Todos os posts de Ribarmar Correa

Multa a Bolsonaro por desrespeitar leis no Maranhão é um saudável exercício democrático, goste ele ou não

 

Jair Bolsonaro sem máscara e aglomerando em Açailândia e o auto de infração lavrado contra ele pela Vigilância Sanitária do Maranhão, que levará a ação no STF

Por mais que vozes bolsonaristas estrilem – e podem estrilar à vontade -, não há o que discutir quanto a legalidade da multa aplicada pela Vigilância Sanitária do Maranhão ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), na visita que fez ao estado no final da semana passada, quando inaugurou uma ponte ligando o território maranhense ao do Piauí e entregou alguns títulos de terra em Açailândia. Sem usar máscara, o presidente promoveu aglomerações, desrespeitando, frontal e ostensivamente, o Decreto Estadual Nº de 30/09/2020, e a Lei Federal Nº 6.437/77, estando, portanto, sujeito a multa cujo valor pode variar entre R$ 2 mil a R$ 1,5 milhão, de acordo com a gravidade da situação criada. O presidente tem agido dessa maneira em Brasília e por onde passa, sem que as autoridades se atrevam a enquadrá-lo nas regras legais. Em Brasília, Jair Bolsonaro “pinta e borda”, fazendo o mesmo no Rio de Janeiro, a exemplo de Domingo, quando comandou, sem máscara e promovendo aglomeração, um passeio de motocicletas, sem que as autoridades sanitárias fluminenses o incomodassem. Ao contrário, o governo de lá colocou um imenso aparato policial à disposição do presidente, para que ele se divertisse praticando infrações sanitárias e debochando da gravidade da pandemia, que fechou o dia de ontem com mais de 450 mil mortes.

Além da multa sanitária, o Governo do Maranhão se prepara para bater às portas do Supremo Tribunal Federal com uma ação na qual denunciará o presidente Jair Bolsonaro pelos mesmos motivos, argumentando que ele infringiu “determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”. A ação está sendo preparada, segundo revelou o governador Flávio Dino (PCdoB) à revista Fórum, especializada em termas jurídicos.

O Maranhão tem se posicionado diferentemente de outros estados, principalmente agora, sob o Governo de um ex-juiz federal, professor de Direito Constitucional e profundo conhecedor das leis do País, o que lhe dá lastro para afirmar que a base de um estado democrático de direito é a dualidade Direito X Dever, garantia de que ninguém, mas ninguém mesmo, esteja fora do alcance das leis. Assim, enquanto alguns governadores fecham os olhos para o jogo provocativo do presidente, ignorando seus gestos agressivos, por medo ou por “amarração”, o do Maranhão está fazendo o que é certo: enquadrando o presidente infrator, cobrando dele o que é cobrado de qualquer cidadão que infrinja determinada norma. É assim nos países civilizados. Exemplo: há cerca de uma década, o príncipe Phillip, marido da rainha Elizabeth II da Inglaterra, foi flagrado cometendo uma infração de trânsito, foi multado e teve sua carta suspensa por três meses; não chiou, pagou a multa, cumpriu a pena e saiu do episódio mais respeitado pelos ingleses.

Institucionalmente, no Brasil o presidente da República é o líder de uma Federação formada por 27 estados e o Distrito Federal e por mais de cinco mil municípios. Mas isso não lhe dá o direito de cometer derrapagens nas unidades federadas, que têm regras diferenciadas para várias situações. No caso da pandemia do novo coronavírus, o Governo do Maranhão editou, em Setembro passado, Decreto instituindo uma série de procedimentos para o enfrentamento do novo coronavírus. Entre essas normas, a exigência do uso de máscara em público e a proibição de aglomeração acima de 100 pessoas. Na visita que fez ao estado na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro descumpriu, afrontosamente, as duas regras fundamentais do combate à pandemia. E o fez de maneira ostensiva, como quem pretendeu “criar um caso”. Se achou que passaria incólume, errou feio, porque o Estado, por seu Governo, agiu como deveria: enquadrou-o nas regras, impondo-lhe multa e denúncia por colocar ele próprio e pessoas em risco de contaminação.

Episódios como esse tornam mais rico o exercício pleno da cultura institucional, pois mostram que numa democracia a lei tem de valer para todos, como vem pregando o governador Flávio Dino, que, até prova em contrário, anda rigorosamente dentro das regras.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton e Brandão medem força com declarações de apoio de aliados

Carlos Brandão e Weverton Rocha medem força entre aliados

O senador Weverton Rocha e o vice-governador Carlos Brandão têm protagonizado uma interessante medição de força. Nas duas semanas anteriores, Carlos Brandão inflou seu cacife fazendo incursões estado a dentro, atuando como representante do governador Flávio Dino em diversos municípios. Além disso, diversos secretários, destacadamente Clayton Noleto (Infraestrutura) e Rogério Cafeteira (Esportes), encamparam o projeto de candidatura do tucano, parecendo a revelação de uma tendência dentro do Governo, situação que culminou com a declaração do ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), de apoio incondicional ao futuro governador. A reação não demorou, e o senador não deixou barato. Primeiro divulgou um vídeo em que declara o alinhamento dele e da bancada federal com o governador Flávio Dino, que reconhece o empenho do aliado. E ontem, veio reforço duplo: primeiro com nova entrevista da senadora Eliziane Gama (Cidadania) reafirmando apoio ao seu projeto de candidatura. E, para fechar, um forte contraponto à declaração de Cleomar Tema de apoio a Carlos Brandão, um discurso do atual prefeito de Tuntum, Fernando Pessoa (Solidariedade) à pré-candidatura do senador pedetista.

E que ninguém se iluda, vai continuar assim até o governador Flávio Dino bater o martelo.

 

Declarações de José Reinaldo são para interpretar e não para rebater

José Reinaldo: conhecido por prognósticos certeiros

Partidários do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) precisam dar mais atenção ao que diz, aqui e ali, o ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB), aliado do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), sobre a corrida ao Palácio dos Leões. Político de larga visão, o ex-governador é conhecido na seara política como um prognosticador certeiro. Um exemplo: em 1994, na tensa disputa que teve de um lado a deputada federal Roseana Sarney e do outro o – para muitos imbatível – senador Epitácio Cafeteira, que liderava as pesquisas as pesquisas do Ibope, ele afirmou categoricamente, em entrevista concedida semanas antes da eleição, que seria um páreo difícil, mas que ela seria eleita. As declarações de José Reinaldo irritaram profundamente o senador Epitácio Cafeteira, que reagiu apelidando-o de “Mãe Diná”, uma conhecida “vidente” da época. Não deu outra, Roseana Sarney virou o jogo e venceu a eleição com vantagem de 18 mil votos. Desde então, José Reinaldo acertou a maioria dos prognósticos eleitorais que fez, incluindo a histórica vitória de Jackson Lago (PDT) sobre Roseana Sarney em 2006, que ele comandou do Palácio dos Leões. Ou seja, suas palavras devem ser ouvidas com atenção e avaliadas com cuidado.

São Luís, 25 de Maio de 2021.

Dino se prepara para comandar o processo de escolha do candidato da sua aliança ao Governo

 

Flávio Dino vai iniciar consultas para escolher entre Carlos Brandão e Weverton Rocha para sua sucessão

O dia 31 deste mês, daqui a uma semana, portanto, será decisivo para o processo político que culminará com a definição do candidato da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PCdoB) ao Governo do Estado. Nessa data, o governador se reunirá com as lideranças partidárias para avaliar o cenário que começa a ser desenhado para as eleições de 2022, devendo confirmar seu projeto de disputar o Senado e, principalmente, iniciar as tratativas que definirão os destinos das pré-candidaturas do senador Weverton Rocha (PDT) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) à sua sucessão. Em entrevista ao Jornal Pequeno, publicada ontem, o secretário de Articulação Política, Rubens Jr., previu que o martelo sobre candidatura ao Governo poderá ser batido em Outubro, um ano antes da corrida às urnas. O secretário avisou que o Flávio Dino vai coordenar o processo, usará critérios – como pesquisas e experiência administrativa, por exemplo – para avaliar os projetos de candidatura, buscará o consenso em torno de um nome, mas deixou claro que o governador terá a palavra final.

Após meses de movimentação, período em que a tensão aumentou entre as duas correntes, com aliados do senador dispararem carga pesada contra o vice-governador, e vice-versa, sem, no entanto, causar danos na base política e partidária do Governo, o senador Weverton Rocha e o vice-governador Carlos Brandão vêm dando demonstrações de que caminham para o entendimento sobre uma situação crucial: o escolhido terá o apoio do não escolhido. Episódio recente na seara política de São Luís revelou a dificuldades para montar uma chapa da aliança liderada por Weverton Rocha com o apoio de Carlos Brandão, ou de Brandão com o apoio de Weverton. Há, porém, sinais de que, por mais difícil que possa parecer, o senador e o vice-governador ainda mantêm espaço para dialogar, principalmente com a mediação do governador Flávio Dino, como aconteceu segunda-feira passada, em ato de entrega de cestas básicas no Palácio dos Leões, onde ambos trocaram figurinhas em clima descontraído.

À medida que se aproxima a primeira reunião do governador Flávio Dino com líderes partidários, os dois pré-candidatos se movimentam para mostrar musculatura política, mas evitando entrar em confronto. O senador Weverton Rocha tem usado redes sociais, programas de rádio e ocupado espaços na TV aberta para mostrar suas ações como congressistas, incluindo vídeos promocionais ao lado do governador Flávio Dino. Sem a estrutura do senador, o vice-governador jogão peso da sua força dentro do governo para mostrar suas ações percorrendo o estado como representante do governador, recebendo apoio declarado de secretários de Estado e cumprindo agenda cheia com prefeitos, vereadores, deputados estaduais e deputados federais. A tendência é que os dois mantenham suas estratégias, de modo a ganhar o apoio da maioria dos partidos.

Na perspectiva do secretário Rubens Jr., o nome a ser escolhido pelo governador Flávio Dino será naturalmente favorito na corrida aos Leões. Ele teve o cuidado de não apontar qual dos dois tem mais chance de chegar. Mas dentro do Governo, o vice-governador Carlos Brandão começa a ganhar musculatura sendo apoiado abertamente por vários secretários de Estado, deputados estaduais e aliados, como o ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB) e da deputada Daniella Tema (DEM), para citar um exemplo. Por sua vez, o senador Weverton Rocha reforça seu cacife com manifestações de prefeitos, deputados federais e deputados estaduais, a exemplo do presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), e da Câmara Municipal de São Luís, Osmar Filho (PDT).

Em Tempo: O presidente estadual do Solidariedade, Simplício Araújo, que é 1º suplente de deputado federal e exerce atualmente o cargo de secretário de Indústria, Comércio e Energia, Simplício Araújo, examina lançar sua candidatura ao Governo do Estado, por entender que há espaço para ela na aliança liderada pelo governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaristas reclamam de multa ao presidente por desrespeito a decreto estadual

Jair Bolsonaro não tem como fugir da multa que recebeu no Maranhão

Bolsonaristas desavisados criticam a multa aplicada pelas autoridades sanitárias do estado contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por haver ele ignorado a máscara e promover aglomerações durante sua passagem pelo Maranhão, na semana passada. Tentam passar a ideia de que o presidente da República é imune ao novo coronavírus, como receptor e transmissor, e isento do respeito às regras de comportamento e postura vigentes nas três instâncias da Federação, como o decreto estadual que obriga ao uso de máscara em situações como a que ele protagonizou em Açailândia. Não é, e vai ter de se explicar na Justiça na tentativa de se livrar da multa – que pode varias de R$ 300 a R$ 2 mil – lavrada pelas autoridades sanitárias maranhenses. O decreto ????? não exclui ninguém da obrigação do uso de máscara e da proibição de promover aglomeração. Antes de ser uma “afronta”, como pregam seus partidários, a multa é uma medida exemplar, que um presidente democrata e ciente do seu papel institucional, deveria respeitar e até agradecer como exemplo.

 

Braide só se manifestará sobre sucessão estadual no ano que vem

Eduardo Braide: nada de tema eleitoral por enquanto

O prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), estas decidido a não se manifestar sobre eleições durante este ano. Com os desafios iniciais da sua gestão e com as ações de combate à pandemia na Capital, ele prefere deixar o tema para o ano que vem, de preferência depois do Carnaval, se houver. Até lá, a vacinação já poderá ter avançado o suficiente para deixa-o mais à vontade para sentar com aliados e definir posições. Até o momento, Eduardo Braide não emitiu qualquer sinal indicativo de como se posicionará na corrida ao Governo do Estado. Partidários do senador Weverton Rocha apostam que ele poderá ter o apoio do prefeito, cuja candidatura apoiou no segundo turno. Só que partidários do vice-governador Carlos Brandão lembram que, mesmo tendo apoiado a Duarte Jr. (Republicanos), que era do seu partido, Eduardo Braide teve o apoio do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) nos dois turnos, o que o credencia para ser uma ponte entre o prefeito e o vice-governador. Político hábil e que sabe onde pisa, o prefeito de São Luís só vai se comprometer com o candidato certo e na hora certa.

São Luís, 24 de Maio de 2021.

Agressão de Bolsonaro e reação de Dino mostram o abismo que separa o presidente do governador

 

Flávio Dino e Jair Bolsonaro: diferenças profundas

Jair Bolsonaro (sem partido), em live na noite de Quinta-Feira (20) – Vi o vídeo que o senador lá de Rondônia Marcos Rogério colocou, onde vários governadores entre eles o próprio filho do Renan [Calheiros]; o outro filho do Jader [Barbalho], do Pará – o do Renan é de Alagoas; o comunistão, o comunista gordo – só no Brasil, né –, o comunista gordo Flávio Dino falou da cloroquina”.

Flávio Dino (PCdoB) ontem, em resposta no twitter – Bolsonaro anda preocupado com o meu peso, algo bem estranho e dispensável. Tenho ótima saúde física e mental. E estou ocupado com vacinas, pessoas doentes, medidas sociais, coisas sérias. Trabalho muito. Não tenho tempo para molecagens, cercadinhos e passeios com dinheiro público.

As duas falas – a de ataque feita em live e a de reação feita em texto no twitter – traduzem fielmente os seus autores, presidente da República e o governador do Maranhão, mostrando a diferença abismal que os separa. O presidente exibindo o tamanho da sua agressividade pela via de um humor de beira de estrada, postura absolutamente inadequada ao chefe de Estado de um País das dimensões e da importância do Brasil. O governador, por seu turno, mostrando-se como é: um político educado, civilizado, preparado e culturalmente elevado, e reagindo em nível absolutamente adequado ao chefe de um Estado com forte tradição cultural como é o Maranhão. Não há como ignorar o que os distancia, de vez que os dois têm origens e formações bem diferentes: a do presidente foi forjada na cozinha da caserna em Agulhas Negras, onde chegou a tenente, e a do governador, adquirida no Colégio Maristas e na Faculdade de Direito da UFMA, que o fez juiz federal aprovado em1º lugar.

O presidente Jair Bolsonaro é um político identificado apenas como de extrema-direita, mas sem um lastro ideológico nem doutrina partidária, o que faz dele um militante sem um discurso programático. Ganhou suporte eleitoral desprezando todos os pilares da democracia e defendendo bandeiras autoritárias, típicas de um político que, se tivesse condições, daria um golpe e instalaria uma ditadura feroz no Brasil, com censura e tortura. E como sabe que não conta com as Forças Armadas para tornar seu sonho realidade, estimula o armamentismo, provavelmente apostando que a facilidade faça surgir no País uma milícia popular para lhe dar sustentação. Isso ficou muito claro na inacreditável reunião ministerial, durante a qual se falou também em prender ministros do Supremo Tribunal Federal e em aproveitar o momento para “passar a boiada” e afrouxar as regras ambientais brasileiras, estimulando atos antidemocráticos, a violência pelo uso de armas, e a grilagem e o desmatamento na Amazônia, deixando o mundo perplexo.

No contraponto, o governador do Maranhão prega a democracia, defende as instituições executivas, legislativas e judiciárias, as liberdades individuais, a liberdade de expressão e todas as garantias para que o Brasil seja um país democrático, que suporte, sem risco de crises institucionais, governos de esquerda, centro e direita, como acontece nas maiores democracias do planeta, a exemplo da França. Para o governador maranhense, o foco de um governo sério é incentivar o crescimento econômico, desde que os ganhos desse crescimento sejam investidos em programas de combate à pobreza e na melhoria permanente do nível educacional dos maranhenses – a Rede de Saúde, mais de mil Escolas Dignas, os 50 Iemas e mais de 40 restaurantes populares são exemplos dessa visão política.

A avassaladora chegada do novo coronavírus no Brasil serviu para tornar mais evidentes as diferenças que separam Jair Bolsonaro de Flávio Dino.

O presidente da República, inspirando-se no seu colega norte-americano Donald Trump, pregou o negacionismo, se posicionou agressivamente contra as medidas de distanciamento social, defendeu o uso da cloroquina e gastou milhões para produzir o remédio, contra a orientação da OMS; atrapalhou ostensivamente a compra de vacinas; isso sem contar o total desrespeito ao uso de máscara e de aglomerar agressivamente. Na sanha negacionista, demitiu dois ministros da Saúde que ousaram ignorar suas perigosas orientações e seguir a ciência, e instalou no Ministério da Saúde um general cuja gestão resultou num desastre monumental. Resultado: o país caminha para meio milhão de mortos.

O governador do Maranhão assumiu as rédeas da luta contra a pandemia. Criou um gabinete científico e canalizou todos os recursos ao seu alcance para combater o coronavírus. Montou uma surpreendente rede hospitalar, adotou o lockdown, suspendendo as atividades econômicas, escolares e culturais; brigou sério por respiradores, estimulou a formação de consórcios entre estados para comprar medicamentos e materiais necessários ao trabalho nos hospitais, e não permitiu que orientações nocivas interferissem na estratégia maranhense de enfrentamento da pandemia. O resultado: com mais de sete milhões de habitantes, o Maranhão é o estado com o menor número de mortos. Não houve mágica, mas muito trabalho, com reconhecimento dentro e fora do estado.

Como se vê, o presidente Jair Bolsonaro é um mau exemplo político, enquanto o governador Flávio Dino é uma referência da excelência política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Bolsonaro não lançou Roberto Rocha sem candidato no Maranhão

Roberto Rocha e Jair Bolsonaro: alinhados, mas sem ainda definição partidária

O senador Roberto Rocha (sem partido) participou entusiasticamente da passagem do presidente Jair Bolsonaro pelo Maranhão. Ciceroneou o presidente, esteve sempre ao seu lado, fazendo questão de mostrar que ele é o “cara” do bolsonarismo no estado, não dando espaço para outros bolsonaristas de proa, como os deputados Aluísio Mendes (PSC), o Edilázio Jr. (PSD) e Pastor Gildenemyr (PL). Mesmo prestigiado pelo presidente, de quem é amigo, Roberto Rocha não foi ungido líder inconteste do bolsonarismo no Maranhão. Alguns partidários de Roberto Rocha esperavam que o presidente Jair Bolsonaro o lançasse como seu candidato ao Governo do Estado, reforçando o projeto do senador. Pode ser que tenha sido para lançá-lo em outro momento, quando os dois já tiverem resolvido seus destinos partidários. Pois é sabido que o senador Roberto Rocha saiu do PSDB para se filiar ao partido que vier a ser escolhido pelo presidente da República para tentar a reeleição. A definição acontecerá até Setembro, mas há quem diga que definição partidária do presidente acontecerá bem antes.

 

Pedro Lucas Fernandes foi uma boa escolha para coordenar a bancada federal

Pedro Lucas Fernandes

O deputado federal Pedro Lucas Fernandes (PSL) é o novo coordenador da bancada do Maranhão no Congresso Nacional. Foi eleito por unanimidade, tendo como subcoordenador o deputado federal Edilázio Jr. (PSD). Sua eleição foi o reconhecimento da sua atuação parlamentar e do seu empenho na garimpagem de recursos federais para os municípios quando liderou a bancada do PTB. Mas a saída da legenda trabalhista, que por orientação do presidente nacional Roberto Jefferson se tornou um dos principais pilares partidários do Governo de Jair Bolsonaro, não tirou o parlamentar da região ministerial. Agora chefe do PSL no Maranhão, Pedro Lucas Fernandes poderá manter seu trânsito no Governo. Primeiro pela sua atuação, e segundo pelo viés partidário. Explica-se: saído das urnas de 2018 como um dos maiores partidos do País, o PSL atualmente é hoje uma agremiação dividida em três correntes. Uma segue o fundador e presidente da legenda, deputado federal Luciano Bivar (PE). Uma segunda corrente fica no meio do campo subindo e descendo do muro. E uma terceira, liderada pelo filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro, que permanece alinhada ao Palácio do Planalto. Inteligente, Pedro Lucas Fernandes transita nas três correntes, o que lhe facilita a vida nos contatos com a Esplanada dos Ministérios, o que pode ajudar bastante na briga dos deputados e senadores pela liberação das suas emendas e dos seus pleitos. Ter o deputado Edilázio Jr. como subcoordenador é uma boa vantagem, uma vez que o parlamentar do PSD é bolsonarista roxo e, dizem, tem bom trânsito no Governo.

São Luís, 22 de Maio de 2021.

A voz maranhense na CPI da Covid, Eliziane faz a diferença com atuação forte e coerente

 

Eliziane Gama foi dura, mas coerente, nos questionamentos a Eduardo Pazuello

Senadora Eliziane Gama – Ministro, o senhor leva a sério o que o presidente da República fala nas redes sociais?

Ex-ministro Eduardo Pazuello – Eu só levo à sério quando as coisas são tratadas pessoalmente comigo, como ministro. Agora, as posições do presidente nas redes sociais, as posições de Twitter, aquilo é a figura política dele. Dali eu não extraio ordens e determinações para nada. 

Eliziane Gama – Ou seja, o senhor não leva à sério. 

Eduardo Pazuello – O termo não é ‘levar à sério’, eu não falei isso. Eu falei que dali eu não extraio ordens.

Eliziane Gama – Porque, ministro, com todo respeito ao senhor, mas a sensação que eu tenho é que parece que o senhor está meio que brincando com a cara da gente na CPI. O senhor já mentiu demais nessa comissão, ministro, mas muito mesmo!

O bate-volta acima, travado ontem na CPI da Covid, pela senadora Eliziane Gama (Cidadania) com o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, investigado pela Comissão sob a suspeita de ter feito uma gestão desastrosa no Ministério da Saúde no período mais crítico da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O momento, um dos mais tensos e reveladores da sessão, consolidou dois vieses da senadora na CPI da Covid, mesmo não sendo ela membro do colegiado: a mais ativa integrante da chamada “bancada feminina” e a voz ativa do Maranhão no processo até aqui. Essas posições, conquistadas devido à participação firme, com questionamentos coerentes e bem fundamentados, dão à senadora estatura parlamentar diferenciada em relação aos outros senadores maranhenses, Weverton Rocha (PDT) e Roberto Rocha (sem partido), que não demonstraram maior interesse pela CPI da Covid – vale lembrar que eles não são obrigados a participar.

Quando afirmou ontem que o ex-ministro da Saúde mentia à Comissão, Eliziane Gama apresentou provas documentais para sustentar sua afirmação. O caso da vacina Coronavac é ilustrativo da coerência das suas intervenções. No depoimento, o ex-ministro mentiu quando declarou que não manifestou interesse na compra daquela vacina: “Quando o ministro fala sobre não ter manifestado intenção para compra da Coronavac, (…), está aqui uma documentação feita pelo próprio Ministério da Saúde que manifesta interesse pela Coronavac. O presidente fala no dia seguinte que não vai comprar coisa nenhuma, porque é da China, e o ministro fala ‘O presidente manda e eu obedeço`”. O ministro ficou sem argumentos para contradizê-la.

Diante da postura nada correta de Eduardo Pazuello, que é general da ativa e ostenta três estrelas, o penúltimo degrau da carreira no Exército brasileiro, Eliziane Gama reagiu indignada e foi dura, incisiva, a ponto de o presidente da CPI, senador amazonense Omar Aziz (PSD) – que sempre passa a impressão de que está fazendo jogo duplo – tentar cerceá-la, afirmando que ela estava sendo “muito agressiva”. Com os pés no chão e com a segurança de quem sabe quando não dá para remar contra a maré, a senadora se conteve, deixando, porém, a marca da sua participação efetiva. Suas intervenções já produziram expressiva contribuição para o relatório final da investigação sobre os desmandos, erros e omissões na desastrada condução da luta contra a pandemia do novo coronavírus no País. Ao contrário dos seus dois colegas da bancada maranhense.

Embora muitos possam erroneamente supor, a senadora Eliziane Gama não é neófita em manteria de CPI. Durante os dois mandatos de deputada estadual, ela comandou uma CPI sobre a indústria da prostituição de menores no Maranhão, e ao longo do mandato de deputada federal, ela participou da rumorosa CPI da Petrobrás. Essas participações deram à senadora maranhense um lastro de experiência diferenciado em relação a boa parte dos senadores, que estão ali pela primeira vez, ou exerceram outros mandatos, mas sem vivenciarem experiência parecida. E é exatamente por saber o que está fazendo na instância mais alta do parlamento brasileiro que ela se distancia de boa parte dos seus colegas de Senado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino critica postura de Bolsonaro na pandemia, com base em revelações de Pazuello

Flávio Dino críticas a Jair Bolsonaro

“Se o presidente da República não se reuniu com o seu ministro da Saúde no auge da pandemia, se nada orientou, nada sabia e nada decidiu, o que ele é? Um NADA?”

A indagação, em tom enfático, foi feita ontem pelo governador Flávio Dino (PCdoB) nas suas redes sociais após o depoimento do ex-ministro Eduardo Pazuello na CPI da Covid. De fato, de tão preocupado em blindar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra o peso da responsabilidade pelos erros, equívocos e omissões do Governo Federal no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, o ex-ministro da Saúde acabou por confirmar a impressão de milhões de brasileiros: o presidente da República é um zero à esquerda em matéria de gestão. Não sabia de nada, não ordenou nada, não negou nada nem conversou com o ministro da Saúde com a frequência necessária. Ou seja, um presidente alheio à gravidade da situação, preocupado apenas em criar artimanhas para atropelar governadores. A indagação do governador do Maranhão faz todo sentido.

 

Aluísio Mendes avisa que vai turbinar o PSC no Maranhão

Aluísio Mendes quer turbinar o PSC em 2022

Mesmo diante da bombástica cassação do prefeito de Rosário, Calvet Filho, e sua vice Cláudia Anceles (PT), representando uma forte perda, o deputado federal Aluísio Mendes, que preside o PSC no Maranhão, iniciou ontem mesmo uma grande ofensiva no sentido de turbinar o braço maranhense do partido para as próximas eleições, das quais pretende sair fortalecido. Além de aumentar o seu cacife político e partidário, o parlamentar quer também contribuir para livrar a legenda da enorme mancha que turvou sua imagem com o que aconteceu no Rio de Janeiro. Ali, sua maior estrela, Wilson Witzel, eleito governador do Rio de Janeiro em turno único, na esteira do bolsonarismo, chegando a dar passos para ser candidato a presidente da República, acabou cassado por corrupção, no maior vexame da história recente do País. Ali também, o presidente nacional do partido, pastor Everaldo Pereira, acabou preso pelo mesmo motivo.

Atualmente com um deputado federal – o próprio Aluísio Mendes -, sete prefeitos, três vices e 93 vereadores o partido está consolidado entre um dos maiores do Maranhão. E deve crescer ainda mais com a esperada filiação de sete novos prefeitos, o que aumentará expressivamente o seu cacife. Para 2022, a perspectiva é eleger dois deputados federais e pelo menos um deputado estadual.

Policial federal, assessor do ex-presidente José Sarney (MDB), responsável pela implantação de serviços como o Grupo de Operações Especiais e do Grupo Tático Aéreo da Polícia Militar, foi secretário de Segurança Pública no último Governo de Roseana Sarney, do qual se afastou em 2014 para ser candidato a deputado federal, tendo sido eleito e reeleito em 2018. Esteve no PRTB, no Avante e no Podemos, passando o comando para o então deputado federal Eduardo Braide, a quem apoiou na corrida à Prefeitura. Ingressou no PSC e hoje é nome de peso no comando nacional do partido. Deve atuar como aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Maranhão.

São Luís, 20 de Maio de 2021.

Movimentação indica que eleição da bancada federal será uma das mais disputadas dos últimos tempos

 

Bancada maranhense a ser eleita em 2022 para atuar no plenário da Câmara dos Deputados será o resultado de uma disputa difícil, que envolverá vários nomes fortes 

Meses atrás, a Coluna registrou a previsão de que a grande disputa das eleições de 2022 no Maranhão se dará na corrida pelas 18 cadeiras da Câmara Federal. Naquele momento, o cenário era impreciso, mas agora, mesmo não tendo ainda o seu desenho definitivo, está muito claro de que será uma luta titânica. Não há dúvida de que grande parte dos deputados federais tem cacife para apostar alto na reeleição. Por outro lado, a entrada de pesos pesados na corrida – que vale uma estada de quatro anos em Brasília, com salário gordo, verba de representação, emendas milionárias e apartamento funcional no Plano Piloto – poderá mudar expressivamente o perfil da bancada maranhense a partir de fevereiro de 2023. Nas contas de um parlamentar experiente, não mais do que 10 dos 18 atuais integrantes da bancada têm cacife para se reeleger.

Márcio Jerry (PCdoB), André Fufuca (PP), Juscelino Filho (DEM), Cléber Verde (Republicanos), Pedro Lucas Fernandes (PSL), Edilázio Jr. (PSD), Aluísio Mendes (PSC) e Marreca Filho (Patriotas) são exemplos. Cabeças de chapas dos seus partidos, os parlamentares dessa lista comandam os seus partidos, o que os torna candidatos diferenciados. Nesse time pode se incluir Rubens Jr. (PCdoB), que tem cacife eleitoral elevado, e Bira do Pindaré (PSB), que é “bom de voto”, mas poderá enfrentar a concorrência perigosa do presidente do seu partido, Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon, que estaria pensando em voltar à Câmara Federal. A disputa poderá contar ainda com o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), hoje nome forte.

Se confirmar o que vem dizendo, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), somada aos deputados federais emedebistas Hildo Rocha e João Marcelo, poderá ser um forte diferencial. O mesmo se pode prever em relação à deputada Detinha (PL), caso o deputado Josimar de Maranhãozinho (PL) resolva mesmo disputar o Governo do Estado. Se realizar uma campanha com foco e propósito claros, a ex-governadora receber uma expressiva votação, facilitando assim a reeleição de Hildo Rocha e João Marcelo, podendo inclusive “puxar” mais um emedebista, dependendo do poder de fogo dos demais candidatos. É o que poderá acontecer com a deputada Detinha, que certamente herdará a votação de Josimar de Maranhãozinho, podendo turbinar a chapa do PL, facilitando a vida do deputado Júnior Lourenço.

Não bastasse esse cenário de disputa acirrada, a corrida à Câmara Federal deve ganhar mais importância com a entrada de outros prováveis candidatos. É o caso, por exemplo, do deputado estadual Duarte Júnior (hoje no Republicanos, mas a caminho do PSDB), que deve sair eleito de São Luís. E de nomes destacados da equipe do governador Flávio Dino (PCdoB) e com futuro na política, como Carlos Lula (PCdoB), secretário de Saúde, Felipe Camarão (DEM), secretário de Educação, e Clayton Noleto (PCdoB), secretário de Infraestrutura. Esse tabuleiro pode receber também a candidatura do ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (sem partido), dono de cacife gordo para essa disputa, e a do ex-prefeito de São José de Ribamar, Luís Fernando Silva, secretário estadual de Projetos Especiais.

Nos bastidores, especula-se que vários nomes política e eleitoralmente fortes estariam se preparando discretamente para entrar na corrida à Câmara Federal, entre eles os atuais prefeitos reeleitos de Balsas, Eric Silva (PDT), que tem forte presença na região Sul; de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos, mas migrando para o PSDB), com prestígio em todo o Leste maranhense, e de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), hoje um nome de grande peso na Baixada Ocidental.

Essas citações não são indicadoras de que os demais deputados federais estejam fora do páreo. Ao contrário, os deputados Gil Cutrim (Republicanos), Zé Carlos (PT), Pastor Gildenemyr (PL) e Josivaldo JP (Podemos).

Como é possível observar, muito antes da definição das chapas propriamente ditas, são fortes as evidências de que a disputa para a Câmara Federal será diferenciada nas próximas eleições.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino quer resolver seu futuro partidário até o dia de Santo Antônio, o casamenteiro

Em meio à intensa movimentação para definir o futuro do PCdoB e do PSB, o governador Flávio Dino, hoje o nome mais importante do PCdoB em todo o País, trabalha com uma data para resolver a equação e definir seu rumo partidário: 13 de Junho. Para quem não sabe ou não se lembra, esse é o dia de Santo Antônio, o casamenteiro. Rigorosamente adequado para o desfecho do namoro partidário que o governador vem mantendo há tempos. Uma rodada de conversa nessa direção incluiu a possibilidade de fusão dos dois partidos ou a incorporação do primeiro pelo segundo. Nada foi decidido. As conversas continuam, como Flávio Dino acha que deve ser.

 

CCJ da AL aprova MP que reforça Polícia e homenageia defensores dos direitos humanos

Os deputados Ciro Neto, Adelmo Soares, Yglésio Moises e Rafael Leitoa reunidos ontem de manhã na CCJ da AL

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Assembleia Legislativa, em reunião presidida pelo deputado Adelmo Soares (PCdoB) e com a participação dos deputados Yglésio Moises (PROS), Rafael Leitoa (PDT) e Ciro Neto (PP), aprovou, por unanimidade, dois projetos importantes.

O primeiro foi a Medida Provisória 353, editada pelo governador Flávio Dino, que cria a Força Integrada de Segurança Pública. Trata-se de um novo conceito estrutural de Polícia, que na avaliação do relator da matéria, deputado Adelmo Soares, vai tornar a ação policial mais efetiva e não implicará na criação de cargos públicos, pois haverá apenas o uso de remanejamento de servidores. A integração da Polícia maranhense é o resultado das mudanças operadas pelo secretário Jefferson Portela.

O segundo: o Projeto 258, proposto pelo governador Flávio Dino, que institui, e inclui no Calendário Oficial do Estado, o Dia Estadual dos Defensores dos Direitos Humanos. Aprovada por unanimidade, a data homenageia Padre Josimo, militante dos direitos humanos e defensor dos trabalhadores rurais na Região Tocantina, assassinado em Imperatriz no dia 10 de Maio de 1986. Ocorrida no auge do Governo do presidente José Sarney (PMDB), o assassinato do sacerdote, por ação de pistoleiros, no centro da Princesa do Tocantins, abalou o Maranhão e repercutiu fortemente em todo o Brasil e no exterior.

São Luís, 19 de Maio de 2021.

Em busca de união, Dino abre espaço para Brandão e Weverton em ações e atos do governo

 

As imagens de ontem no Palácio dos Leões são reveladoras de que o governador Flávio Dino pode construir um grande acordo para evitar o confronto entre Carlos brandão e Weverton Rocha, com o apoio de Othelino Neto, Márcio Jerry e Rodrigo Lago

O ato de entrega, ontem, no Palácio dos Leões, de 12 mil cestas básicas para uma dezena de municípios – totalizando mais de 52.678 mil doações em 40 municípios pelo programa “Comida na Mesa” – foi marcado por forte simbolismo político. Comandado pelo governador Flávio Dino (PCdoB), o evento, que vem se repetindo a cada semana, reuniu no mesmo espaço o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT), ambos pré-candidatos ao Governo do Estado e que travam uma luta dura nos bastidores da aliança partidária governista em busca de suporte aos seus projetos de candidatura. O encontro passou a impressão de que o governador Flávio Dino caminha para conseguir um entendimento entre os dois aspirantes, para que um deles seja candidato à sua sucessão com o apoio do outro. Carlos Brandão e Weverton Rocha deram uma demonstração de que, apesar da disputa ácida que vêm travando, mantêm uma relação civilizada, sem estresse, e até com troca de figurinhas, indicando que estão inclinados a firmar um acordo que interessa a ambos.

Flávio Dino trabalha intensamente para evitar um confronto direto entre dois candidatos da sua base de apoio. Para ele, o melhor caminho para a sua sucessão é a construção de um acordo pelo qual os dois se juntem e acertem que o melhor posicionado será o candidato e terá o apoio do outro. O governador tenta fazer essa mediação procurando acomodar os muitos interesses que giram em torno das duas pré-candidaturas, para evitar que haja uma escolha traumática, sem acordo, levando o não escolhido a entrar na briga com o discurso de que foi injustiçado. No caso do entendimento, o candidato escolhido será ungido por todas as forças partidárias da aliança dinista. Por isso não será uma escolha fácil, pois dependerá de muita conversa, muito desprendimento e muito senso de grupo. Afinal, será duro para o não escolhido abrir mão de tentar chegar ao comando do Estado.

O encontro de ontem, que não foi casual, mostrou que, ao contrário do que muitos imaginam, é real a possibilidade de um acordo. E o ponto que o torna viável é exatamente o governador Flávio Dino na condução do processo, mesmo que seja clara sua inclinação pelo projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão. Essa posição não o impede de conduzir o processo de escolha navegando nas águas serenas da isenção, dando a cada um deles instrumentos que lhes permitam reforçar suas posições políticas e eleitorais. Por exemplo: nesta semana, enquanto Carlos Brandão representava o governador participando de inaugurações e lançamento de obras em Imperatriz e em Parnarama, numa ação vista por adversários como favorecimento a sua candidatura, o secretário de Desenvolvimento Social, Márcio Honaiser, membro da cúpula estadual do PDT, firmava com o presidente da Famem, Erlânio Xavier, também membro da cúpula do PDT, um Termo de Pactuação Técnica para o programa Vale Gás, que distribuirá a famílias de baixa renda 115 mil tickets para a compra de gás de cozinha, no que outros enxergarem benefício político para o senador Weverton Rocha.

No ato de ontem, no Palácio dos Leões, o governador Flávio Dino mostrou que, independentemente da sua inclinação, vem tratando os dois pré-candidatos com rigorosa isenção, produzindo nas duas correntes a garantia de que não interferirá no processo de consulta partidária que será iniciado no final deste mês e que levará à escolha do candidato à sua sucessão. Carlos Brandão e Weverton Rocha sabem disso, tanto que se esforçam para não passar a impressão de que estão trocando socos e pontapés pela vaga de candidato da aliança dinista ao Governo do Estado. Nos bastidores, partidários dos dois movimentos jogam pesado – às vezes usando peso excessivo – para fortalecer seu candidato e minar o concorrente.

Ao colocar os dois no mesmo ambiente, o governador Flávio Dino reforça o recado segundo o qual o grupo por ele liderado apoiará o nome que emergir das consultas. Mas, caso esse grande entendimento não seja possível e os dois resolverem partir para o confronto, ele e seu grupo estarão à vontade para escolher o rumo a seguir. E nesse caso dificilmente será o caminho da neutralidade.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roberto Costa diz que o MDB quer diálogo pelo Maranhão e que Roseana vai liderar o processo

Roberto Costa e Roseana Sarney conduzem o MDB aberto ao diálogo, sem restrições

Visto por muitos como um partido à beira do abismo com o resultado das eleições de 2018 quando teve seus candidatos ao Governo e ao Senado duramente derrotados, e ainda o encolhimento da sua bancada federal e da sua bancada estadual, o MDB se movimenta para, se não dará volta por cima no sentido mais amplo, trilhar um caminho que possa torna-lo de novo um grande partido no Maranhão. Foi o que externou seu vice-presidente, deputado estadual Roberto Costa, de longe o mais atuante líder do partido, numa entrevista recente à TV Mirante. Roberto Costa foi enfático em afirmar que o MDB vai continuar com todas as forças políticas em ação no Maranhão, a começar pelas lideradas pelo governador Flávio Dino. O tema central do diálogo é a discussão de um projeto que leve o estado a recuperar as perdas econômicas sofridas com a pandemia.

– Acho que hoje o compromisso da classe política não é com a política, mas com o desafio de pensarmos um projeto para o futuro, para reconstruir todas as perdas causadas pela pandemia. E para isso é preciso, acima de tudo, nós termos o diálogo com todas as forças. Nós acreditamos no caminho do diálogo. Esse é um sentimento do conjunto do partido, das lideranças do partido, como os deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo, como os deputados estaduais Arnaldo Melo e Socorro Waquim, o ex-senador João Alberto e a líder maior nossa dentro do partido, a ex-governadora Roseana Sarney – disse.

Roberto Costa está convencido de que esse diálogo deve passar pelo governador Flávio Dino: “A bancada do MDB (na Assembleia Legislativa) tem um diálogo de muita proximidade e muito respeito com o governador Flávio Dino. E hoje não vemos nenhuma dificuldade para sentar e dialogar com o próprio governador em relação a um projeto futuro. O Maranhão tem de ser uma prioridade constante. Para isso, é necessário que as grandes lideranças políticas possam sentar à mesa, discutir um projeto que possa beneficiar, acima de tudo, o estado do Maranhão. Acho que o entendimento político que existe hoje dentro do MDB vem muito nessa direção: dialogar, com muita transparência, e acima de tudo colocando os interesses públicos da população como prioridade nossa”.

O vice-presidente do MDB avisa que, depois das derrotas, o partido se oxigena a cada dia, num processo que será mais forte sob o comando da ex-governadora Roseana Sarney, que assumirá a presidência do partido daqui a algumas semanas: “A ex-governadora Roseana é a maior liderança política e eleitoral que nós temos no MDB, e uma das maiores do Maranhão. Ela tem um papel fundamental nas decisões partidárias. Ela é favorável ao diálogo. Ela é hoje uma pessoa procurada para dialogar, para colocar a experiência que ela tem como governadora, como senadora, como deputada federal, com espaço nacional. Acho que o partido vai ganhar muito com a presidência de Roseana, porque ela vai dar os encaminhamentos necessários, para que o partido possa continuar se fortalecendo e construindo um projeto para o Maranhão”.

 

Prefeitos de vários partidos estão querendo migrar para o PSDB

O vice-governador Carlos Brandão tem sido procurado por muitos prefeitos de diferentes partidos, parte deles do Republicanos, para consultá-lo a respeito da conveniência de migrarem agora para o PSDB. De acordo com uma fonte “quente”, Carlos Brandão tem recomendado que permaneçam nos seus partidos por enquanto permaneçam nas suas agremiações, para evitar que seja acusado de estar “drenando” os partidos. Mesmo assim, vários prefeitos já avisaram que vão trocar de partido e turbinar o PSDB.

São Luís, 18 de Maio de 2021.

Como Flávio Dino, José Sarney acha que a corrida presidencial pode ter uma “terceira via”

 

José Sarney, como Flávio Dino, sugere terceira via na disputa 

Ainda uma das principais referências políticas do País por sua experiência e sua clarividência em relação ao que acontece no tabuleiro político brasileiro, o ex-presidente José Sarney e presidente de honra do MDB avalia que o forte desgaste que atinge tanto o ex-presidente Lula da Silva (PT) quanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) pode favorecer uma “terceira via” na corrida ao Palácio do Planalto. Essa avaliação do ex-presidente – que segundo a coluna do jornalista Lauro Jardim, na edição de ontem de O Globo – tem sido por ele externada a interlocutores, depois de ter recebido a visita dos dois pré-candidatos a presidente.  É essa também a avaliação do governador Flávio Dino (PCdoB), que desde as primeiras discussões sobre a corrida sucessória, vem defendendo a formação de uma grande aliança reunindo partidos do centro-direita, centro, centro-esquerda e esquerda democrática em torno de um nome em torno do qual se pode construir um consenso. Como o ex-presidente emedebista, o governador teme que mesmo uma candidatura forte, mas sem lastro partidário amplo e sólido, corre risco numa disputa fortemente polarizada como a que já começa a se desenhar.

José Sarney e Flávio Dino são marcados por diferenças políticas e ideológicas abissais, mas têm traços comuns, como o pragmatismo e a visão democrática segundo a qual é possível mobilizar essas forças em torno de um projeto que leva uma candidatura de projeção nacional. E nesse caso, suas posições coincidem, de vez que a ideia central de uma estratégia para vencer o atual inquilino do Palácio do Planalto é mobilizar forças políticas em torno de uma candidatura consensuada, evitando que elas se pulverizem. O ex-mandatário nacional e o governante maranhense sabem que projetos isolados e inflexíveis, como é o de Bolsonaro e parece ser o de Lula da Silva, limitam seu poder de fogo e tendem a fazer uma campanha cheia riscos.

José Sarney não deu pistas do que pensa a respeito de nomes, mas com certeza quer o MDB numa aliança forte. Flávio Dino, por sua vez, acha que Lula da Silva, mesmo com o problema da rejeição, tem condições de mobilizar um amplo leque de apoio partidário, também construindo pontes nos estados. Avaliam, por vieses diferentes, que o ex-presidente Lula da Silva precisa flexibilizar o debate, evitando impor as posições do PT. Mesmo já tendo declarado apoio uma eventual candidatura do líder petista, o líder maranhense não cansa de bater na tecla segundo a qual é necessária a construção da grande aliança. E mostra como exemplo o que ele próprio faz no Maranhão, onde governa com 16 legendas, que representam as mais diferentes correntes partidárias do País.

Defensor da política de alianças, Flávio Dino dá o exemplo e aposta numa candidatura de consenso da aliança que lidera para disputar a sua sucessão, que já ganha intensidade com as pré-candidaturas do senador Weverton Rocha (PDT) e do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). E antes de se posicionar, vai consultar a todos os partidos que integram a base de apoio do seu Governo, pretendendo com isso estimular um debate que venha produzir consenso em torno de um dos dois pré-candidato. E mesmo estando inclinado a apoiar o seu vice, que tem sido o seu mais fiel aliado fora do PCdoB, vai iniciar as consultas já no final deste mês, com a perspectiva de chegar ao final do ano com todas as cartas na mesa, reunindo, portanto, argumentos para indicar o candidato. Paralelamente, Weverton Rocha e Carlos Brandão se movimentam intensamente em busca de apoio partidário, passando a impressão de que vão respeitar o resultado da consulta e o consequente posicionamento do governador, que é pré-candidato ao Senado.

No campo político nacional, o cenário que leva em conta a sucessão presidencial é ainda impreciso, e turvo. Jair Bolsonaro é candidatíssimo à reeleição, mas, além de não ter partido, não sabe exatamente com quem contará. O mesmo acontece com Lula da Silva, que realiza uma verdadeira maratona de contatos em busca de alianças. Correrão mais ainda se a tal “terceira via” for encontrada e lançada na disputa, como sugerem o ex-presidente José Sarney e o governador Flávio Dino.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton intensifica articulação para formar base partidária forte

Weverton Rocha troca figurinhas com André Fufuca visando ampliar base partidária

O senador Weverton Rocha não faz pausa para descanso na corrida em que busca formar e consolidar uma base partidária para sustentar o seu projeto de candidatura à sucessão do governador Flávio Dino. Já conta com o DEM e já atraiu o Republicanos, comandado pelo deputado federal Cléber Verde; o PSL, que agora está sob o comando do deputado federal Pedro Lucas Fernandes; o PSB, conforme declaração do presidente socialista Luciano Leitoa, ex-prefeito de Timon, e provavelmente o PP, liderado no estado pelo deputado federal André Fufuca. Nos bastidores da política ludovicense, corre que Weverton Rocha aguarda o apoio do Podemos, comandado pelo prefeito Eduardo Braide, que não fez até agora qualquer gesto político relacionado com a corrida sucessória estadual em 2022. Aliados do senador apostam que ele terá o apoio de pelo menos oito dos 15 partidos da aliança dinista, o que será um cacife e tanto.

 

Brandão cumpre agenda intensa no interior em busca de apoio político

Carlos Brandão no cais de Parnarama, com o prefeito Raimundo Silveira (de azul)

O vice-governador Carlos Brandão (PSDB) vem cumprindo uma intensa programação de visitas a municípios, representando o governador Flávio Dino em inauguração e lançamento de obras. Na Quinta-Feira, ele esteve em Imperatriz, onde inaugurou mais uma etapa do Centro de Artesanato do município, e ontem foi a Parnarama, onde entregou as instalações da Defensoria Pública, uma Escola Digna e vistoriou obras no cais e no mercado da cidade. Carlos Brandão incursiona no interior representando o governador Flávio Dino – que está concentrado em São Luís por conta dos desafios do novo coronavírus -, e mostrando à classe política que está consolidando sua pré-candidatura à reeleição, para não deixar vácuos no seu projeto de poder.  Vale lembrar que o vice-governador será governador titular a partir de 3 de Abril do ano que vem, quando o governador Flávio Dino deixará o cargo para disputar o Senado.

São Luís, 17 de Maio de 2021.

ESPECIAL: Em Quatrocentona: Código de Posturas e Imposturas Líricas da Cidade de São Luís do Maranhão, Cassas canta sua cidade pelas entranhas, sem azulejos coloridos nem chavelhos luminosos

 

(Impressões de um jornalista que gosta de poesia, mas não é versado em poética, e que, mesmo tendo a palavra como matéria-prima, nunca se atreveu nem se atreverá a escrever um verso)

São Luís, essa magnífica singularidade urbana, historicamente incomum e culturalmente ímpar, já foi cantada em quase todos os seus vieses em versos magistrais, esculpidos por poetas de grandeza imensurável. Sua arquitetura incomparável, sua geografia sem par, sua cultura sincrética, sua miscigenação caudalosa, seu caldeirão religioso – com domínio do catolicismo romano na superfície e dos deuses afro dando as cartas na base -, seus encantos e sua trajetória estão eternizados em poemas definitivos e irretocáveis, levando muitos a avaliar que o manancial temático da musa especial e pouco fiel caminhava para o esgotamento. Nada disso. Como um vulcão em erupção, o poeta Luís Augusto Cassas desmancha, radical e implacavelmente, essa tendência com Quatrocentona: Código de Posturas & Imposturas Líricas da Cidade de São Luís, sua obra mais recente, lançada em fevereiro, mostrando a cidade dele pela beleza e pela crueza das suas entranhas. Os 90 poemas reunidos – muitos já publicados em 10 dos 20 títulos hoje reunidos na antologia “A poesia sou Eu”, e muitos inéditos – falam das suas mulheres, seus cantores, suas prostitutas, seus heróis não cantados, sua grandeza, seus amores, seus conflitos, seus temores, seus tumores, suas culpas, suas conquistas, seus reveses, sua torpeza e o peso quase insuportável de ser única, transitando por praças, becos e igrejas.

A São Luís de Cassas é superior, ativa e dançante na sua existência cotidiana, mas é também triste e alegre, sombria e solar, velha e nova, onde tudo tem um contraponto ameaçador, o que a torna angustiada com a sobrevivência e o porvir. E por isso mesmo é tratada com carinho, paixão, ironia, crítica,  tornando cada poema uma esfinge a ser decifrada. Tanto que, ao mesmo tempo em que a revela, Cassas a procura, como o argonauta Odisseu, singrando mares revoltos em busca de sua Ítaca, como bem aludiu o poeta Rossini Corrêa na genial apresentação do livro.

Fruto da poesia madura, apurada e singular de Cassas, Quatrocentona: Código de Posturas & Imposturas Líricas da Cidade de São Luís revela e desnuda a cidade pelo seu viés mais rico e controverso: sua gente, com seus movimentos, sua força, suas fraquezas e seus fantasmas. O lirismo do poeta não desenha a beleza lusa dos casarões coloniais, não traz um só verso sobre os azulejos que os cobre, ignora a existência das pedras de cantaria e não traduz o que há de memória no silêncio dos telhados nem aponta beleza nos trapiches. Mas cada verso faz o leitor lembrar desses traços da cidade. Nas suas 200 páginas, a única referência arquitetônica está num único verso que fala, numa abordagem universal, da relação da sacada com o mar. Além de praças, feiras e igrejas, sua referência urbana são os paralelepípedos, vistos como “diamantes de multidões”, “testemunhas de destroços” e “com cara de munição”. São as pedras da cidade-fantasma na qual busca o bonde, “Bicho de ferro surreal” que está “em mim”. Nada sobre as formas e as cores da cidade. Tudo sobre sua gente, seus sábios e seus loucos, seus humores, suas dores, seus ardores, seus temores e seus tumores. Uma cidade viva, alegre e cantante, mas também triste e contida, com saúde e chagas e que avança e decai.

O livro está dividido em oito blocos: “A Cidade Aberta”, a “Cidade Relembrada”, “A Cidade no Varejo & Atacado”, “A Cidade e a Alma Ensolarada”, “A Cidade Transfigurada: o Véu & a Máscara”, “A Cidade Dançante”, “O Dono do Mar”, “A Cidade e o Fantasma Romântico” e “O Renascimento da Cidade”. Cada bloco explora um viés da São Luís singular. Cada bloco explora um universo dessa São Luís humana, bela e feia, rica e pobre, pedante e humilde, poderosa e frágil. O livro é aberto com “Brasão”, um poema-manifesto poderoso, no qual o poeta afirma que “a cidade somos nós / nós somos a cidade”, “Somos a luz e a sombra / o caminho e a verdade”, “sabiás cantando / amores na fornalha”, e lembrando, em tom de advertência, que “cada pedra lançada contra nós é por nós arremessada” e ainda: “cada ruína que brota de morada são mágoas por nós entrincheiradas”.

“A Cidade Aberta” reúne oito poemas demolidores, iniciando com “Introdução ao Sanctus”, no qual Cassas identifica São Luís como “minha cidade / minha ruína / minha catarina mina / meu licor de tangerina / minha mina / meu buquê de hiroxima”. E encanta com “Barroca”, que mergulha na sensualidade na vida comum de São Luís: “a cidade acorda despida de segredos” / “desfolha os seios com maçãs no meio”, “sensual no carnaval” e “molhadinha de emoção no São João”. E exala paixão no poema “Carta a São Luís”: “Se a cidade fosse minha… / chamava a fada madrinha e o santo de Ribamar / e a batizava nuinha na igreja verde do mar”, e fecha afirmando que “se a cidade fosse minha não a deixava tombar”. Cassas percorre as entranhas da musa em dois poemas implacáveis: “O discurso do Mestre dos Becos” e o “Sermão dos Becos”.

Na “Cidade Relembrada”, Cassas vê São Luís sob risco e no poema “Convocação Geral” clama pelos seus maiores cantores, perguntando onde estão Ferreira Gullar, Nauro Machado, Josué Montello, Bandeira Tribuzi, João Mohana, Odylo Costa, filho, entre outros, convocando-os para “acender o círculo da palavra / adestrar as aljavas / reinaugurar a taba”. No mesmo bloco, o poeta revela a decadência da fé cristã na sofrível resistência do “Confessionário da Sé”, “ouvido atento de Deus”, consultório onde o ludovicense temente busca cura para doenças da alma, por meio de “receitas com bondade / antídoto de pecado: / o remédio do perdão”. E chega ao ponto alto com “Brechó do Pó”, cantando cruamente duas São Luís, “duas costelas do mesmo barro / duas mulheres do mesmo sarro / duas plantas do mesmo jarro”, sendo que “uma é suja / a outra mal lavada”, “uma está tombada / outra desmoronada”.

Nas páginas de “A Cidade no Varejo & Atacado”, o poeta dispara forte contra a hipocrisia e vai fundo nas entranhas ludovicenses, alcançando o ponto máximo com “Nossas Meninas”, uma declaração de amor absolutamente genial às prostitutas de São Luís, vistas como “almas generosas”, que “dão ombro pra chorar / seios para descansar / boca pra beijar / olhos para admirar / sexo pra relaxar”, e que “depois devolvem os clientes /amaciados e quentes / à fauna-faina da vida”. Nas páginas seguintes está “Lamentações dos Jardins do Roxy”, sobre as sessões pornôs do Cine Roxy na visão angustiada e profética da célebre Joana de Deus, Louca do Senhor. Ainda nesse bloco, Cassas enxerga o mar deprimido, a Feira do João Paulo e a da Praia Grande, a Borracharia do Arouche e dá receita de peixe-pedra frito.

No bloco “A Cidade & Alma Ensolarada”, Cassas homenageia e canta  personalidades que dão grandeza a São Luís, como os poetas Bandeira Tribuzi, Nauro Machado, Ferreira Gullar e José Chagas, a médium  Maria de Jesus Carvalho e a médica Maria Aragão – “Duas marias cheias de alegria / uma era espírita, a outra: comunista”, “Duas marias de luz / duas marias de cruz” -, o cantor e compositor Zeca Baleiro, a cantora Rita Benneditto, o poeta e militante ambiental Zé Nascimento Moraes, as duas versões de Antonio Vieira, o médico Odorico Amaral de Matos e o amigo José Ricardo Moreira. A homenagem a Tribuzi está em “Compromisso”, um dos mais belos e fortes poemas do livro, sobre um encontro às seis da tarde a que o poeta não pode faltar. E “A Cidade Transfigurada: o Véu & a Máscara” é composto de apenas um longo e denso poema “Édipo em Athenas (diálogo temperado de ódio que o amor engoliu no sódio”, no qual Cassas passa a impressão de ser ele o Édipo no tenso e arrebatador diálogo com São Luís na pele de Jocasta.

“A Cidade Dançante” reúne quatro poemas curtos, mas arrebatadores, um sobre bumba-meu-boi, um sobre fogueiras juninas, um cantando o tambor de crioulas e outro, o reggae. O boi de Cassas não tem chavelhos, índias, caboclos, Catirina e Pai Francisco; é apenas o “boi tesouro”, que “é o berro do céu no chão / o reino do pobre em ação / é cristo em ressureição / é a estrela do Maranhão”. Em “Ao redor da fogueira”, o poeta roga o cantar de matracas, tambores e pandeirões, “cantem vozes artilharia dos corações / cantem fogos de artilharia explosões”. “Tambor de Crioula” é genial: “Nigéria-cambraia / vesúvio de saias / castanha-de-caju / áfrica-sereia / negra incendeia / torna-se azul”. E o poema sobre o reggae, é igualmente forte: “detrás dos óculos lunares / dos guerrilheiros dos bares / quatrocentas radiolas / te contemplam”.

Antes de fechar sua monumental declaração de amor à São Luís, Luís Augusto Cassas abre, na sua cidade, espaço para dois registros poéticos fenomenais, “O Dono do Mar”, que é parte de um encarte de 24 páginas publicado em 2000, no jornal O Estado do Maranhão, relacionando dois José de Ribamar, o político, escritor e ex-presidente da República José Sarney e o padroeiro do Maranhão. “Um é cristão velho / outro é cristão novo / um é a voz de deus / outro é a voz do povo”. E em “A Cidade & o Fantasma Romântico”, Cassas retoma um tema que parece desafiá-lo sempre: o célebre e conturbado amor do poeta caxiense Gonçalves Dias e da ludovicense Ana Amélia.

Quatrocentona: Código de Posturas & Imposturas Líricas da Cidade de São Luís do Maranhão fecha com o bloco “O Renascimento da Cidade”, no qual o ponto alto é o poema “Exorcismo das Ruínas”: “Te consagro vento e te batizo água / de absolvo terra e te esconjuro mágoa / te invoco o fogo e penitencio o mal / abençoo os logos e te perdoo metal”. Suas páginas registram a genialidade e a maturidade de um poeta que sempre reagiu forte à limitação das regras fechadas, que sempre ousou desdizer o dito imposto, que sempre subverteu a ordem castradora e que da província se tornou um poeta brasileiro e universal. Sem favor um dos maiores, se não o maior, da sua geração.

São Luís, 15 de Maio de 2021.