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Brandão garante que relação com Dino é sólida e que suposta crise é só especulação

Carlos Brandão e Flávio Dino mantêm aliança firme no Maranhão

“Não tem nada disso, é só especulação”. Foi essa a reação do governador Carlos Brandão (PSB) ao ser indagado ontem, pela jornalista Carla Lima, do portal imirante.com, sobre como está a relação dele com o ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública). A especulação foi feita por alguns canais da blogosfera, baseada no fato de que o governador e o ministro não foram vistos juntos durante a festa carnavalesca. Ele explicou que não estava em São Luís na sexta-feira e que o ministro “não estava animado”, e que só não apareceram juntos porque ele preferiu ficar no camarote e em contato com os brincantes, e o ministro optou por brincar num trio-elétrico. O governador Carlos Brandão deixou claro que ele e o ministro Flávio Dino mantêm diálogo permanente e que se encontram sempre que é possível. “Nossa relação é excelente”, declarou o chefe do Executivo.

A relação que envolve o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino é hoje condicionada por uma série de aspectos. O mais importante deles é que primeiro comanda um Governo de Estado e trabalha em São Luís e o outro é um ministro de Estado e trabalha em Brasília. A não ser por alguns aspectos de natureza institucional e administrativa, as duas funções quase não têm pontos de ligação. E os que existem são alimentados de maneira institucional, que independe da relação pessoal entre o governador e o ministro. No 8 de Janeiro e seus desdobramentos, por exemplo, o governador do Maranhão deu todo o apoio ao seu alcance ao ministro da Justiça e Segurança Pública, incluindo declarações condenando a tentativa de golpe e mandando policiais militares para a formação de uma força antigolpe. Por sua vez, o ministro respaldou todas as iniciativas do governador no âmbito do Governo Federal, e vice-versa. Nada além disso poderia ter sido feito.

No campo político, não há nenhum motivo aparente, e provavelmente nem subterrâneo, para um afastamento entre o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino. Para começar, os dois pertencem ao mesmo partido, o PSB, que tem hoje um senador, um deputado federal, 11 deputados estaduais e uma penca de prefeitos. É absolutamente normal e previsível que eventuais diferenças venham à tona dentro do partido, que, vale anotar, é bem diversificado, com dois grupos que começam a ganhar corpo. Oriundo do PCdoB, Flávio Dino e boa parte do PSB têm uma visão mais à esquerda, mas com viés democrático. Nascido no PFL e forjado no PSDB, Carlos Brandão chegou ao PSB com um perfil de centro, e também com viés nitidamente democrático. As diferenças não atrapalharam a convivência de sete anos e três meses do governador Flávio Dino com o vice-governador Carlos Brandão; muito ao contrário, a relação foi absolutamente normal, sem qualquer tremor causado por visões diferenciadas. Nesse contexto, é claro que o Governo Brandão não será igual ao Governo Dino.

Com seu nome confirmado por uma reeleição acachapante, em um só turno, o governador Carlos Brandão vai realizar o Governo que achar que deve e pode, já tendo sinalizado que manterá e, se puder, ampliará, programas-chave do Governo Flávio Dino, como os restaurantes populares, as escolas dignas e a expansão hospitalar, por exemplo. Mas implantará programas que ele entende necessários, principalmente na área de geração de emprego e renda. Senador da República licenciado, o ministro Flávio Dino comanda a complexa e desafiadora pasta da Justiça e Segurança Pública com a sua visão de Estado e a sua competência institucional, tomando decisões difíceis para recolocar o Brasil na rota da legalidade e da democracia plena. Ambos estão habitando mundos completamente distinto. Não faria sentido um tentar interferir no trabalho do outro.

Independentemente de quem dela participe, relação política sempre produzirá ruídos. Mas no caso de Carlos Brandão e Flávio Dino, os ruídos ainda estão longe de virar tremores.  

PONTO & CONTRAPONTO

Equipe: Brandão anuncia permanência de quatro secretários

Conforme sinalizou durante o Carnaval, Brandão começou a anunciar, via Twitter, a composição da sua nova equipe.

O primeiro nome foi Luzia Waquim, confirmada como secretária-chefe de Gabinete, que vinha acumulando a Secretaria de Governo desde o final de dezembro, quando o então secretário Diego Galdino foi para o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Para quem não sabe, Luzia Waquim é fiel escudeira e dona da mais absoluta confiança do governador Carlos Brandão durante o período em que foi chefe da Casa Civil no Governo José Reinaldo Tavares (2003/2006), o auxiliou nos seus dois mandatos de deputado federal, e cuidou da sua agenda nos sete anos e três meses na Vice-Governadoria.

Na sequência, o governador anunciou a permanência de Tiago Fernandes na Secretaria de Saúde – pondo fim às especulações de que o agora deputado estadual Carlos Lula (PSB) retornaria ao cargo -, Murilo Andrade na Secretaria de Administração Penitenciária e Raul Mochel na Secretaria de Transparência e Controle. Os três secretários foram mantidos com base na avaliação de que estão dando conta do recado no comando dessas pastas, consideradas importantes.

De acordo com o anúncio no Twitter, estão mantidos o coronel Célio Roberto no Corpo de Bombeiros, Anderson Ferreira na presidência do Iterma e Marco Aurélio no comando da Caema.

Novos anúncios serão feitos a qualquer momento, de modo que toda a equipe esteja definida até 04 de março, quando o novo Governo será (re)empossado num grande ato em Imperatriz.

Carnaval de São Luís foi o maior e também o mais político dos últimos tempos

Paulo Victor e Eduardo Braide saíram destacados do Carnaval de São Luís

Parece não haver dúvida de que o Carnaval deste ano em São Luís foi o mais animado e reuniu o maior público nos seus quatro dias até aqui: 1 milhão de foliões – 0  equivalente à população inteira da Capital – passaram pelos circuitos da Litorânea e Beira-Mar durante os quatro dias de reinado de Momo bancados pelo Governo do Estado, e um número bem mais modesto, mas visível, algo em torno de 100 mil, curtiram a Praça da Saudade, o Largo do Caroçudo e as tradicionais ruas do circuito da Madre Deus, organizado pela Prefeitura de São Luís. Outra constatação: foi o Carnaval ludovicense com o mais vivo viés político dos últimos anos e cujos desdobramentos serão evidenciados na corrida ao Palácio de la Ravardière, daqui a 20 meses.

O governador Carlos Brandão (PSB) cumpriu integralmente a promessa de criar as condições para a realização de um Carnaval excepcional, depois da vitória da ciência e da sociedade sobre a Covid-19. O Governo, por meio das secretarias de Cultura, Turismo, Segurança Pública, e com apoio de praticamente todas as demais pastas, montou uma bem organizada estrutura, contratou boas atrações locais e nacionais, mandou a polícia para as ruas, com o suporte do Corpo de Bombeiros. E com a quase milagrosa ajuda de São Pedro, tudo funcionou dentro do previsto.

Por sua vez, o prefeito Eduardo Braide (PSD) fez a sua parte, concentrando seus recursos bem mais modestos na organização da Madre Deus e da Passarela do Samba. O circuito não atraiu multidões, mas justificou sua instalação. A Prefeitura cuidou bem da Passarela do Samba, assegurando uma boa estrutura para o desfile dos blocos tradicionais e das escolas de samba, que resultou num curioso empate entre a Flor do Samba e a Favela – desfecho da ausência da Turma do Quinto, é claro.

O reinado de Momo turbinou a pré-candidatura do presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PCdoB) – principal responsável pela organização do Carnaval bancado pelo Governo do Estado- à Prefeitura de São Luís, e consolidou o projeto do prefeito Eduardo Braide à reeleição.   

São Luís, 25 de Fevereiro de 2023.

Com força política e canais abertos em Brasília, Brandão monta agora novo Governo

Carlos Brandão com Aluísio Mercadante (BNDES): boa articulação no plano federal

Depois de uma posse marcada por simbolismos e de um mês de janeiro ao longo do qual estabeleceu o máximo possível de canais com o Governo do presidente Lula da Silva (PT) e assumiu posição firme e discurso duro contra a tentativa de golpe e em defesa da democracia, tendo em seguida mostrado força política no front interno, reforçado pessoalmente, em Paris, a candidatura dos Lençóis Maranhenses na Unesco e investido na realização de um dos maiores carnavais de todos os tempos, o governador Carlos Brandão (PSB) prepara a segunda e definitiva etapa do seu novo Governo. Politicamente forte e com prestígio elevado, o governador movimenta-se para montar a equipe que comandará nos próximos 38 meses e com a qual realizará o governo arrojado e realizador que prometeu durante a campanha. O ponto alto dessa agenda será a “segunda posse”, agora com a nova equipe, que realizará em Imperatriz, na semana que vem.

O governador Carlos Brandão está animado, chegando aqui e ali ao entusiasmo. Ele acha que o Maranhão está preparado para “dar um salto”, e exibe confiança de que esse salto ocorrerá no seu Governo. Acredita que a economia do estado vai acelerar o seu processo de expansão, podendo ser turbinada com diversos projetos em negociação, entre eles a retomada implantação da Refinaria Premium, iniciada em 2012, no segundo Governo Lula da Silva, e interrompida em 2015, depois demais de R$ 1 bilhão investidos no município de Bacabeira. Ele pretende acionar todos os mecanismos ao seu alcance para realizar uma política efetiva e bem-sucedida de geração de emprego e renda.

Carlos Brandão também aposta alto no avanço educacional no Maranhão, devendo por isso entregar a Secretaria de Educação ao vice-governador Felipe Camarão (PT), responsável pelo salto na área durante o Governo do hoje senador e ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino (PSB). E também na área de Saúde, com a expansão da malha hospitalar estado a dentro, com a implantação de 18 clínicas especializadas, principalmente no tratamento de idosos e do homem.  E avançar a passos largos no fortalecimento do Maranhão como polo turístico internacional, principalmente no chamado “eixo” São Luís-Região dos Lençóis, que é a escala maranhense da “Rota das Emoções”, principalmente com a região maranhense reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade.  

Potencial e vontade não faltam. Quanto aos recursos para bancar esses investimentos, o governador tem feito várias incursões em diversos ministérios. Mas sua aposta maior é o BNDES, no qual já iniciou conversas técnicas com o novo presidente do banco, o ex-ministro e ex-senador Aloizio Mercadante. Outro foco são investimentos externos, incluindo chineses, alguns dos quais já estão sendo negociados, como é o caso da implantação de um hotel de luxo na Praia Grande, em negociação com o Grupo Português Vila Galé.

Ao mesmo tempo, o governador Carlos Brandão se prepara para enfrentar uma série de desafio, entre eles desdobramentos de medidas do Governo Bolsonaro que impuseram perda de receita aos estados – caso da redução do ICMS sobre combustíveis, por exemplo, sem contrapartida, por exemplo. No front interno, vai enfrentar pressões de alguns segmentos, como os professores da rede estadual, que já realizam assembleias regionais com pauta que inclui deflagração movimento grevista por melhorias salariais.

Profundo conhecedor do potencial e dos problemas do Maranhão, bem como da máquina pública e suas entranhas, o governador Carlos Brandão vem sinalizando com clareza e convicção que, apesar das dificuldades, e elas são muitas, o seu Governo, com a equipe que está montando para anunciar nos próximos dias, vai cumprir as metas anunciadas. Para tanto, conta com um respeitável suporte político interno, com uma Assembleia Legislativa sem oposição, tem o aval da maior parte da bancada federal e parceiros no Palácio do Planalto e na Esplanada dos Ministérios.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão curtiu no camarote, Dino brincou no trio-elétrico

Carlos Brandão, com a primeira-dama Larissa Brandão, curtindo no camarote; Flávio Dino brincou no trio-elétrico de Flávia Bittencourt e Vanessa da Mata

O governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) curtiram a última noite da folia momesca no Circuito da Beira-Mar, onde se concentraram milhares e milhares de foliões numa animação contagiante. Mas tomaram rumos diferentes.

Mesmo tomado por visível animação, o governador diante da sua condição de responsável maior pela festa, preferiu assistir a tudo do camarote, de onde saiu algumas vezes para ter um contato mais direto com a massa brincante. Foi para casa satisfeito com o que viu e ouviu.

Seu o peso da responsabilidade direta pela festa, o ministro preferiu um roteiro mais livre. Percorreu o circuito Beira-Mar no trio-elétrico comandado por pela cantora maranhense Flávia Bitencourt e pela colega visitante Vanessa da Mata. Em estado de graça, apesar dos desafios que tem enfrentado, o ministro da Justiça e Segurança Pública curtiu a festa e cumprimentou o Governo e os organizadores pelo sucesso do Carnaval.

Antes de deixar a Beira-Mar, o governador Carlos Brandão prometeu que no ano que vem será melhor. Já o ministro Flávio Dino garantiu que estará de novo no circuito em fevereiro de 2024.

Senadores não participaram da festa momesca em São Luís

Weverton Rocha, Eliziane Gama e Ana Paula Lobato: longe do carnaval de São Luís

Os três senadores do Maranhão não foram vistos nas festas carnavalescas de São Luís.

O senador Weverton Rocha (PDT) não foi visto em nenhum dos circuitos carnavalescos de São Luís. No dia 20, Domingo Gordo, ele divulgou um vídeo lembrando ser aquele o Dia da Justiça Social e anunciou que usará seu mandato em 2023 para combater a fome e reduzir a pobreza no Brasil.

A senadora Eliziane Gama (PSD) fez como todos os anos no reinado de Momo: recolheu-se com a família em retiros organizados pela Assembleia de Deus.

A senadora Ana Paula Lobato (PSB) e o marido, deputado Othelino Neto (PCdoB), não informaram sua programação durante o Carnaval. O certo é que não participaram da festa em São Luís.

São Luís, 23 de Fevereiro de 2023.

Iracema retorna à Assembleia enriquecida pela experiência que viveu no comando dos Leões

Dois momentos de Iracema Vale, no Palácio dos Leões: com prefeitos liberando convênios, e com líderes evangélicos

Protagonista de um dos roteiros mais surpreendentes da política maranhense nos últimos tempos, a deputada Iracema Vale (PSB) viveu, em três semanas – o equivalente a cerca de 500 horas -, chega à Quarta-Feira de Cinzas com uma soma de experiências com as quais ela dificilmente deve ter sonhado no dia 1º de fevereiro, quando assumiu o mandato parlamentar. De lá para cá, ela chegou onde só alguns entre centenas de político chegou: foi a primeira mulher eleita presidente da Assembleia Legislativa e, pouco mais de uma semana depois, a segunda mulher a assumir o Governo do Estado. E mesmo levando em conta os dois mandatos de vereadora e dois mandatos de prefeita de Urbano Santos, nesse curto período de tempo como governadora em exercício do Maranhão, a deputada Iracema Vale vivenciou situações que certamente a levarão a fazer ajustes nos seus planos como chefe do Poder Legislativo no seu horizonte político.

No comando do Poder Legislativo, que assumiu no segundo dia de fevereiro, ela encarou na sua mesa todos os aspectos e dificuldades e todo o poder de mando de um chefe de uma instituição essencial e ativamente política. Ali, assumiu um amplo leque de responsabilidades, que vão da gestão administrativo-financeira, passam pela às vezes complicada aplicação do regimento parlamentar e chegam aos mais ostensivos movimentos da política partidária. Se por um lado tem as suas complexidades e os seus desafios internos – infraestrutura, pessoal, etc. –, por outro, a presidência do Poder Legislativo dá ao seu titular um enorme cacife político, que pode aumentar ou ser inibido dependendo da habilidade com que é usado. Até aqui, a presidente está no campo favorável.

Nos cinco dias que passou à frente do Governo do Estado – período em que o governador Carlos Brandão esteve fora do País -, Iracema Vale cumpriu uma agenda que lhe deu uma noção exata do que é trabalhar no gabinete principal do Palácio dos Leões. Logo após a posse, na terça-feira (14), ela – que é enfermeira por formação -, anunciou a liberação de R$ 4 milhões para o Hospital Aldenora Bello, recursos de emendas parlamentares (R$ 100 mil por deputado). Em seguida, acompanhou as providências ao seu alcance para garantir o reinado de Momo, despachou com a maioria dos secretários, inaugurou obras em São Luís, recebeu deputados estaduais e membros da bancada federal, e recepcionou dois ministros de Estado – Flávio Dino, da Justiça e Segurança Pública, e Márcio França, de Portos e Aeroportos, que fez vistorias técnicas no Porto do Itaqui e no Aeroporto do Tirirical. Manteve diálogo aberto e fácil com ambos os ministros, que são membros destacados do seu partido, o PSB.

A agenda da governadora em exercício Iracema Vale foi marcada também por um movimentado ato de assinatura de convênios do Governo do Estado com dezenas de prefeituras, numa ação articulada com a participação da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem). E exerceu a prerrogativa plena de chefe do Poder Executivo ao nomear Daniel Brandão conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Abrigando ainda uma audiência que reuniu dezenas de líderes evangélicos na sede do Governo, liderados pelas deputadas estaduais Mical Damasceno (PSD) e Ana do Gás (PCdoB), que culminou com um emblemático registro fotográfico em frente ao Palácio dos Leões. Na audiência com os líderes evangélicos, a governadora em exercício, que é católica praticante, reafirmou a posição do Governo de cultivar a boa convivência entre as religiões.

Foram dias sem folga, mas sem a preocupação em relação à Assembleia Legislativa, que esteve sob a presidência interina do 1º vice-presidente, deputado Rodrigo Lago (PCdoB). Durante o período de exercício no comando do Poder Executivo, a presidente do Poder Legislativo mediu e pesou cada gesto e cada decisão, deixando o Palácio dos Leões e retornando ao Palácio Manoel Beckman deixando no ar a impressão de que fez a sua parte de acordo com as regras institucionais e com o norte político do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Visões diferentes no eixo evangélico

Acima: Mical Damasceno mistura política com religião e exibe posição conservadora. Em =baixo: Ana do Gás tem partido de esquerda e posição mais amena

A visita do grupo de líderes evangélicos à então governadora em exercício Iracema Vale – que é católica convicta e praticante, mas favorável à liberdade religiosa -, mostrou claras diferenças política nessa seara pentecostal, E essas diferenças foram evidenciadas na visão e na postura das deputadas Mical Damasceno (PSD) e Ana do Gás (PCdoB).

Filha de líderes evangélicos conservadores, a deputada Mical Damasceno se identificou tanto com a linha pregada pela Assembleia de Deus, que ultrapassou os limites da religião em si e mergulhou no agitado e perigoso mar onde  a religião se mistura com a política, dando origem a uma confusa ideologia assumidamente conservadora.

A deputada Ana do Gás, por sua vez, se tornou evangélica em tempos recentes, ligada à Assembleia de Deus. Filiada ao Partido Comunista do Brasil, que sofre combate duro dos evangélicos ultraconservadores e de extrema-direita, Ana do Gás tem postura bem mais comedida, evitando misturar religião com política.

Duas posturas, duas visões de mundo e duas posições religiosas bem distintas.

Jornalismo perdeu Haroldo Silva e Silvan Alves

Haroldo Silva e Silvan Alves: dois desfalques no Jornalismo do Maranhão

O jornalismo maranhense perdeu, num intervalo de 72 horas, dois profissionais de expressão: Haroldo Silva e Silvan Alves.

Haroldo Silva partiu no dia 17, aos 85 anos, após construir longas e respeitáveis trajetórias como jornalista e radialista, reconhecido pelo seu ecletismo. Passou por todos os jornais de São Luís atuando com repórter e cronista nas áreas de política, polícia e esporte. No rádio, foi nome destacado por décadas, principalmente como comentarista esportivo. Foi servidor da Assembleia Legislativa, onde comandou a área de Comunicação.

Silvan Alves partiu no dia 20, aos 60 anos, vitimado por sequelas de um AVC sofrido há alguns meses. Profissional de excelência do rádio, com atuação destacada também na TV, Silvan Alves foi desde sempre um repórter na área policial, na qual se tornou uma referência pela informação de qualidade nessa área e pela eficiência como comunicador. Além do bom trabalho jornalístico, tornou-se também conhecido pelo seu estilo de atuação diferenciado, começando pelo fato de que só trabalhava de terno e gravata, exigência inicial da TV que se transformou numa marca.

Cada um a seu modo, ambos deram boas e efetivas contribuições ao Jornalismo do Maranhão.

São Luís, 22 de Fevereiro de 2023.

Fragilizado como oposição no estado, PDT já descartou ter candidato em São Luís

Weverton Rocha: depois do tombo eleitoral, movimento de reconstrução do es político

A menos que esteja em curso uma articulação subterrânea, mantida em sigilo absoluto, no sentido de recolocar o braço maranhense do PDT na aliança partidária que dá sustentação ao Governo do Maranhão, o partido comandado pelo senador Weverton Rocha continua emitindo fortes sinais de que vai se manter isolado, com cara de oposição. Isso mesmo estando enfraquecido, a ponto de já haver descartado lançar candidato à Prefeitura de São Luís, segundo o vereador Raimundo Penha, um dos aliados do senador na agremiação. Atualmente, apenas os quatro deputados estaduais do PDT – Glaubert Cutrim, Cláudia Coutinho, Osmar Filho e Dra. Viviane – estão declaradamente alinhados ao projeto político e administrativo do governador Carlos Brandão (PSB). Eles decidiram seguir caminho diferente do traçado pela direção partidária, o que não aconteceu com o único deputado federal do partido, Márcio Honaiser, que se mantém fiel à orientação do senador Weverton Rocha. E como não houve até agora um gesto definindo a posição do partido em relação ao Governo Carlos Brandão, o que prevalece no meio político e fora dele é que a fatia maranhense da bancada do PDT no Congresso Nacional está na oposição ao Governo Carlos Brandão.

A erosão política que situação que emagrece o PDT fundado por Jackson Lago e Neiva Moreira é consequência direta do desastre que foi o desfecho da candidatura do seu presidente estadual ao Governo do Estado, fruto azedo da sua equivocada decisão de romper com o então governador Flávio Dino (PSB), com a qual pretendeu que a cisão provocada lhe daria a posição de grande líder e que a maioria do eleitorado lhe daria o Governo do Maranhão. Por aquele projeto, além de ganhar o Palácio dos Leões apoiado pelas forças bolsonaristas, o senador Weverton Rocha calculou também que o senador Roberto Rocha (PTB) seria reeleito derrotando o ex-governador Flávio Dino. O desfecho desastroso abalou seriamente os alicerces da sua liderança dentro do PDT.

Ainda empoderado por quatro anos de mandato senatorial, Weverton Rocha, após derrota cataclísmica, mergulhou por alguns dias, para tratar as feridas quem sonhou com a vitória e acabou num humilhante terceiro lugar. De volta ao cenário, o senador vem reconstruindo aos poucos o seu espaço político nas asas do presidente Lula da Silva, com quem tem boa relação, sendo apontado como o maior avalista da nomeação do presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi, para o Ministério do trabalho. No plano estadual, perdeu o controle da Famem, já não tem os 45 prefeitos que ajudou a eleger em 2020, e se mantém distante do Palácio dos Leões. Teve dois encontros casuais com o governador Carlos Brandão, com quem trocou cumprimentos amistosos, mas sem qualquer sinalização – de ambos os lados, vale anotar – no sentido de uma reaproximação política nas bases existentes até o início de 2022.

Ao longo de janeiro o senador Weverton Rocha reuniu o comando estadual do PDT, divulgou intensamente suas relações com o Governo do PT, e de volta ao Senado, vem se esforçando para ganhar visibilidade se posicionando em relação a questões graves, como a tragédia dos ianomâmi, causada pela sanha genocida do presidente Jair Bolsonaro e seu Governo. Com movimentos pensados e pesados, o senador Weverton Rocha tenta frear a erosão que consome o partido, que nem de longe parece a máquina partidária que tinha o controle absoluto de São Luís, onde vem sofrendo sucessivos tombos. E o fato de não ter candidato a prefeito na Capital só reforça esse emagrecimento, que pode resultar numa reviravolta interna.

A política é dinâmica, e dependendo de como for usada, essa faceta pode levar um partido a se revigorar ou sucumbir de vez. O senador Weverton Rocha sabe disso. Resta saber se ele tem planos para recuperar o protagonismo do PDT em São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Othelino Neto deve se licenciar e atuar temporariamente em Brasília

Othelino Neto: mudança para Brasília é quase certa

O deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) está de mudança para Brasília. O que não se sabe ainda é em que condições ele se mudará. No meio político correm duas possibilidades. A primeira é que ele se licencie do mandato para assumir a Secretaria de Representação do Governo do Maranhão no Distrito Federal, cargo que o tornará o representante do Governo estadual junto ao Governo Federal, para cuidar de todos os interesses do Maranhão na Esplanada dos Ministérios. A outra possibilidade é que ele assuma um cargo federal, em Brasília, que lhe dê estatura equivalente ao mandato parlamentar. Nos dois casos, o deputado do PCdoB ficará junto da família e, com sua experiência parlamentar e de presidente da Assembleia Legislativa, terá condições de dar suporte à senadora Ana Paula Lobato (PSB), principalmente nessa fase inicial do seu mandato.

Pelo menos sete entre dez observadores da cena política aposta que o deputado Othelino Neto assumirá a Representação do Governo do Maranhão em Brasília.     

Itaqui impressiona ministro dos Portos e Aeroportos

Ted Lago explica o funcionamento do Porto do Itaqui ao ministro Márcio França, este ladeado por Duarte Jr. e Cassiano Pereira Jr. durante vistoria técnica ao complexo portuário

Com a autoridade e a experiência de quem foi governador de São Paulo, o ministro de Portos e Aeroportos, Márcio França, ficou vivamente impressionado com o que viu no Complexo Portuário do Itaqui, durante vistoria técnica que realizou ali acompanhado do staf da Emap, comandada pelo presidente Ted Lago. Ciente da importância estratégica do complexo, sua primeira constatação foi a de que o Porto do Itaqui “tem sido muito bem gerenciado”. Em relação ao Aeroporto do Tirirical, que hoje tem status de aeroporto internacional, o ministro Márcio França disse que o seu ministério fará ajustes para que o complexo aeroportuário seja incluído no programa “Voa Brasil”, nas rotas que serão criadas ligando as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O programa prevê passagens mais baratas, acessíveis, portanto, à população brasileira em geral.

Após a vistoria, na qual foi acompanhado do secretário de Indústria e Comércio, Cassiano Pereira Jr. e do deputado federal Duarte Jr. (PSB), o ministro Márcio França, que é um dos caciques nacionais do PSB, embarcou para São Paulo, levando boa impressão das estruturas portuária e aeroportuária do Maranhão.

São Luís, 20 de Fevereiro de 2023.

Bastidores do Carnaval alinhavam caminhos da disputa para a Prefeitura de São Luís

Eduardo Braide pode ter como adversário (s) |Paulo Victor, Carlosd Lula, Márcio Jerry, Duarte Jr. Yglésio Moises, Wellington do Curso e Edivaldo Holanda Jr. em 2024

É verdade que ainda faltam 20 meses, ou seja, pouco mais de 730 dias, para as eleições municipais de 2024. Mas é também verdadeiro que, apesar da distância temporal do pleito, os interessados na corrida à Prefeitura de São Luís estão se movimentando intensamente para ocupar espaços que lhes permitam participar do jogo antes da filtragem que definirá, daqui a pouco mais de um ano, quem será mesmo candidato ao Palácio de la Ravardière. Nestes dias de Carnaval, em meio a blocos, bailes e rodadas de cerveja, os candidatáveis estão travando conversas que podem produzir bons ou maus resultados nos acertos que estão por vir. Nesse contexto, o prefeito Eduardo Braide (PSD) é o único cuja candidatura está irreversivelmente decidida, e os demais aspirantes serão candidatos a enfrenta-lo nas urnas.

Estão no jogo o deputado federal Duarte Jr. (PSB), tido até aqui como candidato preferencial do partido; o vereador-presidente Paulo Victor (ainda no PCdoB), tido como nome forte no Palácio dos Leões; o deputado estadual Carlos Lula (PSB), que tem dado fortes sinais de querer mesmo entrar nessa corrida; o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), que só será candidato em circunstâncias especiais; o deputado estadual Yglésio Moises (ainda no PSB), que atua em faixa própria; o deputado estadual Wellingt0n do Curso (PSC), que precisa manter-se em evidência; e o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (sem partido), em cuja candidatura quase ninguém acredita, pelo menos nesse momento. Não será surpresa se no cenário da disputa aparecerem nomes como o ex-senador Roberto Rocha (PTB), por exemplo.

Afora projetos de candidaturas amadurecidos como o do deputado federal Duarte Jr., que foi candidato em 2020 e conhece o caminho das pedras, e o do próprio prefeito Eduardo Braide, que está no comando da máquina, faltam pré-candidaturas bem calibradas. Nesse contexto, a grande incógnita chama-se Edivaldo Holanda Jr.. Depois do tombo monumental que sofreu em São Luís na corrida ao Governo do Estado, a sua situação política sugere que ele seja cauteloso na decisão de ser ou não ser candidato. Uma vitória pode credencia-lo a ir mais longe; uma derrota pode sepultar de vez sua carreira.  Entre os demais nomes, o diferencial parece estar no presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor, que vem se movimentando com um misto de habilidade e ousadia. Os demais são possibilidades.

Essa corrida à Prefeitura de São Luís, que representa um capital político de mais de 600 mil eleitores, tem duas chaves que podem definir o cenário da disputa. Uma chave é a equação político-partidária a ser montada pelo prefeito Eduardo Braide para turbinar o seu projeto de reeleição: vai compor novamente com o PDT capitaneado pelo senador Weverton Rocha? Montará uma aliança com pequenos partidos? Ou tentará a reeleição com uma candidatura-solo? A outra chave é o caminho a ser definido pelo governador Carlos Brandão para levar o seu grupo ao controle político da Capital: vai lançar um candidato? Quem? Será do PSB? Ou de uma aliança como PCdoB? Fará uma composição com o prefeito Eduardo Braide?

Movido por indiscutível inteligência política, comprovada na sua trajetória até aqui, o prefeito Eduardo Braide sabe que seu cacife é forte, mas sabe também que vai enfrentar investida implacável do grupo governista para tira-lo do cargo. Ele tem plena consciência de que, depois de assumir o controle da Famem sem resistência e de alcançar amplo domínio político na Assembleia Legislativa, o governador Carlos Brandão e seu grupo vão jogar pesado para chegar ao comando da Prefeitura de São Luís, seja com Duarte Jr., seja com Paulo Victor, sem descartar ainda Carlos Lula e Márcio Jerry.

Dificilmente as conversas em andamento no reinado de Momo chegarão à Quarta-Feira de Cinzas com decisões amarradas. Mas certamente serão importantes para balizar as tratativas que estão sendo agendadas para os próximos meses.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão monta novo secretariado, mas mantém nomes sob sigilo férreo

Carlos Brandão: montando a nova equipe sob sigilo absoluto

De volta ao Maranhão, depois de cumprir agenda na França, onde defendeu na Unesco a concessão do título de Patrimônio Natural da Humanidade aos Lençóis Maranhenses, e em Portugal, onde se reuniu com o grupo hoteleiro Vila Galé visando a implantação de um hotel de luxo na Praia Grande, e participar do desfile da Estácio de Sá, que teve com o enredo as festas populares de São Luís, o governador Carlos Brandão aproveita o período momesco consolidar a equipe do novo Governo. Fora o “núcleo duro”, formado pelos secretários Sebastião Madeira (Casa Civil), José Reinaldo Tavares (Programas Estratégicos), Luís Fernando Silva (Planejamento), Aparício Bandeira (Infraestrutura) e Luzia Waquim (Governo), há sinais fortes de que Paulo Matos continuará à frente da pasta do Turismo, e que o coronel/PM Sílvio Leite permanecerá à frente da Segurança Pública. Nas rodas de conversa é dominante a certeza de que o vereador-presidente Paulo Victor será secretário, e muito provavelmente numa pasta fortemente relacionada com São Luís. Especula-se também que o deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) pode assumir a Representação do Governo do Estado em Brasília.  

O governador Carlos Brandão confirmou que a nova equipe será anunciada em Imperatriz, no próximo dia 27, onde ele comandará a segunda posse do seu Governo, numa ação política destinada a prestigiar a Região Tocantina. Por conta disso, mantém a nova equipe sob segredo absoluto.

Dino mantém a tradição e curte o Carnaval prestigiando “Os Comunas”

O ministro Flávio Dino entre a esposa Daniela Dino e o deputado Rodrigo Lago e esposa, no bloco “Os Comunas”, na Praia Grande

O ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) honrou ontem a tradição ludivicense de brincar o carnaval de rua num bloco organizado. Ele participou de mais uma edição do bloco “Os Comunas”, organizado por integrantes do PCdoB, a frente o deputado federal Márcio Jerry. Usando o mesmo boné de outros carnavais – verde com uma vistosa estrela vermelha – o ministro deu uma demonstração, quase didática, de que o poder não tira do cidadão o direito ao lazer e à diversão, desde que conserve a dignidade pessoal e a estatura do cargo que exerce. Vale lembrar que Flávio Dino, antes de ser ministro, é senador da República, eleito com mais de dois milhões de votos – a maior votação já alcançada por um candidato a senador no Maranhão -, o que lhe dá autoridade para atuar como homem de Estado e cidadão. Aliás, não custa lembrar que o novo Carnaval de São Luís nasceu durante seus mais de sete anos de Governo.

São Luís, 19 de Fevereiro de 2023.

Debate sobre aumento de passagem em SL põe Lula como adversário potencial de Braide em 2024

Eduardo Braide pode ter Carlos Lula como adversário na corrida à Prefeitura em 2024

O imbróglio anual sobre o valor da passagem no transporte urbano de São Luís foi resolvido ontem em meio a uma marola na qual os motoristas e cobradores haviam decretado greve para esta quinta-feira, reivindicando estratosféricos 46% no valor da passagem, que assim saltaria de R$ 3,90 para R$ 5,70. O que representaria um aumento real de R$ 1,80. O prefeito Eduardo Braide (PSD), porém, contra-atacou forte, com ânimo de pugilista, fez uma grande articulação e conseguiu que o valor desse um salto bem mais modesto: de R$ 3,90 para R$ 4,20, ou seja R$ 0,30 a mais. Em meio às circunstâncias do momento, o desfecho dificilmente poderia ter sido menos impactante no bolso dos usuários, na sua maioria trabalhadores e estudantes.

O episódio, que se repete pelo menos a cada dois anos, produziu uma situação inusitada, a manifestação de uma voz do deputado estadual Carlos Lula (PSB) com forte tom de oposição ao prefeito Eduardo Braide. No final da manhã, quando ainda não havia sinais de solução para a crise, e os rodoviários ludovicenses mantinham indicativo de greve para hoje, o deputado Carlos Lula foi à tribuna e fez um discurso crítico ao prefeito Eduardo Braide. Ele disse não aceitar o aumento de 46%, por considera-lo “abusivo e inaceitável”. E no afã de marcar participação no debate de um dos problemas da Capital, não se deu conta de que o prefeito foi “rápido no gatilho” e tornou seu discurso ultrapassado.

O diferencial da edição do “drama do preço da passagem nos coletivos” neste ano foi a manifestação do deputado Carlos Lula como uma voz de oposição ao prefeito Eduardo Braide. O ex-todo-poderoso secretário de Saúde do Governo Flávio Dino e hoje deputado estadual influente na base governista, tem presença em todas as listas de pré-candidatos a prefeito de São Luís. Ao se envolver com os problemas da Capital, como o custo do transporte de massa, criticando a posição do prefeito Eduard Braide, o deputado Carlos Lula pretendeu claramente também deixar no ar o recado de que está na parte inicial da corrida ao Palácio de la Ravardière.

Se pretende mesmo ser o adversário do prefeito Eduardo Braide, que está firme no propósito de candidatar-se à reeleição em 2024, o deputado Carlos Lula terá primeiro de superar dois obstáculos nada desprezíveis. O primeiro é dentro do seu próprio partido, o PSB, onde tem de desbancar o deputado federal Duarte Jr., que já trabalha como pré-candidato assumido. E o segundo é, tirando o deputado federal Duarte Jr. da preferência partidária, se tornar candidato da aliança governista, e para isso terá de tirar do circuito o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PCdoB), que também sinaliza com a possibilidade, remota, de lançar o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB).

São ainda poucos os observadores que acreditam no projeto de candidatura do deputado Carlos Lula à Prefeitura de São Luís. Mas ele existe, está sendo maturado com calma e é tido como viável dentro do partido na hipótese de o deputado federal Duarte Jr. desistir, o que também parece impossível, pelo menos até aqui. Nada, porém, impede que o deputado Carlos Lula seja pré-candidato. Afinal, ele vive em São Luís e se aprofundou nos problemas da cidade quando foi secretário de Estado da Saúde. E é exatamente por esse viés que ele sabe que o prefeito Eduardo Braide é um adversário muito difícil de ser batido.

Por fim, independentemente de um confronto momentâneo na seara política de São Luís, a entrada do deputado Carlos Lula tem o mérito de elevar o debate sobre o presente e o futuro da Capital do Maranhão, uma metrópole com 1,2 milhão de habitantes com enormes desafios a serem vencidos. E um deles é exatamente a melhoria do sistema de transporte de massa.

PONTO & CONTRAPONTO

Rodrigo Lago vai ao aniversário de Matinha como presidente em exercício da AL

Rodrigo Lago discurso nos 74 anos de Matinha entre Júlio Mendonça (d), Guilherme Paz (atrás) e e Linielda Cunha (e)

O deputado Rodrigo Lago (PCdoB) retornou ontem a Matinha, cujo eleitorado deu uma boa contribuição para a sua eleição. Participou de ato comemorativo dos 74 anos de emancipação política do município. E o fez na condição de presidente em exercício da Assembleia Legislativa, cargo que assumiu com a ascensão temporária da presidente efetiva, deputada Iracema Vale (PSB), ao Governo do Estado. Junto com ele participaram da visita os deputados Guilherme Paz (Patriotas) e Júlio Mendonça (PCdoB), ambos com atuação política na Baixada Ocidental.

Convidado pela prefeita Linielda Cunha (PCdoB), o presidente em exercício da Assembleia Legislativa participou da entrega der ruas pavimentadas com bloquetes e da inauguração da Escola João Francisco Gomes, no povoado de Itans. Na sua fala, o presidente em exercício do Poder Legislativo externou a relação carinhosa que tem com Matinha, e deixou claro que fará o que estiver ao seu alcance para melhorar da qualidade de vida dos matinhenses.

Ou seja, o deputado Rodrigo Lago reafirmou aos seus eleitores que vai trabalhar duro por melhorias para Matinha.

Roberto Costa incentiva projeto esportivo doando bolas oficiais de vôlei

Roberto Costa, Roseana Sarney e Ricardo Lins na entrega de bolas de vôlei à Federação Maranhense de Vôlei para projetos de incentivo

O deputado Roberto Costa (MDB) reafirmou ontem o seu forte vínculo com os esportes ao fazer a entrega, juntamente com a deputada federal Roseana Sarney (MDB), de bolas oficiais de voleibol à Federação Maranhense de Vôlei. Destinado a ações de incentivo a jovens praticantes desses esportes, que são muitos no Maranhão, o material, que é igual ao utilizado nos jogos oficiais da Seleção Brasileira de Vôlei, foi entregue ao presidente da Federação, Ricardo Lins.

Uma dessas ações é projeto “Viva Vôlei”, idealizado pelo técnico Valdir Pereira e mantido a duras penas numa quadra da Paróquia de Santa Teresinha, em Bacabal apoiado há tempos pelo deputado Roberto Costa, que tem um denso histórico de incentivo aos esportes, que foi a marca principal da sua passagem pela Secretaria de Esporte e Juventude, no Governo Roseana Sarney.

Roberto Costa tem os esportes no DNA: é filho de Roberto Oliveira, que fez carreira no Sampaio Corrêa, Moto Club e Maranhão Atlético Clube. Atleta amador, o parlamentar dedica parte da sua ação política incentivando atletas, desde os iniciantes até os profissionais, apoiando, estimulando e encorajando o crescimento dos esportes no Maranhão.

São Luís, 16 de Fevereiro de 1023.

Ao assumir o Governo interinamente, Iracema Vale amplia seu espaço no tabuleiro político

Iracema Vale no gabinete principal do Palácio dos Leões, atuando como governadora interina

Roseana Sarney não é mais a única mulher a ter comandado o Governo do Maranhão. Ontem, essa exclusividade política, que muitos achavam seria bem mais longeva, chegou ao fim com a ascensão da deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa, à chefia do Poder Executivo, com a viagem do governador Carlos Brandão (PSB) e do vice-governador Felipe Camarão (PT) para fora do Brasil. Iracema Vale será governadora interina do Maranhão até sábado, quando o governador e seu vice retornarem ao País. Serão quatro dias o período em que a chefe do Poder Legislativo comandará o Poder Executivo, o que dá ao fato um simbolismo muito maior. Tanto que o ato reuniu o presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten, o presidente interino da Assembleia Legislativa, deputado Rodrigo Lago (PCdoB), e todo o secretariado no Palácio dos Leões.

A chegada de Iracema Vale ao comando do Governo do Estado não produzirá nenhuma mudança expressiva no Executivo. Mas como ato político, é o coroamento de um protagonismo iniciado no exato momento em que, na noite de 02 de outubro do ano passado, a Justiça Eleitoral divulgou o resultado das eleições de outubro, no qual a candidata apareceu como campeã de votos para a Assembleia Legislativa, com 104 mil votos, ao lado de detinha (PL), campeã de votos para a Câmara Federal, com 161 mil sufrágios. O diferencial de Iracema Vale foi o fato de ser mulher, com o mérito adicional de haver ultrapassado a barreira dos 100 mil votos na corrida ao Legislativo estadual, façanha eleitoral que nenhum político maranhense, homem ou mulher, realizou até agora.

O segundo momento desse protagonismo foi o lançamento dela como candidata à presidência da Assembleia Legislativa, eleita por aclamação, e assumir o comando do Poder Legislativo no 1º dia de fevereiro. Chegar ao comando do parlamento estadual não teria chamado tanto a atenção se não se tratasse de uma mulher, que quebrou a hegemonia masculina. Na sua fala aos presentes no Palácio dos Leões, a governadora interina mostrou ter a exata noção desse protagonismo: “Estamos fazendo história de muitas maneiras. Mesmo que por poucos dias, isso é muito significativo para mim. É um marco importante para todas nós mulheres, que almejamos ter os nossos espaços conquistados”.

Para muitos, esse turbilhão de eventos políticos poderia tirar Iracema Vale do seu eixo. Mas isso não correu. Ela vem administrando com cuidado esse vendaval de mudanças temporárias no plano da sua vida política e os desdobramentos no campo pessoal. Até agora, todas as suas declarações são feitas rigorosamente dentro do script político, evitando tropeços, à medida que vai também dizendo o que pensa.

No meio político, alguns observadores mais atentos começam a enxergar Iracema Vale num contexto político bem mais amplo do que a relação institucional do governador Carlos Brandão com a Assembleia Legislativa. A sua condição de mulher, a sua desenvoltura, a sua expressiva viabilidade, tudo isso associado a uma forte dose de carisma torna a governadora interina um quadro político de importância diferenciada, que deve ser adubado. Não foi sem razão que até o arcebispo de São Luís, que é o chefe da Igreja Católica no Maranhão, da qual é uma devota militante, foi ao Palácio dos Leões para cumprimentá-la.

Político experiente, que vivenciou ao longo de anos os movimentos do poder no palácio guarnecido por dois leões vigilantes, o governador Carlos Brandão dificilmente turbinaria o prestígio da presidente da Assembleia Legislativa não fosse a convicção de que a força política de Iracema Vale será importante ou até mesmo decisiva em algum momento do porvir. Por enquanto, a estratégia do governador Carlos Brandão só cuida para manter um relacionamento político maduro entre o Poder Executivo e o Palácio dos Leões.

PONTO & CONTRAPONTO

Paulo Velten apoia Iracema Vale e elogia “núcleo duro” do Governo

Iracema vale recebe o apoio de Paulo Velten para sua interinidade no comando do Governo do Estado

Ao participar, ontem, da troca de guarda temporária no Palácio dos Leões, o presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten lembrou do período de interinidade que cumpriu à frente do Governo do Estado, e fez questão de afagar o chamado “núcleo duro” que auxilia o governador Carlos Brandão na governança:

– Lembro com saudade aquele período de 31 dias, seis horas e alguns minutos à frente do Governo do Estado. Posso testemunhar, governador interina, Iracema Vale, que aqui a senhora vai encontrar uma equipe de craques e sintonizada, de pessoas que tem de fato o espírito público, tão importante para esses momentos difíceis que nós vivemos”.

Para quem não sabe, o “núcleo duro” é formado pelos secretários Sebastião Madeira (Casa Civil e resp0ndendo interinamente pela Comunicação), José Reinaldo Tavares (Programas Estratégicos), Luzia Waquim (Governo), Luís Fernando Silva (Planejamento) e Aparício Bandeira (Infraestrutura).

Ganha força a posição do Ministério Público contra gastos excessivos com o Carnaval

Eduardo Nicolau: nada de gasto fora da realidade

Ganha ecos cada vez mais fortes o posicionamento firme oportuno do procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, contra a gastança desenfreada de algumas prefeituras na realização do Carnaval. Ele recomendou a promotores que sejam rigorosos e impeçam esses gastos nos municípios com problemas graves nas áreas saúde pública e educação, por exemplo. Para ele, não faz sentido um município de pequeno porte gastar R$ 400, 500, 600 mil quando está faltando remédios no hospital local ou tenha professor com salário atrasado ou escola precisando de reparo urgente. Eduardo Nicolau faz questão de esclarecer que nada tem contra o Carnaval e não vê nada de anormal que prefeituras gastem com a organização da festa. Mas não aceita o fato de que haja gastos excessivos, principalmente com cachês milionários de artistas, em muitos casos fora da realidade financeira do município. Para ele, prefeitura pode bancar o Carnaval, mas dentro da realidade financeira do município. E argumenta que o problema não é gastar o dinheiro público, mas gastar mal o dinheiro público.

Nas contas de um promotor, pelo menos 20 das 217 prefeituras maranhenses decidiram não realizar o Carnaval depois que a medida contra gastos fora da realidade foi adotada pelo Ministério Público.

São Luís, 15 de Fevereiro de 2023.