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Bancada federal está dividida no apoio a pré-candidatos a governador

 

Carlos Brandão conta com Bira do Pindaré, Marcio Jerry, Rubens Jr., Zé Carlos e deve contar com João Marcelo e Hildo Rocha; Weverton Rocha tem o apoio de Cleber Verde, Juscelino Filho, Pedro Lucas, Gil Cutrim e André Fufuca; Josimar de Maranhãozinho lidera Júnior Lourenço, Marreca Filho e Pastor Gildenemir ; Edivaldo Jr. conta com Edilázio Jr.; e Aluízio Mendes e Josivaldo JP ainda não se posicionaram sobre a corrida sucessória

Eles não são tão próximos do eleitorado como os deputados estaduais e os vereadores, mas por conta da sua capacidade de canalizar recursos para municípios na forma de emendas parlamentares e pelo poder de se posicionar na votação de medidas cruciais para o País, os deputados federais podem alimentar bom trânsito com prefeitos, o que lhes dá um considerável grau de influência nas decisões eleitorais, em especial na disputa pelo Governo do Estado. Na corrida sucessória em curso no Maranhão, a bancada federal, composta de 18 deputados, está fortemente fracionada. Em princípio, seis estão alinhados ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), cinco apoiam o senador Weverton Rocha, três seguem a orientação do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) – formando com ele um grupo de quatro -, um representa a base do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) e dois ainda não se posicionaram em relação à corrida sucessória estadual.

Dos seis alinhados ao projeto de candidatura de Carlos Brandão, quatro já declararam apoio publicamente e adotaram o discurso da pré-campanha, enquanto dois já tomaram a decisão de apoiá-lo, estando aguardando o momento adequado para declarar formalmente sua posição. Os alinhados são: Bira do Pindaré, que preside o PSB e declarou apoio ao vice-governador desde a primeira hora, trabalhando agora com a possibilidade de tê-lo no partido; Márcio Jerry, que comanda o PCdoB no Maranhão, é também apoiador de Carlos Brandão desde o primeiro momento da pré-campanha, já tendo inclusive mobilizado o partido para se posicionar, o que aconteceu e, Novembro do ano passado;  Rubens Jr. (PCdoB) seguiu a orientação do partido; e Zé Carlos Araújo (PT) se declarou apoiador da pré-candidatura do vice-governador, estando inclusive  entre os cotados para ser o seu vice. Os que caminham na sua direção são João Marcelo e Hildo Rocha, ambos do MDB.

Os cinco que apoiam o senador Weverton Rocha são os seguintes: Cléber Verde, que preside o Republicanos no Maranhão e foi um dos primeiros a aliar-se ao pedetista; Gil Cutrim (Republicanos), que segue Weverton Rocha desde quando pertencia ao PDT, de onde saiu por não se ajustar à linha do partido;  Juscelino Filho (DEM) e Pedro Lucas Fernandes (PSL), que formarão abancada maranhense do União Brasil, estão alinhados ao senador desde o primeiro momento; e André Fufuca, atual presidente nacional do Progressistas, que declarou apoio ao pré-candidato do PDT com a ressalva de que poderia rever sua posição ao longo da caminhada para as convenções.

O grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que preside o PL maranhense, é formado pelos deputados Júnior Lourenço (PL) e Marreca Filho, que preside o Patriotas no Maranhão, que tem o controle efetivo do chefe do PL; e pelo Pastor Gildenemir, que é do PL, segue o comando de Josimar de Maranhãozinho, mas cumpre mesmo são as orientações Palácio do Planalto. Em princípio, esse grupo está alinhado ao projeto de candidatura de Josimar de Maranhãozinho ao Palácio dos Leões. Mas não está descartada a possibilidade de eles virem a apoiar outro candidato, caso o chefe mude seus planos e resolva continuar na corrida proporcional.

Presidente do PSD no Maranhão, o deputado federal Edilázio Jr. é o grande responsável pelo ingresso do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. no partido e, mais do que isso, é o grande avalista da sua candidatura ao Governo do Estado. Por seu turno, o deputado Aluísio Mendes (PSC) não está, em princípio, atrelado a nenhum pré-candidato a governador e não emitiu até aqui nenhum sinal sugerindo uma tendência. O mesmo acontece com o deputado federal Josivaldo JP (Podemos), que ainda não manifestou preferência por nenhum dos pré-candidatos assumidos.

É esse, sem tirar nem pôr, o cenário do momento. Mas nos bastidores, e até mesmo fora deles, oito entre dez políticos dizem que esse desenho pode sofrer fortes alterações.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Othelino Neto endurece medidas contra Covid-19 e Influenza no acesso à Assembleia

Othelino Neto, tendo ao lado aberto Costa (MDB), endureceu as medidas contra Covid-19 e Influenza para acesso à Assembleia Legislativa

O aumento do número de casos de Covid-19 no Maranhão, seguindo uma tendência mundial, causada pela variante Ômicron, e também o alastramento do vírus da gripe influenza levou a Assembleia Legislativa a endurecer as medidas de prevenção à doença nas dependências do Palácio Manoel Beckman. O uso de máscara e a apresentação do comprovante de vacinação, com o ciclo das duas doses concluídos, serão obrigatórios para se ter acesso às instalações do parlamento. O endurecimento está disciplinado na Resolução Administrativa nº 076/2022.

De acordo com o blog do jornalista John Cutrim, que divulgou a resolução em primeira mão, o presidente Othelino Neto justificou a medida: “Alguns servidores estão com Influenza e Covid. E como estamos no período de recesso, eu suspendi o expediente normal e fiz um escalonamento para que a gente possa se planejar melhor para a volta. Vamos fazer umas testagens de funcionários nesta sexta-feira e quando voltar as atividades nossa ideia é liberar o acesso das pessoas à Assembleia, mas vamos exigir a apresentação do comprovante oficial da vacinação seja do ConecteSUS ou da carteirinha impressa”.

O teor da Resolução Administrativa nº 076/2022 é o que se segue:

A Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, no uso das atribuições legais que lhe são conferidas pelo Regimento Interno, e; Considerando, a disseminação de uma nova variante do Coronavírus causador da Covid-19 e uma nova cepa de Influenza (H3N2) bem como outras síndromes gripais no estado do Maranhão; Considerando, o estado de calamidade estabelecido pelo Poder Executivo através do Decreto nº 37.360 de 3 de janeiro de 2022; e Considerando, que a Mesa Diretora é o órgão de direção dos trabalhos legislativos e dos serviços administrativos da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão consoante os arts. 11 e 12 do Regimento Interno.

Resolve:
Art. 1º. Esta Resolução Administrativa tem como objetivo estabelecer as normas administrativas e sanitárias para prevenção e combate à Covid-19 e as síndromes gripais no âmbito do Poder Legislativo.

Art. 2º. Durante o período de 10 a 31 de janeiro do corrente ano os serviços e atividades presenciais na Assembleia Legislativa serão realizados na forma de revezamento de servidores conforme a necessidade de cada setor, obedecendo as normas estabelecidas nesta Resolução Administrativa. §1º – É atribuição dos chefes imediatos dos setores preparar a tabela de revezamentos dos seus servidores, semanalmente, e enviá-la ao Recursos Humanos e ao Gabinete Militar. § 2º Conforme a tabela de revezamento, os trabalhos, exercerão suas atividades regulares na forma de home-office; § 3º Os servidores em atividade não presencial, na modalidade home office, deverão permanecer acessíveis, produtivos e à disposição para eventual convocação, dentro do horário normal de expediente, sob pena de responderem a processo administrativo disciplinar.

Art. 3º O acesso às dependências da ALEMA fica restrito aos deputados, servidores, estagiários e terceirizados. §1º. O acesso ao prédio será restrito àqueles servidores escalados no respectivo dia de trabalho. § 2º. Fica vedada a circulação de visitantes, colaboradores não autorizados e familiares dos servidores.

Art. 4º. O uso das máscaras faciais de proteção, sejam descartáveis, caseiras ou reutilizáveis, é obrigatório para todas as pessoas dentro das instalações da Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, bem como o protocolo de etiqueta respiratória, e deverá ser disponibilizado álcool gel 70% nos corredores ou outros locais de grande circulação de pessoas para higienização das mãos.

Art. 5º. É obrigatória a apresentação do comprovante de vacinação, com o ciclo das duas doses concluídos, para ingresso as instalações da Assembleia Legislativa.

Art.6º. Os servidores, colaboradores e prestadores de serviço (sintomáticos ou assintomáticos) que estiverem com suspeita ou que forem diagnosticados com infecção por Covid-19 ou outras síndromes gripais, deverão comunicar, obrigatoriamente ao seu chefe imediato. Parágrafo Único – O chefe imediato que receber comunicação de servidor com sintomas ou comprovação de Covid-19 ou outras síndromes gripais deverá informar o fato a Diretoria de Saúde e Medicina Ocupacional para as providências cabíveis.

Art. 7º. A Diretoria de Saúde e Medicina Ocupacional (DSMO) permanecerá provisoriamente com seu atendimento habitual suspenso, atuando de forma restrita, limitando-se ao monitoramento e as ações necessárias para prevenção de contágio pelo Coronavírus – Covid-19 e síndromes gripais, e prestando serviços apenas em situações emergenciais e requisições das Diretorias, dentro do limite de sua capacidade operacional correspondente as escalas de serviço diárias.
Parágrafo Único – A Diretoria de Saúde e Medicina Ocupacional disponibilizará um canal para atendimento remoto para o servidor com suspeita ou diagnosticado com Covid-19 ou outras síndromes gripais.

Art. 8º A Diretoria Geral poderá expedir normas complementares a esta Resolução quanto ao acesso às instalações da Assembleia Legislativa, quanto a segurança e controle sanitário, bem como nos casos omissos.

Art. 9º Revogam-se as disposições em contrário.

Art. 10 Esta Resolução Administrativa entra em vigor na data da sua publicação.

Plenário Nagib Haickel, São Luís, 07 de Janeiro de 2022.

Othelino Neto (Presidente), Andreia Rezende (1ª Secretária) e Cleide Coutinho (2ª Segunda Secretária)

São Luís, 07 de Janeiro de 2022.

Nomes para vice ganham espaço nos bastidores da aliança governista

 

Othelino Neto, Felipe Camarão e Zé Carlos Araújo são cotados para companheiro de chapa de Carlos Brandão

Uma situação tem chamado a atenção na seara onde vai se desenrolando a corrida ao Palácio dos Leões: a profusão de nomes sugeridos para a vaga de candidato a vice na chapa a ser encabeçada pelo vice-governador Carlos Brandão (PSDB), enquanto não há sequer especulações sobre os possíveis companheiros de chapa dos demais pré-candidatos, incluindo o senador Weverton Rocha (PDT), que lidera as pesquisas de intenção de voto no entre os pré-candidatos governistas. Para vice de Carlos Brandão já foram apontados o deputado Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa e aliado linha de frente do pré-candidato do PDT; o secretário Felipe Camarão (PT), pré-candidato à Câmara Federal; e o deputado federal Zé Carlos Araújo (PT). Na aliança governista esse tema só entrará em pauta a partir do dia 31 de Janeiro, quando a candidatura ou as candidaturas do grupo ganharão força.

Enquanto não há definição, os nomes sugeridos para vice do pré-candidato Carlos Brandão vão ganhando espaço nos bastidores da corrida sucessória e fora deles. Isso porque, como já foi registrado inúmeras vezes, mas é sempre válido repetir, o companheiro de chapa do virtual candidato do PSDB terá uma condição diferenciada da dos demais. Explicação: Carlos Brandão disputará o Governo na condição de governador e candidato à reeleição. Isso quer dizer que, se ele for eleito, é quase certo que seu vice se tornará governador efetivo em abril de 2026, podendo, se quiser, ser candidato a governador em busca da reeleição. Vale lembrar ainda que, se reeleito, Carlos Brandão dificilmente permanecerá Governo até o fim, devendo renunciar em abril de 2026 para disputar vaga no Senado ou na Câmara Federal, a começar pelo fato de que não existe mais aposentadoria para ex-governador.

Os demais pré-candidatos visam eleger-se com direito a concorrer à reeleição em 2026, com perspectiva, portanto, de permanecer no comando do Estado até 2030.

Nesse contexto, na hipótese de um acordo em torno do atual vice-governador, que se tornará titular no dia 31 de Março, data em que o governador Flávio Dino renunciará para se tornar candidato ao Senado, o nome mais forte é mesmo o do deputado Othelino Neto. Ele pode ser candidato pelo PCdoB ou migrar para o PDT, para se tornar indicação desse partido para ser o companheiro de chapa de Carlos Brandão. Na hipótese de um acordo em favor do senador Weverton Rocha, Othelino Neto poderá ser indicado para a vaga de vice pelo PCdoB. O fato é que, pela estatura política que construiu com habilidade, o presidente da Assembleia Legislativa, que já foi sugerido pelo presidente do PCdoB, Márcio Jerry, tendo recusado sem dizer um “não” enfático, está no topo da lista para a vaga de vice de Carlos Brandão ou de Weverton Rocha.

O secretário Felipe Camarão figura em todas as listas de candidatáveis a vice-governador. Nome lembrado para entrar na briga por mandato eletivo desde que começou a ganhar prestígio como gestor responsável por uma guinada radical e bem-sucedida no sistema educacional do Maranhão, ocupou espaço importante no cenário da corrida sucessório. Primeiro se filiou ao PT aspirando vaga na Câmara Federal, deu uma guinada arrojada lançando-se pré-candidato a governador – tendo o aval de uma corrente mais independente do PT -, reavaliou suas chances e retornou à condição inicial de aspirante a deputado federal. Sua intensa movimentação acabou por credenciá-lo para a vaga de vice.

O deputado federal Zé Carlos Araújo vinha sendo lembrado muito discretamente, mas seu nome ganhou força nas últimas semanas do ano passado como uma opção do PT numa eventual aliança em torno de Carlos Brandão. Parlamentar sério, reconhecido pelas posições firmes e eficiência no exercício do mandato, o petista já sinalizou que está à disposição do partido.

É claro que outros nomes estão articulando e deverão emergir em pouco tempo no tabuleiro da corrida aos Leões. Terão de considerar o peso dos três já considerados.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Com Covid-19, Weverton Rocha está isolado, mas trabalhando remotamente

Weverton Rocha: isolado 

Assim como acontece com o governador Flávio Dino, que administra sintomas leves causados pela Covid-19, permanecendo em atividade durante a quarentena, o senador Weverton Rocha também permanecerá ativo, trabalhando remotamente. Vacinado com duas doses, o senador vinha mantendo uma rotina de se submeter a teste a cada período de dez dias, e foi num desses exames de rotina que identificou a infecção. A condição de infectado obrigou Weverton Rocha a suspender sua intensa agenda de compromissos, que nesta semana estava voltada para o auxílio às vítimas das enchentes, principalmente as famílias desabrigadas. No campo político, o pré-candidato pedetista vai intensificar seus contatos e articulações também remotamente, já que a corrida sucessória na aliança governista caminha para uma definição, que deve ocorrer em 31 de Janeiro, daqui a três semanas, portanto.

 

Roberto Rocha prepara anúncio sobre partido e projeto eleitoral

Roberto Rocha: anúncio

Não é oficial: o senador Roberto Rocha estaria preparando o anúncio de sua migração partidária para até o final do mês. De acordo com a fonte da Coluna, o senador deve mesmo assinar ficha de filiação no PL, seguindo o presidente Jair Bolsonaro. O senador deve assumir o controle do partido em São Luís, sem interferir âmbito estadual, onde é controlado com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. A mesma fonte disse acreditar que, juntamente com o anúncio de sua nova condição partidária, o senador Roberto Rocha poderá anunciar também o seu projeto eleitoral, podendo se candidatar ao Governo do Estado ou à reeleição. Roberto Rocha teria descartado irreversivelmente uma eventual candidatura à Câmara Federal, para onde projeta a ida do filho, o engenheiro civil e ex-vereador de São Luís Roberto Rocha Jr.. Em Tempo: a fonte preferiu não se identificar.

São Luís, 06 de Janeiro de 2022.

Dino manda recado defendendo aliança partidária e diálogo com “concessões recíprocas” sobre sucessão

 

Flávio Dino acredita num entendimento entre Carlos Brandão e Weverton Rocha sobre a sucessão estadual

“A História ensina: quando partidos progressistas se unem, o Brasil avança e a vida do povo melhora. Por isso, defendo que o nosso PSB caminhe junto com o PT, PCdoB e outros partidos aliados, o que depende de perseverança, diálogo e concessões recíprocas”. Elaborado como uma reflexão política, o recado foi mandado ontem pelo governador Flávio Dino (PSB) às lideranças do seu grupo partidários, aí incluídos os pré-candidatos ao Palácio dos Leões, o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), e o secretário Simplício Araújo (SD). Com o lembrete, o governador deu uma mostra solar de que mantém de pé o propósito de manter a aliança partidária governista unida em torno de um candidato à sua sucessão. E no momento em que o vice-governador e o senador intensificam suas ações no sentido de consolidar os seus projetos de candidatura visando a decisão do final do mês.

Com seu recado, disparado via twitter no bojo de mensagens sobre como está enfrentando a Covid-19, o governador disparou contra dois alvos. O primeiro são os riscos de fragilização da aliança partidária governista por causa tensões causadas pelo embate entre os dois pré-candidatos. O outro é o risco de que esse embate produza o rompimento de relações partidárias hoje bem costuradas no campo progressista – daí seu apelo no sentido de que, independentemente de qualquer situação, PSB, PT e PCdoB e outros partidos desse campo se mantenham alinhados para vencer as eleições e assegurar a continuidade de políticas com foco social.

Em relação à corrida sucessória no seu campo político, o governador sinaliza mais uma vez que sua é esgotar todas as possibilidades de diálogo, “com concessões recíprocas”. Isso quer dizer que ele torce pela abertura de um canal de comunicação direta entre Weverton Rocha e Carlos Brandão. Ele os conhece muito bem e sabe que as diferentes visões e interesses políticos que os separam não são obstáculos suficientes para impedir um diálogo que, pela via das “concessões recíprocas”. O desarme sugerido pelo governador se explica pelo fato de que os dois pré-candidatos estão em condições de sustentar seus projetos e alimentar uma guerra dentro do grupo.

O vice-governador Carlos Brandão mantém sua pré-candidatura baseado no argumento segundo o qual é vice há sete anos, conhece a máquina e todas as ações do atual Governo, sabe o que fazer e será o governador com chance de ser reeleito para um só mandato, abrindo a estrada sucessória a quem interessar possa em 2026, contando para isso com o aval do governador Flávio Dino. Já conta com PSB, PCdoB, PSDB, Cidadania e PROS, sete deputados federais e 23 deputados estaduais e um número indefinido de prefeitos. O senador Weverton Rocha, por seu turno, está em campanha iniciando o quarto ano de um mandato senatorial de oito anos, fundamenta sua pré-candidatura com o argumento de que está preparado para um governo que vá além de onde chegou o atual, e estando também melhor situado nas pesquisas feitas até aqui. Para isso, conta com um senador, cinco deputados federais, cerca de 15 deputados estaduais e um contingente de pelo menos 60 prefeitos.

No seu recado de ontem, o governador Flávio Dino – mesmo tendo manifestado sua preferência pelo projeto do vice-governador Carlos Brandão, mas sem colocar em dúvida as qualidades do senador Weverton Rocha – produziu mais uma evidência de que, em que pesem as diferenças, acredita haver espaço e motivo de sobra para uma ampla negociação política madura e desarmada entre os dois pré-candidatos. E que resulte num grande acordo que mantenha sem ranhuras a aliança partidária que construiu em 2014 e manteve até agora.

De fato, até o final de Janeiro haverá espaço e tempo necessários para um entendimento ou para o racha que levará os dois a se enfrentar nas urnas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana e José Sarney mantêm silêncio sobre pré-candidatura de Simone Tebet ao Planalto

José Sarney e Roseana Sarney:  silêncio sobre Simone Tebet

Continua repercutindo nos bastidores da corrida ao Palácio do Planalto a distância e o silêncio que o ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney mantêm em relação à pré-candidatura da senadora mato-grossense Simone Tebet à presidência da República pelo MDB. Simone Tebet foi lançada oficialmente pré-candidata no início de dezembro, tendo o ato obtido expressiva repercussão no cenário político, inclusive por causa da ausência de vários caciques do MDB, como o senador alagoano Renan Calheiros e os Sarney, todos integrantes da Executiva nacional, sendo que José Sarney é o presidente de honra do partido.

Correm diferentes versões para o fato do ex-presidente e da ex-governadora adotarem a ostensiva atitude de ignorar a pré-candidatura de Simone Tebet, sendo a mais plausível a relação que ambos mantêm ainda com o presidente Lula da Silva, apesar de terem rompido com a presidente Dilma Rousseff (PT) e se engajado no movimento a favor do seu impeachment. Por iniciativa de Lula da Silva, os dois ex-presidentes e a ex-governadora se reaproximaram no ano passado, sem que a ferida do impeachment tenha sido fechada em alguns segmentos do PT.

O reatamento garantiu que Roseana Sarney e José Sarney apoiarão a candidatura do ex-presidente ao Planalto. E com um dado especial no Maranhão: o MDB pode pender para onde o ex-presidente Lula da Silva se inclinar na corrida ao Palácio dos Leões.

Vale aguardar.

 

Dino destaca Márcio Jerry para coordenar ações contra enchentes

Márcio Jerry na coordenação das ações dos bombeiros

O secretário de Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, coordenou ontem uma grande operação do Corpo de Bombeiros de auxílio a famílias atingidas por enchentes causadas pelas fortes chuvas que caíram em diferentes regiões do Maranhão. As equipes orientadas pelo comandante da guarnição, coronel/PM Célio Roberto de Araújo, atuaram na retirada de pessoas de pares de risco, distribuíram medicamentos e alimentos e monitoraram o nível dos principais rios do estado. Um dos centros da operação foi Mirador, onde a cheia do rio Itapecuru causou alagamento em vários pontos da cidade.

Márcio Jerry assumiu a coordenação a operação atendendo a uma determinação do governador Flávio Dino, que mesmo enfrentando Covid-19, acompanhou as medidas tomadas, tendo sido informado de cada ação.

Além de Mirador, os bombeiros atuaram em Imperatriz, onde o nível do rio Tocantins subiu nove metros, desabrigando mais de 100 famílias, que receberam assistência e alimentos. O Sistema Integrado de Informações sobre Desastres monitora a situação em Barra do Corda, Jatobá e Grajaú, que declararam situação de emergência, e em Itapecuru-Mirim, Coroatá, Pirapemas, Cantanhede, Santa Rita e Rosário, que se encontram sob estado de alertas por causa do rio Itapecuru. Os municípios de Trizidela do Vale e Pedreiras também se encontram no campo de observação dos bombeiros por ponta da elevação do nível do rio Mearim.

São Luís, 05 de Janeiro de 2022.

PT: novo presidente assume pregando unidade para um partido radicalmente dividido

 

Francimar Melo assume com o desafio de unificar o PT

Em meio à agitação que já toma conta do meio político por causa das eleições gerais de Outubro, o braço maranhense do PT está desde ontem sob nova direção. No seu discurso de posse, o novo presidente, Francimar Melo, pregou a unidade do partido, apostando que essa agregação poderá ocorrer em torno de um projeto, que ele não definiu. O mote da fala do novo chefe do PT no Maranhão visou, em primeiro lugar, desfazer o mal-estar que vem há semanas dominando o partido. Motivo: por força de um acordo firmado há dois anos, quando da eleição do comando estadual do PT, o candidato mais votado, Augusto Lobato, que vinha dirigindo a legenda, foi obrigado a interromper seu mandato e passar o bastão presidencial para Francimar Melo, o terceiro colocado naquela disputa e que se tornara seu vice por força do tal acerto. Augusto Lobato protestou afirmando que pelo acordo permaneceria na presidência até Março, mas a Executiva nacional bateu martelo e determinou que Francimar Melo seria empossado no início de Janeiro. A ordem da Executiva nacional foi cumprida ontem, num ato sem a presença de boa parte das lideranças destacadas do partido, e no qual o presidente virou vice e o vice virou presidente.

O novo comando assume no momento em que o PT tem decisões fundamentais a serem tomadas visando sua participação nas eleições. Em relação à eleição presidencial, o PT maranhense está desafiado a criar as condições para a consolidação da candidatura do ex-presidente Lula da Silva no estado. No âmbito estadual, o partido tem de buscar um caminho com as seguintes opções: lançar candidato a governador e a senador ou participar de uma aliança com o PDT em torno do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, indicando o vice, ou com o PSDB – podendo vir a ser também o PSB – em torno da candidatura do vice-governador Carlos Brandão, também indicando o vice, e apoiar a candidatura do governador Flávio Dino ao Senado, independentemente do candidato a governador que vier a apoiar. E o desafio maior: evitar problemas que dificultem o envolvimento do ex-presidente Lula da Silva nessa equação.

O problema é que o PT do Maranhão é um partido dividido em três correntes que alimentam enormes dificuldades para conviver. Uma liderada por Augusto Lobato, que reúne setores mais pragmáticos do petismo, como o deputado federal Zé Carlos Araújo, mais identificada com Lula da Silva e que está apoiando a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão; outra, representada por Francimar Melo, o novo presidente, fortemente ligada ao ex-vereador de São Luís Honorato Fernandes, que já declarou apoio à pré-candidatura do senador Weverton Rocha; e a terceira, também formada por petistas de raiz, como o professor Francisco Gonçalves e Márcio Jardim, que apoiaram o lançamento da pré-candidatura do secretário Felipe Camarão, que não vingou.

Mesmo dividido, às vezes com inclinações autofágicas, o PT maranhense, como em todo o País, tem dois trunfos para essas eleições. O primeiro é a candidatura do ex-presidente Lula da Silva, que tem força para mobilizar o partido e atrair o apoio de aliados à esquerda e ao centro. E o segundo é o tempo de TV e de rádio que dispõe para turbinar a campanha de qualquer aliança. Os dois fatores tornam o PT o aliado dos sonhos de todos os partidos.

No caso maranhense, porém, a divisão interna é tão forte que pode resultar em prejuízo para o próprio partido, ainda que Lula da Silva vença no estado com vantagem larga. A ausência de várias personalidades do PT no ato de posse sinalizou com clareza que a unidade pregada pelo novo presidente é um objetivo difícil de ser alcançado no Maranhão. Resta saber se o presidente Francimar Melo  autoridade e liderança suficientes para que seu apelo por unidade tenha resposta efetiva do partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Coronavírus alcança Dino, mas o encontra devidamente imunizado

Flávio Dino alcançado pelo coronavírus, mas  imunizado

O governador Flávio Dino (PSB) testou positivo para Covid-19, conforme ele próprio anunciou ontem em suas redes sociais. Tranquilizou o Governo, os aliados e a população maranhense afirmando que está bem, praticamente assintomático. Mas, como manda o bom senso e a responsabilidade de chefe de Estado, comunicou que cumprirá quarentena em casa, de onde trabalhará de modo remoto. O governador está devidamente vacinado, e ter sido contagiado pelo coronavírus é fato que deve ser levado em conta por todos os maranhenses, notadamente os que teimam em esnobar a pandemia e praticar o negacionismo.

O governador enfrenta o novo coronavírus na condição de um dos chefes de Estado que mais se empenharam na luta contra a Covid-19. Logo nos primeiros momentos da pandemia, em fevereiro de 2020, sua atuação intensa e bem articulada, com decisões acertadas e arrojadas – como a histórica compra de respiradores na China e trazidos para o Brasil numa operação cinematográfica – foi decisiva para que o Maranhão chagasse aqui como estado que proporcionalmente perdeu menos vidas para o novo coronavírus.

Felizmente o novo coronavírus o alcançou já imunizado, o que garante que, caso se manifestem, os sintomas serão leves, de modo que logo, logo, o governador esteja liberado para retomar a maratona de despachos, audiências, viagens ao interior, inaugurações, e às intensas articulações políticas.

 

Braide acompanha com atenção os movimentos de Moro

Eduardo Braide acompanha movimentos de Sérgio Moro

A resposta do ex-ministro Sérgio Moro (Podemos) a informação publicada no UOL e segundo a qual forças que o apoiam estariam pressionando-o para obter um mandato, “seja ele qual for”, para garantir foro privilegiado na hipótese de constatação de conflito de interesse no seu contrato com a consultoria norte-americana Alvarez  & Marsal venha a prosperar, deixou seus apoiadores em estado de alerta. Sérgio Moro descartou uma eventual candidatura ao Senado e reafirmou sua pré-candidatura a presidente da República.

A resposta de Sérgio Moro deve ter ecoado no Palácio de la Ravardière, onde o prefeito Eduardo Braide, que comanda o Podemos no Maranhão, acompanha atentamente os movimentos do ex-ministro da Justiça. Dali, o prefeito de São Luís analisa o cenário da corrida ao Palácio do Planalto, aguardando o momento de firmar e anunciar sua posição anunciar como, não sendo candidato, atuará na campanha eleitoral.

Até agora, Eduardo Braide manteve silêncio coerente e cuidadoso a respeito de quem apoiará na guerra pelo voto para governador e para presidente. Como é quase certo de que seu partido não terá candidato ao Palácio dos Leões, a expectativa é a de que ele se posicione pela candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), que o apoiou contra o deputado Duarte Jr. no segundo turno da disputa em São Luís. No caso da corrida presidencial, Eduardo Braide apoiará naturalmente Sérgio Moro, caso ele se consolide como candidato do Podemos, o que para muitos parece ser favas contadas.

Eduardo Braide, porém, é um político pragmático, que dificilmente dá um passo antes da hora. E no caso do projeto presidencial do seu partido, ele se encontra em conferência permanente com o comando do Podemos, para se posicionar publicamente no momento adequado. E quem o conhece não duvida: se Sérgio Moro for candidato a presidente para valer, o prefeito de São Luís será linha de frente na sua campanha no Maranhão.

São Luís, 04 de Janeiro de 2022.

O ano eleitoral começa com Lula dominando totalmente a corrida presidencial no Maranhão

 

Lula da Silva lidera corrida no Maranhão com vantagem larga sobre Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Sérgio Moro, João Doria e Alessandro Vieira

A dez meses das eleições gerais, o que equivale a 270 dias, está praticamente desenhado o cenário para a disputa presidencial no Maranhão. Como em 2002 e 2006, ex-presidente Lula Silva (PT) lidera as intenções de voto com vantagem avassaladora, dobrando com larga sobra sua vantagem sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), deixando para trás, com vantagem desconcertantes, o ex-governador Ciro Gomes (PDT), o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Podemos) e o governador de São Paulo João Doria (PSDB). Pelo trilhar da locomotiva petista até aqui, é difícil projetar um cenário diferente em Outubro, ainda que o presidente estoure os já combalidos cofres públicos auxílios financeiros aos milhões de desvalidos com situação piorada pela pandemia. Nesse ambiente de claro domínio do petista, os demais candidatos presidenciais poderão reduzir suas desvantagens se líderes apoiadores arregaçarem as mangas e saírem a campo na guerra pelo voto.

O presidente Jair Bolsonaro vive uma situação complicada no Maranhão, apesar do seu partido contar com 40 prefeitos. Tem seu próprio cacife garantido pela direita mais conservadora, mas carente de líderes que turbinem sua candidatura à reeleição. O nome mais destacado é o senador Roberto Rocha, que entra no ano eleitoral sem partido e sem revelar a que será candidato. Bolsonaro conta também com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, seu colega de PL, e que no momento anda mais preocupado com os fortes beliscões da Polícia Federal nos seus calcanhares. E com o prefeito Lahesio Bonfim (PTB), pré-candidato a governador sem muita margem para avançar. Os demais integrantes desse time estarão mais interessados em garantir sua sobrevivência do que no futuro do presidente. Além da fragilidade da sua base de apoio, Jair Bolsonaro já enfrenta no Maranhão uma oposição dura, liderada pelo governador Flávio Dino.

Ciro Gomes vive no Maranhão a curiosa e incômoda situação em que o seu partido, o PDT, que tem 42 prefeitos e o senador Weverton Rocha como forte pré-candidato a governador, mas que não embala esse projeto presidencial e vem trabalhando duro para atrair o apoio do ex-presidente Lula da Silva, exatamente um dos alvos da metralhadora giratória verbal ex-governador do Ceará. Em meio a essa estranha equação política, Ciro Gomes permanece estacionado, aparentemente sem condições de sair da inércia, em parte pelo fato de não ter vozes que propagem seu projeto.

Cristão novo na seara política, Sérgio Moro só tem uma escada para desembarcar no Maranhão: o prestígio do prefeito Eduardo Braide, o único do Podemos no estado e tendo como o segundo nome mais destacado do partido o deputado federal tocantino Josivaldo JP, que além de estar inteiramente dedicado ao seu projeto de reeleição, tem dado mostras de que é bolsonarista roxo e que dificilmente embarcará na canoa do Sérgio Moro. Mergulhado no enfrentamento dos desafios que São Luís lhe impõe a cada dia, o prefeito até agora não sinalizou com clareza sobre como pretende atuar nessa seara. Não é possível ainda medir o peso do prefeito sobre o eleitorado da Capital

Se o tucano João Doria estiver mesmo disposto a encarar o desafio de disputar a presidência e não a reeleição para o Governo der São Paulo, vai encontrar enormes dificuldades no Maranhão. Se não houver uma reviravolta no campo partidário, o vice-governador Carlos Brandão, que busca o apoio do ex-presidente Lula da Silva, terá de mudar seus planos e encontrar uma maneira de conviver com a candidatura do governador de São Paulo. Tudo isso pode mudar radicalmente se Carlos Brandão migrar do PSDB para o PSB, como está previsto, o que lhe dará cacife para brigar pelo apoio de Lula sem problemas.

Outros pré-candidatos dificilmente ocuparão espaço. Se vier a ser lançado pelo PSD, o senador Rodrigo Pacheco poderá contar com o apoio do pré-candidato do PSD ao Governo estadual, Edivaldo Holanda Jr., podendo resultar numa dupla afinada. O senador Alessandro Vieira, que se lançou pelo Cidadania, poderá contar com o apoio da sua colega de partido, senadora Eliziane Gama, que tem no seu histórico apoio ao presidente Lula da Silva.

Esses são cenários possíveis, que poderão ganhar consistência ou ser mudados radicalmente até às vésperas das convenções partidárias, quando o quadro de candidatos será formal e oficialmente definido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PT começa o ano com mudança de comando, mal-estar interno e incógnita na sucessão

Francimar Melo assume hoje 

O braço maranhense do PT inicia o ano eleitoral com o que o partido não está precisando neste momento: um forte mal-estar interno por conta do cumprimento forçado de um acordo pelo qual o presidente do partido, Augusto Lobato – o mais votado na eleição realizada há dois anos – terá de abrir mão de metade do seu mandato em favor do Francimar Melo – o terceiro colocado naquele pleito. Uma situação no mínimo esdrúxula, mas possível dentro de um partido tão plural como o PT. O novo presidente assume hoje à tarde.

De cara, está escrito nas estrelas que o novo presidente vai  tentar reverter a posição do seu antecessor de levar a agremiação para a base da candidatura do vice-governador Carlos Brandão (por enquanto no PSDB), já tendo sinalizado que seu propósito é colocar o PT no grupo partidário que dá sustentação à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT).

É verdade que os petistas estão divididos, mas é verdade também que, numa avaliação isenta, até aqui o vice-governador leva a melhor entre os líderes do partido. É verdade que eles não  festejam sua condição de tucano, mas também não esquecem que em 2016 Carlos Brandão se manteve firme ao lado do governador Flávio Dino (PSB) dando apoio político à presidente Dilma Rousseff (PT) durante a longa e conturbada crise do impeachment, postura que se repetiu com igual ênfase contra a condenação em prisão do ex-presidente Lula da Silva.

Augusto Lobato e grande parte dos líderes do PT têm essa compreensão, enquanto parte do grupo representado por Francimar Melo não enxerga a coisa por essa ótica, o que levará naturalmente o partido a mais uma daquelas duras medições de forças internas.

Ao final de Janeiro o mundo saberá como o PT se posicionará na sucessão.

 

Transporte: bomba-relógio que preocupa Braide tenciona o País

Transporte coletivo: bomba-relógio na mesa do prefeito Eduardo Braide

O prefeito Eduardo Braide encontra-se na condição de quem tem uma bomba-relógio sobre sua mesa de trabalho: a situação financeira do sistema municipal de transporte coletivo de São Luís.

Reportagem consistente publicada na edição de ontem do jornal Folha de São Paulo mostra que essa crise está pressionando prefeitos de municípios com população acima de 200 mil habitantes, grande parte dos quais precisa dos transportes de massa para se deslocar diariamente. De acordo com o jornal paulistano, juntas, as empresas detentoras de concessão – incluídas as de São Luís – amargam hoje um rombo de R$ 21 bilhões, causado pelas consequências da pandemia, que lhe impôs uma drástica e demorada redução de faturamento, problema que se soma à defasagem no preço das tarifas.

A bomba ludovicense ameaçou estourar em Outubro, quando rodoviários, claramente alinhados aos empresários, cruzaram os braços pedindo aumento de salário, enquanto as empresas cobraram reajuste de tarifa, formando a equação perfeita para a crise. O prefeito Eduardo Braide tomou a arrojada decisão de não autorizar aumento. Mas logo percebeu que São Luís mergulharia no caos, risco que afastou com uma solução provisória: um aumento salarial menor do que o reivindicado pelos rodoviários, nenhum centavo de aumento de tarifa, o que foi garantido por um subsídio que será bancado até fevereiro, com o compromisso de reativar a mesa de negociações em Março.

A reportagem da Folha informa que os prefeitos – incluído o mandatário de São Luís – estão pressionando o Governo Federal para liberar uma ajuda de R$ 5 bilhões para o setor, o que não é suficiente para resolver o monumental abacaxi, mas se for liberado, contribuirá fortemente para bombas-relógios como a que está ativada no gabinete principal do Palácio de la Ravardière seja desativada por um bom tempo.

São Luís, 03 de Janeiro de 2022.

 

 

 

Durante 12 meses, 15 personalidades se destacaram no cenário político do Maranhão

 

As marchas e contramarchas partidárias e o intenso, às vezes frenético, movimento de aspirantes em busca de espaço no tabuleiro da disputa pelo Governo do Maranhão e outros na luta pela sobrevivência pela via da reeleição transformaram 2021 um ano  politicamente maiúsculo, indicando que os primeiros 10 meses de 2022, que começa no primeiro segundo de amanhã em meio às festas da virada, serão muito mais agitados no tabuleiro da luta pelo poder. Nos últimos 12 meses, o ambiente político maranhense foi marcado por movimentos na maioria dos quais 15 personalidades fortes, com destaque evidente para o governador Flávio Dino (PSB), que protagonizou a cena como gestor e como líder político, apesar de todas as pressões – explícitas e subterrâneas – destinadas a minar sua credibilidade, e fecha o ano com sua estatura intacta e como líder inconteste da aliança partidária que construiu e manteve por sete anos. Outros exemplos, como o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) turbinaram a vida política maranhense com seus projetos de candidatura ao Palácio dos Leões. Esse cenário propiciou casos como crescimento político do deputado Othelino Neto (PCdoB), presidente da Assembleia Legislativa, o ressurgimento da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e os passos do senador Roberto Rocha (sem partido) como voz da oposição. Com base nas observações consolidadas nas mais de 300 edições do período, a Coluna listou 15 personalidades que pontificaram no tabuleiro político maranhense ao longo do ano que termina hoje.

Flávio Dino – O governador do Maranhão foi, de longe, o personagem mais destacado na crena política maranhense. Primeiro por manter inalterado o intenso ritmo do seu Governo, dando continuidade aos programas e projetos lançados ainda nos primeiros anos, realizando uma gestão sustentada pela eficiência e pela coerência, a exemplo do Escola Digna, com mais de 1,2 mil unidades com o mesmo padrão, caso raro na história administrativa do Maranhão. No campo político propriamente dito, Flávio Dino se manteve no cenário nacional como uma das vozes mais fortes e equilibradas das esquerdas e da oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). No Maranhão, vem conduzindo com habilidade e firmeza o processo de escolha do candidato da aliança que lidera à sua sucessão, tendo manifestado preferência pelo projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão, sem, no entanto, gerar situação de conflito, em que pesem as tensões comuns nesse tipo de disputa. Entrará em 2022 para governar mais três meses, para iniciar, na condição de favorito, a campanha por uma vaga no Senado.

Carlos Brandão – O vice-governador fecha 2021 como pré-candidato a governador numa situação especial, que pode tornar seu projeto viável: ele assumirá o Governo do Estado no dia 31 de Março com a renúncia do governador Flávio Dino, o que lhe dará uma gigantesca massa de poder político e a condição de candidato à reeleição. Ao longo do ano, Carlos Brandão conciliou, com os cuidados necessários, as funções de vice-governador com uma agenda intensa de ações de pré-campanha, como visitas a municípios e rodadas diárias de conversas com personalidades do mundo político e da sociedade organizada. Desembarca em 2022 como pré-candidato com elevado poder de fogo e o aval do líder maior da aliança governista.

Weverton Rocha – O senador Weverton Rocha foi um dos políticos maranhense com maior visibilidade ao longo de 2021. Atuou fortemente no Senado na seara legislativa, emplacando projetos de lei como autor, e como relator de projetos importantes, e outros controversos. O seu tempo maior, porém, foi dedicado ao seu projeto de candidatura, cumprindo uma programação intensa de visitas ao interior, tendo como ponto culminante a realização do projeto pré-eleitoral “Maranhão mais feliz”, grandes concentrações populares em municípios estratégicos, imprimindo a elas um clima efusivo de campanha eleitoral. Fecha o ano liderando todas as pesquisas sobre intenção de voto e dando a impressão de que seu projeto é irreversível.

Roseana Sarney – Após dois anos distanciada da seara política, período que tentou viver como avó e dona de casa, Roseana Sarney resolveu suspender a aposentadoria e voltar ao tabuleiro da política, primeiro como presidente do MDB maranhense e depois ensaiando uma candidatura ao Governo, que não vingou. Decidiu disputar uma cadeira na Câmara Federal, numa estratégia de obter boa votação e assim aumentar o espaço do MDB na bancada federal. O diferencial é que ela apareceu como líder em todas as pesquisas sobre sucessão estadual, porém, tendo na outra ponta da linha uma elevada rejeição, motivo da decisão de não se candidatar aos Leões. Chegará em 22 como a aliada que todo candidato a governador gostaria de ter.

Edivaldo Holanda Jr. – O ex-prefeito de São Luís surpreendeu. Três meses depois de passar o cargo após oito anos de trabalho intenso, ele cancelou o período de descanso e entrou forte na ciranda da corrida eleitoral, para logo em seguida ocupar espaço considerável como pré-candidato a governador pelo PSD. Sem muito alarde, Edivaldo Jr. tem incursionado pelo interior numa maratona que tem por objetivo se fazer conhecido. Fecha 2021 com a pré-candidatura consolidada e na terceira posição na preferência do eleitorado, segundo pesquisas mais recentes. Chega a 2022 posicionado na briga pelo poder.

 

Eduardo Braide – O prefeito de São Luís fecha seu primeiro ano no cargo com uma gestão bem avaliada, apesar dos problemas que a Capital enfrenta. Fez a diferença na guerra contra o coronavírus, enfrentou bem uma greve nos transportes coletivos, e vem realizando uma bem organizada operação “tapa-buraco” e anunciou a retomada das aulas nas escolas municipais. Líder do Podemos no Maranhão, Eduardo Braide usa toda sua habilidade política para se posicionar na corrida sucessória estadual, provavelmente levando em conta de que pode ser um dos nomes fortes para o Governo do Estado em 2026. Entra em 2022 em alta como gestor e estável como político.

Roberto Rocha – O senador se consolidou como a principal voz do presidente Jair Bolsonaro no estado. Declarado sem partido, mas ainda filiado ao PSDB, Roberto Rocha ocupou espaço possível com atividades no Senado, obtendo avanços ao projeto do ZPE e atuando como relator de projetos complexos como a Reforma Tributária. Incluído em todas as pesquisas sobre a corrida ao Governo do Estado, alcançando posição intermediária, o senador até agora não definiu seu futuro partidário nem revelou se será candidato ao Governo, à reeleição para o Senado ou a deputado federal. Nas últimas semanas, realizou o seminário “Descomplica”, com o objetivo de tornar mais simples o Sistema Tributário. Entra em 2022 como uma incógnita.

Othelino Neto – O presidente da Assembleia Legislativa encerra 2021 politicamente maior. Primeiro pelo saldo da sua atuação como chefe do Poder Legislativo, que garantiu estabilidade na relação das forças que compõem o parlamento, e, mais importante, manteve relações produtivas com o Poder Executivo, em afinada sintonia política e institucional com o governador Flávio Dino. Politicamente, Othelino Neto optou por apoiar a pré-candidatura do senador Weverton Rocha, contrariando o seu partido, o PCdoB, que declarou apoio a Carlos Brandão. Candidato declarado à reeleição, Othelino Neto desembarca em 2022 com nome forte para candidato a vice-governador no bojo de um grande acordo na base governista.

Márcio Jerry – Mesmo dedicado às ações da Secretaria das Cidades, o deputado federal licenciado Márcio Jerry não descuida um só dia da sua condição de presidente estadual do PCdoB e, nesse posto, permanecendo como o principal assessor e conselheiro político do governador Flávio Dino. No comando do PCdoB, Márcio Jerry atuou para evitar que o partido sucumbisse com a migração do governador Flávio Dino para o PSB. Poderia seguir o governador na migração, assumindo uma posição confortável, mas preferiu permanecer no PCdoB e encarar o desafio de levar o partido a um bom desempenho nas urnas. Chega em 2022 como forte candidato à reeleição para a Câmara Federal.

Eliziane Gama – A senadora teve um 2021 de altos e baixos. Saiu de uma posição ativa, mas discreta, para se transformar numa das estrelas da CPI da Covid, com atuação intensa, correta e elogiada. Em seguida, na condição de evangélica, aceitou a relatoria da indicação do ex-ministro da Justiça André Mendonça para o STF, o candidato “terrivelmente evangélico” do presidente Jair Bolsonaro. Apesar do malabarismo verbal que usou para justificar sua escolha como relatora, a senadora não conseguiu esconder o viés político-religioso da sua atuação, tendo colocado em xeque o laicismo das instituições brasileiras cravado na Constituição. No campo político estadual, declarou apoio à pré-candidatura do senador Weverton Rocha, causando um “racha” no Cidadania, cuja direção declarou apoio a Carlos Brandão. Chega em 2022 com o desafio de virar o jogo.

 André Fufuca – O jovem deputado federal fecha 2021 com mais um feito político surpreendente, depois de ter sido 1º vice e presidente da Câmara Federal três anos atrás. Ele, que já presidia o braço do seu partido, o PP, no Maranhão, e tendo alcançado também a vice-presidência nacional, assumiu a presidência temporária da agremiação com o afastamento do presidente titular, senador Ciro Nogueira, para assumir a Casa Civil do Governo Bolsonaro. Na presidência nacional do PP, André Fufuca passou a integrar, efetivamente, a cúpula do Centrão, a força partidária que domina o Congresso Nacional. Desembarca em 2022 politicamente forte.

Roberto Costa – O deputado estadual Roberto Costa consolidou sua atuação como articulador ao longo de 2021. Vice-presidente do MDB, esteve na linha de frente das articulações para uma tomada de posição do partido em relação à sucessão estadual. Seus movimentos contribuíram decisivamente para a abertura de um efetivo canal de diálogo do partido e do Grupo Sarney com o governador Flávio Dino e seus aliados, resultando na decisão do MDB de não lançar candidato a senador. A atuação de Roberto Costa também foi forte nos bastidores da Assembleia Legislativa, onde auxiliou o presidente Othelino Neto a debelar focos de crise. Chega em 2022 construindo bases para o projeto de reeleição.

Duarte Jr. – Ao longo de 2021, o deputado Duarte Jr. atuou intensamente em três frentes, acionando fortemente seu imenso contingente de apoiadores nas redes sociais. Primeira: foi uma das poucas e fortes vozes de oposição ao governo do prefeito Eduardo Braide, com manifestações quase diárias de críticas e cobranças à gestão municipal. Segundo: afinou ainda mais sua sintonia política com o governador Flávio Dino ao ser o primeiro deputado estadual a se filiar ao PSB. E terceiro, assumiu a condição de linha de frente da pré-campanha do vice-governador Carlos Brandão. Entra em 2022 como nome forte para a Câmara Federal.

Lourival Serejo – Fora da seara político-partidária, o   desembargador-presidente do Tribunal de Justiça fecha 2021 como um dos mais austeros e centrados presidentes em tempos recentes. Sem muita simpatia por holofotes e com mentalidade de escritor produtivo, o desembargador Lourival Serejo manteve o Poder Judiciário longe de controvérsias, mas chamou a atenção da sociedade quando foi necessário, como no caso do escandaloso esqueleto do Fórum de Imperatriz, que projetado para ser construído com R$ 40 milhões, já consumiu R$ 70 milhões e ainda precisa de R$ 140 milhões para ser concluído. Sem fazer politicagem, tem sido um político hábil no comando do Poder Judiciário.

Eduardo Nicolau – O procurador geral de Justiça impôs, ao longo do ano, um estilo franco e eficiente no comando do Ministério Público do Maranhão. Além da gestão no campo administrativo, Eduardo Nicolau garantiu as condições possíveis para que todas as ações de promotorias e grupos especiais – como o Gaeco, por exemplo – atuassem com eficiência e segurança. Recentemente, comandou a deflagração de ações destinadas ao combate à corrupção na esfera pública. Pouco afeito à guerra de grupos dentro do MPE, tem contribuído para que a instituição viva um período de normalidade nas relações internas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Feliz 2022

A Coluna deseja aos seus leitores e a todos os maranhenses um Ano Novo bem melhor os anos recentes. E torce para que cada cidadão reflita com maturidade e bom senso no ato de escolher seus representantes nas eleições do ano que chega. Lembra que o voto, que no Brasil tem sua integridade garantida pela urna eletrônica, é a base do sistema democrático, que só terá vida longa se as escolhas forem embasadas nos princípios que regem a democracia. Se cada um fizer a sua parte como democrata, o obscurantismo que ameaça o Brasil será pulverizado nas urnas. E assim o Brasil continuará sua jornada para ser o País rico, fraterno e solidário que todos desejam.

São Luís, 31 de Dezembro de 2021.

Sem Roseana, pesquisa Econométrica mostra um cenário mais realista da corrida aos Leões

 

Weverton Rocha lidera e Carlos Brandão já se descola de Edivaldo Jr., Roberto Rocha, Lahesio Bonfim, Josimar de Maranhãozinho e Simplício Araújo rumo a 22

Se não houver um acordo em que desista e engrosse a base de apoio do outro, o senador Weverton Rocha (PDT) e o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) poderão medir força nas urnas, caso não aconteça algum inusitado e surpreendente dentro da margem de imprevisibilidade das situações político-eleitorais. É o que indicam os números da pesquisa feita pelo instituto Econométrica para a TV Difusora, sem incluir a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e divulgada ontem nos telejornais da emissora. O cenário encontrado é o seguinte: Weverton Rocha à frente com 26,9% das intenções de voto, seguido de Carlos Brandão com 15,6%. Na sequência aparecem o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) com 13,1%, o senador Roberto Rocha (sem partido) com 12,4%, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PTB) com 9,8%, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) com 5,3% e o secretário Simplício Araújo (SD) com 2,9%.

Os números revelam situações curiosas, sendo a principal delas o fato de Weverton Rocha e Carlos Brandão não terem “disparado” impulsionados pelas intenções de votos antes manifestadas em favor da ex-governadora Roseana Sarney.  O pré-candidato pedetista cresceu apenas 4,9% em relação à pesquisa Econométrica de novembro, enquanto o vice-governador cresceu 5,1%. Por esses resultados, Weverton Rocha está a 10 pontos percentuais à frente de Carlos Brandão, o que não é grande coisa se levado em conta o fato de que 10 meses ainda separam o eleitorado das urnas, tempo de sobre para acontecer de tudo numa disputa eleitoral.

Outro dado que deve ser levado em conta: se comparados com os da pesquisa anterior, realizada em Novembro, os números do novo levantamento mostram que Carlos Brandão está se descolando de Roberto Rocha e de Lahesio Bonfim, se distanciando dos dois com vantagens acima da margem de erro, ficando empatado apenas com Edivaldo Holanda Jr., mas também por uma diferença de apenas dois décimos. Nesse ambiente, vale registrar o desempenho do ex-prefeito de São Luís, que se consolida como uma espécie de “terceira via”, ganhando força como ameaça a Carlos Brandão e como obstáculo a ser superado pelos pré-candidatos de oposição. Para constatar esse cenário, basta fazer as contas em busca das diferenças produzidas pelos percentuais

No mais, os números não surpreendem: eles informam que o projeto de candidatura do deputado federal Josimar de Maranhãozinho está se desmanchando rapidamente por conta das suspeitas de traquinagem em esquemas com dinheiro de emendas parlamentares, conforme denúncia do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Mostram também que o projeto de candidatura do secretário Simplício Araújo é até visto com simpatia, mas não decola. Nesse contexto, vale destacar outro dado digno de nota sobre o cenário encontrado pela pesquisa Econométrica: apenas 5,3% de intenções de votar em branco ou anular o voto, e 8,6% de indecisos, sugerindo que a maioria das posições podem permanecer inalteradas, ou perdendo para os que lideram a corrida.

A nova pesquisa Econométrica, ao excluir a ex-governadora Roseana Sarney da lista de candidatáveis, colocou a corrida sucessória em cenário mais real, investigando as possibilidades de quem está, de fato, inclinado a brigar pela cadeira principal do Palácio dos Leões. E nesse tabuleiro, os projetos de candidatura da base governista esmagam os originados nas fileiras oposicionistas, indicando, em princípio, que o governador a ser eleito em Outubro deve sair da base governista liderada pelo governador Flávio Dino.

Por fim, os percentuais de intenção de votos encontrados pelo Econométrica confirmam a edição de ontem da Coluna, cujo mote é o iminente desembarque da oposição em 2022 sem unidade nem perspectivas. As posições alcançadas pelo senador Roberto Rocha, pelo prefeito Lahesio Bonfim e pelo deputado Josimar de Maranhãozinho no levantamento confirmam a tendência.

Em Tempo: Feita em parceria com a TV Difusora, a Pesquisa Econométrica ouviu 1.347 eleitores, no período de 22 a 26 de, e sua margem de erro é de 2,7%, para mais ou para menos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pesquisa prevê rolo compressor de Lula sobre Bolsonaro no Maranhão

Lula da Silva tem quase o triplo das intenções de voto de Jair Bolsonaro no Ma

A pesquisa Econométrica investigou também as intenções do eleitorado maranhense em relação à corrida ao Palácio do Planalto, tendo encontrado um cenário em que confirma o rolo compressor do ex-presidente Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL). Se a eleição fosse agora, o líder petista teria 60,3% dos votos contra pífios 22,5% dados ao atual presidente.  Os 18% restantes seriam assim divididos: 5% para o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), 3% para o ex-juiz-chefe da Lava Jato e ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (Podemos), 0,5% para o governador paulista João Dória (PSDB), 0,3% para a senadora Simone Tebet (MDB/MT) e 0,1 para o senador mineiro e presidente do Senado Rodrigo Pacheco. De acordo com o levantamento, 4,3% não votariam em nenhum deles e 4,2% não saberiam em quem votar.

O cacife eleitoral do ex-presidente Lula da Silva poderá alavancar o candidato a governador com o qual ele vier a fazer dobradinha no Maranhão. Já o presidente Jair Bolsonaro aparece como uma referência anêmica e negativa para os pré-candidatos oposicionistas.

 

Catulé Jr. está na luta por uma cadeira na Assembleia Legislativa

Catulé Jr.: aval de Flávio Dino na corrida à Assembleia Legislativa

Além dos nomes fortes para a Câmara Federal, como Clayton Noleto (PCdoB), secretário de Infraestrutura, Felipe Camarão (PT), secretário de Educação, e Carlos Lula (PSB), secretário de Saúde, outros membros da equipe de ponta do Governo Flávio Dino estão caminhando firmes para as urnas. É o caso, por exemplo, de Catulé Jr. (PSB), o ativo e preparado secretário de Turismo, que tem base em Caxias e está com os pés na estrada visando uma cadeira na Assembleia Legislativa. Além do seu trabalho técnico no comando da Secretaria de Turismo, e sua atuação como militante político, que é intensa, Catulé Jr. conta com o aval do governador Flávio Dino, o apoio do prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), e o suporte do pai, o vereador Catulé (Republicanos), uma das raposas mais experientes e ladinas da política maranhense.

São Luís, 30 de Dezembro de 2021.

Forças de oposição vão desembarcar em 2022 divididas e sem maiores perspectivas

 

Roberto Rocha, Josimar de Maranhãozinho e Lahesio chegarão em 2022 cada um com seu projeto eleitoral

A dez meses e seis dias das eleições a oposição está dispersada, sem referência nem pontos de convergência, principalmente no que diz respeito à disputa para o Governo do Maranhão. Enquanto a aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), mesmo sacudida por disputas internas, vai se estruturando e definindo os seus caminhos, o mesmo acontecendo como a “coluna do meio”, representada pela pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), as fatias oposicionistas se movimentam aparentemente sem interesse em formar uma frente que seja um contrapeso na corrida eleitoral. Até aqui, só dois nomes se dizem dispostos a disputar a cadeira principal do Palácio dos Leões, o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PTB), pré-candidato dele próprio, e Josimar de Maranhãozinho (PL), cujo projeto de candidatura vem sendo bombardeado por investigações da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento dele em esquemas de corrupção com o desvio de recursos de emendas parlamentares. Nome mais expressivo da seara oposicionista, o senador Roberto Rocha, além de estar sem partido, vem mantendo silêncio sepulcral sobre se será candidato à reeleição, se vai encarar a disputa para o Governo do Estado ou se procurará outro rumo.

Dos três nomes da Oposição, o que vem construindo uma candidatura ao Palácio dos Leões é o prefeito Lahesio Bonfim. Ele vem mantendo o mesmo discurso desde que se lançou pré-candidato. O seu projeto, no entanto, sofreu um duro golpe, quando ele fracassou numa malsucedida operação para assumir o controle do PTB no Maranhão, que segue sob a direção da deputada estadual “terrivelmente evangélica” Mical Damasceno. Chama a atenção de ele fazer pré-campanha apoiado política e financeiramente por grupos de extrema-direita, com outdoors espalhados no interior, numa ação que alcançou São Luís, reforçando a iniciativa com entrevistas, com o que alcançou alguma notoriedade. E o resultado apareceu nas pesquisas, mais recentes, quando chegou ao patamar de oito pontos percentuais. No entanto, o ralho que recebeu na Justiça Eleitoral por propaganda antecipada parece tê-lo feito tirar o pé do acelerador.

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho vive um momento difícil. Embalado pela eleição de 40 prefeitos numa gigantesca ação eleitoral na qual gastou mais de R$ 30 milhões, em dinheiro vivo, conforme os vídeos feitos pela PF, o chefe do PL – que manda também no Patriotas e no Avante – ensaiou candidatar-se a governador. O projeto, porém, parece estar desmoronando, em que pese o fato de Josimar de Maranhãozinho continuar exibindo força financeira com campanhas caras em que se “vende” como o deputado que faz chover emendas milionárias. Na avaliação de um prefeito experiente, ficou difícil para ele até mesmo compor uma chapa como vice. No meio político, a expectativa é a de que o agora lugar-tenente do bolsonarismo no Maranhão poderá, no máximo, buscar a reeleição.

Se não surpreender nas próximas 72 horas, o que é improvável, o senador Roberto Rocha deve desembarcar em 2022 como uma surpreendente incógnita. Não tem partido – permanece filiado ao PSDB, mas já sem participar das decisões do partido – e não disse até agora se pretende tentar a reeleição numa disputa com o governador Flávio Dino ou entrar na briga pelo Governo, medindo força com o vice-governador Carlos Brandão (PSDB ou PSB), que na campanha será governador em busca da reeleição, ou com o senador Weverton Rocha (PDT), ou com os dois ao mesmo tempo. Fonte próximo ao senador especula que o caminho mais provável é a filiação ao PL, para entrar na peleja pelo Palácio dos Leões, fazendo dobradinha com o presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliado linha de frente, no Maranhão. E a julgar pelo grau de imprevisibilidade política do senador, não será surpresa se ele passar bastão para o filho, o ex-vereador Roberto Rocha Jr., que é candidato forte a deputado federal.

Há quem aposte essas forças de oposição se juntarão tão logo as forças governistas encerrem o ciclo da disputa interna, o que deverá acontecer no dia 31 de janeiro do ano que começa no próximo sábado, daqui a 72 horas, portanto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão intensifica agenda de conversa com prefeitos

Carlos Brandão 

Não chega a ser uma romaria, mas é intenso o entra e sai de prefeitos na residência do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), principalmente quando ele encerra sua agenda de compromissos fora de São Luís e inicia a de conversas com dirigentes municipais, vereadores, deputados estaduais e deputados federais, que quase sempre acompanham os prefeitos  Nos cálculos de um parlamentar que visita o vice-governador com frequência, pelo menos 130 chefes de administrações municipais de todas as regiões do estado já conversaram com Carlos Brandão. A fonte não soube dizer se todas as conversas resultam em acordos políticos e eleitorais. Observou, no entanto, que o vice-governador exibe mais confiança no seu projeto eleitoral a cada rodada de conversa. E prevê que essa ciranda de encontros será bem ais intensa a partir de abril, quando o hoje vice-governador assumir a condição de titular e de candidato à reeleição.

 

Yglésio fecha ano legislativo com excelência parlamentar

Yglésio Moises

O deputado Yglésio Moisés (PROS) vai fechar 2021 como o quadro mais produtivo da Assembleia Legislativa do Maranhão. Médico e advogado, o parlamentar é dono de uma inteligência privilegiada e de uma cultura ampla e consistente, o que o torna uma espécie de “operário” legislativo, com dezenas de projetos de lei, indicações e moções. Participa intensamente das sessões plenárias, presenciais ou remotas, ocupa a tribuna com frequência para fazer discursos via de regra recheados de informações, de denúncias e também de críticas, tendo por isso se notabilizado como um polemista provocador. Yglésio Moises é, portanto, um deputado integral que, mesmo envolvido em situações controversas, faz do plenário da Assembleia Legislativa um ambiente parlamentar por excelência.

São Luís, 29 de Dezembro de 2021.

Weverton ameniza o tom, mas mantém projeto sucessório e acredita que será o candidato do grupo

 

Weverton Rocha reafirma pré-candidatura e acredita que será o candidato do grupo governista aos Leões

Nada de provocar dizendo que o foguete da sua pré-candidatura não vai parar nem dar marcha à ré, nenhuma estocada no governador Flávio Dino (PSB) e nem ameaça de ir para o tudo-ou-nada. Na entrevista que concedeu ao Jornal Pequeno, o senador Weverton Rocha (PDT) – usando um tom bem mais ameno do que o de declarações, ora ameaçadoras, ora de sentido duplo, feitas em tempos recentes – reafirmou que o seu projeto de disputar o Governo do Estado tem substância e está de pé. Ele não disse se, caso o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) chegue em primeiro, terá ou não o seu apoio, mas também nada declarou em sentido contrário. E mais do que isso, voltou a falar em união do grupo, inclusive defendendo o fortalecimento aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino. Enfim, o senador Weverton Rocha dessa entrevista é bem mais light do que o de entrevistas dadas em programas de rádio recentes, quando usou discurso mais parecido com um pré-candidato de oposição do que o de integrante de um grupo governista.

Ao Jornal Pequeno, o senador Weverton Rocha afirmou que o projeto de candidatura que encabeça não é pessoal, mas sim o movimento de um grupo que o tem como representante. Disse também que sua pré-candidatura “é uma realidade que foi se criando e se impondo ao longo dos diversos contatos com a população e lideranças políticas”. Nas duas afirmações, o líder pedetista de novo amenizou o tom, retirando do discurso o caráter de irreversibilidade da sua posição, tendo, porém, o cuidado de não admitir eventual recuo. Na sua fala, dá a entender que o “Maranhão mais feliz” é um movimento de massa, quando se trata de um projeto arrojado e bem engendrado de pré-campanha. “O resultado tem sido fantástico”, disse, enfático, destacando que entre as propostas que acolheu está a de isentar de ICMS os produtos da cesta básica em momentos de crise, como agora. Além disso, declarou que tem um projeto para o Maranhão, que consiste basicamente em dar um passo à frente do que está sendo dado pelo Governo de Flávio Dino.

A amenização do tom no discurso do senador Weverton Rocha não deve, porém, ser interpretada como um sinal de que ele esteja revisando sua posição de manter o “foguete” em pleno estado de aceleração. Habilidoso, e com tarimba suficiente para fazer uma leitura correta do quadro de agora da corrida ao Palácio dos Leões, o senador se manifesta num momento em que, por conta dos fluídos natalinos e dos preparativos para a virada de ano, os espíritos estão relativamente desarmados, tornando possível que pré-candidatos baixem a guarda.

Weverton Rocha não fez um discurso conciliador e deixou nas entrelinhas uma série de recados, entre eles o de que está empenhado na consolidação do seu projeto de candidatura. Isso para chegar no dia 31 de janeiro com o apoio da maioria dos 13 partidos da base governista, o que lhe dará as condições para ser apontado como candidato do grupo. E jogou motivado por dois registros: a declaração do governador Flávio Dino reafirmando que seguirá o que decidido pela maioria dos partidos e pela declaração de apoio do Rede, no contraponto à manifestação do PV em favor do vice-governador Carlos Brandão, que por seu turno vem consolidando o seu projeto de candidatura.

O Jornal Pequeno quis saber o que o senador e pré-candidato pedetista pensa sobre a influência de Lula da Silva (PT), Flávio Dino, José Sarney (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) na corrida sucessória. Sua resposta foi a seguinte: “São lideranças incontestáveis, que têm influência real no processo eleitoral. Por história de vida, identidade política e crenças sobre políticas públicas, estou alinhado desde sempre com a influência de Lula e Flávio Dino. Sempre estivemos no mesmo campo e estaremos defendendo as mesmas bandeiras em 2022”.

Vale aguardar o decisivo 31 de janeiro de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lobão Filho entra na corrida pelo voto como herdeiro político de Edison Lobão

 

Lobão Filho é herdeiro político do ex-senador Edison Lobão

O empresário e ex-suplente de senador Lobão Filho bateu martelo e será mesmo candidato a deputado federal pelo MDB, integrando a chapa que terá como carro-chefe a candidatura da ex-governadora Roseana Sarney a uma cadeira na Câmara Baixa. Lobão Filho entre na briga por votos com a experiência de quem já disputou o Governo do Estado (2014), tendo saído das urnas com o razoável cacife de 36% dos votos. Lobão Filho entra na ciranda eleitoral embalado por vários fatores que lhe são francamente favoráveis. O principal deles é a sua condição de herdeiro político do ex-senador Edison Lobão (MDB) que, mesmo sem mandato, mantém uma legião de aliados em todas as regiões do Maranhão, um filão que bem explorado pode lhe garantir votação expressiva. Outro fator é ter a apresentadora de TV Paulinha Lobão, sua mulher, como cabo eleitoral, o que pode lhe render bons dividendos eleitorais. O fato é que sua candidatura deve ser levada bem a sério pelos demais candidatos à Câmara Federal.

 

Lançado de Kourou, James Webb bem que poderia ter partido de Alcântara

CLA poderia ser hoje uma Kourou, lançando o James Webb

Não há como ver as imagens do histórico lançamento, feito pela Nasa, do revolucionário telescópio James Webb, da Base de Kourou, na Guiana Francesa, um território grudado no extremo norte do Brasil, sem lembrar de que aqui no Maranhão, ao alcance da vista de quem vive em São Luís e em Alcântara, existe um espaço já dotado de infraestrutura e considerado ideal para esse tipo de evento: o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Com sua posição privilegiada, que permite que um foguete suba mais rápido e a um custo menor, o CLA bem que poderia ter sido o ponto de partida maravilha tecnológica que consumiu 25 anos de trabalho e U$ 10 bilhões para cumprir a missão de olhar para o universo profundo em busca informações que possam explicar a origem de tudo. Com a existência emperrada por um jogo político primário, o CLA parece condenado a não passar de uma promessa, enquanto os franceses, que sabem separar as coisas, consolidam cada vez mais Kourou como um dos poucos e privilegiados pontos de partida da Terra para o espaço sideral. No momento, resta torcer para que o Governo a ser instalado no Brasil em janeiro de 2023, inclua o CLA na sua lista de prioridades e entre firme no bilionário mercado da exploração espacial.

São Luís, 28 de Dezembro de 2021.