Decisão de “peitar” os Leões por causa do Carnaval pode ter alto preço político para Braide

Circuito Beira-Mar: terá Eduardo Braide as condições
que tem Carlos Brandão para realizar o Carnaval
na área tradicionalmente organizada pelo Governo?

Ganha traços de confronto político a medição de força entre o prefeito Eduardo Braide (PSD) e o governador Carlos Brandão (PSB) pelo uso do complexo da Beira-Mar para a realização do Carnaval de São Luís, já celebrizado como uma das mais importantes e animadas festas carnavalescas em toda a região. Na impossibilidade de uma soma de esforços para a realização de uma festa conjunta, devido à histórica distância alimentada entre os Palácio de la Ravardière e o Palácio dos Leões, em que pesa a proximidade física das duas sedes de poder, virou tradição o Governo do Estado realizar a sua festa e a Prefeitura de São Luís, a dela. Sempre houve ranhuras inexpressivas, mas nada que impedisse que cada um realizasse a sua festa sem maiores problemas. Agora, há uma crise em andamento, causada exatamente no momento em que começa a movimentação visando a disputa pela Prefeitura da Capital, sendo o prefeito Eduardo Braide candidato à reeleição, tendo como principal adversário o deputado federal Duarte Jr. (PSB), apoiado pelo governador Carlos Brandão.

Tudo começou quando há poucos dias o governador Carlos Brandão deu pistas sobre a programação que está sendo montada para o Carnaval do Governo do Maranhão. Incontinenti, o prefeito Eduardo Braide anunciou que o Carnaval da Prefeitura será realizado no Circuito Beira-Mar, onde o Governo do Estado planejou o seu. Houve tentativas de mudança por parte do Palácio dos Leões, mas ao que tudo indica o Palácio de la Ravardière resolveu manter o seu projeto de ocupar a Beira-Mar com a sua festa carnavalesca. O clima esquentou ontem quando agentes da Prefeitura tentaram retirar balões publicitários colocados pelo Governo do Estado no Circuito Beira-Mar. O Governo estadual reagiu acionando a PM para evitar o desmonte dos balões. O dia terminou sem sinal de solução.

Na década de 1990 e na já na primeira década deste século, os grandes Carnavais de São Luís, resultados de uma arrojada política de recuperar a tradição carnavalesca da Capital iniciada pela governadora Roseana Sarney, foram realizados no Circuito Madre Deus – Praça Deodoro, que ficou pequeno. Quando assumiu, em 2015, o governador Flávio Dino (PCdoB) adotou o Circuito Beira-Mar, que ganhou mais fluência à medida que o Governo do Estado fez uma série de investimentos visando a revitalização da área, a partir da restauração da antiga Estação Ferroviária. De lá para cá, o Governo do Estado realizou seus Carnavais no Circuito Beira-Mar.

A decisão do prefeito Eduardo Braide de realizar o Carnaval da Prefeitura no Circuito Beira-Mar surpreendeu. Não apenas pela pura e simples quebra de um acordo tácito entre Governo e Prefeitura, mas principalmente pelo fator custo. Não é preciso fazer contas para saber que, por seu poder de fogo financeiro e pelo fato de dispor mais infraestrutura e mais recursos para divulgação, o Governo do Estado dispõe condições bem melhores do que a Prefeitura para realizar o Carnaval no Circuito Beira-Mar, atrair turistas e transformar a festa momesca num bom negócio. Por mais recheado que esteja o caixa municipal, e por maior que seja a vontade do prefeito de bancar um Carnaval gigantesco, ficará sempre a certeza de que as melhores condições para a realização de uma festa do tamanho do Circuito Beira-Mar estão com o Governo do Estado. É uma avaliação simples, que pode ser feita sem necessidade de posicionamento político em tempos de pré-campanha eleitoral.

Não há dúvida de que, ao anunciar o Circuito Beira-Mar como espaço do Carnaval da Prefeitura, sabendo que o Carnaval do Governo do Estado estava sendo planejado para aquela área, o prefeito Eduardo Braide tomou uma decisão política, de olho no eleitorado e, logicamente, nas urnas. Só que escolheu um adversário que está munido de muitos recursos e argumentos, que sabe pelejar e que tem condições de sustentar uma peleja no campo ludovicense. E mais do que isso, assim como o senhor de la Ravardière, os Leões têm total interesse no que pensará o eleitorado da Capital a respeito de como será o reinado de Momo no Circuito Beira-Mar.

 PONTO & CONTRAPONTO

MDB pode vir a apoiar Duarte Jr. num eventual segundo turno

Eduardo Braide, Duarte Jr. e Neto
Evangelista: opções do
MDB em São Luís

Não será surpresa se o MDB vier declarar apoio à candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB) à Prefeitura de São Luís ou apostar numa terceira via, com a provável candidatura do deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil).

A primeira possibilidade não era sequer considerada quando o partido ainda se encontrava sob a tutela da deputada federal Roseana Sarney, mas passou a ser vista como factível depois que, numa reviravolta surpreendente, o comando partidário foi entregue ao empresário Marcus Brandão.

Antes da mudança de comando, havia no MDB um clima de animosidade contra o parlamentar socialista, pela sua proximidade com o ministro Flávio Dino e por conta das suas posições antisarneysistas. Esse clima ganhou mais nitidez quando, ao ingressar no partido e assumir o comando da legenda em São Luís, o deputado federal Cléber Verde declarou que o caminho natural do MDB seria apoiar a candidatura do prefeito Eduardo Braide (PSD) à reeleição. Houve reações na cúpula emedebista e o assunto foi para o arquivo.

Agora, o ambiente no MDB é outro, mais aberto. Se ainda não há sinais de que a legenda venha a apoiar Duarte Jr., começam a aparecer evidências de que a cúpula MDB já não nutre simpatia integral pelo prefeito de São Luís, que era considerado “de casa”, nem antipatia visceral por Duarte Jr..

Há no partido uma corrente, liderada pelo vice-presidente da legenda, deputado Roberto Costa, que defendia uma terceira via na corrida em São Luís, esta em torno da candidatura do deputado estadual Neto Evangelista. Outras vozes já admitem que o partido pode vir a apoiar Duarte Jr. num eventual segundo turno.

Vale o conselho de São Tomé: ver para crer.

Vereadores querem reverter confirmação dos vetos de Braide à LDO

Câmara se movimenta contra decisão
que manteve vetos à LDO

O prefeito Eduardo Braide pode ter de enfrentar uma nova frente de batalha judicial para garantir a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Ele vetou as emendas feitas por vereadores sobre vários temas e teve esses vetos derrubados pela Câmara Municipal. Conhecedor do caminho das pedras nesse campo, bateu às portas da Justiça com uma reclamação e foi ouvido: os seus vetos foram mantidos.

Agora, vereadores se articulam para recorrer, acreditando que a própria Justiça reverá sua decisão e confirmará a derrubada dos vetos. Há quem acredite que esse objetivo dificilmente será alcançado. Mas os vereadores inconformados com a decisão estão sendo estimulados a acreditar no contrário, ou seja, na revisão judicial.

O fato é que, enquanto os gabinetes do Palácio de la Ravardière comemoram a confirmação dos vetos, alguns do Palácio Pedro Neiva de Santana se articulam para reverter o prejuízo.

São Luís, 05 de Janeiro de 2024.

Câmara de São Luís teve ano desafiador: atuou como parlamento e mostrou força política

Paulo Victor disse que 2023 foi “desafiador” e pediu desculpas por “equívocos”

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB), fez um balanço das atividades da instituição em 2023 e destacou 11 itens que, na avaliação dele, fizeram a diferença no conjunto das atividades da Casa. Na seara legislativa, assinalou que os vereadores aprovaram o Plano Diretor, ampliaram o diálogo com a sociedade por meio de audiências públicas, painéis temáticos, conferências e audiências com grupos; ajustaram o sistema de audiências públicas e deram destino final às contas dos ex-prefeitos Jackson Lago, Tadeu Palácio, Conceição Andrade e João Castelo. No campo da gestão, o presidente Paulo Victor destacou o Plano de Cargos e Carreira dos servidores efetivos da Casa, a introdução do gabinete móvel na rotina de trabalho dos vereadores, a adoção de vários benefícios para servidores, a realização de obras, a manutenção do selo de qualidade NBR ISO e a implantação do ponto eletrônico para controlar a frequência de vereadores.

A Câmara Municipal de São Luís viveu, de fato, em 2023 um ano arrojado, diferenciado pelo elevado grau de ação parlamentar e pela sua intensa relação política, especialmente tensa e complicada, com o prefeito Eduardo Braide (PSD). Isso resultou na constatação de que não houve, em tempos recentes, um distanciamento tão expressivo entre o Palácio pelo Neiva de Santana com o Palácio de la Ravardière. O grau de dificuldade chegou ao ponto máximo quando o presidente da Câmara Municipal se declarou adversário político do prefeito de São Luís, e expressou seu apoio a uma CPI para investigar contratos da Prefeitura por supostas suspeitas de desvios em contratos.

Essa relação politicamente difícil chegou ao ponto máximo no início do segundo semestre de 2023, quando foram apresentados dois pedidos de impeachment do prefeito Eduardo Braide, o que causou forte repercussão. Os pedidos, porém, foram inviabilizados por falta de substância, conforme concluíram as análises da Procuradoria Jurídica da Casa. Se por um lado não surtiram nenhum efeito jurídico, os pedidos de impeachment serviram para expor o grau de animosidade política entre os Poderes Legislativo e Executivo de São Luís, sem que isso tenha impedido o funcionamento institucional da Casa no sentido de votar, aprovar ou rejeitar proposições da Prefeitura, assim como o prefeito Eduardo Braide de acolher ou vetar matérias de iniciativa dos vereadores. Ou seja, em 2023, a Câmara Municipal de São Luís funcionou como um parlamento normal.

Além da política – que é a razão de ser de uma instituição parlamentar -, a Câmara Municipal de São Luís teve em 2023 um ano de expressiva importância legislativa, e cujo ponto alto foi a aprovação do Plano Diretor de São Luís, um projeto essencial que dormitava havia anos entre as pautas esquecidas do parlamento municipal. A aprovação do Plano Diretor deu à Prefeitura de São Luís os eixos centrais necessários para o planejamento do crescimento ordenado e inteligente da cidade para os anos vindouros. Não tivesse aprovado outras matérias, o Plano Diretor por si só teria justificado a produção legislativa da Câmara Municipal de São Luís no ano que passou.

Internamente, os atuais vereadores de São Luís deixaram a sua marca quando elaboraram e aprovaram o Plano de Cargos e Carreiras dos Servidores da Casa, dando ao seu quadro funcional efetivo, com estrutura e grade progressiva de cargos e funções. Com a medida, a Câmara Municipal passou a ser um órgão público tecnicamente ordenado, à medida que o servidor que nela ingressar por concurso público terá uma perspectiva de carreira, o que não acontecia antes do PCCS. Ao mesmo tempo, uma decisão da Mesa Diretora quebrou um paradigma quando enquadrou os vereadores em regras de frequência instalando na Casa um sistema de ponto biométrico. Isso significa que desde então, a frequência dos vereadores será controlada nas sessões ordinárias, com votações. A ausência implicará em perda no contracheque.

Na sua avaliação, o presidente Paulo Victor diz que 2023 foi um ano desafiador, com muitos avanços e alguns percalços: “Foi um ano difícil para todos nós, mas acredito que oferecemos o nosso melhor. Além disso, debatemos temas e assuntos pertinentes à cidade. Peço desculpas por eventuais equívocos, mas fizemos tudo buscando acertar”.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão começa a viabilizar espaço para consolidar Duarte Jr. em São Luís

Carlos Brandão, Aparício Bandeira e Duarte Jr. no
helicóptero para vistoriar a Avenida Metropolitana

Os primeiros movimentos de 2024 indicam com clareza que o governador Carlos Brandão (PSB) está determinado a cumprir o compromisso que firmou com a cúpula nacional do PSB de apoiar o projeto de candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB) à Prefeitura de São Luís.

Ontem, por exemplo, o governador convocou o secretário de Infraestrutura Aparício Bandeira para ver de perto as obras da Avenida Metropolitana, uma rodovia urbanizada que ligará a BR-135 a São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar e Raposa.

Além do secretário de Infraestrutura, o único membro da comitiva para a visita de trabalho foi o deputado federal Duarte Jr., para quem é importante conhecer o sistema rodoviário que assegura a movimentação social e econômica da região metropolitana da Ilha de São Luís.

PP vai jogar pesado para eleger Rildo Amaral em Imperatriz

André Fufuca e Rildo Amaral: apoio total

O ministro do Esporte André Fufuca firmou posição e obteve o aval integral da direção nacional do PP: o braço maranhense do partido vai jogar todo o seu peso na campanha dos candidatos da agremiação a prefeito, mas dará uma atenção especial ao deputado Rildo Amaral, candidato do PP à Prefeitura de Imperatriz.

Não se trata de um privilégio, mas de uma decisão pragmática. O PP tem nas mãos as condições necessárias de chegar ao comando da segunda maior e mais importante cidade do Maranhão, em torno da qual estão cerca de 15 municípios, o que lhe dá uma expressão política e econômica especial. Daí não fazer nenhum sentido “entregar o ouro” sem jogar pesado nem pagar para ver.

A eleição do prefeito de Imperatriz é fundamental para os planos do PP. Nacionalmente, o partido terá o controle da “segunda capital do Maranhão”. Já no que diz respeito à política maranhense, o controle da Princesa do Tocantins terá importância superior para o possível projeto senatorial do ministro dos Esportes.

Ou seja, o PP vai jogar tudo para eleger Rildo Amaral prefeito de Imperatriz.

São Luís, 04 de Janeiro de 2024.       

São Luís 2024: posições de senadores poderão render bônus ou ônus para 2026

Eliziane Gama, Weverton Rocha e Ana Paula
Lobato: posições diferentes na eleição de SL

A declaração da senadora Eliziane Gama (PSD), nas suas redes sociais, anunciando que vai apoiar o deputado federal Duarte Jr. na disputa para a Prefeitura de São Luís, reforça a impressão de que a corrida às urnas na Capital será uma das mais renhidas dos últimos tempos e terá impacto decisivo nas eleições gerais de 2026. Nesse contexto, os senadores serão peças importantes no processo, a começar pelo fato de que os três representantes maranhenses na Câmara Alta têm pesos diferenciados, mas importantes, no tabuleiro eleitoral do maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, onde o prefeito, Eduardo Braide (PSD), buscará a reeleição. Os senadores Weverton Rocha (PDT) e Ana Paula Lobato (PSB) ainda não se manifestaram de maneira clara e objetiva, mas não tardarão a fazê-lo, o que deverá acontecer depois do Carnaval, com a chegada das águas de março.

A manifestação da senadora Eliziane Gama já era esperada, mesmo pertencendo ela ao mesmo partido do prefeito Eduardo Braide, ao qual chegaram por vias e circunstâncias muito diferentes, o que justifica o fato de não estarem alinhados. A declaração de apoio a Duarte Jr. foi o caminho natural da senadora, que está perfeitamente integrada ao grupo criado por Flávio Dino (PSB) e que agora está sob o comando do governador Carlos Brandão (PSB que, além da agremiação socialista, agrega também o PT e o PCdoB. Além disso, Eliziane Gama encontra-se afinada com o Palácio do Planalto, onde a candidatura de Duarte Jr. caiu nas graças do presidente Lula da Silva (PT) e já é considerada uma prioridade. A senadora lidera um grande grupo na Ilha de São Luís, parte dele na comunidade evangélica, em especial da Assembleia de Deus, e de grupos comunitários com os quais trabalha há muito tempo. Estando ou não no PSD, Eliziane Gama é, portanto, uma força expressiva na base de apoio de Duarte Jr..

O senador Weverton Rocha é uma incógnita. Embora o seu partido, inexplicavelmente, esteja dando corda a um projeto sem pé nem cabeça do ex-vereador Fábio Câmara, o próprio senador, que comanda o partido, vem mantendo distância dessa pré-candidatura, provavelmente aguardando uma melhor definição do cenário para uma tomada de posição. Nos bastidores, quase ninguém acredita que o senador pedetista venha a declarar apoio e mobilize o PDT em torno de Duarte Jr., mas depois do rompimento e do reatamento com o ministro Flávio Dino, nada surpreenderá partindo do senador Weverton Rocha. O próprio PDT está em expectativa em relação ao chefe maior do partido, que pode também reeditar o projeto “Desapegue-se”, por meio do qual em 2020 deu as costas para Duarte Jr., apoiou o deputado Neto Evangelista (DEM) e se chegou para Eduardo Braide (Podemos) no segundo turno em 2020. Talvez a posição definitiva do senador Weverton Rocha e do PDT em São Luís seja anunciada em março.

A senadora Ana Paula Lobato (PSB), que assumirá o mandato como titular por volta do dia 20 de fevereiro, uma vez que a posse do senador Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal se dará no dia 22, ainda não definiu sua posição em relação à disputa em São Luís. Mesmo pertencendo ao mesmo partido do pré-candidato, Ana Paula Lobato segue o modus operante do experiente deputado estadual Othelino Neto (PCdoB), podendo alinhar-se à posição do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão ou adotar uma posição independente. Com o desafio de construir o seu próprio lastro político e eleitoral nos próximos sete anos – seu mandato vai até 2030 -, Ana Paula Lobato sabe que não pode errar na primeira grande decisão que tomará como senadora da República.

Os senadores Eliziane Gama e Weverton Rocha terão em São Luís um teste importante para as eleições de 2026, quando, em princípio, tentarão a reeleição. Se acertarem nos seus posicionamentos, ganharão certamente um bônus político e eleitoral importante. Se errarem, amargarão o ônus do erro. Não há outro caminho.

PONTO & CONTRAPONTO

Rildo Amaral reajusta estratégia para retomar liderança em Imperatriz

Rildo Amaral, Josivaldo JP
e Marco Aurélio no páreo

O deputado estadual Rildo Amaral (PP) está aproveito o recesso parlamentar reavaliar seus primeiros passos e ajustar sua caminhada rumo à Prefeitura de Imperatriz. A providência foi tomada depois que uma pesquisa mostrou que o deputado federal Josivaldo JP (PSD), que vinha navegando em segundo lugar, virou o jogo e passou à frente. Além da virada alcançada por Josivaldo JP, Rildo Amaral viu também seu ex-deputado estadual Marco Aurélio (PSB), avançar bastante, tornando imprevisível o resultado da eleição na antiga Vila do Frei.

Rildo Amaral vinha liderando com folga a corrida à Prefeitura de Imperatriz. Há quem diga que ele relaxou atacado pelo excesso de confiança, mas há também garanta que ele está sendo atingido por uma “maldição” política, segundo a qual aquele saiu liderando as pesquisas para eleição de prefeito não chega em primeiro. O fato é que, seja por relaxamento, seja por conta da tal “maldição”, o fato é que Rildo Amaral perdeu um pouco do gás que vinha exibindo e agora tenta recuperar o espaço que foi perdido.

 O problema agora é a empolgação de Josivaldo JP e Marco Aurélio, que passaram a acreditar nas suas candidaturas.

Braide quer reeleição e uma base mais ampla de apoio na Câmara

Eduardo Braide: mais apoio

Além da reeleição, o prefeito Eduardo Braide tem uma aspiração nas urnas: eleger um bom número de vereadores aliados. Pode até não ser a metade da Câmara Municipal, mas tem de ser um bom número, de modo a que o próximo mandato, se alcançado nas urnas, transcorra com uma relação mais republicana com a Câmara Municipal.

Atualmente, o prefeito de São Luís conta com oito vereadores, sendo obrigado a fazer negociações caso a caso para conseguir provar matérias com quórum qualificado. Além do mais, o plenário tem sido espaço para ataques duros contra o Palácio de la Ravardière, numa situação que só mudará quando houver uma bancada governista de peso.

Ele pretende fazer um esforço adicional para ampliar a sua base no parlamento municipal.

São Luís, 03 de Janeiro de 2024.

Contagem regressiva para as eleições inicia com pesquisa confirmando polarização em São Luís

Eduardo Braide e Duarte Jr. devem disputar o segundo turno em São Luís

A corrida deste ano à Prefeitura de São Luís, cujo desfecho acontecerá daqui a 10 meses e quatro dias, entra na grande pauta política de 2024 no embalo de uma pesquisa do instituto EPO, sucedâneo do Escutec, que confirma exatamente o quadro geral desenhado em todas as pesquisas feitas ao longo de 2023. De acordo com o levantamento, realizado nos dias 29 e 30 de dezembro e que ouviu 800 eleitores, o prefeito Eduardo Braide (PSD) lidera com 36,5% das intenções de voto contra 26% dados ao deputado federal Duarte Jr. (PSB). Num distante terceiro lugar aparece o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (sem partido) com 8,1%, seguido do deputado Wellington do Curso (PSC) com 8%, Neto Evangelista (União) com 5,1%, Yglésio Moises (PSB) com 4%, Fábio Câmara (PDT) com 1% e Diogo Gualhardo (Novo) com 0,3%. O EPO informou ainda que 6,6% ou não votariam em nenhum deles ou anulariam o voto, e 4,4% não souberam ou quiseram responder. A pesquisa tem margem de erro de 3,5% para mais ou para menos, e margem de segurança de 95%.

Não há novidade em relação ao cenário já rascunhado confirmando essa tendência, ao que parece irreversível, de que o pleito está polarizado entre o prefeito Eduardo Braide e o deputado federal Duarte Jr., e que a eleição será resolvi da em dois turnos. A mesma avaliação sugere que a polarização Braide/Duarte Jr. – hoje eles somam 62,5% das intenções de voto – não abre espaço para que nenhum outro candidato entre na rota da viabilidade. E começa com o fato de que, por já serem muito conhecidos, nenhum deles pode ser “vendido” como fato novo. Essa avaliação vale também para Eduardo Braide e Duarte Jr., com a diferença de que eles conquistaram estatura política e poder de fogo eleitoral.

Os números do EPO chamam a atenção para o fato de que, por uma lógica cartesiana, se a eleição fosse agora e todos os 750 mil eleitores votassem, Eduardo Braide sairia na frente com 270 mil votos, enquanto Duarte Jr. teria 195 mil votos, ou seja 75 mil votos a menos. É claro que os números não são esses, uma vez que a abstenção sempre ultrapassa a casa dos 20%. Mas, se os percentuais estivessem corretos, a conta será feita por esse viés. Ou seja, em caso de segundo turno, Duarte Jr. vai ter de se desdobrar para reverter 75 mil votos, torcendo para que Braide não consiga nenhum voto a mais do primeiro para o segundo turno, o que tecnicamente impossível. Nessa avaliação, vale indagar para que lado se bandearão Edivaldo Holanda Jr., Wellington do Curso, Neto Evangelista e Yglésio Moises, já que os demais não contam?

Do alto de três disputas para a Prefeitura de São Luís, duas fracassadas (2012 e 2916), e duas vitoriosas, uma para deputado federal em 2018 e uma para prefeito em 2020, o prefeito Eduardo Braide tem o mapa eleitoral da Capital na palma da mão, sabe de cor onde estão os votos e o que pode fazer para atraí-los. E o conhecimento de Eduardo Braide ganha mais peso ainda com ele no comando da Prefeitura em busca da reeleição, com incursões quase diárias nos bairros e povoados mais distantes. Ao mesmo tempo, vai enfrentar adversários importantes e influentes, o que o obrigará definir estratégias eficientes para evitar uma reviravolta no quadro de intenções de votos. Por enquanto, sua liderança é inquestionável.

A pesquisa EPO funcionou como um grande sinal de alerta ao deputado federal Duarte Jr. e aos seus apoiadores, entre eles o governador Carlos Brandão (PSB). Dez pontos percentuais atrás, que representam, em tese, 75 mil votos, uma diferença muito difícil de reverter, mesmo levando em conta o fato de que ele tem tempo e aliados poderosos. Político jovem e com habilidades diferenciadas, como, por exemplo, sua capacidade destacada de usar as redes sociais a seu favor, o deputado federal Duarte Jr. pode reunir condições para reverter esse estado de coisas.

Os demais pré-candidatos se manterão na corrida com outros objetivos, uma vez que vencer a eleição e se tornar prefeito de São Luís está muito, mas muito mesmo, distante do mundo real. Novas pesquisas mostrarão essa realidade.

PONTO & CONTRAPONTO

PT deve indicar o vice de Duarte Jr. e a ideia é escolher uma mulher

Decisão que já estaria tomada e sacramentada em Brasília: o PT vai indicar o vice do candidato do PSB, Duarte Jr., na corrida à Prefeitura de São Luís. Ainda não se fala de nome, mas já é registrada uma discreta movimentação nesse sentido.

Essa posição foi definida nas conversas mais recentes dos líderes petistas sobre a corrida eleitoral na Capital. Nessas tratativas, as lideranças petistas e socialistas trocaram figurinha e consideraram quer esse é o melhor caminho.

O vice-governador Felipe Camarão (PT) – foto – deve participar das conversas do partido sobre a escolha. E a ideia inicial é encontrar uma mulher nos quadros do PT em São Luís.

Difícil entender a lógica do PDT com a pré-candidatura de Fábio Câmara em SL

A pesquisa EPO reforçou uma pergunta que já está há algum tempo no ar: o PDT vai mesmo manter o projeto de candidatura do neopedetista Fábio Câmara (foto), que aparece com 1% de intenções de voto?

Se for esse, de fato, o propósito do partido, alguma coisa está muito errada dentro da agremiação fundada por Jackson Lago e que mandou em São Luís por mais de duas décadas.

Para começar, Fábio Câmara nem de longe tem um discurso de se assemelhe ao do PDT original, que tinha o deputado Neiva Moreira como referência política e ideológica. Ao que tudo indica, ele não representa sequer a bancada do partido na Câmara Municipal, o que faz com que sua pré-candidatura seja uma anomalia dentro do partido.

Com a franquia que estão lhe dando dentro do PDT, há quem diga que Fábio Câmara usa o espaço para viabilizar sua candidatura a vereador, o que atropela a posição de vereadores do partido que estão em busca da reeleição.

Pode ser que nada mude, mas é improvável que a cúpula do PDT esteja de fato apostando numa eventual candidatura de Fábio Câmara ao Palácio de la Ravardière.

São Luís, 02 de Janeiro de 2024.

Ao longo de 2023, Flávio Dino foi o homem certo, no lugar certo e na hora certa

Flávio Dino venceu todos os obstáculos e mostrou em 2023 o que aprendeu na vida pública

2023 foi o ano de Flávio Dino, que o encerra numa situação especialíssima, ao mesmo tempo como senador licenciado (PSB) pelo Maranhão, ministro da Justiça e Segurança Pública em plena ação e já autorizado pelo Senado da República a atravessar a Praça dos Três Poderes, tomar posse formal e começar a dar expediente no plenário do Supremo Tribunal Federal. Não há registro de que algum cidadão brasileiro que tenha vivenciado situação circunstancial como essa. Com exceção do presidente da República, não existiu no País, ao longo deste ano especial, uma só autoridade do Executivo federal que tenha sido mais visada, mais elogiada, mais investigada e mais atacada do que o ministro Flávio Dino, principalmente após o 8 de Janeiro, sete dias após sua posse, quando ocorreu o brutal ataque às instituições democráticas pela extrema-direita bolsonarista inconformada com a perda do poder nas urnas.

Ao longo do ano, além do enorme, traumático, mas bem sucedido esforço para desbaratar os focos da ação golpista, que contaminaram as instituições militares, o Governo e os órgãos de segurança do Distrito Federal, o ministro Flávio Dino colocou em marcha a despolitização das Polícias Federal e Rodoviária Federal, desencadeou uma guerra sem trégua contra o banditismo em todo o País, iniciou uma campanha contra o crime organizado – especialmente contra o contrabando de armas -, e deu o passo inicial numa cruzada para regulamentar e colocar  nos eixos plataformas da internet, usadas como campo livre para a ação danosa de todo tipo de criminoso, do simples golpe aos crimes hediondos. O ministro das Justiça e Segurança Pública mostrou ao País o abismo onde o brasileiro estava sendo jogado, e foi um implacável defensor da regulamentação, com o argumento mais simples e mais eficiente: tudo na sociedade humana é regulamentado.

No que respeita ao Governo Lula da Silva (PT), o maranhense Flávio Dino foi o homem certo, no lugar certo, na hora certa. Ao longo desse ano, ele foi, ao mesmo tempo, o ministro da Justiça e Segurança Pública qualificado administrativa e juridicamente, e a voz mais intensa, lúcida, clara, direta e eficaz de um Governo que começou sob o ataque virulento das milícias digitais da extrema-direita e das forças dessa corrente no Congresso Nacional e em todos os segmentos organizados da vida nacional. Com o fracasso do golpe de 8 de Janeiro e diante da evidência, cada vez mais clara, de que tudo foi uma trama para a instalação de um regime de exceção comandado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), deputados federais e senadores da extrema-direita bolsonarista decidiram “desconstruir” o ministro da Justiça.

A eficácia das ações do Ministério da Justiça no 8 de Janeiro colocou as forças bolsonaristas em atitude beligerante. E elas atuaram reverter os estragos na sua imagem cometendo o erro de convocar o ministro da Justiça e Segurança Pública para sabatinas em comissões da Câmara Federal (3) e do Senado (1), com o objetivo de “desmascarar o ministro comunista”. Pegaram em fio descapado. Na primeira audiência, essa na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, o ministro Flávio Dino demoliu, impiedosamente, a bancada da extrema-direita com respostas inteligentes, cortantes e às vezes irônicas”, mostrando que entre ele e a falange parlamentar adversária havia um abismo enorme em matéria de conhecimento, de preparo e de inteligência mesmo. A situação se repetiu em mais duas audiências na Câmara Federal e uma no Senado, durante a qual Flávio Dino deixou, por exemplo, os senadores Sérgio Moro e Flávio Bolsonaro de joelhos.

O desempenho administrativo e político transformou Flávio Dino na personalidade mais discutida do País, e como não poderia deixar de ser, o empurrou para a delicada e movediça seara da sucessão presidencial, à medida em que muitos observadores passaram a vê-lo com cacife para entrar na corrida ao Palácio do Planalto. Isso causou reações tanto na base governista quanto na oposição. Em ações que pareceram articuladas, petistas e bolsonaristas mais radicais passaram a fomentar ataques para pressioná-lo a deixar ministério. E o caldo entornou ainda mais quando entrou na pauta do Palácio do Planalto a sucessão da ministra Rosa Weber no Supremo. As forças contrárias a Flávio Dino entraram em parafuso, com uma banda que não o queria no Governo, mas admitia ida dele para o Supremo, enquanto outra passou a defender o contrário, e uma terceira que só queria de volta ao Senado, e ponto final.

Como o país viu, todas perderam. Com o faro de estadista experiente e percebendo todo o jogo de interesses no seu entorno, o presidente Lula da Silva decidiu indica-lo para o Supremo, exatamente o que o ministro almejava, segundo algumas fontes sérias de informação. As forças contrárias tentaram de todas as maneiras enfraquecê-lo: forjaram índices mostrando que sob sua gestão a violência “aumentou” no país; criaram o factoide da mulher de um bandido que entrou no Ministério da Justiça; a editora de Política do jornal O Estado de S. Paulo teria orientado matérias com o objetivo de incriminá-lo, e por aí vai. Nada funcionou. Pelo simples fato de que Flávio Dino é ficha limpa.

E como não poderia deixar de ser, mais uma vez, o jogo político voltado para minar o poder de fogo do ministro Flávio Dino veio à tona quando sua indicação foi submetida ao crivo do Senado, no dia 13 de dezembro. Apesar de todas as manobras para enfraquecê-lo, seus adversários fizeram com que ele entrasse de novo para a História como um dos mais brilhantes dos sabatinados que passaram por ali, mas que foi avaliado pela sua força política e não pelos seus conhecimentos jurídicos. Ou seja, os adversários deixaram o País perceber que a votação se deu pelo viés político e não por mérito. No escore de 47 X 34 votos que recebeu, os votos contrários foram importantes porque revelaram o medo e o ranço dos adversários.

O fato é que ao longo de 2023, Flávio Dino mostrou ao País o que aprendera em quase três décadas de vida pública, somando as experiências como juiz federal, deputado federal, governador do Maranhão e senador, além de presidente da Embratur, presidente da Associação dos Juízes Federais e secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça. E justificou por que fecha o ano como senador República, ministro da Justiça e agora ministro escolhido e aprovado do Supremo Tribunal Federal.

PONTO & CONTRAPONTO

Ao longo de 2023 Flávio Dino contou com aliados fieis…

Ao longo desse ano ao mesmo tempo grave pela força dos acontecimentos e frenético para intensidade com que os fatos aconteceram na sua trajetória de 12 meses, o ministro Flávio Dino contou com aliados importantes e decisivos.

O primeiro foi o presidente Lula da Silva (PT), que lhe entregou a pasta mais sensível do seu Governo, escolha que se revelou acertada já no dia 8 de Janeiro. Lula da Silva sabia tanto o que estava fazendo que não teve dúvidas quanto a indica-lo para o Supremo. Junto com o presidente, uma grande fatia do PT apoiou o ministro.

Ainda no plano federal, Flávio Dino recebeu manifestações de apoio de ministros do Supremo, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. E contou com o suporte de dois assessores de ponta, o jornalista e administrador Ricardo Capelli, vem tendo desempenho decisivo como secretário-executivo do Ministério da Justiça, e Diego Galdino, um dos seus principais auxiliares.

Foram importantes para o ministro da Justiça neste ano o suporte solidário de aliados como o governador Carlos Brandão (PSB), dos senadores Ana Paula Lobato (PSB), Eliziane Gama (PSD) e Weverton Rocha (PDT), que havia rompido com o Flávio Dino, mas resolver se reaproximar depois que ele assumiu o Ministério da Justiça, tendo sido o relator da sua indicação no Senado. E dos deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Duarte Jr. (PSB) e Rubens Jr. (PT) e de quase todos os deputados estaduais, entre eles Iracema vale (PSB), Carlos Lula (PSB), Rodrigo Lago (PCdoB) e Zé Inácio (PT).

…mas também enfrentou oposição e torcida contra

Por outro lado, o ministro Flávio Dino enfrentou oposição cerrada de um grande grupo de adversários e de segmentos da própria base governistas, dentro do próprio PT.

O mais importante adversário de Flávio Dino durante o ano o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que o atacou com virulência verbal em várias ocasiões, mas viu que suas manifestações agressivas não deram certo. O ex-presidente foi seguido por seus filhos, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e deputado federal Flávio Bolsonaro (PL-SP), que o atacaram, mas amargaram respostas ácidas. E com eles a grande tropa bolsonarista no Congresso Nacional, toda chumascada pelo lança-chamas verbal do ministro da Justiça.

Contra Flávio Dino também agiram forças da aliança governistas, a começar por gente do próprio PT, que o queriam de qualquer jeito fora da corrida presidencial. E no Maranhão, além de vozes inexpressivas, levantou-se o deputado estadual Yglésio Moises, que transformou Flávio Dino na sua Cartago, mas ninguém lhe deu atenção.

São Luís, 31 de Dezembro de 2023.

Brandão fecha 2023 politicamente fortalecido e com governo produtivo

Carlos Brandão: fortalecimento no primeiro ano

Não se pode afirmar que 2023 foi “o ano da vida” do governador Carlos Brandão, mas pelo menos no plano político, se não foi, andou muito perto disso. Ele começou o ano tomando posse como um vencedor, reeleito que fora em um só turno, e fecha o 12º mês como chefe incontestável do PSB e da aliança de 13 partidos cujo comando vinha exercendo, mas que na prática dividia com o senador licenciado Flávio Dino (PSB), ministro da Justiça e Segurança Pública. Em qualquer situação, o governador conta efetivamente com pelo menos 38 dos 42 deputados estaduais, sendo frequente propostas suas serem chanceladas com a unanimidade do parlamento estadual. Não tem o controle integral da bancada federal, mas conta nela com maioria segura de deputados federais e senadores. As relações com o Poder Judiciário têm os seus focos de tensão, mas nada que possa sequer sugerir a ideia de uma crise institucional. Não bastasse esse conforto político, essa estabilidade institucional, Carlos Brandão cultiva excelentes relações com o Palácio do Planalto e a Esplanada dos Ministérios, o que lhe assegura acesso a recursos federais.

Desde a redemocratização, não há na crônica política maranhense registro de um Governo com esse suporte. Epitácio Cafeteira (1987/1990) obteve tudo o que pretendeu do presidente José Sarney, mas governou com oposição dura, tendo o deputado Ricardo Murad como contrapeso na presidência da Assembleia Legislativa. João Alberto (1990/1991), enfrentou oposição pesada no parlamento e fora dele. Edison Lobão (1991/1993) não teve o mesmo link com Brasília e fez um Governo sem muitas crises, mas com dura oposição. Roseana Sarney (1995/2002) conviveu bem com Brasília no seu primeiro Governo e até metade do segundo, e enfrentou oposição cerrada na Assembleia Legislativa. Jackson Lago (2007/2009) amargou má vontade de Brasília e oposição daninha no parlamento estadual. Nos seus dois últimos Governos, Roseana Sarney se deu bem em Brasília, mas teve de encarar uma oposição obstinada. Flávio Dino teve de conquistar o apoio de Dilma Rousseff e de conviver com o Michel Temer no primeiro mandato e enfrentar a hostilidade assumida do Governo Bolsonaro inteiro, além de um arremedo de oposição na Assembleia Legislativa. Ou seja, nenhum Governo pós-redemocratização viveu a estabilidade do Governo Brandão no início do mandato.

 Esse cenário não é um presente dos deuses nem um produto de mágica política. Ele é o resultado de uma construção tijolo a tijolo na qual o conflito ideológico perdeu espaço por conta de uma ação política que levou em conta todas as correntes. Essa linha de ação foi iniciada por Flávio Dino, que reuniu quase todas as correntes políticas em torno do seu Governo. E foi aperfeiçoada por Carlos Brandão, que puxou para a base as forças, entre elas o que restou do sarneysismo, que resistiram aos encantos dinistas. Hoje, somente o senador Weverton Rocha faz oposição ao Governo Brandão, mas é uma oposição isolada, quase pessoal, uma vez que os deputados estaduais do PDT integram ativamente a base do Governo. Não existe, pelo menos institucionalmente, qualquer movimento político no Maranhão o que possa ser identificado como oposição.

O governador Carlos Brandão faz uma gestão arrojada, mas com os pés calcados na realidade. Mantém programas sociais como o Restaurante Popular, com mais de 150 unidades espalhadas em todo o estado; vem ampliando cada vez mais a rede hospitalar, e consolidando a política educacional com foco na escola de tempo integral e na formação técnica de nível médio. Tem feito grande esforço para atrair investimentos nas diversas frentes da economia estadual, incluindo o turismo, com a valorização do potencial natural e cultural do Maranhão – Lençóis, São João e Carnaval, por exemplo. Enfim, faz um Governo ativo, que vai atrás, que criar as condições para atrair investimentos. Um exemplo recente foi o acesso rodoviário da praia de Aroaca, um paraíso litorâneo com enorme potencial para a indústria do turismo em todos os seus aspectos. No campo industrial, o desembarque da Inpasa em Balsas, para a produção de energia e proteína vegetal a partir da seja, é um ganho econômico real.

A relação com Brasília se manteve uma intensidade além do previsto, que pode ser medida com a vinda de 23 ministros ao Maranhão, incluindo o chefe da Casa Civil Rui Costa, e sem incluir Flávio Dino, André Fufuca (Esporte) e Juscelino Filho (Comunicações), que visitaram o estado com frequência.

Por contas de perdas tributárias, bombas de efeito retardado deixadas pelo Governo Bolsonaro, levaram o Governo do maranhão a enfrentar uma crise fiscal no segundo semestre, tendo o pico entre outubro e dezembro. O governador Carlos Brandão acionou os mecanismos de contenção de despesa, editou medida proibindo gastos, contratações e novos serviços, estimulando os demais Poderes a fazer mesmo. Deu certo. Conseguiu manter a situação sob controle, assegurou os salários e o custeio da máquina pública sem sobressalto, e pôde e alimentar, com um controle rígido, a pauta de investimentos, principalmente em São Luís.

O fato é que o governador Carlos Brandão fechou 2023 em sólida estabilidade política e plena normalidade administrativa.

PONTO & CONTRAPONTO

Felipe Camarão, o vice que atua para dar suporte ao governador

Felipe Camarão: o vice que soma

Desde que os governadores voltaram a ser escolhidos pelo voto direto, em 1982, o cargo de vice-governador foi, na maioria dos casos, fonte de problemas graves para os titulares. Dos oito governadores eleitos de lá para cá – Luiz Rocha, Epitácio Cafeteira, Edison Lobão, Roseana Sarney, José Reinaldo Tavares, Jackson Lago e Flávio Dino -, apenas Edison Lobão, Roseana Sarney, nos dois últimos mandatos, e Flávio Dino, nos seus dois mandatos consecutivos, não enfrentaram a conversão de vices em adversários incômodos. A tranquilidade com que Flávio Dino governou tendo Carlos Brandão (PSB) como vice é a mesma que ele, Carlos Brandão, encontra-se vivenciando tendo Felipe Camarão (PT) como o segundo na hierarquia do Governo.

Resultado da cuidadosa engenharia política concebida por Flávio Dino, a chapa Brandão/Camarão foi a equação perfeita naquele momento e que se revelou inteiramente acertada com a vitória da chapa em turno único. Felipe Camarão, um jovem advogado com sólida formação técnica, e que juntou no mesmo matulão preparo e competência, fartamente demonstrados como secretário de Estado da Educação ao longo dos Governos Dino, agora acrescenta um traço decisivo: habilidade política. No seu primeiro ano como vice-governador, Felipe Camarão foi o aliado integral. Primeiro permanecendo à frente da Secretaria de Educação, e depois como substituto eventual do governador, tendo cumprido as suas obrigações sem qualquer ato, gesto ou palavra que ferisse a aliança que une os seus partidos. Ao contrário, todos os seus movimentos têm sido no sentido de fortalecer a aliança.  

Como vice-governador, Felipe Camarão cumpriu rigorosamente toda a agenda que o levou várias vezes ao comando temporário do Governo, podendo-se dizer o mesmo do secretário de Estado da Educação. À frente do Governo, manteve o ritmo da máquina pública e tomou decisões que lhe couberam na interinidade. Além disso, encontra tempo para participar de reuniões partidárias, consolidando cada vez mais o espaço que conquistou na legenda desde que se converteu ao petismo e passou a ser peça-chave da equação que resultou na chapa Brandão/Camarão.

Ao longo de 2023, Felipe Camarão foi um dos suportes que garantiram estabilidade ao Governo Carlos Brandão.

Weverton é voz solitária de oposição ao Governo Brandão

Weverton Rocha: única voz
de oposição a Carlos Brandão

Desde que iniciou o novo mandato, em janeiro, o governador Carlos Brandão só tem um contraponto opositor, o senador Weverton Rocha (PDT), terceiro lugar da eleição de 2022. O senador, que é também o presidente do PDT no Maranhão, com forte influência na cúpula regional do partido, já esteve várias vezes – circunstancialmente, vale anotar -, com como governador, com quem conversou amistosamente, mas o fato real é que o senador Weverton Rocha faz questão de “lembrar”, aqui e ali, que não integra a base de apoio do atual Governo do Maranhão.

As razões para essa posição podem ser resumidas num único tema: ao ser reeleito deputado federal em 2014, Weverton Rocha montou o roteiro simples e direto para chegar ao Palácio dos Leões, primeiro sendo eleito senador, o que conseguiu em 2018, após ter combinado com governador Flávio Dino, e ser governador em 2022, com o apoio do grupo dinista, quando essa corrente e seus aliados já havia batido martelo em favor de Carlos Brandão, consumando uma construção que durou sete anos. Fez de tudo para reverter aquele projeto, e no mais primário erro político cometido no Maranhão nos últimos tempos, resolveu pagar para ver. Foi um desastre.

Jovem e impetuoso, com mais quatro anos como senador pela frente, cometeu o segundo erro primário: ao invés de aliar-se ao antigo aliado vitorioso, decidiu vestir a camiseta oposicionista. Os quatro deputados estaduais eleitos pelo PDT colocaram as cartas na mesa e avisaram quer não o seguiriam, preferindo apoiar o Governo.

Senador ativo, com bom nível de articulação na Casa, Weverton Rocha trabalha intensamente para fortalecer seu nome no cenário estadual. E pode ter encerrado 2023 cometendo o terceiro erro primário: escolher o governador Carlos Brandão como adversário na corrida ao Senado em 2026.

São Luís, 30 de Dezembro de 2023.

Doze políticos maranhenses que tiveram atuação diferenciada em 2023

Iracema Vale, André Fufuca, Eliziane Gama,
Juscelino Filho, Ana Paula Lobato, Rubens Jr.,
Duarte Jr., Roberto Costa, Eduardo Braide,
Sebastião Madeira, Hilton Gonçalo e Paulo Victor: atuações diferenciadas

2023 foi um ano político especialmente importante para o Maranhão. Ao longo das suas 54 semanas, políticos maranhenses se destacaram no seu terreiro e no cenário nacional como poucas vezes aconteceu. Uma mulher chegou à presidência do Poder Legislativo, um senador foi ministro de Estado e será ministro do Supremo Tribunal Federal, e deputados federais viraram ministros de Estado. Além disso, a bancada maranhense no Senado terá duas mulheres a partir de fevereiro. A Coluna avaliou com cuidado e isenção a trajetória dos políticos mais destacados durante os 363 dias deste ano e identificou em 12 deles atuações diferenciadas, com repercussão acima da média. Quase todos detentores de mandatos nas três esferas, esses nomes tiveram participação importante, às vezes decisiva, na consolidação da vida política, partidária e institucional. Mais importante: continuam nas suas posições e levando à frente a ação. Isso não quer dizer que os demais políticos não atuaram, eles atuaram, sim, cada um a seu modo. Os destaques são os seguintes:

Iracema Vale (PSB) – Deputada estadual mais votada da História política do Maranhão – nenhum outro candidato, homem ou mulher, conseguiu esse feito -, Iracema Vale quebrou todos os paradigmas e tabus que marcam a política maranhense. Foi a primeira mulher a eleger-se presidente da Assembleia Legislativa – a eleição se deu sem concorrente e por aclamação. E exerce um mandato produtivo como legisladora. E foi a segunda mulher a assumir o Governo do Estado, o que aconteceu em maio, quando o governador Carlos Brandão (PSB) e o vice-governador Felipe Camarão (PT) estiveram fora do estado. Fechou o ano como vice-presidente estadual do PSB, o que lhe dá estatura de líder consolidada e com horizonte largo pela frente.

André Fufuca – Um dos políticos com maior espaço no Congresso Nacional, o deputado federal André Fufuca saiu da liderança do PP na Câmara Federal para assumir o Ministério do Esporte, com o desafio de suceder a consagrada jogadora de vôlei Ana Mozer. Com uma trajetória rica nos dois mandatos anteriores, tendo sido vice-presidente e presidente da Câmara Federal e presidente nacional do seu partido, o parlamentar chegou à pasta do Esporte em meio a uma certa descrença, mas logo tomou algumas decisões que vêm alterando a visão dos observadores e críticos. Fecha o ano como seu nome lembrado para o senado por ninguém menos que a deputada Iracema Vale.

Eliziane Gama (PSD) – A senadora maranhense foi, de longe, o nome mais destacado da bancada maranhense no Senado, e um dos destaques na bancada feminina na Casa. Legisladora produtiva, com dezenas de matérias, propostas e relatorias bem-sucedidas, a senadora maranhense cresceu durante a CPI da Pandemia, quando fez questionamentos duros e necessários aos envolvidos, e se agigantou na CPMI dos Atos Golpistas, da qual participou no sensível e desafiador posto de relatora, ganhando projeção nacional. Eliziane Gama fechou 2023 em alta, como vice-líder do Governo no Congresso Nacional. O ano pode ter marcado uma mudança radical na sua carreira.

Juscelino Filho (União Brasil) – O deputado federal iniciou seu terceiro mandato escolhido para representar o seu partido, o União Brasil, no Governo Lula da Silva como ministro das Comunicações, uma pasta altamente técnica, sem muito apelo político, mas de importância fundamental para o País. Tudo foi bem nos primeiros meses, quando a trajetória ministerial do jovem parlamentar começou a ser bombardeada por denúncias de malversação de recursos milionários de emendas por ele destinada à Vitorino Freire, município que é sua principal base eleitoral e governado pela Irmã, Luanna Rezende. Mais recentemente, declarou guerra ao tio, o ex-deputado estadual Stênio Rezende, por causa da sucessão no município. Muitos apostaram alto na sua queda, mas Juscelino Filho fecha o ano no cargo e, ao que parece, sem maiores riscos.

Ana Paula Lobato (PSB) – Quando se elegeu 1º suplente na chapa do senador Flávio Dino (PSB), Ana Paula Lobato certamente viveu a perspectiva de que cedo ou tarde teria a chance de ser senadora por algum tempo. Mas essa perspectiva sofreu uma guinada radical no dia 1º de janeiro, quando o senador eleito Flávio Dino se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública. E não deu outra: no dia 3 de fevereiro, depois de haver assumido, Flávio Dino se licenciou do mandato, dando vez longa à suplente Ana Paula Lobato. Mas o que estava previsto para possíveis quatro anos sofreu outra guinada quando o presidente Lula da Silva (PT) o indicou e o Senado o aprovou para o Supremo Tribunal Federal. Naquele momento, Ana Paula Lobato ganhou mais sete anos como senadora, um caso inédito na História do Maranhão e da República.

Rubens Jr. (PT) – O deputado federal no terceiro mandato, Rubens Jr. exerceu integralmente o mister parlamentar. Como legislador teve leis aprovadas com larga repercussão e foi o relator de uma proposta de reforma eleitoral, que passou na Câmara, mas não vingou porque o Senado criou os obstáculos. Mas isso não diminuiu o seu papel, porque o bloqueio do projeto de reforma foi político e não de mérito. Um dos vice-líderes do Governo na Câmara Federal, Rubens Jr. foi incansável nos embates em plenário e nas comissões, onde jogou toda a sua experiência parlamentar e legislativa. Teve papel importante também nas audiências do ministro Flávio Dino na Câmara federal, saindo forte em sua defesa sempre que as forças bolsonaristas armavam ataques. Fecha o ano bem visto no Planalto.

Duarte Jr. (PSB) – Fez do primeiro ano do seu primeiro mandato federal um aproveitamento inteligente. Ligou-se a grupos ativos e progressistas, como a frente educacional liderada pela deputada paulista Tabata Amaral (PDT), participou intensamente das Comissões técnicas da Câmara Federal, foi uma das vozes em defesa do Governo Lula da Silva, e foi duro na defesa do ministro Flávio Dino nas audiências na Casa. Bem avaliado pelo desempenho político e parlamentar, fecha o ano lançado pela cúpula nacional do seu partido pré-candidato a prefeito de São Luís em 2024, com o aval do governador Carlos Brandão e como o segundo colocado nas pesquisas.

Roberto Costa (MDB) – No exercício pleno do terceiro mandato parlamentar, o deputado Roberto Costa tem se destacado trabalhando em três frentes. A primeira delas, claro, é a sua atuação parlamentar e legislativa, com uma expressiva produção de projetos de lei, pareceres e indicações, o que o tornam um deputado atuante. A outra frente é a parlamentar, e nesse campo ele tem se mostrado uma raposa com faro apurado e atuação eficiente, a começar pelo fato de haver se tornado o mais ativo articulador da Assembleia Legislativa começando pelas mudanças que se deram dentro do MDB, do qual é vice-presidente regional e um dos responsáveis pelas decisões mais audaciosas do partido. Somadas, suas ações políticas e parlamentares fizeram com que ele se tornasse líder disparado nas pesquisas sobre corrida à Prefeitura de Bacabal.

Eduardo Braide (PSD) – O prefeito de São Luís fecha o penúltimo ano do mandato nas rajadas iniciais do tufão em que se transformará a corrida à sucessão, à qual ele próprio é candidato como postulante à reeleição. Por fazer uma política diferenciada – ele não interfere na Câmara nem aceita que a Câmara interfira na sua gestão -, o prefeito tem forte apoio popular, segundo as pesquisas. Os mesmos levantamentos dizem que ele faz uma gestão correta, o que o coloca, até aqui, como líder da corrida ao Palácio de la Ravardière.

Sebastião Madeira – O secretário-chefe da Casa Civil do Governo do Estado fecha o ano como um exemplo de político que driblou a adversidade e retomou o seu espaço. Ex-prefeito de Imperatriz e com uma temporada à frente da Gasmar, ele se tornou um dos articuladores políticos do recém empossado governador Carlos Brandão (PSB), integrantes do chamado “Núcleo de Ferro” de auxiliares-conselheiros do governador. E encontrou espaço para resgatar o que sobrou do PSDB no Maranhão e transformá-lo no partido promissor. E à sua maneira, deve ter um peso diferenciado na corrida sucessória em Imperatriz.    

Hilton Gonçalo (PMN) – Prefeito reeleito de Santa Rita, Hilton Gonçalo fecha 2023 exibindo uma musculatura política difícil de ignorar. A um ano de encerrar o quarto mandato, ele tem aprovação superior a 80% e ninguém duvida de que ele fará o sucessor. Sua gestão em Santa Rita é considera acima da média, o que faz com ele projete o seu futuro político mirando o Governo do Estado. Isso ficou clara há alguns dias, quando ele, ao inaugurar uma obra, declarou-se disposto a colocar o seu nome para disputar o Palácio dos Leões, abrindo assim a corrida sucessória de 2026.  

Paulo Victor (PSDB) –  Vereador-presidente da Câmara Municipal de São Luís, Paulo Victor (PSDB) chegou ao final de 2023 como o mais ativo e controverso político produzido em São Luís. Elegeu-se presidente em 2021, mas só assumiu a presidência em 2023, obtendo logo a reeleição. Se declarou enfaticamente oposição ao prefeito Eduardo Braide e se lançou candidato a prefeito de São Luís, fazendo uma pré-campanha meteórica, tendo decidido a abandonar a ideia há um mês e meio. Como oposição, tem sido um implacável adversário do prefeito Eduardo Braide, contra quem tem feitos duros discursos. Colocou a Câmara Municipal no centro do debate político.

São Luís, 29 de Dezembro de 2023.

Em Tempo: O autor comunica aos leitores da Coluna que, por conta de um desastre com o seu telefone, perdeu todos os seus contatos da agenda do celular e do whatzap, que o deixou inteiramente desconectado do mundo das pessoas. Encontra-se envidando todos os esforços para restabelecer a rede de contatos e retomar a distribuição por aquela rede. No momento, pode-se ler Repórter Tempo buscando-a diretamente no endereço reportertempo.com.br, no Instagran e no facebook.

Brandão assume a presidência do PSB e dá início à era política pós-Flávio Dino no Maranhão

Carlos Brandão entre Ricardo Capelli, Carlos Siqueira e Duarte Jr. selando o acordo
na sede do PSB, rem Brasília

Ao assumir ontem, em Brasília, a presidência do PSB no Maranhão e anunciar que vai fortalecer a pré-candidatura do deputado federal Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís, o governador Carlos Brandão protagonizou muito mais do que uma troca de comando partidário. Isso porque o ato, comandado pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, e presenciado pelo ministro interino da Justiça e Segurança Pública Ricardo Capelli, marcou, formalmente, o fim da “era” Flávio Dino na política partidária maranhense. Carlos Brandão recebe uma máquina partidária azeitada, com 11 deputados estaduais, um deputado federal e um senador da República, no caso a senadora Ana Paula Lobato, que será titularizada no mandato no dia 22 de fevereiro, quando o ainda senador Flávio Dino cortar os laços partidários para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal. O ato ganhou mais força ainda quando o governador anunciou a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale, na vice-presidência do partido. Ou seja, Carlos Brandão terá o controle total da legenda.

Ao consumar a sucessão no comando do PSB maranhense, a cúpula nacional da agremiação blinda o partido da fragilização e do esvaziamento. Sem essa reengenharia, e permanecendo sob o controle do ex-deputado federal Bira do Pindaré, a agremiação socialista mergulharia na incerteza e muito provavelmente seria atingida por um processo implacável e irreversível de emagrecimento. Uma das rotas levaria ao MDB, que está se reestruturando exatamente para isso, e outra conduziria ao PSDB. O MDB, que agora é comandado pelo empresário Marcus Brandão, e o PSDB, renascido das cinzas pelas mãos do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, são partidos que se encaixam perfeitamente na visão política do governador Carlos Brandão e seu grupo.

A expectativa agora é em relação aos membros do partido que seguem a cartilha política do senador Flávio Dino, como o próprio deputado federal Duarte Jr. e o deputado estadual Carlos Lula, por exemplo. Ao abraçar a pré-candidatura de Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís, e com a promessa declarada de fortalecê-la, Carlos Brandão deixou bem claro que pretende manter o PSB unido em torno da sua liderança. Numa tradução mais ampla, o governador disse, com todas as letras, que seu objetivo é manter o PSB forte e trabalhar pela estabilidade da aliança que mantém 13 partidos na base de sustentação do seu Governo. Além disso, esse é provavelmente o resultado das longas conversas que travou com o ministro Flávio Dino desde que o presidente Lula da Silva (PT) bateu martelo indicando-o para a vaga na Suprema Corte.

Carlos Brandão jogou a cartada certa ao assumir o comando do PSB. Ao se manter nessa seara partidária, ele consolida e amplia o espaço que já tinha na agremiação, estreitando mais ainda os laços com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que representa o PSB no Governo e com quem cultiva amizade desde os seus tempos de PSDB. Se migrasse para outro partido, fosse para o MDB ou para o PSDB, estaria certamente dando um passo em falso. E com a experiência de que já vivenciou tudo em matéria de política no Maranhão, tomou posição cartesiana, baseada na lógica implacável que dá rumo à política num campo partidário minado como o que move o cenário político na atualidade.

O governador Carlos Brandão sabe que suceder a Flávio Dino não é tarefa fácil, mas tem personalidade política própria e já acumulou experiência suficiente para assumir o comando do Governo do Estado e deixar no estado a sua marca como político e como gestor. A prova disso é a inexistência de oposição na Assembleia Legislativa e na bancada federal. Esse estado de coisas foi alcançado sem uma única medida de força, na conversa direta, sem estardalhaço, com todos os traços da velha e eficiente conversa de pé do ouvido.

PONTO & CONTRAPONTO

Apoio declarado de Brandão a Duarte Jr. é má notícia para Braide

Eduardo Braide e Duarte Jr. :
cenário começa a ser definido

Ao assumir ontem a tarefa de “fortalecer” a pré-candidatura do deputado Duarte Jr. à Prefeitura de São Luís pelo PSD, o governador Carlos Brandão colocou as cartas na mesa em relação ao futuro político da Capital. O governador ouviu e atendeu aos sinais da cúpula nacional do partido e decidiu “comprar” a briga no sentido de impedir a reeleição do prefeito Eduardo Braide (PSD) e emplacar um aliado no Palácio de la Ravardière.

Carlos Brandão chamou para si um desafio e tanto, uma vez que monitora a evolução do cenário pré-eleitoral na Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade e tem a dimensão exata do peso político e eleitoral do prefeito Eduardo Braide, apontado como favorito nas seis pesquisas confiáveis feitas até aqui, tendo o deputado federal Duarte Jr. como o adversário mais forte.

O anúncio feito ontem pelo próprio governador Carlos Brandão ecoou fortemente no gabinete principal do Palácio de la Ravardière. Isso porque muda completamente o cenário da corrida às urnas. Até então, a pré-candidatura do deputado federal Duarte Jr. parecia apenas um projeto pessoal, carente de suporte, mesmo tendo ele um potencial eleitoral indiscutível. Agora, ele ganha a estatura de pré-candidato do grupo governista, tendo o chefe do Executivo como uma espécie de “coordenador” da sua campanha.

Não foi, de fato, uma boa notícia para o prefeito Eduardo Braide. Mas pelo menos ele começa o ano sabendo o tamanho da dificuldade que enfrentará no roteiro da sua caminhada à reeleição.

Weverton ainda não sabe com o situar o PDT na corrida em São Luís

Weverton Rocha ainda não sabe
onde vai encaixar o PDT
na corrida às urnas em São Luís

O senador Weverton Rocha e o PDT estariam numa encruzilhada em São Luís. O partido não tem nome para disputar a Prefeitura e não sabe ainda a quem apoiar.

Nos bastidores, é corrente que as relações da agremiação pedetista com o prefeito Eduardo Braide chegaram a limite do desgaste, não havendo qualquer sinal de que a aliança que se deu no segundo turno de 2020 venha a se repetir agora.

Weverton Rocha avalia também uma aliança do PDT com o União Brasil em torno do deputado Neto Evangelista, mas há quem diga que a cúpula do União Brasil no Maranhão estaria fazendo sérias restrições a esse projeto de aproximação.

E, finalmente, o PDT poderá entrar na aliança que apoiará a candidatura do deputado federal Duarte Jr. (PSB). Pode ser, mas aí também há resistências muito severas a esse projeto. Para alguns, as restrições a essa aliança começam dentro do Palácio dos Leões.

O maior problema do presidente do PDT: os vereadores e candidatos a vereador do partido querem uma definição, para que tenham um norte na campanha.  

São Luís, 28 de Dezembro de 2023.

Sem o clássico embate situação/oposição, Assembleia investiu na produção legislativa

Os atuais 42 deputados titulares do Maranhão: Iracema Vale, Arnaldo Melo, Othelino Neto, Carlos Lula, Fabiana Vilar, Francisco Nagib, Antônio Pereira, Daniela Gidão, Florêncio Neto, Claudia Coutinho, Glaubert Cutrim, Osmar Filho, Yglésio Moises, Roberto Costa, Mical Damasceno, Rafael Souza, Rodrigo Lago, Neto Evangelista, Abigail Teles, Heméterio Weba, Andreia Rezende, Aluísio Santos, Rildo Amaral, Edna Silva, Ariston Pereira, Cláudio Cunha, Viviane Silva, Davi Brandão, Ana do Gás, Fernando Braide, Janaína Ramos, Júlio Mendonça, Júnior França, Júnior Cascaria e Ricardo Rios, Wellington do Curso, Ricardo Arruda, Solange Almeida, Leandro Bello, Juscelino Marreca, Eric Silva e Guilherme Paz

No primeiro ano da nova legislatura, tendo uma composição na qual as mulheres respondem por quase 25% do plenário, situação traduzida na eleição da deputada Iracema Vale (PSB) para presidi-la, a Assembleia Legislativa do Maranhão foi um dos parlamentos mais diferenciados do País. Ao longo dos seus primeiros dez meses de funcionamento, o Palácio Manoel Beckman dividiu sua importância política com o Palácio dos Leões, fazendo com que o Poder Legislativo e o Poder Executivo cultivassem uma convivência tranquila, baseada na numa unidade rara em matéria de entendimento. E o resultado disso é que o governador Carlos Brandão lida com um parlamento totalmente alinhado ao seu Governo, sem uma só voz de oposição. A palavra-chave nesse contexto tem sido, por enquanto, unidade, com os 42 deputados fazendo parte da base governista, uma vez que ninguém se declarou de oposição ao Governo do Estado, produzindo uma situação absolutamente diferenciada.

Para começar, 11 deputados foram eleitos pelo PSB, dando à bancada socialista um peso diferenciado. O PCdoB fez cinco deputados e o PL também fez cinco, o que representou maioria simples. Somadas às bancadas de outros partidos, o Palácio dos Leões conta com nada menos que 40 votos, quando a matéria exige quórum qualificado, como o de 2/3, por exemplo, para mudanças na Constituição. Os outros dois votos são do deputado Fernando Braide, que mantém independência. Dois exemplos de quórum qualificado: a aprovação do advogado Daniel Brandão para o Tribunal de Contas por 41 votos e uma única abstenção. Já a promotora Flávia Gonzalez, também para o TCE, foi aprovada pela unanimidade dos presentes.

Se de um lado faltou o clássico embate entre situação e oposição, exatamente pelo fato de que não existe oposição, de outro os atuais deputados mergulharam na produção legislativa. De acordo com o Relatório de Atividades apresentado pela presidente Iracema Vale, o parlamento realizou 108 sessões ordinárias, com a apresentação de 7.633 Indicações, 542 Requerimentos, 61 Moções, 842 Projetos de Lei Ordinária, 96 Projetos de Resolução Legislativa e 10 Projetos de Lei Complementar. Foram aprovadas ainda 265 Leis Ordinárias e sete Leis Complementares. Também foram realizadas 36 sessões solenes, seis especiais e duas itinerantes (em Imperatriz e Caxias).

Além disso, os deputados se posicionaram em relação a problema graves, como o da pobreza, por exemplo. O decano da Casa, deputado Arnaldo Melo (PP), criou a Frente Parlamentar Contra a Pobreza no Maranhão, que vem chamando a atenção. O deputado Rafael Silva (PSB), dedicou grande esforço e muita coragem para viabilizar um projeto de lei autorizando no Maranhão o uso medicinal da canabis, quebrando a cobertura de preconceito sobre o tema. A produção legislativa foi intensa no Palácio Manoel Beckman. No balanço que fez das atividades da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), o deputado Carlos Lula (PSB), disse que foram avaliados 1077 projetos, com 951 pareceres aprovados, 145 pareceres rejeitados. Foram 68 reuniões, ou seja, não ficamos uma semana sem que tivéssemos reunião da comissão”. A presidente Iracema Vale foi uma legisladora eficiente, tendo aprovado, entre outros projetos, a proibição da monocultura – como soja e eucalipto, por exemplo – na Região dos Lençóis Maranhenses.   

A expressiva bancada feminina foi pródiga a apresentação de propostas relacionada à vida social e econômica das mulheres maranhenses. Foram várias proposições relacionadas ao combate à violê4ncia contra a mulher, pautas propondo situações para encaixar a mulher no mercado de trabalho, e finalmente propostas sobre saúde da mulher e da família. Independentemente das diferenças partidárias e políticas, a bancada feminina participou em bloco de vários movimentos parlamentares.

Sob a forte liderança da presidente Iracema Vale, que atua auxiliada por deputados experientes como Roberto Costa do (MDB) e Antônio Pereira (PSB), ambos membros da Mesa Diretora, a nova Assembleia Legislativa foi, no seu primeiro ano, uma Casa de costuras políticas, de modo a assegurar o seu status de parlamento.

PONTO & CONTRAPONTO

Uma dezena de deputados estaduais vai disputar Prefeituras

Wellington do Curso, Yglésio Moises,
Neto Evangelista, Roberto Costa,
Rildo Amaral, Rafael Souza, Daniela Gidão,
Eric Costa e Francisco Nagib
são pré-candidatos

As eleições municipais vão mexer com o Plenário da Assembleia Legislativa no ano que vem. Isso porque, além das disputas localizadas, um grupo de 10 deputados estaduais se prepara para disputar prefeituras nas diferentes regiões do estado.

Os deputados Neto Evangelista (UB), Wellington do Curso (PSC) e Yglésio Moises já anunciaram que vão disputar a Prefeitura de São Luís. O deputado Rildo Amaral (PP) é candidato assumido à Prefeitura de Imperatriz. O deputado Rafael Souza (PSB) vai disputar a Prefeitura der Timon, e o deputado Roberto Costa (MDB) deve disputar a Prefeitura de Bacabal.  

Existe a possibilidade de a deputada Daniella Gidão (PSB) ser candidata Prefeitura de Presidente Dutra, ao mesmo tempo em que se fala com insistência da pré-candidatura o deputado Francisco Nagib (PSB) à prefeitura de Codó. E especula-se que o deputado Eric Rocha (PSD) poderá vir a disputar a Prefeitura de Barra do Corda.

Comissão tem poderes para resolver problemas durante o recesso

Solange Almeida, Davi Brandão, Rafael
Souza, Neto Evangelista e
Wellington do Curso: comissão

A Assembleia Legislativa permanecerá de recesso até o dia 1º de fevereiro. Mas isso não significa trancar a porta e guardar a chave. Ao contrário, na ausência dos membros da Mesa Diretora, a começar pela presidente, uma comissão especial ali permanecerá para resolver todo e qualquer assunto de interesse da Casa.

Os membros da Comissão Especial de Recesso são os seguintes deputados: Solange Almeida (PL), Wellington do Curso (PSC), Davi Brandão (PSB), Neto Evangelista (União Brasil) e Rafael Souza (PSB).

Cabe à Comissão Especial de Recesso resolver problemas inadiáveis surgidos durante o recesso parlamentar, apreciar e votar pedidos de licença que derem entrada durante o recesso e atender ao que dispõe os incisos I e II do parágrafo 2º, do art. 32 da Constituição do Estado do Maranhão.

O Inciso I diz: discutir e votar projeto de lei que dispensar, na forma do Regimento, a competência do Plenário, salvo de houver, para decisão deste, recurso de um décimo dos membros da Assembleia.

E o Inciso II reza: realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil.

Não é pouca coisa, não.

São Luís, 27 de Dezembro de 2023.

Em 2023 São Luís viveu ano intenso com os embates da Câmara Municipal com o Palácio de la Ravardière

Eduardo Braide e Paulo Victor, cada um ao seu
modo, protagonizaram o ano político em São Luís

Há tempos São Luís não existia como território político efervescente, fazendo jus à sua condição de Capital e maior centro populacional e econômico do Maranhão. Houve momentos agitados durante campanhas eleitorais recentes, mas a definição das urnas colocou as diferenças numa espécie de “banho maria”. Esse ambiente se repetiu nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Eduardo Braide (PSD), que manteve uma relação de altos e baixos com a Câmara Municipal, nada que alterasse de fato os ânimos políticos da Capital. Essa realidade, porém, mudou radicalmente em 2023 com a chegada do vereador Paulo Victor (PSDB) à presidência do parlamento municipal. Mesclando suas ações como presidente da Casa legislativa com as atitudes e iniciativas de militante de oposição, o chefe da edilidade ludovicense tirou a política na capital maranhense de uma espécie de letargia e transformou as relações do Palácio Pedro Neiva de Santana com o Palácio de la Ravardière num estado de confronto permanente. O episódio mais recente foi a aprovação de uma CPI para apurar supostas irregularidades em contratos municipais, sinalizando que nos próximos tempos essas relações serão cada vez mais tensas – pelo menos até as eleições municipais do ano que vem.

De um lado o presidente Paulo Victor, que fora eleito em fevereiro de 2021 e logo em seguida reeleito antecipadamente, mas só assumiu de fato a presidência em janeiro deste ano, adotou uma postura política agressiva de oposição ao Governo municipal, mobilizando, nessa cruzada, expressiva maioria dos integrantes da Casa, colocando o comando da Prefeitura em situação defensiva. Do outro lado, o prefeito Eduardo Braide, que vinha convivendo com a Câmara Municipal numa linha tênue de normalidade, viu a situação mudar radicalmente, quando o comando da vereança lhe declarou guerra. De lá para cá, nenhuma matéria de interesse do Palácio de la Ravardière teve tramitação fácil, com a diferença que o prefeito Eduardo Braide, que usa a razão nas decisões políticas, não passou recibos, fez de conta que nada estava acontecendo, e bem ou mal manteve produtiva sua convivência com os vereadores de São Luís.

O dado importante nesse contexto é que, por estímulo do presidente Paulo Victor, a Câmara Municipal de São Luís, onde desaguam todos os problemas, as cobranças, as inquietações e insatisfações de todos degraus da pirâmide social de São Luís, se manteve ativa, com debates e até confrontos em torno de temas às vezes promissores, às vezes marcados pela controvérsia. E nesse contexto, o prefeito se manteve inalterado, sem esboçar reação verbal, atuando politicamente nos bastidores do parlamento municipal, fazendo a negociação direta com vereadores. Essa postura foi mantida por ele que, mesmo quando foi atacado duramente – acusado de desvios, usou uma estratégia só adotada por quem faz política calculando e medindo cada passo.

Essa tensa relação tem dois vieses. O vereador Paulo Victor esbouçou, ousadamente, o projeto de se candidatar à Prefeitura de São Luís. Alimentou-o até dois meses atrás, quando se deu conta de que suas chances eram mínimas e que sua posição pessoal e a política estavam ameaçadas por ações do Ministério Público, em princípio sob o incentivo de um promotor acusado de tê-lo chantageado. Durante o tempo em que se manteve pré-candidato a prefeito, Paulo Victor foi uma fonte intensa de fatos, sacudindo o cenário político da Capital, como o evento que marcou sua filiação ao PSDB, que trouxe a São Luís ninguém menos que o tucano-símbolo Tasso Jereissati.

Por sua vez, o prefeito Eduardo Braide que, segundo especialistas em finanças públicas, administra um caixa com R$ 1,1 bilhão, se concentrou no seu programa de obras, agitando os bairros por onde passou e brindando a cidade com um Natal iluminado. Com essa movimentação, o prefeito de São Luís construiu uma reputação sólida, que o colocou como líder na corrida à reeleição, apontado como favorito nas seis pesquisas confiáveis feitas sobre a sucessão ludovicense. E com repercussão nacional, incluído na lista dos cinco prefeitos de Capital mais bem avaliados do país.

 A grande verdade é que 2023 vai entrar para a crônica política de São Luís como o ano em que, depois de algum tempo sem novidade, a Capital do Maranhão vivenciou a política com saudável intensidade.

PONTO & CONTRAPONTO

Pesquisas indicam que Braide e Duarte Jr. vão repetir a disputa de 2020

Eduardo Braide e Duarte Jr. devem
repetir a disputa de 2020 na Capital

São Luís fecha 2023 indicando que a guerra pela sucessão no comando da Prefeitura em 2024 será travada, de fato, entre o prefeito Eduardo Braide (PSD), que é candidato irreversível à reeleição, e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), que está em ritmo intenso de pré-campanha. Os seus mais de 600 mil eleitores caminham para repetir a disputa de 2020, quando os dois foram para o segundo turno e nele o então deputado federal Eduardo Braide, filiado ao PMN, levou a melhor sobre o então deputado estadual Duarte Jr., que concorreu pelo Republicanos.

Essa tendência vem sendo confirmada nas várias pesquisas feitas até aqui sobre a sucessão na Capital. Nelas, o prefeito Eduardo Braide aparece na liderança, tendo o deputado federal Duarte Jr. em segundo como seu principal adversário. Na média, Eduardo Braide tem 10 pontos percentuais de vantagem, um indicativo de que a corrida deve ser resolvida em dois turnos, o que torna o desfecho imprevisível.

É nesse ambiente que outros pré-candidatos se movimentam. O deputado estadual Neto Evangelista (União Brasil), que vem aparecendo em terceiro lugar nas pesquisas, aguarda o momento certo para bater martelo confirmando ou não o seu projeto de candidatura. Também nesse jogo está o ex-prefeito Edivaldo Jr. (sem partido), quarto colocado nas pesquisas, mas que ainda não disse claramente se será ou não candidato.

Num pelotão sem chance estão os deputados estaduais Yglésio Moises (PSB, mas tentando migrar para outra legenda) e Wellington do Curso (PSC), que parecem dispostos a serem candidatos de qualquer maneira, valendo-se da velha estratégia de se manter em evidência para as eleições gerais de 2026, quando tentarão renovar seus mandatos na Assembleia Legislativa.

E não está descartada também a entrada em cena da trinca da esquerda radical (PSOL, PSTU e PCB) e de algum rebento da direita igualmente radical, como um representante do Novo.

A previsão é a de que a corrida à Prefeitura da Capital vai pegar fogo depois do Reinado de Momo, com a chegada das águas de março.

Político com raiz em São Luís, Roberto Costa pode ser prefeito de Bacabal

Roberto Rocha: de
São Luís para Bacabal

O tabuleiro político de São Luís poderá perder um dos seus quadros mais ativos, o deputado estadual Roberto Costa (MDB), que poderá ser candidato à Prefeitura de Bacabal, um dos dez maiores e mais importantes municípios do Maranhão, repetindo o projeto de 2016. A diferença é que, agora, Roberto Costa desponta como líder incontestável nas pesquisas sobre a corrida à Prefeitura bacabalense, com mais de 40 pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Roberto Costa é ludovicense da gema, já tendo inclusive sido candidato a vice-prefeito da Capital na década passada, mas a luta pela sobrevivência política o levou a Bacabal, base maior do seu mentor político, o ex-governador João Alberto (MDB). Seu prestígio em Bacabal se consolidou de tal modo que o parlamentar se lançou candidato a prefeito e protagonizou uma forte disputa com o ex-prefeito Zé Vieira, que saiu vencedor.

Embora atuando fortemente para manter ali uma base sólida para se manter na Assembleia Legislativa, Roberto Costa continuou trabalhando duro por Bacabal, numa produtiva parceria com o prefeito Edvan Brandão, a quem apoiou desde o primeiro momento. Sua atuação ganhou dimensão maior durante as enchentes deste ano, que colocaram parte de Bacabal debaixo as águas do Rio Mearim.

Vivendo um momento político excepcional como um dos mais importantes articuladores da Assembleia Legislativa, o deputado Roberto Costa vive o dilema de permanecer como está apostando em 2026, ou aproveitar a maré a ele favorável e disputar a Prefeitura de Bacabal com chances reais de ser eleito.

São Luís, 26 de Dezembro de 2023.