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Projeto arrojado: PT quer lançar candidato a prefeito nos 50 maiores municípios maranhenses

Francimar Melo revela plano ousado do PT para as eleições municipais no Maranhão

De volta ao poder no Maranhão, com a eleição de Felipe Camarão para a vice-governança do Estado, e no país com a histórica terceira eleição do ex-presidente Lula da Silva para o comando da República, o braço maranhense do PT se prepara para voltar ao governo e começa a fazer planos, sendo um deles o ousado, mas saudável, projeto de lançar candidato a prefeito nos 50 maiores municípios maranhenses, a começar por São Luís, nas eleições municipais de 2024. A revelação foi feita ontem pelo presidente estadual do partido, Francimar Melo, em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da TV Assembleia, comandado pela jornalista Sílvia Tereza. “O PT existe para cuidar das pessoas e disputar eleições”, disse Francimar Melo, empolgado com a vitória de Lula da Silva, mas sem perder a noção de que os tempos são outros e que o novo voo petista não encontrará céu de brigadeiro.

O projeto de lançar candidato nos 50 maiores municípios maranhenses, a começar por São Luís, Imperatriz, São José de Ribamar e Caxias, por exemplo – os três primeiros são atualmente governados por adversários ferrenhos do PT -, poderia parecer normal em partidos mais convencionais, acostumados com vitórias e derrotas. Mas, em se tratando do PT maranhense – que hoje forma uma federação com o PV e o PCdoB – parece um propósito arrojado demais para um partido que desde a sua fundação até agora não teve um bom desempenho eleitoral nas disputas estaduais e municipais, embora tenha mobilizado esmagadora maioria do eleitorado maranhense nas disputas nacionais desde a primeira eleição de Lula da Silva de 2002 para cá.

Ao longo da sua trajetória, o PT elegeu prefeito em apenas um grande município: Jomar Fernandes, em Imperatriz, no pleito de 2000. Tentou viabilizar candidaturas nos mais diferentes municípios de peso no Maranhão, mas sempre tropeçou em fracassos retumbantes nas urnas. Isso quando conseguiu definir candidato.

No caso de São Luís, os fracassos do partido nas disputas para o Palácio de la Ravardière têm sido devastadores. Sua maior conquista nesse item foi a eleição do então petista de proa Domingos Dutra como vice na chapa liderada por Jackson Lago (PDT). Tal situação tem ocorrido também nas tentativas do partido de formar bancadas influentes na Câmara Municipal da Capital – na última eleição, por exemplo, o PT elegeu apenas um coletivo, sem maior expressão política e legislativa. Isso se deve em parte ao fato de o braço do PT de São Luís quase sempre andar na contramão do braço estadual. Tanto que nas eleições deste ano, sob o comando do ex-vereador Honorato Fernandes, o PT ludovicense se juntou às forças bolsonaristas em torno das candidaturas do senador Weverton Rocha (PDT) ao Governo do Estado e do senador de extrema-direita Roberto Rocha (PTB) à reeleição. Foi esmagado nas urnas da Capital junto com os seus aliados.

No momento, vários nomes já se movimentam para as eleições de 2024 na Capital, a começar pelo prefeito Eduardo Braide (sem partido), que é um candidato forte em busca da reeleição. Na lista estão o deputado estadual e federal eleito Duarte Jr. (PSB), que foi segundo em 2020, o deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB), o vereador e presidente eleito da Câmara Municipal Paulo Victor (PCdoB) – ambos membros da federação – e o ex-prefeito da Capital por dois mandatos Edivaldo Holanda Jr. (PSD). Pelo menos até aqui nenhum nome do PT foi sequer especulado. Isso significa dizer que, se pretende mesmo entrar na disputa do Palácio de la Ravardière em 2024, o PT precisará “construir” uma candidatura.

A revelação dos planos do PT maranhense de lançar candidato a prefeito nos 50 maiores municípios maranhenses, feita pelo presidente petista Francimar Melo é, de fato, interessante do ponto de vista da movimentação política, afinal, trata-se do partido que vai comandar o país a partir de janeiro. Mas parece um desafio enorme e com pouca viabilidade em se tratando do PT estadual, ainda que o Governo do presidente Lula da Silva chegue em 2024 com a popularidade nas alturas. Isso sem levar em conta o que pensarão disso os seus aliados.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino reage à chantagem do mercado diante da fala de Lula sobre teto de gastos

Flávio Dino endossa palavras de Lula da Silva sobre sobre teto de gasto para área social

A chegada de políticos mais esclarecidos ao cenário nacional, como é o caso do senador eleito Flávio Dino (PSB), começa a colocar contraponto na tirania do mercado, que nos governos liberais dá as cartas com a famosa chantagem do sobe-desce das bolsas de valores sempre que alguém influente diz algo que desagrade os investidores.

Na quinta-feira, num discurso emocionado e realista, o presidente eleito Lula da Silva colocou em discussão a imposição do teto de gastos para áreas como educação, saúde e combate à fome, por exemplo. Foi o suficiente para a bolsa despencar e comentaristas econômicos, e até políticos, entrarem em polvorosa. Um sinal de que o mercado continua o mesmo e pretende continuar ditando as regras.

Só que agora os protagonistas têm os pés no chão não estão dispostos a se curvar aos maus humores dos donos do dinheiro. Diante da reação às palavras do presidente eleito Lula da Silva, que estão explicadas pela mais pura lógica, o senador eleito Flávio Dino reagiu:       

“Depois de tolerarem quatro anos de discursos ocos, desvarios fiscais e oportunismos eleitoreiros em 2022, não há razoabilidade em tantas ‘incertezas nos mercados’. É preciso ter ponderação e adotar critérios justos nas análises”.

O brasileiro democrata, patriota e realista endossa e torce para que a tirania do capital seja devidamente enquadrada.

Duarte Jr. foi um dos articuladores da carta dos jovens entregue a Lula

Duarte Jr. (e) no ato de entrega da carta dos parlamentares jovens eleitos ao presidente eleito Lula da Silva, que contou a presença de Flávio Dino

Repercutiu no meio político e fora dele a carta que jovens deputados federais eleitos, liderados por Duarte Jr. (PSB), entregaram ao presidente eleito Lula da Silva, em Brasília. Na carta, esses parlamentares pedem ao futuro mandatário da nação a implantação de uma política ampla e efetiva dedicada aos jovens. E sugerem que o primeiro passo seja a reestruturação da Secretaria Nacional da Juventude no Plano Plurianual 2023-2027. Com essa medida, o novo Governo contará com uma estrutura adequada à ampliação da política dedicada aos jovens, que representam nada menos que 23% da população brasileira.

Um dos articuladores do movimento que resultou na carta ao presidente eleito, o deputado estadual e federal eleito Duarte Jr. justificou a iniciativa, que, aliás, foi bem recebida por Lula da Silva: “Estamos pedindo o comprometimento do próximo governo com políticas voltadas para a juventude. Queremos ensino público de qualidade e inserção no mercado de trabalho, pois entendemos que isto será fundamental para a retomada do crescimento do país, a partir do próximo ano”.

A iniciativa é oportuna e faz todo sentido.

São Luís, 12 de Novembro de 2022.

Com a experiência de quem sabe onde está pisando, Brandão faz incursão produtiva em Brasília

Carlos Brandão com Geraldo Alckmin: encontro de quem se conhecer há tempos

O governador Carlos Brandão (PSB) conseguiu viabilizar todos os objetivos que o levaram a Brasília nesta semana. Reuniu-se com a bancada maranhense no Congresso Nacional, obtendo dos seus integrantes o compromisso de mandar recursos para investimentos na Uema; conversou longamente com senador piauiense Marcelo Castro (MDB), relator do Orçamento da União que está sob revisão; reuniu-se com senadores, também para falar sobre Orçamento; esteve em reuniões da transição, e fechou a agenda ontem com uma conversa importante com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), que coordena o processo em nome do presidente eleito Lula da Silva (PT). Pode-se especular com alguma segurança que o governador se deu muito bem na incursão, e volta para o Maranhão certo de que não precisará incursionar vez por outra na Capital da República com o pires na mão.

É verdade que a condição de governador reeleito em único turno lhe dá estatura para abrir portas em Brasília, principalmente se o Governo central estiver em mãos amigas, como vai acontecer ao longo do seu próximo mandato. Mas, além disso, a desenvoltura com que o governador maranhense visitou alguns dos gabinetes mais influentes de Brasília neste momento, está no fato de que, ao contrário do que muitos imaginam, Carlos Brandão conhece bem os caminhos da Capital da República, fruto de um intenso e produtivo trabalho de reconhecimento que realizou ao longo dos dois mandatos de deputado federal que ali exerceu entre 2007 e 2014 pelo PSDB.

Sua experiência de deputado federal lhe deu condição e autoridade para falar de igual para igual com os atuais representantes maranhense, notadamente nas questões relacionadas com definições orçamentárias e emendas individuais e de bancada. E foi exatamente sua vivência de deputado federal que o levou ao senador Marcelo Castro, com quem conviveu na Câmara Federal e de quem se tornou amigo. Tanto que o relator prometeu-lhe viabilizar seus pleitos na peça orçamentária em revisão.

O encontro de trabalho com o vice-presidente Geraldo Alckmin teve a leveza de uma visita a um velho amigo. Isso porque Carlos Brandão foi deputado federal pelo PSDB num período em que Geraldo Alckmin era um dos tucanos mais influentes do país como governador de São Paulo. Tanto que, quando o então pré-candidato a governador Flávio Dino, então no PCdoB, não tendo o apoio do PT, foi buscar aliança com os tucanos, que indicaram o então deputado federal Carlos Brandão para a vaga de candidato a vice-governador. A eleição da chapa Dino/Brandão em 2014 produziu o cenário de hoje com o vice agora governador reeleito e o titular agora senador eleito, com a possibilidade de ser ministro da Justiça.

Ainda em Brasília, ao falar sobre o encontro de trabalho com o vice-presidente eleito, o governador do Maranhão assinalou, sem rodeios: “É meu amigo de longa data. Saio muito entusiasmado porque não tenho dúvida de que nossas demandas serão bem atendidas. O Maranhão e o Brasil terão dias melhores”.

Os prováveis bons resultados da incursão do governador Carlos Brandão em Brasília não serão, portanto, produtos de um lance produzido pelo senso de oportunidade, mas do movimento de um governante que sabe muito bem onde está pisando e com quem está tratando.

PONTO & CONTRAPONTO

Ministério: se for confirmada, Sônia Guajajara terá grandes desafios pela frente

Sônia Guajajara: militância respeitada deve torná-la ministra dos Povos Originários no Governo Lula

É verdade que o presidente eleito Lula da Silva (PT) ainda não deu palavra final sobre a escolha, tendo avisado que só se manifestará sobre nomes para o ministério quando retornar do Egito. Mas não será nenhuma surpresa se ele vier a confirmar a unanimidade formada em torno de Sônia Guajajara para o futuro e necessário Ministério dos Povos Originários, que será inteiramente voltado para o resgate da dignidade dos povos indígenas do Brasil.

Nascida há 48 anos na Terra Indígena Arariboia, localizada no município de Amarante, no sertão maranhense, Sônia Guajajara é deputada federal eleita (PSOL) por São Paulo, e tem gravados no currículo formação superior em Letras e Enfermagem, cursados na Uema, uma pós-graduação em Educação Especial, uma militância indiscutível a favor da causa indígena e a experiência política convencional de quem foi candidata a vice-presidente da República em 2018, na chapa encabeçada por Guilherme Boulos (PSOL). É hoje uma liderança cujo trabalho é reconhecido e respeitado internacionalmente, O presidente eleito a conhece bem e sabe que entre as poucas opções que dispõe para comandar essa pasta, Sônia Guajajara é uma garantia de que ela vai atuar intensamente.

Sônia Guajajara é uma liderança indígena de ponta, respeitada exatamente pela seriedade com que tem encarado essa difícil e árdua militância em favor da causa indígena. A começar pela luta para manter o seu próprio berço, a Terra Indígena Araribóia, que vive sob frequente ameaça causada pela pressão de criadores e produtores do sul do Maranhão, que não aceitam a extensão daquela reserva indígena. Têm sido frequentes os movimentos com o objetivo de reduzir o tamanho da reserva, que representa quase a metade do território do município de Amarante. Um dos porta-vozes dos fazendeiros, o deputado estadual Antônio Pereira (PSB) vez por outra ocupa a tribuna da Assembleia Legislativa para pregar a redução da área da Terra Indígena Araribóia.

Esse dado, que envolve somente um caso de um aspecto da complexa questão indígena, é um indicador do desafio que Sônia Guajajara tem pela frente, caso venha ela ser escolhida pelo presidente Lula da Silva para o Ministério dos Povos Originários. O mais importante é que, se vier a ser ministra, a líder guajajara, que é mãe de três filhos já adultos, saberá onde pisar e o que deverá fazer.

Memória

Tauá Mirim: iniciativa de vereador lembra “mico” em campanha

Evandro Bessa Filho e Conceição Andrade: ele armou e ela caiu

A iniciativa do vereador Álvaro Pires (PMN) de protocolar na Agência de Mobilidade e Serviços Públicos do Maranhão (MOB) ofício solicitando providências para a regularização da travessia de estudantes da Ilha de São Luís para a ilha de Tauá Mirim, que, segundo ele, deveria estar sendo resolvido pela Prefeitura de São Luís, inspirou a Coluna a resgatar uma gafe histórica registrada uma campanha para o Palácio de la Ravardière.

Aconteceu em 1992, durante um debate realizado na então TV Ribamar, entre o então vereador Evandro Bessa Filho e a então deputada Conceição Andrade, ambos candidatos à Prefeitura de São Luís.

O tema em discussão era transporte público. Numa investida ao mesmo tempo inteligente e maliciosa, Evandro Bessa Filho atacou:

– Deputada, como a senhora pretende resolver o problema de transporte para Tauá Mirim?

Sem pensar duas vezes, como se já tivesse uma resposta pronta, mas sem se dar conta de que estava caindo numa armadilha, Conceição Andrade respondeu na bucha:

– Vamos resolver. Se não tiver estrada, vamos construir estrada. E se for preciso, colocaremos uma linha de ônibus para lá. O importante é que os estudantes tenham transporte.

Com um sorriso maroto de quem acertou na mosca, e sem perder a calma nem alterar a voz, Evandro Bessa Filho disparou:

– É muito estranho que a senhora queira fazer estrada e colocar linha de ônibus lá, porque Tauá Mirim é uma ilha.

Traída pelo impulso, Conceição Andrade ficou sem chão. Teve de encarar muita gozação por conta da derrapada, mas riu por último ao ser eleita prefeita de São Luís.

São Luís 11 de Novembro de 2022.

Candidatura virou “rolo-compressor” e Ivo Rezende pode ser candidato único na Famem

Ivo Rezende pode vir a ser candidato único à presidência da Famem com o apoio de Carlos Brandão

Poucas vezes uma articulação para a definição de uma candidatura forte e difícil de ser batida aconteceu de maneira tão rápida e avassaladora como a do prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), para a presidência da Federação dos Municípios do Maranhão – Famem. Delineada durante as últimas semanas da campanha eleitoral e consolidada tão logo foi anunciado o resultado do 1º turno das eleições gerais, com a reeleição do governador Carlos Brandão (PSB) e a eleição do ex-governador Flávio Dino (PSB) para o Senado, a candidatura de Ivo Rezende foi confirmada na noite de terça-feira (08) numa casa de festas em São Luís, onde recebeu o apoio declarado de nada menos que 123 prefeitos de corpo presente. O lançamento foi prestigiado pelo vice-governador eleito Felipe Camarão (PT), e – acredite se quiser – avalizado em mensagem de vídeo pelo atual presidente, o prefeito de Igarapé Grande Erlânio Xavier (PDT), homem forte do esquema político do senador Weverton Rocha (PDT).

Apoiado pelo seu padrinho político, o ex-prefeito são-mateuense Milton Aragão (PSB), um dos mais ativos chefes políticos da base do governador Carlos Brandão, Ivo Rezende fez um intenso, mas discreto, trabalho prévio de articulação. Quando as urnas do 1º turno confirmaram a reeleição do governador Carlos Brandão, ele obteve sinal verde e colocou seu projeto na rua, já contando com forte apoio entre seus colegas prefeitos, e com o incentivo do tarimbado núcleo político do Palácio dos Leões. A eficiente preparação não deixou espaço para outros aspirantes, tendo neutralizado também alguns movimentos entre aliados e adversários, que, a exemplo do aliado Bruno Silva (PP), de Coelho Neto, preferiram apoiá-lo.

Com o incentivo do governador Carlos Brandão, Ivo Rezende conseguiu o importante aliança com dois outros potenciais adversários nessa corrida: o prefeito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), que saiu forte das urnas com a eleição da filha para a Câmara Federal e vinha se preparando para ser candidato, e o de Pinheiro, Luciano Genésio (PDT), cujo projeto de candidatura à Famem foi arquivado com o fracasso da candidatura da irmã, Luciana Genésio (PDT), na corrida à Câmara Federal e, principalmente, pelo resultado da candidatura do senador pedetista ao Governo do Estado.

O sucesso da sua articulação se deveu, em grande medida, ao fato de pertencer ao PSB, portando, à base do governador Carlos Brandão. Isso porque, mesmo não sendo, por natureza, uma entidade partidariamente posicionada, a Famem pode ser um foco de pressão e um instrumento de ação política quando presidida com esse objetivo, como é o caso da gestão do atual presidente, que a usou abertamente como instrumento de fortalecimento eleitoral. Para o governador Carlos Brandão, que conhece em profundidade essa relação, ter um aliado no seu comando a imuniza do viés político e pode torná-la uma parceira produtiva na relação com os municípios.

Vale lembrar que Ivo Rezende será candidato por um longo período de dois meses, tempo em que pode evoluir para a consagração como candidato único, o que será um fato politicamente excepcional, se vier a ocorrer. Ou poderá vir a ser surpreendido também por um candidato outsider, imprevisto, saído de algum bolsão oposicionista. Não há, em princípio, previsão de uma coisa nem de outra, mas vale sempre lembrar a margem de imprevisibilidade que a política guarda no seu DNA.

O fato é que, pelas razões já relacionadas – boa articulação prévia e aval do governador Carlos Brandão e do senador eleito Flávio Dino (PSB), por exemplo – o prefeito de São Mateus caminha firme para se tornar presidente da Famem a partir de meados de janeiro. E tem afirmado que seu objetivo de recolocar a entidade nos trilhos do municipalismo, de onde ela andou sendo afastada nos últimos tempos.

Em Tempo: a Coluna revelou a movimentação do prefeito Ivo Rezende como candidato a presidente da Famem na edição de 20/10, quando sua candidatura não era cogitada nos meios de comunicação. Houve até quem desdenhasse. Mas o fato é quede lá para cá se transformou no rolo-compressor que ganhou forma na noite de terça-feira.

PONTO & CONTRAPONTO   

Gastão tem credenciais para participar da transição e do Governo Lula na área de Educação

Gastão Vieira participa da transição com credenciais para vir a ocupar função relevante no Governo do presidente Lula da Silva

Houve quem se surpreendesse com o convite do presidente eleito Lula da Silva para o suplente de deputado federal Gastão Vieira integrar a equipe de transição na área educacional. Esses certamente desconhecem a trajetória ao longo da qual o advogado e economista de foi sempre apontado como um dos especialistas do Congresso Nacional no campo da Educação.

Seu prestígio nessa área começou quando foi deputado estadual constituinte (PMDB), tendo sido um dos responsáveis por essa área na elaboração da Constituição do Maranhão de 1989. Avançou nessa seara como secretário de Educação no Governo Roseana Sarney (PMDB), ainda nos anos 90 do século passado e no seu último governo. Nos seus mandatos de deputado federal, Gastão Vieira foi reconhecido pelos seus conhecimentos na área, atuando como uma referência no Congresso Nacional, tendo presidido a Comissão de Educação da Câmara Federal, atuando também como relator de vários projetos importantes nessa área. Foi presidente do importante Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), nomeado pela presidente Dilma Rousseff (PT) e mantido pelo presidente Michel Temer (MDB). Além da sua reconhecida competência na área educacional, contou também para sua convocação o fato de ele hoje ser filiado ao PT, pelo qual concorreu a uma cadeira à Câmara Federal.

A participação na transição não é garantia de que Gastão Vieira venha a integrar o Governo do presidente Lula da Silva. Mas o seu especialismo e sua condição de petista são fortes credenciais para que venha a ocupar, sem favor, um cargo de relevância no Ministério da Educação.

Pedetistas querem definição do partido em relação ao Governo Brandão

Weverton Rocha: sob pressão

O senador Weverton Rocha tem uma equação para resolver dentro do braço maranhense do PDT. É que muitos quadros do partido dependem de empregos no Governo do Estado para sobreviver. Esses pedetistas se desdobraram pela sua candidatura e agora encontram-se em situação delicada, que pode se agravar se o partido vier declarar oposição ao Governo Carlos Brandão. Segundo um pedetista de proa, hoje, mais da metade do partido quer a volta do PDT à aliança governista. O senador estaria ciente do problema e estaria maturando uma solução, sendo a mais provável o realinhamento à base governista, o que seria visto com naturalidade por todos.

São Luís, 10 de Novembro de 2022.  

Encontro casual de Brandão com Braide pode abrir canal entre Governo e Prefeitura

Eduardo Braide e Carlos Brandão: troca de figurinhas que pode resultar na abertura de canal de comunicação institucional entre Governo e Prefeitura de São Luís

Foi um encontro, pode se dizer, casual, mas deixou no ar a impressão de que dele poderá surgir um canal de comunicação institucional entre o Palácio dos Leões e o Palácio de la Ravardière, entre os quais não existe fronteira física, mas uma distância causada por profundas diferenças políticas. Explica-se: ontem, numa das dependências da Câmaras Federal, o governador Carlos Brandão (PSB) e o prefeito Eduardo Braide (sem partido) sentaram à mesma mesa, para alinhavar com a bancada federal a provisão de recursos das chamadas emendas de bancada para o Governo do Estado e para a Prefeitura de São Luís no Orçamento da União para o ano que vem, que o Congresso Nacional vai rever a pedido do presidente eleito Lula da Silva (PT). O governador pediu a alocação de recursos para a Uema e para a Saúde. O prefeito pediu R$ 76 milhões para drenagem profunda, reforma do Mercado Central e construção do Socorrão III. E entre um pedido outro, os dois trocaram figurinhas.

Foi o primeiro encontro do governador com o prefeito de São Luís depois do desfecho das eleições, cujos resultados acentuaram a distância que os separa. Carlos Brandão foi reeleito, e reforçou seu cacife com a eleição do aliado Flávio Dino (PSB) para o Senado, de boa parte da bancada federal e da maioria da Assembleia Legislativa, e fechou seu elenco de vitórias com a histórica conquista do ex-presidente Lula da Silva (PT). Eduardo Braide não disputou votos, mas, com exceção do seu irmão, Renato Braide (PSC), que se elegeu deputado estadual, todas as suas apostas sofreram derrotas acachapantes: o senador Weverton Rocha (PDT) ficou em humilhante terceiro lugar – inclusive em São Luís – na disputa pelo Governo estadual, o senador Roberto Rocha (PTB) teve seu projeto de reeleição triturado nas urnas, o deputado federal Edilázio Jr., presidente estadual do PSD, não se reelegeu, e o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato dos seus aliados, está preparando as malas.

Esse cenário poderia naturalmente estimular o governador Carlos Brandão a jogar pesado contra o prefeito Eduardo Braide. Mas em política civilizada as coisas se dão de outra maneira. É improvável que o governador e o prefeito façam as pazes políticas e se aliem, mas nada os impede de estabelecer um modus vivendi institucional que possibilite ações do Governo estadual em São Luís, e até mesmo a eventual tessitura de parcerias em favor dos seus mais de 1,2 milhão de habitantes. Pode ser que não haja interesse de ambas as partes numa relação harmoniosa, o que seria um indicativo de que o prefeito Eduardo Braide e o governador Carlos Brandão preferem estar em pontas opostas do cabo de aço que mantém a atual distância entre Prefeitura de São Luís e Governo do Estado.

O xis da questão que dificulta essa relação são as eleições municipais de 2024, que entraram na pauta política após o momento em que se anunciou o resultado das eleições gerais deste ano. Nada menos que três aspirantes a candidato a prefeito da Capital surgiram na seara governista: o deputado estadual e deputado federal eleito Duarte Jr. (PSB), o deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB) e o vereador e presidente eleito da Câmara Municipal Paulo Victor (PCdoB). Um aviso claro de que o Palácio dos Leões planeja ter um aliado no Palácio de la Ravardière. Além disso, um motivo de preocupação a mais para o prefeito: o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD) se prepara para tentar voltar ao comando da cidade. Motivos de sobra para o prefeito Eduardo Braide estudar com extremo cuidado cada passo que vier a dar de agora em diante.

O encontro de ontem em Brasília, porém, mostrou que, por maior que seja a distância que os separa, nada impede que um canal de comunicação seja instalado entre os gabinetes principais dos dois palácios.

PONTO & CONTRAPONTO

Ivo Rezende lança candidatura à Famem sem saber se terá concorrente

Ivo Rezende (centro) ao lado do vice-governador eleito Felipe Camarão (e) no lançamento da candidatura: tudo leva a crer que ele será o próximo presidente da Famem

O prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), lançou ontem sua candidatura à presidência da Famem. Ele entra na disputa – será que haverá disputa – e reúne todas as condições de sair do pleito com o mandato garantido por larga vantagem. Além de ser um político da nova geração, com boa formação, bem articulado e avalizado pelo ex-prefeito de São Mateus, Milton Aragão, Ivo Rezende conta com o apoio do PSB e do Palácio dos Leões. De acordo com uma fonte próxima a ele, o provável futuro presidente da Famem está realizando uma articulação que não enxerga cor partidária. Ele acha que a entidade não deve ser partidarizada e que sua razão de ser é lutar pelos interesses dos municípios, independentemente de quem sejam os prefeitos. Essa visão se contrapõe ao que acontece na Famem sob o comando de Erlânio Xavier, que colocou a entidade a serviço da candidatura do senador Weverton Rocha, de maneira ostensiva. Tanto que vai sair sem condições políticas sequer de lançar um candidato, uma situação totalmente diferente do que aconteceu em 2018 e 2020, quando embalado pelo “poder de fogo” do senador Weverton Rocha. Ivo Rezende, se confirmado nas urnas, vai dar um rumo bem mais aberto e democrático para a entidade municipalista. Essa mudança de eixo acontecerá com qualquer outro prefeito que vier a assumir a sua direção.

Brandão e Weverton se cumprimentam, mas senador não diz se será aliado ou oposição

Carlos Brandão e Weverton Rocha trocaram cumprimentos, mas mantiveram distância

Ainda não está claro como o senador Weverton Rocha e o seu partido, o PDT, se portarão em relação ao Governo comandado por Carlos Brandão. Os dois se encontraram ontem na reunião da bancada federal, em Brasília, trocaram cumprimentos amistosamente e se mantiveram distantes durante os trabalhos. No final da semana, a Coluna enviou mensagem ao senador indagando sobre o assunto e pedindo uma definição. O senador, que costumava ser atencioso antes das eleições, manteve silêncio, não dando sinal de resposta, o que é compreensível, embora não seja lógico.

São Luís, 09 de Novembro de 2022.

Lula quer Dino no ministério, mas sabe que ele fará muita falta no Senado

Senado ou ministério? Flávio Dino terá seu futuro decidido por Lula da Silva

Em meio à intensa movimentação causada pelo processo de transição, o senador eleito Flávio Dino (PSB) vai aos poucos evidenciando a estatura política que construiu no cenário político nacional. Um dos aliados mais ativos e respeitados do presidente eleito Lula da Silva (PT), o ex-juiz federal, ex-deputado federal, ex-governador do Maranhão e agora com o passaporte carimbado para o Senado é uma das peças-chave no quebra-cabeça que o futuro chefe da Nação está montando para formar sua equipe de Governo e sua base de apoio no Congresso Nacional. O presidente eleito o quer no ministério, preferencialmente no da Justiça. Ao mesmo tempo, o quer no Senado, atuando na linha de frente no embate com a oposição bolsonarista, representada pelo ex-ministro da Justiça Sérgio Moro (União Brasil-PR). Enquanto seu nome é tema obrigatório em todas as conversas e comentários sobre o futuro Governo, o senador eleito pelo Maranhão se mantém afastado do burburinho, alimentando sua trincheira, mas pronto para o que der e vier.

Todos os observadores concordam que Flávio Dino se encaixa perfeitamente nos dois perfis, podendo prestar relevantes serviços ao País como ministro da Justiça – ou à frente de qualquer outra pasta -, podendo também realizar um trabalho parlamentar e político de ponta no Congresso Nacional. Na última visita de campanha que fez ao Maranhão, o então candidato Lula da Silva sinalizou fortemente, num discurso em praça pública, que pretendia ter o ex-governador na sua equipe de Governo, se eleito fosse. Com a eleição consolidada, Lula da Silva repetiu sua pretensão para diferentes interlocutores. Mas também, já admitiu que indo para o ministério, o senador maranhense abrirá uma lacuna enorme no Senado.

Quando as especulações sobre formação do ministério começaram, horas depois do anúncio da eleição de Lula da Silva, Flávio Dino foi dado como nome certo no Ministério da Justiça. Todavia, à medida que a frequência foi baixando, as ponderações foram se impondo, com a avaliação do novo desenho do Congresso Nacional. O presidente eleito e o seu entorno se deram conta de que, licenciando-se do mandato para ser ministro, Flávio Dino abrirá uma enorme lacuna na base parlamentar governista. Dono de enorme experiência nessa seara, o presidente eleito Lula da Silva sabe que, sem Flávio Dino, certamente terá reduzido o seu poder de fogo contra figuras bolsonaristas como Hamilton Mourão (PL-RS), que já anunciou decisão de não dar trégua ao novo Governo.

Nas suas manifestações acerca do cenário que está sendo desdenhado, o senador eleito Flávio Dino tem dado seguidas mostras de que, no ministério ou na Câmara Alta, tem base suficiente para atuar com eficiência. No Executivo, usará sem medida a exitosa experiência de sete anos e meio de um Governo produtivo. No Senado, tirará do colete a visão legislativa que demonstrou na Câmara Federal, onde fez história com várias relatorias, entre elas a da Lei da Ficha Limpa – que na época impressionou o presidente da Casa, o jurista Michel Temer (MDB). Num ou noutro campo, atuará com a habilidade com que presidiu a prestigiada Associação Nacional dos Juízes Federais.

E o que pensa o próprio Flávio Dino a respeito de tudo isso? Ninguém sabe ao certo. Ninguém duvida de que em situação normal ele faria opção pelo Senado, onde exerceria integralmente o seu mandato com a cultura de legislador, os dotes de tribuno e a habilidade de articulador político. No Ministério da Justiça, com o formato atual, investiria pesado na modernização da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal o ranço ideológico que contamina atualmente as duas corporações, de modo a torna-las definitivamente órgãos de Estado e não de Governo.

Nas últimas 48 horas, a situação do senador eleito pelo Maranhão se tornou mais complicada com a revelação, feita pelo portal de notícias 360° dando conta de que estaria sendo também cotado para uma das vagas do Supremo Tribunal Federal que serão abertas em 2023.

O fato é que o futuro imediato do senador Flávio Dino está nas mãos do presidente Lula da Silva.

PONTO & CONTRAPONTO      

Braide terá oponentes duros e precisa refazer sua base política

Eduardo Braide: decisões difíceis pela frente

O prefeito Eduardo Braide (sem partido) acompanha a movimentação de candidatos a candidato à Prefeitura de São Luís.

Até agora, integram a lista informal o deputado estadual e deputado federal eleito Duarte Jr. (PSB), o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB), o vereador e presidente eleito da Câmara Municipal Paulo Victor (PCdoB).

Eduardo Braide sabe que está num terreno minado e que se tornou mais complicado com o desastre que atingiu seus aliados nas urnas, em especial o senador Weverton Rocha (PDT), o deputado federal Edilázio Jr. (PSD) e o senador em fim de mandato Roberto Rocha (PTB), os quais apoiou explicitamente.

O prefeito sabe também que, além de escolher um partido adequado à realidade política que se instalará no país em janeiro, ele terá de refazer alianças, afastar-se da direita radical, livrando-se de auxiliares que fazem discurso golpista, e mover-se para uma linha respeitável de centro-direita. E no campo administrativo, desdobrar-se para tornar ainda mais competente sua gestão, que vem, inegavelmente, mostrando bons resultados. Com isso, terá margem para construir uma base política viável para encarar o enorme desafio da reeleição em 2024.

Josimar de Maranhãozinho não quer fazer oposição bolsonarista

Josimar de Maranhãozinho: longe do bolsonarismo radical

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que controla mais três votos na Câmara Federal – os dos deputados Detinha, Júnior Lourenço e Pastor Gildenemyr – tem dado sinais de que, mesmo que o ex-presidente Jair Bolsonaro busque abrigo no seu partido, o PL, ganhando o título de “presidente de honra”, com salário e tudo o mais, ele não pretende entrar na aventura de fazer oposição cega ao Governo do presidente Lula da Silva (PT). O parlamentar sabe que, pelo enorme abismo ideológico que os separa, ele e seu grupo jamais serão integralmente alinhados ao Palácio do Planalto. Mas tem sinalizado de que nada o impedirá de adotar a linha do Centrão, para isolar os bolsonaristas radicais e fechar com o Governo Lula nas questões essenciais, garantindo a governabilidade. O primeiro passo nessa direção foi dado por Josimar de Maranhãozinho ao costurar uma relação sem traumas do seu grupo com o governador Carlos Brandão (PSB), com quem sempre teve boa convivência – sem dependência.

São Luís, 08 de Novembro de 2022.

Weverton retorna ao Senado “cheio de gás”, mas com grandes desafios e muitas dúvidas sobre seu futuro

Weverton Rocha: de volta ao Senado, apoio a Lula da Silva, grandes desafios e muitas dúvidas sobre seu futuro político

“Estou de volta, cheio de gás, para trabalhar pelo meu país e pelo meu estado”. Foi como o senador Weverton Rocha (PDT) anunciou, por suas redes sociais, o seu retorno ao batente congressual e partidário depois de quatro meses licenciado para se dedicar à campanha eleitoral em que concorreu ao Governo do Estado e ficou na terceira colocação, depois de liderar as pesquisas – sempre no patamar de 17% a 25% das intenções de voto – até três meses antes das eleições. Um dos quadros mais ativos e promissores da nova geração da política maranhense, chefe quase absoluto de um grande partido, o PDT, o senador Weverton Rocha saiu do processo eleitoral duramente desgastado – mais pelos inacreditáveis equívocos que cometeu do que pelo seu desempenho pessoal. Retorna ao minado campo de batalha ciente dos imensos obstáculos que enfrentará para viabilizar os próximos passos da sua carreira. E a grande pergunta que está no ar é a seguinte: será aliado, indiferente, ou fará oposição ao governador Carlos Brandão (PSB)? Sua resposta definirá sua caminhada.

Candidato a governador apoiado pelas forças alinhadas ao presidente Jair Bolsonaro (PL), mas sem entrar de cabeça na campanha a favor do chefe da extrema-direita, o senador Weverton Rocha declarou seu voto no ex-presidente Lula da Silva (PT) no 2º turno, ao fazer o “L” num gesto de mão ao deixar a cabine eleitoral. A interlocutores, exibiu entusiasmo com a eleição do líder petista, apoiando a posição do comando nacional do seu partido nessa direção. No meio político, tanto aliados quanto adversários concordam na expectativa de que, no Senado, ele será um aliado de ponta do Governo Lula da Silva, somando esforços com a senadora Eliziane Gama (Cidadania) e com o senador Flávio Dino (PSB). Nos bastidores já se especula que ele já acertou os ponteiros com o presidente eleito para atuar na sua base de apoio.

Se tem sua posição resolvida no plano nacional, devido à sua posição partidária e ao peso do mandato, o senador Weverton Rocha tem uma situação complicada na seara doméstica. Seu desgaste político por conta do rompimento – para muitos injustificado – com o ex-governador Flávio Dino é imenso. Principalmente quando decidiu apoiar o projeto de reeleição do senador de extrema-direita Roberto Rocha (PTB), e se aliar com as forças desse campo, como que renegando o chamado “socialismo moreno” cunhado por Leonel Brizola e Jackson Lago. Dentro do seu partido há vozes que o acusam severamente de colocar o PDT a serviço do seu projeto de poder, o que ficou evidenciado com o pífio desempenho do partido nas eleições gerais – o único deputado federal e os quatro estaduais do partido foram eleitos sem expressão.

Com base nas regras que movem os partidos, e pela força do mandato de senador, ninguém supõe que no momento Weverton Rocha venha a perder o comando do PDT no Maranhão. Mas ninguém duvida também de que as eleições municipais de 2024 serão um divisor de água dentro da agremiação em relação à posição no comando do partido. E será esse resultado que indicará o seu futuro no que diz respeito às eleições gerais de 2026. Será ele de novo candidato a governador, provavelmente enfrentando Felipe Camarão (PT) como governador e candidato à reeleição? Será candidato à reeleição de senador, disputando vaga com Carlos Brandão? São equações que estão no ar, óbvias, mas politicamente complexas.

Mesmo diante de cenário tão complexo e desafiador, pode errar feio quem se motivar por conclusões apressadas. Weverton Rocha tem a seu favor a juventude, a prática política arrojada, posição de proa no comando nacional do seu partido, o controle do braço maranhense do PDT e quatro anos como senador, exercendo o mandato com grande produção legislativa. Isso significa dizer que, se de um lado tem problemas sérios para resolver, por outro, dispõe da oportunidade de tirar as lições corretas dos erros cometidos nas eleições municipais de 2020 e do tombo que sofreu em 2022. Agora, é usar o pragmatismo de maneira inteligente: a faca e o queijo estão acessíveis. Se fizer os movimentos certos, poderá seguir em frente, mas se errar, perderá tudo.

E o primeiro passo será decidir se atuará como aliado ou como adversário do governador Carlos Brandão.

PONTO & CONTRAPONTO

Ivo Rezende consolida candidatura é vai disputar a Famem como favorito

Ivo Rezende consolida candidatura e entra como favorito para a Famem

Se não houver qualquer embaraço ou fato novo capaz de desfazer a costura em andamento, o prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), será eleito presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem) no pleito que será realizado em janeiro. Apoiado pelo seu padrinho político, o ex-prefeito Miltinho, pelo comando do seu partido, e com o discreto aval do Palácio dos Leões, Ivo Rezende vem consolidando sua candidatura. Nessas articulações, ele já teria conseguido o apoio dos prefeitos de Coelho Neto, Bruno Silva (PP), de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), e de Barra do Corda, Rigo Teles (PL), que despontavam como nomes fortes para disputar o comando da entidade municipalista.

É claro que faltando mais de dois meses para a eleição do comando da Famem, muita água poderá rolar na seara municipalista, podendo inclusive surgir um candidato de oposição. Mas, na avaliação de um prefeito que conhece bem os meandros da entidade, Ivo Rezende é um candidato consolidado, em condições de se eleger. Essa fonte chama atenção para o fato de que o PDT, que controla a entidade há dois mantados, perdeu as condições de competitividade nas eleições gerais, não havendo, pelo menos até o momento, qualquer sinal de que o atual presidente, o prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier, que é o segundo homem na hierarquia do comando pedetista, esteja planejando lançar candidato à sua sucessão.

Mas, como lembram as raposas mais tarimbadas, principalmente no que diz respeito à luta pelo poder, a política tem um elevado grau de imprevisibilidade.

Núcleo duro vai continuar no novo governo

José Reinaldo, Sebastião Madeira, Luís Fernando Silva e Aparício Bandeira devem continuar no Governo

O próprio governador Carlos Brandão ainda não se manifestou especificamente acerca de quem comporá sua equipe para o próximo governo. Mas nos bastidores políticos e partidários algumas especulações começam a se firmar como possíveis. Uma delas é a provável manutenção do núcleo básico da atual equipe.

Principal aliado e conselheiro do governador eleito, o ex-governador José Reinaldo Tavares deverá continuar à frente da Secretaria Especial de Programas Estratégicos, que deve atuar como eixo desenvolvimentista do governo. Um dos mais eficientes coordenadores políticos do governo durante a campanha, quando fez a interlocução do Palácio dos Leões com segmentos da sociedade organizada, o ex-prefeito de Imperatriz, Sebastião Madeira, deve continuar na Casa Civil. Responsável pelo controle das contas públicas desde a posse do governador Carlos Brandão, atuando também como conselheiro político, o ex-prefeito de São José de Ribamar, Luís Fernando Silva, deve continuar no comando da área de Planejamento e Orçamento. Técnico experiente, gestor eficiente e com fortes laços de amizade com o governador Carlos Brandão, o engenheiro Aparício Bandeira deve continuar no comando da importante Secretaria de Infraestrutura.

Claro que não se trata de fato consumado, mas a julgar pelo que se ouve nos bastidores, os quatro continuarão.

São Luís, 06 de Novembro de 2022.

Como senador ou ministro, Flávio Dino será nome forte no cenário nacional dos próximos anos

Flávio Dino e Nicolau Dino: carreiras independentes na magistratura federal e no Ministério Público Federal

Adversários do senador eleito Flávio Dino (PSB) tentam reduzir o seu tamanho político sugerindo que ele está disputando vaga de ministro na equipe que o presidente eleito Lula da Silva (PT) vai montar para governar. A última provocação diz que o ex-governador do Maranhão estaria sendo rifado em favor de dois membros destacados do PSB, o ex-governador de São Paulo, Márcio França, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Ambos estariam cotados para o ministério e, de acordo com as insinuações dos seus adversários, poderão ocupar cargos para os quais Flávio Dino foi lembrado. Não satisfeitos, dizem agora que a possível indicação do procurador da República Nicolau Dino, irmão de Flávio Dino, para comandar a Procuradoria Geral da República, pode inviabilizar o projeto do senador eleito de ser ministro. As provocações – que animam o meio político, diga-se – não levam em conta o fato de que tudo o que foi dito até agora sobre a composição do ministério está limitado ao campo da especulação, uma vez que o presidente eleito não soltou nenhuma pista nesse sentido.

Hoje uma das vozes políticas mais respeitadas do País – sem nenhum favor – o senador eleito Flávio Dino não deu até aqui nenhuma declaração que leve à conclusão de que ele está realmente interessado em ser ministro. Quem sinalizou nessa direção foi o próprio Lula da Silva, num discurso para milhares de pessoas em São Luís, no qual disse com todas as letras que, se eleito, queria o ex-governador do Maranhão como membro do seu ministério. Várias vezes indagado sobre o assunto, Flávio Dino agradeceu a lembrança, mas deixou claro que não queria estender a conversa sobre o assunto.

Desde o anúncio da vitória de Lula da Silva nas urnas, na noite de 30/09, veículos de comunicação, a começar pelos mais importantes, como os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, por exemplo, montaram listas e mais listas com nomes cotados para o ministério, todas elas incluindo o senador eleito Flávio Dino, sendo a maioria apontando-o para o Ministério da Justiça, mas também para duas outras pastas: Casa Civil e Integração Nacional. Flávio Dino manteve absoluta coerência ao desconversar sobre esse tema.

Ontem, em meio à marola causada pela informação segundo a qual o procurador geral de Justiça adjunto Nicolau Dino seria candidato à sucessão do atual procurador geral, Augusto Aras, e que tal candidatura inviabilizaria eventual escolha de Flávio Dino para o Ministério da Justiça. Para começar, uma coisa não tem nada com a outra, uma vez que PGR e Ministério da Justiça não guardam qualquer ligação institucional. Flávio Dino foi juiz federal e Nicolau Dino entrou para o Ministério Público Federal, cada um seguindo o seu próprio caminho, sem nenhum choque. Dono de uma carreira impecável no Ministério Público Federal, Nicolau Dino é atualmente procurador-geral da República adjunto, estando, portanto, legitimamente credenciado para pleitear o cargo de procurador geral da República, independentemente de o seu irmão vir a ser ministro da Justiça.

Nos sete anos e três meses em que foi governador, o hoje senador eleito Flávio Dino enfrentou muitas batalhas jurídicas envolvendo a PGR, não tendo havido um só caso em que se aludiu a possibilidade de “cooperação” entre os dois irmãos. Ao contrário, houve situações em que o procurador da República Nicolau Dino se posicionou contrariamente à pretensão do Governo do Maranhão.

Finalmente, no que diz respeito à especulação envolvendo Márcio França e Paulo Câmara, vale assinalar que, embora representem estados economicamente mais fortes que o Maranhão, não alcançam a estatura política de Flávio Dino. O ex-governador paulista Márcio França perdeu a vaga de senador por São Paulo para o astronauta bolsonarista Marcos Ponte (PL), e o governador Paulo Câmara viu sua candidata ao Governo do de Pernambuco, Marília Arraes (Solidariedade), ser derrotada por Raquel Lyra (PSDB), que vai levar os caciques conservadores pernambucanos de volta ao comando daquele estado. Já o senador eleito pelo Maranhão comandou uma vitória em que fez cabelo, bigode e barba.

E para encerrar, vale outro registro: com o grande número de bolsonaristas eleitos para o Senado, pelo menos nesse primeiro momento, Flávio Dino já é visto por todos os analistas como peça fundamental na base governista no Poder Legislativo.      

PONTO & CONTRAPONTO

Bancada maranhense dará maioria a favor das mudanças no Orçamento propostas por Lula

Márcio Jerry e Aluísio Mendes: visões diferentes na tarefa de ajustar o Orçamento

Uma grande movimentação deve mobilizar a atual bancada federal para a aprovação, nas próximas semanas, do Orçamento da União para 2023 com as mudanças propostas pela equipe do presidente eleito Lula da Silva (PT), para desmontar as bombas de efeito retardado fabricadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). As alterações orçamentárias pedidas pelo futuro mandatário visam resolver problemas complicados, como garantir a continuidade do Auxílio Brasil, no valor de R$ 600,00, e a criação de mecanismos que permitirão ao novo Governo reajustar o salário mínimo com base no crescimento do PIB nos últimos cinco anos, além da inflação do ano anterior, o que significará a concessão de aumento real para o piso salarial do país.

Os articuladores designados pelo presidente eleito estão se desdobrando para fazer a mobilização, que conta com o aval do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL) e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O governador reeleito Carlos Brandão (PSB) e o senador eleito Flávio Dino (PSB) participam desse esforço.

Mesmo abrigando bolsonaristas de proa – como o senador Roberto Rocha (PTB), que está em fim de mandato -, a fatia maranhense do Congresso Nacional não é majoritariamente hostil ao presidente eleito Lula da Silva. Os senadores Eliziane Gama (Cidadania) e Weverton Rochas (PDT), assim como os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PT), Pedro Lucas Fernandes (UB), André Fufuca (PP), Bira do Pindaré (PSB), Zé Carlos (PT), João Marcelo (MDB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Marreca Filho (Patriotas), Cléber Verde (Republicanos) e Gil Cutrim (Republicanos) devem apoiar as mudanças propostas pelo presidente eleito. Já os deputados Aluísio Mendes (PSC), Josivaldo JP (PSD), Pastor Gildenemyr (PL), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (UB) e Edilázio Jr. (PSD), bolsonaristas assumidos e militantes, poderão trabalhar em sentido contrário.

Começa o processo sucessório na Famem

Erlânio Xavier convoca a eleição que vai tirá-lo do poder na Famem

O presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Erlânio Xavier (PDT) está convocando os prefeitos filiados para uma assembleia no final deste mês, quando serão formalizadas a data e as regras da eleição da nova Mesa Diretora da entidade municipalista. O atual presidente não pode mais ser candidato, e já existem dois candidatos declarados: Ivo Rezende (PSB), prefeito de São Mateus, e Bruno Silva (PP), prefeito de Coelho Neto. Outros nomes poderão surgir até o início de janeiro.

A eleição será realizada em janeiro, e deve marcar a derrubada da última coluna de sustentação política do projeto de poder do senador Weverton Rocha (PDT). Vice-presidente estadual do PDT e coordenador da campanha do chefe maior do seu partido ao Governo do Maranhão, posição reforçada com a presidência da entidade que congrega os prefeitos maranhenses, Erlânio Javier apostou alto que iniciaria 2023 como homem-forte do Governo do Maranhão. Não deu. Se tentar fazer o sucessor, é muito provável que venha a amargar outra derrota acachapante. Quando passar o cargo ao seu sucessor na Famem, voltará à planície como prefeito de Igarapé Grande.

São Luís, 04 de Novembro de 2022.

Flávio Dino mostra que pode comandar o Ministério da Justiça atuando para despolitizar a PF e a PRF

Flávio Dino: visão madura e abrangente sobre as corporações policiais federais

Instituições de Estado como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Federal precisam ser desideologizadas, para que voltem a atuar com o necessário profissionalismo, de modo a evitarem situações como o bloqueio de rodovias por grupelhos insatisfeitos com o resultado de uma eleição sobre a qual não recai qualquer traço de irregularidade. É o que pensa o senador eleito Flávio Dino (PSB) e expressado em entrevista concedida ontem ao jornal O Globo. As declarações de Flávio Dino reforçaram a certeza de que, caso venha ser escolhido pelo presidente Lula da Silva (PT) para o Ministério da Justiça, como está sendo especulado, o Governo terá na pasta um quadro preparado para colocar a PRF e a Polícia Federal (PF), também fortemente afetada pela ideologização durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) – novamente nos trilhos da institucionalidade.

Com a experiência de quem foi juiz federal, deputado federal e governador do Maranhão, Flávio Dino está convencido de que nessa eleição houve aparelhamento das instituições para fins partidários, apontando as ações da PRF no domingo como “fora do padrão”. No caso do bloqueio de rodovias por grupelhos de caminhoneiros bolsonaristas, sua avaliação é a de que a PRF não atuou como deveria diante de crimes perpetrados em flagrante, limitando-se a observar.

– Temos, infelizmente, essa ideologização de instituições que devem ser de Estado, ou seja, apartidárias. Uma coisa é a posição pessoal de cada cidadão ou cidadã, que deve sempre ser protegida. Agora, ele não pode usar sua função pública, a farda e o armamento ara militar a favor de uma posição ideológica – declarou o senador eleito, lembrando que isso foi visto também no Ministério Público e no Judiciário.

Do alto da sua experiência profissional e vivência institucional, Flávio Dino chama a atenção para a gravidade da situação e recomenda prudência no processo de desideologização de instituições como a PRF, por exemplo. “É preciso que a gente vá conversar com calma com essas corporações, porque a imensa maioria dos que as integram também não concordam com essa ideologização”, diz, numa clara demonstração de que conhece a natureza dessas corporações e sabe que nesse aspecto elas não podem ser olhadas como um todo. E lembra que quando governou, o presidente Lula da Silva teve muito respeito com as Forças Armadas e com a Polícia Federal.

– Agora, o desafio é maior, é preciso trazer essas corporações, sobretudo o Sistema de Justiça e Segurança Pública, para a legalidade. Não é trazer para a esquerda. Não é trocar um aparelhamento por outro. É colocá-lo a serviço de uma visão republicana, de fato, democrática – assinalou.

Flávio Dino deixou claro que essas posições foram amadurecidas ao longo da sua trajetória na vida pública, atuando nos três poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo), o que lhe dá uma visão mais abrangente e diferenciada dessa realidade. É o somatório de mais de uma década como juiz federal – quando lidou diretamente com essas corporações -, um mandato de deputado federal – tempo em que atuou efetivamente como legislador – e dois mandatos de governador do Maranhão, quando teve o Sistema Estadual de Segurança Pública sob seu comando direto. Nenhum dos citados até agora para o Ministério da Justiça reúne tais credenciais, o que reforça seu cacife, ao que se soma sua afinidade política com o presidente da República eleito e sua posição no PSB.

Na entrevista a O Globo, não é possível identificar a preferência do ex-governador do Maranhão, se está apostando no convite para a pasta da Justiça, para a Casa Civil, ou ainda para a Integração Nacional, ou na conclusão de que o melhor mesmo é assumir seu mandato de senador, por meio do qual poderá atuar com mais liberdade e desenvoltura como legislador e como articulador político. Quem o conhece sabe que ele se encaixa perfeitamente nos dois perfis. Mas, comprometido com o futuro imediato do País e do novo Governo, sinaliza que a palavra final é a do presidente Lula da Silva.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão age com firmeza e PM desbloqueia BR-135 e libera o acesso a São Luís

Carlos Brandão: posição firme para desmontar bloqueios em rodovias no Maranhão por bolsonaristas insatisfeitos

O governador Carlos Brandão (PSB) deu mais uma demonstração de que por trás da sua aparente timidez está um governante com personalidade forte e com capacidade de tomar decisões firmes em meio a situações grave. Foi um dos primeiros governadores a atender à decisão do presidente do TSE, ministro Alexandre Moraes, e colocar a Polícia Militar em ação contra bloqueio ilegal de rodovias por bolsonaristas insatisfeitos. Por sua determinação, a PM rompeu o bloqueio na BR-135, na BR-010, em Imperatriz, e em Balsas, onde a ação policial foi aplaudida pela população.

Nas redes sociais, ao anunciar que a PM havia desbloqueado a BR-135, na entrada de São Luís, o governador foi categórico: “Não permitiremos desrespeito com o processo democrático. A principal entrada de São Luís não pode ser interditada, nem qualquer outro trecho, por quem desrespeita o resultado do processo democrático das eleições. O nosso governo tomará as medidas cabíveis, obedecendo o que a lei determina, para promover a segurança dos maranhenses”.

Eliziane admite aceitar cargo na equipe de Lula, se for convidada

Eliane Gama: citada como opção

Não somente o senador eleito Flávio Dino (PSB) está sendo citado como ministeriável nas mais diversas listas que circulam sobre a composição da equipe do presidente Lula da Silva. Também a senadora Eliziane Gama (Cidadania), que teve participação importante na campanha do líder petista ao participar de movimento de líderes evangélicos pró-Lula, contrariando a orientação do Conselho de Pastores da Assembleia de Deus do Maranhão, foi citada, ainda que de maneira tímida, como ministeriável.

Em entrevista ao programa Ponto Final, da Rádio Mirante AM, comandado pelo jornalista Jorge Aragão, a senadora declarou que, se for convocada pelo presidente Lula da Silva para ocupar um cargo no Governo, está pronta para aceitar, mas se sua tarefa for permanecer no Senado dando apoio ao Governo, ela também está pronta.

Jornalista por formação e com a experiência de dois mandatos de deputada estadual, um de deputada federal e no exercício de mandato senatorial, a política maranhense é um quadro qualificado, dotada de sólidos conhecimentos acerca da realidade social e econômica do Maranhão e do Brasil, e com uma visão amadurecida da máquina pública. Reúne cabedal suficiente para sair-se bem no comando de um ministério da área social, por exemplo.

– Se o meu nome for colocado para dar apoio ao Governo do presidente [no Congresso Nacional], estarei pronta para apoiar. E se for para participar do governo, também estarei pronta. Estou para somar com o Brasil […] somar com esse processo de transformação de nossa nação – disse.

Difícil, porém, imaginar dois maranhenses na equipe ministerial de Lula da Silva, sendo mais provável a convocação do senador eleito Flávio Dino.

São Luís, 02 de Novembro de 2022.

Brandão freia especulação e avisa que novo Governo só será montado em fevereiro

Carlos Brandão avisa que reforma administrativa só será feita em fevereiro

Para conter uma onda de especulações a respeito de nomes para compor o novo Governo, o governador Carlos Brandão (PSB) aproveitou uma entrevista a uma emissora de rádio para mandar um recado aos interessados e especuladores: a montagem da nova equipe só será feita em fevereiro do ano que vem, depois que o novo Governo da República estiver devidamente instalado. Sua intenção é formar uma equipe afinada com o Governo central, para que as relações institucionais e de cooperação Estado/União aconteçam de maneira produtiva e sem maiores dificuldades. O governador deixou no ar a impressão de que pretende fazer uma reforma ampla, mas sinalizou que alguns nomes da equipe atual deverão continuar nos seus cargos. A ideia básica é formar um Governo com prevalência técnica, uma vez que o seu foco principal é realizar uma gestão eficiente, de resultados. Partidos aliados poderão indicar nomes, mas a palavra final será a do chefe do Executivo, que poderá acatar ou rejeitar a indicação.

Antes da definição do próximo presidente da República, o governador Carlos Brandão estava preocupado, ciente que, se o presidente Jair Bolsonaro (PL) se reelegesse, ele enfrentaria muitas dificuldades, e precisaria montar uma equipe que pudesse construir um diálogo com um Governo Federal politicamente hostil. A eleição do ex-presidente Lula da Silva (PT) muda completamente esse cenário, abrindo caminho para a formação de uma equipe essencialmente técnica, mas com jogo de cintura para dialogar sem tensões com seus interlocutores na Esplanada dos Ministérios. O governador quer tirar o Maranhão do isolamento o em relação ao Governo Federal nos últimos seis anos – dois do sob o presidente Michel Temer (MDB), e quatro sob o presidente Jair Bolsonaro.

Pastas como Fazenda, Educação, Saúde, Cultura, Turismo, Infraestrutura, Desenvolvimento Social e Segurança Pública são cruciais. Os titulares dessas secretarias no novo Governo terão de ser dotados de qualificação técnica e de habilidade política para dialogar com seus correspondentes na esfera federal. Essa relação, que tem sido impraticável com o Governo Jair Bolsonaro, que trata adversários políticos como inimigos, sem levar em conta as necessidades dos estados, será plenamente viável no Governo Lula da Silva. O próprio presidente eleito anunciou a abertura das portas durante a campanha eleitoral.

Mesmo com a vantagem de quem conhece o Governo em profundidade, o governador Carlos Brandão tem grandes desafios pela frente, o que torna mais especial ainda a escolha do novo secretariado. Para citar um exemplo: o novo secretário de Desenvolvimento Social terá a desafiadora tarefa de administrar uma rede de mais de duas centenas de restaurantes populares. Outro exemplo: o titular da Saúde terá de assumir a responsabilidade de comandar a hoje gigantesca estrutura hospitalar, tendo ainda o desafio de ampliá-la e de manter sintonia fina com o Ministério da Saúde. Capitanear estruturas como essas exige qualificação técnica, experiência operacional.

Um dos seus mais enfáticos motes de campanha foi dar continuidade e ampliar os programas sociais do Governo Flávio Dino, e implantar novas ações de grande abrangência. Para tanto, o governador deve abrir espaço para a indicação de nomes por partidos aliados para a montagem do novo secretariado. Mas já avisou que receberá as indicações e avaliará os nomes, sobre os quais terá a palavra final, podendo aproveitá-los ou recusá-los. Além de tecnicamente qualificado, o indicado terá de ser probo, sem qualquer rasura na trajetória.

Circula nos bastidores a especulação de que o governador Carlos Brandão não pretende mexer no núcleo básico da sua equipe, devendo Luís Fernando Silva permanecer secretário de Planejamento e Orçamento, Sebastião Madeira chefe da Casa Civil e José Reinaldo Tavares titular da pasta de Programas Estratégicos. No mais, a reforma administrativa poderá alcançar todo o primeiro escalão ou parte dele. O alcance das mudanças dependerá do perfil do novo Governo Federal e do horizonte que for desenhado pelo presidente Lula da Silva em relação ao Maranhão.  

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino não embarca em listas de ministeriáveis

Flávio Dino: cautela em relação às listas de ministeriáveis

Mesmo apontado como “o único nome certo para o ministério até agora”, segundo matéria publicada ontem pelo jornal Valor Econômico, o senador eleito Flávio Dino (PSB) está usando toda sua experiência e sua habilidade política para não cair na teia das especulações a respeito do seu futuro em relação ao Governo do presidente Lula da Silva. Seu nome aparece com destaque nas mais diversas listas de ministeriáveis, elaboradas por jornais, canais de TV, portais de notícias e outros canais de informação. Todas as citações o relacionam primeiramente com o Ministério da Justiça e, em segundo plano, com a Casa Civil e a pasta da Integração Nacional. Porém, mesmo tendo ouvido do então candidato Lula da Silva a intenção de tê-lo na sua equipe de Governo, o ex-governador do Maranhão só trabalha com uma certeza, a de que será senador da República, com disposição para dar suporte político, legislativo e institucional ao próximo Governo. Além disso, só o presidente eleito Lula da Silva sabe.

André Fufuca sai bem na foto e entra para a História

André Fufuca (d) ao lado de Arthur Lira na declaração histórica

O Maranhão político foi tomado de surpresa com a presença do deputado federal reeleito André Fufuca (PP) ao lado do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP), na histórica declaração de apoio ao resultado da eleição presidencial e na defesa do sistema eleitoral e das regras constitucionais. O jovem parlamentar não deu um pio sobre o assunto, mas assegurou sua presença na História política do Brasil de uma imagem de um momento decisivo na vida do País. Vale lembrar que o deputado André Fufuca não é um papagaio de pirata. Ele já foi vice-presidente e já presidiu a Câmara Federal, já foi vice-presidente e ocupou a presidência nacional do PP por vários meses, e atualmente é líder da bancada federal do partido, o que lhe garante estatura para estar ao lado do presidente Arthur Lira naquele ato crucial para a estabilidade democrática do país tencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

São Luís, 01 de novembro de 2022.

Eleição de Lula fortalece Brandão e Dino e recoloca o Maranhão nos espaços de Brasília

Lula da Silva celebra a vitória, que teve importante participação do Maranhão com Flávio Dino, Carlos Brandão e Felipe Camarão

A vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai tirar o Maranhão do isolamento em relação ao Governo Federal. Ganham projeção nesse novo cenário, em escala maior, o governador reeleito Carlos Brandão (PSB) e o senador eleito Flávio Dino (PSB), que entraram de cabeça na corrida ao voto e trabalharam sem descanso para fortalecer a candidatura do ex-presidente dentro e fora do Maranhão, comandando, de maneira determinada, a campanha do petista no estado. O trabalho árduo e desafiador dos dois foi decisivo para que Lula da Silva tivesse saltasse de 68,8% dos votos (2.603.454) obtidos no 1º turno para 71,1% (2.663.849) no 2º turno, um resultado muito próximo da diferença dele sobre Jair Bolsonaro nos votos totais do país. Além do prestígio eleitoral do ex-presidente no Maranhão, Carlos Brandão e Flávio Dino abraçaram a candidatura do petista como uma questão de “vida ou morte”, exatamente por saberem que a reeleição do presidente seria um golpe muito duro no Maranhão. Com esse resultado, o governador Carlos Brandão terá um parceiro no comando da República e o senador Flávio Dino um motivo especial para trabalhar duro pela estabilidade política e institucional.

Em qualquer situação, Lula da Silva teria votação majoritária no Maranhão, isso ninguém discute. Mas o tamanho dessa vitória certamente seria menor não fosse o trabalho diuturno, insistente e incansável dos dois líderes da aliança governista. Carlos Brandão, ainda administrando a recuperação da sua saúde, não faltou a um só compromisso que assumira durante a campanha, sem deixar o comando do Governo em segundo plano. Flávio Dino foi para as ruas, comandando caminhadas, carreatas e concentrações em comícios nas mais diversas regiões do estado. Vitoriosos nas urnas na primeira volta, e certos de que o candidato petista teria a maioria dos votos do estado, poderiam deixar o trem seguir sem condutor. Mas fizeram exatamente o contrário: compraram a briga, arregaçaram as mangas e foram à luta. O resultado de ontem mostrou que o envolvimento direto dos dois líderes na campanha foi decisivo para a ampliação da vantagem.

Num plano mais aberto, Flávio Dino terá um papel político abrangente no Governo do presidente Lula da Silva. Sua experiência de ex-juiz federal, ex-deputado federal e ex-governador por dois mandatos, somada à estatura política que ele conseguiu além das fronteiras do Maranhão, o credenciam para exercer um papel de maior relevância. Há quem o veja como futuro ministro da Justiça, cargo que se encaixa no seu perfil e lhe dá espaço para atuar como articulador. Mas há também quem enxergue nele um senador com credenciais para atuar como um articulador da base governista no Congresso Nacional, onde o presidente Lula da Silva vai precisar de suporte competente e confiável para conviver com uma oposição bolsonarista que, pelo menos no início, tentará de tudo para desestabilizar o Governo e com isso alimentar o monumental e perigoso racha nacional.

O presidente eleito tem dado repetidas demonstrações de que não faltará para com o Maranhão. Nas diversas conversas que teve com o governador Carlos Brandão, Lula da Silva repetiu a recomendação para que o governador lhe apresente cinco projetos importantes para o estado. Carlos Brandão disse que atenderá a recomendação, mas deixou claro que além disso vai trabalhar para uma sintonia fina com Brasília, que abra as portas ministeriais. E nesse sentido, o vice-governador Felipe Camarão (PT) terá papel importante na interlocução do Governo do Maranhão com o Governo de Brasília. Nesse contexto, viabilizar cinco projetos é importante, mas é tão ou mais importante será estabelecer uma convivência fácil e produtiva.

O Brasil ganhou com a vitória de Lula da Silva, obtendo a garantia de que permanecerá na seara da democracia plena, e nesse contexto, o Maranhão está na linha de frente dos estados cujos governos e as lideranças mais influentes estarão alinhadas com o futuro Governo que será instalado na República no dia 1º de janeiro do ano que vem, daqui a dois meses, portanto.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane ganha espaço no entorno lulista e é chamada por Lula de “minha querida senadora”

Eliziane Gama deve terpapel importante na base do Governo Lula da Silva no Senado

Sem o tamanho político do governador Carlos Brandão nem do senador eleito Flávio Dino, mas na condição de um quadro hoje importante do Congresso Nacional, a senadora Eliziane Gama (Cidadania), ganhou espaço no entorno do presidente eleito Lula da Silva, que ontem a chamou de “Eliziane, minha querida senadora do Maranhão” na abertura do seu primeiro discurso.

Eliziane Gama não chegou ao entorno do presidente eleito por acaso nem forçando barra. Além de ser oposição dura ao Governo de Jair Bolsonaro, a senadora maranhense assumiu o desafio de se colocar contra a orientação expressa dos chefes da Assembleia de Deus no Maranhão, que exigiram dela apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A atitude da senadora rompeu a crosta que os chefes assembleianos e estimulou muitos evangélicos a apoiarem o petista.

A atenção carinhosa do presidente eleito foi um sinal claro de que o presidente Lula da Silva conta com a senadora Eliziane Gama na base do seu Governo.

Weverton volta à cena declarando voto em Lula

Weverton Rocha reapareceu para votar e declarar voto em Lula

Submergido desde a dramática noite de 2 de Outubro, quando as urnas anunciaram que ele havia ficado em terceiro lugar na corrida ao Governo do Estado, atrás do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSC), o senador Weverton Rocha (PDT) reapareceu ontem, para votar e, com o “L” feito com os dedos polegar e indicador da mão esquerda, revelando seu voto no candidato do PT, Lula da Silva.  Nas suas redes sociais, ele postou a seguinte declaração: “Hoje é dia de exercermos a nossa cidadania de acordo com a nossa consciência e com muita paz”.

O voto no líder petista foi o primeiro sintoma de que o senador, que preside o PDT no Maranhão, refletiu profundamente durante o seu recolhimento, e está fazendo a caminhada de volta ao seu eixo político e ideológico, afastando-se do projeto de poder impulsivo que contaminou e fragilizou sua candidatura, minou a sua base política e o jogou nos braços do bolsonarismo, a ponto de ter como vice o deputado estadual Hélio Soares, presidente formal do PL maranhense e partidário entusiasmado da candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição.

A sucessão de erros impôs uma dura e inesperada derrota ao senador, que no seu recolhimento temporário deve ter feito um mea culpa e iniciado o caminho de volta ao eixo central da sua carreira.

São Luís, 31 de Outubro de 2022.