Dino em contagem regressiva para o desafio de consolidar prestígio, vencer opositores e chegar ao Supremo

Flávio Dino em diferentes momentos de
uma entrevista em 2022

O ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino começa a semana em clima de contagem regressiva para a sabatina e a votação por meio das quais o Senado da República, do qual é membro licenciado (PSB), definirá o seu futuro, aprovando ou não a sua indicação, feita pelo presidente Lula da Silva (PT), para o Supremo Tribunal Federal. Até aqui, todas as projeções apontam que, apesar da forte e intensa pressão que vem sendo feita pela bancada da direita conservadora contra sua indicação, ele terá maioria de votos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde será sabatinado; as mesmas projeções também sugerem que ele terá no plenário mais do que os 41 votos necessários para se tornar membro da mais alta Corte de Justiça do País. Se for aprovado, Flávio Dino terá de renunciar ao seu mandato senatorial e deixar o comando do Ministério da Justiça. Se não, o mais provável é que ele deixe o Ministério da Justiça e reassuma sua cadeira de senador pelo Maranhão.

Indicado pelo presidente Lula há duas semanas, Flávio Dino iniciou uma verdadeira maratona de contatos em busca de votos, enfrentando a repercussão da declaração de senadores adversários de que a oposição teria 35 dos 81 votos fechados contra sua indicação. E mais do que isso: os senadores oposicionistas, em especial os da extrema-direita conservadora, estariam preparando ciladas para tentar fragiliza-lo na sabatina e forçar a barra para tirar-lhe votos no plenário. Flávio Dino encontrou tempo para visitar senadores em busca de votos, tendo conversado com 51 deles até sexta-feira, afirmando não ter havido um só caso em que o colega visitado tenha lhe dito que não lhe dará o voto.

Após viver vários dias encarando diariamente um turbilhão de notícias desencontradas, o ministro da Justiça encerrou a semana num ambiente bem mais leve, certo de que será aprovado com margem razoável ou até expressiva de votos. Seus adversários, em especial os senadores mais ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuam pressionando a bancada oposicionista a se posicionar contra a indicação. A pressão já foi mais forte, nas últimas 48 horas, as vozes mais ativas amenizaram o tom, tendo alguns senadores da direita radical admitido que não há como evitar a aprovação do ministro da Justiça para o Supremo, inclusive pelo fato de ele ser um senador da República. Permanece, no entanto, a expectativa de que a sabatina será tensa.

Um dos políticos mais preparados e combativos da sua geração e da atualidade, Flávio Dino é o púnico que tem no currículo a experiência de atuação nos três Poderes – foi juiz federal por 12 anos, professor de Direito Constitucional, secretário geral do Conselho Nacional de Justiça, deputado federal por um mandato, presidente da Embratur, governador do Maranhão por dois mandatos, senador da República licenciado e ministro da Justiça e Segurança Pública. Essa bagagem, o seu notório saber jurídico e a sua atuação reta como homem de Estado, mostrada na reação à tentativa de golpe materializada no dia 8 de Janeiro, o credenciaram para a escolha do presidente Lula da Silva.

Flávio Dino tem plena consciência de que as tentativas de entravar a sua caminhada são de natureza puramente política, já que não há como questionar a sua competência técnica, nem a sua experiência executiva, nem a sua retidão ética. Os adversários ideológicos veem nele uma pedra na botina do neofascismo à brasileira, caso da tropa de choque da direita radical agrupada em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro, e alguns aliados o querem longe do poder, temendo que ele cresça no cenário político, caso de alguns grupos do próprio PT, que não o querem credenciado para futuras disputas.

A aprovação da sua indicação pelo Senado tirará de cena e aposentará o preparado, experiente e combativo militante político, que voltará a ser o magistrado profissional que foi durante 12 anos. A não aprovação mandará para o Senado da República o político preparado, experiente e combativo militante, que certamente saberá ajustar a sua bússola para medir o enorme horizonte que terá à sua frente.

PONTO & CONTRAPONTO

Duarte Jr. mostra amadurecimento ao anunciar que irá atrás dos votos da esquerda e da direita

Duarte Jr. mostra a razão se
impondo sobre a emoção

O deputado federal Duarte Jr. (PSB) vem dando seguidas demonstrações de que saiu do patamar do jovem político imprevisível para o militante com fortes traços de amadurecimento.

Sua declaração afirmando que não está interessado em saber se o eleitor é de esquerda ou de direita, e que o que interessa é o compromisso com São Luís, mostrou um pré-candidato a prefeito movido pela razão e não pela emoção pura e simples.

Essa nova postura é o resultado de uma vivência política intensa no dia a dia do Congresso Nacional e nos bastidores do Poder em Brasília, onde as posições ideológicas existem, mas são mais utilizadas para exibição para o grande público do que nas mesas de negociação.

Quando diz que vai atrás dos votos da esquerda e da direita em São Luís, justificando a iniciativa com o argumento de que o que está em jogo é a cidade e os problemas enfrentados pela maioria dos mais de 1 milhão de habitantes que ela abriga, ele está mandando um recado de que está mesmo determinado a chegar ao Palácio de la Ravardière.

O movimento do pré-candidato do PSB rascunha as linhas de uma campanha dura.

Pesquisa refez cenário e colocou a disputa em Imperatriz na estaca zero

Josivaldo JP, Rildo Amaral e Marco
Aurélio: no jogo em Imperatriz

A pesquisa DataIlha sobre a corrida para a Prefeitura de Imperatriz produziu três efeitos visíveis.

O primeiro: ao aparecer na liderança apertada, o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que vinha jogando no clima do “vai que cola”, passou a acreditar que tem chances reais de vencer a eleição se o quadro de candidatos permanecer o mesmo. Ao mesmo tempo, foi alertado de que será alvo de bombardeio pesado de agora em diante.

O segundo: o deputado Rildo Amaral (PP), que liderava com folga viu sua base fraquejar e descobriu que sua eleição, se vier a acontecer, será fruto de um processo político bem articulado. Se vacilar, corre o risco de ficar para trás.

O terceiro: o ex-deputado estadual Marco Aurélio (PSB), que deixou seu nome no ar como quem não quer nada, viu seu nome ganhar volume e chegar no pelotão da frente.

Conclusão óbvia: ao contrário do que se imaginava há algumas semanas, a disputa pela Prefeitura da segunda e mais importante cidade do Maranhão está praticamente zerado, com os três em condições de chegar lá.

São Luís, 10 de Dezembro de 2023.

Marcus Brandão mostra que não é “cristão novo” em política e aposta no crescimento do MDB

Marcus Brandão na entrevista à TV Mirante

Uma combinação de otimismo com entusiasmo. É assim que vem se movimentando o novo presidente do MDB no Maranhão, o advogado e empresário Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu formalmente o comando do partido em convenção-gigante realizada na semana passada, avisando na sua fala que vai turbinar o crescimento da legenda já a partir das eleições municipais de 2024. Ele expressou esse estado de ânimo em entrevista concedida, quinta-feira, à TV Mirante, ao longo da qual deixou claro que vai fazer o que estiver ao seu alcance para devolver ao MDB o poder de fogo de outros tempos, quando o partido foi hegemônico no Maranhão. “Uma coisa é certa: o partido vai crescer muito, é uma meta minha aumentar este partido”, declarou o novo chefe emedebista, com a ênfase de quem sabe o que diz.

Ao contrário do que pensam alguns, Marcus Brandão não é cristão novo na seara político-partidária. Com o know-how de quem coordenou nada menos que 16 campanhas eleitorais nas últimas três décadas, incluindo a que resultou na reeleição do governador Carlos Brandão para o Governo do Estado, ele exibiu a convicção de que conseguirá recolocar o MDB entre os maiores partidos do Maranhão. Um desafio e tanto, quando é lembrada a trajetória de altos e baixos da agremiação no tabuleiro político maranhense, principalmente a partir da filiação de José Sarney, em 1984, para em seguida se tornar presidente da República. A grande guinada no MDB maranhense se deu no início dos anos 90, quando o seu principal líder, o deputado federal Cid Carvalho, atropelado pela CPI dos Anões do Orçamento, passou o comando ao então ao ex-governador João Alberto, no início dos anos 90.

De lá para cá o MDB se tornou o maior partido do Maranhão até 2914, quando findou o último Governo de Roseana Sarney, e junto com ele a Era Sarneysista na política estadual. Durante os Governos Flávio Dino, o MDB perdeu a hegemonia, primeiro para o PCdoB, e agora para o PSB, não tendo senador e representado apenas por um deputado federal – Roseana Sarney apenas dois deputados estaduais – Roberto Costa e Arruda, alguns prefeitos e uma penca modesta de vereadores espalhados Maranhão a fora. Mas conservou uma megaestrutura, com diretórios espalhados em praticamente todos os municípios e uma ala jovem aguerrida, liderada pelo deputado Roberto Costa. Isso significa dizer que, ao mesmo tempo em que recebeu da deputada federal Roseana Sarney um MDB politicamente enfraquecido, Marcus Brandão assumiu o controle de uma máquina organizada e pronta para decolar.

Sob o novo comando, o MDB se alinhou inteiramente à grande aliança partidária (13 partidos) alinhavada e mantida sem maiores problemas pelo governador Carlos Brandão. Nesse ambiente estável, a expectativa dominante é a de que parte das forças que estão espalhadas por vários partidos, a começar pelo PSB, deve migrar para os quadros emedebistas. Será, provavelmente, o caso da deputada Iracema Vale (PSB), presidente da Assembleia Legislativa migre para o MDB, o que deverá acontecer na janela partidária a ser aberta em março de 2026. No discurso que fez na convenção, Iracema Vale, ao ser provocada pela massa presente sobre migração, respondeu que vai esperar a abertura da janela de 2026. Sobre isso, Marcus Brandão sugeriu que esse assunto só será tratado depois das eleições municipais.

Na quinta-feira, Marcus Brandão dedicou parte da sua manhã a à concessão de entrevistas aos veículos do Sistema Mirante, respondeu a todas as questões, numa desenvoltura surpreendente para o seu comportamento reservado, de político que sempre atuou mais nos bastidores. Ali, reafirmou o apoio do MDB ao governador Carlos Brandão, elogiou o desempenho do chefe do Executivo maranhense em meio à crise financeira que atingiu fortemente o estado, e agradeceu o apoio que o Governo do presidente Lula da Silva (PT) vem dando ao Governo estadual.

Desde que Marcus Brandão assumiu o comando, o MDB se tornou o partido mais procurado por políticos de peso variado em busca de filiação. Um começo indicador de que o partido pode voltar a ser a potência partidária de antes.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB vai definir em janeiro posição sobre eleição em São Luís

Cléber Verde defende apoio do MDB ao
projeto de reeleição de Eduardo Braide

Na entrevista à TV Mirante, Marcus Brandão revelou que vai convocar, em janeiro, o presidente do MDB na Capital, deputado federal Cléber Verde, para uma grande reunião para definir a posição do partido na disputa pela Prefeitura de São Luís.

Ele não soltou nenhuma pista sobre qual será a posição do partido na corrida ao Palácio de la Ravardière. No entanto, a julgar pelas conversas que circulam dentro do próprio partido, duas situações já estariam definidas

A primeira: o MDB não deve lançar candidato próprio à Prefeitura de São Luís. A segunda: é cada vez menor a possibilidade de o partido vir a apoiar o projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide, como defende o chefe ludovicense do partido Cléber Verde.

Todas essas situações serão avaliadas, como a também uma aliança com o União Brasil em torno da eventual candidatura do deputado Neto Evangelista (UB). Ou, finalmente, uma aliança com o PSB em torno da candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB).

O jogo está zerado e nada está descartado.  

CPI para investigar contratos de Prefeitura de São Luís pode ser instalada só em janeiro

Paulo Victor vai decidir sobre instalação de CPI

Por conta do calendário legislativo deste ano, que deve ser encerrado antes do Natal, a CPI criada pela Câmara Municipal para investigar denúncias de supostas irregularidades na Prefeitura de São Luís dificilmente será instalada ainda em 2023. Segundo um experiente vereador ouvido pela Coluna, a turbulência recente causada pela denúncia de achaque feita pelo presidente Paulo Victor (PSDB) contra o promotor de Justiça Zanony Filho pode causar o adiamento da instalação para fevereiro de 2024.

Vale lembrar que a CPI foi proposta pelo vereador Beto Castro (PMN) e tem como objeto central a investigação de contratos os quais estariam contaminados por irregularidades. Quando a CPI foi aprovada, há três semanas, o presidente Paulo Victor fez um duro discurso contra a gestão do prefeito Eduardo Braide (PSD), na qual, segundo afirmou, haveria problemas de irregularidades em contratos.

A CPI só será instalada depois que as bancadas indicarem seus representantes para integrá-la.

São Luís, 09 de Dezembro de 2023.

DataIlha aponta empate técnico entre Josivaldo JP e Rildo Amaral na disputa em Imperatriz

Josivaldo JP na frente de Rildo Amaral,
Marco Aurélio e Mariana Carvalho em Imperatriz

Se os números da pesquisa DataIlha, divulgados ontem, sobre a corrida para a Prefeitura de Imperatriz estiverem corretos – e não há motivos para não estarem -, revelando empate técnico entre o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que aparece com 22,7% de intenções de voto, e o deputado estadual Rildo Amaral (PP) com 20,9%, com o ex-deputado Marco Aurélio (PSB) com 17,7% e  Mariana Carvalho (Republicanos) com 9,0%, a Princesa do Tocantins, o segundo maior e mais importante município do Maranhão, tende a alimentar uma surpreendente inclinação para tomar decisões fora da curva. E é exatamente por conta dessa tendência que a disputa na “segunda capital” vem sendo acompanhada com atenção pelo “núcleo de ferro” do Governo, onde atua chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, ex-prefeito e conhecedor profundo dos caprichos do eleitor tocantino.

Até pouco tempo, Rildo Amaral surfava na liderança, com Marco Aurélio bem atrás, segundo pesquisas anteriores. A situação mudou, com Josivaldo JP deixando Marco Aurélio cinco pontos atrás, e colocando um 1,8% à frente de Rildo Amaral. Se levada em conta a margem de erro de 3,7%, os dois líderes estão empatados, mas com o detalhe de que o terceiro colocado não está fora da briga, o que indica uma situação de absoluta indefinição a 10 meses da eleição.

Imperatriz vive uma situação ímpar. À frente de um desastre administrativo de sete anos e com 78% de reprovação (segundo o DataIlha), o prefeito Assis Ramos (UB) não deve se envolver na eleição, já que a avaliação da sua gestão não o autoriza a lançar um candidato à sua sucessão, obrigando-o a deixar o caminho livre para quem interessar possa. Nesse ambiente, Rildo Amaral bateu o martelo da sua candidatura logo que as urnas de 2022 confirmaram a sua reeleição para a Assembleia Legislativa. O mesmo aconteceu com Josivaldo JP, quando teve confirmada a sua reeleição, na qual poucos acreditavam. Marco Aurélio saiu das urnas derrotado, mas decidiu pagar para ver e rompeu uma aliança que firmara com Rildo Amaral, que o apoiara em 2020.

Até alguns dias atrás, a liderança de Rildo Amaral era ampla, calcada na sua condição de professor, detentor de vários mandatos de vereador e com bom desempenho na Assembleia Legislativa, com discurso muito focado nos problemas de Imperatriz, causando impressão de que sua caminhada para a vitória parecia irreversível. Só que – e a Coluna registrou – Josivaldo JP, um jovem e inquieto comerciante de feira que se lançou para deputado federal em 2018, pelo antigo PMN, saiu do pleito na primeira suplência e foi beneficiado pela avassaladora votação do candidato Eduardo Braide, de quem ganhou o mandato no final de 2020, quando o colega de partido foi eleito prefeito de São Luís.

Nos dois anos que ganhou na Câmara Federal, Josivaldo JP apreendeu o caminho das pedras e encontrou o filão do Orçamento Secreto, usando o resultado da mineração para renovar seu mandato, deixando para trás ninguém menos que o então deputado federal Edilázio Jr., o todo poderoso chefe do seu partido (PSD) no Maranhão. Há cerca de dois meses, a Coluna anotou que Josivaldo JP estava ganhando a forma de uma perigosa ameaça para Rildo Amaral, ganhando volume e agora lidera, ainda que precariamente, a corrida ao comando da antiga Vila do Frei.

Ainda é muito cedo para se cantar pedra num tabuleiro tão movimentado como está o de Imperatriz, com Marco Aurélio e Mariana Carvalho bem posicionados, de acordo com o que foi revelado pelos números levantados pelo DataIlha. É com base nessa tendência que as forças de comando entrarão em campo, no mais tardar depois do Reinado de Momo.

Em Tempo: A pesquisa DataIlha ouviu 700 eleitores entre os dias 30/11 e 02/12, tem margem de erro 3,7% para mais ou para menos, e intervalo de confiança é 95%.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão avisa que pode ficar neutro na corrida às Prefeituras

Carlos Brandão: neutralidade

“Existe a possibilidade de que eu não participe da eleição. Na maioria dos municípios eu tenho grupos políticos ao meu lado. Então, será que vale a pena? Dos 42 deputados estaduais, 42 me apoiam. Então, para que eu vou entrar numa briga dessas? Prefiro fazer parcerias com aqueles que ganharem”.

Com a frase, dita no contexto de uma entrevista ao jornal O Globo, o governador Carlos Brandão (PSB) sinalizou com clareza o caminho que deve seguir na corrida às prefeituras no ano que vem: a neutralidade onde for possível.

Imperatriz é um exemplo: dificilmente o governador apoiará a candidatura de Josivaldo JP, que não tem alinhamento com o Governo, mas também não é visto como um inimigo. E não tem como não adotar a neutralidade se Rildo Amaral, seu aliado e apoiador na Assembleia Legislativa, e Marco Aurélio, que está sem mandato, mas é aliado de proa e pertence ao seu partido, o PSB, não chegarem a um acordo e mantiverem suas candidaturas.

Nos seus cálculos, a esmagadora maioria dos 217 municípios será palco de disputa entre dois aliados. O seu envolvimento numa dessas refregas eleitorais certamente lhe dará um aliado vitorioso, gerando, na contrapartida, o que pode vir a ser um ex-aliado inconformado.

A neutralidade lhe dará a condição de trabalhar com os vencedores sem romper laços com quem perder.

MP reage com parcialidade e corporativismo à denúncia de Paulo Victor contra Zanony Filho

Paulo Victor e Zanony Filho:
ataque e proteção

 Alguns observadores avaliaram que a nota do Ministério Público sobre a denúncia do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB) contra o promotor Zanony Filho foi parcial e corporativa.

Sem a assinatura do procurador geral de Justiça nem do corregedor geral do Ministério Público, “assinada” pelo Ministério Público como instituição, o que é questionável do ponto de vista da transparência, a nota centra fogo no presidente da Câmara Municipal de São Luís, citado três vezes com nome e sobrenome e outras quatro vezes identificado pelo cargo que exerce. Já em relação ao membro do Ministério Público acusado pelo presidente da Câmara, a nota não o identifica pelo nome. Nas sete vezes em que é citado, é tratado ora como Promotor de Justiça, ora como promotor simplesmente e ora como membro do Ministério Público. Ou seja, na nota ele é só um cargo, sem identidade.

Ao longo da nota, o Ministério Público – e isso quer dizer todos os promotores de Justiça e todos os procuradores de Justiça – interpreta as declarações do vereador-presidente Paulo Victor contra o promotor Zanony Filho quase como a confissão de um crime, mas, curiosamente, não o aponta o promotor como o causador e beneficiário do suposto desvio. Causa perplexidade em qualquer leitor o claro propósito da nota de criminalizar as declarações do presidente da Câmara e quase vitimar o promotor de Justiça acusado.

Não há nenhuma dúvida de que no seu discurso o vereador-presidente Paulo Victor denunciou admitindo que cedeu a uma chantagem do promotor Zanony Filho, que em seguida, diante de mais exigências, reagiu e rompeu o “acordo”, e que obteve a informação de que está sendo investigado pelo Gaeco, furando a carapaça do segredo de Justiça, consciente de que isso pesa sobre o exercício da presidência da Câmara. Mas também parece não haver dúvida de que, a julgar pelo que disse o vereador-presidente, o promotor acusado está de corpo inteiro com chantagista no episódio.

Sem esquecer a importância superior da instituição ministerial, o trabalho intenso e incansável das Promotorias em defesa da lei e em especial a atuação do Gaeco na luta contra o crime organizado, não há como não enxergar que o Ministério Público navegou na parcialidade e no corporativismo na nota sobre a denúncia do presidente da Câmara Municipal de São Luís contra o promotor Zanony Filho.

São Luís, 08 de Dezembro de 2023.

Ainda senador, Dino se despede da seara política e Brandão consolida seu comando no estado

Flávio Dino, Carlos Brandão e Felipe Camarão no
gabinete que foi do primeiro, agora é do segundo
e deverá ser do terceiro em abril de 2026;
Felipe Camarão, Carlos Brandão, Duarte Jr.
e Flávio Dino: indicativo para 2024

O senador licenciado e ainda ministro da Justiça e Segurança Pública e virtual ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino (PSB) desembarcou ontem em São Luís, para dois compromissos formais, um, ontem mesmo, como ministro, e outro, hoje, como detentor de notório saber jurídico. No primeiro, como ministro da Justiça, participou de ato no Palácio dos Leões, ao lado do governador Carlos Brandão (PSB), a quem entregou 46 motocicletas, 14 camionetas, 12 automóveis e duas viaturas, para a Polícia Militar, no valor de R$ 8,4 milhões. O outro compromisso será cumprido hoje, como conferencista convidado, na abertura de um encontro realizado pelo Ministério Público do Estado. A apertada e agitada agenda que cumprirá até o dia 13, quando será sabatinado e submetido a votação no Senado, dificilmente permitirá que ele retorne ao Maranhão ainda como titular do Ministério da Justiça e como senador.

Compromissos à parte, a impressão causada em alguns observadores foi a de que Flávio Dino, independentemente das pressões feitas pela direita bolsonarista, que perdeu o sono com a sua indicação, será aprovado pelo Senado e assumirá cadeira no Supremo Tribunal Federal, o que exigirá que ele renuncie ao seu mandato de senador e aposente em definitivo o aguerrido militante político que o colocou no mais alto patamar da política brasileira. As imagens registradas ontem no Palácio dos Leões indicam com clareza um clina de despedida do ministro da Justiça e Segurança Pública e do senador da República, que dificilmente serão registradas como distante e circunspecto integrante da Suprema Corte do País.

O que está desenhado no Maranhão é óbvio. No momento em que o presidente Lula da Silva (PT) o indicou para a cadeira vaga com a aposentadoria da ministra Rosa Weber, Flávio Dino começou a vestir a toga e a mudar o discurso, ao mesmo tempo cuidando da aposentadoria do político. Exatamente naquele momento, o governador Carlos Brandão chamou para si o comando político da grande aliança partidária criada em 2014 e mantida até aqui com base num bem-sucedido projeto de Governo e de poder que já dura nove anos e tem todas as condições para seguir em frente.  Até agora, a despeito de todas as diferenças de visões e de pontos de vista, Flávio Dino e Carlos Brandão demonstraram uma surpreendente afinidade, que tem por base um item decisivo para a estabilidade das relações políticas: a lealdade.

Talvez o segredo do sucesso dessa relação esteja no fato de que, ao longo dos dois Governos Flávio, o vice-governador Carlos Brandão tenha cumprido à risca o seu papel, compreendendo que o Governo tinha um titular, e Flávio Dino tenha assumido integralmente a condição de ex-governador no momento em que passou o bastão para Carlos Brandão, compreendendo que o Governo tinha um titular. Nenhum tentou avançar no espaço do outro. Houve muitas especulações a respeito de rusgas, ranhuras e até risco de rompimento. Nada, porém, aconteceu até ontem, quando os dois se reuniram para o último ato institucional antes que o ministro da Justiça e o senador saiam de cena. A aliança foi mantida integralmente.

O destino político do Maranhão está nas mãos do governador Carlos Brandão, que deve intensificar os ajustes que já iniciou no tabuleiro, como o fortalecimento do MDB, hoje comandado por seu irmão, Marcus Brandão, e a ressurreição do PSDB, comandada pelo secretário-chefe da Casa Civil Sebastião Madeira. E tem mostrado inteligência política ao manter viva e, se possível, forte, sua relação com aliados da esquerda, como PT, PCdoB, PV, e de alimentar a boa e produtiva convivência com aliados do porte do PP (ministro André Fufuca), União Brasil (ministro Juscelino Filho), e por aí vai. O governador prepara terreno para o grande embate de 2026, quando passará o bastão para o vice Felipe Camarão (PT), quando deverá seguir para o Senado, abrindo caminho para que o quadro político do Maranhão avance com a mesma feição conservando a mesma aliança.

O caminho está desenhado e as linha serão confirmadas no momento em que o Senado disser sim ao novo ministro do Supremo.

PONTO & CONTRAPONTO

Neto Evangelista mantém firme projeto de candidatura a prefeito de SL

Neto Evangelista: confiante
de que será candidato

O deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil) mantém firme o seu projeto de se candidatar à Prefeitura de São Luís. Ele revela que colocou seu nome à disposição do governador Carlos Brandão (PSB) e admite a possibilidade de uma aliança com o MDB, podendo se tornar uma espécie de segunda via na base governista para enfrentar o prefeito Eduardo Braide (PSD), que se mantém como franco favorito, segundo todas as pesquisas feitas até aqui sobre a disputa na Capital.

Político experiente, apesar da pouca idade, Neto Evangelista diz que não tem pressa, mas deve começar em pouco tempo uma agenda de conversas para balizar seu projeto de chegar ao Palácio de la Ravardière, um projeto que alimenta desde que entrou na política como herdeiro do seu pai, o deputado.

Prudente, o parlamentar não quer precipitar qualquer movimento. Mas deixa claro que vai trabalhar duro, mas sem açodamento, para consolidar o projeto de candidatura. Parece acreditar piamente que tem potencial para uma boa performance nas urnas ludovicenses.

Câmara abre processo que pode cassar Domingos Paz

Domingos Paz: alvo de pedido de cassação

Nem bem assentou a poeira do bombástico discurso do presidente Paulo Victor (PSDB) na segunda-feira, quando denunciou que foi chantageado pelo promotor Zanony Filho, a Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís (CMSL) comunicou, ontem, o recebimento de Representação contra o vereador Domingos Paz (Podemos) por quebra de decoro parlamentar.

A Representação registra que o vereador Domingos Paz é acusado de um suposto abuso cometido contra menor de idade, conforme denúncia formulada pela vereadora Silvana Noely (Mais Brasil), presidente da Comissão de Direitos Humanos do parlamento municipal.

No documento, a vereadora Silvana Noely pede a abertura de processo disciplinar contra o vereador Domingos Paz e sugere à Comissão de Ética da Câmara a pena de perda do mandato do parlamentar. Domingos Paz terá direito a ampla defesa, mas tudo indica que o destino dele está selado.

O relator do pedido de cassação será o vereador Aldir Júnior (PL)

Em Tempo: Na Coluna de ontem (05/12) foram observadas várias imprecisões no texto, que já foram resolvidas. O editor pede desculpas aos leitores.

São Luís, 06 de Dezembro de 2023.

Paulo Victor denuncia promotor, diz ser vítima de achaques e afirma que Câmara não tem bandido

Paulo Victor acusa Zanony Filho de achacá-lo

A Câmara Municipal de São Luís entrou ontem num processo de forte expectativa cujos desdobramentos são imprevisíveis. Numa atitude de coragem provavelmente inédito naquela Casa, que tem trajetória marcada por muitos momentos de agitação, o seu atual presidente, vareador Paulo Victor (PSDB), protagonizou um fato que abalou os alicerces do Palácio Pedro Neiva de Santana, atingiu duramente o Ministério Público do Estado (MPE) e pode gerar consequências devastadoras na Justiça. O chefe do parlamento municipal denunciou que um promotor de Justiça, Zenon Passos Filho, o achacou usando chantagem em troca da sua “ajuda” em investigações de supostos desvios praticado por vereadores, que correm contra ele e outros quatro parlamentares no âmbito do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – Gaeco, do MPE. O discurso do presidente estremeceu os alicerces e colocou a Câmara Municipal em estado de suspense quanto ao desdobramento do que foi dito na tribuna.

Na sua fala, o presidente Paulo Victor relatou, em tom de denúncia, que foi vítima chantagem e achaques por parte do vereador Zanony Filho, que teria exigido a contratação de parentes na Câmara, com salários de R$ 10 mil, em troca da sua atuação para reverter investigação. O presidente da Câmara e outros quatro vereadores estavam sendo investigados pelo Gaeco, na iminência de serem alvos de pedido de prisão, busca e apreensão, perda de mandato e outras medidas de investigação, com o objetivo de comprovar desvios com emendas parlamentares que chagariam a R$ 5 milhões.

Pressionado pelas ameaças, conforme seu relato, o presidente da Câmara ludovicense revelou que cedeu aos pedidos do promotor concedendo dois empregos, mas que as pessoas não foram trabalhar e posteriormente foram demitidas. O promotor, segundo o vereador-presidente, teria insistido e apresentado novos nomes, mas, garante o presidente, mas não foi atendido. E enfatizou que, diante da tal chantagem, decidiu denunciar, depois de ter batido às portas de Justiça pedindo acesso às investigações, o que lhe foi negado. E para confirmar suas palavras, o vereador Paulo Victor tornou públicas trocas de mensagens nas quais o promotor Zanony Filho faz ameaças, inclusive fazendo insinuação com foto da família der Paulo Victor.

– Muito corta meu coração e me desonra subir à tribuna com essa declaração, mas, se assim não fizer, estarei participando, de forma ativa, de um erro e cometendo um crime. Espero em Deus e na justiça do Maranhão, que se corrija esse erro. Se existe erro nesta Casa legislativa, que se corrija na justiça, apurando, investigando, não com outro erro. Estou tendo um ato de desespero. É hora de mostrar que essa Câmara não é formada só de bandidos e bandidas – discursou o presidente do parlamento ludovicense, diante de um plenário visivelmente silencioso e atento.

As declarações do presidente da Câmara Municipal de São Luís são o desdobramento da operação “Véu de Maquiavel”, realizada em agosto, destinada à apuração de supostos desvios de recursos de emendas parlamentares destinados a entidades comunitárias. Foi divulgado intensamente que havia quatro vereadores suspeitos, mas que entre eles não estava o presidente da Câmara. Ele obteve a informação de que havia sido incluído nas investigações, o que o levou a interpretar a inclusão como uma tentativa de atingi-lo supostamente armada pelo promotor Zanony Filho. E fez um apelo dramático: que o próprio Ministério Público, o CNMP e a própria Justiça entrem na investigação, para, segundo ele, colocarem as coisas nos seus devidos lugares.

Provocado pelo vereador-presidente, o procurador geral de Justiça, Eduardo Nicolau, divulgou nota cautelosa dizendo que a cúpula da instituição está ciente da denúncia e que está adotando medidas para apurar o caso.

Com o seu discurso, que repercutiu fortemente, o presidente o legislativo municipal abriu o jogo e colocou as cartas na mesa ciente de todos os riscos que corre um homem público da sua estatura numa situação como essa. Com suas declarações e as mensagens que tornou públicas, o presidente Paulo Victor abriu um enorme flanco no que respeita a ele próprio ao admitir a relação atípica com o promotor Zanony Filho, que por sua vez, se vier a ser considerado culpado, pode amargar um futuro sombrio. Mas levando em conta a regra universal de que ninguém se incrimina, o presidente da Câmara Municipal de São Luís decidiu pagar para ver. Um ato de coragem fora da curva.

PONTO & CONTRAPONTO

MDB já não defende apoio a Braide e fica entre Evangelista e Duarte Jr.

Eduardo Braide

Conversas diversas nos bastidores da mega-convenção do MDB, na semana passada, levaram vários observadores políticos a perceber que, ao contrário do que era uma tendência forte há alguns meses, o partido está agora cada vez mais distante de uma aliança com o PSD em torno do projeto de reeleição do prefeito Eduardo Braide.

Possibilidade que ganhou força com a declaração do novo presidente municipal do partido, deputado federal Cleber Verde, feita em julho, afirmando que defendia o apoio a Eduardo Braide e que trabalharia para o MDB abraçar o projeto. Entre os emedebistas de alto coturno houve quem concordasse, quem discordasse e quem ficou sobre o muro, numa situação nitidamente favorável ao prefeito.

De lá para cá, à medida que o empresário Marcus Brandão foi consolidando o seu poder no partido, o tom do discurso sobre São Luís foi mudando, abrindo o debate sobre dois caminhos: criar as condições para uma aliança com o União Brasil em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista, ou compor com o PSB e a Federação PT/PCdoB/PV em apoio à candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB).

Uma fonte emedebista que sabe das coisas confirmou que a aliança com Eduardo Braide ainda está ainda é admitida, mas está quase descartada, que a parceria com o União Brasil por Neto Evangelista já esteve mais forte, e que a tendência pró-Duarte Jr. ganha força, apesar de todas as restrições a ele feita por vozes mais ligadas ao sarneysismo.

A mesma fonte acrescentou um detalhe que faz toda diferença: o MDB só vai decidir mesmo depois de conversas francamente com o governador Carlos Brandão.

São Luís pode ser invadida pelo Atlântico se o planeta esquentar mais

Parte de Maceió, a movimentada capital de Alagoas, está na iminência de afundar, o que deixará nada menos do que 60 mil pessoas sem teto. Ali ocorre a trágica consequência da ação humana, materializada pela empresa Braskem, na exploração de sal-gema, um mineral usado em larga escala na fabricação materiais plásticos, como o PVC, por exemplo.

A ação do homem também está fazendo com que o nível dos oceanos esteja subindo, com a ameaça de produzir, entre outros problemas, a submersão de parte de muitas grandes importantes cidades de todos os continentes, entre elas São Luís, que, vale lembrar, por ser um tesouro histórico e arquitetônico, é Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, título concedido pela Unesco, o braço cultural da ONU.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM) que considerou 2023 o ano mais quente da História, o planeta está esquentando e a consequência desse processo é a subida do nível dos oceanos, cujas águas poderão invadir boa parte de cidades importantes.

E exatamente no momento em que se realiza a COP28, na qual líderes mundiais discutem exatamente a emissão de gases na queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, que a Climate Central, ligada à OMM, realizou uma simulação mostrando como a elevação do nível dos oceanos impactará cidades litorâneas como a Capital do Maranhão. Veja como, segundo a simulação, São Luís ficará se o oceano Atlântico subir de acordo com a previsão dos cientistas:

São Luís hoje

São Luís em provável futuro

Vale registrar que o maior impacto se dará exatamente no que a cidade tem de mais rico, que é o complexo arquitetônico da Praia Grande.

São Luís 05 de Dezembro de 2023.

Dino no Supremo abre espaço para novas lideranças na disputa pelo poder no Maranhão

Carlos Brandão lidera um mosaico onde
Eliziane Gama, Ana Paula Lobato, Iracema
Vale, Felipe Camarão, André Fufuca,
Weverton Rocha, Eduardo Braide,
Duarte Jr., Rubens Jr., Carlos Lula,
Rodrigo lago, Roberto Costa e Paulo
Victor, entre outros, podem crescer

Organizada apenas para formalizar a posse da nova direção, sob a presidência do empresário Marcus Brandão, a convenção do MDB acabou funcionando como senha para a movimentação destinada a redesenhar o mosaico político maranhense com a ida do senador Flávio Dino (PSB) para o Supremo Tribunal Federal. A saída dele da vida política e partidária maranhense e nacional, que começou para valer no momento em que ele foi formalmente indicado pelo presidente Lula da Silva (PT) ao Senado, abriu um grande espaço no cenário político maranhense, com desdobramentos no mapa político brasileiro. Com a convenção, o MDB se repaginou, está sob nova direção, que trabalha com um objetivo definido sem meias palavras: voltar a ser o maior partido político do Maranhão. Isso significa desbancar o PSB, que nesse momento se transforma em candidato a PCdoB, que foi o maioral no auge do Governo comandado por Flávio Dino, dentro e além das fronteiras maranhenses, e hoje sobrevive a duras penas numa federação com o PT, que está revigorado com a volta ao poder nacional, e o PV, que briga obstinadamente contra a extinção.

Não há discussão em torno da liderança do governador Carlos Brandão, que por enquanto permanece no PSB, só que agora com o desafio de comandar o redesenho político do Maranhão. O governador já começou a trabalhar para manter unida a aliança partidária cujo controle recebeu de Flávio Dino quando o então governador renunciou para disputar cadeira no Senado. Carlos Brandão encarou o desafio, fez os ajustes que tinha de fazer, e hoje governa com uma base de15 partidos – PSB, PT, PCdoB, PV, PP, PSDB, PSC, PRD, MDB, União Brasil, Podemos, Cidadania, Republicanos, PL e partes do PSD e do PDT – embora o presidente pedetista, senador Weverton Rocha se declare de oposição. O governador manterá sua base intacta no Senado com a titularização da suplente Ana Paula Lobato (PSB) no mandato de senadora da República, o que lhe dará espaço garantido na mesa de decisões.

No momento em que, aprovado pelo Senado, Flávio Dino renunciar ao mandato senatorial, algumas lideranças já consolidadas ou em ascensão se movimentarão para ocupar o espaço deixado pelo futuro ministro do Supremo. Há sinais fortes, por exemplo, de que o governador Carlos Brandão e a senadora Eliziane Gama (PSD) farão dobradinha pelas duas vagas no Senado em 2026. A ser confirmada essa aliança eleitoral, o senador Weverton Rocha será submetido a uma pressão gigantesca, que pode levá-lo a três caminhos: encarar a concorrência com risco de não se reeleger, tentar de novo o Governo do Estado – agora contra o vice-governador Felipe Camarão (PT), que concorrerá como governador em busca da reeleição e com o apoio já decidido do Palácio do Planalto – ou refazer o caminho para a Câmara Federal. O reatamento do chefe pedetista com o senador Flávio Dino, a quem deu as costas na eleição de 2022 para apoiar a candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, é vista no meio político como uma garimpagem de apoio para 2026.

Nesse contexto, o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), e a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (no PSB, mas a caminho do MDB), estão muito bem posicionados, e certamente participarão com destaque do novo desenho político do estado. Nesse patamar pontifica também o ministro das Comunicações Juscelino Filho (União Brasil), mesmo com os reveses que vem sofrendo. Num outro viés, o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), se for reeleito em 2024, terá seu nome turbinado para o jogo político a partir de 2026. É o caso também do deputado federal Duarte Jr. (PSB), ganhando ou perdendo a disputa em São Luís.

E num plano mais geral encontram-se lideranças importantes, com bom poder de articulação, como os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PT), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil) e Marreca Filho (PDR). No patamar estadual, além da deputada Iracema Vale, que tem cacife para atuarem outro plano, vale apontar os deputados Rildo Amaral (PP), Rafael Souza (PSB), Francisco Nagib (PSB) e Roberto Costa (MDB), que poderão se tornar, respectivamente, prefeitos de Imperatriz, Timon, Codó e Bacabal, respectivamente. E levar em conta deputados com expressiva atuação parlamentar e política, como Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB), Othelino Neto (PCdoB) e Yglésio Moises (tentando deixar o PSB), apesar de toda a controvérsia em torno da sua migração ideológica para a extrema-direita. E não há como descartar o poder de fogo do deputado federal Josimar de Maranhãozinho, chefão do PL, e o seu grupo. Nem ignorar a forte ação política do presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB).

É claro que outros nomes poderão ajustar suas trajetórias e ocupar uma fatia desse espaço. O tempo vai cuidar disso.

PONTO & CONTRAPONTO

Sem argumentos para contestar Dino, bolsonaristas fazem ataques gordofóbicos

Flávio Dino é alvo de
ataques preconceituosos

Sem um só argumento para questionar a sua conduta pessoal ou a sua competência na seara jurídica, e muito, mas muito mesmo, incomodados com a sua iminente aprovação pelo Senado para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal, os partidários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) formaram uma corrente nas redes sociais para fazer ataques gordofóbicos contra o senador Flávio Dino (PSB), ainda no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Ontem, o jornal O Globo publicou um levantamento feito pela empresa de pesquisa Arquimedes mostrando que na última semana os ataques gordofóbicos de bolsonaristas ao ministro da Justiça aumentaram 30% em relação à semana anterior. O levantamento da Arquimedes “identificou 14,5 mil publicações gordofóbicas contra Dino em três plataformas – X (antigo Twitter), Facebook e Instagram”, um aumento de 30%.

O Globo informa que Pedro Buzzi, pesquisador da Arquimedes, fez a seguinte avaliação: “Os ataques já eram esperados pela visibilidade que Dino alcançou ao longo deste ano. No entanto, na ausência de elementos pejorativos relacionados a sua conduta, a estes perfis sobra apenas o caminho da ofensa, em especial, xingamentos gordofóbicos”.

E também de acordo com o jornal fluminense, o antropólogo Ricardo Tassilo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi além na explicação desses ataques da falange bolsonarista contra o futuro ministro do Supremo:

– A gordofobia ocorre quando não é possível atacar as ideias, a dialética ou a retórica de alguém. Daí o agressor parte para a subjetividade, para o corpo. Os parlamentares fazem esta violência com pessoas que tem experiência e sabem da liturgia do seu cargo, o que incomoda seus adversários. Neste contexto, emergem os estereótipos de que uma pessoa gorda não pode ser inteligente, digna.

E é exatamente nesse ponto que os atacantes tropeçam feio na sua própria ignorância.

Ausências que chamaram a atenção na convenção do MDB

José Sarney: ausência explicada

Algumas vozes registraram a ausência do governador Carlos Brandão da convenção do MDB, na qual seu irmão, Marcus Brandão, assumiu o comando do partido. A explicação: o governador estava em Brasília e seguiu para São Paulo, onde, acompanhado do secretário-chefe da Casa Civil, fez uma visita à sede da Suzano.

Em relação a ausências, ninguém registrou do não comparecimento do maior nome do partido no País, o ex-presidente José Sarney, que continua como presidente de Honra da agremiação emedebista. Ele estava em Brasília, onde continua sendo fonte de aconselhamento para a classe política. De acordo com notícia que a Coluna não confirmou, José Sarney estaria aconselhando senadores a votarem em Flávio Dino para o Supremo.

Outra ausência notada foi a do ex-senador Edison Lobão, um dos cardeais do MDB local e nacional. Assim como o ex-ministro, o ex-senador Lobão Filho, que costumava participar das reuniões da cúpula partidária, também não compareceu. Os dois foram formalmente convidados.

São Luís, 03 de Dezembro de 2023.

MDB: Marcus Brandão assume comando e Iracema afirma que partido será o mais forte do Maranhão

Marcus Brandão e Iracema Vale falam na convenção
do MDB que recebeu outros líderes partidários

“O MDB será o partido mais forte do Maranhão”. A frase, que ecoou no tom de pedra cantada, foi dita pela deputada Iracema Valer (PSB), presidente da Assembleia Legislativa, em discurso na grande convenção que consumou ontem a entrega do bastão de comando do partido pela deputada federal Roseana Sarney ao empresário Marcos Brandão, irmão do governador Carlos Brandão (PSB). No mesmo discurso, Iracema Vale sinalizou que migrará para o MDB, mas que isso só acontecerá na janela partidária de 2026. A ascensão de Marcus Brandão ao comando do MDB é o sinal verde para que os aliados do governador Carlos Brandão, que, como ele, que está no PSB, se encontram espalhados por diversas legendas, incluindo a socialista, migrem para a agremiação emedebista, que vem recebendo grande número de filiações.

Com a presença do presidente nacional, deputado federal Baleia Rossi (SP), e dirigentes de outros partidos, como o ministro do Esporte, André Fufuca (PP), o vice-governador Felipe Camarão (PT), o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli (PSB), a convenção do MDB foi um evento político como poucos, com a presença de líderes emedebistas de todas as regiões do estado, incluindo alguns há tempos afastado da vida do partido. O Multicenter Sebrae foi pequeno para o grande número de militantes, que fizeram uma grande festa para mostrar que o MDB está caminhando para voltar a ser de novo o maior partido político do Maranhão, como o foi durante os anos de poder de Roseana Sarney, sob o comando do então senador João Alberto.

Na sua fala, após assumir como sucessor de Roseana Sarney no comando do partido, das mãos de Roseana Sarney, Marcus Brandão, que não cabia em si agora com o dirigente da agremiação que esteve por décadas como braço partidário do sarneysismo, disse que vai lutar torna-lo casa vez mais forte. E isso poderá acontecer já no ano que vem, ao longo da corrida às prefeituras.

Homem da mais absoluta confiança do governador Carlos Brandão, Marcus Brandão não ingressou e assumiu o comando do MDB pura e simplesmente porque resolvera entrar na política partidária e controlar um partido para chamar de seu. Todos os seus movimentos até aqui indicam que ele vai preparar o MDB para ser o abrigo partidário do grande grupo hoje liderado pelo governador Carlos Brandão, que se encontra hoje abrigado no PSB, como é o caso da deputada Iracema Vale e do deputado Antônio Pereira, que não se sentem inteiramente à vontade numa legenda da esquerda moderada, a exemplo da agremiação socialista.

Tudo indica que com a saída do senador Flávio Dino da cena política ao se tornar, daqui a semanas, ministro do Supremo Tribunal Federal, o PSB, que é hoje uma grande e bem cerzida colcha de retalhos, sofrerá um forte processo de esvaziamento. E não será nenhuma surpresa se, além da deputada Iracema Vale, o próprio governador Carlos Brandão vier a ingressar no MDB. É verdade que o chefe do Executivo estadual não cogitou essa migração, mas também não declarou, de alto e bom tom, que o PSB será sua moradia partidária definitiva. Esses movimentos, se estiverem planejados como parece, deverão ocorrer mais ostensivamente em 2026, quando certamente o mosaico partidário do Maranhão será amplamente redesenhado.

Marcus Brandão assume o comando de um partido organizado em todo o Maranhão e com uma estrutura que funciona, resultado de mais de três décadas da gestão eficiente comandada pelo ex-senador João Alberto, que foi muito elogiado por quase todos os oradores da convenção. E encontra também uma nova geração aguerrida, que tem o deputado estadual Roberto Costa, vice-presidente do partido, como referência, e o prestígio do ex-presidente José Sarney, que continua sendo o maior nome do MDB.

A grande convenção realizada ontem no Multicenter Sebrae marcou, de fato, uma guinada forte do MDB no Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

Rossi ouviu o MDB para garantir os votos dos senadores emedebistas a Dino

Flávio Dino ganha apoio dos
senadores do MDB

Além dos estímulos para a nova direção do MDB, o presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi, trouxe na bagagem uma informação que teve larga repercussão tão logo ganhou as malhas das redes sociais e os sítios de notícias: o MDB fechou questão e decidiu que os 11 votos do partido no Senado serão a favor do senador Flávio Dino (PSB).

Numa conversa informal, o líder emedebista teria justificou a decisão dizendo que conhece Flávio Dino, de quem foi colega como deputado federal (2007/2011), quando era presidente da Câmara Federal outro emedebista histórico, o então deputado Michel Temer, que viria a ser presidente da República com aqueda da presidente Dilma Rousseff em 2016.

Baleia Rossi teria dito que consultou a bancada do partido na Câmara, algumas lideranças e os próprios senadores do partido, chegando ao consenso de que a representação do partido no Senado deve apoiar a indicação do ministro da Justiça e Segurança Pública para a Suprema Corte.

MDB tem pautas complicadas para resolver em Timon e Bacabal

Socorro Waquim e Hormann Schnneider
disputam em Timon; Roberto
Costa em dúvida sobre Bacabal

Os bastidores da convenção do MDB fervilharam de conversas sobre disputas municipais. Alguns casos chamaram a atenção: nenhuma atenção maior foi dada a respeito de como o partido vai se posicionar na eleição em São Luís, e a maioria das conversas versou sobre problemas que o partido terá de resolver em outros municípios importantes.

Um caso que preocupa o partido é Timon, onde dois grupos do MDB estão se digladiando. Ali, de um lado, está o grupo liderado pela ex-deputada Socorro Waquim, que é MDB de raiz. Do outro está a banda liderada tenente-coronel/PM aposentado Hormann Schnneyder, que cismou que será candidato a prefeito e exige que a direção estadual o apoie e obrigue a líder Socorro Waquim a apoia-lo.

Num outro extremo, o comando do partido trabalha para convencer o deputado estadual Roberto Costa a ser candidato a prefeito de Bacabal, baseado no fato de que todas as pesquisas lhe dão mais da metade das intenções de voto. Vivendo um grande momento na Assembleia Legislativa, onde é o grande articulador, Roberto Costa ainda não bateu martelo a respeito de ser ou não candidato a prefeito.   

Esses e outros problemas estão na pauta do novo comando do partido.

São Luís, 02 de Dezembro de 2023.

PT adia decisão sobre São Luís, mas mantém inclinação por Duarte Jr. e quer indicar vice

PT deve apoiar Duarte Jr. e emplacar
Zé Inácio como candidato a vice

O PT só vai decidir no próximo ano sobre como participará efetivamente da corrida à Prefeitura de São Luís. Essa decisão seria tomada ontem, quando as lideranças do partido em São Luís se reuniram para confirmar o apoio à candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB) ao comando da Capital e indicar um nome para compor a chapa como vice, no caso o suplente de deputado estadual Zé Inácio. Uma série de ponderações, entre elas a de que o partido deve amadurecer ainda mais o seu posicionamento, de modo que a escolha seja definitiva, levaram o comando petista em São Luís a adiar, sine die, a definição sobre a chapa. A ideia, apoiada inclusive pela direção nacional e avalizada pelo comando regional, é debater ao máximo, internamente e com seus aliados, a começar pelo governador Carlos Brandão (PSB), para que o partido se posicione de maneira equilibrada. A tendência no sentido de apoiar a chapa a ser liderada por Duarte Jr. permanece de pé, assim como o propósito de emplacar o candidato a vice.

A palavra final sobre essa composição será do comando municipal do partido, que tem à frente o ex-vereador Honorato Fernandes, tendo o Coletivo Nós como represente petista na Câmara Municipal. Mas a praxe petista é a de que decisões como essa sejam discutidas exaustivamente nas três esferas, para que prevaleça a opinião da maioria. O nome do deputado federal Duarte Jr. já tem o aval da maioria no braço municipal do partido, como também é aceito nos planos estadual e nacional. Mas nada no PT ganha definição sem um amplo tradicional e exaustivo processo de discussão.

O PT tem várias razões para amadurecer ao máximo sua participação na corrida à Prefeitura de São Luís: não terá um candidato próprio, pleiteia a vaga de candidato a vice e está ciente de que não pode cometer equívocos nem gerar crises internas por tomar decisão de maneira precipitada, sem buscar o consenso. A decisão de não lançar candidato próprio já está amadurecida. A aliança com o PSB em torno da candidatura de Duarte Jr. já é quase fato consumado, mas o partido quer amarrar essa posição com o PCdoB e com o PV, seus aliados no braço maranhense da Federação Brasil Esperança, e, claro, com o próprio PSB, que no caso é o seu aliado preferencial.

A opção pela candidatura do deputado federal Duarte Jr. já está sendo discutida há tempos nos três planos da estrutura do PT, incluindo também conversas com a direção nacional do PSB. Por sua vez, o próprio pré-candidato tem mantido conversas com as lideranças petistas nas três esferas, amadurecendo a aliança a cada conversa, que passa também pelo vice-governador Felipe Camarão, que vem ampliando o seu espaço dentro do partido. Quanto à escolha do suplente de deputado Zé Inácio a vaga de candidato a vice-prefeito, o PT o avalia como um bom nome, principalmente se levada em conta a sua trajetória e a sua militância nas fileiras do PT.

Além da tradição de discutir amplamente decisões dessa natureza, o PT tem agora um motivo a mais para ser mais incisivo e evitar precipitações. Sua volta ao comando do País sob a liderança do presidente Lula da Silva se deu num novo cenário, no qual ganhou forma uma oposição de direita agressiva. As lideranças petistas têm claro que o resultado das eleições municipais do ano que vem terá peso decisivo no grande embate eleitoral de 2026. E nesse contexto, ter um aliado e um vice no comando de uma prefeitura como a de São Luís, como acontece no Governo do Maranhão, fará grande diferença.

O adiamento da definição foi o resultado dessa avaliação, decidido inclusive com o aval da presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão autoriza construção da Avenida Metropolitana, que interligará 50 bairros na Ilha

Carlos Brandão com Iracema Vale, Paulo Victor, deputados estaduais, vereadores
e líderes comunitários no lançamento da Avenida Metropolitana

Desafogar o trânsito e ampliar o sistema viário de integração dos quatro municípios da Ilha de São Luís. São esses os objetivos principais da Avenida Metropolitana, uma via de 9,4 quilômetros de extensão, com seis pistas, que facilitarão o acesso a nada menos que 50 bairros, cuja construção foi lançada ontem pelo governador Carlos Brandão (PSB), num grande ato que reuniu no Ceprama a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), 14 deputados estaduais, o presidente da Câmara de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB), vereadores dos quatro municípios e centenas de lideranças comunitárias da Grande Ilha.

A obra, segundo o secretário Aparício Bandeira (Sinfra), cuja execução se dará em quatro etapas, custará R$ 118 milhões e será fruto de uma parceria do Governo do Maranhão com o Governo da União. O primeiro trecho, cujas obras foram autorizadas ontem, vai da Vila Funil, no KM-02 da BR-135, até a Avenida Principal do São Raimundo, totalizando 1,6 quilômetro de extensão. O trecho deve ser concluído em seis meses, e custará  R$ 26,2 milhões, sendo R$ 18 milhões recursos do Tesouro estadual e o restante, R$ 8,2 milhões, recursos do Ministério das Cidades.

O governador Carlos Brandão definiu a Avenida Metropolitana como um novo anel viário para melhorar a mobilidade da Ilha de São Luís: “É uma avenida que vai dar acesso a 50 bairros em quatro cidades, promovendo integração e beneficiando 1 milhão de pessoas com o trânsito mais eficiente e seguro. Outro benefício é o fortalecimento da economia local, pois sabemos que à margem de uma avenida como essa sempre são implantados novos comércios, valorizando toda a região. Portanto, eu já considero que esta será uma das avenidas mais importantes da Grande Ilha”.

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale, que conhece bem a região, assinalou: “Essa importante obra irá facilitar o transporte público, estimular o desenvolvimento econômico e gerar empregos, aumentando a renda da população. Parabenizo o governador Carlos Brandão, que tem construído boas parcerias para trazer cada vez mais desenvolvimento para o nosso Estado”.

Após reabilitar o PSDB, Madeira passa a integrar a cúpula nacional dos tucanos

Sebastião Madeira, de
volta à cúpula tucana

O ex-deputado federal, ex-prefeito de Imperatriz e atual chefe da Casa Civil do Governo do Estado, Sebastião Madeira, completou ontem o que pode ser considerado o ciclo de renascimento do PSDB no Maranhão. Ele participou da convenção nacional do partido que elegeu o ex-governador de Goiás, Marconi Perillo, o novo presidente da legenda, e foi eleito membro da Comissão Executiva Nacional, a mais alta instância de decisão partidária.

Membro fundador do PSDB, partido pelo qual foi quatro vezes deputado federal e duas vezes prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira presidiu o Instituto Teotônio Vilela, braço ideológico do tucanismo e vivenciou a ascensão, o apogeu e a decadência do PSDB. O tucanato maranhense foi dominado pelo ex-governador João Castelo e pelo ex-senador Roberto Rocha, que afundou o partido de vez.

Único remanescente do ninho maranhense, Sebastião Madeira ganhou o comando da sigla e iniciou um amplo e até agora bem-sucedido trabalho de recuperação do partido, que já é um dos mais cobiçados do estado. Ontem, ele deixou a convenção nacional como membro do alto tucanato, entusiasmado com a eleição de Marconi Perillo.

São Luís, 01 de Novembro de 2023.

CPI da Câmara pode tirar Braide da defensiva e leva-lo ao confronto direto com opositores

Eduardo Braide vai enfrentar CPI criada por
Beto Castro com o apoio de Paulo Victor

A decisão da Câmara Municipal de São Luís de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura desde 2021, período que alcança a atual gestão, coloca o prefeito Eduardo Braide (PSD) no centro do campo de batalha em que se dará a guerra pelo Palácio de la Ravardière o ano que vem. Proposta pelo vereador Beto Castro (PMB), a CPI parece ser o caminho para responder a interrogações formuladas sobre contratos no mês passado pelo presidente do parlamento municipal, vereador Paulo Victor (PSDB), que num discurso duro, em que acusou a atual gestão municipal de desvios, avisou que tudo seria colocado a céu aberto, exatamente pela CPI por ele prevista e que acabou aprovada na terça-feira.

Se a CPI vier a ser efetivamente instalada, como espera o vereador Beto Castro e o próprio presidente Paulo Victor, o seu funcionamento será um problema a ser administrado pelo prefeito Eduardo Braide, a começar pelo fato de que os contratos são de sua responsabilidade direta e as suspeitas levantadas pela oposição envolvem pessoas a ele ligadas muito de perto. Tal circunstância poderá levar o chefe do Executivo municipal sair da sua casamata de proteção pelo silêncio, levando-o a um embate direto com os seus adversários. A mudança de estratégia pode fragilizar a credibilidade do prefeito, que é um dos mais bem posicionados no ranking de avaliação de dirigentes de capitais, mas pode também fortalecê-lo ainda mais, dependendo das suas manifestações.

Ao anunciar a criação da CPI, o vereador-presidente Paulo Victor fez questão de enfatizar que ela está assentada em bases legais. Isso significa dizer que a criação da Comissão se deu estritamente dentro das normas que regem a formação desse instrumento legislativo, e mais, que tem um objeto definido para ser investigado. Ou seja, pelas declarações do presidente, o vereador Beto Castro apresentou aos vereadores argumentos que justificam uma investigação. Isso porque o presidente da Câmara sabe que a primeira reação do Palácio de la Ravardière será o questionamento judicial da iniciativa parlamentar. E sabe também que nesse campo o prefeito Eduardo Braide sabe se movimentar como poucos. Logo, antes dos confrontos parlamentares com desdobramentos políticos com as investigações, depoimentos e embates entre governo e oposição, virá uma guerra judicial cujo desfecho é imprevisível.

Do ponto de vista eminentemente político, a instalação de uma CPI para investigar supostas irregularidades em contratos firmados pela Prefeitura, pode ser uma fonte de desgaste para a atual gestão.  Isso porque acontece exatamente no momento que as forças se articulam para o grande embate eleitoral do ano que vem, quando, motivado por expressivos índices de aprovação, o prefeito Eduardo Braide vai propor aos eleitores que lhe deem mais quatro anos de gestão. Nesse ambiente, se a CPI for em frente e encontrar ilegalidades nos tais contratos, e essas não tiveram explicação, o prefeito de São Luís poderá enfrentar dificuldades. Mas se as investigações não prosperarem, Eduardo Braide fortalecerá seu discurso e pode explorar o caso durante a campanha.

Proposta formalmente pelo vereador Beto Castro, a CPI criada na Câmara Municipal de São Luís para investigar contratos da Prefeitura de São Luís leva também a assinatura do presidente Paulo Victor, um político objetivo, com clara disposição para o embate, e posicionado como oposicionista. Esse dado leva à certeza de que, uma vez instalada, a Comissão vai funcionar. Isso significa que o prefeito Eduardo Braide será obrigado a sair da sua zona de conforto para entrar num campo de batalha paralelo ao da corrida à reeleição, municiado de argumentos fortes contra os que serão usados pela oposição, que domina com larga vantagem o plenário do Palácio Pedro Neiva de Santana.

PONTO & CONTRAPONTO 

Othelino volta à Assembleia para retomar o controle das suas bases e pensar no futuro

Othelino Neto

O deputado estadual Othelino Neto (PCdoB) decidiu deixar o cargo de secretário da Representação do Governo do Maranhão em Brasília e reassumir seu mandato na Assembleia Legislativa. Sua justificativa é a de que ele e sua esposa, a senadora Ana Paula Lobato (PSB) – que deve ser titularizada na cadeira senatorial tão logo o senador Flávio Dino (PSB) assuma cadeira no Supremo Tribunal Federal – avaliaram a nova situação que os envolve e optaram por voltar a residir em São Luís. Do ponto de vista pessoal e familiar, a explicação faz todo sentido.

Por outro lado, a motivação dominante é política. A titularização da suplente Ana Paula Lobato na vaga de senador a ser aberta pelo titular Flávio Dino será uma mudança radical no status político da família. Não fará muito sentido para Othelino Neto, deputado estadual em terceiro mandato, ex-presidente da Assembleia Legislativa e com uma boa base para administrar – incluindo a da senadora Ana Paula Lobato -, permanecer em Brasília numa função burocrática pouco compatível com o peso político que o casal passa a ter a partir da confirmação do senador Flávio Dino no Supremo.

Como a experiência política que acumulou nos cinco anos em que comandou a Assembleia Legislativa e a vivência que experimentou no período que passou nos bastidores políticos da República, Othelino Neto percebeu com clareza que seu lastro político corria risco e que ele poderia em pouco tempo se tornar apenas o suporte da senadora Ana Paula. No parlamento estadual, com a experiência e o peso político que ganhou, sua carreira será retomada de acordo com o ritmo que ele próprio vier a imprimir.

Ao longo dos meses em que residiu em Brasília, atuando nos bastidores do poder, o deputado Othelino Neto apurou a convicção de que seu lugar é na Assembleia Legislativa, onde pode contribuir nos debates, na formulação de propostas e na manutenção da sólida base de apoio do governador Carlos Brandão (PSB), de quem continuará aliado de proa. E poderá pensar seriamente entre se reeleger como deputado estadual e disputar uma cadeira na Câmara Federal.

E isso não o impede de ser o principal conselheiro da senadora Ana Paula, cuja juventude e força de vontade minimizam o cansativo rojão da ponte aérea São Luís/Brasília/São Luís.

Clã Cutrim vai apoiar candidato de Brandão em São José de Ribamar

Glaubert Cutrim

A família Cutrim vai seguir o candidato apoiado pelo governador Carlos Brandão na disputa para a Prefeitura de São José de Ribamar. Essa posição, com martelo batido, foi revelada pelo deputado estadual Glaubert Cutrim (PDT), em conversa com jornalistas, nesta semana, na Assembleia Legislativa.

Ele descartou que o seu irmão, o ex-prefeito e ex-deputado federal Gil Cutrim, hoje ocupando a diretoria de Finanças e Estratégias da Codevasf, venha a se candidatar ao cargo.

Formado pelo deputado Glaubert Cutrim, pelo ex-prefeito Gil Cutrim e pelo ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas Edmar Cutrim, o clã Cutrim tem forte influência política e uma boa fatia do eleitorado de São José de Ribamar.   

São Luís, 30 de Novembro de 2023.