
a Nova Litorânea, obra que realiza
com o apoio total de Lula da Silva
O governador Carlos Brandão (MDB) anunciou ontem o seu apoio ao presidente Lula da Silva (PT) no 2º turno da eleição presidencial. Deu a lógica, à medida que, por conta da relação institucional e política que os dois mantêm desde que assumiram seus mandatos em janeiro de 2023, seria surreal se o mandatário maranhense tomasse outro rumo, ou mesmo subisse ao muro da neutralidade. Com a manifestação deste sábado, o governador mostrou coerência, repetindo a posição que defendeu durante a campanha do 1º turno, mesmo sem o presidente Lula da Silva apoiando o seu candidato a governador, Orleans Brandão (MDB), preferindo, também por coerência, apoiar o candidato do seu partido, Felipe Camarão (PT).
Alguns observadores de visão distorcida apostaram alto que o governador Carlos Brandão não apoiaria o presidente Lula nem no primeiro nem num segundo turno se ale não desse lastro à candidatura de Orleans Brandão ao Palácio dos Leões. Algumas vozes, incluindo umas bem próximas da cúpula do Governo, chegaram a cogitar que, por conta da opção do presidente pela candidatura do vice-governador, o chefe do Executivo maranhense não só abandonaria a bandeira do petista como migraria com os seus aliados para a base da candidatura do senador Flávio Bolsonaro.
Os pregoeiros do rompimento erraram feio. O governador Carlos Brandão e o próprio candidato Orleans Brandão levantaram o estandarte do presidente Lula da Silva durante a campanha, mesmo com o chefe das Nação declarando apoio e fazendo campanha aberta pela candidatura do vice-governador Felipe Camarão. Alguns “teóricos da conspiração” fizeram previsões sombrias sobre essa relação durante a campanha, sendo a mais frequente a de que o troco viria no 2º turno, fosse qual fosse o resultado do 1º turno.
O fato de o presidente Lula da Silva apoiar o vice-governador Felipe Camarão e receber o apoio de Orleans Brandão sem apoia-lo criou uma situação politicamente esdruxula, difícil de ser compreendida por muitos. Mas ela foi mantida durante a campanha, e o pronunciamento das urnas em 04 de outubro mostrou o desfecho da equação político-eleitoral inusitada. O candidato do presidente foi o terceiro mais votado, o do governador ficou em segundo e o eleitorado elegeu, em 1º turno, o candidato do PSD, Eduardo Braide, sem qualquer relação com o Palácio dos Leões nem com o Palácio do Planalto.
Nesse contexto, o presidente Lula da Silva mostrou a sua força eleitoral extraordinária no Maranhão, uma vez que saiu das urnas com 2,5 milhões de votos, cerca de 300 mil a mais do que o governador eleito. Já o se adversário, Flávio Bolsonaro, recebeu 1,2 milhão, menos da metade dos votos do presidente em busca da reeleição.
No vídeo em que anunciou o seu apoio ao presidente Lula da Silva no 2º turno, o governador Carlos Brandão foi direto ao ponto, deixando claro que sua posição é a contrapartida eleitoral pela rica parceria que o chefe da Nação fez com o seu Governo, relacionando dois dos muitos acordo por meio dos quais o Governo Federal investiu em obras e programas no Maranhão. O primeiro foi a extensão da Avenida Litorânea em sete quilômetros, que deve ser inaugurada antes do final do ano. O segundo é a Zona de Processamento e Exportação (ZPE), que foi aprovada e começa a se tornar realidade em Bacabeira, e que na previsão do governador gerará 30 mil empregos e bilhões em receita.
Além do seu posicionamento pessoal, feito em tom de convocação dos seus aliados, o governador Carlos Brandão foi decisivo na posição tomada pelo braço maranhense do MDB, que em documento de aliou a outros nove diretórios do Norte e do Nordeste em apoio à reeleição do presidente da República, contrariando frontalmente 17 braços emedebistas do resto do País, que manifestaram apoio ao candidato bolsonarista.
O governador Carlos Brandão fechou assim a sua declaração de apoio ao presidente Lula da Silva: “No dia 25 de outubro é 13 na urna!”
PONTO & CONTRAPONTO
Flávio Bolsonaro cancela agenda em São Luís no dia 21; seria perda de tempo
A decisão – ainda não confirmada oficialmente – do candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) de não fazer escala em São Luís na quarta-feira, 21, é uma demonstração cabal de que ele sabe que suas chances de melhorar o seu desempenho eleitoral no Maranhão são quase inexistentes. O candidato do PL será representado pelo deputado federal mineiro Nikolas Ferreira (PL).
Sua agenda previa a participação dele numa manifestação na Praça Maria Aragão – que certamente, indignada, se reviraria no túmulo -, de onde partiria em caminhada por algumas ruas do centro. Divergências entre grupos bolsonaristas teriam contribuído fortemente para o cancelamento da agenda do candidato do PL no Maranhão.
Em queda e diante do crescimento do presidente Lula da Silva, o senador bolsonarista decidiu investir em colégios maiores e mais promissores para ele. Dita de outro jeito, foi essa a explicação dada pela deputada federal eleita Mariana Carvalho (PL), ao justificar a não vinda do candidato a São Luís na quarta-feira, num dia seguinte à visita do presidente Lula da Silva (PT).
No 1º turno, o presidente Lula recebeu mais que o dobro de votos que o candidato do PL. E com a mobilização que cresce para a segunda rodada, não será surpresa se o presidente ampliar a sua vantagem no estado, o que ajudaria na soma geral dos votos que definirá o novo presidente.
Ao escalar o deputado mineiro Nikolas Ferreira para representa-lo em São Luís, Flávio Bolsonaro pode ter cometido um erro político que poderá lhe custar uma munheca de votos.
Tudo pronto para a transição, mas trabalhos só serão iniciados depois que o TRE declarar os eleitos
Tudo pronto para o processo de transição administrativa no Governo do Estado. O governador eleito Eduardo Braide (PSD) nomeou a equipe que vai representa-lo, o mesmo tendo sido feito pelo governador Carlos Brandão (MDB).
As equipes começarão a trabalhar tão logo o Tribunal Regional Eleitoral declare os candidatos eleitos nas eleições de 2026 – Eduardo Braide venceu a eleição, mas até agora não foi declarado governador eleito. Isso não foi feito ainda por causa do 2º turno da eleição presidencial, que acontece no próximo dia 25. A previsão é que o TRE-MA declare os eleitos na primeira semana de novembro, acendendo sinal verde para a transição.
O governador eleito Eduardo Braide escalou a seguinte comissão para representa-lo: Anna Caroline Salgado (ex-secretária municipal de Educação e coordenadora do grupo), Simão Cirineu (ex-secretário municipal de Planejamento e Orçamento), José de Jesus Azzolini (ex-secretário municipal de Fazenda), David Col Debella (ex-secretário municipal de Obras), Silvana Costa dos Santos (ex-presidente da Comissão Municipal de Licitação) e Manuella Oliveira Fernandes (ex-secretária municipal de Trânsito e Transportes).
Para repassar às informações aos representantes do novo Governo, o governador Carlos brandão nomeou Luís Fernando Silva, atual secretário Geral da Governadoria, que coordenará a equipe, Aline Barros (Planejamento e Orçamento), Pedro Chagas (Meio Ambiente), Aparício Bandeira (Infraestrutura), Jandira Dias (Educação), Liliane Carvalho (Saúde), Jeonys Caldas (Governo), Marcellus Alves (Fazenda), Guilberth Garcês (Administração), Denilson Almeida (Procuradoria-Geral do Estado), Alberto Bastos (Cidades) e Raul Mochel (Transparência).
A comissão que representa o próximo Governo pode requerer qualquer informação sobre finanças, obras, programas e estrutura administrativa.
São Luís, 18 de outubro de 2026.

