Arquivos mensais: maio 2026

Esquerda dura amplia participação na disputa com PSTU lançando Saulo Arcangeli para os Leões e Hertz Dias para o Planalto

Saulo Arcangeli candidato aos Leões
e Hertz Dias aspirante ao Planalto

A exatos cinco meses das eleições, a corrida ao Palácio dos Leões ganha novo tempero: o anúncio de que o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), um dos mais ativos braços da extrema-esquerda no país, escolher como pré-candidato a governador do Maranhão o servidor público federal Saulo Arcangeli, e oficializará a pré-candidatura do professor maranhense Hertz Dias à presidência da República. Com esse comunicado, a esquerda-dura, que não faz concessões, amplia sua participação na corrida sucessória e mantém o ideal da luta de classes e o objetivo maior de implantar do socialismo pleno no Brasil, tendo como meio o voto democrático. As pré-candidaturas serão lançadas oficialmente às 18h desta sexta-feira (08), no auditório do Curso de História das Uema, na Praia Grande.

Fundado em 1994 pelo operário José Maria Almeida, que já foi candidato a presidente da República, o PSTU tem raízes em São Paulo, mas, por uma circunstância que ainda não está bem explicada, produziu em São Luís o seu segundo núcleo mais importante em todo o País. Daí a sua participação intensa do seu núcleo militante, liderado por Saulo Arcangeli, que já foi candidato, a senador e a prefeito de São Luís e agora vai disputar o Palácio dos Leões. Saulo Arcangeli é militante político de tempo integral, com foco em questões sindicais, ecológicas e direitos sociais. O foco da sua candidatura não é exatamente vencer a eleição, mas criar “uma alternativa para romper as engrenagens do sistema capitalista”, pela via do que define como “marxismo revolucionário”.

O peso do braço maranhense do PSTU está demonstrado na decisão do partido de lançar o professor Hertz Dias candidato a presidente da República, colocando-o no mesmo patamar político do presidente Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), por exemplo. Hertz Dias foi candidato a governador em 2022 e também a prefeito de São Luís em 2020 e agora vai encarar o desafio de representar o partido na corrida ao Palácio do Planalto, com o diferencial de quem será o primeiro maranhense a participar da guerra pela chefia da Nação.

Semanas atrás, o PSOL, navegante de mares um pouco menos revoltos e que mantém uma federação com a Rede, mas mantém pesado discurso anticapitalista, batendo forte no liberalismo econômico, lançou pela segunda vez a pré-candidatura do servidor público Enilton Rodrigues aos Leões, e as do professor universitário e jornalista Franklin Douglas e da militante social Antônia Cariongo ao Senado, os quais defenderão o que definem como “projeto de unidade popular”. O PSOL lançou candidato próprio depois do fracasso de uma tentativa de aliança com o PT, que resultaria numa federação. Se a aliança tivesse vingado, o caminho do partido hoje seria apoiar a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão.

No universo das correntes mais duras da esquerda outras legendas podem lançar candidatos a governador e a senador. A expectativa é que o PCB, que é o mais antigo partido do Brasil (1922) e mantém a mesma linha dura dos seus fundadores, lance pré-candidato a governador, provavelmente Frankle Costa, que disputou o Palácio dos Leões em 2022. Existe ainda a possibilidade, essa bem mais remota, de o Unidade Popular (UP), que ainda aposta na emancipação do proletariado e prega, por exemplo, que a propriedade é um roubo, também lance candidato a governador.

No universo da esquerda estão partidos bem mais moderados, com viés democrático mais aberto, como o PT, que deve lançar o vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado e a senadora Eliziane Gama à reeleição. Fazem parte desse meio-de-campo o PCdoB, que está federado com o PT e o PV, devendo se alinhar à candidatura de Felipe Camarão, e o PSB, que no momento está alinhado à pré-candidatura do ex-prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), de centro-direita.

Com a entrada de Saulo Arcangeli, o quadro da disputa para o Governo do Estado agora está composto por ele, Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL).

PONTO & CONTRAPONTO

Resolução da Executiva Nacional do PT confirma a pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo

Felipe Camarão tem candidatura
confirmada em Resolução
da Executiva Nacional do PT

O vice-governador Felipe Camarão será mesmo candidato a governador. Até então baseada apenas em declarações do presidente nacional do PT, Edinho Silva, a decisão foi formalizada ontem em documento da Comissão Executiva Nacional do partido. O documento foi postado no final da tarde de ontem nas redes sociais do vice-governador.

Batizado “Resolução sobre a candidatura ao Governo do Maranhão”, o documento afirma, categoricamente, que a prioridade do PT é a reeleição do presidente Lula da Silva, e que, “diante da complexidade do cenário político do Maranhão e da necessidade de preservar e ampliar alianças sólidas, construídas no último período, a Comissão Executiva Nacional decide pela pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado, por considera-la capaz de unificar forças, garantir competitividade eleitoral e sustentar um palanque forte e alinhado ao projeto nacional”.

Traduzindo sem rodeios, o documento informa que o comando nacional do PT, com a anuência do presidente Lula das Silva, fez uma opção clara, preferindo lançar candidato próprio do que levar o PT a somar forças com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB).

Por outro lado, a Resolução do comando nacional do PT não contém uma só linha rejeitando alianças, indicando que, em nome do projeto de reeleição do presidente, o partido não pretende romper com o governador Carlos Brandão. Mas também não dá indicações em sentido contrário.

O documento diz que a “tarefa imediata do PT é nacionalizar a disputa estadual, transformando a eleição em cada estado numa escolha entre, de um lado, aqueles que estão no ‘time do Lula’, comprometido com o desenvolvimento, a inclusão e a soberania; do outro, o campo da extrema direita, pautado pelo ódio, pelo retrocesso e pelo desmonte do Estado”.

As próximas semanas dirão como essa Resolução será interpretada pelo o Palácio dos Leões.

Brandão comanda lançamento do São João do Maranhão na Avenida Paulista

Carlos Brandão exibe a bandeira do Maranhão entre os secretários
Sérgio Macedo (Comunicação), Abimael Berredo (Cultura) e Socorro
Araújo (Turismo) e brincantes de Bumba Boi na Avenida Paulista

Parte da Avenida Paulista, a mais importante artéria de São Paulo, foi transformada num mini arraial na segunda-feira (4). Ali, o governador Carlos Brandão (sem partido) comandou um movimento colorido e festivo formado por grupos de Bumba Boi e Cacuriá em pleno asfalto, para promover o último São João do seu Governo. Foi um convite dos maranhenses para que os paulistas conheçam as belezas da cultura popular do Maranhão e transformem as festas juninas do estado em opção para as férias de junho.

Não deu outra. Contagiados pelos ritmos, pelos bailados e pelas cores, os paulistanos, sempre reservados e focados no trabalho, pararam para ver e ouvir. O espanto logo se transformou em alegria, indicando uma clara empatia da frieza da selva de concreto de São Paulo do que acontece em junho nas animadas entranhas dos casarões coloniais de São Luís.

Animado com a receptividade, o governador Carlos Brandão declarou: “O São João é a nossa riqueza e a nossa tradição. Estamos aqui em São Paulo mostrando as belezas do nosso estado e a nossa cultura com essa diversidade linda. Nosso São João é muito bonito e precisamos que todos conheçam”.

É isso aí.

São Luís, 06 de Maio de 2026.

Líderes petistas querem dois “ou mais” palanques para Lula no Maranhão num cenário de confronto

Parte do PT quer Lula da Silva no palanque
de Felipe Camarão e de Orleans Brandão

O anúncio de que o vice-governador Felipe Camarão será o candidato do PT ao Governo do Estado colocou no tabuleiro sucessório estadual uma série de situações que terão de ser ajustadas ao novo cenário da corrida ao Palácio dos Leões. O item mais delicado desse conjunto de situações é a proposta de montagem de dois palanques para o presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, um liderado pelo petista Felipe Camarão e outro comandado por Orleans Brandão (MDB), ambos adversários declarados.

Esse desenho, que na visão de muitos observadores é irreal diante do quadro configurado na política maranhense. Na visão de algumas figuras proeminentes do PT, não haverá problemas para Lula da Silva ser recebido no palanque de Felipe Camarão, no qual se sentirá naturalmente “em casa”, nem marcando também presença no palanque de Orleans Brandão. Isso pode acontecer? Quem sabe? Mas a viabilidade de uma proeza assim vai depender de um quase milagre, algo que venha a “dobrar” o mais elevado grau de imprevisibilidade da política.

Quando confirmou que o PT terá o vice-governador Felipe Camarão como candidato ao Palácio dos Leões, a primeira conclusão óbvia e lógica de qualquer observador isento foi a de que o comando petista e o Palácio do Planalto se afastavam politicamente do governador Carlos Brandão (sem partido), ainda que sobrevivesse a relação institucional por meio da qual o Governo Lula da Silva financia parte expressiva da maioria das grandes obras do Governo do Estado, como o prolongamento da Avenida Litorânea, por exemplo. O afastamento político comprometerá essa relação?

Em meio a essas indagações, a até pouco tempo desconhecida presidente interina do PT estadual, Patrícia Carlos, disse que não, que o presidente Lula da Silva pode ter sim dois ou mais palanques no Maranhão, porque a prioridade é a sua reeleição, querendo dizer que a candidatura de Felipe Camarão só servirá a esse propósito. A mesma proposta foi defendida há dois dias pelo ex-vice-governador, ex-conselheiro do TCE e ex-secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília, Washington Oliveira, que lidera a ala petista alinhada ao governador Carlos Brandão.

Como está claro, o braço maranhense do PT – pelo menos uma grande parte dele -, quer o presidente Lula da Silva pedindo votos para o candidato do seu partido a governador, quando o palanque for o de Felipe Camarão, e também pedindo votos para o candidato a governador adversário, como o emedebista Orleans Brandão, se vier a ser o caso. É uma situação que, seja qual for o ângulo, parece não fazer o menor sentido. Ou será que alguém imagina a situação na qual o presidente Lula da Silva ora suba no palanque de Felipe Camarão e peça votos para si e para o aliado, e num outro momento marque presença no palanque de Orleans Brandão pedindo votos somente para ele próprio e não dizendo para o eleitor votar no candidato a governador?

A situação acima zomba da realidade, a começar pelo fato de que o presidente Lula da Silva jamais toparia uma aberração política dessa natureza, e certamente o governador Carlos Brandão não aceitaria submeter o seu candidato a governador uma fórmula tão grotesca.

No caso específico dos palanques do PT, comandado por Felipe Camarão, e do MDB, encabeçado por Orleans Brandão, por mais politicamente esdrúxulo que possa parecer, seria admissível o presidente Lula da Silva participar dos dois. Mas para isso, ele teria de dispensar ao candidato do MDB o mesmo tratamento que certamente dispensará ao candidato petista, exaltando qualidades e pedindo votos com o argumento de que ele será o melhor para o Maranhão. Seria uma solução salomônica e justa do ponto de vista ético. Mas seria também, sem a menor sombra de dúvida, o maior absurdo da história política do estado, algo não visto nem nos áureos tempos do vitorinismo, quando politicamente boi voava, e de asa quebrada, nos ares políticos do Maranhão.

A candidatura do vice-governador Felipe Camarão, assim como a de Orleans Brandão, trouxe teor politicamente explosivo do rompimento, que o PT terá de administrar, como o governador Carlos Brandão vem tentando fazer em relação à candidatura de Orleans Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Estreito: Justiça Eleitoral cassa prefeito do PL e sua vice do PT

Léo Cunha e Irenilde da Silva: PL e PT
foram cassados pela Justiça Eleitoral

A cassação do prefeito de Estreito, Léo Cunha e da vice-prefeita Irenilde da Silva causou estragos em duas vertentes políticas absolutamente distantes, via de regrar em confronto nos planos municipal, estadual e, principalmente nacional. Léo Cunha é um empresário de Imperatriz que chegou à Prefeitura de Estreito como candidato do PL, pelas mãos do deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Irenilde da Silva é filiada ao PT.

Os dois foram cassados pela Justiça Eleitoral sob a acusação, comprovada em provas fartas, de abuso de poder econômico e político. Ele foi tornado inelegível por oito anos e ela apenas perdeu o mandato, não tendo sido alcançada pela inelegibilidade. Durante a campanha, Léo Cunha afrontou as regras eleitorais ao distribuir brindes a eleitores, entregar ambulância em clima de comício e realizar comício em data proibida, esnobando o controle da Justiça Eleitoral.

 Como se trata de uma decisão de 1ª instância, tomada pelo juiz Bruno Miranda, titular 82ª Zona Eleitoral de Estreito, o prefeito e a vice ainda não deixam os cargos, uma vez que têm direito a recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Mas a cassação foi uma pancada impiedosa no prefeito de Estreito e sua companheira de chapa, e a julgar pelo teor da denúncia, dificilmente o TRE desmanchará a decisão do titular da 82ª Zona Eleitoral.

Léo Cunha é parte de uma família empresarial influente em Imperatriz, cujo irmão, Ribinha Cunha, foi candidato a vice-governador na chapa liderada por Roseana Sarney (MDB) em 2018, quando foi derrotada no 1º turno por Flávio Dino (PCdoB).

A cassação de Léo Cunha e Irenilde da Silva afeta duramente o PL, que perde um prefeito importante, e o PT, que terá muito o que explicar com essa cassação. E funcionou também como um recado de que outras cassações estão a caminho.

Afastamento de médico que assistia à jogo em plantão mostra que Roberto Costa usa coragem como base da sua gestão

Coragem de quebrar tabus como inaugurar
escolas só com estudantes e professores

O ato do prefeito de Bacabal, que é também presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) Roberto Costa (MDB), de afastar um médico flagrado, por ele próprio, assistindo a um jogo de futebol durante plantão em uma unidade hospitalar bacabalense, reforçou o seu conceito de bom gestor, que vem construindo desde que assumiu o cargo em janeiro de 2025. E consolidou outra marca pessoal e política: a coragem, item decisivo na composição de um perfil de gestor bem sucedido.

Roberto Costa mostrou esse traço desde os primeiros momentos, com gestos desassombrados, mostrando que, tanto quanto a razão, o senso de justiça e a correção na prática administrativa, a coragem é fundamental para a tomada de decisões em todos os níveis.  

Ele começou a se mostrar um gestor ao mesmo tempo sensato e corajoso quando decidiu, por exemplo, pôr fim às inaugurações festivas e caras, que sempre foi regras imutável nos municípios. Foi corajoso quando foi pessoalmente ao um hospital para determinar que a partir daquele momento a comida a ser servida aos pacientes teria de ser do mesmo nível de qualidade da servida aos médicos, enfermeiros e servidores, o que não acontecia.

A coragem vem moldando o seu perfil político desde o Movimento Estudantil, quando, ainda adolescente, liderou parte do Movimento Secundarista de São Luís enfrentando os ativos e temidos líderes da esquerda, como o hoje deputado federal Márcio Jerry, por exemplo.

Sua coragem foi decisiva quando ele assumiu a Juventude do MDB, no início dos anos de 1990 enfrentando fortes pressões internas e externas, o que não o impediu de se tornar uma liderança forte dentro do partido, a ponto de anos mais tarde enfrentar as lideranças do partido, como Roseana Sarney, de quem cobrou uma participação mais ampla da ala jovem nas decisões do partido.

Roberto Costa enfrentou inúmeras situações complicadas como deputado estadual, as quais só superou pelas corajosas decisões que tomou. Agora, como prefeito, ele reforça o perfil de gestor que não teme os desdobramentos das decisões que toma. No caso do afastamento do médico por assistir à um jogo de futebol em pleno plantão hospitalar.

Sua postura certamente inspira colegas prefeitos e amplia sua estatura política.

São Luís, 05 de Maio de 2026.

PT lança Camarão e muda cenário apostando na força de Lula para viabilizar sua candidatura

Lula da Silva deu aval à candidatura
de Felipe Camarão a governador

O PT bateu martelo e vai lançar a candidatura do vice-governador Felipe ao Palácio dos Leões, confirma anúncio feito neste sábado pelo presidente nacional do partido, Edinho Silva, numa conferência virtual com os líderes petistas do Maranhão. Nossa linha no Maranhão é Felipe Camarão, não há que ter dúvida. Essa é uma decisão tomada junto com o presidente Lula. O presidente Lula tem convicção de que com o apoio dele, deixando claro que o seu candidato no Maranhão é Felipe, nós vamos pôr o Felipe no segundo turno e vamos ganhar a eleição”, declarou, enfático, o presidente do PT, confirmando informação corrente nos bastidores partidários maranhenses desde o início da semana passada.

A opção do PT por candidatura própria produz naturalmente alteração expressiva e abrangente no canário da corrida aos Leões, começando pela confirmação de que o partido e o presidente Lula da Silva entram em rota de colisão com o seu principal aliado no estado, o governador Carlos Brandão (sem partido), por não aceitam apoiar a candidatura de Orleans Brandão (MDB), numa reação do tipo “olho por olho” ao fato de o governador Carlos Brandão haver se negado a apoiar a apoiar a candidatura do vice-governador, que para os petistas era o “caminho natural”. Resta saber agora como ficará a relação do presidente Lula com o governador Carlos Brandão.

Na avaliação do comando nacional do PT, com o apoio declarado do presidente Lula da Silva, o vice-governador Felipe Camarão reúne condições para se tornar um candidato viável, com possibilidade de entrar efetivamente na briga pelo Palácio dos Leões, num confronto aberto com os três candidatos já definidos: Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB) e Lahesio Bonfim. A expectativa do presidente nacional do PT é que Felipe Camarão chegue ao segundo turno, e para isso ele tem de deixar para trás dois dos três nomes que estão de fato, na corrida pelo Governo.

O desenho político e partidário desse novo cenário não será tão simples como pensa, por exemplo, a presidente estadual do PT, Patrícia Carlos, que defende que o presidente Lula da Silva tenha dois palanques no Maranhão, o do próprio partido, liderado por Felipe Camarão, e o Orleans Brandão, que tem comando do governador Carlos Brandão, patrono político do candidato emedebista. Será que Orleans Brandão abrirá seu palanque para o presidente depois de ter sido vetado para ser o nome de uma aliança PT/MDB? E depois, nos bastidores partidários começa uma tímida, mas já visível movimentação no sentido de levar parte da aliança a apoiar Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial.

Por outro lado, a candidatura do PT coloca em xeque uma aliança do partido com o candidato do PSD, Eduardo Braide, que já tem praticamente certo o apoio do chamado grupo dinista, via PSB. No entendimento de importantes petistas maranhenses, o “caminho natural” do PSB é apoiar o vice-governador Felipe Camarão. Acontece que o grupo e formado por cinco deputados estaduais, que veem na aliança com Eduardo Braide, um caminho para a sobrevivência nas urnas. Uma fonte do grupo dinista tem dito que o seu caminho é apoiar Eduardo Braide, e que uma mudança por Felipe Camarão exigirá uma articulação bem amarrada em todas as pontas. Isso porque para eles, não será fácil desfazer uma delicada, mas viável, aliança com Eduardo Braide, que vem sendo moldada há meses.

A entrada do vice-governador Felipe Camarão na corrida sucessória, agora oficializada pela direção nacional do PT, define o quadro de candidatos ao Governo do Estado, que já inclui Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL) – há ainda a possibilidade de o PSTU, que há lançou Hertz Dias para presidente da República, vir a lançar um nome ao Governo do Estado.

O fato é que, ainda que prevista num longo jogo de “pode, não pode”, a pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão altera consideravelmente o cenário da corrida aos Leões.   

PONTO & CONTRAPONTO

Candidatura de Camarão ao Governo pode mudar o cenário da disputa para o Senado

Eliziane Gama está definida; Weverton
Rocha e André Fufuca apontados para a
outra vaga na chapa de Felipe Camarão

A confirmação, pelo PT, da candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Governo do Estado, além de alterar amplamente a corrida sucessória, terá influência de peso na disputa pelas duas vagas no Senado. Desde de que essa decisão começou a ganhar corpo em Brasília, as contas em relação à corrida senatorial começaram a ser refeitas, e nessa reengenharia pré-eleitoral a senadora Eliziane Gama ganha novo espaço como candidata do PT à reeleição.

Nos bastidores, as especulações são as mais diversas, começa pela dupla Eliziane Gama/Weverton Rocha (PDT), sob o argumento de que o senador pedetista teria o aval do Palácio do Planalto. O problema é que Weverton Rocha é também candidato da aliança encabeçada por Orleans Brandão, ficando no ar a pergunta: com quem ele estará de fato?

No tabuleiro das especulações surge a dupla Eliziane Gama/André Fufuca (PP). Depois de meses de incertezas, há menos de duas semanas Orleans Brandão fechou questão sobre a chapa Weverton Rocha/André Fufuca para o Senado. E há quem diga que se André Fufuca migrar para a candidatura de Felipe Camarão o MDB pode rever sua posição e lançar a presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB).

O comando nacional do PT trabalha com a eleição de dois senadores alinhados ao Palácio do Planalto. Daí a insistência do presidente Lula da Silva para que o governador Carlos Brandão fosse candidato ao Senado, mas ele preferiu lançar Orleans Brandão ao Governo e permanecer no cargo até o final.

“Caçadores de culpados” tentam incluir Flávio Dino na lista dos que agira contra Jorge Messias

Flávio Dino incluído, sem base, na lista dos
que agiram contra Jorge Messias no Senado

A rejeição, pelo Senado, do advogado geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeou uma frenética caçada aos “culpados”. E nessa tresloucada onda especulativa, o ministro Flávio Dino foi incluído na lista como “um dos principais adversários” do rejeitado. O curioso é que não existe registro de um gesto, uma fala, um recado, uma pressão direta a senadores, uma “recomendação”, uma declaração contrária ou coisa parecida contra Jorge Messias em todo esse imbróglio gigantesco.

Nesse contexto, a única fala de Flávio Dino sobre o assunto foi a resposta a um jornalista que lhe perguntou, de chofre, se ele estava pedindo a senadores que votassem contra Jorge Messias. Ele respondeu que isso seria impossível, porque é odiado no Congresso Nacional por causa das suas decisões sobre emendas parlamentares. Deixou claro que não se moveu nem a favor nem contra, como deve ser a postura de um ministro da Suprema Corte  

Dono de vasta cultura jurídica e de conhecida posição ideológica, Flávio Dino tem sido, via de regra, duramente criticado pela extrema direita, que o acusa de “politizar” a corte, sob o argumento de que ministro do STF que se preza não faz política. Esse ânimo ácido em relação ao ministro faz esses inimigos interpretarem o seu silêncio em relação ao caso como um movimento contrário a Jorge Messias.

A situação é tão esdrúxula e salpicada de má fé que nenhum dos adversários criticou, e muitos acharam “louvável” e acataram de bom grado, que o ministro André Mendonça, porta-voz da direita dura na Corte, fizesse campanha aberta pró-Jorge Messias, com declarações e nota de apoio ao indicado, isso sem contar a pressão direta sobre senadores pela aprovação da indicação.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, teria feito pressão ameaçadora a senadores para votarem contra Jorge Messias, ação explicada por um suposto acordo subterrâneo para o sepultamento da CPMI do Master, caso em que ele tem interesse direto por conta da relação suspeita do escritório de advocacia da família com o comando do Banco Master. O que se diz é, por esse motivo, o ministro Alexandre de Moraes pegou pesado pela rejeição de Jorge Messias, prevendo um desequilíbrio de forças dentro da Suprema Corte.

O ministro Flávio Dino pode não simpatizar com a pessoa ou com o ideário jurídico-político de Jorge Messias, que é evangélico e conservador, podendo inclusive alimentar um sentimento contrário à não ida dele para a Corte. Mas entre um sentimento e agir efetivamente, usando o cargo, para que ele fosse rejeitado pelo Senado há uma distância enorme. Quem conhece Flávio Dino sabe que ele é movido pela razão e pelas regras que movem as instituições. Foi assim como juiz federal, como deputado federal, como governador, como senador, como ministro da Justiça e continua mantendo sua postura como ministro do STF.

Não há rasuras na postura do ministro Flávio Dino em relação ao advogado Jorge Messias, como tentam fazer crer os “caçadores de culpados”.

São Luís, 03 de Maio de 2026.

Derrubada do veto de Lula ao PL da Dosimetria causou forte divisão e algumas surpresas na bancada maranhense

Acima Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula Lobato votaram pela
manutenção do veto. Embaixo, à esquerda, Amanda Gentil, Aluísio
Mendes, Cleber Verde, Duarte Jr. Josivaldo JP, Márcio Honaiser, Pastor
Gil, Pedro Lucas Fernandes, Paulo Marinho Jr., e Silvio Antônio votaram
pela derrubada do veto; e à direita André Fufuca, Rubens Jr.,
Márcio Jerry e Fábio Macedo votaram pela manutenção do veto

A votação por meio da qual o Congresso Nacional derrubou ontem o veto do presidente Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria (Projeto de Lei 2162/23), que reduz as penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro, em especial o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), hoje em prisão domiciliar por razões de saúde, foi uma demonstração cabal de como pensam os atuais congressistas maranhenses sobre como devem ser punidos os responsáveis pelo mais grave movimento contra a democracia e o estado democrático de direito no Brasil depois do golpe militar de 1964. Enquanto os senadores Weverton Rocha (PDT), Eliziane Gama (PT) e Ana Paula Lobato (PSB) votaram pela manutenção do veto, os deputados federais se dividiram, sendo que 10 votaram pela derrubada do veto e quatro votaram pela manutenção, um se absteve e três faltaram à sessão.

Os votos favoráveis ao veto dados pelos senadores Weverton Rocha e Ana Paula Lobato seguiram orientação dos seus partidos, ambos alinhados ao Palácio do Planalto Já senadora Eliziane Gama teve dupla motivação para defender o veto presidencial: além de seguir a orientação do PT, ela foi a relatora da CPI do 8 de Janeiro e no seu relatório ela confirmou a tentativa de golpe de Estado tramada pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições de 2022, e pediu punição severa para todos os envolvidos.

Já os deputados federais se mostraram política e ideologicamente com muita clareza, com revelações surpreendentes. Para começar, a bancada do PP se dividiu, com a deputada Amanda Gentil votando pela derrubada do veto e, consequentemente, para aliviar a punição aos golpistas, e o deputado federal e ex-ministro André Fufuca dando voto para manter o veto, alinhado que é ao presidente Lula da Silva. Já a bancada do PL, representada na sessão pelos deputados interinos Paulo Marinho Jr. e Sílvio Antônio e pelo deputado quase cassado Pastor Gil, votou em bloco pela derrubada do veto, o que era esperado. E os deputados Pedro Lucas Fernandes e Josivaldo JP votaram também para derrubar o veto, seguindo a orientação do comando nacional do União, que tem um pé firme no bolsonarismo.

Único representante do MDB na sessão, o deputado Cléber Verde, que é um jogador tarimbado, votou contra o veto, o mesmo acontecendo com o deputado Aluísio Mendes (Republicanos), que é da direita dura e tem alinhamento com o bolsonarismo, também votou e fez campanha pela derrubada do veto. Já os deputados Márcio Jerry (PCdoB) e Rubens Jr. (PT), que são nomes de proa da base governista e se posicionaram contra o PL da Dosimetria desde a primeira hora, votaram alinhados com os seus partidos pela manutenção do veto presidencial.

Três votos, dois pela derrubada e o terceiro pela manutenção, chamara a atenção. O deputado Duarte Jr. (Avante), que é advogado e pontilha os seus pronunciamentos com defesas densas da democracia plena, causou espanto ao votar pela derrubada do veto do presidente Lula da Silva ao PL da Dosimetria. Também o deputado Márcio Honaiser (Solidariedade), que foi governista roxo até deixar o PDT em março, votou pela derrubada do veto. Já o deputado Fábio Macedo (Podemos), visto como um político de direita, que tem um pé no bolsonarismo, surpreendeu votando pela manutenção do veto, entendendo que o PL da Dosimetria não foi uma decisão saudável para a democracia.

O deputado interino Ribeiro Neto (Solidariedade) preferiu se abster, enquanto os deputados Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (PSDB) e Júnior Lourenço (MDB) não participaram da votação.

Vale registrar que esses foram dados 48 horas depois que o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo da tentativa de golpe, apresentou à Suprema Corte, o relatório final do processo, no qual confirma, com farta documentação, tudo o que foi armado, tramado e tentado pelo então presidente Jair Bolsonaro e o grupo que o cercava entre o anúncio da vitória do presidente Lula da Silva no final de outubro de 2022 e o 8 de Janeiro de 2023.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão cumpre agenda intensa conciliando compromissos administrativos e atos políticos na capital e no interior

Carlos Brandão, quarta-feira, em Grajaú, no ato de
entrega de 800 títulos de propriedade
do programa “Esta Casa Agora é Minha”

O governador Carlos Brandão (sem partido) tem cumprido uma agenda absolutamente fora da normalidade, que inclui despachos e audiências no Palácio dos Leões, eventos institucionais, lançamento, inspeção e inauguração de obras e, agora mais intensamente, eventos políticos.

Decidido a permanecer no cargo até o final do mandato, ele está imbuído de dois propósitos. O primeiro é manter o ritmo acelerado do Governo até 31 de dezembro deste ano, o último dia da sua gestão. E o segundo é passar a faixa do poder ao pré-candidato ao MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão.

Se vem mantendo um ritmo arrojado no comando do Governo, com um amplo elenco de obras a serem entregues até o final do ano, arrojada ainda é a sua movimentação política, que incluir reuniões com auxiliares do campo político, aliados da Assembleia Legislativa – a começar pela presidente Iracema Vale (MDB) – e da Câmara Federal e do Senado da República.

No momento, o mandatário maranhense está empenhado em amarrar todas as pontas da aliança que construiu com 11 legendas para dar suporte à pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Essa maratona inclui reuniões e atos de lançamento, como foi o evento de sábado em Imperatriz.

O chefe do Executivo começa sua movimentação por volta da seis da manhã e só entrega os pontos depois das 22 horas. Isso de domingo a domingo.

Não existe “primeira” e “segunda” vaga para o Senado; serão duas vagas em condições iguais

Senado renovará dois terços da sua
composição nas eleições deste anos

Alguns textos sobre a disputa para as duas vagas no Senado insistem em falar em “primeira” e “segunda” vaga. Nada mais equivocado, porque não existe “primeira” nem “segunda” vaga. Existem duas vagas, que serão disputadas em condições rigorosamente iguais pelos candidatos estiverem devidamente habilitados. Nada de “fulano vai disputar a ´primeira` vaga” nem “beltrano vai tentar a ´segunda` vaga”.

Essa qualificação de “primeira” e “segunda” vaga na corrida senatorial gera certa confusão no eleitor menos avisado, que acaba avaliando, equivocadamente, por exemplo, que o senador Weverton Rocha (PDT), por aparecer como maior percentual de preferência nas pesquisas, está disputando a “primeira” vaga, o que não é verdade. Ele, como os demais candidatos, está concorrendo a uma vaga, em plenas condições de igualdade. Se as pesquisas o apontam como o candidato com maior potencial de votos e esse potencial se confirmar nas urnas, ele será eleito para uma das vagas. E ponto final.

Vale lembrar que o Poder Legislativo federal no Brasil é bicameral, com uma Câmara dos Deputados, com 513 cadeiras, que representa a população brasileira, e um Senado, com 81 cadeiras, que representa os estados. Cada estado, independentemente do tamanho do seu território e de sua população, detém três cadeiras no Senado.

A cada quatro anos, o Senado é renovado, ora em um terço, ora em dois terços. Em 2022, a renovação foi de um terço, tendo o Maranhão elegido o ex-governador Flávio Dino (PSB). Nas eleições deste ano serão renovados dois terços, com cada estado elegendo dois senadores.

Cada partido ou federação tem direito a lançar dois candidatos, podendo, se for o caso, lançar apenas um, ou nenhum, se assim decidir. Mas todos os candidatos concorrerão em condições de igualdade às duas vagas, sem essa classificação de “primeira” e “segunda”.

Em Tempo: até agora, os pré-candidatos a senador no Maranhão são o senador Weverton Rocha (PDT), que busca a reeleição; a senadora Eliziane Gama (PT), também tentando renovar o mandato; o deputado federal André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o jornalista e advogado Franklin Douglas (PSOL) e a professora militante social Antônia Cariongo (PSOL). Essa relação pode aumentar.

São Luís, 01 de Maio de 2026.