Duelo verbal entre Roberto Rocha e Márcio Jerry confirma rompimento do senador com o governador Flávio Dino

 

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Márcio Jerry defende o Governo Flávio Dino em duelo verbal com Roberto Rocha

Roberto Rocha: “O Maranhão é o único lugar do mundo onde o comunismo defende a propriedade privada, só que dos próprios comunistas”.

Márcio Jerry: “Houve um tempo no Maranhão, de triste memória, em que até área da Polícia Militar foi ocupada para se transformar em negócio privado”.

Roberto Rocha: “Rapaz, você que exerce na prática o cargo de governador, está desafiado a colocar os órgãos do Estado, para apurar sua declaração”.

Gilberto Leda: “O Estado bem que poderia rever isso, não?”

Roberto Rocha: “Sob pena de reforçar a sua fama de comunista patife”.

O diálogo nitroglicerinado travado entre secretário de Articulação Política e Comunicação e presidente do PCdoB Márcio Jerry e o senador Roberto Rocha (PSB) é a demonstração definitiva de que, se ainda não está declarado, o rompimento do parlamentar com o governador Flávio Dino (PCdoB) e seu grupo já ganhou peso de fato consumado. Roberto Rocha entrou no circuito criticando, em rede social, o aluguel, por R$ 12 mil mensais, de um prédio pertencente a Jean Carlos Oliveira, um comunista convertido e filiado ao PCdoB 2013, para abrigar menores infratores sob a responsabilidade da Funac, gerando com isso uma onda de ataques oposicionistas ao Palácio dos Leões. As críticas visaram o contrato, e a repercussão fez com que moradores da Aurora, onde ficam as instalações, se mobilizassem contra a mudança, alegando que uma unidade da Funac ali porá todo o bairro sob risco. O Governo tentava desfazer o clima de forte mal-estar, mas a entrada do senador Roberto Rocha no debate  colocou mais lenha na fogueira, resultando no pugilato escrito com o secretário de Articulação Política e Comunicação, que, para muitos, em casos assim diz o que o governador pensa.

Não é novidade o clima de animosidade entre o senador Roberto Rocha e o secretário Márcio Jerry, e a troca de petardos escritos ocorrida ontem entre os dois acentuou as diferenças e extrapolou a fronteira da antipatia que eles alimenta um pelo outro. O        que aconteceu ontem foi uma declaração de guerra. Em meio à celeuma que se instalou nas redes sociais por causa do tal contrato de locação, Roberto Rocha estocou o Governo com força. Sempre antenado no mundo virtual, Márcio Jerry reagiu à crítica de Roberto Rocha tirando do arquivo morto uma suspeita de grilo em terras do Estado que agitara o meio político em meados dos anos de 1980, já no final do Governo Luiz Rocha, sugerindo que o caso poderia ser reaberto. Atento, o jornalista Gilberto Leda jogou querosene na fogueira cobrando uma reação de Roberto Rocha, que caiu na provocação e acabou xingando o secretário. Se havia ainda uma réstia, tênue que fosse, de tolerância ligando o secretário e o senador, esta desapareceu ontem, transformando a relação entre os dois numa guerra declarada.

A intervenção do senador Roberto Rocha e a reação do secretário Márcio Jerry na controvérsia envolvendo o aluguel de instalações para abrigar menores infratores vão muito além das diferenças entre os dois. Na verdade, já são parte de um roteiro que começa a ser materializado e cujo desfecho será o resultado das urnas em 2018. Diante do quadro de incertezas que move as forças políticas do País e da certeza de que as eleições marcadas para daqui a 21 meses são parte da solução, o senador – que parece inclinado a disputar o Governo do Estado – e o governador – que é candidato assumido à reeleição – operam para destacar os seus acertos, mas também de olho nos erros dos adversários. De agora em diante, qualquer acerto será supervalorizado pelo dono e minimizado ao máximo pelo adversário. O objetivo é enfraquecer o oponente, para que ele chegue às urnas o mais fragilizado possível.

No caso, Roberto Rocha aproveitou a controvérsia do contrato para atirar dúvidas da integridade do Governo, enquanto Márcio Jerry rebateu também visando também minar a credibilidade do senador. Poderiam ter ficado aí, mas a ferina provocação feita pelo jornalista Gilberto Leda indagando se não seria a hora de acabar com as dúvidas sobre o suposto grilo tirando tudo a limpo por meio de uma investigação mudou o curso do embate. Roberto Rocha reagiu acatando e dizendo que, se não provar o que disse, Márcio Jerry reforçará “sua fama de comunista patife”. Esse começo dá para se ter uma do que vem na agitação crescente dos próximos 630 dias.

PONTO & CONTRAPONTO

Duplicação da BR-135: parece que agora é para valer
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O governador em exercício Carlos Brandão e o ministro Maurício Quintella assinam ordem de serviço para conclusão da duplicação da BR-135

O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil Maurício Quintella desembarcou ontem em São Luís para anunciar a providência definitiva em relação à injustificadamente complicada duplicação da BR-135, no trecho que liga o Estreito dos Mosquitos a Bacabeira. Mais do que isso: trouxe também um contrato para a duplicação do trecho entre Bacabeira e Miranda do Norte, atendendo assim à reivindicação protocolada há anos no DNIT e que já foi motivo de incontáveis audiências e promessas. Maurício Quintella, que foi recebido e ciceroneado pelo governador em exercício Carlos Brandão, foi o quarto ministro dessa pasta que veio ao Maranhão e seguiu de carro para Estiva e ali prometeu resolver o gargalo rodoviário que mais incomoda o Maranhão, exatamente por ser a BR-135 a única ligação rodoviária entre a Ilha de Upaon Açu e o resto do mundo. Trouxe a garantia de que tem R$ 180 milhões para as obras.

O ato de ontem pareceu bem mais denso e a conversa ministerial bem mais confiável do que as demais. O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil não pareceu preocupado em agradar, mas sim dar uma solução definitiva para a obra, que se arrasta há anos, infernizando a vida dos maranhenses.  A conversa trazida pelo ministro Quintella pareceu bem confiável dos que a dos seus antecessores, que falaram de mais e realizaram de menos, a começar pelo fato de ele ter trazido contratos e ordem de serviço para serem assinados in loco, entre eles o de restauração de 100 quilômetros da BR-226. Em todas as suas falas, o ministro garantiu que a duplicação da BR-135 entre o Estreito dos Mosquitos e Bacabeira não será mais interrompida, prevendo sua conclusão para junho, daqui a seis meses, portanto.

A importância da visita do ministro Maurício Quintella foi medida pelo grupo que o recepcionou e acompanhou liderado pelo governador em exercício Carlos Brandão: os deputados federais José Reinaldo Tavares (PSB), Waldir Maranhão (PP), Weverton Rocha (PDT), André Fufuca (PP), João Marcelo de Souza (PMDB), Juscelino Filho (DEM), Eliziane Gama (PPS), Júnior Marreca (PEN), a prefeita Rosário, Irlahi Moraes (PMDB), a prefeita de Bacabeira, Fernanda Gonçalo (PMN), o prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo, o prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB), os deputados estaduais Eduardo Braide (PMN) e Cabo Campos (DEM) e senador em exercício Pinto Itamaraty (PSDB).

 

Ministro faz visita a Sarney e Roseana
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José Sarney recebe  ministro |Maurício Quintella no apartamento de Roseana Sarney

Depois de cumprir a programação oficial ao lado do governador em exercício Carlos Brandão, o ministro Maurício Quintella, que é deputado federal do PMDB por Alagoas, reservou um tempo para visitar o ex-presidente José Sarney (PMDB). O encontro se deu no apartamento da ex-governadora Roseana Sarney (PMDB), na Península, e contou com a presença do senador João Alberto (PMDB). De maneira informal, Maurício Quintella relatou os motivos da sua visita ao Maranhão, informando que cumpria também uma orientação expressa do presidente Michel Temer (PMDB) de solucionar, de uma vez por todas, a duplicação da BR-135. Assinalou também que esse desfecho se deve também à mobilização da bancada federal para garantir o andamento do projeto.

A visita do ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil ao ex-presidente José Sarney repete uma situação curiosa, que enche o ex-presidente e a ex-governadora de satisfação, mas às vezes cria embaraços para os ministros visitantes. Durante o Governo de José Reinaldo, os ministros que vinham ao Maranhão visitavam a então senadora; o mesmo acontecendo no Governo de Jackson Lago (PDT), criando à vezes situações constrangedoras para os visitantes. Nem todos que vieram no Governo Flávio Dino cumpriram o roteiro. No caso de Maurício Quintella, a visita se justifica pela filiação partidária.

 

São Luís, 05 de Janeiro de 2017.

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