Num pleito histórico, Braide chega ao poder com força para fazer as mudanças que anunciou na campanha

Eduardo Braide sorrindo com a eleição,
com a esposa Graziela Braide, com a
multidão na Maria Aragão, com a vice Elaine
Cordeiro, abraçando André Fufuca e
entre Graziela Braide e a Esmênia Miranda

O Maranhão político mudou radicalmente ontem com a eleição de Eduardo Braide (PSD) para o Governo do Estado em turno único. A opção feita por 2,3 milhões de eleitores, o equivalente a 54% dos voto apurados, derrotou nas urnas a candidatura de Orleans Brandão (MDB), que recebeu 1.354.044 votos, mesmo embalada pela determinação do governador Carlos Brandão (MDB) de eleger o seu sucessor, e outra, de Felipe Camarão (PT), que teve as bênção declaradas do presidente Lula da Silva (PT) e obteve apenas 354.039 votos. Eduardo Braide foi eleito tendo como vice a empresária Elaine Cordeiro (PSD), de Imperatriz, que consagrou a escolha dando larga vantagem para o governador eleito. O projeto eleitoral de Eduardo Braide foi arrematado com a eleição dos dois senadores, André Fufuca (PP e Lahesio Bonfim (Novo), num desfecho eleitoral histórico, dadas as condições em que essas eleições ocorreram.

Aos 50 anos, com um histórico de eleições incontestes, e turbinado por uma campanha simples, com mensagens diretas, promessas viáveis e uma clara e dura oposição ao status quo político do Maranhão, Eduardo Braide se elegeu governador enfrentando, com eficácia avassaladora, um projeto de poder bem estruturado, impulsionado pela força da máquina e por uma estratégia de “tudo ou nada” concebida pelo governador Carlos Brandão. Foi visto por muitos como versão de “Davi contra Golias”, por conta da diferença de cacife entre ele e Orleans Brandão, que contou ainda o poder de fogo, que falhou na maioria dos municípios. Habituado ao contato direto as o pessoas, o ex-prefeito de São Luís ajustou e direcionou o seu discurso ao cidadão mais simples, propondo benefícios viáveis.

Pragmático e sempre com os pés no chão, só tomando decisões viáveis, Eduardo Braide pensou muito e fez todos os cálculos possíveis antes de deixar a Prefeitura de São Luís para tentar chegar ao Palácio dos Leões. E a sua vitória, maiúscula nos aspectos político e eleitoral, além de impossibilitar o projeto de poder projetado pelo governador Carlos Brandão, e de mandar para o arquivo da História o que restava do Grupo Sarney, com a não eleição da deputada federal Roseana Sarney (MDB) para o Senado. E consegue um feito político e institucional para muitos improvável: construir um corredor de ligação entre o Palácio dos Leões o Palácio de la Ravardière, sede da Prefeitura de São Luís, ocupado por uma aliada incondicional, a prefeita Esmênia Miranda (PSD).

Eduardo Braide chega ao poder no Maranhão como poucos governadores chegaram: movido pelos seus próprios esforços, sem atrelamento a líder e a grupos, fazendo uma política diferenciada, que não aceita pressões, interferências nem influência ou controle de terceiros. Ele é o comandante, é ele quem decide, é ele quem corre os riscos, é ele quem põe a mão na massa, sendo, portanto, quem recebe os louros dos ganhos e quem encara as pancadas por eventuais atropelos.

Ontem à noite, antes de encarar a multidão que o aguardava na praça Maria Aragão, ao lado da esposa Graziella Braide e da prefeita Esmênia Miranda, Eduardo Braide deu a sua primeira declaração como governador eleito:

“Hoje, o povo Maranhão fez história. Mostrou toda a sua força nas urnas, força da transformação, a força da mudança do nosso estado. Mas, acima de tudo, deu um recado: quem manda no Maranhão não é o dinheiro, não é o Palácio dos Leões, não é o poder. É o povo, que governarei a partir do ano que vem.

Quem ganha a eleição com políticos, governa para os políticos; quem ganha a eleição com o povo, governa para o povo. E é com o povo que vou trabalhar como governador do Estado do Maranhão.

Vou cuidar primeiro da saúde, tirar os políticos de dentro dos hospitais do estado e colocar os hospitais para funcionar do mesmo jeito que fizemos em São Luís. Vou recuperar as nossas estradas, mas, acima de tudo, cuidar de quem mais precisa, fazer com que as riquezas do Maranhão cheguem nas mãos dos maranhenses. O Maranhão não nasceu para ter mais da metade das suas famílias abaixo da linha da pobreza, não nasceu para ter as piores estradas do Brasil, não nasceu para ter a pior educação do Nordeste. E é toda essa realidade que nós vamos começar a mudar a partir de janeiro do ano que vem”.

Eduardo Braide anunciou que vai começar a trabalhar já nesta segunda-feira, começando por nomear uma comissão de transição.

Em Tempo: Roberto Rocha (PRTB) saiu das urnas com 48.924, seguido de André Luís (Missão) com 7.905, Saulo Arcangeli (PSTU) com 4.693, Reginaldo Lima (PCB) com 1.096 e Dimas Cassimiro (PCO) com 257 votos.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Orleans reconhecem vitória de Braide e desejam-lhe sucesso

Carlos Brandão e Orleans Brandão divulgaram
mensagens agradecendo votos e
desejando sucesso a Eduardo Braide

Maior responsável pelo projeto de tornar Orleans Brandão seu sucessor no Governo do Maranhão, e personalidade mais atingida com o desfecho, o governador Carlos Brandão (MDB) divulgou ontem à noite, momentos depois do desfecho das eleições, nota em que se posicionou em relação à vitória de Eduardo Braide. O governador disse o seguinte:

“Democracia se faz com respeito. Reconheço a vitória do nosso adversário. Desejo que Eduardo Braide faça um bom trabalho pelo Maranhão. Recebemos a decisão do povo nas urnas com serenidade a gratidão a todos que votaram e contribuíram com a nossa campanha, que foi limpa, propositiva e marcada pelo compromisso com o povo e com a verdade. Fora 45 dias intensos, nos quais percorremos o Maranhão, estivemos perto das pessoas, ouvimos histórias, sonhos e necessidades. Nós cumprimos quatro anos, tiramos mais de 1,3 milhão de pessoas da extrema pobreza, ampliamos escolas de tempo integral, restaurantes populares, hemodiálises e transplantes, investimentos em segurança, estradas e tantas outras políticas que chegaram aos municípios.

Tenho imenso orgulho desses resultados e da trajetória de Orleans, que se entregou a essa missão de corpo e alma. Ele demonstrou preparo, coragem, equilíbrio e compromisso. Saímos desse pleito com o coração tranquilo e a certeza de que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance.

Os mais de 1 milhão e 300 mil votos que recebemos, representam confiança e também o reconhecimento de um legado construído com presença e entrega em cada canto do Maranhão. Esse trabalho não para aqui. Seguiremos governando até o último dia com responsabilidade, diálogo e respeito por todos. Desejo que o próximo ciclo seja de paz, trabalho e prosperidade para o povo maranhense”.

Algum tempo depois, Orleans Brandão, que ficou em segundo lugar com 1,2 milhão de votos divulgou nota reconhecendo a vitória de Eduardo Braide. Ele tornou público o seguinte posicionamento: “Agradeço imensamente ao governador Carlos Brandão, que sempre esteve ao meu lado e é o melhor gestor que esse estado já viu. Ao parceiro de caminhada Edivaldo Holanda Jr., que foi incansável em nossa campanha. Aos Nossos candidatos, que trouxeram apoio e alegria aos nossos eventos.

Agradeço ao povo do Maranhão pelos mais de 1 milhão e 300 mil votos de esperança nesse trabalho sólido e reconhecido por todo o estado.

Parabenizo o governador eleito Eduardo Braide, com votos de que faça um excelente Governo.

Fufuca e Lahesio chegam ao Senado mandando Roseana, Weverton e Eliziane para casa

André Fufuca e Lahesio Bonfim divulgaram
mansagem vibrando com a vitória
e agradecendo ao eleitorado

Estava escrito nas estrelas que pelo menos um dos candidatos ao Senado em aliança com Eduardo Braide seria eleito ontem. As urnas, porém, contrariaram a previsão e mandou André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo) ao Senado, deixando de fora Roseana Sarney (MDB), da aliança de Orleans Brandão. A vitória do ex-ministro do Esporte, que é deputado federal, e a do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes deram ao governador eleito um cacife extraordinário.

Deputado federal no terceiro mandato, o médico André Fufuca chega do Senado da República aos 37 anos, consolidando, em tempo adequado, um projeto político bem estruturado, que já o levou à vice-presidência da Câmara Federal, à liderança de bancada, à presidência nacional do PP e ao Ministério do Esporte, de onde saiu muito bem avaliado. Foi sereno nas situações complicadas e ousou quando deixou o grupo liderado pelo governador Carlos Brandão para se aliar a Eduardo Braide, tendo enfrentado a tentativa de emplaca-lo como “traidor”, que não prosperou. Sua eleição foi esperada por observadores atentos, mesmo em meio à variação de indicadores de pesquisas. Competente e muito bem articulado, saiu das urnas com 1.530,187 votos e tem tudo para fazer um mandato acima da média, como tem sido a sua carreira.

Lahesio Bonfim foi hábil no jogo que o levou ao Senado embalado por 1.471.859 votos. Iniciou essa jornada como candidato a governador pelo Novo, mas logo percebeu o peso do nome de Eduardo Braide na disputa. Diante de uma crise no partidos causada pelo ex-senador Roberto Rocha, desistiu do Palácio dos Leões e se candidatou ao senador, o que agravou ainda mais a crise no partido. Nesse ambiente, ele declarou apoio a Eduardo Braide, abrindo caminho para sua candidatura ao Senado e inviabilizando a candidatura de Roberto Rocha ao Governo pelo Novo. Dono de um lastros construído em 2022, quando foi o segundo mais votado para o Governo do Estado, derrotando o senador Weverton Rocha, Lahesio Bonfim encontrou na chapa do ex-prefeito de São Luís o espaço que precisava para fazer uma campanha sem sobressaltos. Esteve sempre entre os primeiros na corrida e, assim como André Fufuca, derrotou dois senadores e uma ex-governadora.

Na corrida ao Senado, Roseana Sarney recebeu 1.171.634 votos, seguida de Weverton Rocha (PDT), com 1.086.318, Eliziane Gama (PT) com 696.298, Cidônio Gonçalves (PL) 602.997, Hilton Gonçalo (Mobiliza) com 458.681, Enilton Rodrigues (PSOL) (83.949), Simplício Araújo (DC) com 23.995, Wilson Leite (PSTU) com 10.908 e Raimundo Moreira (PCB) com 5.019 votos.

Confira os eleitos para a Câmara Federal e para a Assembleia Legislativa

São Luís, 05 de Outubro de 2026.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *