Roseana confirma candidatura ao Senado, mas não fala de aliança, não cita concorrência nem comenta disputa aos Leões

Roseana Sarney confirma candidatura sem citar
aliados, partido ou base de apoio

“Serei candidata ao Senado pelo Maranhão”. Com essa declaração, feita em tom firme, não deixando qualquer dúvida, a deputada federal Roseana Sarney consumou ontem o movimento por meio do qual, numa reviravolta surpreendente, incluiu o MDB na disputa por vaga no Senado. Na sua fala, de cerca de dois minutos e meio, ela se limitou a informar que venceu o câncer e está com força para entrar na disputa, assinalou a sua relação com os maranhenses registrada pelas pesquisas, disse que essa aliança lhe deu clareza para se candidatar e se propôs a ser “a voz forte que o Maranhão precisa em Brasília”. Por outro lado, a parlamentar não disse uma só palavra sobre a sua condição partidária, e pareceu não haver tomado conhecimento dos tremores que agitaram o MDB desde segunda-feira. Ela não fez qualquer menção sobre algum entendimento com o governador Carlos Brandão (MDB) nem se referiu à chapa majoritária encabeçada por Orleans Brandão, pré-candidato a governador e que preside o MDB maranhense.

– Quem me conhece sabe que o meu relacionamento com as pessoas sempre foi de absoluta transparência – disse Roseana Sarney, para em seguida lembrar que “nos últimos meses, eu enfrentei um dos maiores desafios da minha vida. Uma batalha dura contra um câncer”. E depois de agradecer o apoio que recebeu dos maranhenses, a parlamentar foi direto ao ponto: “Ao longo desse período, algo me surpreendeu e me comoveu. Mesmo afastada, os maranhenses não me esqueceram, como confirmam todas as pesquisas divulgadas até agora. Isso me deu clareza sobre o que fazer. Por isso, eu decidi: serei candidata ao Senado pelo Maranhão”.

Roseana Sarney justificou sua decisão de disputar uma cadeira no Senado: “Eu volto porque acredito que o Maranhão precisa de uma voz forte em Brasília. Uma voz que dialoga, uma voz que une, que defende o estado acima de qualquer disputa política”. E foi além: “Eu volto renovada, eu volto com disposição redobrada.  E, claro, com um olhar novo. Não é vaidade. É a certeza de que ainda posso servir”.

Pelo tom do seu comunicado, a ex-governadora passou a impressão de que não existe qualquer pendência política ou partidária relacionada à sua pré-candidatura. Ela resumiu sua mensagem ao seu universo pessoal: relação com eleitores, doença, experiência, maturidade e superação. Não fez qualquer referência ao fato de que participará de uma aliança e de que terá um antigo inimigo político, o senador Weverton Rocha (PDT), como aliado também brigando por vaga na Câmara Alta. Ela também não fez referência sobre suplência, que de acordo com os rumores que correm no meio político incluirá um parente seu.

O teor do discurso e o tom que usou causaram a impressão de que sua pré-candidatura é um projeto isolado, sem conexão com uma aliança partidária. A realidade é bem diferente. Roseana Sarney é pré-candidata ao Senado pelo MDB, que tem como referência principal a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Apoiado diretamente pelo governador Carlos Brandão para sua sucessão, é também presidente o partido. E se houver alguma rusga, essa terá de ser resolvida até amanhã, uma vez que no sábado (25), o MDB realizará a convenção para oficializar os seus candidatos a governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

Visto de fora, o MDB parece pacificado em relação à guinada ocorrida com a decisão da ex-governadora de voltar atrás e entrar nas corrida ao Senado. A pré-candidatura do deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), poderia ter sido o estopim de uma crise na base governista, mas o bom senso prevaleceu e o parlamentar decidiu abrir mão da indicação e buscar a sua reeleição de deputado federal. Chama a atenção, porém, que o governador Carlos Brandão, que é o grande comandante da aliança governista, não se manifestou sobre o assunto, postura seguida por Orleans Brandão, que também manteve silêncio. O resultado da convenção dirá se está tudo certo.

PONTO & CONTRAPONTO

Corrida ao Senado continua produzindo fatos e agitando os bastidores

Duarte Jr., Roberto Rocha e Hilton Gonçalo
“causando” na corrida ao Senado

Além da confirmação da pré-candidatura de Roseana Sarney, a corrida às duas vagas de senador pelo Maranhão produziu ontem três movimentos, indicando que a corrida ao Senado será um embate político e eleitoral espetacular. Os fatos de envolveram os pré-candidatos a senador deputado federal Duarte Jr. (Avante), o ex-senador Roberto Rocha, e o ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza).

O primeiro movimento foi protagonizado pelo deputado federal Duarte Jr., que usando uma borduna que lhe foi dada pelo comando nacional do Avante, demoliu a armação, barata e óbvia, por meio da qual adversários e “colegas” de partido tentaram inviabilizar a sua pré-candidatura ao Senado. O comando nacional do Avante avaliou que, além de perder um deputado federal, estaria abrindo mão de um quadro que reúne condições de brigar sério por uma cadeira de senador, e que os responsáveis pela armação nada acrescentariam ao partido. Com a decisão do comando nacional do Avante, e embalado pelo que têm dito as pesquisas acerca da viabilidade da sua candidatura, Duarte Jr. anunciou ontem que segue firme no projeto senatorial. Em vídeo divulgado ontem, Duarte Jr. admitiu que enfrentou dificuldades, mas que a sua candidatura está confirmada e vai “ganhar a eleição”. Na pesquisa mais recente, feita pelo Inop, Duarte Jr. aparece em quarto lugar, tecnicamente empatado com Weverton Rocha (PDT).

O outro movimento protagonizado pelo ex-senador Roberto Rocha, que alguns canais de informações chegaram a apontar como fora do páreo, devido a encrencas nas entranhas do partido Novo, ao qual estava filiado, onde fico sem norte depois da guinada por meio da qual Lahesio Bonfim desistiu de brigar pelo Palácio dos Leões e anunciou sua pré-candidatura ao Senado, aliando-se a Eduardo Braide (PSD). Ontem, Roberto Rocha surpreendeu meio mundo ao se apresentar membro do PRTB e anunciar sua pré-candidatura a senador, ainda que admitindo a passibilidade de disputar outro cargo. O fato é que, num rasgo de esperteza política, Roberto Rocha contou que está filiado ao PRTB desde abril, fez um jogo curioso com o Novo, que agora só conta com a pré-candidatura de Lahesio Bonfim ao Senado. No levantamento do Inop, Roberto Rocha aparece em quinto lugar.

O terceiro movimento foi a convenção, realizada ontem, por meio da qual o Mobiliza consagrou a pré-candidatura do ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo ao Senado. A convenção foi realizada dias depois que, em convenção realizada no Rio de Janeiro, o comando nacional do partido chancelou o projeto de candidatura de Hilton Gonçalo, líder de um grupo que controla várias prefeituras, entre elas a de Santa Rita e a de Bacabeira, tem um deputado estadual, e tem corrido o estado em busca de apoio à sua pré-candidatura a senador. Na convenção de ontem, chamou a atenção a presença do empresário Marcus Brandão, pai de Orleans Brandão (MDB), e que divide hoje o controle do MDB com a deputada federal Roseana Sarney.

André Luís (Missão) é o primeiro candidato a governador oficializado em convenção

André Luís: candidato do Missão

O Maranhão já tem um candidato a governador. Trata-se de André Luís, que disputará o Palácio dos Leões pelo partido Missão, que está na corrida à presidência da República com o pré-candidato Renan Santos. Empresário de 41 anos, André Luís teve sua candidatura confirmada ontem em convenção online. O seu vice é o professor Cadu Aguiar.

O braço maranhense do Missão decidiu não lançar candidatos às vagas no Senado nem para deputado federal. Além do candidato a governador, o partido lançou uma chapa com oito candidatos à Assembleia Legislativa. André Luís disputará pela primeira um cargo majoritário, sendo, portando, estreante na disputa pelo poder.

Já na condição de candidato a governador, André Luís declarou estar “feliz” com a sua candidatura ao Governo do Estado, “marcando um novo jeito de se fazer política no nosso estado”. Ele informou que o Missão vai apresentar uma proposta de desenvolvimento para o Maranhão.

– Nós queremos ver o Maranhão rico, desenvolvido por meio de um projeto pensado para enriquecer o nosso Estado. Nós queremos verticalizar a atividade econômica no nosso Estado, interiorizar a atividade econômica, colocar regras claras para que os prefeitos possam perseguir o crescimento do nosso Estado – declarou o candidato do Missão.

André Luís representa uma corrente política de centro-direita nascida nas entranhas do Movimento Brasil Livrem que movimentou São Paulo nos últimos tempos e que reúne políticos de direita moderada, que não têm vínculo nem querem aproximação com a direita radical, que tem o bolsonarismo como referência.

O Missão ganhou carta branca no TSE no ano passado.

São Luís, 23 de Julho de 2026.

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