Na penúltima sessão da atual gestão, Tribunal de Justiça compõe Órgão Especial em clima de tensão

Froes Sobrinho comandou penúltima sessão antes
de passar o bastão para Ricardo Duailibe

Em meio à turbulência causada pelo afastamento de cinco desembargadores e de mais de uma dezena de juízes, todos acusados de vários crimes, entre eles o mais grave da seara do Judiciário, a venda de sentenças, o Tribunal de Justiça concluiu ontem a nova composição do Órgão Especial, que reúne 24 dos 36 atuais desembargadores. Foi a penúltima sessão do Tribunal Pleno comandada pelo atual presidente, desembargador Froes Sobrinho, nos últimos dois anos. Ele passará o bastão para o seu sucessor, desembargador Ricardo Duailibe, presidente eleito no início de fevereiro e que assumirá o comando efetivo do Poder Judiciário estadual em sessão solene no próximo dia 24.

A sessão de ontem confirmou o clima tenso que vem dominando há tempos a cúpula do Poder Judiciário do Maranhão, que pela segunda vez em dois anos teve sua sede “visitada” pela Polícia Federal em busca de provas contra desembargadores, no caso Antônio Guerreiro Júnior e Luiz de França Belchior, suspeitos de comandar uma organização criminosa nas entranhas da máquina judiciária maranhense. Isso sem falar na manutenção de R$ 2,6 bilhões de créditos judiciais no Banco Regional de Brasília (BRB), que corre o risco de naufragar por conta das suspeitíssimas transações com o Banco Master, liquidado pelo Banco Central por ser um antro falcatruas. Essa aplicação tem sido tema de ácidas discussões no plenário da Corte.

Penúltima da gestão do desembargador Froes Sobrinho – que só comandará ainda a sessão da próxima quarta-feira (22), a sessão desta quarta-feira (15) concluiu a nova composição do Órgão Especial, que é formado pelos 11 desembargadores mais antigos, que são cativos; pelo presidente, vice-presidente, corregedor-geral da Justiça e corregedor-geral do Foro Extrajudicial, que são fixos, e por 10 desembargadores eleitos pelo voto secreto no Tribunal Pleno, que é formado por 36 membros. Essa composição deveria ter sido realizada em fevereiro, mas uma série de obstáculos e divergências, incluindo um pedido de vista, arrastaram a definição até ontem.

Atualmente, são cinco desembargadores afastados por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sendo substituídos por juízes de quarta entrância: além de Guerreiro Júnior e Luiz Belchior, estão suspensos pelas mesmas suspeitas Nelma Sarney, Marcelino Weverton e Luiz Gonzaga Almeida Jr.. Nos bastidores do Poder Judiciário ninguém acredita que algum deles reassumirá sua cadeira no colégio de desembargadores na condição de julgador. A tendência é no sentido da aposentadoria compulsória, com o risco de perderem tudo e serem mandados para casa sem nada, como mandam as novas regras, que mandaram para o espaço a aposentadoria remunerada como “punição” para magistrado faltoso.

É de tensão clima nos gabinetes do Palácio da Justiça Clóvis Bevilácqua. As discussões ásperas ocorridas nas sessões plenárias da Corte, muitas delas causadas por duras críticas ao presidente Froes Sobrinho, mostram com clareza que o colégio de desembargadores está dividido em dois grupos que se digladiam. Esse ambiente ficou mais evidente com a eleição do desembargador Ricardo Duailibe para a presidência, quebrando o sistema de rodízio em que a vez seria do desembargador José Luiz Almeida, magistrado de carreira e um dos quadros mais qualificados da magistratura maranhense.

O desembargador Ricardo Duailibe assumirá a presidência do Poder Judiciário do Maranhão em meio a uma crise que tem várias pontas. Seu primeiro e maior desafio será restaurar, até onde for possível, um clima de convivência distensionado, mesmo sabendo que as diferenças vão continuar gerando tensões aqui e ali. Advogado da área trabalhista e empresário bem sucedido do ramo imobiliário, Ricardo Duailibe tem perfil conciliador, o que poderá facilitar a missão que assumirá no dia 24, quando se tornará presidente em sessão solene.

(É provável que, por ser uma sessão de despedida, na qual o presidente Froes Sobrinho dirá adeus ao cargo e retornará à planície, o clima seja de cordialidade).

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão confirma que conversou “rapidamente” com Lula, mas não falou em definição

Carlos Brandão ficou próximo de Lula da Silva
no ato de posse de José Guimarães

Não houve qualquer decisão relacionada com a corrida sucessória no Maranhão na conversa entre o governador Carlos Brandão (sem partido) com o presidente Lula da Silva (PT), na posse do novo ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, em Brasília.

– Conversei rapidamente (com o presidente). Não foi uma audiência – disse o governador Carlos Brandão à Coluna no início da madrugada desta quinta-feira. O mandatário maranhense nada acrescentou a essa informação, dando a entender que, se houve uma conversa decisiva, ainda que rápida, essa terá de ficar sob sete chaves, mas se nada foi dito de conclusivo ou com o poder de gerar expectativas, tudo continua como está.

Por outro lado, produziu ecos no meio político a presença de Orleans Brandão (MDB) em Brasília e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (MDB), na posse do novo ministro. Teve a força de impacto no entorno do vice-governador Felipe Camarão, que além de não ter ido a Brasília, está mergulhado numa queda de braços com a CPI criada no parlamento estadual para investiga-lo.

Se não produziu resultados políticos práticos, a ida de Orleans Brandão ao ato no Palácio do Planalto causou a impressão de que o governador Carlos Brandão continua na sua ofensiva de buscar uma conciliação agora com a pré-candidatura de Orleans Brandão tornada irreversível, assim como sua decisão de permanecer no cargo abrindo mão de ser senador.

Além disso, a presença do governador e seu sobrinho pré-candidato a governador em Brasília sugere que a decisão do Planalto dificilmente será a de rompimento com o atual ocupante do Palácio dos Leões.      

Credenciado como ex-prefeito e ex-presidente da Famem, Bigu Oliveira assume a articulação política dos Leões

Bigu de Oliveira é o novo
articulador dos Leões

Ao nomear o ex-prefeito de Santo Antônio dos Lopes, Emanuel Lima de Oliveira, mais conhecido como Bigu de Oliveira, para comandar a Secretaria de Estado de Articulação Política, o governador Carlos Brandão (sem partido) reforça um dos mais fortes vieses do seu Governo. E a escolha atendeu a dois fatores importantes: a experiência política do ex-prefeito e o conhecimento que ele detém da seara municipalista como ex-presidente da Famem.

O novo secretário já vinha exercendo o cargo de subsecretário de Articulação Política e não terá qualquer dificuldade para comandar a pasta, mesmo num momento politicamente intenso como agora.

Durante quase todo o Governo dirigida pelo ex-deputado estadual e ex-prefeito de Matões Rubens Pereira, considerado um “ás” nesse tabuleiro, mas que entrou em rotas de colisão com o governador Carlos Brandão e teve de entregar o cargo. Rubens Pereira foi substituído pelo advogado Júnior Viana, que fora subchefe da Casa Civil e de onde saiu para assumir a pasta e logo em seguida se deixa-la para disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.

Com Bigu de Oliveira à frente da Articulação Política, o governador Carlos Brandão mantém a política como uma das prioridades do Governo, mantendo sintonia fina com parte expressiva da classe política. É isso que explica o diálogo que mantém com os 11 partidos que fazem parte da aliança governista. Em relação aos prefeitos, Bigu não encontrará obstáculos, primeiro porque já foi prefeito de um município de médio porte, e depois porque presidiu a Famem por vários meses.

A empolgação com que ele assumiu o comando da pasta indica que Bigu de Oliveira pretende intensificar ao máximo as articulações para manter o Palácio dos Leões em boa convivência com a classe política, numa relação que alcança os partidos políticos. Principalmente na ciranda que vai desaguar nas eleições de outubro.

São Luís, 16 de Abril de 2026.

Brandão leva Orleans ao Planalto na posse de ministro; presença deixa aliados e adversários sob forte expectativa

Carlos Brandão e José Guimarães entre Orleans Brandão,
Miltinho Aragão e Iracema Vale no Palácio do Planalto

A presença do governador Carlos Brandão (sem partido), ontem, em Brasília, acompanhado do pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão, por ele apoiado, e da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (filiada há pouco ao MDB), depois de uma paquera forte com o PT), na posse do deputado federal cearense José Guimarães (PT) como ministro das Relações Institucionais, pode até não produzir uma reviravolta na tendência do comando nacional do PT e no próprio presidente Lula da Silva (PT) por uma candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT), mas com certeza causou forte impacto das duas searas. De um lado, reforçou o clima de instabilidade no entorno do vice-governador, e de outro, animou segmentos alinhados ao governador Carlos Brandão, que temem um posicionamento do PT contra a pré-candidatura de Orleans Brandão, causando um racha político monumental no Maranhão.

Para começar, a presença dos três no Palácio do Planalto para o ato de posse do ministro causou grande surpresa nos meios políticos maranhenses. A começar pelo fato de que alguns rumores, mesmo inconsistentes e nitidamente armados com má fé política, foram espalhados para passar a ideia de afastamento do Palácio dos Leões do Palácio do Planalto. E depois, e principalmente, com a demora do PT maranhense de tomar uma posição, principalmente depois que líderes nacionais do partido disseram e repetiram que a tendência da agremiação é confirmar o projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Isso depois de duas conversas do governador Carlos Brandão com o presidente Lula, ambas sem desfecho conclusivo.

A ida do governador Carlos Brandão ao Palácio do Planalto, acompanhado de Orleans Brandão e Iracema Vale sugere várias interpretações, mas a principal delas é a de que algum tipo de canal foi aberto para a retomadas das conversas com a cúpula nacional do PT sobre a corrida sucessória. Do contrário, o mandatário maranhense dificilmente se deslocaria para Brasília acompanhado do seu pré-candidato a governador e da presidente do Poder Legislativo sem um motivo político que, de fasto, valesse a pena. A posse do novo ministro das Relações Institucionais é, sem dúvida, um fato político importante para essa seara, à medida que ele pode atuar como um canal para a interlocução do comando do PT e do próprio presidente da República com o governador sobre sucessão no Maranhão.

O que está posto é o seguinte: o vice-governador Felipe Camarão, que representa uma parte do PT maranhense e o grupo que foi ligado ao então governador Flávio Dino, hoje ministro da Suprema Corte, acusa o governador Carlos Brandão de romper um acordo pelo qual ele seria o candidato grupo à sua sucessão. O governador Carlos Brandão, por sua vez, diz que não houve acordo algum, e argumenta as suas divergências com o grupo ligado ao ministro Flávio Dino levaram ao rompimento, daí a sua decisão de lançar Orleans Brandão candidato à sua sucessão, abrindo mão de concorrer ao Senado. De uma meses para cá a crise se agravou e o rompimento se consumou. O governador Carlos Brandão lançou tornou irreversível o projeto de candidatura de Orleans Brandão, enquanto Felipe Camarão apostou alto num posicionamento do PT e do presidente, que não veio até agora, o que vem fragilizando o seu projeto.

Não há dúvida de que o governador Carlos Brandão e a deputada-presidente Iracema Vale foram formalmente convidados para a posse do novo ministro das Relações Institucionais, e a participação deles no ato seria naturalíssima. A companhia do pré-candidato Orleans Brandão, porém, mudou todo sentido da presença do governador, ontem, em Brasília. Carlos Brandão tem articulado no sentido de convencer o PT e o presidente Lula da Silva de que esse caminho é irreversível, já que o vice-governador não quis renunciar para se candidatar a deputado federal e ao Senado. Ou seja, a essas alturas, uma mudança de cenário seria muito difícil, mesmo sendo a política espantosamente imprevisível.

Se o clima no Palácio do Planalto foi, de fato, o mostrado na imagem com o ministro José Guimarães, pode-se especular que a algo em andamento. Se não, permanece a tendência pró-Felipe Camarão.

PONTO & CONTRAPONTO

Ministério Público: Eduardo Nicolau vai concorrer à lista tríplice num confronto direto com Danilo Castro

Eduardo Nicolau vai disputar comando do MPE
com Danilo Castro, que quer a reeleição

O procurador de Justiça Eduardo Nicolau surpreendeu ontem o universo institucional do Maranhão, em especial o Poder Judiciário, ao anunciar que vai se inscrever para a lista tríplice por meio da qual promotores e procuradores escolherão os três nomes dentre os quais o governador Carlos Brandão escolherá e nomeará o novo chefe do Ministério Público. O atual PDG, Danilo Castro, deve ser candidato a novo mandato, como vem sendo “tradição” no MP estadual.

Feito por meio de uma mensagem dirigida a promotores e procuradores, o movimento de Eduardo Nicolau é revelador de que o MPE está mergulhado numa crise interna. Um dos motivos que ele alega para tentar voltar ao comando do Ministério Público é a percepção de que o MPE “atravessa um momento que exige reflexão, união e fortalecimento institucional, especialmente quanto à preservação da sua isenção, independência e credibilidade na sua missão constitucional de defesa da sociedade e da cidadania”.

O argumento atinge direta e francamente o atual PGJ, que deve ser candidato a novo mandato. Eduardo Nicolau, que foi procurador geral de Justiça por dois mandatos consecutivos, entre (2019 A 2023), se lança exatamente para quebrar essa “tradição”, por indicar problemas na atual gestão.

O ex-PGJ se dispõe a entrar na disputa de Um Ministério Público em crise, que foi aguçada e veio à tona e que foi aguçada com o explosivo vazamento de uma ação, que corria sob sigilo judicial, por meio da qual o PGJ Danilo Castro pedia o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT), apontado como suspeito de movimentação financeira “atípica”. O vazamento foi logo apontado como uma armação para atingir o vice-governador, tendo Danilo Castro sido acusado de participar do suposto conluio, suspeita que ganhou força porque ele não conseguiu explicar como o vazamento foi possível.

O fato é que o simples lançamento de Eduardo Nicolau para disputar o comando do Ministério Público foi suficiente para indicar que, por conta da força das correntes que ali atual, a sucessão do comando da instituição se torna imprevisível.

Eliziane atua para ganhar o apoio da militância petista na sua corrida à reeleição

Avalizada por Lula da Silva,
Eliziane Gama busca o apoio da militância do PT

Convidada pelo presidente Lula da Silva para ingressar no PT, fazendo questão de abonar sua ficha, a senadora Eliziane Gama tem agora um longo e desafiador trabalho pela frente: mobilizar a militância petista em torno da sua candidatura à reeleição.

Inicialmente, tudo indicava que o PT não lançaria candidato ao Senado no Maranhão. Se a aliança fosse mantida e o vice-governador fosse candidato a governador, como o partido acreditava antes do racha, o caminho os petistas provavelmente pulverizariam sua força apoiando o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-ministro André Fufuca (PP). Filiada ao PSD, Eliziane Gama seguiria o mesmo rumo de ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, pré-candidato do PSD ao Governo, mas ela foi tratada com silêncio por ele e com hostilidade pelo seu irmão, o deputado Fernando Braide (PSB).

De volta ao PT depois de muitos anos, a senadora Eliziane Gama começa a trabalhar para ganhar o apoio da militância, certa de que seu nome ganha reforça dentro do partido. Com o aval de Lula da Silva, sua candidatura à reeleição deve se consolidar e se transformar numa prioridade petista no Maranhão.

Com esse suporte, Eliziane Gama avalia que terá cacife para brigar, de fato, por uma das cadeiras, podendo permanecer por mais oito anos na Câmara Alta.

São Luís, 15 de Abril de 2026.

Braide, Orleans, Bonfim e Enilton avançam em pré-campanhas aos Leões e aguardam definição de Camarão

Eduardo Braide, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Enilton Rodrigues
em pré-campanha e aguardando a definição de Felipe Camarão

Ainda que o quadro esteja incompleto com a indefinição do PT em relação ao futuro do vice-governador Felipe Camarão, e o PSTU preparando o lançamento do seu nome, a corrida ao Palácio dos Leões já em pleno movimento, com os pré-candidatos Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Lahesio Bonfim (Novo) e Enilton Rodrigues (PSOL). Os movimentos iniciais indicam que a disputa será dura, principalmente entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, que terão, cada um no seu campo, de defender das investidas de Lahesio Bonfim, que já começa a dar sinais de que pretende ser a palmatória verbal desse grande teste eleitoral. A semana que passou sinalizou nessa direção, com Eduardo Braide incursionando no interior, Orleans Brandão investindo forte na Capital e Lahesio Bonfim correndo municípios e disparando vídeos na direção dos dois.

A semana foi marcada pela estreia do agora ex-prefeito Eduardo Braide no interior, atravessando mais do que o Estreito dos Mosquitos, mas cortando todo o estado para dar a largada em Imperatriz, a 626 km de São Luís, onde escolheu sua vice, Elaine Cortez (PSD), formando chapa “puro sangue”. Dali foi para Balsas, Açailândia e Campestre. Retornou a São Luís anunciando agenda em Timon e outros municípios na próxima semana. O entorno de Eduardo Braide comemorou a estreia dele na corrida, reforçando uma perspectiva de vitória nas urnas, mas com a preocupação moderada de evitar o já ganhou a seis meses das eleições. O pré-candidato do PSD continua liderando as preferências, segundo as mais de 40 pesquisas divulgadas até agora.

Depois de percorrer o estado como secretário de Assuntos Municipalistas, oportunidade que transformou em argumento de pré-campanha, Orleans Brandão fez o contraponto: investiu pesado em São Luís, buscando aproximar-se do eleitorado da Capital, que é independente e tende a apoiar massivamente o ex-prefeito. Avançou na Ilha visitando São José de Ribamar, num processo que o levará até a Raposa, segundo fonte a ele ligada. Na avaliação de aliados, o emedebista tem de melhorar o seu potencial eleitoral na região metropolitana de São Luís. Nos bastidores governistas, Orleans Brandão estaria pensando na escolha de um vice da Capital.

Lahesio Bonfim começou sua marcha do interior para a Capital. No bojo da sua pré-campanha No momento, ele centra sua pré-campanha divulgando vídeos provocadores nas redes sociais, sendo o mais recente uma provocação claramente dirigida ao prefeito Eduardo Braide, com quem tenta se medir como prefeito de São Pedro dos Crentes. Apontado pelas pesquisas como terceiro colocado, o pré-candidato do Novo tenta desgastar o pré-candidato do PSD, mesmo sabendo que para chegar a ele tem pela frente o pré-candidato do MDB, que vem se consolidando como o adversário de Eduardo Braide no que parece ser uma tendência de polarização da disputa.

Enilton Rodrigues foi escolhido candidato a governador depois que o PSOL desistiu de fazer uma federação com o PT no plano nacional, que empacou por causa da situação em São Paulo. Se a aliança tivesse sido firmada, o braço maranhense do PSOL seguiria o rumo que fosse definido, podendo apoiar Felipe Camarão ou até mesmo Orleans Brandão. O fracasso da tentativa de firmas a aliança levou o PSOL maranhense a optar pela candidatura própria.   

Eduardo Braide, Orleans Brandão, Lahesio Bonfim e Enilton Rodrigues acompanham os movimentos do vice-governador Felipe Camarão, que aguarda definição do PT e do presidente Lula da Silva em relação ao seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões. A equação é complexa porque parte PT maranhense permanece inclinado a manter alinhamento com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da candidatura de Orleans Brandão, enquanto o próprio Felipe Camarão tem falado na possibilidade de ele e o chamado grupo dinista, concentrado no PSB, alinhavarem um acordo eleitoral com Eduardo Braide. Uma definição pode sair a qualquer momento.

PONTO & CONTRAONTO

Brandão mantém rotina intensa com expedientes nos Leões, inaugurações e conversas políticas

Ao lado do prefeito de Alcântara Nivaldo Araújo (óculos)
e entre políticos da Baixada, Carlos Brandão comanda
a carreata de 80 km que reinaugurou a MA-106

Em meio aos primeiros movimentos da pré-campanha à sua sucessão, à repercussão da sua decisão de permanecer no cargo abrindo mão de disputar o Senado, e ainda aos rumores já batidos sobre o seu possível afastamento, o governador Carlos Brandão (sem partido) tem mantido inalterada a sua intensa rotina de trabalho. Ao longo das semanas, ele tem dividido o seu tempo entre despachos com secretários e audiências no Palácio dos Leões e viagens ao interior para inaugurar e ainda lançar obras. No plano político, o governador tem atuado para consolidar a aliança governista em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB).

No sábado, acompanhado de líderes políticos da região, o governador liderou uma animada festa de entrega na Baixada Ocidental, que consistiu numa carreata de 80 quilômetros para reinaugurar a MA-106, que liga o Terminal Hidroviário do Cujupe, no município de Alcântara, ao município de Pinheiro. Construída no Governo de Epitácio Cafeteira, nos anos 80 do século passado, foi reconstruída, com nova camada de asfalto, meio-fio e sinalização. Sua requalificação consolida a sua condição de braço rodoviários essencial para a integração da Baixada Ocidental ao resto do mundo, a começar por São Luís.

No momento, o governador Carlos Brandão está promovendo os ajustes na sua equipe, por causa da saída de quase duas dezenas de auxiliares que deixaram seus cargos para participar das eleições, entre eles Orleans Brandão, que ocupava o cargo de secretário de Assuntos Municipalistas, tendo sido uma espécie de braço direito do chefe do Poder Executivo.

No campo político, o mandatário maranhense tem se dedica muito do seu tempo a articulações para consolidar a aliança partidária. No momento, por exemplo, ele se movimenta para atrair o PT para a base governista em torno da pré-candidatura de Orleans Brandão, bem como acertar os ponteiros em relação à disputa para o Senado.   

Vice-governador aguarda decisão política e medida judicial que podem definir o seu futuro

Felipe Camarão diz que está
sendo vítima de uma armação

Os próximos dias serão complicados e decisivos para o vice-governador Felipe Camarão nos campos político e judicial. No primeiro ele deve intensificar as articulações para ser o candidato do PT ao Governo do Estado, e no segundo, inicia guerra na Justiça contra a CPI da Assembleia Legislativa criada para investigar denúncia do Ministério Público sobre supostas movimentações financeiras atípicas.

Em relação à posição do PT sobre o seu futuro político, Felipe Camarão mantém o seu projeto de candidatura ao Palácio dos Leões, invocando a sua condição de “candidato natural”. O problema é que o PT do Maranhão continua dividido, com parte expressiva inclinada por uma aliança com Orleans Brandão (MDB) e outra alinhada ao vice-governador.

Felipe Camarão tem até aqui o aval do comando nacional do PT, que vem dando sinais de que não quer a aliança com o MDB, e o próprio presidente Lula da Silva, que não quer que o racha Dino/Brandão o alcance, mas está inclinado a apoiar a decisão do partido em relação a Felipe Camarão, que pode vir a ser candidato a governador ou a senador, ou ainda a deputado federal. Ou poderá cumprir seu mandato até o final e voltar ao seu posto de procurador federal no Maranhão.

No que diz respeito à CPI, cujos membros já foram nomeados pela Mesa Diretoras da Assembleia Legislativa com base nas indicação dos blocos parlamentares, com ampla maioria de deputados adversários e que será instalada na próxima terça-feira (14), o foco do vice-governador agora é suspende-la na Justiça, e para tanto já bateu às portas do Tribunal de Justiça com um mandado de segurança. Há menos de duas semanas, ele obteve do Tribunal Superior de Justiça medida liminar para suspender a tramitação no Tribunal de Justiça da ação na qual o procurador geral de Justiça, Danilo Castro pede o seu afastamento do posto de vice-governador. Felipe Camarão nega a acusação e aponta o PGJ como parte de uma trama para ataca-lo.

Ou seja, serão dias intensos, com desdobramentos imprevisíveis.

São Luís, 12 de Abril de 2026.

Extinção da bancada do Podemos em São Luís arranha a posição de Fábio Macedo no partido

Fábio Macedo – entre Fábio Filho, Wendell
Martins e Raimundo Júnior – pode ter posição
fragilizada no Podemos; embaixo: Matheus
do Beiju, Severino Sales e Josélia Rodrigues
a caminho da Câmara de São Luís

A cassação dos vereadores Fábio Macedo Filho, Wendel Martins e Raimundo Júnior, do Podemos, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA), na última quinta-feira, além de abrir três vagas na Câmara Municipal de São Luís, teve efeito bombástico no braço maranhense do partido, atingindo fortemente o seu presidente regional, deputado federal Fábio Macedo. Os cassados ainda têm o direito de recorrer ao próprio TRE, e se não obtiverem sucesso, poderão buscar uma tábua de salvação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E pelo anunciou ontem o vereador Fábio Macedo Filho, orientado pelo pai, o Podemos tentará reverter a decisão, que, vale informar, cassou toda a chapa de candidatos do Podemos à Câmara Municipal de São Luís na eleição de 2024.

A cassação dos vereadores do Podemos na Câmara de São Luís teve como fundamento uma denúncia, confirmada, de que a direção do partido enxertou na relação de candidatos a vereador algumas candidaturas femininas, que na verdade não teriam interesse algum na disputa. Seriam “laranjas”, o que é crime eleitoral gravíssimo e que já derrubou uma penca de mandatos em muitas cidades em diferentes regiões do País. No entendimento da Justiça Eleitoral, essas pessoas figuraram na lista de candidatos sem serem, na verdade, candidatas.

Se a cassação for confirmada – o que é o mais provável pelo fato de sido uma decisão unânime do TRE-MA, Fábio Macedo Filho, Wendell Martins e Raimundo Júnior terão de limpar as gavetas e deixar o Palácio Pedro Neiva de Santana. A decisão não tem, ainda, efeito suspensivo, os vereadores recorrerão ao TRE exercendo o mandato. Se perderam terão de ir para casa, abrindo caminho para a posse dos suplentes Josélia Rodrigues (Democracia Cristã), Matheus do Beiju (PL) e Severino Sales (PSD), que ganharão mais de dois anos de mandato. Nesse caso, o plenário da Câmara Municipal de São Luís ganhará uma nova configuração.

A palavra final da Justiça Eleitoral, que pode ser a do TRE-MA rejeitando eventual recurso e confirmando a cassação. Nesse caso, os cassados terão o direito de recorrer ao TSE, mas agora sem mandato, portanto fora da Câmara Municipal. No âmbito da especulação com base em avaliação de quem entende do riscado, o TRE dificilmente derrubará uma decisão unânime tomada por ele próprio. E de acordo com a tradição, o TSE não costuma desfazer uma decisão unânime do TER com base na sentença de um juiz de base, como foi o caso.

Se confirmada, a provável extinção da bancada do Podemos na Câmara Municipal de São Luís será, se confirmada, uma pancada sem medida na posição do deputado federal Fábio Macedo, o seu presidente no Maranhão, a começar pelo fato de que um dos cassados. Fábio Macedo Júnior, é seu filho, que pode ter sua carreira interrompida pelo que há de pior e mais grave na política além da compra de votos. E a suspeita recai exatamente sobre o parlamentar, que poderá enfrentar problemas com a cúpula nacional do partido.

Começa com o fato de que, ao contrário de outros partidos, como o PP e o Republicanos, MDB e PSD, por exemplo, o Podemos teve um desempenho fraco nas articulações para atrair filiados de peso na fase da janela partidária. Entre os nomes que atraiu, o presidente Fábio Macedo exibiu a filiação do ex-deputado Ricardo Murad, que não é o político poderoso de outros tempos, como uma grande conquista para o partido. Tudo indica que o seu objetivo foi montar um partido para atender ao seu projeto de reeleição.

Em Tempo: se a queda da bancada do Podemos na Câmara Municipal de São Luís for confirmada, como está previsto, uma ascensão justa será a do suplente Severino Sales, que há muito vem batalhando para ocupar um lugar na política da Capital

PONTO & CONTRAPONTO

Esmênia fará mudanças na equipe, mas deve manter Azzolini na Fazenda e Cirineu na Seplan

Esmênia Miranda deve manter
Jesus Azzolini e Simão Cirineu,
que somam experiência e eficiência

A prefeita Esmênia Miranda (PSD) começa a fazer os ajustes naturais na equipe que vai comandar pelos próximos dois anos e nove meses. Mas de acordo com uma fonte com trânsito no Palácio de la Ravardière, dificilmente ela mudará o comando de duas pastas: Fazenda e Planejamento.

Sob o comando de Jesus Azzolini, a Secretaria de Fazenda foi fundamental para dar à gestão Eduardo Braide a estabilidade financeira que alcançou e permitiu que o prefeito realizasse uma programação de obras de grande envergadura. Conhecedor profundo da estrutura tributária do Maranhão, Jesus Azzolini conseguiu dinamizar a máquina arrecadadora da Prefeitura de São Luís.

Já a Secretaria de Planejamento, comandada por Simão Cirineu Dias foi o ponto-chave do equilíbrio fiscal da Prefeitura da Capital. Com a experiência de planejamento nas searas da União e de estados como Minas Gerais e Maranhão, Simão Cirineu deu à gestão de Eduardo Braide um planejamento correto de gastos. A bolada de R$ 1,6 bilhão em obras anunciadas pelo prefeito antes da renúncia foi o resultado o planejamento comandado por Simão Cirineu.

Vale lembrar que foi exatamente a dupla que tirou o Governo de José Reinaldo Tavares do buraco financeiro e do desequilíbrio fiscal, permitindo que o então governador entregasse ao seu sucessor, Jackson Lago, um estado com equilíbrio fiscal, que traduzindo significa não poder gastar mais do que se arrecada.

Escolhido relator, Weverton defenderá a indicação de Jorge Messias para o Supremo

Weverton Rocha: relator
escolhido por Davi Alcolumbre

O senador Weverton Rocha (PDT) foi escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), para ser o relator da indicação, pelo presidente Lula da Silva (PT), do advogado geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), aberta há seis meses com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.

A escolha do senador pedetista chama a atenção pelo fato de ter sido exatamente ele o escolhido para relatar a indicação do então senador Flávio Dino (PSB), que assumiu a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski.

A exemplo do que aconteceu em relação a Flávio Dino, que teria sido apanhado de surpresa, o relatório do senador Weverton Rocha será plenamente favorável à indicação do advogado geral da União. E será, como da vez passada.

Não se nega que o relator tem papel institucionalmente importante. Mas em caso indicação para vaga no Supremo Tribunal Federal, o relatório perde peso à medida que nenhum senador o lerá com interesse profundo para definir se votará a favor ou contra.

Nesse caso, o que vale mesmo são as articulações que o próprio indicado faz para conseguir os 41 votos necessários para garantir a vaga. Isso porque escolha de ministro é uma decisão política, principalmente quando se tem uma oposição forte como é a atual na Câmara Alta.

Nos bastidores do Congresso Nacional corre que se a indicação fosse votada agora, com o voto a favor ou contrário do relator, Jorge Messias seria aprovado com mais de 50 votos. Vale lembrar que a oposição bolsonarista fez de tudo para derrotar a indicação de Flávio Dino, mas ele venceu por 47 votos em dezembro de 2023.

São Luís, 11 de Abril de 2026.

Enquanto Braide abre pré-campanha em Imperatriz e Balsas, Orleans se move para ampliar espaço na Ilha

Enquanto Eduardo Braide escolhia sua vice, Elaine Cortez,
em Imperatriz, Orleans Brandão incursionava em
bairros de São Luís, como o Bairro de Fátima

A fase prévia da corrida ao Palácio dos Leões pelo menos até aqui, está sendo um embate entre o ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide, pré-candidato do PSD, e o ex-secretário estadual de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, pré-candidato do MDB. Não se trata de um confronto verbal, de um “bateu, levou” ácido, mas de um jogo de estratégia de caráter geopolítico com propósito eleitoral. Enquanto Eduardo Braide decidiu dar a largada da sua pré-campanha em Imperatriz, por muitos vista como uma base política governista, Orleans Brandão vem fazendo uma espécie de contrapeso deflagrando uma agenda intensa exatamente na região metropolitana de São Luís, que é a principal base de Eduardo Braide, começando com uma visita ao populoso e politizado Bairro de Fátima.

Eduardo Braide avaliou com precisão que Imperatriz e a Região Tocantina receberam atenção forte do Governo Carlos Brandão e que, como secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão semeou ali sementes eleitorais, além de contar com o apoio declarado do prefeito Rildo Amaral (PP). E essa foi uma das razões que o levaram a escolher a empresária tocantina Elaine Cortez (PSD) como vice, firmando de cara uma aliança com uma banda expressiva do empresariado, que tem muito pelo na região, onde tem também o apoio de Maria Carvalho, uma liderança emergente na seara da direita.

O fato de seguir dali para Balsas confirmou essa estratégia. Ali, onde o prefeito Alan da Marisol (PRD) declarou apoio ao pré-candidato do MDB, o ex-prefeito de São Luís foi recepcionado e ciceroneado pelo ex-prefeito Eric Silva, uma liderança forte de centro-esquerda, que deixou o PDT e migrou para o PSD, junto com a esposa, a deputada Viviane Silva, que também migrou para o PSD. As imagens divulgadas da reunião de Eduardo Braide e seus apoiadores na Câmara Municipal de Balsas indicam uma aliança que pode produzir expressivos resultados eleitorais.

Em São Luís, Orleans Brandão iniciou uma grande movimentação com o objetivo de se aproximar da massa eleitoral concentrada nos grandes bairros, onde é sabido que Eduardo Braide tem bases sólidas, como indicaram todas as suas eleições e pesquisas que investigaram as tendências do eleitorado da Capital. Ele começou no Bairro de Fátima, levado pelo vereador Beto Castro (Avante), seu aliado de primeira hora. Entre outros compromissos, Orleans Brandão esteve em São José de Ribamar, onde também é forte a presença política do ex-prefeito de São Luís. Por onde passou até ontem, o pré-candidato do MDB exibiu sorriso de satisfação.

Durante a semana, Orleans Brandão concedeu duas entrevistas, uma à TV Difusora, onde reafirmou do seu projeto de candidatura, se mostrou otimista com o resultado das urnas, e outra ao podcast NuBlog, do blogueiro Marcelo Vieira, na qual também se mostrou confiante.

O fato é que, a julgar pelas informações colhidas de diferentes fontes, Eduardo Braide se mostrou entusiasmado com sua incursão de pré-campanha nos epicentros das regiões Tocantina e Sul, onde pretende disputar com o emedebista. Por sua vez, com o material que divulgou, Orleans Brandão causou a impressão de que está confiante de que pode disputar a eleição em São Luís. A semana dos dois pré-candidatos reforçou a tendência de polarização. Eduardo Braide vem dando todas as indicações de que vai para a briga no voto a voto em todos os rincões embalado pelo favoritismo mostrado até aqui pelas pesquisas, enquanto Orleans Brandão e seu grupo parecem determinados a mudar esse cenário.

Nesse contexto, vale a informação de que Lahesio Bonfim, pré-candidato do Novo, está se organizando para tentar salvar o seu capital eleitoral em Imperatriz, onde foi o mais votado em 2022, pretendendo também investir em São Luís. Valem também rumores de que o vice-governador Felipe Camarão pode ser lançado candidato pelo PT. São Luís pode esquentar ainda mais.

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia nomeia membros de CPI que investigará denúncia do PGJ contra o vice-governador

Felipe Camarão:
alvo de CPI na AL

A Assembleia Legislativa definiu ontem a composição da CPI que terá com o alvo o vice-governador Felipe Camarão por conta de uma ação na qual o Procurador Geral de Justiça, Danilo Castro, pede o seu afastamento por suposta movimentação financeira atípica e suspeita. A CPI foi proposta pelo deputado Yglésio Moises (PRD), que obteve o número necessários de assinaturas para abrir a investigação.

A nomeação dos integrantes foi anunciada em sessão comandada pela presidente Iracema Vale (MDB). Os integrantes são os deputados Yglésio Moises, Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno e Adelmo Soares pelo Bloco Unidos Pelo Maranhão, o deputado Aluísio Santos pelo Bloco Liberal Democrático (PL/PRD) e o deputado Rodrigo Lago pelo Bloco Parlamento Forte. A maioria é formada por adversários políticos do vice-governador, que são maioria na Casa.

Aliado de Felipe Camarão, o deputado Rodrigo Lago, que é advogado experiente, apresentou requerimento à Mesa Diretora pedindo a suspensão do processo de instalação, mas sua reivindicação não foi acatada.

A CPI foi instalada uma semana depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a suspensão do julgamento da ação pelo Tribunal de Justiça, sob a alegação, feita pela defesa do vice-governador, que a ação estaria contaminada por vícios, o que a tornaria ilegal.

O vice-governador Felipe Camarão nega peremptoriamente as acusações do PGJ Danilo Castro, que foi acusado pelo acusado e seus aliados de estar participando de “uma armação” destinada a inviabilizar a candidatura dele ao Governo do Estado. O PGJ Danilo Castro já se defendeu em nota reafirmando o conteúdo da ação.

André Fufuca tem dito que seu projeto de disputar o Senado está consolidado

André Fufuca confirma projeto senatorial
com aval de Lula da Silva

 O ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) tem dito a interlocutores que não vai forçar a barra para ser o outro candidato da aliança governista ao Senado. Por uma razão simples: além da federação União Progressista, fruto da relação do seu partido, o PP, com o União Brasil, tem espaço na montagem da chapa que será liderada por Orleans Brandão (MDB), e depois, ele é o nome mais forte e mais estruturado entre os nomes da aliança.

André Fufuca tem trabalhado diuturnamente para consolidar o seu projeto senatorial, ampliando a cada dia o leque de aliança com deputados, prefeitos e vereadores. Essa base lhe dá um cacife eleitoral nada desprezível, e é o resultado de mais de dois anos de investimentos políticos. Além disso, tem um lastro de realizações como ministro do Esporte para mostrar nas mais diversas regiões do estado, trabalho que continua como seu sucessor no Ministério do Esporte, o maranhense Paulo Henrique Cordeiro.

Além do suporte político e partidário, André Fufuca tem a seu favor uma série de fatores que pesam nessa definição. Começa com o aval do presidente Lula da Silva (PT), que tem dito e repetido que “o André Fufuca será um bom senador”. Em todas as conversas que teve com o presidente, o ex-ministro ouviu palavras de incentivo.

Em resumo: quem aposta contra o projeto do ex-ministro do Esporte pode estar jogando dinheiro fora. São Luís, 10 de Abril de 2026.

PDT maranhense fica sem bancadas federal e estadual; só Weverton representa o partido nos dois planos

Weverton Rocha é o único pedetista
maranhense detentor de mandato
nos planos federal e estadual

Ao mesmo tempo em que vem se mantendo na crista do processo pré-eleitoral como nome forte pleiteando a reeleição para o Senado, o senador Weverton Rocha recebeu uma pancada política ao ver o seu partido ter suas representações extintas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. A pancada maior foi a saída do deputado federal Márcio Honaiser, e a pá de cal veio com a migração do deputado Glaubert Cutrim, que deixou o PDT, seguindo os passos dos deputados Osmar Filho, Viviane Silva e Cláudia Coutinho, que abandonaram o partido buscaram abrigo em outras legendas. Com a revoada, o PDT praticamente encerra um ciclo como partido estadual, à medida que, além do senador, tem alguns prefeitos e vereadores, sendo que um deles, Raimundo Penha, é o único representante do partido na Câmara Municipal de São Luís, e nada mais.

Nessa ciranda de perdas, o PDT viu o deputado Osmar Filho largar o brizolismo e migrar para o Podemos, a deputada Viviane Silva trocou o PDT pelo PSD, e os deputados Glaubert Cutrim e Claudia Coutinho migraram para o MDB. Todos deixaram o partido para tentar sobreviver em outras legendas. Ao anunciar sua mudança, o deputado Glaubert Cutrim declarou: “Agora é oficial. Sou pré-candidato à reeleição para o meu quarto mandato pelo MDB. Partido grande, forte, que tem grande representatividade na política do Maranhão”. Ou seja saiu de um partido enfraquecido que quase não mais representa a política do Maranhão.

É uma situação dramática para um partido que já teve estatura de gigante na política estadual, com pleno domínio na cena política de São Luís por duas décadas, tendo se transformado numa potência quanto teve Jackson Lago na Prefeitura por dois mandatos alternados, e Tadeu Palácio por dois mandatos consecutivos. Nos dois casos, o PDT atuou com fortes representações no parlamento municipal, assim como vários deputados estaduais e federais, entre eles Neiva Moreira, um dos gigantes da política maranhense. Depois, em 2006, quando Jackson Lago chegou ao poder estadual, o partido inflou mais ainda, com forte bancada estadual.

A derrocada do PDT começou depois que seu fundador, Jackson Lago, morreu, em 4 de abril de 2011, quando o suplente de deputado federal Weverton Rocha assumiu o controle do partido, tendo seu poder consolidado dois meses depois, no dia 4 de junho de 2011, com a morte do deputado federal Luciano Moreira (MDB) num acidente automobilístico na rodovia que liga São Luís a Barreirinhas. Weverton Rocha ganhou a titularidade, se reelegeu deputado federal em 2014 e se tornou senador em 2018 como presidente regional do PDT, juntamente com a senadora Eliziane Gama, então no PPS. Os últimos feitos do PDT foi reeleger Edivaldo Holanda Jr. prefeito de São Luís em 2016, com uma bancada modesta de vereadores, e eleger um deputado federal e quatro deputados estaduais nas eleições de 2022 – Weverton Rocha disputou o Governo do Estado e ficou em terceiro lugar numa disputa em que o governador Carlos Brandão, então no PSB, se reelegeu no primeiro turno.

De lá para cá, o PDT conseguiu eleger o próprio Weverton Rocha senador em 2018, mergulhando após isso num processo de emagrecimento que agora chega ao raquitismo. A debandada dos deputados estaduais e federal é vista por muitos como o resultado do comando do senador Weverton Rocha, acusado de concentrar poder e investir na sua própria carreira – que incluiu uma derrota amarga para o Governo do Estado em 2022, tendo sobrevivido com as quatro cadeiras que ganhou na Assembleia Legislativa.

Escolhido como um dos dois candidatos da aliança governista que tem como eixo central a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões, o senador Weverton Rocha conseguiu algumas filiações novas, mas terá dificuldades para montar uma chapa de candidatos a deputado federal e a deputado estadual.   

PONTO & CONTRAPONTO

Braide chega a Balsas, recebe apoio de ex-prefeito e deputada faz reunião na Câmara Municipal

Eduardo Braide, atrás, é
recebido em Balsas por
Eric Silva e Viviane Silva

Eduardo Braide (PSD), pré-candidato a governador, desembarcou ontem Balsas, onde foi recebido pelo ex-prefeito Eric Silva (PSD), pré-candidato a deputado federal, e pela deputada Viviane Silva (PSD), pré-candidata à reeleição. Logo no desembarque, o ex-prefeito de São Luís gravou mensagem aos balsenses convidando para uma reunião, no início da noite, na Câmara Municipal de Balsas.

Politicamente, o prefeito de Balsas, Alan da Marisol (PRD), ligado ao grupo liderado pelo governador Carlos Brandão e que apoia a Orleans Brandão (MDB), assim como a deputada Andreia Rezende (MDB). Eduardo Braide foi buscar o apoio do ex-prefeito Eric Silva, que governou Balsas por dois mandatos e se tornou uma liderança de peso no município e na região.

Vale lembrar que o então prefeito de São Luís surpreendeu o meio político ao desembarcar em Balsas em maio do ano passado para participar do Agrobalsas. Ali, ao ser indagado por blogueiros da região sobre se seria candidato ao Governo, Eduardo Braide desconversou dizendo que tinha ido conhecer a exposição e encontrar amigos.

Ainda em Imperatriz, pouco antes de embarcar para Balsas, Eduardo Braide se encontrou com Marinaldo do Gesso, principal líder de oposição em Grajaú, com quem acertou sua visita ao município nos próximos dias.

PEC que acaba aposentadoria polpuda para magistrado criminoso avança no Senado e mudança pode alcançar suspeitos no MA

Eliziane Gama relatou PEC que Flávio Dino
apresentou quando era senador

A PEC 3/2024, apresentada pelo então senador Flávio Dino (PSB), atual ministro do Supremo Tribunal federal, de extinguir o uso da aposentadoria compulsória para punir magistrados e membros do Ministério Público em caso de infração disciplinar, foi acatada ontem pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A senadora Eliziane Gama foi a relatora.

Com relação à proposta essencial, que é a punição de magistrado infrator, que se condenado será expulso da magistratura sem direito a nada, como ocorre com todas as demais categorias do serviço público, com exceção dos militares, que têm um regime diferenciado e mantêm um benefício parecido, CCJ aprovou integralmente o texto final alinhavado pela relatora Eliziane Gama.

Para chegar ao relatório definitivo, a senadora Eliziane Gama teve de se desdobrar em articulações para examinar, acatar ou rejeitar diversas propostas, algumas delas “jabutis” inseridos no projeto original apresentado pelo então senador Flávio Dino.

O seu relatório, aprovado integralmente pela CCJ, vai agora ao Plenário, que poderá acata-lo ou rejeita-lo. Mas a julgar pelo clima dominante na Câmara Alta, o projeto – que foi a principal contribuição legislativa do senador Flávio Dino – o projeto será aprovado sem problemas pelos senadores.

Dependendo do tempo em que permanecer no Congresso Nacional, a nova regra poderá alcançar magistrados maranhenses recém denunciados de cometer crimes graves, como o principal deles, a venda de sentenças.

Se forem condenados, em vez de serem mandatos para casa com polpudas aposentadorias, os desembargadores Guerreiro Júnior, Nelma Sarney, Luiz Gonzaga Filho, Marcelino Weverton e vários juízes, todos os suspeitos de malfeitos, serão banidos do Poder Judiciário sem direito a nada.

São Luís, 09 de Abril de 2026.

Braide abre pré-campanha em Imperatriz e sai na frente escolhendo empresária tocantina como vice

Elaine Cortez é anunciada vice
por Eduardo Braide em Imperatriz

Eduardo Braide (PSD) confirmou sua estratégia política e eleitoral que o levou à Prefeitura de São Luís em 2020: não perdeu tempo com articulações políticas e partidárias para a escolha do vice e preencheu a vaga ontem com Elaine Carneiro Cortez (PSD), empresária de Imperatriz, formando chapa “puro sangue” no seu primeiro movimento de pré-campanha. Ao contrário do que andaram ventilando, ninguém teve influência maior na sua escolha, que foi feita com base numa cuidadosa avaliação e numa campanha da Associação Comercial de Imperatriz (ACI) para que o vice fosse da Região Tocantina, de preferência da cidade. Ele avaliou vários nomes nas searas política e religiosa, entendeu que um quadro do meio empresarial representaria bem a Princesa do Tocantins e a região na corrida ao Palácio dos Leões.

Ainda é cedo para uma avaliação mais abrangente do que significa essa escolha no campo político e, principalmente, na seara eleitoral. Mas já é possível formular a conclusão de que o candidato do PSD chegou à conclusão de que o campo político e partidário tocantino está fortemente minado pela presença dos pré-candidatos do MDB, Orleans Brandão, e do Novo, Lahesio Bonfim – que, vale lembrar, foi o mais votado ali em 2022. Assim, preferiu buscar o suporte da classe empresarial, atendendo ao apelo da ACI. Não há como negar que Imperatriz é o maior empório econômico do M aranhão depois de São Luís, com influência direta em relação a pelo menos 20 municípios, e onde o empresariado tem peso político.

É esse mosaico que Elaine Cortez, empresária que dirige uma rede de lojas de pneus, mas também com atuação na política corporativa, vai representar na corrida que o ex-prefeito de São Luís inicia na direção do Palácio dos Leões. E pelo entusiasmo que demonstrou ao fazer o anúncio, ao lado de líderes empresariais. Eduardo Braide deu clara demonstração de que sabia exatamente o que estava fazendo. Primeiro reduzindo drasticamente a possibilidade de outro candidato buscar seu vice em Imperatriz, e depois, amenizou o fato de o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), manter aliança estreita com o governador Carlos Brandão (sem partido) e apoia declaradamente o pré-candidato do MDB.

Sem conseguir ser a capital do Maranhão do Sul, um estado cuja criação ainda adormece no Congresso Nacional, Imperatriz vem tendo participação forte e grande influência nas disputas pelo Governo do Estado. Em 1990, Edison Lobão foi eleito formando chapa com o ex-prefeito de Imperatriz Ribamar Fiquene; em 2006, Jackson Lago se elegeu tendo como vice o pastor Porto; na eleição de 2018, Roseana Sarney concorreu tendo como candidato o empresário Ribinha Cunha. A escolha de Elaine Cortez para vice de Eduardo Braide, segue, portanto, uma linha de pragmatismo que enxerga Imperatriz com peso às vezes decisivo.

Em meio aos ecos da movimentação de Eduardo Braide em Imperatriz, iniciando sua pré-campanha e anunciando sua vice, correu o rumor de que o pré-candidato do MDB, Orleans Brandão, poderá fazer o contrapeso e escolher um vice de São Luís, onde, segundo as pesquisas, o favoritismo do ex-prefeito é muito forte. O pré-candidato do MDB também iniciou uma maratona de visitas a grandes bairros da Capital, como fez na noite de segunda-feira no Bairro de Fátima, onde recebeu o apoio do vereador Beto Castro (Avante). Outro rumor deu conta de que o pré-candidato do Novo, Lahesio Bonfim, também estaria a caminho de São Luís, onde foi o segundo mais votado em 2022.

O movimento protagonizado ontem por Eduardo Braide, de iniciar sua pré-campanha pela Região Tocantina, escolhendo logo uma vice de lá, terá continuidade hoje em Balsas, se reunirá com líderes políticos e empresariais. Ali ele conta com o apoio da deputada estadual Viviane Silva, que juntamente com o marido, o ex-prefeito Eric Silva, trocou o PDT pelo PSD, uma vez que o prefeito Alan da Marisol (PRD) é alinhado ao governador Carlos Brandão e apoia a pré-candidatura de Orleans Brandão.     

PONTO & CONTRAPONTO

Ao confirmar Weverton e indicar que Fufuca deve ser o outro nome, Orleans define nomes para o Senado

Orleans Brandão crava Weverton Rocha e prevê
André Fufuca como candidatos ao Senado

O pré-candidato do MDB a governador, Orleans Brandão, bateu martelo afirmando que o senador Weverton Rocha (PDT), será um dos candidatos ao Senado pela aliança governista, por ele comandada. Na mesma entrevista, concedida à TV Difusora na noite de segunda-feira, ele sinalizou que a tendência do grupo deve ser apoiar o ex-ministro do Esporte, deputado federal André Fufuca (PP), para a outro vaga. No segundo caso, Orleans Brandão revelou que ainda estão acontecendo conversas com os partidos, mas que, pelo andar da carruagem, o outro candidato tende mesmo a ser o ex-ministro.

Com as informações dadas à TV Difusora, Orleans Brandão pareceu sinalizar, com a autoridade de presidente do MDB, que o partido não terá candidato ao Senado, o que leva à conclusão de que a deputada federal Roseana Sarney e a deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale, nomes cotados para disputar a vaga, não serão candidatas ao Senado.

Se esse quadro for confirmado, só restará três caminho à presidente Iracema Vale: ser candidata à reeleição, o que parece descartado, disputar uma cadeira na Câmara Federal, e, finalmente, ser candidata à vice na chapa de Orleans Brandão, o que, segundo rumores, não seria um projeto da sua simpatia. Mass Iracema tem dito com toda firmeza, que é uma política de grupo, devendo encontrar um caminho negociado com o governador Carlos Brandão e com o próprio pré-candidato Orleans Brandão.

Por sua vez, a deputada federal Roseana Sarney ainda está examinando o contexto, mas tende a optar pela renovação do mandato.

Com essa quase definição em relação à segunda vaga no Senado, Orleans Brandão deu a entender que deixou uma espécie de “janela” aberta para negociações, de modo a que todas as decisões sejam consensuais.

PT avalia lançar Camarão, se aliar a Orleans ou apoiar Braide

Felipe Camarão, Orleans Brandão e Eduardo
Braide são opções em exame pelo PT

Não é ameno o clima dentro do PT em relação à corrida ao Governo do Estado, depois que a cúpula nacional indicou que o caminho pode ser mesmo a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões. As primeiras discussões sobre o tema têm acabado em divergências, uma vez que há vozes que defendem o projeto de Felipe Camarão, outras propondo uma aliança informal com o candidato emedebista Orleans Brandão e ainda as que sugerem apoio a Eduardo Braide (PSD).

Em relação a uma aliança com Eduardo Braide é que o partido dele tem um candidato a presidente da República, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD), e como o principal objetivo do PT é montar um palanque para o presidente Lula da Silva no Maranhão, o projeto parece inviável.

Já no que diz respeito a costurar uma aliança com o governador Carlos Brandão em torno de Orleans Brandão, o problema maior tem dois vieses: o primeiro é o grau de desgaste a que chegou a relação do vice-governador Felipe Camarão com o governador Carlos Brandão, que deixaram de se tratar como adversário e elevaram o tom para inimizade. Além disso, ao mesmo tempo em que há vozes no PT advogando uma aliança em torno de Orleans Brandão, há outras que rejeitam ostensivamente esse caminho.

Finalmente, a candidatura do vice-governador ao Governo começa a ganhar força, já tendo a cúpula nacional tendo batido martelo a favor.

As conversas programadas para os próximos dias dentro do PT indicam que a pauta será afunilada para esse item, valendo lembrar que Felipe Camarão retornou de Brasília empolgado com essa possibilidade.   São Luís, 08 de Abril de 2026.

Sem Brandão, candidatos ao Senado ganham alívio, mas ainda têm Roseana, Iracema e Camarão no campo das possibilidades

Agora sem Carlos Brandão, atenção de Weverton
Rocha, André Fufuca, Eliziane Gama, Roberto
Rocha e Hilton Gonçalo se volta agora para
Roseana Sarney, Iracema Vale e Felipe Camarão

A corrida às duas cadeiras do Maranhão no Senado nas eleições de outubro ganhou novo desenho desde a meia noite do último sábado (4), quando o governador Carlos Brandão (sem partido) confirmou a sua decisão de permanecer no cargo até o final do mandato. Agora, os candidatos assumidos – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP), o ex-senador Roberto Rocha (Novo) e o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Agir) – voltam suas atenções para a deputada federal Roseana Sarney (MDB), para o vice-governador Felipe Camarão (PT) e, principalmente, para a presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (MDB), que se encontram ainda em processo de definição.

A permanência do governador Carlos Brandão no cargo funcionou como um forte sopro de oxigênio entre os candidatos a senador, que torciam por essa decisão, já que o chefe do Poder Executivo, embalado pelos bons resultados do seu Governo, despontava como imbatível para uma das vagas, segundo todas as pesquisas que mediram o poder de fogo dos que estão envolvidos na disputa senatorial. Sem ele, os ares mudaram radicalmente, ainda que outros nomes com muito peso político e eleitoral estão sendo lembrados com insistência para essa corrida.

A deputada federal Roseana Sarney, que nas pesquisas disputa uma das vagas, aparecendo sempre em segundo lugar, posição que disputa com Roberto Rocha, e as vezes com André Fufuca ne Eliziane Gama, não tem um projeto definido para se candidatar ao Senado. A boa situação nas pesquisas nesse momento não é garantia de eleição. Se decidir entrar na disputa, ela conta com o aval do MDB e do presidente do partido e pré-candidato a governador Orleans Brandão, do incentivo de amigos e de uma banda da família, que sonha voltar ao poder no Planalto Central. Nesse conjunto de fatores, pesa a sua saúde delicada, que produz naturalmente a recomendação de que ela busque a renovação do bandado de deputada federal, por ser um projeto menos desgastante.

No âmbito do MDB cresce a cada dia o nome Iracema Vale, presidente da Assembleia Legislativa. Hoje nome forte política e eleitoralmente no âmbito do estado, sendo aliada de primeira hora do governador Carlos Brandão e apoiadora proa de Orleans Brandão, Iracema Vale já teria batido martelo sobre não tentar renovar o mandato de deputada estadual e, segundo sussurros que correm nos bastidores, não teria simpatia pela Câmara Federal. Logo, a conclusão óbvia é a de que ela estaria propensa a se lançar candidata ao Senado. Nas rodas de conversa sobre política, seu nome é muito lembrado também para a vaga de candidata a vice numa eventual chapa “puro sangue” do MDB liderada por Orleans Brandão. Mas o fato é que, tudo indica que se o MDB decidir lançar um candidato ao Senado que não seja Roseana Sarney, o seu nome é o mais cotado.

A possibilidade mais remota, mas não descartável neste momento, é a de uma candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Senado. Ele encontra-se em processo definição com o PT sobre qual será o seu caminho nessas eleições, podendo vir a ser candidato a governador, como quer o comando nacional do partido, segundo informação que correu ontem. Mas na mesa de decisões do PT está a candidatura do vice-governador ao Senado, no que resultaria numa dobradinha com a senadora Eliziane Gama, que passou a ter o comando do PT desde que, com o apoio do presidente Lula, ela retornou ao PT. Felipe Camarão poderá, finalmente, vir a ser candidato a deputado federal.

A construção do cenário definitivo da corrida ao senado começará nos próximos dias com a decisão do PT sobre o futuro do vice-governador Felipe Camarão.

Em Tempo: incluído nas pesquisas desde que o presidente do seu partido, Antônio Rueda, numa visita a São Luís o lançou pré-candidato ao Senado, o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) sempre apareceu sem chance de entrar para valer nessa briga. E tudo indica que o seu rumo será mesmo o de buscar a reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Vice: Braide repetirá escolha de Esmênia: ele próprio, sem interferência de aliados

Eduardo Braide: nada de pressão

O candidato do PSD ao Governo do Estado, Eduardo Braide, anunciou para hoje a definição do seu candidato a vice. E já se sabe que será uma mulher e sairá da Região Tocantina, mais especificamente de Imperatriz. Especulações sugerem nomes como a suplente de deputada federal Mariana Carvalho, a pecuarista Érica Lira e a pastora Maria de Jesus. E até o fechamento da Coluna, por volta das 23 horas, ele nada havia acrescentado às duas informações iniciais.

Ao iniciar a sua pré-campanha por Imperatriz e decidir escolher seu vice como representante da Região Tocantina, Eduardo Braide está repetindo a fórmula que usou quando surpreendeu em 2020 quando escolheu a professora e policial militar Esmênia Miranda para vice como candidato a prefeito de São Luís, sem pedir sugestão a ninguém. O fez no início da pré-campanha e de surpresa, evitando que um ou outro aliado tentasse emplacar alguém de fora do seu raio de conhecimento.

No caso da escolha da sua candidata a vice-governadora tocantina, a ser conhecida hoje, o caminho está sendo o mesmo, porque o ex-prefeito de São Luís tem juízo político o suficiente para não escolher um companheiro que lhe venha criar problemas. Esmênia Miranda foi a vice perfeita, cumpriu à risca o seu papel de vice, se preparou para governar e recebeu o prêmio sonhado: dois anos e nove meses de mandato.

E a julgar pela maneira exigente e cuidadosa como faz escolhas e pela firmeza com que toma essas decisões, é difícil o imaginar Eduardo Braide aceitando pressão de aliado com o qual não tem relação mais próxima.

Definição de “nominatas” de partidos para deputado estadual sugere confrontos regionais

Em cima: Rildo Amaral lançou Flamarion Amaral
criando sobra para Antônio Pereira e Sebastião
Madeira; embaixo: Juscelino Rezende e Stênio
Rezende estão por trás do confronto entre
Andreia Rezende e Luanna Rezende

A definição do quadro de filiações partidárias abriu caminho para as montagem de chapas pelas mais diversas legendas para as eleições proporcionais. E nas chamadas “nominatas”, que são o desenho prévio das chapas de aspirantes à Assembleia Legislativa, estão os indícios de embates duros entre alguns candidatos à Assembleia Legislativa.

Um deles será o confronto direto entre a deputada estadual Andreia Rezende (MDB), que busca a reeleição, e a sua “sobrinha”, a ex-prefeita de Vitorino Freire Luanna Bringel Rezende (PT). O embate das duas reflete, na verdade, o conflito entre o ex-deputado estadual Stênio Rezende, que está inelegível há anos, e o sobrinho dele, deputado federal e ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho (PSDB), que disputam o legado político da família na região. Andreia Rezende apoia Orleans Brandão e Luanna Bringel Rezende apoiará a indicação do PT.

Uma guerra surda está sendo travada na cúpula da Prefeitura de Imperatriz desde que o prefeito Rildo Amaral (PP) desfez acordos sobre apoio a pré-candidatos à Assembleia Legislativa para concentrar a sua força política e eleitoral na candidatura do irmão, Flamarion Amaral, que se filiou ao PT. Ao se eleger prefeito, Rildo Amaral lançou seu irmão pré-candidato à Câmara Federal, sinalizando apoiar a reeleição do deputado estadual Antônio Pereira e candidatura do ex-prefeito Sebastião Madeira para o parlamento estadual. Meses depois, provavelmente avaliando que Flamarion Amaral não se elegeria deputado federal, o lançou candidato a deputado estadual, rompendo, sem estardalhaço, a tendência de apoio aos dois aliados. Chefe da Casa Civil, experiente Sebastião Madeira seguiu seu caminho trabalhando o eleitorado de Imperatriz e buscando reforço em outras plagas. Antônio Pereira fez o mesmo, com a diferença de que a rasteira do prefeito Rildo Amaral colocou a vice-prefeita Carol Pereira, esposa de Antônio Pereira, em situação desconfortável. O clima já esteve azedo, mas agora segue o seu rumo.

Como esses, há vários outros confrontos diretos sendo desenhados.

São Luís, 06 de Abril de 2026.

Felipe Camarão vai definir agora o seu futuro, podendo ser candidato a governador, senador ou deputado federal

Felipe Camarão recepcionado no Tirirical
por aliados, entre eles Márcio Jerry

Confirmadas as pré-candidaturas de Orleans Brandão (MDB), de Eduardo Braide (PSD) e de Lahesio Bonfim (Novo) e a permanência do governador Carlos Brandão (sem partido) no cargo, todas as atenções se voltam agora para o vice-governador Felipe Camarão (PT), que não renunciou e retornou hoje de Brasília para definir o seu futuro no tabuleiro da guerra pelo Palácio dos Leões. Ainda em Brasília, no sábado, ele gravou um vídeo no qual não reafirmou o seu projeto de candidatura a governador, mas deixou claro que sua entrada, ou não, nessa disputa depende agora do PT e do presidente Lula da Silva (PT). No seu desembarque no Tirirical, o vice-governador foi recebido por um grupo animado de petistas e aliados, aos quais reafirmou que está à disposição do partido e do presidente, enquanto o principal articulador da sua ação política, o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), sem falar em candidatura, declarou que vai percorrer as ruas do estado com Camarão, “por Lula e pelo Maranhão”.

A participação de Felipe Camarão na corrida eleitoral está para ser definida agora, com o posicionamento do partido e o aval do presidente Lula da Silva. Ele poderá ser lançado pré-candidato a governador, a senador ou a deputado federal. É óbvio que, se depender dele próprio, será candidato a governador. Mas pelo que foi sussurrado nos últimos dois dias, ele poderá ser candidato a senador, tendo também, como última opção, entrar numa briga difícil e desgastante por uma cadeira na Câmara Federal. Se entrar na guerra pelos Leões e não vencer, sairá inteiro do processo, com lastro para novos projetos político. Se disputar uma cadeira no Senado e não for eleito, sofrerá algum desgaste, mas sairá com força para seguir em frente. Mas se tropeçar numa corrida por cadeira na Câmara federal, sairá do processo eleitoral bem menor do que entrou.

A candidatura a governador, a ser definida a essas alturas, tem um grau elevado de complexidade política, terá dois objetivos equivalentes em importância. Um é a eleição do próprio vice-governador em si, e o outro e a montagem de um palanque para o presidente no Maranhão. Para o PT, o palanque para o presidente é a prioridade das prioridades, tanto que é essa a explicação para muitos petistas insistirem numa aliança com o governador Carlos Brandão em torno da candidatura de Orleans Brandão. E esse tem sido o discurso do governador, reforçado pelo candidato emedebista. E não há dúvida de que o palanque da aliança governista, com 11 partidos, dois candidatos a senador aliados do Palácio do Planalto, é muito atraente, mas dificilmente Lula da Silva deixará Felipe Camarão pelo caminho.

Ocorre que indo para esse palanque, o presidente será fatalmente acusado de dar as costas aos seus aliados, e isso é tudo quer Lula da Silva não quer. Daí alguns sinais de que o PT poderá lançar Felipe Camarão. O mais recente foi a decisão do presidente de emplacar a senadora Eliziane Gama no PT, abrindo caminho para uma candidatura própria do partido ao Governo. Há, por outro lado, o “fator” Eduardo Braide, por quem os aliados do presidente Lula identificados como dinistas estão se mobilizando, inclusive com a clara anuência do vice-governador Felipe Camarão. Essa situação afasta cada vez mais o presidente Lula da Silva e o PT do governador Carlos Brandão e da candidatura de Orleans Brandão.

Em resumo: se Felipe Camarão vier a ser lançado candidato ao Palácio dos Leões será um ato de ruptura definitiva do PT e do presidente com o governador Carlos Brandão. Se a opção for por candidatura ao Senado, ela nascerá para um duro confronto com aliados do presidente – os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PT), ambos candidatos à reeleição, e o ex-ministro André Fufuca (PP) – e vem ainda com a pergunta: em qual palanque o Felipe Camarão candidato a senador se posicionará? Quanto a opção por uma cadeira na Câmara Federal, ela parece descartada.

O futuro de Felipe Camarão será definido com muito jogo de cintura e uma complexa engenharia política.

PONTO & CONTRAPONTO

Agora longe do Governo e da Prefeitura, Orleans e Braide iniciam hoje pré-campanhas aos Leões

Orleans Brandão e Eduardo Braide iniciam hoje
pré-campanhas; Lahesio Bonfim saiu na frente

Orleans Brandão (MDB) e Eduardo Braide entram, nesta segunda-feira, uma fase importante da pré-campanha, com movimentos que os levarão agora às convenções de agosto, quando será daqui a quatro meses, quando serão confirmados por seus partidos como candidatos ao Governo do Estado. E o dado importante é agora que os dois são apenas políticos aspirantes ao cargo de governador, o primeiro na condição de ex-secretário de Assuntos Municipalistas e o segundo como ex-prefeito de São Luís.

Pela fase que começa neste 06 de abril, eles não mais poderão participar de eventos governamentais, como inaugurações, lançamentos, atos que possam vir a ser caracterizados como uso da máquina pública para favorece-los, o que, se ocorrer, poderá ensejar ações denuncistas na Justiça Eleitorais.

A partir de agora, assim como já vem fazendo Lahesio Bonfim, Orleans Brandão e Eduardo Braide terão de colocar o pé na estrada, visitar municípios e apresentar os seus projetos. Serão movimentos exclusivamente políticos, sem qualquer relação com o Governo do Estado e com a Prefeitura de São Luís.

É claro que essa regra não se aplica ao discurso de cada um. E por isso é que, nos seus contatos nos municípios, Orleans Brandão com certeza falará promovendo o Governo Carlos Brandão, e naturalmente dizendo que participou na formulação e na execução de obras e programas, defendendo aí o viés que ele define como municipalista.

Por sua vez, Eduardo Braide dirá aos eleitores que encontrar o que realizou em cinco anos na Prefeitura de São Luís, a maior e mais importante do Maranhão, destacando a aprovação do seu Governo. Eduardo Braide informou, na sexta-feira, que iniciará sua pré-campanha estadual nesta segunda-feira em Imperatriz, onde conversará com lideranças políticas e representantes da sociedade civil organizada – vale destacar que o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral (PP), apoia a Orleans Brandão.

Lahesio Bonfim, por seu turno, informou que prosseguirá com sua pré-campanha, que já está em andamento desde dezembro do ano passado, quando teve sua pré-candidatura lançada pelo Novo em São Luís.

Iracema comemora Selo Diamante para a Alema e vai começar a definir como irá para as eleições

Iracema Vale: gestão aprovada
e futuro a ser definido

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (MDB), retoma a intensa atividade política após a Semana Santa embalada por dois motivos. O primeiro são os ecos do Selo Diamante que o Poder Legislativo recebeu do Tribunal de Contas do Estado (TCE), divulgado no início da semana passada, mas que continua ecoando. E o segundo são os movimentos que fará para definir qual o mandato que ela disputará em outubro, se o de senadora, o de deputada federal, o de vice-governadora ou um novo de deputada estadual.

O Selo Diamante foi concedido por mérito. O TCE enxergou no trabalho da presidente da Assembleia Legislativa informações que apontaram para uma gestão correta, que alcançou 96,59% de eficiência na soma dos seus atendimentos. Atos administrativos, inovações, correção fiscal, orçamento respeitado nos seus limites, entre outros dados levaram a Corte de Contas a conceder o Selo Diamante à Assembleia Legislativa.

Responsável maior pela administração do parlamento estadual, a presidente Iracema Vale divide os méritos da conquista com os demais integrantes da Mesa Diretora.

No campo político, a deputada Iracema Vale ainda não decidiu a que se candidatará para as eleições de outubro. Já é corrente no Palácio Manoel Beckman que ela não pretende renovar o mandato de deputada estadual. No tabuleiro na macro política do Maranhão, ela é vista com o um quadro de muito peso político e eleitoral, sendo considerada para ser candidata ao Senado ou a vice-governadora na chapa de Orleans Brandão, não manifestando simpatia pela ideia de ser deputada federal.

Ela própria não emitiu nenhum sinal sobre o seu próximo passo político, limitando-se a dizer que seguirá o caminho que o grupo e o partido indicarem e, como católica praticante, entregando o seu futuro a Deus.

São Luís, 05 de Abril de 2026.

Janela fecha com engorda e emagrecimento de partidos, extinção de bancada e até projeto de “ressurreição”

Eliziane Gama voltou ao PT; Duarte Júnior ganhou o Avante; Ana do Gás
deixou o PCdoB; Orleans Brandão (MDB), Aluísio Mendes (Republicanos)
e Ana Paula Lobato (PSB saíram fortes; Márcio Honaiser deu um baque
no PDT, e Ricardo Murad entrou no Republicanos buscando ressurreição

Poucas vezes o período de janela para a troca de partido (04/03 a 04/04) movimentou tanto a política maranhense. Na Assembleia Legislativa, bancadas fortes desapareceram, enquanto outras, que eram reduzidas, se agigantaram, deputados federais saltaram sobre legendas e um senador, depois de vários passos à direita, deu um cavalo de pau e retornou às suas origens na esquerda. Esse período ressuscitou figuras políticas já apontadas como aposentadas e fez surgir no cenário figuras jovens, ainda desconhecidas, com potencial para seguir em frente. O período das migrações partidárias, porém, não sensibilizou o político mais influente e poderoso do Maranhão nesse momento, nem o seu imediato; ambos preferiram continuar onde estão.

Não há dúvida de que a migração surpreendente e impactante foi a da senadora Eliziane Gama, que interrompeu uma caminhada à direita, filiada ao PSD, onde vinha perdendo peso, para dar uma guinada radical e retornar ao PT, ganhando novo fôlego político e eleitoral. E a definição mais dramática foi a do deputado federal Duarte Júnior, que depois de pertencer ao PCdoB e ao PSB, viu-se obrigado a mudar, saltando para o União Brasil, de onde foi obrigado a sair menos de 48 horas depois, flertou rapidamente com o PSDB, esteve a ponto de ingressar no PV, para finalmente, aos 44 do segundo tempo, abriga-se no Avante, uma legenda inexpressiva, mas que no Maranhão ele poderá chamar de sua.

O deputado federal Juscelino Filho deu o pulo do gato ao deixar o União Brasil e assumir o comando do PSDB, uma legenda sem muita força, mas muito bem organizado por seu ex-presidente, Sebastião Madeira, que preferiu apostas no chapão do MDB, liderado pelo pré-candidato a governador Orleans Brandão, para chegar à Assembleia Legislativa. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes conseguiu o que sempre queria: sem a sombra de Juscelino Filho, tornou-se o líder pleno do União Brasil, mesmo perdendo um quadro de proa e qualificado, o deputado estadual Neto Evangelista, que também preferiu apostas no chapão do MDB.

No jogo de ganhos e perdas, o PCdoB, liderado no maranhão pelo deputado federal Márcio Jerry, foi, de longe, o partido mais atingido no troca-troca partidário. Perdeu todos os cinco deputados que tinha na Assembleia Legislativa, sendo que quatro deles migraram para o PSB e a única deputada, Ana do Gás, que está no terceiro mandado pelo Partidão foi parar também no Republicanos, dando uma guinada à direita. Também o PSD, liderado pelo pré-candidato a governador Eduardo Braide, perdeu o deputado Eric Costa, mas ganhou o deputado Wellington do Curso, que viveu uma cruzada partidária até chegar a esse abrigo.

Um dos casos mais curioso dessa frenética ciranda partidária foi a ressurreição política do ex-deputado federal Ricardo Murad, que há tempos rompido com o grupo Sarney, por meio do qual entrou na política com muito poder de fogo, decidiu mostrar ao mundo que está vivo e se filiou ao Podemos, para disputar uma cadeira na Câmara Federal. Comandado no Maranhão pelo deputado federal Fábio Macedo, o Podemos também “pescou” a deputada estadual Ana do Gás, que deixou o PCdoB depois de se eleger duas vezes pelo partido. Num outro campo, o PDT emagreceu gravemente ao perder o deputado federal Márcio Honaiser, um dos seus quadros mais antigos, mais expressivos e mais fiéis, que deixou a legenda após 37 anos de filiação e de dedicação integral à manutenção do brizolismo no Maranhão. Márcio Honaiser se filiou ao Solidariedade, que tem afinidade com o PDT por ter o viés trabalhista.

Em meio a muitas outras migrações, dois fatos chamaram a atenção. O primeiro foi a decisão do governador Carlos Brandão de permanecer sem partido, um forte indicador de que ele permanecerá mesmo no cargo, o que deverá ser confirmado à meia-noite deste sábado. O outro foi a permanência do vice-governador Felipe Camarão no PT, depois de fortes rumores de que ele desembarcaria no PSB, para se candidatar aos Leões pelo partido.

No mais, é aguardar os desdobramentos dessas mudanças partidárias, nas quais saíram fortalecidos Orleans Brandão como presidente do MDB, o deputado federal Aluísio Mendes como chefe maior do Republicanos, e a senadora Ana Paula Lobato, que comanda o PSB no estado.

PONTO & CONTRAPONTO

Depois de dar as cartas na Era Dino, PCdoB perde bancada na Alema e pode desaparecer no Maranhão

Márcio Jerry e Astro de Ogum: dois “heróis” da
resistência de um PCdoB que foi poderoso

Até o fechamento da Coluna, às 16 horas deste sábado, não havia novas informações sobre o futuro do PCdoB no Maranhão, depois que ele teve extinta sua bancada na Assembleia Legislativa. Pelo que estava posto, o partido, que foi o mais poderoso e influente no Governo Flávio Dino, encolheu com risco de ser desmanchado de vez no Maranhão.

Legenda que deu as cartas em todos os níveis no estado entre 2015 e 2021, e que, ainda naquele período começou a encolher com a conversão em massa de comunistas ao socialismo ameno do PSB, liderada pelo então governador Flávio Dino, e que saiu emagrecido das urnas de 2022, perdeu força sob o Governo Carlos Brandão e chegou a um perigoso raquitismo no final da janela partidária, com apenas dois detentores de mandato parlamentar  no Maranhão, o deputado federal Márcio Jerry, que o preside, e o vereador por São Luís Astro de Ogum, que até onde é sabido, encontra-se balançando.

Até aqui sobrevivendo graças a uma federação com o PT, que participa com o vice-governador Felipe Camarão, o deputado federal Rubens Júnior, com o Coletivo Nós na Câmara de São Luís, e agora com a senadora Eliziane Gama, e com o PV, que só tem o vereador ludovicense Andrey Monteiro –, o PCdoB corre o risco de sair das urnas de outubro sem nada e desaparecer de vez do tabuleiro da política maranhense se o presidente Márcio Jerry não for reeleito.

O PCdoB vive, provavelmente, a situação mais crítica e dramática entre os partidos que perderam poder de fogo na intensa e surpreendente ciranda da janela partidária, que termina às 23h59m deste sábado.

Vereadores ludovicenses filiados ao PSB poderão se colocar numa situação incômoda na briga pelos Leões

Paulo Victor: desconforto no PSB

A menos que haja uma atualização não prevista no início da semana, a bancada do PSB na Câmara Municipal de São Luís, formada por seis vereadores permaneceu inalterada após o fim da janela partidária. Como todos os atuais socialistas são brandonistas de carteirinha, decididos a apoiar a pré-candidatura de Orleans Brandão ao Governo do Estado, a conclusão é uma só: nenhum desses vereadores será candidato a deputado estadual.

A explicação é simples: qualquer dos vereadores filiado ao PSB terá, naturalmente, de seguir a orientação do partido na corrida ao Palácio dos Leões. Do contrário, se criaria uma situação de forte crise política na seara socialista.

O PSB encontra-se na iminência de formalizar uma aliança eleitoral com o PSD em torno da candidatura do ex-prefeito Eduardo Braide (PSD). Se a aliança for firmada – o vice-presidente do PSB, deputado Carlos Lula – tem dito que será -, vem a pergunta fatal: os seis vereadores ludovicenses alinhados ao Palácio dos Leões, vão apoiar a Eduardo Braide, a quem fizeram oposição cerrada?

A única possibilidade da aliança do PSB com Eduardo Braide não sair é se o vice-governador Felipe Camarão confirmar sua candidatura ao Governo com o apoio integral do PT, o que deixaria os atuais vereadores socialistas também de fora, já que todos eles são brandonistas.

Numa escala bem menor, a mesma situação alcança o vereador Astro de Ogun, há vários mandatos filiados ao PCdoB. Ele permanece no partido, mas declarou apoio a Orleans Brandão, contrariando a orientação do comando da legenda, que se posicionará com o candidato do PT ou o candidato que o PT vier a apoiar.

Vale lembrar que vereador não é obrigado a permanecer no partido pelo qual se elegeu, e não precisa de janela partidária para migrar. A questão colocada é a quem esses vereadores apoiarão pertencendo a um partido adversário?

Em Tempo: A Coluna deseja aos seus leitores uma Feliz Páscoa.

São Luís, 04 de Abril de 2026.