Desfecho da crise política nacional pode ter influência decisiva no destino dos principais candidatos a prefeito de São Luís

 

aspirantes a prefeito
Edivaldo Jr., Eliziane Gama, Bira do Pindaré e Andrea Murad ou Fábio Câmara terão de ajustar seus discursos de acordo com o andamento da crise politica

O agravamento da crise política nacional com instauração do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e o dramático movimento causado pela nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a chefia da Casa Civil vem colocando os principais pré-candidatos à Prefeitura de São Luís em estado de alerta máximo. Esse estado de ânimo decorre do fato de que a evolução dos acontecimentos e o rascunho ainda impreciso dos seus possíveis desdobramentos aproximam cada vez mais os aspirantes ao Palácio la Ravardière dos protagonistas da crise, tanto do lado governista quanto da seara da oposição, a começar pelo fato de que a crise nacional será tema dominante na campanha eleitoral. Nesse contexto, pré-candidatos partidariamente alinhados com o governo da presidente Dilma Rousseff avaliam as consequências políticas e eleitorais de uma eventual queda da chefe da Nação, como medem também as vantagens de sua eventual sobrevivência e continuidade; por sua vez os pré-candidatos que navegam em maré contrária à do Governo do PT, contam os dias para avaliar o desfecho que sairá do Congresso Nacional em no máximo dois meses.

Candidato forte à reeleição, o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) tem um elenco de motivos para acompanhar atentamente os humores políticos de Brasília. Ali, o seu partido, que compõe a precária de apoio ao Governo Dilma, trabalha duramente para reverter a tendência favorável ao impeachment, certo de que se a presidente for mandada para casa, dificilmente o PDT terá o mesmo espaço num governo comandado pelo hoje vice-presidente Michel Temer, no qual o PMDB dará as cartas. Além disso, a eventual queda da presidente Dilma se traduzirá em munição aos adversários, que certamente utilizarão a eventual perda de poder em Brasília para fragilizar a campanha do prefeito. Num cenário em que a presidente sobreviva no cargo, Edivaldo Jr. manterá o seu já enorme poder de fogo durante a campanha.

A crise também aumenta a atenção da deputada federal Eliziane Gama, que continua filiada à Rede, mas estaria engatilhada para retornar ao PPS. Ela lidera até aqui a corrida ao Palácio de la Ravardière, tem atuado sempre no campo de oposição e trabalha intensamente para a queda do Governo da presidente Dilma Rousseff, pois sabe que a sobrevivência dele poderá ter forte influência contrária aos candidatos de partidos hoje adversários da hoje ocupante do Palácio do Planalto. A derrubada do Governo Dilma, portanto, fortalecerá expressivamente o discurso de Eliziane, principalmente se ela retornar ao PPS, como está previsto, pois esse partido, independente do seu baixo poder de fogo eleitoral, é um dos que estarão em posição privilegiada na base de sustentação de um novo governo.

Os dois pré-candidatos do PMDB, a deputada estadual Andrea Murad e o vereador Fábio Câmara se preparam para o que der e vier. O que for escolhido candidato do partido vai torcer para que a presidente Dilma Rousseff seja defenestrada do poder pelo caminho do impeachment. Isso porque esse desfecho representará a ascensão do vice Michel Temer ao poder e o fortalecimento político do PMDB. Se Dilma sobreviver e continuar com o PMDB ao seu lado, o candidato pemedebista, seja Câmara ou Murad, não terá maiores dificuldades para continuar dizendo que a banda maranhense do partido é amiga da presidente e que isso garantirá apoio a uma eventual gestão pemedebista em São Luís. Se a presidente cair, Temer será apresentado como a tábua de salvação de São Luís num governo pemedebista.

Outros candidatos não terão candidatos presidenciais para exibir como item essencial dos seus discursos. O deputado Bira do Pindaré, por exemplo, que foi petista e hoje é filiado ao PSB, partido que já foi aliado do PT, é hoje um dos adversários do Governo Dilma, tendo definido formalmente essa posição por meio de suas lideranças no Congresso Nacional.  Se a presidente sobreviver ao impeachment, Bira dificilmente fará um discurso hostil ao governo do PT, mas se ela cair, certamente se colocará como adversário forte do PMDB. O certo é que o candidato socialista não terá um governo central para lhe dar argumento. É mais provável que faça um discurso de campanha dissociado, até para ter uma janela aberta se vier a ser eleito.

Tais situações prováveis não indicam que campanha para a Prefeitura de São Luís seja realizada sem levar em conta o quadro de crise nacional, pois não há como os candidatos fugirem do debate sobre o tema. Afinal, todos sabem que sem as bênçãos de Brasília, dificilmente conseguirão meios realizar um governo minimamente convincente.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Levi Pontes, Francisca Primo e Ana do Gás se convertem ao comunismo pregado pelo governador Flávio Dino
neocomunistas
Francisca Primo, Levi Pontes e Ana do Gás convertidos aos postulados do comunismo pregado por Flávio Dino 

Confirmado o que alguns observadores vinham esperando e outros achavam que não aconteceria: o PCdoB fechou a “janela da infidelidade” como detentor da maior bancada individual na Assembleia Legislativa ao acrescentar três deputados à bancada que era de três integrantes. Já  no por de sol do período permitido a detentores de mandato para a troca de partido, o deputado Levi Pontes deixou o PHS, a deputada Francisca Primo deixou o PT e deputada Ana do Gás deixou o PRP, para ingressar, os três, do PCdoB. Eles se juntaram aos deputados Othelino Filho, Marco Aurélio e Raimundo Cutrim na bancada do partido em que a referência é ninguém menos que o governador Flávio Dino. Nas suas manifestações sobre o assunto, os três disseram que foram convidados para ingressar no PCdoB, indicando que chegam na agremiação governista de cabeça erguida. O médico Levi Pontes tem registros de militância na esquerda quando estudava Medicina no Rio de Janeiro na década de 70, e chegou à Assembleia Legislativa pelo PHS, certo de que cedo ou tarde daria uma guinada à esquerda. Há muito militante da ala moderada do PT, pelo qual conquistou duas vezes cadeira na Assembleia Legislativa, a deputada Francisca Primo matou dois coelhos com uma só cajadada: deu uma guinada à esquerda para se livrar do fardo pesado que é ser petista nos dias atuais, e disputar a Prefeitura de Buriticupu embalada como candidata do partido do governador. A mais curiosa mudança ocorrida na ciranda partidária foi a conversão da ativa e desenvolta deputada Ana do Gás ao comunismo comandado pelo secretário Márcio Jerry (Articulação Política e Comunicação) e pregado pelo governador Flávio Dino, principalmente n os seus aspectos mais identificados com o cristianismo. Ela deixou o PRB,  partido conservador e de direta fundado pelo ex-vice-presidente da República José Alencar – um megaindustrial mineiro que foi aliado de Lula, mas nunca engoliu o PT – e que no Maranhão é comandado pelo polêmico deputado federal Cléber Verde.  A partir de agora atuará em outro extremo.

 

Colaboração

A Coluna abra espaço para uma manifestação de opinião relacionada com a data em que se comemora o Dia Mundial da Água.

aguas

Apelo para uma melhor gestão de nossas águas

Hoje, celebramos o Dia Mundial da Água e o que temos a comemorar? Como vão as nossas águas sr. governador Flávio Dino?

A Associação Camponesa (ACA), o Clube de Mães Santa Luzia, a Escola Educando, o Fórum Nacional da Sociedade Civil nos Comitês de Bacias Hidrográficas (Fonasc.CBH), o Grupo de Tambor de Crioula São Benedito do Taim, o Instituto Educacional e Social Shalon, o Instituto Maranhense Betesda, todas entidades e organizações ambientalistas não governamentais, legalmente instituídas nos termos da legislação das pessoas jurídicas e entidades conselheiras compondo o pleno do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh), fazemos um apelo para que haja melhorias na gestão das águas do Maranhão.  Acreditamos fielmente que o governador, como juiz que já foi, certamente valora a existência destes fóruns entendendo-os com espaço da democracia participativa, descentralizada e integrada no âmbito da governança das políticas públicas, em especial, a de Recursos Hídricos, relacionadas com as demandas socioambientais da sociedade maranhense.

Entendendo que a partir de janeiro de 2015 o Maranhão estaria alinhado aos fundamentos republicanos alardeados e preconizado por Sua Excelência, estávamos crédulos deste novo momento e dividimos nossas preocupações com o ilustríssimo Secretário da Transparência e Controle, Rodrigo Lago, que nos recebeu com toda a liturgia do cargo, colocando-se como homem público que comungava com as nossas preocupações.

 E num esforço muito grande agendamos uma reunião com o recém-indicado para a pasta de Meio Ambiente, Marcelo Coelho, para primeiramente nos apresentar, colocar nossos entendimentos e os desafios para a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, uma vez que o nosso compromisso é de ajudá-lo enquanto pares da governança da gestão das águas maranhenses.

Passados 21 meses de nosso mandato no Conerh, temos nos deparado com graves problemas na condução da gestão, com a insuficiência da SEMA em reconhecer o egrégio papel do Conselho, enquanto ator da governança, lócus de representação da sociedade maranhense, de uma nova institucionalidade política e  de uma nova perspectiva para a relação Estado x Sociedade.

Senhor governador, a conjuntura aponta que tais contradições tendem cada vez mais a se aflorarem numa expectativa de desconstrução gradual do Estado Democrático de Direito, guardião e garantidor dos direitos coletivos da cidadania e fortalecimento da autoestima do povo.

Ainda almejamos que em seu governo seja exercido os três eixos principais: o da transversalidade interna e externa na construção de políticas públicas de governo; o da participação e controle social, para garantir os benefícios do poder compartilhado e diluído; e o da sustentabilidade ambiental, social e econômica.

E, sendo assim, quem sabe em 22 de março de 2017 o Maranhão poderá realmente comemorar o Dia Mundial da Água. A sociedade civil faz a sua parte e o seu Governo deve fazer a sua.

Thereza Christina Pereira Castro

Engenheira civil
Vice-coordenadora nacional do Fonasc.CBH
Conselheira Nacional de Recursos Hídricos (CNRH)
Conselheira Estadual de Recursos Hídricos (CONERH)

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *