Caso da PM: Governo joga duro e impõe derrotas à Oposição na Assembleia Legislativa

 

Rogério Cafeteira, Bira do Pindaré, Eduardo Braide e Max Barros: debate de bom nível sobre a xeretagem na PM
Rogério Cafeteira, Bira do Pindaré, Eduardo Braide e Max Barros: debate de bom nível sobre a xeretagem na PM

A Oposição sofreu ontem duas derrotas fulminantes na Assembleia Legislativa, perdendo quase todo o gás que acumulara com a lambança na Polícia Militar para fustigar o Palácio dos Leões nessa importante etapa da corrida eleitoral. A primeira pancada: a maioria esmagadora dos deputados fulminou o requerimento de autoria do deputado Eduardo Braide (PMN), que propunha a convocação de três oficiais da PM para, em sabatina, informar a origem do memorando com a suposta orientação para que responsáveis por bases da corporação no interior identificassem e monitorasse a movimentação de líderes políticos durante o processo eleitoral. A segunda: não passou de 10 – são necessárias 14 – o número de assinaturas ao requerimento que propõe a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o imbróglio num prazo de 90 dias. E não bastasse isso, as forças oposicionistas podem amargar ainda uma terceira derrota: todos os indícios emitidos até agora sinalizam que o pedido de intervenção no Sistema Estadual de Segurança durante o processo eleitoral, protocolado no Ministério Público Federal, não tem qualquer chance de ser atendido.

Com esses resultados – que estão acontecendo por meio do bom combate político na seara parlamentar – a estratégia oposicionista, concebida para colocar  o governador Flávio Dino (PCdoB) em posição defensiva, foi por água abaixo, numa demonstração de que está preparado para embates dessa natureza. No caso, o Palácio dos Leões, que foi apanhado de surpresa pela divulgação do tal memorando, manteve o equilíbrio e jogou certo em todos os momentos do confronto. Montada na cúpula do Grupo Sarney, com o reforço do ex-deputado Ricardo Murad, candidato a governador pelo PRP, a bomba foi detonada para fazer um estrago grande na credibilidade política do governador Flávio Dino e seu Governo, o que reforçaria o discurso anti-comunista usado pelas vozes sarneysistas da Oposição na guerra pelo voto. Diante da repercussão que a denúncia ganhou pelas ondas da Rede Globo, o governador reagiu com firmeza, acusou o Grupo Sarney de armar contra seu Governo e minou uma estratégia para desfazer a onda: o problema surgiu na Polícia e é a Polícia que tem de investigar e colocar tudo em pratos limpos.

Diante do primeiro cenário desenhado pela movimentação da Oposição, o governador Flávio Dino reuniu seu staf, avaliou a situação e contra-atacou, primeiro colocando o secretário de Segurança, Jefferson Portela, na linha de frente das investigações. Ao mesmo tempo, acionou as vozes do Governo para rebater a pancadaria na Assembleia Legislativa, numa ação coordenada pelo líder governista Rogério Cafeteira (DEM), com o aval discreto do presidente da Casa, deputado Othelino Neto (PCdoB).

Ontem, logo cedo, deputados oposicionistas já admitiam o fracasso da operação para criar e instalar uma CPI destinada a apurar o caso, uma vez que não conseguiriam as 14 assinaturas para levar o requerimento ao plenário. O número de apoiadores do projeto de CPI estacionou no apoio de apenas 10, não havendo como o projeto seguir adiante. Logo a CPI foi descartada, passando as forças da Oposição a se juntar em torno do requerimento do deputado Eduardo Braide, que usou a tribuna várias vezes, recorrendo aos mais diferentes argumentos –  do “risco” à democracia ao “abuso de poder” – para convencer a maioria de que a convocação dos oficiais pela Poder legislativo seria o caminho mais correto para esclarecer tudo. Teve o apoio de discursos bem armados feitos pelo deputado Max Barros (PMB), mas o resultado foi o que já estava desenhado desde o início da sessão: o requerimento do deputado Eduardo Braide propondo a oitiva dos oficiais foi para o arquivo morto  por decisão de uma maioria esmagadora.

O caso da xeretagem mostrou que a Oposição está determinada a jogar pesado para minar a credibilidade do Governo, recorrendo a todos os meios que puder usar para satanizar o governador Flávio Dino e infernizar a sua gestão. E mais, confirmou que o deputado Eduardo Braide, que não aceita ser rotulado como sarneysista, é um adversário que deve ser considerado. Ao mesmo tempo, o governador Flávio Dino deu uma demonstração de que já sabe jogar no tabuleiro grande da política, ganhando a condição de páreo duro para o Grupo Sarney. Provavelmente está ciente de que o caso da suposta xeretagem – que ainda vai render alguma zoada, mas sem nenhum futuro – é apenas o começo de uma jornada que só vai terminar quando as urnas começarem a “cantar” na noite de 2 de Outubro.

Em Tempo: Vale registrar que o grande e saudável debate sobre a lambança na PM foi enriquecido pelas intervenções dos deputados Andrea Murad (PRP), Neto Evangelista (DEM), Edilázio Jr. (PSD), Bira do Pindaré (PSB), Souza Neto (PRP), Rigo Teles (PV), Adriano Sarney (PV) e Wellington do Curso (PSDB).

 

PONTO & CONTRAPONTO

Othelino Neto conduz sessão com firmeza e se consolida na presidência da AL

Othelino Neto:  condução firme consolida presidência
Othelino Neto: condução firme consolida presidência da Assembleia

O embate de ontem entre Governo e Oposição na Assembleia Legislativa foi marcado pelo desempenho do presidente Othelino Neto (PCdoB). Sereno e firme, o jovem presidente não se deixou impressionar pela movimentação e as pequenas ciladas jogadas por deputados experientes como o oposicionista Max Barros, e hábeis como Eduardo Braide. O presidente manteve a situação sob total controle até mesmo nos momentos de maior tensão, como o da votação do requerimento do parlamentar do PMN, no qual as forças oposicionistas apostaram seu último trunfo. Mediu cada momento e cada situação, procurando a melhor saída para os dois lados. Sem qualquer alteração, afetação ou partidarismo, o presidente garantiu a evolução da sessão assegurando todas as manifestações de governistas e oposicionistas, permitindo que o debate fluísse sem qualquer problema ou limitação. A maneira republicana como o presidente Othelino Neto conduziu a sessão garantiu que o assunto central da pauta fosse discutido à exaustão, não ficando qualquer pendência nesse aspecto. Tanto que em nenhum momento a Oposição reclamou, como costuma fazer, de cerceamento dos seus direitos previstos no Regimento da Casa. Ao contrário disso, todas as vezes que uma voz oposicionista ou governista pleiteou algum direito foi rigorosamente atendida, sempre dentro da regra. Quando algum pleito foi além da norma regimental, o parlamentar que o formulou foi devidamente informado da impossibilidade de ser atendido. Em resumo: o deputado Othelino Neto deu mais uma demonstração de que está firme e consolidado no comando do Palácio Manoel Beckman. Preparado para enfrentar os desafios que estão a caminho e que costumam agitar o parlamento em tempos eleitorais.

 

Se Ciro Nogueira cair mesmo, André Fufuca pode ampliar espaço no PP

André Fufuca pode ampliar espaço no PP com a queda de Ciro Nogueira
André Fufuca pode se firmar no PP com a queda de Ciro Nogueira

O braço regional do PP entrou em clima de alerta vermelho com a situação cada vez mais delicada do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira, representante do vizinho Piauí. Hoje um dos nomes de peso do PP na Câmara Federal, em nome do qual exerce a 1ª vice-presidência da instituição, o deputado federal André Fufuca pode ter de ampliar seu espaço no partido caso Ciro Nogueira deixe a presidência por conta do rolo em que se meteu com o chefe mafioso Joesley Batista, de quem teria recebido uma mala com R$ 500 mil. Quase ninguém mais acredita na sobrevivência política do senador piauiense, e menos ainda na sua permanência na presidência do PP. Não será, portanto, surpresa se o jovem deputado maranhense vier a ter de encarar o desafio de assumir o comando do PP, já que as demais lideranças do partido estão quase todas contaminadas pelo mesmo vírus que poderá mandar Ciro Nogueira para a cadeia.

São Luís, 27 de Abril de 2018.

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