Todos os posts de Ribarmar Correa

Mesmo em campos políticos opostos, Dino e Braide mantêm alinhamento na luta contra o coronavírus

 

Flávio Dino e Eduardo Braide: politicamente distantes, mas alinhados contra a pandemia do novo coronavírus

Não houve conversa formal, acertos administrativos nem sinalização, em ambos os lados, no sentido de uma aproximação política, mas os esforços contra o avanço do novo coronavírus abriram um amplo canal de comunicação entre o Palácio dos Leões e o Palácio de la Ravardière. Por intermédio dos secretários estadual e municipal de Saúde, Carlos Lula e Joel Nunes, respectivamente, Governo do Estado e Prefeitura de São Luís têm mantido uma relação afinada e sem atropelos, com o aval efetivo do governador Flávio Dino (PCdoB) e Eduardo Braide (Podemos). Entre vários pontos em que o governador do estado e o prefeito da Capital estão de acordo, um deles pode ser definido como fundamental e decisivo: o direito de Estados e Municípios comprarem suas próprias vacinas, seja na base do cada um por si, por via direta com farmacêutica, seja por meio de consórcios de governos estaduais e prefeituras.

No item compra de vacina, o governador Flávio Dino já deu todos os passos preparatórios, tendo inclusive anunciado a reserva de R$ 50 milhões para esse fim. Ainda no ano passado, quando pouco se falava na possibilidade de os governos estaduais comprarem imunizantes, o governador do Maranhão pediu e obteve autorização legislativa para agir nessa seara, e em seguida também bateu às portas do Supremo Tribunal Federal para solicitar um posicionamento da Corte maior. Na sua resposta, o Supremo atendeu ao pedido, mas condicionou a aquisição de imunizantes à confirmação, com informações indiscutíveis, da incapacidade do Governo Federal de comprar vacinas suficientes para atender à demanda dos Estados e das Prefeituras. Ontem, Flávio Dino avalizou a compra de vacinas pelo Consórcio Nordeste, organização que tem tido papel relevante nas ações administrativas e políticas dos governadores da região, do qual o mandatário maranhense é um dos líderes.

Por sua vez, o prefeito Eduardo Braide, que assumiu há apenas dois meses, vinha dizendo e repetindo que, dependendo das circunstâncias, a Prefeitura de São Luís também compraria vacinas. Ontem, diante das circunstâncias causadas pelo aumento do número de óbitos, decidiu, com essa finalidade, entrar no consórcio, criado pela Confederação dos Municípios Brasileiros (FNB). E anunciou que encaminhará na próxima semana à Câmara Municipal pedido de autorização para comprar vacinas, engrossando as fileiras do movimento comandado pela FNB. Assim como anunciou o governador Flávio Dino, o prefeito Eduardo Braide revelou que já tem recursos reservados para a compra de vacinas, sem, no entanto, informar o montante que dispõe.

O canal de comunicação entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Luís sobre o combate ao novo coronavírus revelou que, mesmo em campos políticos diferentes, e com diferenças doutrinárias e programáticas, Flávio Dino e Eduardo Braide vêm mantendo uma convivência civilizada. Eles demonstram que, quando o interesse da sociedade está em jogo, mandatários devem encontrar meios de agir em comum acordo. Isso ficou claro quando o prefeito de São Luís atendeu ao chamamento do governador para a reunião de segunda-feira, no Palácio dos Leões, na qual o assunto foi o pacote de medidas destinadas a conter o avanço da pandemia, sem que a união contra a Covid-19 tenha mudado suas posições políticas. Não há sinais de que os dirigentes estejam inclinados a uma aproximação política, mas também nada indica que essa aproximação seja impossível.

Flávio Dino e Eduardo Braide são políticos com lastros ideológicos diferentes, estão situados em campos adversários, mas são, ao mesmo tempo, inteligentes e pragmáticos, e conhecem muito bem um ao outro. Isso significa dizer que, mesmo que não venham a dar passos em direção à política, a aproximação dos dois fomentada pelo novo coronavírus abriu caminho para que mais tarde eles voltem a conversar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Norte-Sul ganha novo trecho, ganha status de obra essencial e dá sabor de vingança a Sarney

Norte-Sul: Sarney curte a “doce vingança” e Bolsonaro festeja com obra alheia

Inaugurado ontem o trecho de 172 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul, ligando o município de São Simão, em Goiás, ao de Estrela D`Oeste, em São Paulo, e criando condições para a conexões ferroviárias com os principais estados produtores do País, a começar pela chamada Malha Paulista, que será operada pela concessionária Rumo, que ali investiu R$ 711 milhões. O trecho foi inaugurado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Para quem não se lembra, a Ferrovia Norte-Sul foi projetada e iniciada no Governo do presidente José Sarney, em 1987, tendo José Reinaldo Tavares como ministro dos Transportes responsável direto pelo projeto. O projeto, que começa em Açailândia, tinha por objetivo de criar a espinha dorsal de uma malha ferroviária para o País, foi na época intensamente bombardeado na época, principalmente pelos lobbies poderosos de conglomerados multinacional produtores de caminhões e pneus, que financiaram a reação de dezenas de deputados contrários ao projeto. Mesmo sob forte e implacável pressão, o presidente Sarney suportou a pancadaria e deu prosseguimento ao projeto.

Recolhido em Brasília, o ex-presidente José Sarney deve ter saboreado ontem, mais uma vez, o doce sabor da vitória, que curte todas as vezes que um trecho da Norte-Sul é inaugurado. Motivo: duramente atacado por adversários do projeto, o presidente José Sarney decidiu suportar toda a pancadaria que sofreu e levar o projeto em frente. De 1990 para cá, todos os presidentes que o sucederam reconheceram a importância da Norte-Sul e investiram na construção de novos trechos, o mesmo acontecendo com lideranças políticas e da classe empresarial. O mesmo deve ser sentido pelo ex-ministro José Reinaldo Tavares, que na época foi duramente atacado.

 

Folha: PF afirma que Josimar de Maranhãozinho teria usado emendas em esquema com Pacovan

Josimar de Maranhãozinho e Pastor Gil: apontados pela Polícia Federal no esquema com emendas

Informações divulgadas ontem pelo jornal Folha de S. Paulo dizem que, ao contrário do que pregava, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), que alimenta o projeto de disputar o Governo do Estado, está mesmo enrolado no rumoroso caso do desvio de emendas ao Orçamento da União destinadas à Saúde no Maranhão. De acordo com o matutino paulistano, as investigações feitas pela Polícia Federal, que começaram nos primeiros dias de Dezembro passado, conforme a Operação Ágio Final, encalacram o parlamentar e seu colega de partido, deputado federal Pastor Gil (PL).

De acordo com o jornal, que diz ter tido acesso a documentos da Polícias Federal, o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) teria liberado R$ 1,5 milhão em emendas e recebido R$ 365 mil em propina, tendo como intermediário o agiota Josival Cavalcante da Silva, o Pacovan, enquanto o deputado Pastor Gil liberou R$ 1,048 milhão, colhendo R$ 262 mil em propina, também paga a Pacova, que está preso. A Operação Ágio Final apurou que os dois parlamentares agiam afinados com Pacovan, que se apresentava junto a prefeitos como responsável por obter as emendas. Em troca, exigiria deles a devolução de uma parte do dinheiro como pagamento de propina.

O relatório das investigações diz ainda que “os valores discriminados na anotação são idênticos aos valores de emendas parlamentares constantes na notícia crime encaminhada pelo prefeito de São Jose de Ribamar”. Trata-se do então prefeito Eudes Sampaio (PTB), que reagiu a achaques de Pacovan, denunciando-o à Polícia Federal, por meio de notícia-crime, que deu origem, em dezembro passado, à Operação Descalabro, que encontrou mais de R$ 3 milhões, em dinheiro vivo, em escritório de Josimar de Maranhãozinho, em São Luís.

Procurados pelo jornal Folha de S. Paulo, Josimar de Maranhãozinho se recusou a fazer qualquer comentário sobre o assunto, enquanto o Pastor Gil confirmou a destinação de emendas a São José de Ribamar, afirmando, porém, que “nunca compactuei com qualquer esquema de desvio de dinheiro público”.

São Luís, 05 de Março de 2021.

Ações da PF investigando supostos desvios deixam prefeitos de Imperatriz e Pinheiro em posição delicada

 

Assis Ramos (Imperatriz) e Luciano Genésio (Pinheiro): gestões passadas colocadas à prova por operações da PF

A credibilidade das administrações dos prefeitos reeleitos de Imperatriz, Assis Ramos (DEM), e de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), foi colocada à prova terça-feira e ontem pelas operações “Recôndito” e “Estoque Zero”, realizadas pela Polícia Federal (PF) ambas autorizadas pela Justiça Federal para apurar supostos desvios de recursos federais destinados ao combate à pandemia do novo coronavírus. Apoiada pelo Ministério Público do Maranhão (MPE) e pelo Ministério Público Federal (MPF), que encontraram indícios de irregularidade em processo de licitação, realizado em 2020, para a compra de refeições para doentes infectados pelo novo coronavírus, a operação de Imperatriz, mobilizou 25 policiais para o cumprimento de sete mandados de busca e apreensão. Na ação em Pinheiro, que teve o objetivo de “desarticular grupo criminoso estruturado para promover fraudes licitatórias e irregularidades contratuais envolvendo recursos públicos federais que seriam utilizados no combate à pandemia”, segundo a Controladoria Geral da União (CGU), a PF usou 30 policiais para cumprir cinco mandados de busca e apreensão, quatro mandados de constrição patrimonial e um mandado de suspensão do exercício de função pública. As operações foram amplamente divulgadas, causaram forte impacto nos dois municípios e colocaram os seus dirigentes em situação delicada.

O caso de Imperatriz ganha cores mais fortes à medida que o prefeito Assis Ramos é um delegado de Polícia com ficha até aqui sem mácula e que entrou na política tendo o combate à corrupção como um dos focos da sua ação administrativa. No primeiro mandato, não houve registro de casos de desvios, nem mesmo no período da campanha eleitoral, salvo acusações genéricas de má gestão e outras bordoadas de adversários e concorrentes. A operação “Recôndito”, porém, deflagrada agora, mas relacionada com supostos desvios praticados em 2020, coloca em dúvida a integridade do primeiro mandato e deixa o prefeito Assis Ramos numa situação desconfortável, mesmo não sendo ele diretamente envolvido. A acusação de que licitações foram fraudadas para turbinar preços e desviar recursos por meio de empresas “laranjas” foi, de fato, uma pancada.

Ontem, ao tomar conhecimento da ação dos policiais no cumprimento dos mandados, o prefeito de Imperatriz gravou um vídeo dentro de um veículo em movimento, para afirmar que duvida da veracidade da acusação e que todos os segmentos da sua administração estão à disposição da PF e da Justiça para serem investigados. E declarou, enfático, que ele, como prefeito, é o maior interessado no esclarecimento. Com vasta e sólida experiência em investigação policial, o prefeito Assis Ramos sabe que dificilmente a PF desembarcaria em Imperatriz com tal contingente sem o aval da Justiça baseado em indícios levantados pela CGU. Sabe também que o andamento da investigação dirá o que de fato aconteceu em Imperatriz.

O caso de Pinheiro parece mais complexo e coloca a primeira gestão do prefeito Luciano Genésio sob forte suspeição. Nascido em berço político – é filho do ex-prefeito e ex-deputado estadual José Genésio – e um dos políticos mais importantes da sua geração, o prefeito de Pinheiro fez um primeiro mandato produtivo, com expressivo e reconhecido saldo de realizações, tendo se reelegido por larga maioria de votos. A operação “Estoque Zero” pode rasurar a imagem da sua gestão, ainda que ele próprio não seja alcançado pela acusação: esquema de servidores municipais com uma empresa de Teresina (PI) para a compra de 6 mil testes rápidos por R$ 960 mil. De acordo com a CGU, a compra foi armada para beneficiar empresários piauienses. Os mandados foram expedidos pela 1ª Vara da Justiça Federal em São Luís.

O prefeito de Pinheiro não usou qualquer artifício ou instrumento para abafar o caso ou esconder a operação da PF. Demonstrando segurança e determinação, Luciano Genésio disse a jornalistas que é ele o maior interessado para que tudo seja colocado em pratos limpos. E fica difícil compreender que um quadro como ele, que tem futuro promissor, tenha algo a ver com alguma falcatrua ocorrida nas entranhas da Prefeitura de Pinheiro.

Os prefeitos Assis Ramos e Luciano Genésio precisam mostrar com clareza que as denúncias não têm lastro ou, se houve desvio, demitir, processar e ajudar a mandar os responsáveis para a cadeia.

Em Tempo: Vale lembrar que em junho de 2020, no auge da pandemia, nada menos que 60 policiais federais estiveram na Prefeitura de São Luís para cumprir três mandados de prisão temporária e 14 de busca e apreensão, na operação “Cobiça Fatal”, que investigou suspeita de superfaturamento na compra de 360 mil máscaras hospitalares, a um custo unitário de R$ 9,90, quando no preço de mercado a unidade custaria R$ 3,17. O caso repercutiu, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PDT) demitiu o secretário municipal de Saúde, Lula Filho, e não deu mais uma palavra sobre o assunto, tendo deixado o cargo como se nada tivesse acontecido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Premiando a arte e ajudando o artista

Flávio Dino : mais Conexão Cultura para apoiar a classe artística atingida pela pandemia

Um dos segmentos mais prejudicados pela ação avassaladora do novo coronavírus em todos os planos da atividade econômica e cultural, a classe artística do Maranhão, como acontece em todo o País, foi mergulhada num período de paralisação e incertezas. Shows musicais, espetáculos teatrais, cinema, foram suspensos, causando estragos imensuráveis os meios de sobrevivência nos fazedores de cultura.

Ontem, o governador Flávio Dino (PCdoB), que tem sido incansável na busca de soluções para, pelo menos, minimizar tal situação, que alcança muitos militantes da arte, anunciou uma nova edição do Projeto Conexão Cultural, um meio de lhes assegurar algum suporte financeiro. A iniciativa vai distribuir R$ 1,5 milhão na premiação, no valor de R$ 1.500,00, de mil produções artísticas.

Para participar, o artista terá de se inscrever conforme o edital, que será divulgado nos próximos dias pela Secretaria de Estado da Cultura, de modo que as inscrições sejam feitas até o dia 10 deste mês no endereço https://cultura.ma.gov.br/.

A iniciativa é oportuna e benvinda.

 

Bolsonaro está se desmanchando

Jair Bolsonaro perde força

Bolsonaristas maranhenses antes irredutíveis começam a analisar o cenário nacional com mais sobriedade e menos partidarismo e a perceber uma realidade está ganhando forma: o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) está perdendo rapidamente prestígio e força política e caminhando para o desastre eleitoral no ano que vem.

O ponto de reflexão mais forte é a posição do presidente em relação à pandemia – negacionismo, rejeição à máscara, afronta às normas sanitárias, ministro Pazuello, cloroquina, atraso na comora de vacinas, tentativas de inibir governadores e prefeitos, defesa da abertura total, entre outros itens.  Simpatizantes com bom grau de esclarecimento, que antes aplaudiam qualquer sandice do presidente, hoje já não se empolgam e, ao contrário, já ensaiam críticas às decisões e atitudes políticas do ex-mito.

A conclusão de alguns agora ex-partidários é que o governo Bolsonaro, que de fato nem começou, já está no fim, de maneira irreversível. Mesmo que venham por aí a nova edição do auxílio emergencial, R$ 10 reais a menos no preço do gás de cozinha e outros mimos sociais, a derrocada é quase certa. Isso porque está claro que tais concessões não são programas de um governo com visão social séria, como foi o Bolsa Escola no Governo FHC, que evoluiu para Bolsa Família no Governo Lula. São, na verdade, jogadas destinadas a seduzir o eleitorado pobre e obter dele uma reeleição cada vez mais improvável.

São claros os sinais de que Jair Bolsonaro está perdendo gás e sendo desmontado por ele próprio e pela turma que o cerca. O melhor exemplo disso é a mansão de R$ 6 milhões comprada em Brasília pelo seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). Um deboche injustificável diante de milhões e milhões de brasileiros que estão amargando os duros efeitos da crise.

São Luís, 04 de Março de 2021.

Gil Cutrim sai do PDT e abre temporada de mudanças partidárias importantes para 2022

 

Gil Cutrim, Roberto Rocha e Pedro Lucas: mudanças partidárias importantes para as eleições de 2022

O deputado federal Gil Cutrim formalizou sua saída das fileiras do PDT, confirmando o que já estava desenhado desde 2019, quando votou várias vezes contrariamente à posição do partido na Câmara Federal, atuando com clara tendência governista. Com a decisão, o PDT do Maranhão perde força na bancada federal, onde só conta agora com o senador e presidente do partido Weverton Rocha, já que com a saída de Gil Cutrim, o PDT fica sem deputado federal. A desfiliação de Gil Cutrim do PDT pode ser anotada como a primeira de uma série de migrações na seara partidária maranhense, envolvendo senadores, deputados federais e deputados estaduais, que precisam normalizar suas vidas partidárias para as eleições do ano que vem. Nessa linha de incertezas quanto ao futuro partidário estão dois casos emblemáticos, o senador Roberto Rocha, que está em total desalinho com o PSDB, e o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que rompeu com o comando partidário nacional.

O então ex-prefeito de São José de Ribamar, que havia rompido com o MDB, juntamente com o irmão, o deputado estadual Glaubert Cutrim, desembarcou no PDT causando surpresa. Primeiro pela escolha partidária de quem havia saído do Grupo Sarney, onde foi politicamente originado. Depois por nada ter com o PDT em matéria de identidade política e ideológica. O advogado Gil Cutrim não tem qualquer traço de esquerda nem de centro-esquerda na sua concepção política e ideológica. Ele é um político de direita, podendo até ser situado, com alguma boa vontade, num espectro de centro-direita, muito distante, portanto, do PDT de Jackson Lago, Neiva Moreira e de Weverton Rocha. Logo, sua desvinculação do que ainda resta do brizolismo no Maranhão não é nenhuma surpresa. Para onde vai? Para a direita, claro.

Em outro patamar, o senador Roberto Rocha segue o mesmo rumo. Saiu das entranhas do sarneysismo, virou manda-chuva do PSDB e rumou para a esquerda até desembarcar no PSB, onde passou uma temporada e por lá se elegeu senador, apoiado pelo PCdoB. No Senado, iniciou uma guinada em sentido contrário, retornando à direita, tendo feito a escala mais prolongada no PSDB, que retomou do vice-governador Carlos Brandão. O senador parece ter encontrado o seu ideal político no bolsonarismo, que representa a direita conservadora e radical. Não se sabe exatamente para onde Roberto Rocha migrará, mas, a julgar pelos movimentos que ele tem feito, se deixar mesmo o PSDB, como está desenhado em traços fortes, a maioria das apostas é no sentido de que ele se filiará à legenda na qual o presidente Jair Bolsonaro vier a se filiar, ou numa bem próxima, para ser candidato a governador, a senador ou a deputado federal.

Uma das lideranças mais ativas da nova geração, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes foi atropelado pelo chefe maior do partido, ex-deputado federal e deflagrador do “Mensalão” Roberto Jefferson, por ter votado a favor da prisão do seu colega de Câmara Federal, o golpista Daniel Silveira (PSL-RJ). Foi-lhe tirado o comando do PTB no Maranhão, que estava há décadas sob controle da sua família, e entregue à deputada estadual Mical Damasceno, que concordou integralmente com Roberto Jefferson, sem ter movido uma palha pelo agora ex-presidente. Se não houver uma reviravolta com a destituição do mensaleiro-mor da presidência do PTB, Pedro Lucas Fernandes terá de deixar o partido. O problema é que será difícil para ele encontrar agora um partido para chamar de seu pois seria terrivelmente desgastante ingressar numa legenda como mais um, depois de ter sido chefe incontestável do PTB. Há quem diga que ele assumirá o PSDB, que já foi controlado por seu pai, o ex-deputado federal e atual prefeito de Arame, Pedro Fernandes.

Outras situações de ajustes e sem o tom dramático estão em processo cuidadoso de avaliação. É o caso, por exemplo, da senadora Eliziane Gama, bem acomodada no Cidadania, mas sabendo que logo terá de turbiná-lo ou migrar para uma legenda mais forte, com capilaridade no estado inteiro, sem o que será complicado dar novos passos no plano majoritário.

Essas mudanças devem acontecer até setembro.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão visita fábrica da vacina Sputnik V no Brasil; Dino pode comprar imunizante russo

Carlos Brandão (centro) com governadores e executivos nas instalações onde se produz a Sputnik V no Distrito Federal

Quanto maior for o número de vacinas, mais certeza se terá de que a população do Maranhão será imunizada o mais rapidamente possível. É o que pensam o governador Flávio Dino e o núcleo duro do Governo em relação ao novo coronavírus. E foi com essa motivação que, atendendo a recomendação do governador, o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) visitou ontem, em Brasília, as instalações da farmacêutica União Química, que está produzindo a vacina russa Sputnik V no Brasil, juntamente vários governadores. Ali, os mandatários constataram a eficácia da estrutura industrial e conversaram com os dirigentes da empresa sobre a possibilidade de os Estados e a União comprarem o imunizante, que já está sendo fabricado naquele complexo industrial.

Como já é sabido mundialmente, a Sputnik V foi a primeira vacina russa contra o novo coronavírus. Seus testes registraram eficácia de até 91,6%. Seus relatórios estão sendo analisados pela Anvisa, que poderá autorizar o seu uso emergencial nas próximas semanas. Informações da União Química preveem que dez milhões de doses sejam importadas prelo Brasil, podendo aumentar com a fabricação do imunizante no Distrito Federal.

O governador Flávio Dino já foi à Justiça em busca de autorização para que os Estados possam comprar imunizantes. Ele inclusive já separou R$ 50 milhões para serem usados na compra de vacinas tão logo os Governos estaduais e prefeituras sejam autorizados.

A missão do vice-governador Carlos Brandão será concluída com um relatório que fará ao governador Flávio Dino sobre o que viu e ouviu. Ele é sempre acionado pelo governador, numa demonstração de que as informações que lhe são consistentes e confiáveis.

 

Aliado de Eudes Sampaio, Pedro Lucas entregou veículo a Júlio Matos em Ribamar

Pedro Lucas, Júlio Matos e Gilvana Duailibe na entrega do veículo ao Conselho Tutelar da Região das Vilas

Situação curiosa viveu ontem o deputado federal Pedro Lucas Fernandes. Ele foi a São José de Ribamar entregar um veículo para o Conselho Tutelar da Região das Vilas, que conseguiu, via emenda ao Orçamento. E o fez em ato em frente à Prefeitura com a presença do prefeito Júlio Matos (PL). Um fato absolutamente normal não fossem os vínculos partidários que envolvem os presentes no ato.

O deputado Pedro Lucas foi um dos principais esteios da candidatura do então prefeito Eudes Sampaio (PTB) à reeleição. Júlio Matos venceu com folga nas urnas, mas seu mandato está sob risco, uma vez que sua candidatura foi impugnada sob o argumento de que ele não poderia se candidatar por ser ficha suja. O rolo tramita na Justiça Eleitoral, podendo ganhar um desfecho a qualquer momento.

Júlio Matos e seus advogados apostam alto que seu mandato está garantido, uma vez que a pendência não mais existe. Por outro lado, ex-prefeito Eudes Sampaio, apoiado pelo ex-prefeito Luís Fernando Silva também jogam cacifes elevados na certeza de que haverá ali uma reviravolta, com a queda do atual prefeito e a volta do petebista.

No ato de entrega do veículo, Pedro Lucas Fernandes parecia tranquilo ao lado do seu arqui-inimigo prefeito Júlio Matos. Provavelmente o parlamentar destinou a emenda certo de que entregaria o veículo ao seu aliado Eudes Sampaio, que pelos seus cálculos estaria hoje no comando da Prefeitura ribamarense. Ao mesmo tempo, entregar uma ambulância para Júlio Matos pode ter tido o sabor de vingança em relação ao que lhe fizeram no PTB. E até mesmo iniciando uma nova amizade política.

O prefeito Júlio matos estava à vontade, dono da situação.

São Luís, 03 de Março de 2021.

Governo descarta lockdown, mas suspende presença nos órgãos públicos por 10 dias e prevê medidas mais duras

 

Entre Carlos Lula, Lourival Serejo e Othelino neto, Flávio Dino anuncia descarte do lockdown, decidido na reunião com prefeitos e outras autoridades sobre a crise sanitária

O Governo do Maranhão não recorrerá ao lockdown como medida para conter a onda em curso do novo coronavírus na Ilha de São Luís e nas grandes cidades do interior do estado, como Imperatriz, por exemplo. Em compensação, adotará um elenco de duras restrições a aglomerações, circulação desnecessária, com fiscalização intensa, e procedimentos, como o uso de máscara e da higienização com álcool em gel, que serão definidas após diálogo com setores da área econômica, a serem realizadas hoje. “Estamos descartando a possibilidade de nesse momento haver um lockdown total. O que faremos é uma edição de normas com restrições de certas atividades, inicialmente pelo período de 10 dias, como restrições de grandes aglomerações, eventos que envolvam muitas pessoas, eventos festivos”, disse o governador Flávio Dino (PCdoB), após reunião com os presidentes do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), do Poder Judiciário, desembargador Lourival Serejo, do procurador Geral de Justiça, Eduardo Nicolau, dos prefeitos de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), de São José de Ribamar, Júlio Matos (PL), de Paço do Lumiar, Paula da Pindoba (PCdoB), e de Raposa, Eudes Barros (PL), do secretário de Saúde e presidente do Conass, Carlos Lula, do vice-presidente do Tribunal de Contas, Washington Oliveira, além do reitor da UFMA, Natalino Salgado, e vários secretários.

Foi uma reunião de peso e exemplar, a começar pelo fato de ter colocado na mesma mesa, com voz e voto, os chefes dos três Poderes, do Ministério Público, e os mandatários dos quatro municípios da Ilha, que respondem por um total aproximado de 1,5 milhão de habitantes. O grau de importância do evento pode ser medido, por exemplo, com o fato de que levou o novo prefeito de São Luís, Eduardo Braide, pela primeira vez ao Palácio dos Leões. Dados como esses demonstram que, ao contrário do que está acontecendo no plano federal e em alguns Estados, o governador Flávio Dino, mesmo mantendo inalteradas suas posições políticas, tem capacidade de separar as coisas em questões que envolvem o interesse maior da população, como é o caso da pandemia.

Durante a reunião, o governador apresentou um balanço consistente da situação da pandemia no Maranhão, com números e informações detalhadas sobre as medidas adotadas até aqui com relação à estrutura hospitalar. Em seguida, ouviu as demandas de cada prefeito da Ilha, trocou sugestões com os chefes de Poder e apresentou o cenário atual, com dados, mostrando crescimento na ocupação dos leitos e aumento da taxa de contágio do coronavírus no Maranhão. Na exposição, o governador mostrou as demandas de Imperatriz e São Luís por leitos em outubro de 2020 e em fevereiro deste ano para ilustrar a escalada do vírus: em São Luís, em outubro de 2020, foram solicitados 169 leitos da rede estadual, em fevereiro deste ano, foram 774 solicitações. Já em Imperatriz foram 145 solicitações em outubro e 625 em fevereiro. E completou informando que só neste ano o Governo do Estado já abriu 500 leitos exclusivos para Covid-19.

O resultado prático da reunião será conhecido em decreto a ser editado hoje, após uma rodada de conversas complementares com representantes da sociedade organizada, especialmente os do segmento econômico. Mas no próprio encontro foram definidas medidas em seguida reveladas pelo governador Flávio Dino: suspensão do trabalho presencial no serviço público por 10 dias, expansão de linhas de ônibus, aumento do número de leitos hospitalares, abrangendo Estado e Prefeituras, bem como a formação de uma força-tarefa com os municípios, com a participação dos outros Poderes para fiscalizar e punir quem não usar máscaras em vias públicas. Se após 10 dias as medidas não forem suficientes para conter o atual ciclo de avanço do novo coronavírus, outras, mais abrangentes e mais rígidas, serão adotadas.

Como se vê, o Palácio dos Leões sediou ontem um evento maiúsculo destinado a intensificar o combate ao novo coronavírus, reforçando o fato de que o Maranhão tem sido referência nessa luta. Exatamente por que tem um Governo administrativamente eficiente e politicamente correto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governadores reagem duro a Bolsonaro por divulgação maniqueísta de repasses aos Estados

Jair Bolsonaro criticado por governadores por uso aético dos repasses aos estados

A carta aberta divulgada ontem por 17 dos 26 governadores, entre eles o maranhense Flávio Dino (PCdoB), reagindo ao jogo de má fé que faz o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao divulgar valores repassados aos Estados provenientes da divisão do bolo tributário nacional, que são obrigatórios, previstos na Constituição da República, como se fossem recursos concedidos aos entes federativos como um favor presidencial. Na carta, os governadores acusam o presidente de construir “imagens maniqueístas” visando o “enfraquecimento da cooperação federativa essencial aos interesses da população” ao publicar “má informação”, priorizando “o confronto”, que podem promover conflitos entre a sociedade e Governos estaduais. Justa e em tom adequado, a reação dos governadores chega com algum atraso, pois não foi a primeira vez que o presidente usou esse artifício, tendo um ou outro governante reagido sem a ênfase necessária para colocar as coisas nos seus devidos lugares.

Em lives no último fim de semana, o presidente Jair Bolsonaro divulgou que no ano passado a União repassou R$ 847 bilhões aos Estados, sem, no entanto, dar as explicações devidas sobre a base legal desses repasses. Na sua divulgação, tecnicamente inexplicável, por não ser assunto da sua alçada, e eticamente censurável, por se sustentarem numa inverdade, o presidente passou a ideia de que seriam recursos liberados por ele e seu Governo para ajudar os governadores a enfrentar problemas, entre eles a pandemia do novo coronavírus. O que foi liberado com esse objetivo foram R$ 74 milhões, nada mais.

Vale lembrar que recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), do Sistema Único de Saúde (SUS), Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que formam parte da base da receita dos Estados, são constitucionais, a partir do que a União arrecada nos estados em Imposto de Renda e em Imposto sobre Produtos Industrializados, por exemplo. Sua divisão tem a população como critério básico, e os valores repassados aos Estados são calculados pela Secretaria do Tesouro Nacional com o controle institucional do Tribunal de Contas da União. Ao mesmo tempo, recursos usados pelo Governo Federal para bancar o Auxílio Emergencial são recursos de receita da União, que fica com a maior fatia dos impostos federais, e não têm nada a ver com os Estados – caso também do Bolsa Família.

O dado mais importante: o presidente da República nada tem a ver com isso, e os governadores não lhe devem explicação sobre como usam esses recursos garantidos pela Constituição, exatamente pelo fato de eles serem originados nos estados. A divulgação das receitas estaduais é, óbvio, uma malandragem política do presidente Jair Bolsonaro, que, pressionado pelo péssimo desempenho administrativo e pela desastrosa condução da crise sanitária, resolveu se manter no palanque, criando factoides. Sem suporte político e partidário forte – nem partido tem – e por saber que o Centrão não lhe é fiel, o presidente conta, porém, com uma base de apoiadores hoje imprecisa, mas ainda forte o suficiente para alimentar sua obstinação pela reeleição, que está cada vez mais distante.

Para se ter uma ideia da malandragem presidencial quanto a repasses, ontem, acolhendo reclamação-denúncia do governador Flávio Dino, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, concedeu medida liminar obrigando o Ministério da Saúde a retomar imediatamente o financiamento de leitos de UTI no Maranhão, suspenso em dezembro por pura e inexplicável má fé.

 

Carlos Lula ganha prestígio como secretário de Saúde e presidente do Conass

Carlos Lula: em alta como gestor e líder do Conass

O secretário de Saúde, Carlos Lula, ampliou ontem, expressivamente, o seu lugar entre os brasileiros que, no comando de órgãos públicos, estão tendo papel destacado na luta contra a pandemia. Ao mesmo tempo em que cuidava de alinhavar medidas mais duras para conter o recrudescimento momentâneo do avanço do novo coronavírus no Maranhão, colhia os bons resultados da Carta Aberta do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conas), do qual é presidente, criticando a inacreditável atitude do presidente Jair Bolsonaro de desestimular o uso de máscara, usando o argumentando negacionistas de considerá-la ineficaz. O documento, que ganha importância histórica, veio em reforço à igualmente histórica Carta Aberta das 36 sociedades médicas, divulgada no sábado (27), fazendo a mesma crítica à posição do presidente e apelando fortemente para que os brasileiros criem consciência em relação à necessidade desses cuidados. Carlos Lula, que é advogado por formação, se revelou e tem se mantido um homem público surpreendente, principalmente pela eficiência com que vem comandando a luta contra o coronavírus no Maranhão, como chefe inconteste do Sistema Estadual de Saúde e no País como presidente do Conass.

São Luís, 02 de Março de 2021.

 

Brandão e Weverton amadurecem seus projetos de poder numa intensa agenda de pré-campanha

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha: dois estilos  e dois projetos de poder diferentes em curso para o Governo do Maranhão

Ainda faltando pouco mais de 600 dias para o grande embate eleitoral de 2022 e em meio a agitada onda de especulações a respeito de quem será quem na disputa dos cargos majoritários, os últimos dias surpreenderam pela movimentação de candidatos a candidato à sucessão do governador Flávio Dino (PCdoB). A onda ganhou volume em Imperatriz, onde o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), surpreendeu o meio mundo ao se lançar candidato a governador, e logo em seguida o deputado federal Hildo Rocha avisou que, se o senador Roberto Rocha (ainda no PSDB) não for candidato ao Governo, o MDB lançará candidato, podendo ser ele próprio. Se esses episódios de desdobramentos improváveis animaram a seara política e partidária, agitação mais intensa, mesmo que sem grande alarde, foi causada pelos movimentos dos dois principais pré-candidatos ao Palácio dos Leões até aqui, o vice-governador Carlos Brandão (Republicanos) e o senador Weverton Rocha (PDT). Ambos, cada um a seu modo, reforçaram seus projetos de candidatura.

O vice-governador Carlos Brandão, entre um e outro compromisso formal representando o governador Flávio Dino, vem cumprindo agenda política cheia, recebendo prefeitos, vereadores e líderes municipais para conversas que avançam pela noite no Palácio Henrique de la Rocque. Cuidadoso, atua de maneira discreta, usando a experiência de quem foi chefe da Casa Civil no Governo intensamente político de José Reinaldo Tavares, e com a segurança de vice-governador reeleito e sem ter criado qualquer incômodo para o governador Flávio Dino, que o tem como um aliado eficiente e confiável. Seu partido saiu das urnas com 25 prefeitos e 213 mil votos majoritários em São Luís.

Na semana que passou, Carlos Brandão conversou com dezenas de líderes de diversas regiões, entre eles o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, apoiador assumido do seu projeto de candidatura, que foi visitá-lo acompanhado de vereadores e líderes daquela região. Não bastasse isso, o vice-governador viu nascer na Assembleia Legislativa o Bloco Democrático, formado por sete deputados – Duarte Júnior (Republicanos), Ariston Ribeiro (Republicanos), Fábio Macedo (Republicanos), Detinha (PL), Daniella Tema (DEM), Vinícius Louro (PL) e Leonardo Sá (PL) -, visto por todos os observadores como um suporte do seu projeto de candidatura. No início da noite de quinta-feira (25), ao responder a uma ligação da Coluna, revelou seu estado de ânimo: “As coisas vão indo muito bem, melhorando a cada dia”.

O senador Weverton Rocha, por sua vez, não para. Ele se desdobra para ser o parlamentar produtivo no Senado, o presidente do PDT no Maranhão e o arrojado e determinado candidato a candidato a governador. Sobre esse último item, ele tem respondido às indagações afirmando que nunca deu qualquer declaração se dizendo candidato, o que é verdade. Mas é verdade também que nunca disse que não o será. Para o resto do mundo é tão ou mais candidato do que seu principal oponente, com quem trava no momento uma guerra sem trégua por corações e mentes na seara política maranhense. Seu gabinete em Brasília é ponto de referência para praticamente todos os líderes políticos maranhenses. Seu partido elegeu 42 prefeitos, mas sem um só voto majoritário em São Luís

Além da máquina partidária que comanda e do poder de fogo que usa com a distribuição dos recursos de emendas ao Orçamento da União – agora mesmo, por exemplo, conseguiu garantir alguns milhões de reais para dois hospitais, um para Imperatriz, na Região Tocantina, e outro para Pinheiro, na região da Baixada, conta ainda na Assembleia Legislativa com um grupo informal que tem o presidente Othelino neto (PCdoB) como referência principal. Também dispõe de uma megaestrutura de divulgação, com aliados na blogosfera, em dois programas de rádio, além da poderosa e ramificada estrutura municipalista da Famem, comandada por Erlânio Xavier (PDT), prefeito de Igarapé Grande e seu fiel escudeiro e coordenador-mor das suas campanhas.

Carlos Brandão e Weverton Rocha representam claramente dois modos de fazer política. O primeiro investindo no discreto mais eficiente trabalho nos bastidores, na conversa ao pé do ouvido, nos acordos sem alarde. O segundo atua mais abertamente, conversando muito e usando o seu poder senatorial para beneficiar municípios, onde prefeitos aliados embalam seu projeto. É quase certo que os dois serão testados nas urnas em Outubro do ano que vem.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino responde a declaração sem lastro de Bolsonaro

Flávio Dino rebate com com força e eficiência o destempero verbal de Jair Bolsonaro

O governador Flávio Dino (PCdoB) reagiu com realismo e ironia à declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) segundo a qual “os governadores que fecharam seus estados devem custear a nova rodada do auxílio emergencial”. Implacável, o dirigente maranhense devolveu: “Se os governadores tiverem que bancar até o auxílio emergencial, aí mesmo é que o presidente da República vai provar sua total inutilidade”.

A reação do governador Flávio Dino às patacoadas verbais do presidente Jair Bolsonaro tem sido coerentes e absolutamente dentro do limite do aceitável num ambiente civilizado. Bem diferentes do que faz costumeiramente o chefe da Nação, que diz uma asneira atrás da outra, como essa de criticar o uso de máscara no dia em que o País, já com mais de 250 mil mortos por Covid-19, registrou o maior número de óbitos em 24 horas.

Falando sério, o presidente Jair Bolsonaro parece não ter noção do que fala quando faz esse tipo de ameaça aos governadores. Primeiro porque qualquer atitude que ele tomar no sentido de suspender o pagamento do auxílio emergencial para um ou mais estados, estará rompendo os princípios federativo e da isonomia, o que significará meter-se numa encrenca que produzirá motivo indiscutível para um processo de impeachment.

Jair Bolsonaro sente pavor de ter de enfrentar Flávio Dino num cara-a-cara, exatamente pela certeza que tem de que seria triturado. Isso porque, mesmo que recorresse ao xingamento, passaria à opinião pública como um presidente despreparado, o que não é mais nenhuma novidade.

 

Especuladores erraram sobre o futuro de Edivaldo Holanda Jr. no PDT

Edivaldo Holanda Jr.: tudo indica que ficará no PDT, apesar do clima tenso

Andaram especulando sobre o futuro partidário do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., hoje filiado ao PDT. Os especuladores, mais afoitos o “filiaram” a diferentes partidos, mas sem qualquer informação segura sobre sua permanência ou não no arraial brizolista.

Até o impassível busto de bronze de la Ravardière em frente à Prefeitura sabe que não é boa a relação do ex-prefeito com o presidente do PDT, senador Weverton Rocha, que passaram bom tempo sem sequer trocar cumprimentos. Mas sabe também nem Edivaldo Holanda Jr. tem interesse em deixar o PDT nem Weverton Rocha quer que ele deixe o partido.

E é exatamente pelo interesse que move cada um que, pelo menos por enquanto, o ex-prefeito de São Luís tende a permanecer onde está, para agrado do chefe pedetista.

São Luís, 28 de Fevereiro de 2021.

Weverton na linha de frente da guerra contra a privatização da Eletrobrás proposta por Bolsonaro

 

Weverton Rocha: na linha de frente da  briga no Congresso Nacional contra a proposta de privatizar a Eletrobrás

O senador Weverton Rocha (PDT) está na linha de frente do embate que se trava em torno da proposta de privatização da Eletrobrás em tramitação no Congresso Nacional. Como já era esperado, por causa da sua complexidade e do seu impacto no meio político, no mercado e na sociedade como um todo, a Medida Provisória (MP) 1.031/2021, editada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com as regras para a privatização da Eletrobrás, vem agitando as duas Casas do Congresso Nacional. Na Câmara Federal, a MP, que contém 16 artigos, recebeu nada menos que 469 emendas, enquanto que no Senado, 13 senadores, entre eles Weverton Rocha (PDT), apresentaram 101 propostas de alteração do texto. As emendas, tanto as da Câmara Federal quanto as do Senado, tratam dos mais diferentes aspectos que envolvem uma estatal como a Eletrobrás, desde a manutenção dos empregos que gera, até alterações abrangentes nas complexas estruturas tecnológicas das empresas regionais que controla.

Adversário assumido das privatizações, o senador Weverton Rocha (PDT) tomou posição contrária e implacável à MP, reafirmando sua total discordância em relação à privatização da Eletrobrás, por entender que o setor elétrico é um dos mais estratégicos do País, não devendo sair do controle estatal nem da condição de patrimônio dos brasileiros. Na sua concepção, que coincide com o discurso histórico do PDT brizolista sobre áreas vitais que devem permanecer sob o controle do Estado, a geração, a distribuição e a comercialização de energia elétrica são atividades de segurança nacional, não devendo ser entregues à iniciativa privada, menos ainda se a privatização for aberta à participação de empresas estrangeiras.

Provavelmente avaliando que a privatização do Setor Elétrico caminha para a concretização, e que será voto vencido nessa guerra em curso no parlamento, o senador Weverton Rocha decidiu manter sua posição apresentando 11 emendas – tornando-se o terceiro com maior número de propostas de alteração. Só que entre elas, uma surpreendeu na radicalização, uma vez que propõe a supressão, pura e simples, de todos os 16 artigos da MP. Ou seja: a inviabilização integral da medida, sob o argumento de que a privatização da Eletrobrás “parte de mentalidade entreguista que considera como ´bom negócio` o leilão, por trocados, de patrimônio do povo brasileiro”.

O senador Weverton Rocha vai além na defesa da sua posição contrária à privatização total do Setor Elétrico, argumentando que a decisão de vender a Eletrobrás exige muito mais do que um ato do Poder Executivo com autorização do Poder Legislativo: “A Eletrobrás é um patrimônio da nação brasileira, e sua privatização deve ser discutida, indubitavelmente e exaustivamente, não só no âmbito econômico, mas também no Legislativo, contando, inclusive, com referendo popular”. Ele avalia que a privatização, na forma como está proposta, por meio de medida provisória, “gera incerteza, por exemplo, com relação à manutenção de programas pioneiros, como o Luz para Todos, e a real desconfiança de que localidades longínquas e de difícil acesso, não gerando lucro para o concessionário, dificilmente terão acesso facilitado à energia elétrica fornecida a preços acessíveis”. (Vale lembrar que nos Governos Lula e Dilma Rousseff, mais de um milhão de maranhenses tiveram acesso à energia elétrica por meio do Viva Luz).

E arremata, recorrendo a um argumento poderoso, que tem base em experiência já consolidada – como a privatização da Cemar, hoje controlada pela iniciativa privada, rebatizada de Equatorial, que abastece o Maranhão com a energia elétrica mais cara do País: “A privatização pode ocasionar aumentos desmedidos e descontrolados no custo da energia elétrica para a população. Como proposta, a desestatização abre caminho para a perigosa participação de grupos estrangeiros no setor que é, sem dúvida, um dos mais estratégicos da Nação”.

Uma guerra difícil, mas que vale apena ser travada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Pandemia: Flávio Dino diz que momento preocupa, mas descarta lockdown

Flávio Dino reforça pregação por cuidados contra o novo coronavírus

Descartada, por enquanto, a adoção do lockdown no Maranhão por causa da nova onda de avanço do novo coronavírus no estado, a começar por São Luís. Isso não significa, nem de longe, a ideia de relaxamento. Ao contrário, o Governo do Estado deve anunciar, a qualquer momento, algo como um pacote de medidas restritivas para evitar aglomerações, de modo a evitar que a pandemia avance no estado. Foi esse o cenário mostrado ontem pelo governador Flávio Dino (PCdoB) na entrevista coletiva na qual fez um balanço da situação da pandemia e anunciou providências e fez previsões para os próximos dias.

Um ponto essencial da sua avaliação: mesmo com aumento momentâneo no número de óbitos e no de internações, o Maranhão não enfrenta uma explosão de casos nem uma situação de colapso. Ao mesmo tempo, alertou que, mesmo com a pandemia sob controle, o atual momento inspira cuidados. E é exatamente essa preocupação que devem ter todos os maranhenses, porque, somados, os cuidados individuais – o máximo de distanciamento social, uso de máscara, higienização das mãos com álcool em gel, entre outros – formam a grande barreira coletiva contra a propagação do novo coronavírus.

Além de manter e reforçar a surpreendente estrutura hospitalar que implantou para combater a pandemia, o governador Flávio Dino vem focando firme na vacinação, operando com eficiência na distribuição aos municípios das 368 mil doses de vacinas que já chegaram ao Maranhão, das quais 250 mil já chegaram aos municípios, sendo que 188 mil foram aplicadas.  Isso numa situação em que trava intensa queda-de-braço com o Governo da União pelo direito de adquirir imunizantes para acelerar o processo de imunização.

O momento é de preocupação, mas mesmo assim, o Maranhão continua como o estado que melhor tem enfrentado o novo coronavírus.

 

Lahesio Bonfim, um prefeito em campanha para o Governo

Lahesio Bonfim quer ser governador

O prefeito de São Pedro dos Crentes – pouco mais de cinco mil habitantes na região polarizada por Barra do Corda -,  Lahesio Bonfim (PSL), está mesmo em campanha de candidato a candidato ao Governo do Estado, tendo iniciado essa agenda em ato político realizado semana passada em Imperatriz. Médico por profissão e movido pelos cânones bíblicos dos evangélicos, ele é bolsonarista assumido, mas deixa claro que o seu projeto de disputar a sucessão do governador Flávio Dino não está atrelado ao do presidente Jair Bolsonaro de renovar o mandato. Lahesio Bonfim se apresenta como “o melhor prefeito do Maranhão e “um dos melhores do Nordeste”, proclamação que ele faz baseado no IDEB, que garante ser o de São Pedro dos Crentes o mais alto entre os 217 municípios do Maranhão. E garante que, se eleitor for, vai transformar o Maranhão numa potência. Quem ouve o prefeito de São Pedro dos Crentes, suspeita de que ele esteja brincando, mas com um pouco mais de atenção o de achar que ele fala sério.

São Luís, 27 de Fevereiro de 2021.

PTB: Mical Damasceno tem o desafio de preencher lacuna e evitar desgaste com a destituição de Pedro Lucas

 

Mical Damasceno: entusiasmo visível entre Graciele Nienov  vice-presidente e presidente do PTB Mulher e o presidente nacional do partido, Roberto Jefferson

A deputada estadual Mical Damasceno assumiu o grande desafio da sua trajetória política até aqui: comandar o braço do PTB no Maranhão, sucedendo ao deputado federal Pedro Lucas Fernandes, destituído da presidência pelo presidente nacional, ex-deputado federal Roberto Jefferson, por votar contra a soltura do deputado bolsonarista Daniel Silveira, preso por ordem do Supremo Tribunal Federal por ataques a ministros do STF, à Constituição e à Democracia. Ela foi nomeada presidente do braço maranhense 20 meses antes das eleições, o que torna o desafio muito maior do que a tarefa pura e simples comandar a legenda. A parlamentar recebeu um partido organizado e reforçado nas eleições municipais devido ao eficiente e produtivo trabalho político e partidário do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que resultou na eleição de 14 prefeitos, o dobro do número de eleitos em 2016. O seu trabalho será preencher o rombo monumental aberto pelo ato despótico de Roberto Jefferson destinado a agradar ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), provavelmente sonhando que ele, Bolsonaro, se filie ao PTB, como andam especulando alguns analistas de Brasília.

Politicamente forjada no pragmatismo pentecostal, que mistura, sem reservas e sem pruridos bíblicos, prática religiosa com política partidária, a deputada Mical Damasceno é bolsonarista assumida, tanto que não se posicionou a favor de Pedro Lucas Fernandes, indicando concordar, pelo menos em parte, com as ideias de Daniel Silveira.  Filha de um líder da Assembleia de Deus no Maranhão, defensora inabalável da sua fé, a ponto de às vezes iniciar seus discursos com cantos de louvor, a deputada Mical Damasceno terá agora de entrar na pouco rígida e muito pragmática seara das negociações políticas. Afinal, ela recebeu a incumbência de comandar uma legenda com representantes no comando de 14 municípios, vice-prefeitos em vários outros e um pequeno exército de vereadores espalhados estado afora, o que dá ao PTB espaço e peso consideráveis no cenário político estadual.

Não será tarefa fácil, pois, além de eficiência gerencial, a tarefa exige sobretudo liderança, que consiga criar nas entranhas do partido um ambiente de confiança, que possa funcionar como fator de agregação. Colocando em prática tudo o que aprendeu com o pai, o ex-deputado federal e hoje prefeito de Arame, Pedro Fernandes, o deputado Pedro Lucas Fernandes havia se consolidado no tabuleiro político maranhense como um líder político correto e confiável, o que, goste ela ou não, continuará como uma referência. Afinal, uma liderança partidária não se constrói da noite para o dia nem por obra e graça de uma decisão autoritária como foi a que tirou o parlamentar do comando do partido no Maranhão.

Transformada, de repente, no braço avançado de Roberto Jefferson no PTB do Maranhão, a deputada Mical Damasceno deve apurar o seu faro político e ajustar o seu desconfiômetro. A justificativa: a destituição de Pedro Lucas Fernandes assanhou vários interessados no controle do partido. O mais visível e influente deles é o senador Roberto Rocha, que está com um pé fora do PSDB, sendo o PTB uma opção, estruturado e azeitado como se encontra, é visto como um filão político e certamente terá seu comando disputado intensamente nos bastidores. As próximas semanas mostrarão a intensidade dessa disputa, que poderá fortalecer ou triturar a liderança da deputada Mical Damasceno.

Ao mesmo tempo, num contexto em que as forças políticas buscam turbinar as suas estruturas e alianças partidárias, principalmente as comandadas por candidatos a candidato a governador, o PTB sob a direção da deputada Mical Damasceno aparece como um alvo atraente. Isso porque é um partido estruturado, bem organizado, com um cacife razoável, algum tempo de TV, ideal, portanto, para aumentar o poder de fogo de uma aliança que tenha candidato a governador. Até aqui, o PTB tendia claramente a entrar na base do projeto de poder do senador Weverton Rocha (PDT), como fez na disputa para a Prefeitura de São Luís. Sob a direção da deputada Mical Damasceno esse caminho passa a ser uma incógnita, pelo menos até que ela mesma conduza o partido a um rumo claro, ou passe o bastão presidencial adiante, numa nova mudança de comando.

O fato é que neste exato momento o futuro do PTB no Maranhão é rigorosamente incerto.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tiro do PROS contra mandato presidencial de Othelino Neto saiu pela culatra

Othelino Neto (centro) com a Mesa Diretora eleita em 2019 para o biênio 2021/2022

Acertou no próprio pé quem tentou usar a decisão do Supremo Tribunal Federal que proibiu, por inconstitucionalidade, a reeleição de presidentes de Casas Legislativas para minar o mandato do atual presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB). Ao responder à provocação do Partido Republicano da Ordem Social (PROS) questionando a legalidade do mandato presidencial em vigor no parlamento maranhense, o ministro Alexandre Moraes foi claro e definitivo: o mandato é legal e sem irregularidade.

Realizada no dia 5 de Maio de 2019, a reeleição do presidente da Assembleia Legislativa se deu sustentada por uma Emenda à Constituição do Estado, a de número 60, de autoria do deputado Roberto Costa (MDB), como aval de todas as bancadas, alterando artigo da Carta para permitir a reeleição. Era uma prerrogativa do parlamento, que foi utilizada sem qualquer questionamento. A medida do Supremo, dois anos depois, não tinha como alcançar os efeitos da mudança, só passando a valer para futuras eleições. É o caso, por exemplo, do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Osmar Filho (PDT), que não poderá ser reeleito para o biênio 2023/2024.

O questionamento foi político, sem qualquer interesse na correção de suposta ilegalidade na norma que regula a eleição da mesa Diretora da Assembleia Legislativa. Está mais que claro que a motivação foi a possibilidade de interromper a escalada política do deputado Othelino Neto, que vem conduzindo o Poder Legislativo com habilidade e senso de oportunidade, transformando seus movimentos em capital político e eleitoral.

A Coluna já bateu várias vezes nessa tecla, mas vale lembrar: o atual presidente da Assembleia Legislativa passará a ser vice-governador do Maranhão a partir de Abril do ano que vem, quando o governador Flávio Dino renunciar para disputar uma cadeira no Senado. Pode também ser candidato a senador se o governador decidir disputar um mandato nacional. E pode até vir a ser governador, caso Flávio Dino saia e o vice-governador Carlos Brandão resolva seguir outro caminho. Logo, é lícito supor existam forças se movimentando para minar o seu cacife.

A iniciativa do PROS e o fiasco que ela produziu colocam em posição incômoda o deputado federal Gastão Vieira, que provavelmente não está envolvido nessa patacoada, e o deputado estadual Yglésio Moises, que mantém relação estreita com o presidente da Assembleia Legislativa e dificilmente participaria de um jogo desses. Mas a política é dinâmica e, cedo ou tarde, trará à tona quem está por trás de uma certa Confederação Nacional dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral e Logística, patrocinadora da ação assinada pelo advogado Kowalski Do Carmo Costa Ribeiro, estabelecido em Brasília.

 

Braide cumpre meta de campanha ao conceder auxílio emergencial a artistas e grupos carnavalescos

Eduardo Braide concedeu auxílio a artistas e grupos carnavalescos 

O prefeito Eduardo Braide (Podemos) sancionou o Projeto de Lei que criou o auxílio municipal emergencial Carnaval de São Luís, destinado a artistas e grupos culturais que não puderam se apresentar com a suspensão do período momesco por causa da pandemia do novo coronavírus. O benefício pode variar de R$ 1 mil a R$ 10 mil, e será concedido sem a necessidade de contrapartida. Na apresentação do projeto está informado que a Prefeitura disponibilizou R$ 1 milhão para bancar a iniciativa.

Com a sansão da lei, que foi aprovada pela Câmara Municipal em regime de urgência, o prefeito Eduardo Braide cumpre parte dos compromissos que assumiu com o segmento cultural durante a campanha eleitoral. No seu discurso de candidato, ele foi enfático ao afirmar que, se eleito, daria atenção aos eventos e aos produtores de cultura na Capital, incluindo medidas emergenciais, como o auxílio, por exemplo.

Falta agora o compromisso maior nessa: a definição de um calendário anual de atividades, com uma programação bem definida, de modo a dar oportunidade a todos os segmentos da cultura, independentemente das manifestações de época.

São Luís, 26 de Fevereiro de 2021.

Duarte Júnior X Yglésio Moises: a confirmação de um confronto anunciado na disputa em São Luís

 

Duarte Júnior e Yglésio Moises: confronto anunciado desde a disputa de 2020

Estava escrito, como numa crônica de confronto anunciado, que os deputados Duarte Júnior (Republicanos) e Yglésio Moises (PROS) iriam, cedo ou tarde, além da troca de petardos nas redes sociais, em programas de rádio e na blogosfera, travar um embate direto no plenário da Assembleia Legislativa, com troca de ofensas e risco de pugilato. Aconteceu ontem, numa sessão comandada pela deputada Cleide Coutinho (PDT), que com muito esforço e com o apoio da segurança, conseguiu evitar que a guerra de insultos chegasse às vias de fato. No exercício do primeiro mandato, os dois parlamentares, que têm São Luís como base política e eleitoral principal, trocam insultos desde os primeiros movimentos da pré-campanha para a sucessão na prefeitura da Capital, numa guerra intensa, sem trégua, e que agora deve obrigar o presidente Othelino Neto (PCdoB) a tomar providências no sentido de levar os dois a conter os seus ânimos.

Duarte Júnior e Yglésio Moises são jovens, inteligentes, preparados e determinados a ocupar espaços importantes no cenário político do Maranhão. Cada um tem seu estilo de fazer política, ambos divergem sobre diversos temas e também no que diz respeito a postura. Duarte Jr. militou na campanha de 2014, abriu caminho como auxiliar de Felipe Camarão – hoje secretário de Educação – no Procon, revelando-se um quadro talentoso e de futuro. Yglésio Moises fez carreira como médico competente, ao mesmo tempo, não foi feliz como gestor público, tendo estreado como diretor do Socorrão nos primeiros meses da gestão do prefeito Edivaldo Holanda Jr.

Duarte Júnior aproveitou como ninguém a oportunidade que o governador Flávio Dino (PCdoB) lhe deu entregando-lhe o comando do Procon e, mais tarde, também do Viva Cidadão, fazendo uma gestão arrojada, com resultados palpáveis e com forte impulso midiático. Naquele período, demonstrou senso de oportunidade e começou a fazer uso competente das redes sociais, onde dava a embalagem política aos bons resultados alcançados no Procon-Viva Cidadão, conquistando uma legião de seguidores, muitos deles decididos a apoiá-lo eleitoralmente. Deixou o cargo em abril de 2018 apontado por todos como virtualmente eleito para a Assembleia Legislativa, o que aconteceu, tendo ele sido o terceiro mais votado, tornando-se, já naquele momento, candidato potencial à Prefeitura de São Luís.

Talvez por falta de experiência e por decisões impulsivas no afã de fazer o melhor, Yglésio Moises fez uma gestão controversa no comando do Socorrão, havendo testemunhos de excelente desempenho em algumas áreas, mas também de equívoco em outras, e com a vantagem de que se moveu pela honestidade e pelo idealismo. O prefeito Edivaldo Holanda Jr. não concordou com o seu estilo de gestão nem com algumas medidas – como a de pedir doação de alimentos para o Socorrão, por exemplo -, tendo em pouco tempo minado sua presença no cargo, terminando com a troca de comando. Militante das fileiras do PDT, Yglésio Moises ganhou apoio de seguidores, elegeu-se deputado estadual em 2018 com votação mediana, e também avisando que disputaria a Prefeitura de São Luís em 2020.

A guerra hoje travada por Duarte Júnior e Yglésio Moises é, na verdade, uma guerra por espaço em São Luís. Isso ficou muito claro durante a campanha, período em que Yglésio Moises elegeu Duarte Jr. como adversário-alvo, tendo Duarte Jr. reagido com veemência.

Embalado pelos ecos da sua atuação no Procon-Viva, no apoio do governador Flávio Dino e do vice-governador Carlos Brandão (Republicanos), Duarte Júnior saiu das urnas com 113.430 votos no 1º turno e com quase o dobro no 2º turno: 216.665, um cacife que fez dele uma liderança forte na Capital. Por sua vez, Yglésio Moises fez uma campanha mostrando sua inteligência e o seu bom lastro de informações, mas foi alvejado pela polarização e saiu das urnas com apenas 9.816 sufrágios. No segundo turno, abraçou a candidatura de Eduardo Braide (Podemos) e, estimulado pela tropa de choque que num passe de mágica se incorporou à campanha do futuro prefeito, bateu sem dó nem piedade em Duarte Júnior, agravando ainda mais a tensão

O confronto verbal de ontem no plenário da Assembleia Legislativa sinalizou com clareza que as desavenças que separam Duarte Jr. de Yglésio Moises dificilmente serão resolvidas se não houver uma mediação equilibrada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tucanos podem entregar o comando do ninho maranhense à Eliziane Gama

Eliane Gama no PSDB?

A senadora Eliziane Gama está em compasso de espera em relação às mudanças que estão sacudindo os grandes partidos. Há quem diga que ela estaria sendo sondada para assumir o comando do PSDB no Maranhão, se o senador Roberto Rocha vier a deixar o ninho dos tucanos para seguir o rumo partidário que o presidente Jair Bolsonaro escolher. A lógica sugere que, caso Roberto Rocha se desligue do ninho, o comando do PSDB do Maranhão será naturalmente entregue ao ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, o mais autêntico dos tucanos maranhenses. Ocorre que em momentos como esse o pragmatismo fala mais alto, levando a cúpula nacional a entregar o comando regional a um detentor de mandato. E uma fonte da Coluna avalia que a senadora, que está bem no Cidadania, mas precisa de um partido forte para viabilizar movimentos futuros, tem o perfil ideal para se converter ao tucanismo e assumir o comando do ninho no Maranhão.

 

Além de pré-candidato a governador, Hildo Rocha quer o comando do MDB

Hildo Rocha quer o MDB

Na mesma entrevista em que levantou a possibilidade de vir a ser candidato do MDB ao Governo do Estado, caso o senador Roberto Rocha (PSDB, por enquanto) não entre na disputa, o deputado federal Hildo Rocha surpreendeu dizendo que o MDB maranhense se prepara para mudar o seu comando. Segundo ele, o ex-senador João Alberto deixará a presidência regional do partido em pouco tempo, abrindo caminho para a escolha de um novo comando. O parlamentar, que é alinhado ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), fora, portanto, da curva adotada pelo MDB, emite fortes sinais de que vai brigar pelo comando do partido, dando a entender que, se eleito, desmanchará o alinhavado que vem mantendo o partido de pé no estado, mas com independência em relação ao governador Flávio Dino. Se pretende mesmo tomar o comando do MDB no Maranhão, é bom estar preparado para a disputa. A começar pelo fato de que, sob a coordenação do vice-presidente, deputado Roberto Costa, o MDB é hoje um partido comandado por líderes jovens, que sabem onde querem levar a agremiação, e não entregarão o “ouro com facilidade”.

São Luís, 25 de Fevereiro de 2021.

Hildo Rocha diz que pode ser o candidato a governador se Roberto Rocha não disputar pela oposição

 

Hildo Rocha diz que será candidato a governador nas eleições do ano que vem se Roberto Rocha não o for

“Sou candidato a reeleição a deputado federal. No entanto, se não aparecer nenhum outro nome de oposição ao grupo político de Flávio Dino, eu serei candidato ao Governo do Maranhão”. A declaração, surpreendente, mas politicamente realista, partiu do deputado federal Hildo Rocha (MDB), um dos poucos nomes do Grupo Sarney, mais precisamente do núcleo diretamente ligado à ex-governadora Roseana Sarney (MDB), que se mantiveram de pé depois da pancada que sofreu nas eleições de 2014 e que se repetiu no pleito de 2018, ambas vencidas, de maneira avassaladora, por Flávio Dino (PCdoB) e a aliança que lidera até aqui. A manifestação do parlamentar, por muitos apontado como expoente da direita do Grupo Sarney, indica que não existe movimento oposicionista se articulando para a sucessão estadual, o que deixa no ar a impressão de que a manifesta intenção do deputado Hildo Rocha de vir a se candidatar ao Palácio dos Leões é um gesto isolado, provavelmente sem futuro.

Curiosamente, o deputado Hildo Rocha fala como membro do MDB, sem levar em conta o fato de que está no seu partido o único nome com possibilidade de sucesso numa disputa majoritária, a ex-governadora Roseana Sarney, que pode entrar na briga com cacife entre 20% e 30% das intenções de voto, potencial capaz de levá-la a um eventual segundo turno. O parlamentar emedebista demonstra mais interesse num possível projeto sucessório do senador Roberto Rocha.

Hildo Rocha prefere apostar suas fichas numa eventual candidatura do senador Roberto Rocha (PSDB ou um novo partido), que por sua vez não tem emitido sinais fortes de que esteja de fato interessado na briga pelo Palácio dos Leões, já tendo também sinalizado que não está interessado no projeto de renovar o mandato senatorial.

O ainda tucano parece ciente de que suas chances numa disputa majoritária em 2022 são remotas, mesmo que ele entre na disputa carregando o estandarte bolsonariano.

Ex-prefeito de Cantanhede, com fortes raízes na região do Munim, Hildo Rocha chegou ao centro do poder no Maranhão depois de ter sido o principal assessor de Roseana Sarney no Senado, e depois como um dos seus auxiliares mais influentes entre 2009 e 2014, período em que atuou com uma excepcional carga de poder, tanto que se elegeu deputado federal com mais de 120 mil votos, votação que caiu à metade em 2018. Não dá para medir hoje o cacife eleitoral do deputado Hildo Rocha se o seu projeto for, de fato, tentar reeleger-se para a Câmara Federal, onde exerce um mandato produtivo e ao mesmo tempo controverso. Caso, por exemplo, do seu voto contrário à prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira, divergindo da orientação do MDB, que se posicionou favorável à prisão.

Não é correto afirmar que o deputado Hildo Rocha esteja blefando quando se declara disposto a disputar o Governo do Estado pela oposição num cenário em que, tudo indica, estarão o vice-governador – que na época já será governador – Carlos Brandão (Republicanos) e o senador Weverton Rocha (PDT) – e provavelmente o atual prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSL), conforme anúncio feito por ele próprio, na semana que passou, em Imperatriz. Em princípio, qualquer avaliação certamente concluirá que, a menos que queira sacrificar-se politicamente, suas chances são muito remotas. Mas há quem diga, por conhecimento de causa ou por pura maldade, que Hildo Rocha tem chances de ser candidato do MDB a governador. O problema é que não se sabe ainda qual o seu cacife político e seu potencial eleitoral.

Em Tempo: a entrevista do deputado Hildo Rocha foi concedida ao site Radar, do jornalista Toni Duarte, em Brasília.

    

PONTO & CONTRAPONTO

 

Mobilidade: Assembleia Legislativa adapta tribuna e dá voz e dignidade a Andreia Rezende

Andreia Resende na tribuna e cumprimentada pelo presidente Othelino Neto num momento marcante 

Ainda com o convívio limitado por conta do novo coronavírus, o plenário da Assembleia Legislativa viveu ontem um momento que despertou nos deputados os sentimentos de emoção e afirmação. A deputada Andreia Rezende (DEM), que teve seus movimentos limitados por um acidente automobilístico durante a campanha eleitoral de 2018, ocupou pela primeira vez a tribuna da Casa, que foi adaptada para seu uso, sendo a primeira do Maranhão com as adaptações para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

Poder acessar à tribuna e dele se manifestar sem dificuldades, e com a certeza de poder usá-la sempre que lhe interessar mergulhou a deputada Andreia Rezende na emoção. Uma das suas reações foi agradecer ao presidente Othelino Neto (PCdoB), por ter atendido ao seu pedido de que algo fosse providenciado nesse sentido.  “Desde o início do meu mandato, tenho sinalizado em minhas falas e no ouvido do meu presidente o meu desejo de ter um lugar de fala igual aos dos meus colegas. Hoje estou falando de uma tribuna acessível, e isso é u marco histórico”, disse a deputada Andreia Rezende.

– Meu coração, meu amigo, está cheio de gratidão.  E é dessa forma que eu quero te dizer o meu muito obrigada. Muito obrigada pela tua sensibilidade, pela vossa empatia, mas muito obrigada mesmo é pelas ações nesta Casa, neste prédio, para facilitar a vida das pessoas com deficiência – disse a parlamentar balsense num agradecimento direto ao presidente da Assembleia Legislativa, acrescentando que, com as adaptações para facilitara mobilidade no complexo do Poder Legislativo, o Parlamento maranhense dá exemplo para todo o Maranhão e para o País.

– Por mais simples que pareça esse gesto, eu tenho certeza que muitos outros parlamentares com deficiência física ou com mobilidade reduzida ainda utilizarão essa tribuna. Nós, pessoas com deficiência, somos corajosas e fortes. Enfrentamos a falta de acessibilidade nos espaços em que convivemos, com muita inteligência e bravura. Eu quero ser voz nesta tribuna, eu quero ser voz nesta Casa e eu quero ser voz no mundo para que possamos acordar esses cegos de humanidade e de amor que insistem em construir e em reformar espaços públicos sem levar em conta pessoas com deficiência – completou Andreia Rezende, agradecendo também o apoio de todos os seus colegas deputados.

O presidente Othelino Neto foi tocado pela manifestação da deputada Andreia Rezende, que na sua avaliação marcou a história da Assembleia Legislativa e de sua passagem pela Presidência. “Fiquei também emocionado com este momento. Nós tínhamos essa dívida, uma dívida histórica com as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e estamos corrigindo essa falha”, acentuou, citando algumas das intervenções feitas na Casa para permitir a acessibilidade. (Com informações da Agência Assembleia e fotos de Elias Auê)

 

Fábio Braga reassume na Assembleia a condição de porta-voz do setor produtivo

Fábio Braga: retomando a condição de porta-vos do setor produtivo

O deputado Fábio Braga (Solidariedade) retomou ontem o principal fundamento da sua atuação parlamentar: a defesa do setor produtivo, ao destacar o aumento da produção de grãos no Maranhão e, ao mesmo tempo, elencar entraves enfrentados pelos produtores da área denominada MATOPIBA, que abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O principal alvo da sua preocupação foram os problemas de trafegabilidade na MA-006.

– Nós batemos, nos últimos quatro anos consecutivos, o recorde de produção de grãos. E isso é motivo de comemoração para o Maranhão, para a região MATOPIBA, para o Brasil. Mas também lamentamos a dificuldade enfrentada pelos produtores de grãos, principalmente de Tasso Fragoso e Alto Parnaíba, na região Sul, na região de Balsas, com a MA-006 que, mais uma vez, se encontra em situação precária – assinalou. Para ele, é incompreensível que se deixe que uma das regiões com maior produção de grãos do país, enfrente esse tipo de dificuldade. Na avaliação dele, além da produção de grãos, a fatia do Maranhão na região do Matopiba tem potencial para atrair outros investimentos.

O parlamentar, que também participa do setor produtivo, revelou que tem conversado com o secretário de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, com quem tem avaliado essas questões, informando que o Governo do Estado tem interesse na solução dos problemas e na atração de investimentos. Fábio Braga defendeu também o envolvimento da Assembleia Legislativa na questão produtiva: ”Nós temos que discutir, nesta Casa, como vamos gerenciar essa produção cada vez mais crescente de grãos”.

São Luís, 24 de Fevereiro de 2018.

Se perder Pedro Lucas, como anunciou Roberto Jefferson, o PTB corre o risco de definhar no Maranhão

 

Sem demonstrar preocupação com a ameaça de Roberto Jefferson, Pedro Lucas (d) esteve ontem no Palácio dos Leões, onde conversou sobre quadro político estadual e nacional como governador Flávio Dino e com o chefe da Casa Civil, Marcelo Tavares 

Se, de fato, o presidente nacional do PTB, ex-deputado federal Roberto Jefferson, confirmar a destituição do deputado federal Pedro Lucas Fernandes do comando do PTB no Maranhão, cometerá um ato de violência e de burrice política. A começar pelo fato de que o partido, que vem definhando sob sua presidência, transformando-se num agregado de segunda da base governista na Câmara Federal, perderá um deputado federal, que é, ao mesmo tempo, um parlamentar de excelência e um quadro político de ponta dentro e fora do Congresso Nacional. A estupidez contida na decisão ganha dimensão gigantesca por causa do motivo da rebordosa: o voto de Pedro Lucas Fernandes favorável à decisão do Supremo Tribunal Federal de mandar prender o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), o ogro político bolsonarista que pregou o golpismo num vídeo dedicado a ataques a ministros da Corte maior e à Constituição da República. Isso dá ao jovem político maranhense argumento suficiente para declarar que sairá honrado e com a cabeça erguida, não só da presidência, mas também do partido.

Por mais que o ex-deputado Roberto Jefferson, que foi o grande protagonista do Mensalão – apelido cunhado por ele próprio quando denunciou o então deputado federal José Dirceu (PT), ministro-chefe da Casa Civil do Governo Lula –, argumente que Pedro Lucas Fernandes contrariou a orientação partidária, vale lembrar que a causa foi nobilíssima, justificando plenamente o voto pela prisão. Quem lembra do então jovem deputado Roberto Jefferson, que como advogado preparado defendia ardorosamente as instituições e a Democracia, dificilmente acredita que ele, mesmo cassado por usar o PTB como lavanderia de dinheiro sujo, tenha se transformado num ardoroso partidário de um presidente que nutre ostensivo desprezo pelas regras democráticas. Mais do que isso: chegou ao comando do PTB com o apoio esforçado do então deputado federal Pedro Fernandes.

Vários dados deveriam servir para levar o controvertido presidente nacional do PTB a refletir melhor sobre o partido perder um quadro da estatura de Pedro Lucas Fernandes. O primeiro deles: na dura guerra travada pelos partidos para eleger o maior número de prefeitos no ano passado, o PTB do Maranhão elegeu nada menos que 14 prefeitos, deixando para trás agremiações como DEM (11), MDB (7), PSC (7), PSB (6), PSD (5), Patriota (4) e PSDB (4). Dentre esses prefeitos, Pedro Fernandes, ex-líder do PTB na Câmara Federal e que se elegeu para comandar o município de Arame. O bom desempenho do PTB nas urnas de 2020 no Maranhão, que inclui vários vices e uma boa penca de vereadores, entre os quais Silvana Noely em São Luís – se deveu em grande medida ao intenso e bem articulado trabalho partidário de Pedro Lucas Fernandes, hoje um líder político  respeitado em todo o estado.

Fundado por Getúlio Vargas nos anos 50 e extinto pela ditadura militar em 1966, o PTB renasceu nos anos 80, quando os militares se recusaram a entregá-lo para Leonel Brizola, sucessor natural de Vargas e de João Goulart, e o entregaram à então deputada federal Ivete Vargas, sobrinha-neta do ex-presidente, que mantinha laços com o regime militar. No Maranhão, o PTB foi assumido pelo médico e ex-deputado Cesário Coimbra, que se manteve no comando até sua morte, em 1993. Desde então, o PTB vem sendo comandado pela família Ribeiro, passando por Manoel Ribeiro, Pedro Fernandes e chegando a Pedro Lucas. Se for destituído da presidência do PTB no Maranhão, Pedro Lucas fatalmente deixará a agremiação. Tanto que já se especula que seu destino poderá ser o PSL, hoje dividido, mas que pode voltar a ser uma legenda de centro-direita quando a banda bolsonarista migrar para o partido – provavelmente o Patriota -, ao qual o presidente Jair Bolsonaro se filiará, segundo ele próprio, em março.

Sem os Ribeiro no seu comando no Maranhão e mantendo o alinhamento quase submisso ao presidente Jair Bolsonaro, a tendência do PTB é definhar, perdendo grande parte do que ganhou nas eleições municipais.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem o comando de Roberto Rocha, tucanos maranhenses deverão voltar à aliança governista

Gil Cutrim e Eliziane Gama podem se converter ao tucanato e assumir o ninho no MA

Diante dos sinais, cada vez mais fortes, de que o senador Roberto Rocha deixará o PSDB, devendo se filiar ao partido no qual vier a se abrigar o presidente Jair Bolsonaro, o ninho dos tucanos no Maranhão já começa a ser rondado. Há quem diga que a chefia do tucanato maranhense será entregue ao deputado Gil Cutrim, que há muito vem dando sinais de total falta de afinidade com o PDT. A outra possibilidade – essa levantada pelo jornalista Marco D`Eça em seu blog -, é a de que o braço do PSDB no Maranhão seja entregue à senadora Eliziane Gama, hoje no Cidadania, pelo qual se elegeu.

Uma avaliação cuidadosa certamente levará à conclusão de que o PSDB, que ainda é um partido forte no âmbito nacional, se encaixa melhor no perfil do deputado Gil Cutrim, que ideológica e programaticamente nada tem a ver com o PDT, só permanecendo no partido fundado por Jackson Lago e Neiva Moreira, que é de centro-esquerda, até encontrar um pouso partidário com que se identificar. Os tucanos certamente o receberão de bom grado, principalmente se ele levar junto o irmão, deputado estadual e vice-presidente da Assembleia Legislativa Glaubert Cutrim.

Há também quem aposte alto na entrega do PSDB do Maranhão à senadora Eliziane Gama, hoje filiada ao Cidadania. Há tempos se especula que Eliziane Gama estaria em busca de um novo partido, convencida de que precisa de um partido com mais musculatura para ajudá-la a enfrentar novos desafios, como a possível candidatura ao Governo do Estado em 2022 ou à Prefeitura de São Luís em 2024, ou ainda a reeleição para o senado em 2026. O PSDB, com a estrutura que tem no Maranhão, e ainda o caminhão de votos para serem procurados e atraídos, pode ser o partido ideal para a senadora seguir em frente com o seu projeto político. Ao mesmo tempo, é difícil imaginar a senadora Eliziane Gama se filiar a um partido que está e continuará na contramão do governador Flávio Dino.

Mas como a política costuma produzir situações inimagináveis, não será surpresa se o PSDB voltar à base do governador Flávio Dino, como já o foi quando esteve sob o comando do vice-governador Carlos Brandão, hoje no Republicanos.

 

Juscelino Filho instala hoje o Conselho de Ética para julgar Daniel Silveira

Juscelino Filho terá holofotes no julgamento de Daniel Silveira

Um ano depois de ter assumido a presidência do Conselho de Ética da Câmara Federal, o deputado federal Juscelino Filho (DEM) estreia hoje, efetivamente, no cargo, com a instalação do colegiado. E o fará sob os holofotes, por causa do agressivo delírio golpista do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), e também do fardo em que se transformou a deputada federal Flordelis (PSD-RJ), acusada de mandar matar o marido. São muitos os casos de desvio de conduta de parlamentares pendentes no Conselho de Ética, mas a pressa de reinstalá-lo veio da necessidade de enquadrar logo a cria bolsonarista. Se não for trocado em meados de março, com a provável eleição de um novo presidente, Juscelino Filho viverá pelo menos dois meses sob holofotes e microfones, sonho cor de rosa de todo deputado.

São Luís, 23 de Fevereiro de 2021.