
Enilton Rodrigues e Eliziane Gama ao Senado
e retirar o apoio petista a Weverton Rocha
Se o acordo for firmado, e tudo indica que será, vai dar a lógica, e produzirá alguns desdobramentos importantes. Trata-se da aliança do PT com o PSOL, que está sendo acertada e que deve resultar no seguinte formato: Enilton Rodrigues deixa de ser pré-candidato do PSOL a governador, e passa a ser pré-candidato a senador na chapa do vice-governador Felipe Camarão. Na prática, o PT diz “não” à candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) à reeleição. Franklin Douglas, que vinha se apresentando como candidato a senador pelo PSOL, vira 1º suplente na chapa de Enilton Rodrigues, sendo a segunda vaga de suplente ser preenchida com uma indicação do Rede Sustentabilidade, que mantém federação com o PSOL.
A decisão do PT de lançar dois candidatos ao Senado produz as duas situações que alteram o atual cenário da disputa majoritária. A união PT/PSOL dá mais densidade e poder de fogo à pré-candidatura de Felipe Camarão. A retirada do apoio à pré-candidatura de Weverton Rocha (PDT) pode não produzir muitos danos eleitorais, mas será um baque político para um senador candidato à reeleição. Os partidos têm suas diferenças, mas são velhos parceiros de disputas eleitorais, principalmente quando se trata de eleições majoritárias. É mais que natural e lógico que de novo partam juntos para o grande embate.
Maior e mais estruturado, e com o poder de fogo de ter o presidente Lula da Silva como comandante, o PT é a grande referência da esquerda moderada, que alguns definem como centro esquerda, o que lhe margem para dialogar com o centro, incluindo o centro-direita, e com a esquerda mais dura, fiel aos principais postulados do marxismo. Essa flexibilidade política do PT tem lhe permitido construir os grande leques de alianças que deram sustentação aos governos petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff.
O PSOL tem outro viés. É um partido de esquerda pleno, que não faz maiores concessões além do PT. É inimigo declarado e militante de tudo o que diz respeito a partir do centro rumo à direita. Suas alianças com o PT são frequentes, mas em nada têm mudado a firmeza ideológica do PSOL, que, vale lembrar, nasceu de uma costela rebelde do próprio PT, que se desgarrou do petismo exatamente por considerá-lo moderado demais para um partido de esquerda.
Esse acordo poderia ter sido firmado há mais tempo. O problema foi a demorada indefinição em torno da candidatura de Felipe Camarão. O PSOL apostou tanto numa aliança com o PT, que chegou a admitir participar de uma aliança com o MDB, em torno de Orleans Brandão, se Felipe Camarão tivesse topado renunciar para ser candidato a senador ou a deputado federal como propunha o governador Carlos Brandão (MDB). Segundo uma voz do partido, o PSOL teria topado uma aliança com o PT e embarcado na grande frente partidária formada em torno de Orleans Brandão. Felipe Camarão rejeitou a proposta e se manteve candidato a governador.
Nesse contexto, ao lançar dois candidatos a senador, o PT do Maranhão rejeita apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha à reeleição, como inicialmente orientaram o próprio presidente Lula da Silva e o comando nacional do partido. A decisão foi tomada depois que Weverton Rocha entrou de vez na base de apoio de Orleans Brandão, deixando claro, com todas as letras, que não faria qualquer gesto de simpatia pela pré-candidatura do PT ao Governo do Estado.
Felipe Camarão reagiu convencendo o comando nacional do PT de que manter o apoio a Weverton Rocha desmontaria de vez a sua pré-candidatura e levaria o partido a um racha semelhante ao de 2006, quando Lula da Silva e o seu partido apoiaram a candidatura de Roseana Sarney, que acabaria derrotada por Jackson Lago (PDT). O gesto do presidente nacional do PT, Edinho Silva, de reafirmar recentemente a pré-candidatura do vice-governador funcionou como uma espécie de senha para a aliança com partido com o PSOL, abrindo espaço para o PCdoB, federado com o PT, e para o Rede Sustentabilidade, que mantém federação com o PSOL.
E nesse arranjo, que vem de outras eleições, não há espaço para a já consolidada, mas também vulnerável, candidatura do senador Weverton Rocha à reeleição.
PONTO & CONTRAPONTO
Duarte Jr. sofreu um golpe, mas pode ter reforçado cacife para se reeleger num partido fraco
A saída do deputado federal Duarte Jr. da disputa por uma das vagas no Senado, cumprindo decisão da cúpula do Avante de não lançar candidato a senador em nenhum estado, optando por jogar todas as possibilidades do partido na eleição de deputados federais nas eleições deste ano, obrigando-o se candidatar à reeleição, guarda uma série de detalhes e desdobramentos. Esses detalhes vão do alívio de alguns candidatos a senador, por conta da rifada de um dos candidatos mais forte, à preocupação de alguns candidatos à Câmara Federal, que também o querem fora da disputa.
Para começar, se não foi induzido por “fatores externos”, como afirma o próprio parlamentar, a decisão de Avante de não lançar candidatos ao Senado faz sentido para o Avante, pois mais importante do que ter senador, quer nada influencia na vida dos partidos, é ter deputados federais. São eles que garantem a existência formal das siglas e lhe brindam com os milhões do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, as galinhas de ovos de ouro de dirigentes de partido. Sua provável reeleição de deputado federal será um ponto precioso para que o Avante continue vivo, uma vez que se encontra sob o forte risco de se tornar mais um pária partidário.
No plano da disputa para as vagas de senador, a situação é curiosa, porque a saída de Duarte Jr. causou alívio geral entre os sete candidatos e pré-candidatos, mas causou-lhes também uma preocupação a mais: para onde irão os eleitores que manifestaram intensão de voto nele, segundo revelaram as pesquisas mais recentes? As próximas pesquisas sobre a corrida ao Senado podem trazer pistas.
Se um dos candidatos a senador tiver um dedo nessa reviravolta e essa revelação vier à tona, ele dificilmente terá votos de eleitores que pretendiam votar em Duarte Jr.. Nessa toada, outra possibilidade é que pelo menos uma parte magra dessa fatia deputado federal, o que engordará seu cacife e facilitará sua reeleição para a Câmara Federal, dificultando a vida de alguns concorrentes.
Duarte Jr. deixa a corrida ao Senado no momento em que essa disputa começa a ganhar o seu formato definitivo, agora com um candidato a mais, Enilton Rodrigues (PSOL), para um embate feroz entre cinco postulantes e seus três candidatos a governador: Weverton Rocha e Roseana Sarney, que levarão a bandeira de Orleans Brandão (MDB), André Fufuca e Lahesio Bonfim, que empunharão o estandarte de Eduardo Braide (PSD), e Eliziane Gama (PT), que conduzirá a flâmula de Felipe Camarão (PT). Os demais disputarão as vagas honrosamente, mas, ao que tudo está indicando, com poucas chances de chegar lá.
O deputado federal Duarte Jr. diz ter sido um golpe contra a sua candidatura. Mas, como político hábil que é, certamente já fez contas e pode ter chegado à conclusão de que a reviravolta não foi exatamente um desastre. O seu desafio agora é lutar para que a chapa do Avante consiga 250 mil votos para deputado federal, que é o cociente previsto para mandar o mais votado para Brasília.
Eliziane joga com inteligência política ao montar chapa com mulheres na suplência
Inteligente e arrojada a decisão da senadora Eliziane Gama (PT) liderando uma chapa formada por mulheres. Além do aval do presidente Lula da Silva e do apoio incondicional do PT, ao que se soma o suporte do pré-candidato petista ao Palácio dos Leões, a parlamentar aposta agora todas as suas fichas no eleitorado feminino, sem perder, é claro, a densa e consistente fatia da massa eleitoral masculina que sempre se sufragou nas urnas.
Política traquejada, e embalada por um rico portfólio desenhado ao longo dos seus mandatos de deputada estadual, deputada federal e senadora, Eliziane Gama é hoje uma das estrelas da banda feminina do Congresso Nacional. Sua decisão de liderar uma chapa feminina, tendo como suplentes a dirigente petista Patrícia Carlos e a comunista Lene Rodrigues – que ainda não foi confirmada pelo PCdoB – se encaixa perfeitamente na linha de ação que ela vem trilhando no Senado da República, o que desmonta, de cara, qualquer acusação de oportunismo ou coisa parecida. Ela tem legitimidade pessoal e política para seguir nessa trilha.
Nenhum candidato a senador tem o suporte político que a senadora petista reuniu, a começar pelo aval declarado do presidente Lula que, como é sabido, continua sendo o maior eleitor do Maranhão. Com esse cacife, sua reeleição só depende dela mesma, senadora, e pois cabe à mais ninguém, embalada por esse poderoso suporte, fazer a combinação direta com o eleitor.
Vale lembrar que o eleitorado feminino é maior que o masculino e será disputado intensamente. A deputada federal Roseana Sarney (MDB), sinalizou que vai entrar com tudo nesse universo quando, no discursou na convenção do MDB convocando as mulheres para “marcharem” com ela e Orleans Brandão (MDB).
São Luís, 29 de Julho de 2026.

