Na reta final, Dino se movimenta para reforçar os candidatos aliados, principalmente nos maiores municípios

 

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Flávio Dino: reforço aos candidatos que integrarão a sua base politica para o seu projeto de poder

 

A corrida eleitoral para as prefeituras está na reta final e semana que começa será decisiva para a definição, pelo eleitorado, de quem comandará cada um dos 217 municípios maranhenses e, por esse caminho, desenhar o cenário político que será movimentado a partir de 1º de Janeiro do ano que vem para desembocar de novo nas urnas em 2018. O governador Flávio Dino (PCdoB) trabalha intensamente para formar uma base política expressiva e consistente, contando para isso com a eleição de um grande numero de prefeitos pelo PCdoB, PDT e outros partidos que integram o seu grupo de apoio. Nesse panorama em construção, Dino investe para ter aliados fiéis à frente dos maiores municípios, numa estratégia que valoriza também o controle em médios e pequenos municípios. São Luís, Imperatriz, Timon, Caxias, São José de Ribamar, Paço do Lumiar, Codó, Bacabal, Coroatá, Pinheiro e Santa Inês são municípios considerados chave para o projeto politico que o governador alimente o seu projeto de poder para os próximos tempos.

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Edivaldo Jr. é a aposta de Flávio Dino em São Luís

São Luís é o maior e mais importante item da estratégia posta em prática pelo Palácio dos Leões, e todos os indicativos, sinais e evidências apontam para a reeleição do prefeito Edivaldo Jr. (PDT) logo no primeiro turno, com pouca margem para o risco de um contratempo imprevisível. Mas, se por uma situação excepcional o resultado vier favorecer Eliziane Gama (PPS), esse desfecho será contabilizado como ganho. O clima de derrota só será admitido se der Wellington do Curso (PP), que agora segue a orientação do senador Roberto Rocha. O Palácio dos Leões também comemorará discretamente se, numa hipótese mais remota ainda, o eleito for Eduardo Braide (PMN), que, como Edivaldo Jr. e Eliziane Gama, integra a base política governista. Mas o fato é que, a menos que aconteça algo fora da lógica política e eleitoral, o comando da administração da Capital continuará com o prefeito Edivaldo Jr., que entre os candidatos, é de longe o mais fiel aliados do governador.

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Rosângela Curado corre sério risco em Imperatriz

Se a situação em São Luís está sob controle absoluto, em Imperatriz o cenário é de rigorosa incerteza. Antes líder da preferência do eleitorado, Rosângela Curado (PDT), apoiada pelos demais partidos governistas, a começar pelo PCdoB, se não foi acometida de um processo de desidratação, padece do mal da estagnação. As pesquisas mais recentes apontam para a vitória do ex-prefeito Ildon Marques (PSB) ou, numa situação de revés total, do candidato do PMDB, Assis Ramos. A situação da candidata governista é tão complicada que o secretário de Articulação Política e Comunicação Márcio Jerry, que preside o PCdoB no estado, deslocou-se para a metrópole tocantina a fim de injetar ânimo na campanha da pedetista. O próprio governador Flávio Dino deve desembarcar nesta semana em Imperatriz para, do alto dos mais de 70% de aprovação na cidade, tentar virar o jogo, que para muitos estaria perdido.

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Luciano Leitoa e Léo Coutinho: favoritos na corrida eleitoral em Timon e Caxias

O governador não teme riscos em Timon e em Caxias, dois fortins seguros da sua base de apoio. Em Timon, que é o terceiro maior município do estado, é quase certa a reeleição do prefeito Luciano Leitoa (PSB), embora algumas fontes avaliem que o deputado estadual Alexandre Almeida (PSD) pode surpreender na última hora, o que é rigorosamente improvável e só admitido como uma situação que contraria a lógica, o que é comum em política. Em Caxias, todas as sinalizações e percentuais de pesquisas remetem para a reeleição do prefeito Léo Coutinho (PSB), confirmando a estabilidade do grupo liderado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Humberto Coutinho (PDT). O que chama atenção nesses dois municípios os prefeitos Luciano Leitoa e Léo Coutinho pertencem ao PSB mas não seguem a cartilha do senador Roberto Rocha e são aliados firmes do governador Flávio Dino.

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Luis Fernando caminha para a consagração; Domingos Dutra corre sério risco

São José de Ribamar e Paço do Lumiar vivem situações absolutamente distintas. Na cidade do Padroeiro, o governador Flávio Dino conta com a vitória do ex-prefeito Luis Fernando Silva (PSDB), que caminha para mais uma eleição consagradora, podendo obter até 80% dos votos, segundo estimativas feitas por entendidos em corridas eleitorais, já que não terá um adversário à altura. No contrapeso, o Palácio dos Leões corre sério risco de amargar uma derrota fora das previsões que indicavam até pouco tempo a vitória do candidato do PCdoB e do governo Domingos Dutra, que está seriamente ameaçado de ser “atropelado” pelo candidato do PSC, o ex-prefeito Gilberto Aroso. Se tal situação se configurar, será uma derrota dura para o governador, que tem Dutra numa lista de futuros prefeito.

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Roberto Costa e Vianey Bringel: favoritos na corrida em Bacabal e Santa Inês

Em Bacabal, a corrida é liderada pelo deputado Roberto Costa (PMDB), um dos políticos mais importante da nova geração, que poderá se eleger sem maiores esforços se a Justiça confirmar a situação de inelegibilidade do candidato do PP, o ex-prefeito Zé Vieira. Ali, a preferência do Palácio dos Leões é pela eleição de Roberto Costa, mas o governador e seus aliados se conformariam com a eleição do ex-prefeito Zé Vieira, apesar de todos os problemas que ele acumula como ficha suja. Em Santa Inês, a situação é bem clara: o governador Flávio Dino torce pela eleição da ex-deputada Vianey Bringel, que é franca-favorita, descartando apoio ao prefeito Ribamar Alves (PSB), que caiu em desgraça depois de ter sido preso sob a acusação de ter estuprado uma estudante, um caso cheio de nuvens carregadas de controvérsias.

São exemplos de que a guerra eleitoral vai muito além das fronteiras municipais e está diretamente associada a uma teia de interesses sem começo nem fim. Nesse contexto, o governador Flávio Dino trabalha para ter ao seu lado a maioria dos prefeitos, o que lhe dará cacife para encarar as urnas em 2018 das quais pretende sair como líder consolidado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Juntando as peças

Declaração de Rodrigo Maia joga luzes sobre o Caso Lunos

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Rodrigo Maia: declaração reforça que Caso Lunus foi armação politica do PSDB

Como na montagem de um quebra-cabeça, o jornalismo vai produzindo registros que confirmam suspeitas de fatos nos quais vítimas levantaram e supostos algozes contestaram por anos e anos. Na entrevista que concedeu às Páginas Amarelas da última edição da revista Veja, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM/RJ), que sucedeu a Eduardo Cunha na presidência da Câmara dos Deputados, reforça a acusação, feita pelo então senador José Sarney (PMDB), segundo a qual partiu do PSDB a operação para sufocar sua pretensão de disputar a Presidência da República pelo PFL em 2002. Ao responder a pergunta se a oposição errou na relação com o PT, Maia respondeu: “Sem dúvida. Primeiro, lá em 2002, perdemos para o PT por disputas na base governista, entre o PSDB e o antigo PFL. No caso da candidatura (presidencial) de Roseana Sarney pelo PFL, muitos acharam que o governo FHC trabalhou para abatê-la”.

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Roseana Sarney e Jorge Murad foram execrados por Veja; José Serra pagou o preço de ser derrotado por Lula

Para quem não se lembra, em 2001, então governadora do Maranhão, com prestígio nacional em alta, apareceu numa pesquisa do Ibope como uma opção para a sucessão presidencial. Sua inclusão na corrida ao Palácio do Planalto, na qual Lula despontava com força e José Serra se movimentava como candidato do PSDB, causou forte impacto no meio político; mais ainda quando uma segunda pesquisa o colocou em segundo lugar, atrás apenas de Lula, mas com potencial para alcançá-lo, e até ultrapassá-lo. O PFL entrou em clima de festa e as forças conservadoras soltaram foguetes. Logo Roseana se tornou celebridade e ganhou grupos de apoio em todo o país, principalmente de mulheres. Na outra ponta, os tucanos enxergaram na política maranhense uma ameaça concreta. E não demorou para que uma série de factóides  ganhasse espaço na impressão quatrocentona de São Paulo.

Diante da onda crescente em que a governadora surfava, veio a bomba, no dia 1º de março de 2002. Numa operação surpreendente, a Polícia Federal invadiu os escritórios da empresa Lunus, pertencente ao marido da governadora, Jorge Murad, onde apreendeu documentos e computadores e confiscou cerca de R$ 1,3 milhão em espécie, cujos maços foram fotografados e imediatamente enviados às principais redações de jornais e TVs do país. Foi uma operação organizada pelo Ministério Público federal e ratificada pelo braço da Justiça federal no Maranhão com o pretexto de investigar suspeita de corrupção praticada por Roseana Sarney com recursos da Sudam. O caso foi transformado num dos maiores escândalos envolvendo um político na história recente do Brasil. Todas as suspeitas e evidências apontaram que tudo foi montado e posto em prática com o aval do Palácio do Planalto para favorecer o candidato tucano, José Serra, que acabaria punido com uma surra de recebeu de Lula nas urnas com o apoio de Roseana Sarney, que, mesmo banida da corrida presidencial e moralmente trucidada por uma implacável campanha da imprensa se elegeu senadora.

Passada uma década, período em que Roseana e o marido foram minuciosamente investigados e passaram por todo tio de constrangimento que um político sob a acusação de corrupção pode passar, nenhuma acusação contra eles foi provada, o que obrigou a Justiça a inocentá-los e devolver-lhes todo o material apreendido na Operação de 2002, incluindo a bolada milionária, que lhe foi entregue nota sobre nota, sem faltar um tostão.

FHC, José Serra e companhia sempre negaram envolvimento no Caso Lunus, mas até hoje não conseguiram apagar as evidências que deram asas às suspeitas dos Sarney. Catorze anos depois, a declaração do deputado Rodrigo Maia, cujo pai, César Maia, que na época era um dos grandões do PFL, chega para consolidar a suspeita de José Sarney de que a pré-candidata a presidente da República foi mesmo vítima de uma assombrosa trama.

 

São Luís, 24 de Setembro de 2016.

 

Um comentário sobre “Na reta final, Dino se movimenta para reforçar os candidatos aliados, principalmente nos maiores municípios

  1. Eu acho que não ouve nada de sabotagem o pessoal de Sarney tava sim envolvido como sempre em tudo que não presta eles passaram cinqüenta anos não fizeram nada pelo Maranhão pelo contrário só atrazou agora que temos um governador que tar fazendo muito pela nos todos Sarney nunca mais eles pensaram que o Brasil era o Maranhão que eles mandavam e desmandavam

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