Cancelamento do debate na TV Difusora só fez mal ao eleitor, porque os candidatos, no fundo, ficaram até aliviados

 

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Edivaldo Jr., Wellington do Curso, Eliziane Gama e Fábio Câmara perderam o debate

 

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Eduardo Braide causou a decisão  do cancelamento éla TV Difusora

O que poderia ter sido um dos momentos mais importantes e decisivos da corrida à Prefeitura de São Luís, o debate agendado para ontem, às 22 horas, na TV Difusora, foi transformado no mais polêmico e controverso episódio da disputa pelo voto e, por causa disso, foi cancelado. A não realização do que poderia ter sido um animado confronto entre Edivaldo Jr. (PDT), Wellington do Curso (PP), Eliziane Gama (PPS) e Fábio Câmara (PMDB) se deveu a uma ação por meio da qual o candidato Eduardo Braide (PMN) obteve na Justiça o direito de participar do debate, para o qual não fora convidado.

A decisão judicial provocou um grande burburinho entre os bastidores da campanha, deu margem a uma série de interpretações, causou irritação aparente nos candidatos e acabou cancelado pela emissora, que recorreu da decisão favorável à Braide, mas a manifestação da Justiça não saiu a tempo. O fato produziu uma série de desdobramentos políticos, entre eles a suspeita de que tudo não teria passado de um estratagema audacioso para “poupar” o prefeito Edivaldo Jr., como também o de que o candidato do PMN teria agido articulado com o PDT com o mesmo objetivo. Além dessas, várias outras versões “viajantes” circularam, tendo sido todas, de um lado confirmadas como verdades absolutas pelos adversários do prefeito Edivaldo Jr., e negadas com veemência pelos seus aliados e porta-vozes e pelo deputado Eduardo Braide. A verdade certamente não virá à tona agora.

No balanço de perdas e ganhos, o cancelamento do debate da TV Difusora foi um imbróglio típico das campanhas eleitorais, que sempre produz resultado desfavorável ao eleitor. Sim, porque, preto no branco, todos os candidatos saíram ganhando de alguma maneira. O prefeito Edivaldo Jr., que seria o alvo contra o qual todos descarregariam suas munições com o objetivo de abatê-lo ou, pelo menos, tirá-lo do eixo. O prefeito livrou-se assim das ousadas e insistentes investidas de Wellington do Curso, de um tiroteio mais centrado de Eliziane Gama e de cortantes intervenções de Fábio Câmara. Wellington do Curso, por sua vez, livrou-se de respostas demolidoras e de indagações ferinas de Edivaldo Jr., como também escapou de ser bombardeado por Eliziane Gama e Fábio Câmara. Eliziane Gama idem e Fábio Câmara idem. Se realizado, o debate teria produzido vitoriosos e derrotados, quem sabe até heróis e vilões.

Por razões óbvias, ninguém duvida de que seria um debate muito proveitoso para o eleitor, principalmente para os indecisos e para aqueles que rejeitam a todos os candidatos. Como também ninguém duvida de que de alguma maneira todos eles ficaram aliviados com o cancelamento. E numa especulação plausível, não é demais supor que, a julgar pelo que aconteceu na TV Guará, a participação de Eduardo Braide poderia ter produzido um enfrentamento espetacular, capaz até de alterar posições. Não apenas pelas suas intervenções, mas porque os demais candidatos também seriam estimulados a defender e melhorar suas posições com unhas e dentes.

A velocidade com que essa campanha está evoluindo e a iminência do seu desfecho fazem com que já nesta quarta-feira, por mais controvérsias que tenha produzido, o debate que não houve na TV Difusora e seus desdobramentos sejam coisa do passado. A necessidade de atrair votos é imperativa, e por isso chororô e nhenhenhém não resolverão questões que envolvem perdas e ganhos. Para os candidatos, não há outro caminho que não seja intensificar suas ações para encantar o eleitorado e, nessa linha, se preparar para o debate de amanhã na TV Mirante, onde o profissionalismo global não costuma abrir brecha para que aconteça imbróglio como o de ontem numa emissora do peso da TV Difusora.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Paço do Lumiar vai ter guerra e não disputa pelo voto
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Gilberto Aroso é candidato e deixa Domingos Dutra em situação complicada

O alerta vermelho foi disparado em Paço do Lumiar, com ecos fortes no Palácio dos Leões. Por decisão quase unânime, o TRE decidiu ontem deferir a candidatura do ex-prefeito Gilberto Aroso (PPL). Era tudo o que o candidato do PCdoB, Domingos Dutra, não esperava que acontecesse. Nos levantamentos mais recentes, Aroso apareceu na frente, mesmo estando com sua candidatura na guilhotina da Justiça Eleitoral. A confirmação da participação dele na corrida eleitoral lumiense rouba de Dutra a certeza de uma vitória tranquila. Agora, a tranquilidade foi para o espaço e Paço do Lumiar não pode, pelo menos até aqui, integrar a relação das vitórias dadas como certas pelo Palácio dos Leões. Domingos Dutra tem, de fato, condições de vencer a eleição, mas Gilberto Aroso é um candidato enraizado e reúne todas as condições de sair vitorioso das urnas. Com os dois candidatos de pé, pressionados pelo prefeito Josemar Sobreiro (PSDB), que aparece em terceiro, a eleição do futuro prefeito de Paço do Lumiar será o desfecho de uma disputa como poucas vezes o sétimo maior município do Maranhão viveu.

Luis Fernando entra para a História como fenômeno
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Luis Fernando Silva: sem adversários, mas mantendo os compromissos de campanha

Luis Fernando Silva (PSDB) caminha célere para entrar para a história política como um dos maiores fenômenos eleitorais do Maranhão. Ele será eleito pela segunda vez como candidato único. Tal situação, inédita nos registros eleitorais até aqui, ganhou forma ontem quando a Justiça Eleitoral bateu martelo e decidiu que o também ex-prefeito Julinho Matos (PMDB) não pode ser candidato devido a sua condição de ficha-suja. Chama atenção também o fato de que Luis Fernando é candidato liderando uma coligação que reúne nada menos que 18 partidos, sendo, se não a maior, uma das maiores entre os mais de 600 candidatos a prefeito em todo o Maranhão entre eles o PCdoB, o PDT e o DEM. Mas, ao invés de deitar-se numa rede e aguardar o anúncio oficial de sua eleição, o tucano intensificou sua campanha liderando uma caminhada-gigante pelas ruas da cidade e confirmando ainda todos os compromissos agendados para os próximos dias. Para ele, o fato de estar sozinho na corrida não é motivo para desativar sua campanha, explicando que sua relação com o eleitorado não leva em conta o fato de ter ou não adversário. Talvez esteja aí o segredo da sua ligação tão forte com a população da Cidade do Padroeiro.

Maria Lucia Telles: partiu um exemplo de dignidade
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Maria Lúcia Telles: uma vida de coerência

O Maranhão perdeu segunda-feira uma das suas ativistas políticas mais respeitadas dos últimos 70 anos: Maria Lúcia Telles. Poucas mulheres da sua geração foram tão dedicadas a ideais políticos voltados para a quebra das velhas estruturas e a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Ao lado do marido, o jornalista, poeta, escritor e militante Reginaldo Telles, com quem construiu uma família numerosa e engajada, a professora Maria Lúcia foi, antes de qualquer rótulo, um ser humano da melhor estirpe, uma figura de escol, sempre atenciosa e prestativa, e via de regra exibindo o sorriso que foi sua marca. Ao lado de Reginaldo Telles, Maria Lúcia militou no antigo PTB, sofreu dura perseguição da ditadura e foi, ao lado de Jackson Lago e Neiva Moreira, uma das construtoras do projeto que deu origem ao PDT no Brasil e no Maranhão, destacando-se por sua fidelidade aos ideais políticos de Leonel Brizola. Teve participação ativa em todas as gestões de Jacson Lago na Prefeitura de São Luís e no Governo do Estado, mantendo a serenidade e a dignidade nos momentos mais difíceis na vida pessoal e nas circunstâncias políticas, incluindo a deposição do governador pedetista. Nos últimos anos, já com idade avançada e alguns problemas de saúde, vinha se dedicando mais à família, sofrendo perdas que certamente contribuíram para apressar sua partida. Partiu aos 86 anos deixando um exemplo de coerência como militante política e dignidade e decência como pessoa.

 

São Luís, 27 de Setembro de 2016.

 

 

 

 

 

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