem como homem forte o deputado estadual Roberto Costa, viveu uma fase de furacões, trovoadas, tapas e beijos, mas as tensões se acalmaram e uma nova lua de mel começou em dezembro passado, quando a cúpula emedebista, com a presença do presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi, a lançou candidata do partido à Prefeitura de São Luís numa grande festa partidária. Ela ficou balançada, mas logo caiu na real, avaliou o cenário, descobriu que poderia entrar numa fria e, mesmo sem declarar formalmente, já decidiu que não será candidata. Tanto que o MDB já procura um candidato para lançar em breve, trabalhando para que ela participe da escolha. O problema é se ela apoiará o candidato emedebista, pois dentro do partido existe a avaliação segundo a qual, com ela, o escolhido terá alguma chance, mas sem ela, o horizonte da candidatura do MDB será curto.

Nas conversas de bastidor é dominante a impressão de que Roseana Sarney apoiará a candidatura do sobrinho Adriano Sarney. Por várias razões. A primeira é que não passa pela cabeça do ex-presidente José Sarney a ideia de que sua filha não apoie a candidatura do seu neto. Depois, o projeto de Adriano Sarney foi alinhavado com o pai, o ex-deputado federal Sarney Filho, hoje secretário de Meio Ambiente de Brasília, onde, tudo indica, fincará estaca política. Depois do desastre eleitoral de 2018 em que ambos foram duramente derrotados – ela para o Governo e ele para o Senado -, é altamente improvável que ela se negue a apoiar o sobrinho, mesmo avaliando que as chances de sucesso nas urnas são limitadas, a julgar pelo peso dos demais pré-candidatos. Há quem diga que ela já estaria começando a trabalhar no sentido de aproximar Roberto Costa de Adriano Sarney com o objetivo de juntar PV e MDB em torno da candidatura do parlamentar verde. São muitas as resistências, principalmente no MDB, mas nada que não possa ser superado num acordo bem amarrado com o aval da ex-governadora.

Finalmente, a hipótese de Roseana Sarney se distanciar do MDB e do PV para apoiar discreta – ou abertamente – a candidatura do deputado federal Eduardo Braide é uma possibilidade real. Ontem, numa roda plural de conversa sobre a pesquisa do DataIlha, foi quase unânime a impressão de que, sem ela na disputa, os 10,9% de intenções de voto que recebeu serão em sua maioria transferidos para o candidato do Podemos. Eduardo Braide nasceu politicamente e se elegeu deputado estadual em 2014 na banda rebelde do Grupo Sarney, foi homem forte na base parlamentar do governador Flávio Dino (PCdoB), mas logo ficou claro que nada o identifica com a esquerda, mesmo a democrática representada hoje pelo governador do Maranhão. Nada de excepcional, portanto, numa eventual aproximação dele com a ex-governadora e seu grupo. O problema, nesse caso, é que para apoiá-lo, ela terá de virar as costas para o MDB e para o sobrinho, se não conseguir levar os dois para a órbita do candidato do Podemos.

O fato é que, mesmo sem ser candidata, do alto da sua trajetória eleitoral bem-sucedida, apesar das duas derrotas que sofreu – 2006 para Jackson Lago (PDT) e para Flávio Dino em 2018 -, Roseana Sarney poderá ter um papel destacado na guerra pela sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). Mas com o sentido na corrida ao Governo do Estado em 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

DataIlha: 74,4% dos eleitores de São Luís não tem candidato à sucessão de Flávio Dino

Na pesquisa em que investigou as preferências do eleitorado de São Luís em relação à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior, o Instituto DataIlha também sondou os entrevistados sobre nomes para a sucessão do governador Flávio Dino, em 2022. A sondagem foi feita espontaneamente – sem a apresentação de nomes – e o resultado foi surpreendente: 74,4% não responderam ou disseram que ainda não sabem em quem votar. Os 25,6% que se manifestaram afirmativamente pulverizaram suas preferências entre nada menos que 32 nomes, divididos em dois times, o dos que foram citados por mais de 1% das preferências e o dos que receberam menos de 1%.

O primeiro time, com seis nomes, é liderado pela ex-governadora Roseana Sarney (8,6%), seguida de Eduardo Braide (5,8%), Flávio Dino (1,3%), Duarte Junior (1,2%), Wellington do Curso (1%) e Edivaldo Holanda Júnior (1%). Esse resultado evidencia claramente que os entrevistados se manifestaram motivados pela corrida para a Prefeitura de São Luís.

Também fortemente influenciado pela disputa na Capital, o segundo time, com 26 citados por menos de 1%, é formado pelos seguintes nomes: Josimar de Maranhãozinho (0,8%), Maura Jorge (0,8%), Weverton Rocha (0,7%), Bira do Pindaré (0,4%), Roberto Rocha (0,3%), Jeisael Marx (0,2%), Juiz Madeira (0,2%), Rubens Jr. (0,2%), Jefferson Portela (0,2%), Tadeu Palácio (0,2%), Neto Evangelista (0,2%), Edson Lobão (0,2%), Domingos Paes (0,2%), Felipe Camarão (0,2%), Mical Damasceno (0,2%), Eliziane Gama (0,2%), Lobão Filho (0,1%), Carlos Brandão (0,1%), Luís Fernando (0,1%), Monteiro (0,1%), Expedito (0,1%), Ana do Gás (0,1%), Astro de Ogum (0,1%), Othelino Neto (0,1%), Cleber Verde (0,1%), Renato Dionísio (0,1%) e Edilázio (0,1%).

Em Tempo: A pesquisa DataIlha está registrada sob MA-01492/2020, ouviu 980 eleitores em 40 bairros de São Luís entre os dias 29 e 31 de janeiro. Tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,3%.

 

PTB apoia Eudes Sampaio contra a investida do PDT com Jota Pinto na guerra em São José de Ribamar

Eudes Sampaio tem o apoio de Pedro Lucas Fernandes e Luis Fernando Silva, enquanto Jita Pinto é apoiado por Weverton Rocha e a família Cutrim na disputa em São José de Ribamar

O PTB realizou ontem um grande ato para lançar a candidatura do prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio, à reeleição. A mobilização do partido em torno do prefeito Eudes Sampaio é uma indicação forte de que a Prefeitura da Cidade do Padroeiro será disputada numa guerra sem trégua. De um lado estará o PTB com o apoio do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, e do seu pai, o suplente de senador Pedro Fernandes, e o grupo liderado pelo ex-prefeito e atual secretário de Estado de Assuntos Estratégicos Luís Fernando Silva, em apoio ao prefeito Eudes Sampaio. Do outro lado estará o PDT, ali controlado pelos Cutrim – o deputado federal Gil Cutrim, o deputado estadual Glaubert Cutrim e o pai deles, o ex-deputado estadual e atual conselheiro do Tribunal de Contas Edmar Cutrim, com o aval do senador Weverton Rocha, todos mobilizados em apoio à candidatura do ex-vereador ludovicense Jota Pinto. Outros partidos, como o MDB e o PCdoB, por exemplos, mas todas as evidências surgidas até aqui apontam para uma disputa acirrada entre o prefeito Eudes Sampaio e o suplente de deputado estadual Jota Pinto, motivada pelo confronto dos dois grupos.

São Luís, 9 de Fevereiro de 2020.

Pesquisa DataIlha mostra Braide em queda, mas ainda sem um adversário para enfrentá-lo de igual para igual

 

Eduardo braide, Duarte Jr., Jeisael Marx, Rubens Jr., Wellington do Curso, Bira do Pindaré, Neto Evangelista e Adriano Sarney: altos e baixos entre 16 pré-candidatos

Se a pesquisa DataIlha – contratada e divulgada pelo sempre bem informado blog do jornalista Clodoaldo Corrêa – expressar, de fato, o que está pensando o eleitorado de São Luís sobre os aspirantes à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), os números anunciados devem funcionar como forte sinal de alerta amarelo para os mais bem posicionados, a começar pelo líder na preferência dos eleitores, deputado federal Eduardo Braide (Podemos). Os percentuais são surpreendentemente baixos, o que à primeira vista pode ser explicado pela espantosa quantidade de nomes (16) submetidos ao crivo dos 908 entrevistados, causando uma pulverização nas escolhas. Uma avaliação cuidadosa dos números recomenda a atenção dos observadores para seis percentuais: os 38,8% de Eduardo Braide, os 10,9% de Roseana Sarney (MDB), os 7,9% do deputado estadual Duarte Júnior (PCdoB), os 3,6% de Jeisael Marx (Rede), os 2% do deputado federal Rubens Júnior (PCdoB) e 18,5% que representam a soma dos que não souberam ou não quiseram responder com os que disseram que não votarão em nenhum deles ou anularão seus votos.

O percentual mais surpreendente são os 38,8% dados a Eduardo Braide, à medida que confirma a tendência de queda sua posição na comparação com as pesquisas feitas de alguns meses para cá.  Nas primeiras, divulgadas em meados do ano passado, Eduardo Braide chegou a aparecer com 58% das intenções de voto, o que, feitas as contas, ele já teria perdido cerca de 20% das intenções de voto. De lá para cá, nenhum levantamento o apontou em crescimento ou pelo menos estabilizado numa posição confortável. Mesmo confirmando sua liderança, a informação do DataIlha não é uma boa notícia para o candidato do Podemos. A oito meses da eleição, Eduardo Braide parece sofrer um processo de desidratação, que ele precisa sustar imediatamente, sob pena correr sérios riscos na corrida ao Palácio de la Ravardière.

Nem tudo é má notícia para Eduardo Braide: os candidatos que o ameaçavam também desidrataram. Mais: a candidatura de Roseana Sarney (DB) evaporou, e os 10,9% a ela dados na pesquisa serão redistribuídos e provavelmente boa parte desses poderá beneficiá-lo. A pesquisa confirmou o deputado Duarte Júnior na terceira colocação, mas o tirou do patamar dos dois dígitos, com 7,9%, podendo reagir quando encontrar um partido e se tornar candidato para valer. Por outro lado, a pesquisa sinalizou crescimento expressivo do candidato da Rede, jornalista Jeisael Marx, que saiu do zero para alcançar 3,6%, à frente de nada menos que 12 dos 16 nomes incluídos no levantamento. A pesquisa também causa a impressão de que, agora sem a sombra de Duarte Júnior no PCdoB, Rubens Júnior, com seus 2%, dá sinais de que saiu da inércia e começa a se movimentar. E nesse cenário, o dado a ser levado em conta é que a pesquisa encontrou 18,5% de eleitores rebeldes e indecisos, exército a ser seduzido pelos aspirantes em movimento.

Chama a atenção, por outro viés, os magros percentuais dados ao candidato do PSB, Bira do Pindaré (2,9%), ao representante do DEM, Neto Evangelista (2,8%), ambos via de regra bem votados em São Luís, e ao concorrente do PV, Adriano Sarney (0,8). A pesquisa também serviu para avisar ao ex-juiz federal Carlos Madeira (SD), que aparece com 0,4%, de que a seara política, principalmente no que respeita a eleições, é furta-cor, movediça e traiçoeira para principiantes. Ao mesmo tempo, pode ser cruel com concorrentes calejados, como o ex-prefeito Tadeu Palácio (PSL), que com 1,8% das intenções de voto, preferirá continuar no exercício da medicina. Por seu turno, o deputado Yglésio Moises (0,5%) precisa justar rapidamente sua caminhada. Curiosa é a posição do deputado Wellington do Curso, que se mantém na quarta posição.

Muitos apontarão a pesquisa DataIlha como mais um levantamento da fase inicial da pré-campanha à Prefeitura de São Luís. Mas não há dúvida de que ela veio para chacoalhar os aspirantes, a começar pelos que aparecem com potencial de crescimento, e avisá-los de que está na hora do aquecimento.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número MA-01492/2020, e a coleta dos dados foi realizada nos dias 29 a 31 de Janeiro 2020, ouvindo 980 eleitores em 40 bairros, tendo um intervalo de confiança de 95 %, e margem de erro de 3,3%.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia aprova maior piso salarial do País para professores do Maranhão

Entre o líder governista Rafael Leitoa (PDT) e a líder do SD, Helena Duailibe, o presidente  Othelino Neto comandou a votação do aumento para professores

A partir desse mês o Maranhão consolidará de vez a posição de estado que melhor paga professor do ensino médio em todo o País, instituindo uma escala de vencimentos básicos que vai de R$ 3.179,48 para os que trabalham em regime de 20 horas semanais, e de R$ 6.358,96 para os que cumprem carga de 40 horas por semana. Esses vencimentos são a soma do piso salarial e a Gratificação de Atividade do Magistério (GAM).

Essa revolução salarial para o magistério foi possível com a aprovação, ontem, do Projeto de Lei 002/2020, proposto no dia 3 pelo governador Flávio Dino em cuja mensagem explica que a recomposição salarial dos professores varia entre 5% e 17,49%. Diante do apelo feito pelo governador Flávio Dino, argumentando que o Governo do Estado está preparado para implantar os novos salários já na folha de fevereiro, o presidente da Assembleia Legislativa, com o apoio dos líderes de bancadas, garantiu a tramitação em regime de urgência, tendo encaminhado ontem mesmo o projeto aprovado para a sansão do governador Flávio Dino. A chamada recomposição salarial beneficiará 45 mil professores, com impacto anual de R$ 198 milhões na folha de pagamento do Estado.

– Encaminhamos, hoje (ontem) mesmo, para a sanção do governador Flávio Dino, o projeto que reajusta o salário dos professores no Maranhão. O benefício, que chega ao magistério, soma-se aos outros investimentos do governo estadual na área da Educação. Investimentos esses que colocam o Maranhão entre os estados mais bem avaliados do país – destacou o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB).

Com a aprovação do projeto, o vencimento-base mínimo dos professores (Professor III) com regime de trabalho de 20 horas semanais, somado à GAM (Gratificação de Atividade do Magistério), será de R$ 3.179,48. Já o vencimento dos professores com regime de trabalho de 40 horas semanais, acrescido da GAM, foi fixado em R$ 6.358,96. A aplicação dos reajustes às referências na carreira, o novo piso chegará a R$ 4.046,02 para os docentes que cumprem regime de trabalho, e de 20 horas semanais e de R$ 8.092,06 para os que cumprem a jornada de 40 horas semanais. Além disso, os professores contratados também passarão a receber o valor do novo piso nacional proporcional à jornada de 20 horas.

Com essa decisão política de redefinir o patamar salarial dos professores, o governador Flávio Dino entra para a História também por conta da revolução que seu Governo está fazendo na área de educação. (Com informações da Assessoria de Imprensa da Assembleia Legislativa).

 

Zé Inácio se dispõe a ser o candidato do PT em São Luís

Zé Inácio 

O deputado Zé Inácio anuncia sua disposição de se candidatar a prefeito de São Luís pelo PT. Uma boa iniciativa, a começar pelo fato de que tira o PT de uma espécie de isolamento a que se submeteu no cenário político de São Luís. Um dos quadros mais promissores do PT no Maranhão, Zé Inácio tem demonstrado tirocínio político. Ele próprio estabelece uma condição para ser candidato petista à sucessão do Edivaldo Holanda Júnior (PDT): o apoio integral e assumido do ex-presidente Lula, sem o qual não haverá candidatura em São Luís. Zé Inácio disputa a vaga de candidato majoritário do PT em São Luís com o deputado federal José Carlos Araújo, que também está se movimentando para ser o candidato do PT.

São Luís, 07 de Fevereiro de 2020.

PDT e DEM caminham para selar acordo em torno da candidatura de Neto Evangelista em São Luís

 

Weverton Rocha, Carlos Lupi, Neto Evangelista e Juscelino Filho: aliança em SL

É verdade que são ainda os primeiros movimentos e que a maioria dos seus protagonistas encontra-se ainda na condição de candidato a candidato, mas a julgar pelos últimos fatos – entre eles as entrevistas do deputado federal Eduardo Braide (Podemos) e a saída do deputado estadual Duarte Júnior do PCdoB, por exemplo -, a articulação PDT/DEM em torno da virtual candidatura do deputado estadual democrata Neto Evangelista ganha a aparência de favas contadas e dá a impressão de que a guerra pela Prefeitura de São Luís começa a definir seus exércitos. O encontro que reuniu ontem em Brasília Neto Evangelista, o deputado federal Juscelino Filho (chefe maranhense do DEM), o senador Weverton Rocha (senhor inconteste do PDT no Maranhão) e Carlos Lupi (presidente nacional do PDT) praticamente selou a aliança, dando origem a uma candidatura politicamente forte e com indiscutível potencial   eleitoral. É provável que essa parceria venha a incluir outras legendas, mas só a soma de PDT e DEM é suficiente para a realização de um projeto eleitoral que, no caso, está sendo desenhado para que as eleições municipais sejam o primeiro e decisivo passo de um objetivo político bem mais ambicioso.

A aliança PDT/DEM reúne quatro ingredientes essenciais para viabilizar um projeto de conquistar a Prefeitura de São Luís. O primeiro é o deputado Neto Evangelista como cabeça de chapa: jovem, ludovicense da gema, nascido e crescido na agitada seara política da Capital e hoje um político bem-sucedido. O segundo é a soma da força política e eleitoral do PDT com a estrutura do DEM, que gera uma chapa com capilaridade eleitoral, militância aguerrida e pode ganhar impulso com um bom tempo de campanha no rádio e na TV. O terceiro é o fato de a Prefeitura estar hoje sob o comando do segundo mais importante expoente do PDT no Maranhão, o bem avaliado prefeito Edivaldo Holanda Júnior. E o quarto é que tanto Neto Evangelista, quanto o PDT e o DEM e seus líderes são componentes importantes da grande aliança comandada no estado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o que para muitos é uma grande vantagem do ponto de vista político e eleitoral.

É claro que isso não significa que a fatura esteja liquidada. Muito ao contrário. O momento ainda é o dos arranjos para uma disputa está sendo desenhada para ser renhida, dura e de desfecho imprevisível.

Político jovem, mas já com a experiência de raposas como foi seu pai – o ex-vereador e ex-deputado estadual João Evangelista, que presidiu a Câmara de São Luís por dois mandatos e a Assembleia Legislativa também por dois mandatos –, Neto Evangelista sabe que, mesmo com o suporte político e logístico que a aliança PDT/DEM possa lhe dar, o sucesso da empreitada eleitoral vai depender muito, e decisivamente, do seu desempenho como candidato. Sua tarefa nesse processo será mostrar ao eleitorado que tem condições de transformar São Luís, e para isso terá de se mostrar mais competente mais confiável do que candidatos definidos e prováveis como Eduardo Braide, Rubens Júnior (PCdoB), Bira do Pindaré (PSB), Duarte Júnior (ainda sem partido), Jeisael Marx (Rede),Yglésio Moises (ainda sem partido), Adriano Sarney (PV) e Carlos Madeira (Solidariedade), todos aparentemente dispostos a jogar pesado para suceder ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior.

Num contexto mais amplo, a aliança PDT/DEM reserva a Neto Evangelista o desafio de conquistar espaço para o grande embate de 2022 envolvendo a sucessão do governador Flávio Dino, para o qual o chefe maior do PDT, senador Weverton Rocha, está se preparando com afinco, e isso inclui a eleição do maior número possível de prefeitos em outubro. E é evidente que o sucesso desse projeto depende muito – mas muito mesmo! – da eleição de um aliado fiel para a Prefeitura de São Luís. Neto Evangelista sabe disso, topou a parada e se repara para ir à luta.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar de Maranhãozinho ignora pancadas de Gastão Vieira e reforça o PL com Paulo Marinho Jr.

Paulo Marinho Jr. e Josimar de Maranhãozinho emolduram o notório Waldemar Costa Neto. chefe absoluto do PL nacional 

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho não para. Ontem, menos de 24 horas depois de ter sido alvejado por bordoadas verbais do suplente de deputado federal no exercício do mandato Gastão Vieira, numa reação a suposta investida para controlar o braço maranhense do PROS, Josimar de Maranhãozinho roubou de novo a cena ao anunciar a filiação do vice-prefeito de Caxias, Paulo Marinho Jr., no PL, por ele controlado com mão de ferro no Maranhão. Não foi uma resposta a Gastão Vieira, mas uma demonstração de que sua ação objetivando ampliar o seu lastro político-partidário não tem limite.

O peixe fisgado ontem, em ato avalizado pelo chefão do partido, o notório ex-deputado federal paulista Waldemar Costa Neto, não é pouco coisa. Além do poder de fogo que representa como vice-prefeito de Caxias, o quarto maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, com larga chance de reeleição, ele é hoje o representante maior do grupo liderado na Princesa do Sertão e na região Leste por seu pai, o ex-prefeito e ex-deputado federal Paulo Marinho, que perdeu recentemente o controle do MDB no plano local.

Com a adesão de Paulo Marinho Jr. ao seu partido e, por via de desdobramento, ao seu projeto de disputar o Governo do Estado em 2022, Josimar de Maranhãozinho crava mais uma estaca na base do seu palanque. Ele já controle os braços maranhenses do PL e do Avante, dois deputados federais (Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr), quatro deputados estaduais (Detinha, sua mulher, Hélio Soares, Vinícius Louro e Leonardo Sá) e uma penca de prefeitos e vereadores, e parece disposto a aumentar esse cacife.

 

Othelino Neto e Thaíza Hortegal batem forte nas empresas que exploram o serviço de ferryboat

Othelino Neto e Thaíza Hortegal fazem duras críticas ao serviço de ferryboat no MA

O choque entre dois ferryboats, ocorrido terça-feira na Baía de São Marcos e que causou pânico em centenas de passageiros, entre eles crianças, repercutiu fortemente na Assembleia Legislativa, com manifestações enfáticas do presidente da Casa, deputado Othelino neto (PCdoB) e que tem fortes vínculos com a Baixada Ocidental, e a deputada Thaíza Hortegal (PP), que é representante política da região e que tem sido exercido vigilância atenta sobre o sistema de travessia. Os dois acusaram as empresas responsáveis de negligência e irresponsabilidade e pediram que o caso seja alvo de uma investigação isenta e urgente. Ele defendeu a mobilização dos usuários para evitar

– É um absurdo o que acontece, a forma como essas duas empresas tratam os consumidores, os usuários desse transporte – disparou. E lembrou: “Já cheguei a viver uma situação em que, uma vez embarcando com minha esposa e meus dois filhos, eles conseguiram embarcar minhas crianças e me deixar de fora do ferry, só para se ter ideia do nível de desrespeito com os usuários”. E acrescentou: “A travessia, que requer maior segurança aos passageiros, é realmente algo desalentador”. Por fim, defendeu a licitação para a contratação de novas empresas prestadoras desse serviço.

No mesmo tom, a deputada Thaíza Hortegal (PP), que é usuária frequente do serviço como representante da Baixada, disparou chumbo grosso contra as empresas que exploram o serviço de ferryboat no Maranhão: “Nós, que somos usuários desse transporte, não suportamos mais colocar as nossas vidas em risco, não aguentamos mais pagar por um preço que é o mais caro do Brasil e, ainda assim, o que tem a pior qualidade de serviço”.

São Luís, 06 de fevereiro de 2020.

Duarte Júnior deixa o PCdoB com aval de Flávio Dino para disputar a Prefeitura de São Luís

 

Mensagem de Flávio Dino confirmando a saída de Duarte Júnior do PCdoB em clima de tranquilidade

A decisão do deputado estadual Duarte Júnior de deixar o PCdoB e o gesto do governador Flávio Dino de liberá-lo sem risco de rebordosa ao seu mandato abriram caminho para que o partido e o parlamentar definam, enfim, os seus rumos na corrida à Prefeitura de São Luís. Duarte Júnior deixa a linha de fogo cruzado em que se encontrava na estranha condição de alvo preferencial de um implacável “fogo amigo”, para assumir de vez a condição de candidato irreversível a prefeito da Capital. O PCdoB, por seu turno, perde um dos   quadros mais promissores da nova geração, mas, ao mesmo tempo, se livra de uma pressão forte, podendo a partir de agora armar sem tensão o seu projeto para chegar, direta ou indiretamente, à Prefeitura de São Luís. E o detalhe mais interessante é que Duarte Júnior deixa o PCdoB com o aval do governador Flávio Dino, o que elimina a possibilidade de ele vir a tornar-se um adversário do Governo. A maneira cortês e fraterna com que Flávio Dino anunciou o desligamento de Duarte Júnior sinaliza com clareza que ele sai do partido, mas não sai do grupo. Tal situação ganha forma com a quase certeza de que o jovem parlamentar se filiará ao PRB, partido de base forte e que tem o vice-governador Carlos Brandão como principal referência.

A saída de Duarte Júnior do PCdoB foi decidida quando ele, embalado por uma eleição maiúscula para a Assembleia Legislativa, decidiu que seria candidato à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda (PDT). Seus primeiros movimentos no parlamento foram marcados por polêmicas, mas logo ficou claro que a pancadaria contra ele pareceu ter “efeito fermento em massa de bolo”. As reações na base governista e no grupo mais forte do partido aos seus movimentos indicaram, desde logo, que a convivência com o parlamentar seria difícil. E isso ficou mais evidente quando o governador Flávio Dino convocou o deputado federal Rubens Júnior para assumir a Secretaria das Cidades, um claro indicativo de que ele seria o candidato do PCdoB.

Parecia que a ideia seria deixar que os dois medissem força para, no momento apropriado, avaliar quem teria cacife para liderar uma chapa do PCdoB. O que se seguiu, no entanto, foi a consolidação de dois perfis que tornavam inviável escolher entre ambos os candidatos do PCdoB. Duarte Júnior manteve a musculatura eleitoral conseguida na eleição para deputado, aparecendo entre os três melhor posicionados nas pesquisas eleitorais feitas até aqui, mas, por outro lado, revelou-se perigosamente inexperiente em matéria de articulação política, conseguindo a proeza do quase isolamento dentro da base governista. Por sua vez, numa situação rigorosamente inversa, Rubens Júnior, um jovem político de quatro mandatos com votações crescentes, apoiado fortemente dentro da base governista, vem tendo o seu projeto de candidatura atingido fortemente pela falta de suporte eleitoral, com fraco desempenho nas pesquisas. Essa situação ganhou a forma de impasse, porque o desligamento de Duarte Júnior não garante que Rubens Júnior deslanchará, principalmente em meio à repercussão da saída do primeiro do partido.

Nos últimos dias, ao mesmo tempo em que se intensificaram os rumores de que Duarte Júnior sairia do PCdoB, começaram a circular no meio político o “zunzum” segundo o qual Rubens Júnior estaria também desativando seu projeto de candidatura. Ontem, após o governador Flávio Dino ter informado sobre a saída de Duarte Júnior do PCdoB, chamou a atenção o fato de que nenhuma voz do partido ou do grupo ter se manifestado em favor da candidatura de Rubens Júnior, o que reforçou em muitos a impressão de que o partido comandado pelo deputado federal Márcio Jerry buscará uma terceira via.

Ao deixar o PCdoB – que, vale observar, nunca pareceu ser a sua praia ideológica -, o deputado Duarte Júnior está livre para entrar de vez na briga pelo Palácio de la Ravardière. Ele certamente já tem maturada a avaliação de que uma candidatura a prefeito de São Luís não tem futuro sem uma base política ampla, e o exemplo mais eloquente disso é que o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), que as pesquisas apontam como líder disparado, está se movimentando intensamente em busca de um lastro político, exatamente por sabe que sem isso corre o risco de um isolamento fatal. Num partido mais flexível, como o PRB, o jovem deputado poderá mostrar que tem talento e competência para inflamar o potencial eleitoral e se tornar, de fato, um candidato competitivo. Isso porque já provou que tem de sobra um ingrediente essencial nesse jogo: ousadia.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Josimar de Maranhãozinho não terá controle do PROS e é repreendido por Gastão Vieira

Josimar de Maranhãozinho tentou tentou controlar o PROS, mas foi enquadrado por Gastão Vieira

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, tropeçou feio na sua corrida para se consolidar como colecionador de partidos – já manda no PL e no Avante – ao tentar incluir o braço maranhense do PROS na sua coleção. O problema é que ele calculou mal, não levando em conta o fato de que, além de não ser uma legenda de aluguel e não estar à venda, a secção do PROS no Maranhão é comandada pelo deputado federal Gastão Vieira, um dos políticos mais esclarecidos e coerentes do País. Embalado pelo projeto de se eleger governador, Josimar de Maranhãozinho tomou o controle do então PR, hoje PL, do suplente de deputado federal Davi Alves Silva Filho, cria do famoso e temido ex-deputado estadual, ex-deputado federal e ex-prefeito de Imperatriz Davi Alves Silva, assassinado durante a corrida eleitoral de 1994. Andou rondando o PSL, mas encontrou ali um cacique tarimbado, o vereador Chico Carvalho. Em seguida, jogou pesado e tirou o Avante do controle de Hilton Gonçalo, prefeito de Santa Rita, que controla também as prefeituras de Bacabeira, comandada por sua mulher, Fernanda Gonçalo, e de Pastos Bons, comandada por sua irmã Iriane Gonçalo, liderando também o deputado federal temporário Elizabeth Gonçalo e o deputado estadual também temporário Ariston Ribeiro. Tentou abarcar o PSC, mas o deputado federal Aluísio Mendes não deixou.

No caso na investida sobre o PROS, além de não conseguir o intento partidário, ainda foi duramente alvejado pelo seguinte comentário de Gastão Vieira: “Ao contrário das informações plantadas pelo megalomaníaco deputado, que se acha dono do Estado, não há nenhuma negociação ou mudança de comando do partido do Estado. O comando nacional do PROS sequer teve qualquer conversa com o deputado Josimar, por uma razão simples: no nosso partido não há filiados e parlamentares que respondem a processos cíveis e criminais na Justiça”.

Corre no meio político que sua próxima investida será o Solidariedade, onde encontrará chumbo grosso à sua espera.

 

Afonso Manoel dá boa sugestão ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior: revitalizar o prédio do BEM

Afonso Manoel: boa sugestão feita ao  prefeito de São Luís

Em discurso pronunciado ontem na Câmara Municipal, o vereador Afonso Manoel (Solidariedade) pode ter embalado um bom presente para o centro tradicional de São Luís ao sugerir ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) a conclusão e a reabertura do prédio que sediou o Banco do Estado do Maranhão, na Rua do Egito, fechado há mais de uma década. Ao fundamentar a sugestão, o vereador Afonso Manoel – um ludovicense da gema apaixonado pela cidade onde nasceu, cresceu e vive sem vontade de sair – levanta alguns argumentos incontestáveis.

O parlamentar sugere que o prédio abrigue a Secretaria Municipal de Fazenda, que funciona em instalações precárias, pouco adequadas e limitadas na Avenida Kennedy. Com essa providência, o prédio poderá ter a finalidade dada pelo governador Flávio Dino ao Edifício João Goulart, na Praça Pedro II, que foi adquirido e reformado pelo Governo do Estado e   abrigará vários órgãos hoje instalados em prédios inadequados e dispersos.

Afonso Manoel lembrou que o prédio foi reformado pelo ex-prefeito João Castelo, mas a obra ficou incompleta e assim permanece há sete anos. E no bojo da sua sugestão ao prefeito Edivaldo Holanda Júnior, argumenta que a conclusão da reforma e a instalação da Secretaria Municipal de Fazenda ali, além de dar sentido a uma preciosidade modernista fincada entre históricos casarões coloniais, revitalizará fortemente um trecho do Centro de São Luís que foi intensamente movimentado até a desativação do BEM.

O vereador Afonso Manoel completou sua sugestão argumentando que a revitalização do prédio do BEM seria também um gesto politicamente correto para homenagear ex-deputado federal, ex-senador, ex-governador e ex-prefeito de São Luís João Castelo, que teve a iniciativa da reforma.

São Luís, 05 de Fevereiro de 2020.

Flávio Dino propõe maior salário para professor no País e Othelino Neto reafirma posição de independência da AL

 

Em clima de harmonia, Flávio Dino entrega mensagem do Executivo a Othelino Neto

O que em princípio seria mais uma edição de um evento institucional que se repete a cada ano no Congresso Nacional e em todas as casas legislativas do País, a reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa do Maranhão, ontem, ganhou a dimensão de evento que certamente entrará para a história política do estado. Além dos discursos do governador Flávio Dino (PCdoB) – que ganha musculatura como pré-candidato presidencial pregando uma ampla frente partidária – e do presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB) – que vem reunindo cacife político disputar um mandato majoritário em 2022 – ambas políticas importantes para ilustrar o momento, o grande destaque foi o anúncio feito pelo chefe do Poder Executivo de que encaminhará ao Legislativo dois projetos de lei de importância histórica. Um aumenta o piso salarial dos professores da rede estadual de ensino de R$ 2.886,24 (piso nacional) para R$ 6.398,00, o mais alto a ser pago a docentes do ensino médio em todo o País, seja na União, seja nas esferas estadual e municipal. O outro institui o Zoneamento Econômico e Ecológico do Maranhão, a partir de um estudo que vem se arrastando desde os anos 90 do século passado.

O governador Flávio Dino fez um discurso denso de chefe de Estado e de Governo e líder político com os pés fincados no chão, exibindo alguns números excepcionais da sua gestão e reafirmando sua crença nas regras do estado democrático de direito e na transparência administrativa, dando um recado para ecoar em todo o País. Na sua fala, que traduziu o conteúdo da sua Mensagem ao Poder Legislativo, Flávio Dino fez um balanço do seu Governo, destacando avanços em educação, segurança pública e saúde, que definiu como legados sociais de sua gestão. Mas a base do pronunciamento foi o projeto de aumento salarial dos professores, de R$ 2.886,24 (piso nacional) para R$ 6.398,00, apresentado como um marco, a começar pelo fato de que será o maior piso salarial do País, e será pago integralmente com recursos do Fundeb. “O novo piso é maior do que o piso nacional, mantendo, portanto, a coerência com a nossa visão de valorização da educação como política fundamental para desenvolver o nosso estado”, destacou o governador.

Flávio Dino também destacou “um salto” no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), informando que o Maranhão saiu da 22ª posição para 13ª. “O nosso estado, que estava entre os piores, conseguiu encerrar 2019 entre os melhores do país. Registramos, também, uma redução de 72% na taxa de homicídios na capital e o pleno funcionamento da rede pública estadual de saúde, considerada a maior do Brasil em quantidade de leitos hospitalares do tipo UTI”, assinalou.

E encerrou com a habilidade que tem demonstrado no movediço campo das relações institucionais: “Agradeço o convite do Poder Legislativo para estar aqui. Acredito que a representação plena da vontade coletiva se encontra aqui, neste Parlamento. Estendo, como sempre, uma palavra de estímulo, incentivo, cordialidade e compromisso, para que possamos manter o nosso estado no rumo certo”.

O presidente Othelino Neto fez um discurso de defesa convicta das instituições, afirmando que, ao contrário do que acontece no plano nacional, onde o Congresso Nacional e o Judiciário têm atuado para conter impulsos autoritários do atual governo central, no Maranhão os Poderes estão convivendo sem maiores problemas, sem que nenhum abra mão das suas prerrogativas e da sua independência. “Faço questão de enfatizar o que isso representa para o Maranhão. Já é algo natural, no estado, estarem na mesma mesa representantes dos três Poderes, dada um com seu papel, respeitando as prerrogativas constitucionais do outro”, enfatizou Othelino Neto. E acrescentou: “Apreciaremos todos os projetos, requerimentos, indicações, enfim, com o devido cuidado e sem prejuízos ao povo maranhense, independente das diferenças político-partidárias dos deputados. Nesta Casa prevalece a vontade da maioria. Há vencedores e vencidos a cada votação, mas isso é da democracia, da essência do parlamento”, assinalou.

O que se viu ontem na Assembleia Legislativa foi a reafirmação de uma vertente política que se movimenta com firmeza na consolidação de um projeto de poder que, a julgar pelos passos dados até aqui, tem tudo para vencer os desafios eleitorais que estão a caminho e que podem produzir repercussão dentro e fora do Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Três definições partidárias podem armar o cenário da disputa em São Luís

Yglésio Moises, Wellington do Curso e Duarte Júnior em vias de definir futuros partidários para disputar Prefeitura de SL

Três definições partidárias previstas para os próximos dias deverão, quando consumadas, deverão dar um novo desenho ao atual cenário da corrida para a Prefeitura de São Luís. O deputado Duarte Júnior, que tem aparecido nas pesquisas em 2º lugar na preferência do eleitorado, poderá deixar o PCdoB e ingressar no PRB, conforme especulações que circulam no meio político O deputado Yglésio Moisés, que deixou o PDT e deve se filiar ao Cidadania, de acordo com fortes rumores que correm nos bastidores da sucessão municipal. E, finalmente, o deputado Wellington do Curso, bem posicionado nas pesquisas, e que tenta viabilizar sua candidatura pelo PSDB, mas a cúpula tucana, comandada pelo senador Roberto Rocha, está decidida a levar o partido para uma aliança com deputado federal Eduardo Braide (Podemos).

Duarte Júnior tem mostrado consistência eleitoral em São Luís, de acordo com os levantamentos feitos até aqui, mas enfrenta resistências dentro do PCdoB e por isso está disposto a concorrer por outro partido. Com boa desenvoltura política e potencial eleitoral, Yglésio Moises poderia ser o candidato do PDT, mas conveniências internas do partido descartaram sua candidatura, mesmo ficando o partido sem opção para lançar. E Wellington do Curso, já ciente de que não terá o PSDB, mira o PSL ou, em outra situação, o Aliança pelo Brasil, que o presidente Jair Bolsonaro conseguir emplacar o partido já para as eleições de outubro.

 

Coronel Monteiro assume a chefia da coleta de assinatura para partido de Bolsonaro

Afinado com Jair Bolsonaro, Coronel Monteiro vai chefiar coleta de assinaturas

Quase todo desmanchado no Maranhão por falta de porta-vozes ativos e confiáveis aos olhos da família Bolsonaro, o braço maranhense do bolsonarismo assumido ganhou, finalmente, um chefe: o coronel reformado Ribamar Monteiro, atual superintendente estadual da Secretaria de Patrimônio da União (SPU). Direita ranzinza, que exibe comunhão plena com o que pensa e fala o presidente Jair Bolsonaro, Coronel Monteiro assumiu a tarefa de colher assinaturas para dar vida legal ao projeto partidário do presidente da República e a turma que arrastou ao deixar o PSL para criar o Aliança pelo Brasil. Não será tarefa fácil, por alguns motivos conhecidos, sendo o principal deles o fato indiscutível de que o bolsonarismo não vingou no Maranhão, e que dos maranhenses que votaram no atual presidente, boa parte está decepcionada, o que torna o campo de colheita de assinatura bem mais restrito e pouco fértil. O Coronel Monteiro terá de fazer malabarismo para dar conta do serviço partidário que lhe foi passado.

São Luís, 04 de Fevereiro de 2020.

 

Flávio Dino lança movimento para fortalecer o PCdoB e Roseana Sarney tentará juntar sobras do sarneysismo

 

Flávio Dino lança p Movimento 65 para fortalecer o PCdoB e o seu projeto político; Roseana Sarney tenta juntar o que sobrou do grupo que liderou

Ainda na fase de articulações para a definição de candidaturas a 217 vagas de prefeito e a 2.320 cadeiras de vereador, a mobilização político-partidária para as eleições de outubro no Maranhão ganhou um novo patamar. O governador Flávio Dino lançou o Movimento 65, iniciativa destinada a mostrar ao País que o PCdoB é um partido alinhado aos princípios do estado democrático, que sabe governar, não é o “bicho papão” que a direita conservadora tenta pintar, e por isso está aberto a filiação militantes e de interessados em disputar cargo eletivo no pleito deste ano. Num patamar bem mais discreto, mas com algum traço de simbolismo político, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) descartou a candidatura à Prefeitura de São Luís e anunciou que a partir de março vai percorrer o estado para apoiar candidatos a prefeito e a vereador do seu campo político-partidário. O governador Flávio Dino entra em campo como a principal referência nacional da ampla ação do PCdoB, já apontado como o nome do partido para disputar a Presidência da República em 2022, enquanto Roseana Sarney, derrotada no último pleito, tentará reagrupar o que sobrou do Grupo Sarney. Os dois movimentos devem dar o tom e o ritmo da corrida às urnas no Maranhão.

O Movimento 65 é o projeto político por meio do qual o PCdoB pretende alcançar pelo menos três objetivos centrais, sendo o primeiro deles reafirmar-se como partido que tem ideologia, doutrina e programa e que está perfeitamente inserido no vitral que colora o estado democrático de direito. O segundo é ampliar sua participação na vida política e administrativa do País com a eleição do maior número possível de prefeitos e vereadores em outubro. E o terceiro é o seguinte: cacifado pelas eleições municipais e embalado pelos bons resultados administrativos e tendo o Governo do Maranhão como principal exemplo, entrar para valer na corrida presidencial tendo o governador Flávio Dino candidato, de preferência liderando uma frente partidária. Em vídeo já circulando nas redes sociais, o governador maranhense explica que o Movimento 65 é “uma proposta política comprometida com a defesa do Brasil, com a democracia e com a liberdade. Queremos construir um espaço para discutir a boa política, bons rumos para o País”.

Flávio Dino sinaliza que jogará o peso do seu cacife político para aumentar nessas eleições o número de prefeitos do PCdoB – elegeu 46 em 2016 -, ampliando também a presença do partido nas câmaras municipais. Ao mesmo tempo, avisa que vai estimular as candidaturas dos 15 partidos que integram a frente que lidera, prometendo não interferir onde houver dois aliados em disputa. A expectativa dominante na seara governista é que Flávio Dino sairá fortalecido das eleições, lastreado com densidade política para levar em frente o projeto de enfrentar o presidente Jair Bolsonaro nas urnas em 2022. Nesse contexto, não há dúvida de que o PCdoB pode consolidar e até mesmo ampliar sua presença na política maranhense elegendo um número maior de prefeito e vereadores, no Maranhão e no País.

No campo oposicionista, a ex-governadora Roseana Sarney anuncia que vai se embrenhar nos municípios, a partir de março, para apoiar e incentivar candidatos a prefeito e a vereador aliados dela. Ela voltou à ativa quando foi lançada pré-candidata à Prefeitura de São Luís. Já decidiu não ser candidata na Capital, mas anunciou que volta ao cenário político para percorrer os municípios apoiando candidatos aliados. Fará, na verdade, um esforço político expressivo com o objetivo de reagrupar o que restou das forças sarneysistas trituradas nas urnas em 2014, 2016 e 2018, e assim preparar terreno para disputar o Governo do Estado ou a vaga do Senado em 2022, dependendo do rumo que vier a tomar o governador Flávio Dino. A ex-governadora sabe que não pode se dar ao luxo de entrar numa aventura, ciente de que qualquer escorregão agora pode funcionar como pá de cal sobre seu projeto e sobre o que restou do Grupo Sarney. Vale registrar que o sarneysismo sobrevive porque o MDB tenta um novo caminho sob o comando do deputado Roberto Costa, o PSD luta para se manter de pé com o deputado federal Edilázio Júnior, o PSC tenta seguir em frente tocado pelo deputado federal Aluísio Mendes, e, claro, o PV, que respira pela obstinação do deputado Adriano Sarney de mantê-lo vivo. Roseana Sarney sabe que juntar essas correntes é quase impossível.

Os desdobramentos desses dois movimentos moldarão as eleições municipais, que serão chave para a grande disputa de 2022 no estado e no País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Assembleia retoma atividades sujeita às tensões pré-eleitorais

Othelinio Neto: comando firme da Assembleia Legislativa

Em meio aos primeiros e intensos movimentos voltados para as eleições municipais, a Assembleia Legislativa retoma suas atividades nesta segunda-feira (3). Sob o comando firme e eficiente do presidente Othelino Neto, o plenário do Palácio Manoel Beckman será o desaguadouro de boa parte das tensões a serem produzidas nos arraiais políticos municipais por conta da disputa eleitoral que se aproxima, primeiro porque todos os deputados estarão diretamente envolvidos nas disputas municipais, e depois porque alguns deles serão candidatos, parte em São Luís.

O presidente Othelino Neto – que como todo parlamentar também se envolverá na corrida eleitoral nas suas bases -, tem pela frente o desafio de manter a Casa funcionando plenamente, não permitindo que as tensões eleitorais se sobreponham à agenda legislativa, pelo menos durante o primeiro semestre. Não será tarefa fácil, mas a julgar pelo ritmo que impôs na Casa em 2018, no primeiro ano da sua gestão, conseguindo mantê-la em pleno funcionamento durante as eleições gerais, a expectativa é a de que o presidente manterá o controle e cumprirá rigorosamente o calendário de trabalho. Isso incluindo a realização de sessões, o funcionamento das comissões, votações, além de ações externas, como o projeto Assembleia em Ação, por exemplo.

O principal desafio a ser enfrentado pelo presidente Othelino Neto será o embate político entre deputados por conta das disputas municipais. Ninguém duvida de que ali se baterão os deputados Zé Gentil (PRB) e Adelmo Soares por causa da disputa em Caxias, Fernando Pessoa (SD) e Daniella Tema (DEM) por conta de Tuntum, Fernando Pessoa e Rigo Teles (PV) na briga pelo poder em Barra do Corda, Leonardo Sá (PL) e Thaíza Hortegal devido à luta em Pinheiro, e Neto Evangelista (DEM), Duarte Júnior (PCdoB), Adriano Sarney (PV) e Wellington do Curso (PSDB) na guerra pela Prefeitura de São Luís, para citar alguns casos mais evidentes.

O presidente Othelino Neto tem demonstrado segurança na interpretação de que as tensões políticas são naturais no parlamento. Sabe que elas eclodirão no plenário, mas está confiante de que os embates verbais podem até ser duros, mas serão mantidos dentro dos limites do decoro.

 

Evidência mostram que sem líder forte o Grupo Coutinho ameaça desmoronar

Indicação de Adelmo Soares; rompimento de Júnior Martins e ameaça de ter Ferdinando Coutinho de ameaçado de perder em Matões

Há duas semanas, a Coluna chamou atenção para a ameaça de desmonte que vinha rondando o Grupo Coutinho, duramente afetado com a perda do seu líder maior, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Humberto Coutinho (PDT), que morreu em janeiro de 2018, quando cumpria o segundo mandato de presidente da Assembleia Legislativa. O desgaste e o desmoronamento da estrutura política criada por Humberto Coutinho e herdada pela deputada Cleide Coutinho (PDT) são evidentes e estão avançando mais rapidamente do que muitos observadores experientes e atentos previam. As evidências deputada Cleide Coutinho são várias. Uma delas: sem conseguir articular um nome dentro das forças do Grupo, e contrariando vários dos seus expoentes, a deputada Cleide Coutinho declarou apoio à candidatura do deputado Adelmo Soares (PCdoB) Prefeitura de Caxias. Diante da escolha, um dos principais aliados, o ex-vice-prefeito Júnior Martins, que era fidelíssimo a Humberto Coutinho, rompeu com o Grupo, anunciando que será candidato a prefeito de qualquer jeito. E para completar, a saída dos Pereira da base de apoio do prefeito de Matões, Ferdinando Coutinho (PSB), compromete seriamente o seu projeto de eleição. Há quem avalie que o comando do Grupo tem condições de reverter essa derrocada, mas há também vozes que avaliam em contrário, prevendo que o legado de Humberto Coutinho será duramente atingido nas eleições deste ano em Caxias. É aguardar e conferir depois que as urnas falarem.

São Luís, 02 de Fevereiro de 2020.

 

PSOL sinaliza que vai lançar Franklin Douglas e decisão pode isolar Bira do Pindaré

 

Franklin Douglas deve ser o candidato do PSL e Bira do Pindaré pode ficar isolado na corrida à Prefeitura de SL

Não foi uma tomada de decisão, mas a plenária realizada quarta-feira (29) pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para começar a discutir a sua participação na corrida para a Prefeitura de São Luís indicou, por larga maioria, o caminho a candidatura própria, praticamente descartando a proposta de aliança feita pelo candidato do PSB, deputado federal Bira do Pindaré. E foi mais longe: apontou o jornalista, advogado e professor universitário Franklin Douglas como o melhor nome para encabeçar chapa do partido à sucessão do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT). A decisão definitiva do PSOL sobre a corrida eleitoral em São Luís só será tomada em março, quando o Diretório de São Luís colocar em prática as orientações a serem definidas pelo VII Congresso Nacional da agremiação sobre o pleito.

A indicação da plenária – por coincidência realizada na sede do Sindicato dos Bancários produziu duas situações que terão impacto direto no cenário da disputa. A primeira é que o PSOL vai mesmo colocar mais um nome numa corrida que deverá reunir um recorde de participantes. A segunda é que a inclinação pela candidatura própria representou um duro golpe no projeto de Bira do Pindaré de posicionar sua candidatura mais à esquerda.

Criado a partir de um racha no PT durante o Governo do presidente Lula da Silva, o PSOL é um partido que prega uma linha ideológica de esquerda que não faz muitas concessões, como, por exemplo, a oposição radical ao Governo de Jair Bolsonaro, de direita radical. O PSOL sempre disputou presidência, governos estaduais e prefeituras com candidatos próprios e, mais do que isso, aliando-se com a ultraesquerda, como o PCB, por exemplo. Não surpreende, portanto, que o partido participe da corrida para a Prefeitura de São Luís com candidato próprio. E se o professor Franklin Douglas for confirmado, será um representante genuíno da concepção política e programática do partido.

Franklin Douglas diz, com uma dose de cautela, que nada está decidido ainda, mas reconhece que a tendência pela candidatura própria é amplamente majoritária no PSOL. Revela que não era esse o seu projeto pessoal, que está mais voltado para a vida universitária e o escritório de advocacia. Mas admite que, se for convocado, assumirá o desafio de brigar pela Prefeitura de São Luís numa disputa direta com o deputado federal Eduardo Braide (Podemos), os deputados Neto Evangelista (DEM), Yglésio Moisés (sem partido) e Adriano Sarney (PV), e o candidato que sair dos quadros do PCdoB, o deputado federal Rubens Júnior ou deputado estadual Duarte Júnior, além, claro, do próprio Bira do Pindaré. Franklin Douglas certamente não alimenta a ilusão de que pode vencer uma eleição nesse tabuleiro, mas acha politicamente produtivo colocar as teses do PSOL num debate aberto. E mais: tem todas as condições de ser um concorrente duro no embate direto.

A decisão do PSOL complica a situação do socialista Bira do Pindaré. Sem a aliança a aliança à esquerda, ele tem de procurar aliados na esquerda moderada e no centro-esquerda, como o PT, por exemplo, com quem mantém laços fortes, ou com o PDT e com o PCdoB. Há vozes no PT propondo uma aliança com o PSB em torno de Bira do Pindaré e indicando o vice. Seria uma aliança provável, mas mesmo com muitos simpatizantes dentro do PT, as relações dos petistas com o PCdoB indicam claramente que se não lançar candidato próprio, o partido de Lula da Silva se aliará ao partido de Flávio Dino. E nesse contexto, quase todos desse campo ideológico, incluindo o PDT, descartam aliança com o PSB, o que leva o partido de Bira do Pindaré a uma espécie de isolamento, obrigando o candidato socialista a fazer uma campanha-solo, o que reduzirá expressivamente o seu poder de fogo na guerra pelo voto.

É claro que tudo está em aberto quanto a candidaturas e   montagens partidárias para a corrida às urnas, pois nessa seara a política costuma surpreender, produzindo situações para muitos inimagináveis. No que diz respeito ao PSOL e ao PSB, no entanto, os movimentos são previsíveis: Franklin Douglas deve ser o candidato do PSOL numa aliança com o PCB, e Bira do Pindaré será candidato sem parceiro partidário.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Caxias: MDB muda de comando e lança César Sabá como terceira via

César Sabá será lançado por João Alberto contra Fábio Gentil e Adelmo Soares

A cúpula estadual do MDB – diga-se o presidente, ex-senador   João Alberto, e o vice-presidente, deputado estadual Roberto Costa – desembarca hoje em Caxias para, primeiro, fazer uma mudança radical e histórica no comando municipal do partido, e, segundo, lançar a candidatura do empresário César Sabá à Prefeitura da Princesa do Sertão. O caráter radical e histórico da mudança de comando está no fato de que, depois de mais de três décadas, o MDB caxiense sairá definitivamente do controle do ex-prefeito Paulo Marinho e seu grupo. E mais: além de candidato a prefeito, César Sabá será, a partir de agora, o manda-chuva da agremiação no quarto maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, onde o MDB nasceu pelas mãos do honrado médico e várias vezes deputados José Brandão, um dos mais ativos líderes da resistência à ditadura no Maranhão. Sob o comando de Paulo Marinho, o MDB também pontificou em Caxias, mas também foi vitimado por muitas controvérsias, que resultaram na sua completa fragilização. Com a decisão de tirar o braço caxiense do controle de Paulo Marinho, o comando do MDB dá um novo norte para o partido na cidade e na região. O lançamento da candidatura de César Sabá a prefeito acontece no momento em que Caxias repercute a decisão do PCdoB de lançar a candidatura do deputado Adelmo Soares, com o apoio do Grupo Coutinho, para enfrentar o prefeito Fábio Gentil (PRB), que lidera as pesquisas. A cúpula emedebista aposta que César Sabá pode ter bom desempenho nas urnas como representante de uma de uma terceira via.

 

Indefinição no PCdoB estimula a suspeita de que pode haver surpresa em relação a São Luís

Márcio Jerry ainda não decidiu entre Rubens Júnior e Duarte Júnior em SL

Em meados de dezembro passado, o presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, agendou informalmente, em conversa com jornalistas, que o mês de janeiro seria usado para conversar e que ao seu final, ou no máximo no início de fevereiro, o partido teria uma definição sobre candidato a prefeito de São Luís. Janeiro termina hoje, e até onde a luneta da Coluna pode alcançar, o ambiente dentro do partido do governador Flávio Dino é ainda de completa indefinição sobre o assunto, persistindo as mesmas incertezas entre o deputado federal Rubens Júnior e o deputado estadual Duarte Júnior. O mais curioso é que nenhum dos dois canta vitória, dando a impressão de que o primeiro não decolou na preferência do eleitorado, apesar do forte apoio político, e o segundo não se encaixou no perfil político exigido, apesar de ser o segundo do campo governista na preferência do eleitorado. E o mais curioso: não há sinal de escolha à vista, o que estimula a suspeita de que o PCdoB poderá surpreender com uma mudança radical nesse roteiro.

São Luís, 31 de Janeiro de 2020.