Todos os posts de Ribarmar Correa

PSD reúne forças conflitantes, mas a tendência é ficar sob o controle de Braide

Eduardo Braide, Eliziane Gama, Mical Damasceno
e Josivaldo JP: diferenças dentro do PSD

A ameaça da deputada estadual Mical Damasceno de se candidatar à Prefeitura de São Luís em 2024 dá bem a medida do que é o braço maranhense do PSD, ao qual são atualmente filiados o prefeito Eduardo Braide, o deputado estadual Fernando Braide, o deputado federal Josivaldo JP e a senadora Eliziane Gama, além, claro, da própria deputada Mical Damasceno. Para começar, não se sabe exatamente quem, de fato, tem o controle do partido no estado, já que os seus últimos dirigentes, o ex-deputado federal Edilázio Jr. e o ex-deputado estadual César Pires, derrotados nas eleições de 2022, juntamente com o ex-prefeito ludovicense Edivaldo Holanda Jr., passaram a bola para a frente. A legenda caiu no colo do prefeito Eduardo Braide, onde permanece até hoje, mesmo depois da entrada da senadora Eliziane Gama, que também está de olho no comando do partido.

Mesmo na inacreditável teia partidária brasileira, onde, com raras exceções, os partidos atuam apenas como instrumentos de conveniência política, é difícil encontrar uma agremiação que reúna quadros tão distanciados como o atual braço do PSD no Maranhão. Ao longo desse século, a legenda já esteve nas mãos da ex-deputada Nice Lobão, do ex-deputado Carlos Alberto Milhomem, do economista Cláudio Trinchão (secretário de Fazenda do último governo Roseana Sarney), de onde escorregou para as mãos do então deputado federal Edilázio Jr., tendo finalmente chegado ao controle do prefeito Eduardo Braide.

Depois dessa curiosa trajetória, marcada por seguidos insucessos eleitorais dos seus controladores, o braço maranhense do PSD agrega atualmente mais uma diferente composição de quadros. Para começar, tudo indica que o partido está sob o comando do prefeito Eduardo Braide, e do irmão dele, deputado estadual Fernando Braide, ambos políticos de centro-direita, que flertam segmentos de centro-esquerda, como o PDT do senador Weverton Rocha, de quem ainda são aliados. Os dois convivem na mesma casa com bolsonaristas não radicais, como o deputado federal Josivaldo JP, e com a direita radical e conservadora representada pela deputada Mical Damasceno, que atua de acordo com o braço evangélico do bolsonarismo extremado no estado.

No meio desse quadro complexo desembarcou a senadora Eliziane Gama, que representa o segmento evangélico de centro-esquerda. Política de centro-esquerda, ela já esteve no PT, mudou-se para a Rede, de onde saiu para migrar para o PPS, que foi rebatizado Cidadania, e pelo qual se elegeu para o Senado em 2018, integrando a base dos governos Flávio Dino (PSB) e Carlos Brandão (PSB). Eliziane Gama migrou do Cidadania para o PSD num arranjo partidário feito pelo chefe nacional do partido, Gilberto Kassab, para engordar a base de apoio do Governo Lula da Silva (PT) no Congresso Nacional. Ao que parece sem levar em conta a confusa teia política que é o braço do partido no Maranhão.

Essa bomba explodirá ou será desarmada à medida que se aproximar o momento em que o partido tiver de definir seu caminho nas eleições municipais, a começar por São Luís. Dentro do PSD uma decisão já está tomada: o prefeito Eduardo Braide é o candidato à reeleição. Nesta semana, a deputada Mical Damasceno externou seu incômodo com a entrada da senadora Eliziane Gama no partido e ameaçou se candidatar à Prefeitura da Capital. Poderá ser, mas não pelo PSD. Eliziane Gama vai ficar contra o candidato do Governo, que pode ser o deputado federal Duarte Jr. (PSB) ou o vereador Paulo Victor (PCdoB)? Ou ela própria se lançará candidata?

O fato é que vai chegar a hora da verdade no PSD. Nesse momento, as diferenças vão falar tão alto quanto as conveniências. É possível prever que com o poder de fogo que dispõe, o prefeito Eduardo Braide poderá impor seu projeto de reeleição, com ou sem o apoio da senadora Eliziane Gama e da deputada Mical Damasceno.

PONTO & CONTRAPONTO

Disputa em Matões reunirá forças políticas poderosas

Ferdinando Coutinho e Rubens Pereira:
confronto político anunciado em Matões

A guerra sucessória será dura nos 217 municípios maranhenses, disso ninguém tem dúvida. Mas em alguns deles, o confronto envolverá forças bem mais poderosas do que nos demais, como será o caso de São Luís, Pinheiro, Tuntum, entre outros. Mas a disputa pela Prefeitura da pequena Matões, vizinha de Caxias, com 33 mil habitantes, reunirá forças poderosas em confronto.

Ali, de um lado, o prefeito já reeleito Ferdinando Coutinho (PDT), com o apoio da deputada estadual Cláudia Coutinho (PDT) e do ainda forte Grupo Coutinho, cuja base está em Caxias, mas se reflete na região, já escolheu o candidato a prefeito e a vice-prefeito. Quer como sucessor Nonato Medeiros, o Nonatinho, que integra o secretariado, e como vice dele a vereadora Cristiane Pinheiro. Do outro lado está o Grupo Pereira, comandado pelo ex-prefeito Rubens Pereira, o atual e influente secretário estadual de Articulação Política, que tem o reforço do deputado federal Rubens Jr. (PT). E no centro da disputa, o candidato derrotado por Ferdinando Coutinho em 2020, que pode entrar na disputa ou pender para qualquer um dos lados.

Para turbinar seu candidato, o prefeito Ferdinando Coutinho tem o apoio do senador Weverton Rocha (PDT), que tem interesse especial no desfecho daquele confronto. Já o candidato dos Pereira, que poderá ser o próprio Rubens Pereira, o Rubão, poderá contar com o aval do grupo ligado ao ministro Flávio Dino, a começar pela senadora Ana Paula Lobato (PSB). A deputada federal Amanda Gentil (Republicanos) e o seu colega André Fufuca (PP) também entrarão na guerra, ainda que não esteja definido do lado de quem.

O fato é que, por conta do peso político e  das ligações dos seus líderes e candidatos, a corrida sucessória em Matões será uma das mais acirradas de 2024.

Câmara homenageia jornalistas que comandaram a comunicação da Casa

Francisco Chaguinhas entre os homenageados;
Marco D`Eça e Rafael Arrais: reconhecimento

Num tempo em que o jornalismo passa por uma mudança radical, com a transformação do modo de produzir e veicular informação, tornando essa profissão ameaçada pelo lado pantanoso das redes sociais, a Câmara Municipal de São Luís encontrou uma maneira de reafirmar a importância do jornalista. Esse gesto veio na homenagem da Casa a dez ex-diretores de Comunicação, profissionais que ali serviram com o objetivo de mostrar ao mundo o trabalho dos vereadores e o papel da instituição na vida do município. Por iniciativa do presidente Francisco Chaguinhas (Podemos) e o apoio do atual ocupante do cargo, jornalista Rafael Arraes, eles receberam o Certificado de Honra ao Mérito pelos serviços que prestaram no exercício do cargo.

Foram homenageados os jornalistas Djalma Rodrigues, Marco D’Eça, Itamargarethe Corrêa Lima, Gláucio Ericeira, Luís Cardoso e José Raimundo Rodrigues, além de Mário Coutinho, Udes Cruz, Cunha Santos e Aldionor Salgado, que reconhecidos in memorian, foram representados por seus filhos, respectivamente, Márcio Augusto Coutinho, Udes Filho, Laila Cunha Santos e Mariana Salgado.

O presidente em exercício da Câmara Municipal, Francisco Chaguinhas, dono da iniciativa, justificou a homenagem: “Pela primeira vez, esta Casa homenageia aqueles que ao longo dos anos comandaram equipes que colaboraram para divulgar e registrar a história do parlamento ludovicense”, pontuou o vereador.

O atual diretor de Comunicação, jornalista Rafael Arrais, complementou: “É um justo reconhecimento aos profissionais que tanto contribuíram para o fortalecimento desta Casa e para a sua importância para a cidade”.

Um dos homenageados, jornalista Djalma Rodrigues, que comandou a Comunicação da Câmara Municipal em cinco gestões, se disse feliz por ter o seu trabalho e dos colegas reconhecido pela Casa: “O presidente Chaguinhas foi muito feliz ao estabelecer este reconhecimento às pessoas que deram a sua contribuição na Comunicação da Câmara Municipal”.

A sessão em que os ex-diretores de Comunicação foram homenageados foi concorrida, com a presença de três ex-presidentes – Isaías Pereirinha, Manoel Ribeiro e Ivan Sarney -, do vereador Marcial Lima (Podemos), que também é jornalista e radialista, e de um grande número de profissionais da comunicação.

Os jornalistas profissionais, que fazem do jornalismo o seu projeto de vida, se sentem alcançados pela homenagem dedicada aos colegas.

São Luís, 21 de Abril de 2023.

Eney Santana partiu aos 100 anos levando sua gentileza e parte da memória política do Ma

Eney Santana: a altivez e a elegância escondiam a delicadeza

Partiu ontem, aos 100 anos, a caxiense Eney Tavares Lisboa de Santana, ex-primeira-dama do Maranhão, esposa, companheira e paixão eterna do médico, professor e político Pedro Neiva de Santana, que governou o estado entre 1971 e 1975. As manifestações do governador Carlos Brandão (PSB) e da presidente da Assembleia Legislativa Iracema Vale (PSB) lamentando a perda destacam linhas gerais a respeito de quem foi Dona Eney Santana, como era conhecida, ao longo do século que durou sua existência: a aparência altiva, reforçada por uma elegância ímpar, sugerindo ascendência aristocrática, escondia uma mulher educada, atenciosa, esclarecida e muito ciente do espaço que ocupava na sempre intensa vida profissional, intelectual e política do marido.

Dona Eney Santana levou o registro rico de parte da história do Maranhão no século XX, que passa pelo Estado Novo, a ditadura de Getúlio Vargas entre 1937 e 1945, durante o qual o marido Pedro Neiva foi prefeito de São Luís durante oito anos, indicado pelo poderoso interventor Paulo Ramos. Foi também deputado federal em 1938, e secretário de Fazenda do Governo José Sarney (1966/1970). Em outubro de 1970, indicado pelos militares com o aval do então senador eleito José Sarney e do governador Antônio Dino, foi o candidato da Arena e eleito governador do Maranhão, em pleito indireto, realizado pela Assembleia Legislativa, cargo que ocupou até 1975. Eney Santana viveu intensamente os bastidores desse processo – alguns acreditam que ela teve participação decisiva na posição do marido.

Na trajetória profissional, intelectual e política de Pedro Neiva, conhecido pela sua seriedade, Dona Eney Santana foi o braço forte dele, a sua confidente e sua conselheira. O que ficou evidenciado ao longo do tempo foi que o influente Pedro Neiva reverenciava a mulher, a ponto de ter entrado para o folclore político uma regra draconiana que vigorou no Palácio dos Leões durante aquele Governo: de segunda à sexta-feira, rigorosamente às 11 horas, a primeira-dama Eney Santana avisava ao governador que o almoço ir ser servido. Naquele momento, o governador Pedro Neiva, que tinha rigor britânico com horário, interrompia qualquer conversa, despedia-se do interlocutor e dirigia-se à ala residencial ao Palácio dos Leões, onde almoçava em companha da primeira-dama e só retornava ao gabinete de trabalho às 14 horas, para o expediente da tarde. Tal rotina só era quebrada em situação especialíssima.

Durante o Governo Pedro Neiva de Santana, em que pese o fato de que o Brasil estava amargando o período do general-presidente Garrastazu Médici, responsável pelos anos de chumbo da ditadura militar, que, além das posições políticas avessas, censurava grosseiramente as mais diferentes manifestações artísticas, o Maranhão viveu, curiosamente, um período explosivo no campo das artes.  Essa explosão veio com a música e o teatro produzido no Laborarte, por exemplo e muitas outras manifestações. Parte desse movimento teve a primeira-dama Eney Santana como incentivadora, atuando fortemente no apoio aos trabalhos ligados às artes plásticas. Tanto que o reconhecimento por essa atuação veio com a Galeria Eney Santana, referência destacada pela exposição de grandes nomes da pintura e da escultura no Maranhão.

Dona Eney Santana nasceu em Caxias em 1923 e casou ainda jovem com o já médico e político Pedro Neiva em Nova Iorque, terra natal dele, e onde viveram por algum tempo. O casal teve apenas um filho, Jaime, mas tinha como filhos a nora Alberlila e os netos Izabela, Pedro e Gabriela Santana. Jaime Santana graduou-se em economia e foi secretário de Fazenda no governo do pai, tendo deixado o cargo para se eleger deputado federal, liderando, junto com Aécio Neves, um movimento dissidente no MDB, que resultou na criação do PSDB.

Dona Eney Santana manteve vida discreta depois da morte do marido, em 1984, alimentando intactas a sua postura altiva e sua gentileza. As manifestações nas instituições políticas maranhenses lamentando sua partida simbolizam o prestígio que amealhou durante a sua longa e rica existência. Pena que não tenha deixado escritas as suas memórias.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão e Camarão reabrem três escolas de referência em São Luís

Carlos Brandão, Felipe Camarão e Iracema Vale
inauguram o Centro Educacional João Paulo II

A rede de escolas estaduais em São Luís teve ontem devolvida parte importante da sua integridade física e cultural, com a reinauguração de três das mais tradicionais unidades escolares de São Luís: o Centro de Ensino Médio Coelho Neto, no Bairro Ivar Saldanha; o Centro Educa Mais Almirante Tamandaré, na Cohab/Anil; e o Centro de Ensino João Paulo II, no Habitacional Turu. Juntas, as três escolas, que são referências em qualidade de ensino e abrigam mais de três mil estudantes do ensino médio nos três turnos.

A reinauguração, que é parte de um grande programa, foi comandada pelo governador Carlos Brandão (PSB) e pelo vice-governador e secretário de Estado da Educação Felipe Camarão (PT), com a presença da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), deputados e secretários, professores e estudantes. Além da reforma em si, as três escolas serão dotadas de quadras esportivas cobertas, conforme anunciou o vice/secretário Felipe Camarão, informando que o governador Carlos Brandão lhe deu autorização nesse sentido.     

O velho e honrado Centro de Ensino Coelho Neto teve renovado o auditório com 200 lugares, e que foi rebatizado de “José Luís Cantanhede Lopes”, em homenagem a um dos seus primeiros professores. Conta agora com uma “midiateca”, que abriga um rico acervo literário e receberá equipamentos de informática, e que foi batizada “Bráulio Gadelha Costa”, professor e avô do vice-governador Felipe Camarão. Ganhou ainda novos laboratórios (Física/Matemática, Química/Biologia e Eletromecânica/Eletrotécnica).

Maior referência educacional da região da Cohab/Anil, o Centro Educa Mais Almirante Tamandaré, que abriga mais de mil alunos em três turnos, foi inteiramente reformado, ganhando novos equipamentos e sistema de refrigeração. Agora, a escola tem novo auditório, biblioteca e Sala Maker, adequada para o estudo e a prática da robótica, área na qual já começa a ser uma referência.

E o Centro de Ensino João Paulo II, onde o Governo do Estado investiu mais de R$ 2 milhões na reforma e construção de novo espaço escolar, que ganhou salas de aula reformadas, midiateca, auditório e mais um sistema de acessibilidade para as pessoas com deficiência. Escola com mais de 40 anos, passa a ser de novo uma escola de referência.

Uma boa notícia

Denúncia contra Rigo Teles causa embaraços

Rigo Teles: denúncia
constrangedora

Impressiona a informação de que Rigo Teles (PL), ex-deputado estadual e atual prefeito de Barra do Corda, esteja sob o risco de perder o mandato e ser banido da vida pública pelo suposto crime de “rachadinha”. Feita pelo Ministério Público, a denúncia tem por base o depoimento de um motorista, Adson Flávio Ribeiro da Silva, que afirma haver trabalhado para o então deputado Rigo Teles ao longo de 10 anos e que em parte desse tempo fora nomeado para um cargo em comissão no gabinete dele na Assembleia Legislativa e que era obrigado a entregar parte do salário ao parlamentar, configurando aí o crime de “rachadinha”.

Vários aspectos desse imbróglio chamam a atenção, a começar pelo fato de que Rigo Teles, que exerceu nove mandatos consecutivos, 36 anos, na Assembleia Legislativa que agora é o prefeito de Barra do Corda, sempre ter exibido sinais de riqueza, em parte fruto da fortuna erguida pelo seu pai, Nenzim, um dos grandes comerciantes e fazendeiros da região, e que foi também prefeito de Barra do Corda. Ainda adolescente, Rigo Teles e seus irmãos estudavam em São Luís morando numa casa no bairro do Apicum, onde habitavam os ricos da cidade nos anos 60 e até 70, e dirigindo carro próprio, coisa rara um estudante na Capital em qualquer tempo.

É desconcertante saber que um político com seu lastro, e que tem a mulher, Abigail Teles (PL), detentora de mandato parlamentar, mas licenciada e exercendo o cargo de secretária de Estado da Mulher, esteja na corda bamba da Justiça por um crime tão rasteiro. O resultado é um baita constrangimento, primeiro na população de Barra do Corda, que vê seu prefeito numa situação dessas, e depois, no Palácio dos Leões, com o fato de que uma das integrantes do primeiro escalão vive esse drama em família.

Será muito positivo o prefeito Rigo Teles mostrar que a denúncia não tem base. O que parece não ser fácil.

São Luís, 20 de Abril de 2022.

Braide encara os primeiros problemas de uma onda que se formará com a corrida sucessória

Eduardo Braide enfrenta problemas que podem indicar
o começo da guerra pelo comando da Prefeitura

São os primeiros sintomas da pré-campanha para a Prefeitura de São Luís, que começa para valor em janeiro do ano que vem, mas que alguns movimentos vêm antecipando. O fato é que o prefeito Eduardo Braide (PSD) enfrenta um momento de turbulência que pode resultar em dificuldades políticas. A Câmara Municipal vai se reunir na próxima segunda-feira (24) para discutir e decidir se confirma ou derruba os vetos que o prefeito aplicou sobre o Plano Diretor (Lei nº 7.122); os rodoviários da Capital ameaçam entrar em greve a qualquer momento; e o deputado Carlos Lula (PSB), ex-secretário de Estado da Saúde, responsabilizou ontem a Prefeitura pela morte da criança indígena que não recebeu atendimento médico em hospitais municipal. Em meio ao tiroteio direcionado ao Palácio de la Ravardière, o deputado Fernando Braide (PSD) discursou na Assembleia Legislativa rebatando críticas ao irmão prefeito.

O prefeito Eduardo Braide vive uma situação incomum, uma vez que é líder de si mesmo, não tendo um partido ou um líder forte para tutela-lo. Isso, por um lado, o deixa à vontade para se movimentar conforme suas próprias avaliações, mas por outro o torna vulnerável, sem uma forte carapaça de defesa. É verdade que o prefeito é um político hábil, de posições firmes e bem pesadas, o que explica o sucesso retumbante da sua trajetória até aqui sem se sujeitar a imposições. Mas é também verdadeiro o fato de que voo solo em política não dura muito tempo, de vez que o que dá força e sustentação a projetos ousados é a capacidade de agregar, a exemplo do que vem fazendo o governador Carlos Brandão (PSB). O isolamento via de regra produz desastres políticos como o amargado pelo ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., por exemplo.

Os vetos ao Plano Diretor, todos eles baseados na Lei Orgânica do Município de São Luís, certamente motivarão debates ácidos entre vereadores aliados e oposicionistas. Mas é improvável que esses debates gerem uma crise política que o prefeito não seja capaz de administrar. Afinal, Eduardo Braide é advogado com largos conhecimentos em direito público, e muito provavelmente não cometeria erros na decisão de vetar itens do Plano Diretor. Mais ainda tendo um advogado experiente como Bruno Duailibe como procurador-chefe.  No caso do mau humor de motoristas e cobradores de ônibus, uma categoria sofrida, que aprendeu a reivindicar seus direitos deixando 400 mil ludovicenses sem transporte, impondo uma situação de caos urbano por alguns dias, o prefeito com certeza saberá os instrumentos que possui para evitar uma crise danosa. A crítica do deputado Carlos Lula sobre a morte da criança indígena, por mais grave que seja, pode ser minimizada com o fato de estar ele na oposição e na lista dos candidatos a candidatos a prefeito.

Desde que assumiu, há dois anos e três meses e meio, o prefeito Eduardo Braide já enfrentou situações bem mais complicadas. A diferença é que os problemas de agora repercutem bem mais pelo fato de que ele já começa a ser identificado como pré-candidato à reeleição, condição que de agora até às eleições o torna alvo fácil de qualquer adversário. E a Câmara Municipal, que vem surpreendendo pela movimentação política dos seus integrantes, a exemplo do presidente licenciado e atual secretário estadual de Cultura, vereador Paulo Victor (PCdoB), é o termômetro desse clima, o mesmo acontecendo com a Assembleia Legislativa, onde estão alguns interessados no palácio de la Ravardière, entre eles o deputado Carlos Lula.

Dono de bom preparo técnico e de faro político apurado, o prefeito Eduardo Braide tem esse cenário desenhado com clareza. E, certamente, busca meios de superar os problemas no campo administrativo, que não são poucos, mas são superáveis, e os argumentos para evitar o isolamento e com isso dissipar as tempestades políticas que ganharão força com a proximidade das eleições. Só não pode vacilar.

PONTO & CONTRAPONTO  

Brandão vai criar comitê para agir contra a violência nas escolas

Carlos Brandão entre colegas governadores na reunião
comandada ontem pelo presidente Lula da Silva

O Governo do Maranhão vai atuar fortemente na implantação de um programa voltado para garantir a segurança das escolas. Foi essa a decisão que o governador Carlos Brandão (PSB) tomou ao participar, juntamente com os demais governadores, da reunião de ontem, em Brasília, com o presidente Lula da Silva (PT) e os chefes dos Poderes Judiciário e Legislativo, com o objetivo de evitar que nossos ataques de ódio sejam feitos contra crianças e jovens nas escolas do País.

Carlos Brandão anunciou sua primeira decisão: formar um comitê com a participação de representantes dos três Poderes, incluindo prefeitos, e da sociedade civil, para construir soluções para o problema no estado. O comitê terá o compromisso de encontrar estratégias para evitar a disseminação do discurso de ódio e extremismo, de modo a manter as escolas como um ambiente de paz e segurança.

O governador do Maranhão declarou apoio total à proposta de regulamentação das redes sociais, onde circulam esses discursos de incentivo à violência. Ele se manifestou de acordo com as manifestações do ministro da Justiça, Flávio Dino, que já iniciou o processo de regulamentação com a portaria instituindo regras sobre o assunto nas redes, e do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, que defendeu medidas urgentes para evitar que as plataformas continuem sendo espaço para discurso de pódio sem controle.

“Não é possível que tenhamos regras e leis para a vida normal e não tenha na vida virtual. Esse assunto também será discutido no Congresso Nacional e, acredito eu, que sairá uma nova legislação de combate a essa questão. Isso tem levado a muitos atos de violência, não só na escola, mas na vida normal das pessoas”, assinalou o governador do Maranhão.

As providências para a formação do comitê serão iniciadas imediatamente.

Bacabal aniversaria, mas só dois dos três deputados participam da festa

Iracema Vale entre Davi Brandão e Roberto Costa
na festa de aniversário de Bacabal

Bacabal completou segunda-feira (17) 103 anos de emancipação política. Os bacabalenses comemoraram a data, mesmo com muitos deles ainda os efeitos danosos das enchentes do rio Mearim. A convite dos deputados Roberto Costa (MDB) e Davi Brandão (PSB), a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB) participou das comemorações. Foi saudada efusivamente pelos deputados e pelo prefeito Edvan Brandão (PSB) num oportuno clima de congraçamento.

Chama a atenção o fato de Bacabal ser um dos poucos municípios que contam com três deputados, que brigam entre si, mas brigam também pelo município. Mesmo não sendo natural de Bacabal, Roberto Costa milita intensamente no município, onde tem domicílio eleitoral e já disputou a prefeitura (2016 contra o ex-prefeito Zé Vieira), sendo considerado bacabalense por adoção, liderando ali o grupo político ligado ao ex-senador João Alberto (MDB), que já foi prefeito da cidade. Roberto Costa se divide entre Bacabal e São Luís.

O deputado Davi Brandão segue os passos do pai. Ainda muito jovem, formado em engenharia civil, preferiu embarcar na política, e com o apoio forte do prefeito Edvan Brandão, elegeu-se para a Assembleia Legislativa. Mantém boa relação com Roberto Costa, mesmo disputando votos. O outro é o deputado Florêncio Neto, filho do ex-deputado Carlos Florêncio, que foi vice-prefeito de Bacabal na chapa de Zé Vieira, mas foi cassado pelo TRE.

A presidente Iracema Vale foi recepcionada em Bacabal pelos deputados Roberto Costa, que a ciceroneou, e Davi Brandão, que acompanhou sua agenda. Florêncio Neto não apareceu na festa.

São Luís, 19 de Abril de 2023.

Weverton descarta federação PDT/PSB em 2024, mas sabe que não pode errar no próximo passo

Weverton Rocha: decisões difíceis
sobre alianças para 2024 em 2026

Se depender do senador Weverton Rocha, o seu partido, o PDT, não formará uma federação com o PSB para as eleições municipais de 2024, só admitindo esse tipo de aliança entre as duas agremiações para as eleições gerais de 2026. Com esse posicionamento, o senador, que preside o partido no Maranhão e é atualmente um dos – se não o – mais influentes membros da cúpula nacional da legenda brizolista, praticamente descarta uma composição como PSB no estado para as eleições municipais do ano que vem. Isso indica que o PDT provavelmente se manterá distanciado da aliança liderada pelo governador Carlos Brandão (PSB), podendo se aliar de novo ao prefeito Eduardo Braide (PSD), que deve buscar a reeleição, montar um grupo com grupos da direita bolsdonarista ou, o que é mais improvável nesse contexto, lançar candidatos nas grandes cidades, a começar por São Luís.

O argumento contrário à federação PDT/PSB já para as eleições municipais, avalia que o PDT seria engolido pelo PSB, que hoje acumula uma enorme passa de poder, a começar pelo fato de que ter o governador do Estado e a presidente e ¼ da Assembleias Legislativa. “Isso é muito poder”, avaliou o senador Weverton Rocha, para quem o PDT sairia gravemente enfraquecido. Para ele, o partido deve estar livre de uma aliança dessa natureza para poder dialogar com outras correntes, incluindo o prefeito Eduardo Braide sobre a sucessão em São Luís, com o prefeito Assis Ramos (Republicanos) sobre a corrida sucessória em Imperatriz, e ainda com o prefeito Júlio Matos (PL) sobre a guerra pela Prefeitura de São José de Ribamar.

A julgar por suas declarações descartando unir o PDT ao PSB em federação já para as eleições municipais, o senador Weverton Rocha parece inclinado a tentar repetir a fórmula de 2020, quando jogou todo o peso do seu mantado senatorial e do PDT como partido para fazer o maior número possível de prefeitos. E assim chegar a 2026 politicamente cacifado para bancar sua candidatura ao Palácio dos Leões, numa provável disputa com o atual vice-governador Felipe Camarão (PT), que naquele ano deverá ser governador em busca da reeleição, ou tentar renovar o mandato de senador, disputando diretamente com o governador Carlos Brandão (PSB) ou com a senadora Eliziane Gama (PSD). E nesse cenário possível, federar o PDT com o PSB agora não é, na sua visão, um bom acerto político.

Nesse contexto, a corrida para a Prefeitura de São Luís é um fator decisivo para os planos futuros do senador Weverton Rocha e do seu partido como um todo. Para começar, fazer uma aliança pontual, de conveniência óbvia, com o prefeito Eduardo Braide (PSD) não parece ser o melhor caminho. Isso porque o resultado do que fora “plantado” de 2020, que visava fartura de votos em 2022, foi excelente para o prefeito, mas um completo desastre para o senador, que foi triturado em São Luís, onde esperava receber uma votação capaz de levar a disputa para um segundo turno entre ele e o governador Carlos Brandão, tendo acontecido exatamente o inverso.

O senador Weverton Rocha, com a experiência já acumulada, sabe que o controle político e administrativo de São Luís, ou pelo menos ter um aliado forte no comando do maior colégio eleitoral do Maranhão é fundamental para qualquer projeto político de abrangência estadual, como é o caso da renovação de mandado senatorial ou de chegar ao do Palácio dos Leões. E diante dos tombos que ele e seu partido têm sofrido na Capital, onde deu as cartas, direta ou indiretamente, durante as três últimas décadas, sabe que ambos se encontram um momento decisivo, que não podem errar no próximo passo, sob pena de caírem num abismo sem retorno.

É claro que sendo a política a arte do diálogo, não existe nela o que não seja possível. No caso do senador Weverton Rocha e do PDT no atua contexto, o problema é decidir com quem dialogar e qual a margem de concessão que pode fazer para a construção de um acordo que produza bom resultado nas urnas de 2024, e, claro, tenha desdobramentos em 2026.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão volta a Brasília para reunião com Lula sobre segurança nas escolas

Carlos Brandão volta a Brasília
por segurança nas escolas

Nem bem retornou da longa e exaustiva viagem à China integrando a comitiva do presidente Lula da Silva (PT), o governador Carlos Brandão desembarca hoje em Brasília para uma reunião importante e decisiva com o presidente da República: definir uma política eficiente de segurança nas escolas e creches, que estão se tornando espaço de tensão e medo por causa de ataques assassinos tresloucados.

O governador lava na pasta um diagnóstico e um elenco de propostas, elaborados, a seu pedido, durante sua viagem pelo governador em exercício Felipe Camarão (PT), que é também secretário estadual de Educação e conhece bem o assunto. De acordo com o próprio governador, o objetivo da reunião – para a qual estão convidados todos os governadores -, “é desenvolver estratégias conjuntas de promoção da paz e combate a discursos de ódio nas escolas do Maranhão e do Brasil.

O que for decidido em Brasília será instituído imediatamente no Maranhão.

Vetos não mudam a essência do Plano Diretor e devem ser mantidos

Eduardo Braide e Francisco Chaguinhas, com Érica, Garreto, presidente do Incid, no ato da sanção do Plano Diretor

Não há tensão forte entre a Câmara Municipal e o prefeito Eduardo Braide (PSD), depois de ele ter vetado alguns itens do novo Plano Diretor, sancionado no início da semana que passou. Por recomendação da Procuradoria Geral do Município, comandada pelo advogado Bruno Duailibe, o prefeito vetou pontos que se chocavam com a Lei Orgânica do Município, o que poderia resultar em questões judiciais futuras, com desgastes de tempo e recursos e ainda dificuldades administrativas para a Prefeitura.

De acordo com a Prefeitura, nenhum artigo essencial e importante foi vetado. Os itens retirados são todos dispensáveis.

Houve, é verdade, algum incômodo com os vetos. Mas eles foram devidamente explicados ao experiente e esclarecido presidente em exercício da Câmara Municipal, vereador Francisco Chaguinhas (Podemos), que participou da solenidade de sanção da lei que institui o Plano Diretor. Os vetos serão discutidos pela Câmara em breve, provavelmente com discussões inflamadas. Mas dificilmente a maioria dos vereadores derrubará os vetos, já que, segundo um advogado bem informado ouvido pela Coluna, eles estão bem fundamentados.

São Luís, 18 de Abril de 2023.

Postura, posições e decisões fazem de Brandão o 7º governador mais popular nas mídias digitais

Registro para a História: o governador Carlos Brandão (esquerda) no epicentro da política mundial, num dos momentos supremos da visita brasileira à China, posa, junto com outros governadores, ao lado de do presidente Lula da Silva e do líder chinês Xi Jinping

Em meio ao entusiasmo pela inauguração de 300 obras nos primeiros 100 dias do seu novo Governo e à boa repercussão da sua viagem à China integrando a comitiva do presidente Lula da Silva (PT), o governador Carlos Brandão (PSB) reassume neste Domingo o comando do Estado embalado por uma notícia que lhe dá motivos para comemorar: ele é o sétimo governador mais popular do País e o segund0 entre os nordestinos. É mostra o Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela empresa de pesquisa e consultorias Quest, que faz a medição diariamente e agora calculou a média dos primeiros 100 dias dos novos governos e de governos reeleitos. Como sétimo, o governador do Maranhão integra o time dos “10 mais” do ranking liderado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Entre os nordestinos, o maranhense só perde para a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), que ocupa o 1º na região e o 2º no plano nacional.

Não pouca coisa, não, porque, além dos dois primeiros, à frente do governador do Maranhão estão o mineiro Romeu Zema (Novo), o gaúcho Eduardo Leite (PSDB), o paraense Helder Barbalho (MDB) e o catarinense Jorginho Melo (PL). Mas, em contrapartida, está à frente do fluminense Cláudio Costa (PL), do capixaba Renato Casa Grande (PSB) e do goiano Ronaldo Caiado (União Brasil), todos com elevado índice de popularidade nos seus estados. Essa situação dá ao dirigente maranhense uma posição na linha de frente do ranking de popularidade entre os 26 governadores brasileiros.

A popularidade do governador Carlos Brandão no universo digital, segundo o IPD da Quest, é o reflexo natural de um governante que vem surpreendendo aliados e adversários pelo uso equilibrado do que os especialistas chamam de inteligência política. Ele foi o secretário de Estado eficiente, o deputado federal (dois mandatos) produtivo, o vice-governador (sete anos e três meses) correto e atuante e agora, como governador reeleito vem fazendo uma gestão positiva, até aqui sem nenhum “porém”. No campo político, tem atuado como um grande conciliador, usando a unidade como objetivo político num estado em que as correntes têm dificuldade em fazer composições. Não é unanimidade política, mas administra hoje uma aliança de largo alcance, que lhe assegura governabilidade sem tremores.

A popularidade tem a ver com postura de Carlos Brandão como governante, exemplificada em três situações. Na tentativa de golpe em 8 de janeiro, o governador do Maranhão se posicionar aberta e enfaticamente contra os atos terroristas praticados pela extrema-direita bolsdonarista em Brasília. Durante o Carnaval, o governador participou dos grandes momentos da festa, se comportando como cidadão comum. No drama social causado pelas enchentes, o governador se fez presente, não só administrado ações de apoio aos desabrigados em mais de 60 municípios, como também foi duas vezes pessoa às áreas mais críticas, uma delas ciceroneando o presidente Lula da Silva, que atendeu ao seu convite para ver de perto os estragos causados pelas enchentes.  

Pessoalmente, Carlos Brandão vem substituindo, sem açodamento, o político discreto, que evitava exposição excessiva, atuando num chefe de Estado expansivo, presente, alegre, que canta e dança dependendo do evento, mas que fala sério, e às vezes duro, quando a situação exige. Essa postura tem aproximado o governador das pessoas, contribuindo para uma relação sem maiores dificuldades. Assim, vai construindo uma imagem política com todos os ingredientes que chamam a atenção do cidadão e aumentam a sua popularidade, a ponto de estar situado entre os 10 governadores mais populares, ocupando um honroso sétimo lugar, segundo levantamento da Quest nas redes digitais, um território que não costuma ser simpático aos políticos de um modo geral.

Em Tempo: O índice, que vai de 0 a 100, é calculado por meio de um algoritmo de inteligência artificial que coleta e processa 152 variáveis das plataformas Twitter, Facebook, Instagram, YouTube, Wikipédia e Google. O governador obteve 23,7%.

PONTO & CONTRAPONTO

PCdoB visita Camarão e reafirma apoio total ao Governo Brandão

Felipe Camarão com líderes do PCdoB que foram reafirmar apoio ao Governo Carlos Brandão em visita ao no Palácio dos Leões

Uma visita ao governador em exercício Felipe Camarão (PT), na sexta-feira, alimentou a base política que dá suporte ao Governo Carlos Brandão: a cúpula maranhense do PCdoB, encabeçada pelo presidente estadual do partido, deputado federam Márcio Jerry. Acompanharam o presidente do PCdoB os deputados estaduais Rodrigo Lago, Júlio Mendonça e Ana do Gás, além de diversos líderes e dirigentes do partido.

Na conversa, que transcorreu descontraída, o presidente Márcio Jerry reafirmou o total apoio do PCdoB ao Governo liderado pelo governador Carlos Brandão (PSB), do qual o partido faz parte como aliado e integrante da federação que uniu PSB, PT, PCdoB e PP na corrida às urnas. O governador em exercício Felipe Camarão destacou essa relação e disse que o PCdoB foi importante e decisivo para a vitória da chapa liderada pelo governador Carlos Brandão e o tendo como vice. “Se estamos nesta cadeira, eu e o governador Carlos Brandão, é porque tivemos a ajuda do PCdoB nessa trajetória”, disse o governador em exercício.

Márcio Jerry disse ainda que o PCdoB se manterá fiel à aliança que mantém hoje com o Governo do Maranhão com o mesmo afinco com que apoia o Governo do presidente Lula da Silva (PT).

Lira nomeia Roseana para função inócua

Roseana Sarney ganha missão de coordenar as
ações a desabrigados no Maranhão

Anunciada com alguma a designação da deputada federal Roseana Sarney (MDB) para coordenar as ações federais em relação em favor dos desabrigados pelas enchentes no Maranhão. Tudo bem, a parlamentar conhece a situação como poucos, uma vez que a viveu treze vezes nos mais de treze anos em que governou o Maranhão. O problema é que a tal coordenação, para a qual foi designada por decisão do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-RN), é inócua, à medida que a coordenadora pouco ou nada pode fazer para otimizar as tais ações.

Além disso, a bancada maranhense já tem um coordenador, deputado federal Márcio Jerry (PCdoB), que já deve estar se movimentando nessa direção. E para completar, o Governo do Estado tem hoje um político atuante, o deputado estadual licenciado Othelino Neto (PCdoB), no comando da Representação do Governo do Maranhão em Brasília e cuja função é exatamente atuar para que os interesses do Maranhão em Brasília sejam defendidos e viabilizados nas diversas áreas do Governo Federal.

Em resumo, é pouco provável que a deputada federal Roseana Sarney tenha alguma coisa de concreto para realizar da boa vontade nessa função informal. Com a experiência acumulada, a deputada federal, ela poderia ser designada para funções legislativas efetivas. Seria muito mais coerente e proveitoso.

São Luís, 16 de Abril de 2023.

Novo Plano Diretor abre caminho para São Luís superar atrasos e avançar na modernização

São Luís poderá avançar na modernização com o novo Plano Diretor, aprovado em março sancionado anteontem

São Luís já tem traçado o roteiro do seu desenvolvimento urbano para os próximos anos, o Plano Diretor, debatido, revisado e aprovado há algumas semanas pela Câmara Municipal, depois de uma tramitação de seis anos, e sancionado ontem pelo prefeito Eduardo Braide (PSD), em ato solene no Palácio de la Ravardière. O Plano Diretor dá à Prefeitura de São Luís os instrumentos para a formulação de políticas, programas e projetos nos mais diversos aspectos da vida urbana, como infraestrutura e mobilidade, assim como disciplina o uso do solo, tanto no complexo urbano quanto na zona rural. Sua entrada em vigor é, sem dúvida um marco, corretamente classificado como “histórico” pelo presidente em exercício do parlamento municipal, Câmara Municipal, vereador Francisco Chaguinhas (Podemos).

Parte essencial do Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001), o Plano Diretor dá à Prefeitura de São Luís as diretrizes que podem levar a Capital rápida e seguramente a uma agenda de desenvolvimento sustentável, porque sugere a adoção de instrumentos indispensáveis, como a instalação do Conselho Municipal de Mobilidade Urbana, e propõe a elaboração de um Código Municipal de Meio Ambiente e de um Plano Municipal de Arborização, entre outras medidas saudáveis para a vida na cidade. São Luís, por suas características especiais de cidade litorânea e depositária de um precioso acervo arquitetônico colonial a ser preservado, precisa de um balizamento que só um Plano Diretor abrangente pode oferecer.

Nos seus 208 artigos – 40 a mais do que a versão anterior, que tinha 168 –, o novo Plano Diretor parece enxergar, finalmente, São Luís como uma cidade especial, vocacionada, que abriga 1,2 milhão de habitantes, espalhados em mais de 800 bairros e uma zona rural movimentada, é circulada para os 500 mil veículos, amarga um desafiador déficit habitacional e convive duramente com um número expressivo de problemas e situações complicadas. Tudo isso precisa urgentemente da mão forte do Poder Público municipal por meio de ações planejadas, que só um Plano Diretor, com diretrizes macro e inteligentes, pode garantir.

Criado em 2006, por meio da Lei nº 4.669/2006, o Plano Diretor de São Luís, durante a estão do prefeito Tadeu Palácio (PDT), tendo entre suas regras básicas a exigência de ser revisado a cada 10 anos. A primeira revisão, portanto, deveria acontecer em 2016, mas não aconteceu. Os prefeitos desse período – o próprio Tadeu Palácio (2002/2008), João Castelo (PSDB) (2009/2012) e Edivaldo Holanda Jr. (2013/2020) -, focados em projetos fora das diretrizes, pouca atenção deram ao Plano Diretor. Tanto que em 2016, quando deveria ocorrer a primeira revisão, o prefeito Edivaldo Holanda Jr. não fez a articulação necessária para que a Câmara Municipal de então cumprisse a regra e o revisasse. Além disso, polêmicas pontuais e intervenções do Ministério Públicos contribuíram para retardar o processo.

Quando o prefeito Eduardo Braide assumiu, em janeiro de 2021, encontrou o Plano Diretor adormecido na Câmara Municipal. O processo de revisão foi retomado em meados de 2021 em meio a uma intensa disputa. Foi preciso que vereadores experientes como Chico Carvalho, Astro de Ogum (PCdoB), Francisco Chaguinhas (Podemos) Gutemberg Araújo (PSC), somassem forças com novas lideranças, estimulassem o então presidente Osmar Filho (PDT) a promover a retomada da revisão. Foram meses de reuniões, audiências públicas, debates, discussões que envolveram a Câmara Municipal até o impasse do final de 2022. O ritmo mudou com a posse do presidente Paulo Victor (PCdoB), que em janeiro deste ano criou uma Comissão Representativa e determinou a retomada imediata e urgente da revisão.

O resultado da ação firme do presidente Paulo Victor saiu no dia 13 de março, quando a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, o novo Plano Diretor de São Luís, sete anos depois do prazo previsto em lei. O documento foi entregue dias depois ao prefeito Eduardo Braide, que usou parte do tempo legal para avaliar as mudanças, para decidir se sancionaria o projeto aprovado na sua totalidade, ou o vetaria parcial ou integralmente. O Plano Diretor revisado e aprovado pela Câmara Municipal foi sancionado integralmente pelo prefeito, que agora conta com um instrumento adequado para planejar sua gestão.

No ato da sanção, o prefeito Eduardo Braide declarou: – “Hoje é um dia histórico e a espera de muitos anos acabou. A partir de hoje, São Luís tem seu novo Plano Diretor para garantir um crescimento ordenado da cidade, um plano que chega para destravar uma série de ações que a cidade precisava realizar com respeito ao meio ambiente, compromisso com o desenvolvimento sustentável, política de habitação social e ocupação ordenada, entre outras ações que darão uma nova vida à cidade de São Luís”.

Presente ao ato, o presidente em exercício da Francisco Chaguinhas, completou: “É uma iniciativa que entrará para a história, pois mudará para melhor o processo de desenvolvimento da nossa cidade”.

Os dois dirigentes acertaram em cheio.

PONTO & CONTRAPONTO

Violência: mudança de posição do Twitter mostra que o Brasil agora tem Governo

Flávio Dino mostrou ao Twitter e às outras
plataformas que o Brasil agora tem Governo

O Twitter retirou da plataforma 100 perfis indicados pela Polícia Federal como sendo de pessoas que disseminam mensagens de violência nas escolas ou suspeitos fazê-lo. A medida tomada pela empresa representou uma mudança radical de posição cerca de 24 horas depois que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, editou, na quarta-feira, portaria com um pacote de decisões duras contra os criminosos da internet e as plataformas que se recusarem a cumpri-las. Até o anúncio das medidas, o Twitter vinha se recusando a retirar tais perfis, alegando o risco de estar sofrendo restrições à liberdade de informação.

A mudança de postura da plataforma hoje controlada pelo bilionário Elon Musk – um sujeito saudavelmente visionário, mas muito arrogante – indica com clareza que o poder das redes tem limite e que esse limite aparece quando um país como o Brasil tem um Governo sério e decide cumprir as suas leis. Isso ficou claro nas palavras do ministro Flávio Dino, que anunciou as medidas sem bravatas, com um discurso sereno, mas firme, deixando bem claro que, com base nas leis vigentes no Brasil, o Governo decidiu adotou a política de restringir ao máximo o uso das redes sociais, entre elas o Twitter, por disseminadores do discurso de ódio e fomentadores de violência nas escolas.

Atualmente ocorre, em todos os continentes, uma ampla, tensa e dramática discussão sobre até deve ir a liberdade de tráfego de informações e opiniões nas redes sociais, hoje sem dúvida o maior e menos controlado espaço de circulação do que há de bom de ruim em matéria de informação em todo o planeta. Há países, como a exemplar Nova Zelândia, que já avançaram. A maioria, entre eles o Brasil, ainda se debate na polêmica. Enquanto isso, as redes se empoderam, e em busca de lucros gigantescos, tentam garantir a “liberdade” que tantos danos estão causando à sociedade.

O Brasil, onde nos últimos anos o próprio Governo estimulou o “liberou geral”, por ser, ele próprio, a maior fonte do discurso do ódio, estimulador de violência em todos os níveis, a situação chegou a um nível crítico, precisando de um freio forte e urgente. E o freio veio com o novo Governo, por meio de um ministro da Justiça e Segurança Pública que conhece as leis, tem ampla noção do que são as redes sociais e que decidiu, legalmente, colocar a casa em ordem. Inicialmente abriu diálogo com as redes e pediu colaboração. Como ela não veio, decidiu aplicar a lei, prevendo inclusive o banimento do País das que não se enquadrarem nas regras, que em nada ferem a liberdade e a autonomia das redes.

O resultado foi a mudança de atitude do Twitter, que parece ter entendido de vez que o Brasil tem um Governo sério.

Iracema apoia campanha de entidades empresariais a favor dos desabrigados

Iracema Vale elogia a campanha na presença de empresários, políticos
(Maura Jorge, prefeita de Lago da Pedras, e representantes do Governo,
secretários Sebastião Madeira (Casa Civil) e Sérgio Macedo (Comunicação)

As principais entidades empresariais maranhenses entraram de vez no esforço para minimizar o sufoco por que passam as muitas famílias desabrigadas enchentes em dezenas de municípios do Maranhão, movimentando a campanha “S.O.S Enchente: Empresa Solidária”. Foram entregues cerca de 15 mil cestas básicas, 60 mil rolos de papel higiênico, além de itens como colchões, cobertores, vestimentas, produtos de higiene pessoal, água mineral, entre outros produtos, para auxiliar as famílias atingidas.

A presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), participou do ato resultante da campanha “S.O.S. Enchentes: Empresa Solidária”, promovida pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio), no Multicenter Sebrae. A campanha tem a parceria do Governo do Estado e de diversas entidades empresariais.

Na sua fala a chefe do Poder Legislativo elogiou a campanha destacando o seu alcance:  “A campanha visa minimizar o sofrimento e os prejuízos das famílias atingidas pelas fortes chuvas em dezenas de municípios maranhenses. Em nome da Assembleia Legislativa, parabenizo todos os empresários envolvidos nessa importante e fraterna iniciativa, que, de forma muito eficiente, arrecadou inúmeros donativos para o nosso povo”.

Representando o governador Carlos Brandão (PSB), que incentivou a campanha, e o governador em exercício Felipe Camarão (PT), o secretário-chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, agradeceu à classe empresarial. “Estão sempre sensíveis e dispostos a ajudar nos momentos adversos que o Maranhão enfrenta, somando aos esforços do governo”, assinalou.

São Luís, 14 de Abril de 2023.

Braide aposta no diálogo para construir a base política e eleitoral do seu projeto de reeleição

Entre o presidente da Câmara Municipal, Francisco Chaguinhas e a presidente do Incid, Érica Garreto, o prefeito Eduardo Braide exibe cópia do Plano Diretor de São Luís sancionado ontem, ato após o qual falou da reforma e de possíveis alianças para 2024

“Política é a arte do diálogo, eu não fecho as portas pra ninguém, pra aqueles que querem o bem da cidade”. Com a declaração, dada em entrevista ontem, no Palácio de la Ravardière, no ato em que sancionou o novo Plano Diretor, o prefeito Eduardo Braide (PSD) deu mais um passo na sua cuidadosa estratégia de preparar o lastro político do seu projeto de reeleição. Mais aberto do que o habitual, sinalizando estar trabalhando com horizonte político promissor, o prefeito de São Luís confirmou que já iniciou conversas com partidos sobre possíveis alianças. Ele admitiu que o fator político poderá influenciar na reforma administrativa que está iniciando e que resultados dessa movimentação deverão ser anunciados nos próximos dias.

Sobre a reforma administrativa, que implicará na mudança de comando de secretarias, o prefeito Eduardo Braide foi pragmático, explicando que isso é normal na metade de qualquer mandato. Ele já iniciou o processo de mudanças na Secretaria Municipal de Trânsito e Transporte – saiu Diego Baluz e assumiu Diego Pereira – e na Secretaria de Governo – saiu Enéas Fernandes e entrou Emílio Murad. Outras mudanças serão feitas com base na sua convicção sobre a necessidade de revisar com frequência o funcionamento da máquina administrativa, de modo a torna-la cada vez mais ajustada ao projeto de Governo.

As motivações das mudanças em curso, porém, vão além do mero ajuste administrativo. O próprio prefeito Eduardo Braide surpreendeu admitindo que já começa a se movimentar no campo político com o objetivo de viabilizar o seu projeto de reeleição. E, mais do que isso, declarou que o ingrediente político vai pesar na reforma administrativa. Isso significa dizer que alguns secretários poderão ser indicados por aliados políticos, que naturalmente estarão no seu arco de alianças para construir o suporte eleitoral que precisará para chancelar sua permanência no comando político e administrativo da Capital. Cauteloso como sempre, não revelou com quem está conversando, informando apenas que as conversas nessa direção estão em andamento.

Um dos políticos maranhenses mais pé no chão da atualidade, Eduardo Braide conhece como poucos o tabuleiro político estadual, com know how nas filigranas dessa área na Capital. Tem clareza de que a Prefeitura de São Luís encabeça a lista de objetivos do Palácio dos Leões. Esse interesse aumentou depois que o governador Carlos Brandão (PSB) venceu a eleição batendo, com boa vantagem, o senador Weverton Rocha com a influente militância do PDT, e o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. com o lastro de oito anos no comando da cidade. Nas avaliações feitas no “núcleo duro” do Governo, há quem aposta que um candidato governista pode virar o jogo.

Mas se, por um lado, o prefeito Eduardo Braide pode enfrentar concorrência dura na corrida à reeleição, por outro, qualquer outro candidato que decida enfrenta-lo encontrará um candidato difícil de ser batido. E é nesse cenário que se movimentam o deputado federal Duarte Jr. (PSB), o presidente licenciado da Câmara Municipal e atual secretário estadual de Cultura Paulo Victor (PCdoB) e o próprio ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., para citar três possibilidades concretas de candidatura. Daí não poder ser descartada uma aliança entre o prefeito de São Luís e o governador do Estado.

Não é sem razão, portanto, que o prefeito Eduardo Braide já começa a se movimentar efetivamente para construir o lastro político necessário para consolidar o seu projeto de reeleição. E essa construção deve passar por uma conversa com o governador Carlos Brandão que, como ele, aposta alto na conversa que pode resultar em acordos e alianças.

PONTO & CONTRAPONTO

Poderes se unem para combater as ameaças de violência nas escolas

O governador em exercício Felipe Camarão – na foto reunido ontem com representantes de movimentos sociais – coordena um grupo que trabalha num projeto de combate à violência nas escolas, tema debatido ontem na Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Ricardo Arruda (MDB)

Uma grande mobilização no Poder Executivo e na Assembleia Legislativa está em curso com o objetivo de montar, com urgência, um programa que garanta segurança nas escolas maranhenses contra a onda de violência como que tirou a vida de quatro crianças numa creche de Blumenal (SC), há duas semanas.

No Poder Executivo, o governador em exercício Felipe Camarão (PT), que é também secretário de Estado de Educação, encontra-se coordenando o trabalho de um grupo de especialistas com o objetivo de montar esse programa. Ele atende a um pedido do governador Carlos Brandão (PSB), feito antes de embarcar para a China. O governador em exercício quer apresentar o projeto tão logo o titular desembarque de volta a São Luís.

Na Assembleia Legislativa, a Comissão de Educação, Desporto, Ciência e Tecnologia presidida pelo deputado Ricardo Arruda (MDB), se reuniu ontem para discutir o tema e definir um posicionamento em relação às ameaças de violência em escolas maranhenses em diversas regiões, feitas em redes sociais. A pauta recebeu o apoio do vice-presidente Leandro Bello (Podemos) e dos integrantes Carlos Lula (PSB), Janaína Ramos (Republicanos), Júlio Mendonça (PCdoB), Aluízio Santos (PL), Zé Inácio (PT) e Hemetério Weba (PP). Na reunião, eles decidiram fazer um movimento ampliado, com a participação de representantes da Secretaria de Educação, de pais de alunos, da Secretaria de Segurança e outros setores que tenham alguma relação com o problema.

A proposta do governador em exercício Felipe Camarão ao governador Carlos Brandão será conhecida no início da semana que vem e será submetida ao crivo da Comissão de Educação e o aval do Ministério da Justiça, que financiará as medidas a serem colocadas em prática.

Assembleia apoia a Campanha da Fraternidade, que neste ano defende combate à fome

Acima: Iracema Vale entre Dom Gilberto Pestana, o deputado Roberto Costa e convidados. Embaixo: representantes de comunidades católicas em apoio à Campanha da Fraternidade

A Assembleia Legislativa abraçou ontem a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo trema é “Fraternidade e Fome”. Esse posicionamento foi declarado pela presidente do Poder Legislativo, Iracema Vale (PSB), ao presidir sessão especial alusiva à edição deste ano da principal campanha realizada pela Igreja Católica. Iniciativa do deputado Roberto Costa do MDB, a sessão contou com a presença do arcebispo de São Luís, Dom Gilberto Pestana, e do secretário chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, representando o governador em exercício Felipe Camarão (PT).

“A  Assembleia Legislativa, neste momento, se propõe não só a fazer uma sessão especial e uma reflexão sobre o tema, mas a acolher a Campanha da Fraternidade como causa importante para ser solucionada no Maranhão”, declarou, enfática, a presidente da Assembleia Legislativa, para quem todos os esforços são necessários para acabar contra a fome que hoje afeta 30 milhões de brasileiros. E enfatizou que a política de segurança alimentar em curso no Maranhão é exemplo para o resto do País. “O Maranhão, hoje, é referência na implementação de políticas públicas de segurança alimentar e nutricional, resultado da experiência exitosa dos restaurantes populares e outras iniciativas do Governo do Estado”, acrescentou Iracema Vale.

O deputado Roberto Costa disse que a sessão especial é uma demonstração de que o Parlamento Estadual tem preocupação e compromisso com o tema, que incomoda a todos e precisa ser debatido de forma prioritária. “A gente tem procurado fazer ações e políticas públicas, por meio da Assembleia, que possam diminuir o sofrimento da população em relação à fome. Quando trazemos para cá esse sentimento, inclusive que a Igreja carrega dentro do seu tema principal hoje, fortalece muito mais a luta de todos nós”, enfatizou o emedebista.

Responsável pela campanha no Maranhão, Dom Gilberto Pastana explicou que o principal objetivo da campanha é sensibilizar não só a Igreja, mas toda a sociedade para que, juntos, enfrentem o flagelo da fome. Ele também destacou o papel da Assembleia Legislativa na aprovação de projetos de lei e iniciativas para a diminuição da fome, sobretudo, das famílias carentes. “A solidariedade humana é essencial. Aquilo que o Senhor pede que façamos é ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’”, assinalou

Na mesma linha, o secretário-chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, afirmou que o Governo do Estado tem feito a sua parte para tirar milhares de maranhenses desta situação de vulnerabilidade. “No momento em que muitos maranhenses estão desabrigados e passando necessidades, o Governo do Estado, mostrando enorme empatia, tem levado comida para as famílias, distribuindo cestas básicas e refeições já prontas dos restaurantes populares. Seguiremos trabalhando em prol desta causa”, garantiu.

Também prestigiaram a sessão especial os deputados Ricardo Arruda (MDB), Janaína Ramos (Republicanos), Carlos Lula (PSB), Júlio Mendonça (PCdoB), Ricardo Rios (PCdoB), Francisco Nagib (PSB), Mical Damasceno (PSD), Júnior Cascaria (Podemos), Rodrigo Lago (PCdoB), Aluizio Santos (PL), Davi Brandão (PSB) e Fernando Braide (PSD).

São Luís, 13 de Abril de 2023.

Camarão assume o Governo e consolida o fim do ciclo de isolamento de vices no Maranhão

Felipe Camarão é desde ontem governador interino
do Maranhão, consolidando um ciclo virtuoso
na relação dos vices com os titulares no estado

Ao assumir o comando interino do Governo do Estado, ontem, o vice-governador Felipe Camarão (PT) consolidou de vez o processo de normalidade política por que vem passando o Maranhão desde as eleições de 2014, quando o governador Flávio Dino, eleito pelo PCdoB, interrompeu um ciclo tumultuado em que vice-governadores foram tratados pelo titular como inimigos, jogados no isolamento e na obscuridade durante seus mandatos. A renovação que tornou o cenário político maranhense mais civilizado fez com que o vice-governador Carlos Brandão, eleito pelo PSDB, cumprisse suas funções durante sete anos e três meses, sem ranhuras com o governador Flávio Dino, que assumiu e agora mantenha a mesma relação com seu vice, Felipe Camarão (PT), um advogado de 41 anos que representa a novíssima geração de políticos do Maranhão.

Felipe Camarão será governador por cinco dias, tempo da viagem do governador Carlos Brandão à China, integrando a comitiva do presidente Lula da Silva (PT), em busca de investimentos para o Maranhão. Ele próprio avisou, ao tomar posse, que vai trabalhar pela normalidade do Governo durante esse período. Sua juventude e sua reconhecida competência como gestor funcionam como garantia de que a máquina pública e a base política do Governo estarão em mãos seguras e devidamente credenciadas. A sua condição de vice lhe dá a certeza de que daqui a exatos três anos ele deverá assumir como governador titular e, a exemplo do atual chefe do Poder Executivo, será testado nas urnas com o objetivo de renovar o mandato. Felipe Camarão dá continuidade ao ciclo de normalidade iniciado em 2015, quando vice-governadores deixaram de ser ameaça aos titulares.

O ciclo de marginalização dos vice-governadores começou com a morte, em janeiro de 1982, do general Arthur Carvalho, vice do Governador João Castelo, abrindo caminho para o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Ivar Saldanha, que assumiu em abril e governou até a posse do governador eleito naquele ano, Luiz Rocha, em 1983.

Luiz Rocha, teve como vice o engenheiro João Rodolfo, cunhado de João Castelo, que se elegeu senador. João Castelo rompeu com o então senador José Sarney e com o governador Luiz R0cha. A conta desse rompimento caiu no colo do vice-governador João Rodolfo, a quem Luiz Rocha impôs um duro e implacável ostracismo, com direito a apenas uma sala com secretárias e alguns assessores sem função. Luiz Rocha governou todo o mandato, sem permitir que João Rodolfo assumisse uma única vez.

Eleito em 1986, o governador Epitácio Cafeteira teve o ex-deputado federal João Alberto Souza como vice. Mas deixou claro, desde o início, que não lhe daria força e não tinha interesse em dividir os espaços de poder. João Alberto “segurou a onda”, fazendo de tudo para evitar conflito. No início der 1988, o então presidente José Sarney enviou o governador Epitácio Cafeteira à Coreia do Sul, como “embaixador plenipotenciário do Governo do Brasil”, numa viagem que durou duas semanas. João Alberto assumiu o Governo, tomou algumas decisões, cuja maioria foi ostensivamente revista na volta do governador. Em 1988, João Alberto se licenciou ao cargo de vice-governador e se elegeu prefeito de Bacabal, cargo que renunciou em 1990 para assumir o Governo com a renúncia de Epitácio Cafeteira para disputar o Senado. Ele não queria passar o Governo para João Alberto, estimulando um “golpe” armado por seus aliados na Assembleia Legislativa para afastar o sucessor e entregar o bastão para o então presidente, deputado Ivar Saldanha. João Alberto governou 11 meses sem passar o cargo a Ivar Saldanha.

Houve um hiato no Governo Edson Lobão, que manteve um bom relacionamento com o seu vice, Ribamar Fiquene, que o substituiu várias vezes e a quem passou o cargo em abril de 1994, quando se candidatou ao Senado. Ribamar Fiquene governou sem atropelos até a posse de Roseana Sarney, em janeiro de 1995, tendo como vice o ex-ministro dos Transportes José Reinaldo Tavares, que foi reeleito em 1998. No auge da sua popularidade, pré-candidata à presidência da República, Roseana deixava claro que não queria José Reinaldo como seu sucessor. Mas o Caso Lunus, em março de 2002, destruiu o sonho presidencial, levando-a a renunciar para disputar o Senado. José Reinaldo assumiu o Governo, se reelegeu e rompeu com o grupo Sarney em 2003, isolando completamente o seu vice, Jura Filho, que chegou a ser proibido, na marra, de ter acesso ao próprio gabinete, no Palácio Henrique de la Rocque.

Jackson Lago, que derrotou Roseana Sarney em 2026, teve como você Luís Carlos Porto, com quem teve boa convivência, não havendo registro entre eles. Só que em 2009, a Justiça cassou Jackson Lago e Luís Carlos Porto, dando a vitória de 2006 a Roseana Sarney, que tinha João Alberto como vice, com quem se deu bem até 2010, quando concorreu à reeleição, tendo agora como vice petista Washington Oliveira, que assumiu várias vezes e deixou o cargo para assumir cadeira no Tribunal de Contas do Estado, tendo o papel de vice sido assumido pelo então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo, que comandou o Governo nos últimos 15 dias de mandato, tendo passado o cargo para o governador eleito Flávio Dino, no dia 1º de janeiro de 2015, tendo como vice Carlos Brandão.

A posse encerrou o ciclo de isolamento dos vice-governadores, consolidado com a posse de Felipe Camarão no comando interino do Governo do Estado.

PONTO & CONTRAPONTO

Dino deu outro “baile” na bancada bolsonarista em Comissão da Câmara

Flávio Dino manteve a serenidade e a segurança de sempre diante dos ataques de deputados do PL

Mais uma vez a bancada bolsonarista roeu tijolo ao tentar colocar o ministro Flávio Dino (Justiça e Segurança Pública) em situação desconfortável na Câmara Federal. Dessa vez foi na Comissão de Segurança Pública, onde o ministro foi ontem atendendo convite para falar sobre quatro itens relacionados à área. A banda bolsonarista da Comissão, formada na maioria por deputado de origem policial – delegados, agentes, cabos, sargentos, capitais, etc… – ensaiou ao máximo um roteiro mais uma vez fraco, inconsistente, descabido, sem pé nem cabeça. E, a exemplo do que aconteceu na Comissão de Constituição e Justiça, encontraram pela frente um ministro absolutamente preparado e bem informado, sereno, que desmontou todas as perguntas que a situação permitiu em meio à balbúrdia consentida pelo visível despreparo do presidente da Comissão, deputado bolsonarista Sanderson (PL-RS), que se revelou incapaz de impor qualquer autoridade à turma bolsonaristas.

Bagunça à parte, analisando-se o conteúdo aproveitável da patética sessão, Flávio Dino mais uma vez deu um “baile”, respondendo a contento aos questionamentos malfeitos pelos deputados bolsonaristas. Mostrou que tem plena noção de onde está e que sabe o que está fazendo. Sua segurança e inteligência nas respostas desnorteou mais uma vez deputados bolsonaristas mais afetados, que perderam as estribeiras. Esse destempero dos deputados do PL foi duramente combatido pelos deputados Duarte Jr. (PSB), Rubens Jr. (PT) e Márcio Jerry (PCdoB), que se manifestaram enfaticamente todas as vezes que algum bolsonarista tentou passar dos limites.

Por incapacidade de impor algum controle nos seus pares, o presidente da Comissão, visivelmente atordoado, encerrou intempestivamente a reunião. Sem qualquer argumento para atacar o ministro, que se surpreendeu com o encerramento da reunião, os bolsonaristas tentaram camuflar o fracasso do seu plano de atingir Flávio Dino chamando-o de “fujão”. Não fez sentido e por isso não colou.

Assembleia aprova mais cargos de defensor público e mais justiça para os mais necessitados

Após a votação do PL que criou mais cargos de defensor público, a presidente Iracema Vale recebeu a visita deputado estadual Adriano Alvarenga (PP), de Minas Gerais (centro), que veio conhecer o sistema de funcionamento da Assembleia Legislativa do Maranhão, onde foi recebido de forma republicana

A Assembleia Legislativa garantiu ontem que seja dado mais um passo importante para a ampliação e fortalecimento da Defensoria Pública do Estado (DPE/MA). Em sessão comandada pela presidente Iracema Vale (PSB), os deputados aprovaram o Projeto de Lei nº 424/2022, proposto pela própria DPE, que dispõe sobre a criação de cargos na carreira de defensor público.

Com a ampliação do quadro de defensores, o Projeto amplia o caminho para a interiorização da DPE, garantindo que a ação dos defensores chegue em todas as regiões.

Para quem não sabe ou não se lembra, a Defensoria Pública do Estado é um órgão garante aos pobres e desvalidos o direito à Justiça, por meio de uma advocacia especializada e gratuita. Ao aprovar a criação de novos cargos de defensor público, o parlamento maranhense deu mais um passo na direção da modernidade.

A palavra final está agora com o governador.  

São Luís, 12 de Abril de 2023.

Além do apoio aos desabrigados, a visita de Lula ao Maranhão mostrou a força da aliança PT/PSB

Ao lado de Carlos Brandão e Flávio Dino, Lula da Silva
falou aos atingidos sobre o problema das enchentes e foi abraçado por desabrigados em Bacabal

A viagem do presidente Lula da Silva (PT) ao Maranhão, no domingo (9), atendendo a pedido do governador Carlos Brandão (PSB), para ver de perto os estragos feitos pelas cheias em cidades ribeirinhas, em especial na região do Médio Mearim, como Pedreiras, Trizidela do Vale e Bacabal, por exemplo, produziu resultado muito além do importante do apoio solidário material a milhares de pessoas atingidas. Pelo que ficou claro, o presidente reafirmou a aliança política do PT com o PSB no Maranhão, deixando claro que tem no estado uma das mais sólidas bases de apoio político em todo o País. Mais do que isso: que mantém sólida a aliança com o governador Carlos Brandão e com o senador licenciado Flávio Dino (PSB), atual ministro da Justiça e Segurança Pública. Os discursos e declaração foram todos nessa linha, incluindo uma manifestação expressa nesse sentido, feita pelo ministro Flávio Dino.

O primeiro elo dessa corrente está no fato de que o presidente Lula da Silva tem no Maranhão uma das suas bases a eleitorais proporcionalmente mais fortes, como demonstram os números de todas as eleições presidencial que disputou. A começar pela do ano passado, quando saiu das urnas maranhenses com mais de 60% dos votos nos dois turnos. Logo, o apoio às famílias atingidas pelas cheias está mais do que justificado. Nessa aliança não cabem o senador Weverton Rocha (PDT), que não mais integra o grupo, nem o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), cuja participação no Governo é o resultado de um acerto com o seu partido e nada tem a ver com a política maranhense.

O presidente da República poderia ter visitado o Ceará, por exemplo, que também sofre duramente com enchentes e é governado pelo PT. Mas optou a marcar presença no Maranhão, um dia antes de falar ao País pela passagem dos seus 100 dias de Governo, e a dois dias de embarcar para uma histórica viagem às China, levando na comitiva o governador Carlos Brandão, a senadora Eliziane Gama (PSD) e o deputado federal Cleber Verde (Republicanos). O presidente deixou essa situação muito clara no discurso que que fez no aeroporto regional de Bacabal, que não contou com a presença do senador Weverton Rocha nem do ministro Juscelino Filho, (PT) que hoje são aliados do Governo do PT, mas nas eleições foram aliados das forças que apoiaram a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A força da aliança PT/PSB no Maranhão estará simbolizada ainda mais fortemente hoje, quando, na ausência do governador Carlos Brandão, o Governo do Estado será comandado interinamente pelo vice-governador Felipe Camarão, atualmente o nome mais destacado do PT no Maranhão. Politicamente ligado ao ministro Flávio Dino e muito afinado com o governador Carlos Brandão, de quem é secretário de Educação, Felipe Camarão se transformou no grande trunfo do PT no Maranhão. E se tudo correr como está roteirizado, assumirá o Governo em abril e se candidatará à reeleição em 2026 numa dobradinha com Carlos Brandão, que disputará uma das vagas do Senado, com fortes chances de se darem bem nas urnas.

Por mais que se tente separa-la da equação política, que foi motivada por um drama de natureza social, a viagem do presidente Lula da Silva ao Maranhão no domingo produziu também o reflexo de que a aliança PT/PSB no Maranhão está mais forte do que nunca. E com um dado que ratifica tal conclusão: o presidente Lula da Silva, o governador Carlos Brandão e o ministro Flávio Dino foram festejados pelos desabrigados, apesar do sufoco dos desabrigados, que viram neles o apoio de que precisavam.  

PONTO & CONTRAPONTO

Especial

Cesar Teixeira rompe de novo a Aleluia disparando mais um testamento de Judas

Fiel a uma tradição de quase quatro décadas, o compositor e poeta Cesar Teixeira rompe a Aleluia disparando mais um Testamento de Judas. E como não poderia deixar de ser, o terraplanismos, o contrabando de joias sauditas, as lágrimas de mercúrio dos Ianomâmi, o Viagra e a cloroquina dos militares, a “fuga” de Jair Bolsonaro para os EUA, carnaval e mais um modelo de calçola para a Patativa, eterna musa do Testamento. Segue o testamento em versos versão 2023 do Judas que encarna o que há de melhor no espírito crítico e debochado de um ludovicense raiz:

O Testamento de Judas

Cesar Teixeira

Quatro anos de história  

a miséria subtrai

e uma cortina de sangue

sobre o Testamento cai,

pior que os 40 anos 

dos hebreus no fogo insano

do Deserto do Sinai.

Era Oito de Janeiro,

quando fui comprar jornal

invadiram o Palácio,

o Congresso e o Tribunal.

Então ouvi o disparo

da merda de Bolsonaro

na Latrina Federal.

Derrotado na eleição,

o indivíduo fugiu

para a América do Norte

falando mal do Brasil.

Em breve será provado

que o Sol nasceu quadrado

e a Terra plana não viu.

Guardo na Torre do Tombo 

uma pílula ilusória

pra curar a dor de quem,

mentindo, não faz História,

pois, longe de Portugal,

o navegador Cabral

tombou na lama da glória.

Para pagar essa dívida 

aos povos originários

deixo as trinta moedas

que recebi do Sicário.

É o ouro ensanguentado 

que foi contrabandeado

dentro do Santo Sudário.

Belas joias da Arábia

eu vou deixar no Penhor,

o ladrão que escondeu

bateu asas e voltou.

Ele voltou novamente,

partiu daqui tão contente,

mas o ouro evaporou.

Ao chegar no aeroporto

só encontrou três pelados:

um joalheiro, um cambista

e um falsário reformado.

Logo a sombra de um ladrão 

foi abraçar o fujão

que fungou, emocionado.

Quando diz que é imbroxável,

nem sua língua acredita.

O pau da bandeira cai

quando chega a periquita.

Cantando o Hino falseia,

não gosta de mulher feia

e nem de mulher bonita

Então devolvo a Michelle

essas moedas pescadas

no vazio espelho d’água

do Palácio da Alvorada.

O presente de Hirohito

num prato de peixe frito

são carpas assassinadas.

Também deixarei caixões

para sepultar as emas

que foram intoxicadas

por Bolsonaro Pustema

com ração de Cloroquina,

gemendo na guilhotina 

sem ver a mão do poema.

Pro Messias não quebrar

o décimo Mandamento,

deixar-lhe-ei um Rolex

que é movido pelo vento.

Pela corda é puxado

o ponteiro amarrado

entre as pernas de um jumento.

Ainda resta um cabresto

pro focinho do Finório 

que se escondeu nos States

pra escapar do Purgatório.

No covil do Sete-Peles

sei que o pet de Michelle

é um bode expiatório.

Deixo âncora fiscal

na fazenda do Piquet

para não furar o teto

do contrabando privê.

Tinha até joia Saudita 

escondida em periquita

pra Alfândega não ver.

Já enviei pro Congresso

sapatos da minha lavra

para o Flávio Rachadinha

não tropeçar nas palavras.

A língua quando é solta

pela baixaria envolta

da boca se torna escrava.

Publiquei uma cartilha

pra massagear o ego

da senadora Damares,

que anda rasgando em prego

a sua calcinha rosa

em saídas milagrosas

pra curar o olho cego.

Sérgio Moro foi ministro

e, não tendo o que fazer,

proibiu presidiários

de namorar e foder.

Fiz de aço o seu corpete

pra se livrar do cacete

da turma do PCC.

Deixei pro Tacla Duran,

que hoje sofre de extorsão,

um Habeas Corpus forjado

pra evitar sua prisão,

mas foi a mulher do Moro

que, por falta de decoro,

recebeu a comissão.

Pro nosso Circo Fantasma 

dar o ar de sua graça,

eu vou deixar um despacho

de farofa e cachaça.

Quando o Prefeito tomar

o Circo então vai baixar

desencantado na praça.

Aos maestros de poleiro

e vaidoso perfil

deixarei minha batuta

com selo do Pau-Brasil.

Na gaiola dos Juninhos

e orientais Robertinhos

tem um que só faz Piu-Piu.

Vou deixar minha mangueira

para o Shopping Rio Anil,

eu também saí queimado

depois que o teto se abriu.

Só voltarei ao cinema

vendo o dono com algema

lá na Polícia Civil.

Contra a Terpa Construções

e a Bomar Agricultura

eu vou fazer um B.O.

na primeira Chefatura.

Os seus jagunços de tocha

queimaram Baixão dos Rocha

com uma falsa escritura.

Espalharam por aí

que o Judas não trabalha.

Porém, se não fosse eu,

quem encheria de palha

político alienado

que faz sucesso enforcado,

enquanto a plebe gargalha?

Deixo para o IBGE

o meu diário sem nome,

pois não fui recenseado

na terra que me consome.

Não irei pra contracapa,

vou morrer fora do Mapa

escandaloso da Fome.

Lá na rampa do Palácio

deixo pedras no capricho

para levantar o muro

de arqueológico lixo.

Com qualquer rugido fraco

os leões vão pro buraco

e o Braide joga no bicho.

Vou deixar um pau elétrico 

para o nosso Carnaval

que não tem mais tradição, 

só memória de jornal.

Tem fofão cantando rock

que já está levando choque,

sem cachê, pegando o pau. 

Na PF eu vou deixar

um lenço pro Sarneyzinho,

pois quis fazer do ministro

Alexandre um picadinho.

Quando foram lhe prender

chorou que nem um bebê,

arrancando o bigodinho.

Aquele maluco inflável,

que a própria alma vendeu

ao Presidente fascista,

meu bilhete recebeu:

“Para Daniel Silveira

a nova tornozeleira

que Moraes lhe prometeu.”

Deixo ao deputado Nikolas

a peruca de pentelho

que já foi do Conde d’Eu

pra se mirar no espelho.

Chupetinha está na lista

dos transfóbicos nazistas

que hoje vão entrar no relho.

Ponho em cada CCJ

nesta batalha campal

luvas de boxe, facas,

pistolas e o escambau.

Liberdade de expressão

logo vai virar caixão

no Congresso Nacional.

Para o Anderson Torres

vou deixar uma minuta

contra decreto golpista,

omissão e má conduta

Brasília virou bordel,

uma Torre de Babel,

hotel de filho da puta. 

Ao ministro Juscelino

falta Comunicação. 

Meu cavalo “banda larga”

deixo sem declaração,

e uma FAB de diárias

voando, hereditárias,

à procura de um leilão.

Para derrubar os juros,

a picareta carente

vou deixar no INSS,

Wall Street do doente

pobre e aposentado,

que vive consignado

e morre como indigente.

Encontrei na Lista Suja

os doze do Maranhão,

e pra lavar seu focinho

deixei esponja e sabão,

mas, como é trabalho escravo,

não há quem tire um centavo

da sujeira do patrão.

Vou rodar na Disneylândia

pra herdeira Abigail

esse filme preto e branco

que o racismo dividiu.

Da revista Cinemin

eu trouxe o American Dream

e a carapuça serviu.

Deixo pra Luís Phillipe

de Orléans e Bragança

essa marmita vazia

da escrava Esperança.

Ó Príncipe do Brasil,

vá-se a puta que pariu,

aqui ninguém é criança! 

Vista Alegre de Alcântara

continua ameaçada.

Por cima são os foguetes,

por baixo são as “pousadas”.

Os óculos da agonia

deixo para a miopia

da aeronáutica chanchada.

Para o museu do Planalto

não sofrer um novo ataque.

deixo um relógio francês

que já não faz Tic-Tac

e mostra num TikTok 

policiais de bodoque

explodindo no Iraque.

Abriu-se a estrebaria

dentro das Forças Armadas. 

O ex-ministro Albuquerque 

virou mula camuflada,

e o tenente André Soeiro

cavalinho muambeiro 

com suas pernas quebradas.

Nas Lojas Americanas

eu vou deixar um Micheque

pra evitar a falência

nos bancos do seu Prefect.

Meu Cartão Corporativo

já foi sepultado vivo

cantando samba de breque.

Por isso deixo picanha,

filé mignon, camarão

pra turma do Acampamento

que acabou na prisão.

E para não ter sequela

Leite Moça e Nutella,

Rivotril pra depressão.

Encomendei salgadinhos

pro coquetel militar.

Refrigerantes, sorvetes

pra soldado refrescar.

Desviados no papel

da Saúde pro Quartel

os recursos vou mandar.

Ao general Paulo Sérgio,

que ministro já não é,

deixei um trem de Viagra,

na porta de um cabaré.

Hipertensão é piada,

essas Forças, desarmadas,

já estão mijando no pé!

Deixo o azeite de Oliva

que Ferrabrás esqueceu

para temperar carrasco

lá no Caldeirão de Breu.

No Inferno eu vou fritar

o Doutor Tibiriçá,

que nem urubu comeu.

Pro Ministro da Justiça

deixo os livros da Torá,

pra ver nazista no milho

ajoelhado rezar.

Lá no clube da suástica

bolsominion já fez plástica

pra correr e não suar.

Deixo algemas de vergonha

para a empresa Suzano,

que só aumenta o plantio

do seu capital profano,

já de olho na propina

que vai receber da China

em Créditos de Carbono.

Trago uma faca amolada

pra capar o brochador 

do Pato Donald Trump,

que a Justiça indiciou. 

Esse nazista cagão

nunca mais ganha eleição

subornando atriz pornô.

Quem riu do trabalho escravo

e o nordestino humilhou

foi o Sandro Fantinel.

Pra esse vereador

já botei gelo num pano,

pois na praia de baiano

seu cu vai virar tambor.

Deixarei os vinhos Salton,

Garibaldi e Aurora

no restaurante do Inferno,

onde o Diabo comemora

o acordo do MPT

depois de assar e comer

a Fênix que ele namora.

Fica para as big techs

a borracha do ABC

pra apagar as Fake-News 

que nos fizeram sofrer.

Já dei meu depoimento:

quem fez este Testamento

foi o Chato GPT.

Derramei água de cheiro

das jarras da negra Mina

pra lavar a ziquizira

do Beco da Catarina,

e evitar que esse fricote

de beatas e huguenotes

termine em carnificina. 

Comprei pra São Benedito

uma pinga lá na Feira,

pois na Praça da Faustina

vai ter punga brasileira.

Quero ficar de castigo,

de umbigo com umbigo

grudado em Carla Coreira.

Vou deixar pra Patativa

uma fralda indecente

que parece fio dental

com um fechiclé na frente.

Logo alcançará a cura 

ao sentir a picadura

de um mosquito saliente.

Quando fez 50 anos

de teatro e diabrura,

eu levei pro Laborarte

muletas e dentaduras

pra cada velhinho foda

que, no palco, inventou moda 

cagando para a Censura.

Já separei pra Rosa

quinquagésimo cachê

pra pagar as velhas dívidas

que o Judas deixou vencer:

o aluguel do paletó

e um prato de mocotó

de Fernando Anarriê.

Deixo no Sétimo Dia

meu retrato em clichê,

que é pra Murilo Santos

repensar seu métier

de tirar foto e guardar

no baú, pra publicar

depois que o Judas morrer.

Levo o barco da esperança

para carregar essa gente

das Trizidelas de lágrimas 

nos olhos fartos de enchente.

Será Deus o responsável 

pelo desastre improvável

ou a política ausente?

Para o Marco Temporal

deixo a palavra Não.

Quando ameaça aos povos

indígenas de extinção,

favorece invasores

que abrem covas sem flores,

sepultando a Criação.

São piratas, garimpeiros,

milicianos fardados,

traficantes, empresários,

entre outros aloprados.

Pra exigir Demarcação

levo a borduna na mão,

no peito o abaixo-assinado.

Rios que escorrem no rosto

abrindo antigos cortes

são lágrimas de mercúrio

no garimpo vil da sorte.

Deixo ao povo Ianomâmi

um novo hino que chame

de Amor a dor que há na morte. 

Fim

São Luís, 11 de Abril de 2023.