Lula da Silva e Juscelino Filho fazem sinal positivo após presidente nomear deputado ministro das Comunicações; ao fundo, Flávio Dino, já nomeado ministro da Justiça
Qualquer
avaliação cuidadosa chegará à conclusão de que o ano político de 2022 no
Maranhão, que vinha sendo inteiramente dominado pelo protagonismo do senador
eleito Flávio Dino (PSB), escolhido para ocupar o importante e influente Ministério
da Justiça e Segurança Pública, e do governador Carlos Brandão (PSB), reeleito
no 1º turno e embalado pelo otimismo de fazer um bom Governo, sofreu uma leve alteração
com o desembarque, imprevisto e surpreendente, do deputado federal reeleito Juscelino
Filho (UB) no comando do importante Ministério das Comunicações. Mesmo levando
em conta o fato de que sua indicação foi partidária, não tendo absolutamente
nada a ver com a política do Maranhão, ninguém duvida de que condição de ministro
assumida pelo parlamentar reúne condições para aumentar expressivamente o seu
cacife político.
Diferentemente
do senador eleito Flávio Dino, que além das credenciais políticas e do preparo
técnico, chegou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública como um dos principais
apoiadores do presidente Lula da Silva desde a definição da sua candidatura,
não apenas no Maranhão, mas em todo o País, o deputado federal reeleito Juscelino
Filho não foi apoiador declarado do líder petista. Ao contrário do seu colega
de partido, deputado federal reeleito Pedro Lucas Fernandes (UB), que declarou
voto na trindade Lula/Brandão/Dino, Juscelino Filho fez uma campanha alinhada
ao candidato do PDT, senador Weverton Rocha, e às forças bolsdonaristas, alinhando-se
à candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, e se mantendo
relativamente afastado da disputa presidencial.
Sua chegada
ao Ministério das Comunicações guarda uma certa controvérsia, pelo fato de que
Juscelino Filho não foi indicado para o cargo pela cúpula nacional do União
Brasil, mas pelas novas lideranças do partido na Câmara Federal, que garantiram
os votos da bancada do partido ao Governo Lula da Silva. Tanto que o comando
maior do partido avisou que o União Brasil vai continuar independente, sem
garantir apoio integral ao Governo do presidente Lula da Silva. Os
articuladores políticos do novo Governo estão convencidos de que o UB participará
da base de apoio do Governo Lula da Silva no Congresso Nacional, sendo esta
garantia de que Juscelino Filho continuará no cargo. Nos bastidores, porém,
corre a informação de que sua permanência como ministro está diretamente relacionada
com o comportamento da bancada do UB em relação ao Governo do PT.
Um dos mais bem-sucedidos
quadros da novíssima geração de políticos do Maranhão, o médico Juscelino Filho
carrega o DNA de uma da família Rezende, que durante décadas se bateu com a família
Bandeira pelo controle político de Vitorino Freire a adjacências. Iniciou sua
carreira ao se eleger deputado federal em 2014, reelegendo-se sucessivamente em
2018 e 2022, com votações crescentes. Ele agora é parte destacada de um grupo
de jovens políticos que caminham para dar as cartas no Maranhão: o vice-governador
Felipe Camarão (PT), o deputado federal reeleito André Fufuca (PP), o deputado
estadual e federal eleito Duarte Jr., o deputado federal reeleito Rubens Jr.
(PT), e o deputado estadual reeleito Othelino Neto (PCdoB), entre outros. O comando
do Ministério das Comunicações engorda expressivamente o seu cacife político,
que poderá aumentar exponencialmente se ele for bem-sucedido, mas poderá
emagrecê-lo perigosamente se a gestão mergulhar no fracasso.
Lembrando
que, mesmo não tendo chegado ao Ministério das Comunicações por fatores diretamente
relacionados com o hoje bem definido tabuleiro da política estadual, a condição
de ministro amplia significativamente o espaço do deputado federal Juscelino
Filho no epicentro da política maranhense. Não há como ser diferente, afinal,
um mandato federal reforçado por um ministério de peso é sinônimo de poder. Resta
saber se ele saberá usar essa fonte de poder e transformá-la em capital político
e eleitoral. Os dias que virão desenharão os cenários.
PONTO & CONTRAPONTO
Relação der Paulo Victor com Eduardo Braide poderá ser de confronto
Paulo Victor e Eduardo Braide: relacionamento será com foco nas urnas de 2024
Por mais
conciliador que venha a aparentar, não há, no meio político ludovicense,
qualquer dúvida de que a relação entre o novo presidente da Câmara de São Luís,
Paulo Victor (PCdoB), e o prefeito Eduardo Braide (PSD) será,
Tensa e
cheia de altos e baixos, se não de confronto aberto já nos próximos meses. E o
motivo é óbvio: assim como o prefeito Eduardo Braide é candidatíssimo à
reeleição, movimento que serás decisivo para próximos passos, o vereador-presidente
Paulo Victor sonha acordado com o Palácio de la Ravardière.
Há, porém,
uma diferença fundamental entre eles. O prefeito Eduardo Braide comanda a
poderosa máquina municipal, vem tendo bom desempenho e comanda agora um partido
sólido, onde não há sombras incômodas, podendo planejar sua campanha despreocupadamente.
O vereador Paulo Victor, por sua vez, não tem certeza se o PCdoB o quer como candidato
a prefeito, tanto que tem conversado com outros partidos – como o PP, por
exemplo –, para ser candidato sem sobressaltos. Não bastasse isso, o Palácio
dos Leões dificilmente esnobará a candidatura do deputado federal eleito Duarte
Jr. (PSB), que vem em campanha aberta desde disputou e perdeu a Prefeitura em
dois turnos com Eduardo Braide.
Ou seja, pelo
menos até aqui, a posição do prefeito de São Luís é bem mais confortável.
Montagem da equipe de Governo poderá levar mais tempo
Carlos Brandão: montagem da equipe sai em fevereiro
É intensa a movimentação
por espaço no Governo, que ganhando intensidade desde que o governador Carlos Brandão
confirmou sua decisão de só montar sua equipe depois da montagem do Governo do
presidente Lula da Silva e da posse do novo Congresso Nacional e da nova
Assembleia Legislativa. Como já foi revelado neste espaço, o governador quer
saber se alguns quadros que estão “soltos” serão aproveitados na máquina
federal, para que possa compor sua equipe. A presidente nacional do PT, Gleisi
Hoffmann, disse que a montagem do segundo escalão federal será “um pouco mais
demorada”, o que pode, de alguma maneira, retardar definições no Estado. O
governador Carlos Brandão, porém, tem dado sinais de quer correr, mas também
não quer perder tempo.
Flávio Dino fala na posse, ouvido pela cúpula do Judiciário e por Carlos Brandão (d)
Não há que
discutir que posses como as dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana
(Educação), Nísia Trindade (Saúde), Wellington Dias (Desenvolvimento Social),
por exemplo, foram atos de peso pela importância das pastas e da estatura dos
titulares na formação do Governo do presidente Lula da Silva (PT). Mas não há
como negar o fato de que, pelo menos até aqui, nenhum dos 37 membros do 1º
escalão do novo Governo da República assumiu com o prestígio institucional tão
expressivo como quanto o titular do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Flávio
Dino, cuja posse contou, por exemplo, com a presença da presidente do Supremo
Tribunal Federal (STF), ministra Rose Weber, da presidente do Superior Tribunal
de Justiça (STJ), ministra Maria Thereza Moura, do presidente do Tribunal de
Contas da União, ministro Bruno Dantas, e do governador Carlos Brandão (PSB),
além de outros ministros, personalidades diversas, e uma grande caravana de
políticos e autoridades maranhenses.
Flávio Dino
desembarcou no Ministério da Justiça e Segurança Pública com um discurso
contundente em que pregou a paz e a unidade nacional, mas ao mesmo tempo avisando
que não haverá tolerância com criminosos, incluindo os que atentaram contra a
democracia. E deu os primeiros passos editando um pacote de medidas que devolverão
aos brasileiros o pleno estado de normalidade, sufocando as tensões que
ameaçavam conturbar a posse do presidente Lula da Silva e do seu Governo,
sociedade como um todo. Ao mesmo tempo em que suspendeu a política criminosa de
armamento da população civil, o novo ministro da Justiça avisou que vai
federalizar a investigação para elucidar de vez a fria e brutal execução da
vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), em 14/03/2018, que chocou o Brasil e
o mundo – o anúncio do ministro deve ter tirado o sono de alguns.
Embalado
pela experiência de magistrado federal, professor de Direito Constitucional,
deputado federal e governador de Estado, e com a autoridade política de senador
eleito pelo Maranhão, Flávio Dino assumiu a pasta que parece ter sido criada
especialmente para ele. Isso porque desde ontem o Brasil passou a contar com um
ministro da Justiça e Segurança Pública que dificilmente pecará por excesso e
jamais por omissão. Isso ficou claro nos dias que antecederam a posse, quando
coordenou a transição nessa área. O intenso e delicado trabalho que realizou nesse
período revelou com clareza que o senador eleito pelo Maranhão está preparado
para encarar os desafios que rondam a pasta, em especial os de natureza política
objetivando ferir de morte a democracia brasileira por meio do desmonte do seu
moderno e mundialmente respeitado sistema eleitoral.
De concreto,
o ministro Flávio Dino está desafiado a fazer com que os que atentaram contra a
democracia, a começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e os que agiram
sob seu domínio, respondam pelos seus atos nos tribunais. Nesse rolo estão aqueles
que formaram grupos golpistas que se concentraram em frente a unidades
militares, bem como os que os fomentaram, financiaram e alimentaram acreditando
que as Forças Armadas, mesmo assanhadas por alguns oficiais golpistas, como os
generais de pijama que deram expediente no Palácio do Planalto, saíssem dos
seus limites constitucionais. Agora, desamparados com a fuga do ex-presidente
Jair Bolsonaro para Miami, esses grupos estão voltando para casa erroneamente movidos
pela crença de que seus ensaios golpistas ficarão impunes. Não ficarão. Os mais
graúdos tentarão se safar usando a fantasia de vítima. Não vai colar.
(Ocorrerá no
Brasil o que está ocorrendo nos EUA, onde os tribunais já mandaram para a
cadeia, com penas variáveis, algumas pesadas, mais de três dezenas de golpistas,
podendo esse número chegar a centenas, incluindo o chefe deles, o ex-presidente
Donald Trump).
Dentro das
regras, o ministro Flávio Dino planeja colocar em prática, o mais rapidamente
possível, uma política de segurança pública baseada na sintonia entre as polícias
federais e estaduais, agora sem facciosismo político. Devidamente engrenado, esse
sistema será acionado implacavelmente contra quadrilheiros do tráfico, dos assaltos
a banco, das milícias, da grilagem, do garimpo ilegal, dos exploradores do
consumidor, dos agressores da cidadania, dos sonegadores de impostos e dos
financiadores de golpe.
Flávio Dino
será um ministro da Justiça e Segurança Pública com os pés no chão, porque conhece
as regras e sabe que tem o apoio do presidente Lula da Silva.
PONTO & CONTRAPONTO
Ao contrário do que muitos pensam, Juscelino Filho está no comando de uma pasta poderosa
Juscelino Filho assume o Ministério das Comunicações
Não houve ambiente
de festa, até por conta da natureza essencialmente técnica da pasta, na posse
do deputado federal Juscelino Filho (União Brasil) no comando do Ministério das
Comunicações. Isso não quer dizer que o jovem médico maranhense tenha se
tornado um ministro sem peso e sem importância, muito ao contrário. Sob sua
esfera de controle estão gigantes como Rede Globo, SBT, Band, Claro, Oi, TIM, Instagran,
Facebook, Netflix, e por aí vai.
Traduzindo, Juscelino Filho, que foi a surpresa da equipe, vai comandar um sistema vital para a sociedade moderna, que começa pela telefonia associada à internet, que interliga milhões e milhões de brasileiros a cada segundo, permitindo a atuação de cada cidadão nos mais diferentes, da comunicação simples, como de um bom dia em texto ou em voz, às mais complexas operações do mercado de capitais, passando pela mais popular de todas, o PIX, por exemplo.
O ministro
Juscelino Filho tem a prerrogativa de manter, alterar e até de mudar a política
de inclusão digital, podendo facilitar ou dificultar, por exemplo, a expansão
da internet no sistema de ensino brasileiro, por meio da inclusão digital nas
escolas. Nesse exato momento, o Brasil
está implantando a internet 5G, processo no qual o Ministério das Comunicações
tem papel decisivo.
Para quem
não sabe, a pasta responde pelo controle do sistema nacional de rádio e TV, o
que, traduzindo grosso modo, representa a prerrogativa de conceder, renovar ou
suspender concessões de rádio e TV, incluindo as tradicionais e poderosas redes
de TV aberta, como a rede Globo, por exemplo, moderna e gigantesca rede de TV a
cabo. São milhares de emissoras AM e FM e milhares de rádios comunitárias,
formando uma formidável rede de comunicação capilarizada nos limites dos 8
milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro.
Em resumo,
Juscelino Filho está no comando de um ministério que, ao contrário do que
muitos pensam, é um centro indiscutível de poder, que pode aumentar o seu peso
político.
Em Brasília, Brandão reforçou relações e reabriu portas na Esplanada dos Ministérios
Carlos Brandão construiu pontes na Esplanada dos Ministérios
O governador
Carlos Brandão (PSB) passou dois dias em Brasília numa intensa maratona de contatos
com o novo Governo da República. Marcou presença efetiva na posse do presidente
Lula da Silva e foi distinguido na posse do senador eleito Flávio Dino no
Ministério das Justiça, ao lado da presidente do STF, ministra Rosa Weber, e do
STJ, ministra Maria Thereza Moura. No ato do Ministério da Justiça, o
governador do Maranhão foi tratado como uma espécie de anfitrião, dada sua
identificação com o ministro Flávio Dino.
O governador
do não perdeu um só minuto, tendo criado agenda com os mais diferentes
ministros, a começar pelo dono do cofre da República, Fernando Haddad, ministro
da Fazenda. Conversou com seu amigo e parceiro Wellington Dias, senador eleito
pelo Piauí, Wellington Dias, o agora poderoso ministro do Desenvolvimento
Social. Nessa linha, avistou-se com o ministro da Educação, Camilo Santana, com
a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e com o ministro dos Transportes, Renan
Filho. Conversou também com Luciana Santos, ministra da Ciência e Tecnologia.
Carlos
Brandão esteve também com o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do da
Indústria, Comércio e Serviço, de quem é amigo desde quando militou no PSB,
partido pelo qual foi eleito duas vezes deputado federal.
O governador
do Maranhão mostrou que tem portas abertas na Esplanada dos Ministérios.
Carlos Brandão recebeu ontem a visita de José Sarney no Palácio dos Leões: bons conselhos
“Governarei pela união de todas as forças que querem o melhor para o Maranhão. Do menor ao mais alto cargo, vamos trabalhar juntos tendo o povo como o principal foco de nossa gestão”. Com essa mensagem, postada ontem na sua conta no Instagram, o governador Carlos Brandão (PSB) reafirmou, um dia antes da posse para o que será o seu Governo de fato, o discurso de campanha segundo o qual pretende governar num ambiente de unidade e estabilidade política. O post foi feito horas antes de ele receber um visitante ilustre no Palácio dos Leões, o ex-presidente da República José Sarney (MDB), com quem trocou impressões sobre os avanços do Maranhão e sobre a vitória do ex-presidente Lula da Silva (PT) na corrida presidencial. Como que indiferente às tensões que ainda mexem com o País, o governador exibe estado de ânimo que revela despreocupação em relação a terremotos que possam estar a caminho.
Carlos
Brandão tem bons motivos para exibir um ar de confiança e otimismo. Sua reeleição
em turno único, reforçada pela eleição do ex-governador Flávio Dino (PSB) para
o Senado e pela ampla e sólida maioria aliada na Assembleia Legislativa e com
bons reforços na Câmara Federal, ao que se soma à histórica volta do
ex-presidente Lula da Silva (PT), de quem é aliado, ao poder, lhe deu uma base
de apoio político excepcional, pouco vista na história recente do Maranhão. Não
bastasse isso, ele vai iniciar o seu próprio mandato no comando de um Governo ajustado,
que conhece a fundo e em pleno andamento, com programas importantes e
inovadores já implantados e consolidados, e com margem para ampliar o leque de
ações. Assim, ao contrário de governadores que assumirão dando saltos no escuro,
ele iniciará o mandato amanhã como se estivesse no comando do seu próprio veículo,
revisado e com tanque cheio.
Na sua pauta
encontrará também desafios nada desprezíveis. Por maiores que tenham sido os
avanços recentes, com investimentos maciços o campo social – Escola Digna, escola
em tempo integral, Iemas, restaurantes populares, nova rede de saúde, segurança
pública, entre outros, que precisam ser mantidos e ampliados -, o Maranhão é um
estado onde a desigualdade é ainda afrontosa, com milhares de cidadãos lutando
por uma oportunidade no processo de inclusão. O governador Carlos Brandão tem
consciência dessa realidade e tem dito que vai ataca-la com obstinação e
racionalidade nos próximos anos. Sabe que se não entrar para valer nessa
guerra, pode pagar preço político elevado daqui a quatro anos.
No seu caso,
o tamanho do desafio é relativamente minimizado pelo suporte político que detém.
Internamente, tem maioria segura na Assembleia Legislativa e caminha para ver
eleito na presidência do parlamento um nome da sua escolha, a deputada Iracema
Vale (PSB). No plano federal, além de dois dos três senadores, pode contar com pelo
menos 12 dos 18 deputados federais. Mas o ponto mais forte está na sua relação
com Lula da Silva, de quem foi parceiro importante na corrida eleitoral e que
estará no comando do País a partir de amanhã, e no prestígio do senador eleito
Flávio Dino, que assumirá o Ministério da Justiça, podendo também contar com o
suporte do deputado federal reeleito Juscelino Filho (União Brasil), que fará
um desembarque surpreendente no Ministério das Comunicações, podendo ainda ter
produtiva interlocução com a futura
ministra dos Povos Originários, Sônia Guajajara.
A visão do
governador reeleito sobre o Maranhão com seu potencial e desafios foi certamente
ampliada ontem, na conversa que manteve com o seu mais ilustre visitante do
dia, o ex-governador e ex-presidente da República José Sarney (MDB). Os dois
conversaram longamente “sobre os avanços do estado e também sobre a
consolidação da vitória do presidente Lula”. Já elevado à posição de sábio, José
Sarney deve ter-lhe dado bons conselhos, uma contribuição oportuna para reforçar
a confiança que vem mostrando nos resultados do seu próximo governo.
PONTO & CONTRAPONTO
Sarney retorna aos Leões 57 anos depois da sua posse como governador do Maranhão
José Sarney e Carlos Brandão conversam no Palácio dos Leões, onde o ex-presidente viveu muitos momentos históricos
A visita do ex-governador e ex-presidente da República José Sarney ao Palácio dos Leões, ontem, aconteceu um dia antes de completar 57 anos da sua entrada ali, em 1º de janeiro de 1966, aos 36 anos, como governador empossado, três meses depois de ter vencido nas urnas os candidatos Costa Rodrigues, apoiado pelo então governador Newton Bello, e Renato Archer, candidato do então senador Victorino Freire, até ali o maior cacique político do estado. José Sarney já havia trabalhado no Palácio dos Leões como chefe de Gabinete. Dali se afastou para ser deputado federal e só retornou após ser consagrado nas urnas no dia 3 de outubro de 1965. Quando ali chegou, o palácio abrigava a sede do Governo e a sede da Alfândega (Secretaria da Fazenda). Sem perda de tempo, fez ali uma ampla reforma, instalando a já chamada Secretaria da Fazenda no prédio em frente ao cais, e transformando o Palácio dos Leões no que ele é hoje. Além do período como governador, esteve ali muitas vezes. Como presidente da República, durante o Governo de Epitácio Cafeteira, Sarney usou o Palácio dos Leões para receber vários presidentes em visita ao Brasil: Virgílio Barco (Colômbia) e Juan Maria Sanguinetti (Uruguai), depois o então primeiro-ministro de Portugal Mário Soares e mais os então presidentes de Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe e o representante de Angola para a reunião que iniciaria o movimento que resultaria, décadas depois, na unificação da Língua Portuguesa. Na visita de ontem, José Sarney deve ter relembrado todos esses momentos.
Madeira mostra prestígio ao responder pela Comunicação
Sebastião Madeira substitui Ricardo Capelli na Secap
Quem ainda duvidava do poder de fogo do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, como auxiliar de confiança do governador Carlos Brandão, recebeu ontem mais um dado para dissipar a dúvida. Explica-se: com a saída do jornalista Ricardo Capelli, que vai assumir o posto de secretário executivo do Ministério da Justiça, o chefe da Casa Civil foi formalmente escalado para responder pela Secretaria de Comunicação até segunda ordem. Isso significa que Sebastião Madeira comandará a Secap até fevereiro, quando o governador Carlos Brandão montará a equipe do seu próprio Governo.
Flávio Dino, Juscelino Filho e Sônia Guajajara no ministério de Lula da Silva
São três ministros maranhenses
na equipe do presidente eleito Lulas da Silva (PT): Flávio Dino (PSB), que será
ministro da Justiça e Segurança Público; Juscelino Filho (União Brasil), que dirigirá
a pasta das Comunicações, e Sônia Guajajara (PSOL), que comandará o Ministério
dos Povos Originários. Mas, com exceção de Flávio Dino, os outros não podem ser
considerados ministros do Maranhão, uma vez que as motivações das suas escolhas
nada têm a ver com o fato de serem eles maranhenses. Enquanto a escolha de Flávio
Dino foi pré-anunciada pelo então candidato a presidente Lula da Silva (PT)
durante um comício de campanha em São Luís, a inclusão de Juscelino Filho e de
Sônia Guajajara na relação dos ministros foi o resultado de articulações com
diferentes partidos políticos, num leque foi da direita à esquerda, para garantir
a governabilidade.
Flávio Dino saiu das urnas eleito
senador da República já sabendo que, se Lula da Silva fosse eleito para o seu
terceiro mandato presidencial, ele seria ministro da Justiça e Segurança
Pública, um cargo delicado e complexo, que jamais seria entregue a alguém que
não fosse da estrita confiança do presidente eleito. Foram levados em conta o
seu posicionamento político, a sua experiência ex-juiz federal, de um mandato
de deputado federal e dois mandatos consecutivos de Governador do Maranhão, além,
é claro, de ser membro destacado do PSB, o principal aliado do PT. Só havia
naquele momento, dúvida quanto ao formato e ao tamanho da pasta, que terá a
Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal no seu organograma. Segurança
Pública Ainda antes de deixar o Governo, em abril, para ser candidato a senador,
o então governador Flávio Dino trabalhou intensamente pela candidatura de Lula
da Silva no Maranhão e nas diversas regiões do País, em especial no Nordeste. O
então chefe do Governo do Maranhão intensificou seu trabalho pró-Lula da Silva
quando se desincompatibilizou para ser candidato ao Senado, e foi mais longe nesse
projeto histórico e audacioso, ao integrar o grupo de coordenadores da
campanha, que se tornou um desafio maior no 2º turno. Flávio Dino é um dos líderes
da campanha. Sua atuação política e partidária foi tão importante que ele foi o
segundo ministro a ser anunciado.
A chegada do deputado federal
reeleito Juscelino Filho, 38 anos, ao Ministério das Comunicações se deu por
outro caminho, que não passou pelo fato de ser ele um deputado maranhense. A
mola propulsora foi o viés partidário, numa articulação do senador amapaense
Davi Alcolumbre, um dos chefes nacionais do União Brasil. Para começar, nem
Juscelino Filho nem seu partido apoiaram a candidatura do ex-presidente Lula da
Silva no 1º e no 2º turno. Se não foi bolsonarista ostensivo e barulhento,
Juscelino Filho não foi também um lulista declarado ao longo das duas etapas da
disputa presidencial. Também ainda não está muito clara a motivação da escolha
de Juscelino Resende, uma vez que ele é um médico, não tendo, até onde se sabe,
afinidade com telefonia móvel e convencional, internet, tecnologia 5G, concessão
de rádio e de TV, entre outros itens de responsabilidade da pasta. Pelo acordo
firmado, o deputado Juscelino Filho e a bancada do União Brasil deixam de ser
adversários para serem aliados do Governo do presidente Lula da Silva no
Congresso Nacional.
A escolha de Sônia Guajajara,
48 anos e que no plano civil atende pelo nome de Sônia Bone de Souza Silva Santos,
para o Ministério dos Povos Originários não está em nenhum desses universos.
Originariamente, ela é líder de uma comunidade guajajara no Maranhão, a terra
indígena Araribóia, na região central do estado. Formada em Letras e em Enfermagem
e especializada em educação especial pela UEMA, e deputada federal eleita pelo
PSOL de São Paulo, Sônia Guajajara é conhecida nos foros internacionais como
uma voz que há muito vem se destacando na defesa dos interesses – terra, saúde,
educação, entre outros – dos mais diversos povos indígenas do Brasil, incluindo
os mais de 40 mil integrantes das sete “nações” existentes no Maranhão.
Claro está, portanto, que o
Governo do presidente Lula da Silva não terá “três ministros do Maranho”, mas
três ministros coincidentemente maranhenses.
PONTO & CONTRAPONTO
Correta a decisão de Brandão de manter Camarão na Educação
Carlos Brandão vai nomear Felipe Camarão para a Secretaria de Educação
Tão logo seja empossado como
vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT) será nomeado para o cargo de
secretário de Educação. Trata-se de uma decisão pragmática do governador Carlos
Brandão (PSB), por três aspectos básicos e lógicos. O primeiro é o fato de que
o governador quer a continuidade da política educacional implantada no Governo
Flávio Dino, vista por muitos como uma das mais arrojadas e bem-sucedidas do
País. E o segundo é o fato de ter sido o vice-governador eleito o responsável por
sua implantação e desenvolvimento dessa política.
O terceiro aspecto é lógica
pura: Felipe Camarão é um jovem dinâmico e preparado, não fazendo nenhum
sentido passar quatro anos como vice-governador, sem atividade formal, podendo
se transformar numa máquina incontrolável de ambição política.
Othelino e Ana Paula procuram acomodação familiar em Brasília
Othelino Neto e Ana Paula Lobato em busca de acomodação para a família em Brasília
O presidente da Assembleia Legislativa,
deputado Othelino Neto (PCdoB), foi a Brasília nesta semana em uma missão
particular: preparar a base para sua família se instalar nos próximos tempos na
Capital do País, onde permanecerá pelo tempo em que sua esposa, Ana Paula
Lobato (PSB) permanecer como senadora. Eles decidiram que seus dois filhos residirão
em Brasília. Há quem aposte de que o deputado Othelino também se transfira para
Brasília a partir de fevereiro, caso o projeto de se eleger novamente
presidente da Assembleia Legislativa não seja concretizado. Nesse caso, ele
poderá aceitar o cargo de secretário-chefe da Representação do Maranhão no
Distrito Federal.
A urna eletrônica foi o caminho seguro para o eleitorado fazer suas escolhas numa eleição limpa
2022 vai
entrar para a História como o ano em que as eleições quebraram muitos
paradigmas políticos no Maranhão, produzindo vencedores sólidos, barrando o
avanço de quem tinha certeza de que sairia vencedor mas calculou mal sua
trajetória, e trazendo à tona projetos de lideranças imprevisíveis e outras
trabalhadas para ganhar esse status. O fato é que as urnas desenharam um novo
mapa político do Maranhão, que tem no epicentro o senador eleito e futuro ministro
da Justiça Flávio Dino (PSB) como liderança maiúscula, indiscutível. Colocaram
também no topo do poder estadual, sem sombra para incomodá-lo, o governador
reeleito Carlos Brandão (PSB), que conquistou seu espaço com um pragmatismo
pouco visto em tempos recentes. No espaço dos ganhadores, o deputado Othelino
Neto (PCdoB) poderá não se eleger de novo presidente da Assembleia Legislativa,
mas seus ganhos políticos foram imensos. E abriram caminho largo para novos
quadros, sendo o vice-governador eleito Felipe Camarão (PT) o mais promissor
entre eles. Por outro lado, as urnas desmontaram o arrojado projeto de poder do
jovem e impetuoso senador Weverton Rocha (PDT), e catapultaram o ex-prefeito da
pequena São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC) para o centro do mapa
político do estado. No conjunto de quem perdeu, o senador Roberto Rocha (PTB)
foi, certamente, o mais castigado pelas urnas. Nesse contexto, surgiram, no
cenário, lideranças não previstas como a deputada estadual eleita Iracema Vale
(PSB), que nem tomou posse e já está no centro das decisões com a provável eleição
para a presidência da Assembleia Legislativa. Seguem os políticos que, na visão
de Repórter Tempo, fecharam o ano como os vitoriosos e os perdedores na mais
diferenciada guerra pelo poder dos tempos recentes no Maranhão.
Quem ganhou
Flávio Dino
(PSB): Saiu das urnas como senador eleito e termina o ano como futuro ministro
da Justiça e Segurança Pública. Salvo o ex-presidente José Sarney, não há na
História recente do Maranhão um político com a sua estatura, que tenha construído,
sem a mão de um padrinho, uma liderança tão abrangente e tão sólida. O ano que
termina encerra um ciclo de oito anos em que comandou diretamente o Estado,
liderando uma aliança partidária que só foi quebrada com a saída do PDT, mas
que em nada afetou a base política cujo comando repassou agora ao governador Carlos
Brandão. Os mais de dois milhões de votos que recebeu para o Senado o colocaram
no topo da lista dos campeões de votos no Maranhão. E caminha para ser um dos
nomes mais destacados da equipe do presidente Lula da Silva.
Carlos
Brandão (PSB): As urnas o colocaram no patamar mais alto do prestígio político
ao reelege-lo em turno único. Desde abril, o discreto vice assumiu a titularidade
do Governo, e logo nos primeiros atos mostrou que tem personalidade política
forte, que sabe onde está pisando, que conhece o ofício que vai exercer na
cadeira principal do Palácio dos Leões. Com eleição incontestável, e sem uma
sombra que coloque em risco a estabilidade do grupo que lidera, chega ao topo
da carreira reeleito, e sem o desafio de se reeleger daqui a quatro anos. Fecha
o ano se preparando para comandar o seu próprio Governo, que começa no primeiro
dia de janeiro.
Felipe Camarão
(PT): Um dos quadros mais qualificados da sua geração, desembarcou na seara
política se lançando pré-candidato do PT a governador. Mudou o curso ao ganhar
a disputada vaga de candidato a vice na chapa da aliança PT/PSB. Eleito, chega
ao final de 2022 se preparando para assumir, certo de que será governador a
partir de abril de 2026, e nessa condição, candidato à reeleição, com chance
real de repetir o feito do atual chefe de Estado.
Othelino
Neto (PCdoB): Reeleito deputado estadual como o segundo mais votado, o
presidente da Assembleia Legislativa chega ao final de 2022 mergulhado numa
disputa em que tenta eleger-se para mais um mandato presidencial. A possibilidade
de não vencer essa queda-de-braço vem passando a falsa ideia de que, não conseguindo,
entrará para o time dos perdedores. Errado. Basta fazer contas e mensurar o
reforço político que ganha com sua esposa, a vice-prefeita de Pinheiro Ana
Paula Lobato (PSB), se tornando senadora da República na vaga do senador eleito
Flávio Dino.
Os deputados
reeleitos Roberto Costa (MDB), Arnaldo Melo (PP), Glaubert Cutrim (PDT), Ana do
Gás (PCdoB), Antônio Pereira (PSB), Rafael Leitoa (PSB), Ariston Gonçalo (PSB),
Daniella Jadão (PSB), Wellington do Curso (PSC), Andreia Rezende (PSB), Mical
Damasceno (PSD), Neto Evangelista (União Brasil), Paulo Neto (PSB), Ricardo
Rios (PSB), Rildo Amaral (PSD) e Yglésio Moises (PSB). E os deputados eleitos
Iracema Vale (PSB), Carlos Lula (PSB), Cláudia Coutinho (PDT), Abigail (PL),
Aluízio Santos (PL), Claudio Cunha (PL), Davi Brandão (PSB), Dra. Viviane
(PSB), Edna Silva (Patriotas), Eric Costa (PSD), Fabiana Vilar (PL), Fernando
Braide (PSC), Florêncio Neto (PSB, Francisco Nagib (PSB), Guilherme Paz
(Patriotas), Hemetério Weba (PSB), Janaína Ramos (Republicanos), Júlio Mendonça
(PCdoB), Júnior Cascaria (Podemos), Júnior Graça (PP), Juscelino Marreca
(Patriotas), Leandro Bello (Podemos), Osmar Filho (PDT), Ricardo Arruda (MDB), Rodrigo
Lago (PCdoB) e Solange Almeida (PL).
Os deputados
federais reeleitos Márcio Jerry (PCdoB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Rubens
Jr. (PT), André Fufuca (PP), Marreca Filho (Patriota), Júnior Lourenço (PL),
Pedro Lucas Fernandes (UB), Juscelino Filho (UB), Josivaldo JP (PSD), Aluísio
Mendes (PSC), Cléber Verde (Republicanos) e Pastor Gil (PL). E os deputados
federais eleitos: Detinha (PL), Duarte Jr. (PSB), Amanda Gentil (Republicanos),
Roseana Sarney (MDB) e Fábio Macedo (Podemos).
Núcleo Duro
do Governo – Sebastião Madeira (Casa Civil), José Reinaldo (Programas
Especiais) e Luís Fernando Silva: com a ascensão de Carlos Brandão ao Governo
do Estado, os três secretários se tornaram os principais assessores e conselheiros
do governador. Sebastião Madeira com a experiência de dois mandatos de prefeito
de Imperatriz e quatro mandatos de deputado federal, é um político tarimbado e
que está em plena forma. José Reinaldo tem décadas de praia com passagem por
órgãos relevantes, incluindo a Sudene e o Ministério dos Transportes, tendo
sido deputado federal e alcançado o Governo do Estado com reeleição. Luís
Fernando Silva é técnico de excelência, foi secretário várias vezes e político com
dois mandatos de prefeito de São José de Ribamar. Sob a coordenação de Sebastião
Madeira, garantiram o funcionamento do Governo no afastamento do governador
Carlos Brandão, durante a pré-campanha. Foram chamados de ultrapassados pelo
senador Weverton Rocha e responderam com a vitória acachapante de Carlos Brandão.
Lahesio
Bonfim (PSC): ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, um pequeno município da
região sul do estado, o médico Lahesio Bonfim saiu derrotado nas eleições, mas
sua participação na disputa foi tão expressiva, que ele bateu o candidato do
PDT, Weverton Rocha, e chegou em segundo lugar. Não se elegeu, mas saiu das
urnas muitas vezes mais forte do que entrou.
Iracema Vale
(PSB): ex-prefeita de Urbanos Santos, onde fez uma gestão arrojada, ganhou projeção
regional. Candidata a deputada estadual, fez sua campanha associada à
candidatura do governador Carlos Brandão à reeleição, saiu das urnas como
campeã de votos para a Assembleia Legislativa, com mais de 100 mil votos. Antes
de ser diplomada foi lançada candidata à presidência da Assembleia Legislativa
com o apoio do governador Caros brandão, sendo apontada até aqui como franca
favorita.
Ivo Resende
(PSB): um dos quadros atuantes da novíssima geração de políticos maranhenses, o
prefeito de São Mateus saiu de uma posição discreta para o epicentro do
tabuleiro político estadual ao se eleger, por aclamação, presidente da
Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).
Quem perdeu
Roberto
Rocha (PTB): No próximo dia 31 de fevereiro, o senador Roberto Rocha, terá
encerrado, de maneira inclemente, um ciclo trágico da sua trajetória política.
Sairá sem mandato, sem aliados no poder e sem perspectiva a curto prazo. Seus
oito anos no Senado foram politicamente espantosos: em pouco tempo rompeu com o
grupo de centro-esquerda que o elegeu, permaneceu algum tempo numa zona cinzenta,
e em seguida se converteu ao bolsonarismo, tornando-se um dos seus mais ardorosos
propagadores. Empolgado, avaliou que podia medir forças com Flávio Dino na disputa
para o Governo. Foi massacrado. Em vez de repensar, mergulhou ainda mais na
militância bolsonarista, e de novo achou que poderia peitar Flávio Dino na disputa
para o Senado. Foi de novo trucidado. A partir de fevereiro, seu único vínculo
com a política será sua filiação do PTB, um partido que já teve dignidade, mas
que hoje representa a direita raivosa e sem futuro. Fecha 2022 como o maior
perdedor da política maranhense.
Weverton
Rocha: Poucos políticos tombaram tão feio quanto o senador e presidente do PDT
no Maranhão. O ambicioso e arrojado projeto de poder que concebeu
minuciosamente a partir da sua eleição de senador em 2018 para chegar ao
Palácio dos Leões em 2022 revelou-se um equívoco monumental. Tentou impor sua
candidatura à aliança liderada pelo então governador Flávio Dino, que optou
pela candidatura do vice Carlos Brandão. Inconformado, avaliou que tinha cacife
para uma carreira solo, rompendo com o grupo. Foi para o confronto, aliou-se ao
bolsonarismo, apoiou Roberto Rocha para o Senado e acabou impiedosamente surrado
pelas urnas. Fecha o ano apostando que vai se recompor nas asas do Governo Lula
da Silva. Tem chance de se realinhar.
Edivaldo
Holanda Jr. (sem partido): O ex-prefeito de São Luís chega ao final de 2022 vitimado
por um inexplicável erro de avaliação. Diante das evidências de que não teria a
menor chance de sucesso, se lançou na corrida ao Palácio dos Leões com dois objetivos:
ser governador na base do “vai que cola” e fazer pré-campanha para a Prefeitura
da Capital em 2024. Não passou bem perto dos Leões e descobriu que suas chances
numa disputa com o prefeito Eduardo Braide (PSD) e com o deputado federal
Duarte Jr. (PSB) são quase inexistentes. Perdeu boa chance de ser deputado
federal e ficou sem rumo.
Deputados
estaduais que não se reelegeram: Adriano Sarney (PV), Marco Aurélio (PSB), Helena
Duailibe (PSD), Zé Inácio (PT), Pastor Cavalcante (PTB), Wendell Lages (PV), Socorro
Waquim (PP), Vinícius Louro (PL), Pará Figueiredo (PL), Fábio Braga
(Solidariedade), Edivaldo Holanda (PSD), Edson Araújo (PSB), Thaíza Hortegal
(PDT), Leonardo Sá (PP), Ciro Neto (PDT), César Pires (PSD), Betel Gomes (MDB)
e Adelmo Soares (PCdoB).
Os deputados
federais que não se reelegeram: Gil Cutrim (Republicanos), Edilázio Jr. (PSD), Hildo
Rocha (MDB), João Marcelo (MDB), Bira do Pindaré (PSB) e Zé Carlos (PT).
Lobão Filho
(MDB): Há quem diga que ele se lançou, mas não se esforçou. Há também quem diga
que ele não soube usar o capital político do pai, o ex-senador Edison Lobão
(MDB). E há finalmente os que avaliam que política não é sua praia. O fato é
que o ex-suplente de senador, que exerceu o mandato por bom tempo, amargou um
tremendo fracasso nas urnas na tentativa de se eleger deputado federal. Não
chegou a 15 mil votos, quando a expectativa era a de que saísse das urnas com
pelo menos 100 mil votos.
Erlânio
Xavier (PDT): até julho se movimentando como o todo-poderoso prefeito de
Igarapé Grande, presidente da Famem, secretário geral do PDT e homem-forte da
campanha do senador Weverton Rocha, Erlânio Xavier viu seu mundo se desmanchar
no dia 1º com a humilhante derrota sofrida pelo seu candidato. Tentou minimizar
o naufrágio fazendo campanha para o presidente Jair Bolsonaro no 2º torno, mas
afundou ainda mais. Fecha o ano apenas como prefeito de Igarapé Grande, onde
enfrenta problemas.
Roseana
Sarney (MDB): O fato de ter sido eleita deputada federal lhe deu uma vitória
eleitoral, isso ninguém discute. Mas ao se avaliar o contexto dessa eleição, a
conclusão é óbvia: a política Roseana Sarney não é nem de longe a líder política
eleitoralmente poderosa que governou o Maranhão por quase 14 anos. Quando se
candidatou, a avaliação que fazia era ade que sairia das urnas com pelo menos
250 mil votos, atuando como “puxadora” de outros candidatos do partido, como os
dois que não se reelegeram. O MDB esperava pelo menos três maranhenses, mas ela
chegará sozinha.
Simplício
Araújo (Solidariedade): Candidato a governador, quando poderia ter disputado a
Câmara Federal, o ex-secretário de Indústria, Comércio e Energia atuou como um
político pouco inteligente e muito ingênuo. Poderia ter se mantido alinhado ao
grupo, mas preferiu insistir no erro e termina o ano praticamente varrido da
política.
O bolsonarismo
fracassou no Maranhão. Seus candidatos foram, em larga maioria, esnobados
ostensivamente pelo eleitorado. Vários dos que sobreviveram estão a caminho de
se reposicionar no cenário estadual.
PONTO & CONTRAPONTO
Vitória
A volta
improvável, mas espetacular do ex-presidente Lula da Silva (PT) à presidência
da República depois de vitimado por um processo fraudalento, que lhe impôs uma
prisão injusta de 580 dias. A vitória se deu com uma campanha limpa, sem os
bilhões dos cofres públicos e com um discurso franco, sem mentiras. Na corrida às
urnas, os maranhenses lhe deram mais uma vez votações superlativas nos dois
turnos.
Derrota
A derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) aconteceu, mesmo tendo usado o aparelho de Estado e a insana máquina de produção de mentiras e da pregação ostensiva do ódio, transformando cidadãos ingênuos em massa de manobra. Ele conseguiu dividir o País, mas foi mandado embora, correndo o sério risco de parar na cadeia tão logo retorne das suas férias em Miami, paraíso onde se refugiam muitos malandros brasileiros.
Os 42 deputados que fizeram o dever de casa e uma boa legislatura, apesar da pandemia
Na semana passada, a Coluna registrou que a
Assembleia Legislativa, na atual legislatura, que termina em 31 de janeiro de
2023, fez o seu dever de casa e a parte que lhe coube na vida do Maranhão, em especial
durante os dois anos em que o estado foi duramente atingido pela pandemia do
novo coronavírus. Não foi um parlamento com tribunos geniais nem líderes
excepcionais, mas foi um Poder Legislativo atuante, presente, atento e
produtivo. E a confirmação desses qualificativos está no Relatório de
Atividades do Poder Legislativo maranhense relativo a 2022, um ano considerado
atípico por causa das eleições, mas cujo resultado foi o seguinte: oito mil
proposições, entre projetos de emenda à Constituição, projetos de lei, projetos
de decreto legislativo, emendas, indicações e moções, além de outras atividades
formais, relativas ao período de 3 de fevereiro a 22 de dezembro.
O resultado foi um recorde, que ultrapassou o
recorde histórico do exercício de 2021. O relatório informa que foram
realizadas 116 sessões ordinárias e 9 extraordinárias no período de 3 de
fevereiro a 22 de dezembro. Foram apresentadas 7.989 indicações, 513
requerimentos, 32 moções, duas Propostas de Emenda Constitucional (PEC), 455
Projetos de Lei Ordinária, 101 Projetos de Resolução Legislativa, um Projeto de
Decreto Legislativo e um Projeto de Lei Complementar. O relatório registra também o trabalho realizado pelas
comissões permanentes da Casa, com destaque para a Comissão de Constituição,
Justiça e Cidadania (CCJ), que realizou 21 reuniões ordinárias e 30 extraordinárias,
apreciando 753 proposições.
No conjunto das proposições avaliadas e
submetidas ao crivo do plenário do Poder Legislativo do Maranhão em 2022, a
maior parte foi emanada do Poder Executivo, com 77 proposições, entre Medidas
Provisórias, Projetos de Lei Ordinária e Projetos de Lei Complementar, enquanto
o Poder Judiciário protocolou 17 proposições, entre elas, regras que reforçaram
a luta contra a pandemia, e as que reduziram o valor da alíquota de ICMS sobre
combustíveis. Além dos Poderes, o Ministério Público Estadual formulou uma
proposição, o Tribunal de Contas do Estado propôs três, e Defensoria Pública, quatro.
Todas as demais foram iniciativas dos deputados, tendo alguns deles superado expectativas.
“Isso é fruto do trabalho dos 42 deputados e
de todos os servidores da Casa. É uma demonstração do compromisso do
Poder Legislativo Estadual com o desenvolvimento do Maranhão”, disse o deputado-presidente
Othelino Neto (PCdoB), ao apresentar os números. Responsável prela dinâmica que
levou a esse resultado, o presidente destacou que a Assembleia Legislativa “cumpriu
fielmente” suas responsabilidades durante essa legislatura que transcorreu sob
sua presidência. “Os dados do relatório falam por si só e comprovam a
intensidade do trabalho desenvolvido pelos 42 parlamentares”, frisou, com o
cuidado inteligente de apontar a produtividade como uma obra coletiva, sem
destaques individuais.
Chama a atenção o fato de um recorde ser batido por uma
Casa Legislativa em ano eleitoral, portanto em fim de mandato. A tradição
registra quase sempre que no último ano de uma legislatura, por conta da campanha
eleitoral, é comum queda da produtividade legislativa, com a diminuição do
número de sessões, uma vez que as pautas costumam ser mais folgadas. O Relatório
de Atividades do Poder Legislativo maranhense mostra que em 2022, por tradição um
ano atípico por causa da corrida eleitoral, aconteceu o contrário. Os deputados
trabalharam mais do que o “normal” para um ano eleitoral. Outro aspecto a ser registrado
é que a produção mais recente teve a participação de deputados que não se reelegeram,
mas que têm consciência de que o mandato ainda não acabou e eles continuarão
representantes do povo até o fim da legislatura, no último dia de janeiro.
Um bom exemplo para ser registrado.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão vai montar equipe no ritmo da montagem do Governo Lula
Carlos Brandão só vai concluir a montagem do seu Governo em fevereiro ou em março
O governador Carlos Brandão (PSB) vai instalar no dia 1º
de janeiro de 2023 o Governo para o qual foi eleito. Mas a composição desse
Governo só estará definida entre fevereiro e março. É que até lá, o governador
vai montar sua equipe no ritmo que Governo Lula da Silva (PT) montar a dele. Um
exemplo: se o deputado federal Bira do Pindaré, que presidente do PSB, mas não
se reelegeu, não for convocado para um cargo federal, é quase certo que ele
será convidado para ser secretário. O mesmo deve acontecer com o deputado
federal não reeleito Zé Carlos (PT), que tem estatura para assumir cargos de
peso na máquina federal. Nesse contexto estão, por exemplo, o deputado estadual
não reeleito Marco Aurélio (PSB), um quadro de peso, e o ex-secretário de
Infraestrutura Clayton Noleto, que tentou sem sucesso uma cadeira na Câmara
Federal pelo PCdoB.
Daí a preocupação do governador Carlos Brandão de não
acelerar a montagem da sua equipe antes de fevereiro.
Maranhãozinho arma estratégia para não naufragar com o PL
Josimar de Maranhãozinho
O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefe maior
do PL no Maranhão, está montando cuidadosamente a estratégia de criar condições
para a sua sobrevivência política. Grosso modo, ele pretende seguir, à sua
maneira, a orientação do chefão nacional do partido, o notório Waldemar Costa
Neto, atuando como oposição ao Governo Lula na Câmara Federal, e no plano
estadual oferecer ao governador Carlos Brandão o apoio do PL na Assembleia
Legislativa. Tarimbado nesse jogo, Josimar de Maranhãozinho sabe que, sob a
influência do ex-presidente Jair Bolsonaro, o castelo construído pelo PL nas
eleições, pode desmoronar, como aconteceu com o PSL, partido pelo qual Jair
Bolsonaro se elegeu em 2018 e que se esfacelou pouco mais de um ano depois. Josimar
de Maranhãozinho certamente não quer ser vítima do naufrágio.
Flávio Dino avisa que regras constitucionais serão usadas contra sabotadores da democracia
O senador
eleito Flávio Dino (PSB) é, de longe, o mais destacado membro da equipe
escolhida até aqui pelo presidente eleito Lula da Silva (PT) para compor seu
ministério. Começa com o fato de ser ele, sem favor, um dos quadros mais bem
preparados do futuro Governo e, mais ainda, pelo fato de que será o ministro da
Justiça e Segurança Pública, pasta em cujo comando terá o desafio de recolocar
o Brasil nos trilhos da legalidade institucional e do estado democrático de
direito, duramente atingido pelo viés autoritário e antidemocrático do
presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa posição, extremamente sensível, levou-o ao
epicentro da movimentação política do País, onde as tensões estão concentradas,
eclodindo aqui e ali, impondo-lhe um protagonismo justificado, mas com poder de
o expor intensamente, sujeito a manifestações de apoio e, como não poderia
deixar de ser, às reações críticas dos adversários. Quando aceitou a missão,
abrindo mão da sua cadeira de senador, o ex-governador do Maranhão sabia que
enfrentaria afagos e pancadas, mas sua consciência política maiúscula sabe
valorizar o que é bom e minimizar o que é ruim nesse campo de guerra.
Mas o que há
de concreto e verdadeiro nesse momento é que o futuro ministro da Justiça e
Segurança Pública está, informal mas efetivamente, preenchendo um enorme vazio
de poder causado pela ostensiva e afrontosa omissão do presidente Jair
Bolsonaro e do atual ministro da Justiça, Anderson Torres, em relação ao que
vem acontecendo no Brasil, especialmente em Brasília, na contagem regressiva
para o fim da “era Bolsonaro” e a posse do terceiro Governo do presidente Lula
da Silva. Fatos como o vandalismo praticado por bolsonaristas na Capital da
República tendo como pretexto a prisão de um cacique xavante fajuta, financiado
por madeireiros e fazendeiros bolsonaristas, e a descoberta dos preparativos para
um ataque terrorista, também na Capital, gestado em grupos acampados em frente
ao quartel general das Forças Armadas, com o objetivo de criar o caos e motivar
a decretação do estado de sítio, ao que se seguiria um golpe militar, falam por
si.
Diante da omissão
do ainda presidente da República e do ainda ministro da Justiça, evidenciada
pelo comportamento nada republicano da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária
Federal, o futuro ministro da Justiça não poderia se omitir, mesmo não tendo
ainda responsabilidade formal. Flávio Dino nada fez até agora além de denunciar
os fatos, criticá-los e chamar a atenção da sociedade brasileira para o estado
calamitoso em que Jair Bolsonaro e seu governo estão deixando o País. Além
disso, com a autoridade de ex-juiz federal e de ex-governador de Estado, o que
lhe dá profundo conhecimento das leis em vigor e das obrigações das instituições
policiais, tem mostrado, didaticamente, os crimes contra a ordem pública e
contra a Constituição que estão sendo praticados por apoiadores do ainda
presidente da República, e às penas da lei a que estão sujeitos.
Quando avisa
que tais crimes não ficarão impunes, o futuro ministro da Justiça manda um
recado muito claro: o Brasil não é terra de ninguém, dominada por milícias
armadas, formadas por radicais assumidamente golpistas, que agem com o
incentivo do presidente Jair Bolsonaro, e que podem atuar fora da lei,
quebrando a ordem pública com a certeza de que não serão punidas. E não há como
ser diferente. A Constituição da República Federativa do Brasil é clara: aquele
que a afronta e a desrespeita tem de ser tirado de circulação, colocado no
banco dos réus, receber um julgamento justo e, se for o caso, ser mandado para
a cadeia. Se essas regras não forem cumpridas, o Brasil corre o risco de
mergulhar no caos político.
Em resumo: o
senador eleito Flávio Dino, futuro ministro da Justiça, vem fazendo tudo certo,
até aqui não tropeçou numa só vírgula, exatamente porque conhece as regras. E
quem o conhece sabe que ele fará, ou tentará fazer, tudo o que prenunciou até
agora. Não surpreende, portanto, que seja apoiado por quem quer o País nos
trilhos e criticado pelos que o querem fora deles.
PONTO & CONTRAPONTO
Braide sabe o que faz na queda de braços com a Câmara por causa do Orçamento
Eduardo Braide: conhece as regras do jogo no embate com vereadores
Não é uma situação confortável, mas a decisão, quase obsessiva, de parte expressiva das Câmara Municipal de alterar amplamente o Projeto Orçamentário para 2023, criando situação de quase impasse com o Palácio de la Ravardière, não está tirando o sono do prefeito Eduardo Braide (PSD). Há, de fato, um curioso descompasso na relação do prefeito de São Luís com os vereadores, mas isso, apesar da chateação que causa aqui e ali, não tem alterado a rotina de trabalho e a execução do programa de obras da Prefeitura. E a razão é simples: o prefeito Eduardo Braide sabe tudo de direito público, tem o hábito de estudar em profundidade as situações em que se envolve, e não dá um passo sem que tenha a exata noção de até onde pode ir. Mostrou isso quando deputado estadual, líder do primeiro Governo Flávio Dino, quando dominou a cena no enfrentamento a oposicionistas tarimbados. Agora, bem mais maduro, enfrentando quase uma crise institucional, não evidencia um só traço de preocupação. Sabe que a encrenca é política, no fundo estimulada pela falta do toma-lá-dá-cá. Tem suporte legal e forças política para segurar a onda, mas sabe também que terá de fazer algumas concessões para trazer a Câmara Municipal para o plano das boas relações. Pelo menos até a posse do novo presidente da Casa, vereador Paulo Victor (PCdoB), adversário de proa e pré-candidato assumido à Prefeitura de São Luís em 2024.
Zé Carlos, Zé Inácio e Bira do Pindaré devem assumir cargos federais no Maranhão
Não reeleitos, Zé Carlos, Bira do Pindaré e Zé Inácio devem ocupar cargos no Governo Lula
Alguns nomes da aliança PT/PSB que não renovaram mandatos parlamentares já estariam no caderno do presidente eleito Lula da Silva para ocupar cargos do braço da máquina administrativa federal no Maranhão ou no pleno federal mesmo. Três deles serão convocados tão logo o novo Governo central começar a preencher esses cargos, provavelmente a partir de março. Um deles é o ainda deputado federal Zé Carlos Araújo (PT), que durante muitos anos comandou a área de habitação da Caixa no Maranhão e é por muito considerado um quadro de excelência técnica. Deve ser convocado pelo novo Governo o ainda deputado federal Bira do Pindaré, presidente do PSB, que é advogado e funcionário da Caixa, com ampla militância sindical e que respondeu pela Delegacia Regional do Trabalho no segundo Governo Lula. E, finalmente, o ainda deputado estadual Zé Inácio Lula, que é advogado e atuou no braço regional do Incra nos primeiros Governos do PT. Nos bastidores corre a certeza de que os três serão convocados.
Momentos distintos dos rituais praticados pelo povo Canela, na aldeia Porquinho, em Fernando Falcão
No momento em que a questão indígena volta a ser tratada
com seriedade no Brasil, a ponto de ganhar um ministério (Povos Originários) no
futuro Governo do presidente Lula da Silva (PT), a TV Assembleia, pertencente à
Assembleia Legislativa do Maranhão, dá uma contribuição valiosa e sem
precedentes nesse campo, com a série documental “Nações Indígenas”, que
registra a existência das sete nações indígenas que representam os povos que
habitam no território maranhense. O primeiro programa da série foi ao ar na
quinta-feira (22), pela emissora do Poder Legislativo e no YouTube e mostra
como vive o povo Canela Apanyekrá, cuja terra fica dentro do território do
município de Fernando Falcão, na região central do Maranhão. A série “Nações
Indígenas” mostrará também a realidade das nações
Krikati, Gavião, Krenyê, Kaapor, Gamela e Guajajara, que reúnem cerca de 40 mil
índios, segundo o mais recente levantamento do IBGE. E a julgar pelo primeiro
programa, a série documental certamente ganhará o mundo, porque a civilização
precisa tomar conhecimento da sua existência.
Com 15 minutos de duração, “Canela
Apanyekrá” é um mergulho profundo e revelador nas entranhas da aldeia “Porquinho”,
na região leste de Fernando Falcão. Ali, lideradas por chefes e anciãos, algumas
dezenas de famílias canela tentam salvar a língua, a espiritualidade, as bases
culturais ancestrais, como a religião, a medicina, a pesca, a agricultura e, sobretudo
a sua traumática e nada produtiva relação com a civilização. São imagens e
relatos reveladores de uma clara situação de risco em todos os sentidos que ela
guarda. São ao mesmo tempo estimulantes no sentido de que quem as vê passa a
compreender melhor a existência desses povos e os riscos a que estão
submetidos.
Com o viés jornalístico realizado pela
experiente e competente jornalista Elda Borges, que contou com a contribuição
esclarecedora do antropólogo Adalberto Rizzo, e com imagens impressionantes do
tarimbado cinegrafista Rubenilson Lima e Dney Justino, “Canela Apanyekrá”, que
significa “povo indígena da piranha”, é um testemunho rico e definitivo sobre
esse povo originário, que em 1913 foi vítima de uma chacina na qual capangas de
fazendeiros mataram 150 indígenas da aldeia “Porquinho”. Graças ao roteiro
idealizado pela competente jornalista Márcia Coimbra, o documentário exibe o
relato chocante da matança de homens, mulheres, anciãos e crianças, que ficou
conhecida como “Massacre dos Chinelas”, feito pelo indígena Daniel Canela,
exatamente no local onde tudo aconteceu, conforme a narração do experiente jornalista
Rosalvo Júnior.
Outro momento especial do primeiro
programa da série documental “Nações Indígenas” é a quase desesperada
preocupação manifestada por um dos líderes quanto ao risco de que a língua, a cultura
canela, especialmente a música, correm de desaparecer por completo diante da
falta de interesse das novas gerações.
O registro documental mostra também,
apesar de ser patriarcal, nas qual os homens decidem, as mulheres têm papel
relevante além no contexto cultural dos canela. Existem festas e rituais que
são exclusivos da banda feminina da comunidade, que não permitem a presença de
homens, exceto os chefe, curandeiros, anciãos, cantadores e tocadores de maracá,
o instrumento sagrado usado pelos canela em todas as manifestações. Elas são o
esteio dessa sociedade primitiva, que cultiva uma visão de mundo exatamente
como imaginaram seus ancestrais. Tudo é autêntico e original na peça de
registro idealizada pelo experiente diretor de Comunicação da Assembleia
Legislativa, jornalista Edwin Jinkings. “Mais uma exímia produção da TV
Assembleia, que visitou aldeias, ouviu indígenas e conversou com estudiosos da
antropologia. O resultado é um dos registros documentais mais completos já
feitos sobre esses povos historicamente tão importantes para o Maranhão. Um
trabalho que deve ser visto por todos”, declarou Edwin Jinkings, com toda
razão.
Se o leitor ainda não assistiu ao
primeiro programa da série documental “Nações Indígenas”, procure no YouTube e
assista. Vale a pena em todos os aspectos.
PONTO & CONTRAPONTO
Disputa na Assembleia continuará indefinida até a chegada do Ano Novo
Iracema Vale e Othelino Neto: disputa pelo comando do Legislativo será resolvida em 2023
Tudo indica que até a posse do novo
Governo, no dia 1º de janeiro, não haverá batida de martelo em relação à
presidência da Assembleia Legislativa. Nos bastidores, corre a especulação de
que a candidatura da deputada eleita Iracema vale (PSB) é fato consumado e
irreversível. Corre também que o presidente do Poder Legislativo, deputado
Othelino Neto (PCdoB), não fechou qualquer acordo para retirar sua candidatura,
o que significa dizer que ele está na corrida por um novo mandato presidencial.
Fala-se também no surgimento de uma terceira candidatura, mas até ontem ninguém
se manifestou nesse sentido.
Natal
A Coluna deseja um Feliz Natal aos seus leitores, às suas fontes aos protagonistas deste espaço e a todos maranhenses, em especial os democratas.
Othelino Neto comandou a Assembleia Legislativa na difícil fase da pandemia da Covid-19
Com a aprovação do Orçamento do Estado para
2023, que prevê uma receita de R$ 25,7 bilhões, e de uma PEC que amplia o leque
de atividades que poderá um deputado exercer dentro e fora do Maranhão sem correr
o risco de perder o mandato, a atual Assembleia Legislativa, comandada pelo
deputado Othelino Neto (PCdoB), encerrou ontem suas atividades. Se não surgir a
necessidade de uma convocação extraordinária, os atuais deputados estaduais só
voltarão a se reunir em 1º de janeiro, para dar posse ao governador Carlos
Brandão (PSB) para novo mandato, como manda a regra, para em seguida entrarem
de férias até o término dos seus mandatos, no dia 31 de janeiro. Até aqui,
transcorreram 46 meses e 22 dias de uma das legislaturas (21ª) mais difíceis da
História recente do parlamento estadual, marcada, principalmente, pela pandemia
do novo coronavírus, que matou mais de 700 mil brasileiros, parte deles no
Maranhão. Nesse período, os 42 deputados fizeram a parte que lhes coube, o que,
independentemente do resultado das eleições deste ano, lhes dá autoridade para
fechar o ciclo com o sentimento do dever cumprido.
A Assembleia Legislativa que se despede das
sessões ordinárias e dos debates em plenário atuou forte nos planos legislativo
e político. No viés legislativo, os 42 deputados eleitos em 2018, uns mais,
outros menos, justificaram seus mandatos com uma produção legislativa, atacando
problemas nas mais diversas áreas, principalmente nas mais importantes, como
saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento social.
Foram emendas à Constituição, projetos de lei ordinárias e complementares, projetos
de decreto legislativo, indicações, moções, derrubada e manutenção de vetos,
que mantiveram em funcionamento a Comissão de Constituição e Justiça e as
diversas comissões técnicas e temáticas. Toda essa produção desaguou no
plenário, onde foram debatidas, votadas, sendo muitas matérias aprovadas, e
algumas rejeitadas. No campo institucional, a Assembleia Legislativa manteve um
relacionamento normal com o Poder Executivo, tendo o governador Flávio Dino
(PSB), e seu sucessor, Carlos Brandão (PSB), como parceiros, e com o Poder
Judiciário, com poucos registros de tensão ou descompasso.
Na seara política, o parlamento maranhense viveu
os últimos quatro anos sob a forte pressão dos movimentos antidemocráticos
fomentados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) e as tensões que essas forças
reacionárias causaram na tentativa insana e criminosa de desmontar o sistema
eleitoral brasileiro, visando abrir caminho para a instauração de um regime de
exceção no País. Vários foram os deputados, a começar pelo presidente Othelino Neto,
que abriram fogo contra a desestabilização do estado democrático de direito.
Essas tomadas de posição contribuíram para reforçar a resistência ao projeto
ditatorial, que foi desmoralizado com a realização de eleições limpas,
incontestáveis, pelo sistema eletrônico de votação, que vem fazendo da
democracia do Brasil uma referência em todo o planeta.
O maior desafio vencido pela atual Assembleia
Legislativa foi o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. Diante da
impossibilidade de funcionar normalmente, o parlamento maranhense deu um passo
pioneiro ao realizar sessões remotas, pelo sistema virtual, com os deputados
trabalhando de casa. O sistema durou mais de um ano, sendo que nesse período
todas as atividades foram realizadas, incluindo debates e votações. O
transtorno causado pela pandemia alcançou os servidores, mas medidas adequadas asseguraram
as atividades de apoio e o trabalho administrativo sem maiores prejuízos para a
instituição. Com as devidas cautelas, o presidente Othelino Neto cumpriu o
roteiro anual da Assembleia Legislativa itinerante, levando o parlamento ao
interior, instalando-o em cidades-polo das regiões do Maranhão.
Politicamente mesclada e sob a presidência
equilibrada do deputado Othelino Neto e composta de parlamentares de centro,
centro-esquerda, centro-direita e uns poucos assumidos como militantes da
direita radical, a Assembleia Legislativa agora em fim de mandato conseguiu
trabalhar a contento. Tanto que 17 dos seus atuais integrantes, a começar pelo
presidente, tiveram seus mandatos renovados para a legislatura que será iniciada
em fevereiro.
PONTO & CONTRAPONTO
Orçamento do Estado prevê movimentação de R$ 25,7 bilhões em 2023
Carlos Brandão vai administrar um orçamento de R$ 25,7 bilhões no exercício de 2023, primeiro ano do seu próprio Governo
O Governo do Maranhão deverá dispor de R$ 25,7 bilhões para bancar suas despesas e fazer investimentos em 2023. Foi o que decidiu ontem a Assembleia Legislativa ao aprovar o Projeto de Lei Orçamentária 400/2022, proposto pelo Poder Executivo, que estima a receita e fixa a despesa do Estado do Maranhão para o exercício financeiro de 2023. A proposta orçamentária aprovada, que deve ser sancionada pelo governador Carlos Brandão, prevê uma receita total estimada em exatos R$ 25.717.493.400,00 (vinte e cinco bilhões, setecentos e dezessete milhões, quatrocentos e noventa e três mil e quatrocentos reais). De acordo com a proposta orçamentária, as áreas de Saúde e Educação, por exemplo, receberão, respectivamente, R$ 3.402.636.000 (três bilhões, quatrocentos e dois milhões e seiscentos e trinta e seis mil reais) e R$ 5.2 bilhões e 2,3 bilhões. Na avaliação de deputados com mais experiência, a proposta orçamentária apresentada pelo governador Carlos Brandão (PSB) e aprovada pelo parlamento estadual é realista
PEC amplia direitos para deputado que assumir cargo público sem perder mandato
Roberto Costa: mais direitos a deputados que exercerem funções públicas fora da AL
Chamou a atenção o Projeto de Emenda à
Constituição (PEC) aprovada ontem, na última sessão ordinária da atual
Assembleia Legislativa. Proposta, com o objetivo de mudar a redação do artigo
39 da Constituição do Estado, que trata dos direitos dos deputados estaduais no
que diz respeito ao exercício funções públicas sem o risco da perda de mandato.
O artigo 39 reza que não perderá o mandato o
deputado que assumir cargo de ministro de Estado, governador de Território, secretário
de Estado, do Distrito Federal, de Território, de Prefeitura de Capital, de interventor
municipal ou chefe de Missão Diplomática.
Proposta pelo deputado Roberto Costa (MDB), a
PEC aprovada ontem pela Assembleia Legislativa dá a seguinte redação ao artigo
39: “Não perderá o mandato os deputados investidos
no cargo de ministro de Estado, de secretário de Estado, do Distrito Federal, de
Território, de Prefeitura de Capital, de interventor municipal, chefe de missão
diplomática, secretário-executivo de Ministério ou equivalente, dirigente de
autarquia, fundação pública, agência, empresa pública ou sociedade de economia
mista ou administrador regional pertencente à Administração Pública Federal ou
Estadual”.
A iniciativa do parlamentar emedebista parece extemporânea, mas certamente não é. Em política, nada é feito sem uma razão forte. Isso significa dizer que o deputado Roberto Costa não propôs mudar a Constituição do Estado do Maranhão por um simples devaneio. Embalando sua iniciativa certamente tem um motivo forte, que virá à tona tão logo a nova Assembleia Legislativa assumir, no dia 1º de fevereiro.