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André Fufuca assume comando nacional do PP, se fortalece e mantém braço estadual sob seu controle

 

André Fufuca se firma como um dos cardeais do PP e com horizonte  político largo no tabuleiro estadual

O deputado federal André Fufuca é um político muito mais hábil e eficiente do que se pode imaginar. Quando muitos esperavam que, na hipótese que ganha forma de o presidente Jair Bolsonaro se filiar ao seu partido, o PP, abrindo caminho para que o senador Roberto Rocha tentasse assumir o controle da agremiação no estado, o jovem parlamentar, que poderia perder força na provável queda de braço, dava um salto muito mais alto em Brasília. Ali, em meio aos preparativos para o desembarque do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, na Casa Civil da presidência da República, André Fufuca se tornava nada menos que presidente nacional do partido, devendo permanecer no cargo pelo tempo que o aliado se mantiver no comando da articulação política do Palácio do Planalto. Com a guinada, viabilizada numa articulação que envolveu Ciro Nogueira e o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL), o parlamentar maranhense multiplica algumas vezes o seu poder de fogo no partido, o que lhe permitirá continuar dando as cartas no braço maranhense do PP sem qualquer réstia de preocupação com o senador Roberto Rocha, se filie ele ou não na agremiação.

Aos 31 anos e no terceiro mandato parlamentar – foi deputado estadual e está no segundo mandato federal -, André Fufuca tem se revelado um político centrado, com aguçada e ampla visão de contexto e surpreendente senso de oportunidade. Chegou à Câmara Federal em 2014 eleito com 50 mil votos pelo modesto PEN, assumindo mais tarde o comando do braço maranhense do PP com a derrocada do então deputado federal e presidente estadual do partido Waldir Maranhão. Ainda no primeiro mandato comandou a CPI da Prótese, ganhando projeção nacional por sua atuação, facilitado por sua formação em Medicina. Em seguida, elegeu-se 1º vice-presidente da Câmara, tendo comandado a Casa em momentos grave da crise política de então. Tornou-se próximo do então líder do MDB e depois presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, que o colocou definitivamente no jogo político de Brasília. Em 2018 dobrou a votação, alcançando 105 mil votos.

Formado na escola política do pai, Fufuca Dantas, ex-deputado estadual e atual prefeito (pela quarta vez) de Alto Alegre do Pindaré, André Fufuca é pouco afeito a tribuna, atua fortemente nos bastidores, já sendo reconhecido como um dos “cardeais” do Alto Clero da Câmara Federal, com trânsito fácil nas diversas correntes da Casa e participando efetivamente das grandes articulações. Sua chegada à presidência do PP revelou seu cacife, e mostrou que ele é o terceiro na hierarquia do partido, e como tal, um dos mandas-chuvas do Centrão.

Com seu desempenho político, o deputado federal André Fufuca se consolida como membro destacado de uma geração que caminha célere para comandar o Maranhão, dando sequência ao ciclo iniciado pelo governador Flávio Dino (PSB) e cuja primeira etapa se completará com o seu sucessor. Além de André Fufuca, fazem parte desse grupo de elite da política maranhense os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (Cidadania), o prefeito de São Luís Eduardo Braide (Podemos), os deputados federais Rubens Jr. (PCdoB), Juscelino Filho (DEM) e Pedro Lucas Fernandes (PSL), os deputados estaduais Othelino Neto (PCdoB) e Duarte Jr. (PSB), o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (a caminho do PSD), e revelações como o secretário de Educação Felipe Camarão, recém filiado ao PT.

André Fufuca tem mostrado habilidade ao manter o seu partido e o seu grupo político na aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino, inclusive com responsabilidades no Governo estadual, sem deixar que suas posições no plano nacional interfiram na relação política local. Ciente de que decisões políticas muito antecipadas guardam riscos, ele declarou apoio ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha, mas com a ressalva de que essa posição poderá ser revista no futuro. Uma prova cabal de que já conhece o caminho das pedras e sabe exatamente onde quer e pode chegar.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

João Marcelo e Hildo Rocha querem enterrar a PEC do voto impresso

João Marcelo e Hildo Rocha: contra o voto impresso e repúdio a ameaças 

Ao retomar suas atividades na semana que vem, a Câmara Federal retomará a discussão sobre a PEC 135-21, que prevê a implantação do voto impresso, um jabuti inventado pelo presidente Jair Bolsonaro com o único objetivo de criar caso, já que ele caminha para levar uma tremenda surra nas urnas.  A PEC, que já corria riscos, ganhou morte anunciada depois do recado do ministro da Defesa, Braga Netto, de que sem voto impresso não haverá eleição.

Se depender dos deputados maranhenses João Marcelo e Hildo Rocha, ambos do MDB, membros da Comissão Especial que avalia a PEC 135-21, a PEC será fulminada na primeira reunião da Comissão, sem seus restos mandados para o arquivo morto.

Em declarações ao Correio Braziliense, os dois parlamentares reagiram indignados à ameaça fajuta do ministro da Defesa.

O deputado João Marcelo concitou o Congresso Nacional a não se deixe intimidar: “Temos de peitar o Executivo, no sentido de que cabe a nós resolver o que é de ordem do Legislativo. Não podemos nos deixar levar pela forma açodada como estão querendo nos tratar”. E completou: “Qualquer opinião do Executivo sobre se vai ter ou não eleição, com ou sem voto impresso, é inválida no regime democrático. Vai depender de o Congresso Nacional decidir”.

Por sua vez, o deputado Hildo Rocha, por sua vez, foi direto: “Acho que ela (PEC) vai ser enterrada. Vai ser arquivada. Ele (Braga Netto) jogou uma pá de terra na PEC. Já estava difícil ser aprovada. Com essa mensagem do Braga Netto ficou impossível”.

É isso aí.

 

Juscelino Filho reafirma apoio a Weverton, mas DEM está dividido

Juscelino Filho: risco de comandar um DEM dividido

A declaração do deputado federal Juscelino Filho de que ele, sua irmã, Luana Rezende, prefeita de Vitorino Freire, e seu pai, o ex-deputado estadual Juscelino Rezende estão fechados com a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), pode ser uma sinalização de que o DEM, que ele preside, pode marchar dividido para a eleição de governador. A começar pelo fato de que o tio dele, ex-deputado estadual Stênio Rezende, que foi o principal articulador para que ele assumisse o comando do DEM no Maranhão, declarou apoio ao vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o que significa que a deputada estadual Andrei a Rezende, sua mulher, também seguirá o vice Governador. O racha, portanto, começa na própria família Rezende. Mas vai muito além. A deputada Daniella Tema, que integra o partido, é linha de frente na base de apoio do vice-governador, que tem no ex-prefeito de Tuntum, Cleomar Tema (PSB), um dos principais articuladores. Há rumores de que os deputados estaduais Antônio Pereira e Paulo Neto, que integram a bancada do DEM na Assembleia Legislativa, estariam inclinados para a candidatura do vice-governador.

Ou seja, no momento o grupo representado pelo presidente Juscelino Filho, sua irmã e seu pai está em minoria dentro do partido.

São Luís, 29 de Julho de 2021.

PSL: Pedro Lucas tem o desafio de comandar um partido rachado e com candidato a governador em campanha

Pedro Lucas Fernandes tem o desafio de comandar o PSL com Lahesio Bonfim candidato a governador em campanha e com partidários de Jair Bolsonaro

Uma indagação vem se repetindo no meio político maranhense: para onde vai o braço maranhense do PSL? Partido de direita, que abrigou a candidatura do capitão e deputado federal de extrema direita Jair Bolsonaro à presidência da República, viveu, de 2018 para cá, entre os prazeres do paraíso e as amarguras do purgatório políticos. Catapultado pelas urnas como um dos maiores partidos do País, mergulhou numa devastadora crise intestina, dela saindo como agremiação de oposição, mas que continua ocupado por expressivos bolsões bolsonaristas, entre eles o controlado diretamente pelo filho do presidente, deputado federal Eduardo Bolsonaro (SP) e alguns dos parlamentares mais reacionários do Congresso Nacional. No Maranhão, o PSL tem hoje o mesmo espectro, abrigando contrários e aliados do presidente. Agora comandado pelo deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que rompeu com o PTB, o partido tem um candidato a governador, o prefeito Lahesio Bonfim, de São Pedro dos Crentes, um enorme  abacaxi para o presidente descascar nos próximos meses, já que, pessoalmente, o chefe partidário declarou apoio ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT).

Controlado com mão de ferro, durante mais de uma década, pelo experiente vereador ludovicense Chico Carvalho, que faz parte do grupo mais ligado ao fundador e presidente nacional do partido, deputado federal Luciano Bivar (PE), o PSL maranhense é hoje uma agremiação formada por várias frentes, que vêm dando sinais de que dificilmente se harmonizarão. Conta apenas com dois prefeitos – um deles candidato a governador -, e um deputado estadual, o silencioso e insondável Pará Figueiredo. Nos seus quadros encontram-se bolsonaristas roxos, como o coronel aposentado José Ribamar Pinheiro, e outros que já não são tão fiéis, como o médico Jair Garcez, por exemplo, que seguraram a bandeira bolsonarista nos primeiros tempos. Outros bolsonaristas, como o ex-prefeito de São Luís Tadeu Palácio, preferiram pular fora do barco, depois que constatam a deterioração do presidente Jair Bolsonaro e seu Governo.

O primeiro grupo é formado pelo novo presidente, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, um político jovem e com horizonte largo pela frente, que trabalha para atrair pelo menos parte dos 13 prefeitos que ajudou a eleger ainda no comando do PTB, tentando dar ao partido uma feição mais amena. Politicamente, o presidente estadual parece se movimentar na contramão do partido, à medida que ele e seus aliados, que vêm alimentando a pré-campanha do senador Weverton Rocha (PDT), se veem agora frente a frente com o autoproclamado candidato do partido a governador, Lahesio Bonfim, o zoadento prefeito da pequena São Pedro dos Crentes, que faz campanha aberta apoiado declaradamente por um grupo que se define como a “nova direita” do Maranhão. O grupo lhe dá apoio político e material, à medida que vem bancando os outdoors nos quais se vende, sem nenhuma modéstia, como “o melhor prefeito do Maranhão”.

O presidente e o pré-candidato a governador do PSL vêm travando um embate que traz a marca da imprevisibilidade, uma vez que Pedro Lucas Fernandes não deu até agora aval à candidatura de Lahesio Bonfim, e este não emite qualquer sinal de que pode vir a desistir do projeto de chegar aos Leões. O quadro sugere um impasse de difícil solução, que será decidido no dia 2 de Abril do ano que vem, data limite para a desincompatibilização para as eleições de Outubro. Isso porque Lahesio Bonfim tem dado seguidas demonstrações de que não pretende mesmo abrir mão da sua candidatura ao Governo do Estado, enquanto Pedro Lucas Fernandes até agora não fez um gesto sequer indicando que o apoia ou que poderá vir a apoiá-lo. Ao contrário, todas as manifestações do presidente do PSL têm sido na direção do senador Weverton Rocha.

As demais frentes encontram-se mergulhadas no silêncio, provavelmente aguardando a hora certa para entrar em ação, ou mudar de foco decepcionadas com a “causa” que abraçaram. Não é possível mensurar o seu poder de fogo, mas pode-se dizer que são em número modesto, e podem ser reduzidas ainda mais e até serem depuradas pelas urnas nas eleições de 2022.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Márcio Jerry desmonta factoide e avisa que tentará a reeleição

Márcio Jerry em ação na Câmara forjado para a ação política

O deputado federal licenciado e atual secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, Márcio Jerry, que preside o braço maranhense do PCdoB, desmontou um factoide e anunciou seu projeto político. O factoide: não será candidato a vice-governador, nem na chapa do futuro governador Carlos Brandão (PSDB) nem na do senador Weverton Rocha (PDT). O seu projeto: buscar a reeleição para a Câmara Federal.

Sobre o factoide, vale observar que Márcio Jerry tem preparo para assumir qualquer cargo executivo, com amplas possibilidades de realizar gestões de excelência. Seu perfil, porém, é o da ação política e partidária, da articulação, da mobilização. Foi construído ao longo de quatro décadas, tendo iniciado no movimento estudantil, nos anos 80, aprimorado na intensa vivência partidária, na operacionalização de projetos de candidaturas que mudaram o eixo político do Maranhão, como a do então deputado federal Edivaldo Holanda Jr. à Prefeitura de São Luís em 2012, e na concretização do grande projeto político que levou o ex-juiz federal e ex-deputado federal Flávio Dino ao poder estadual em 2014, para citar apenas dois exemplos incontestáveis.

Difícil imaginar o militante, articulador e provocador, que tem no currículo muitos acertos e alguns equívocos, acomodado na condição de vice, com a paciência, a disciplina e as cautelas de Carlos Brandão, por exemplo. Márcio Jerry, portanto, é sinônimo de movimento, de ação política, muito mais ajustado ao jogo parlamentar. Seu lugar, por decisão popular, deve ser o parlamento.

 

Partidos sarneysistas devem se juntar em torno de Edivaldo Jr.

Edivaldo Holanda Jr. pode juntar partidos sarneysistas

Todos os indícios surgidos até aqui sugerem que os partidos remanescentes do Grupo Sarney – MDB e PSC, por exemplo -, formarão uma frente em torno da candidatura do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr.. Esse movimento começará a ser percebido com mais clareza depois que ele assinar ficha de filiação no PSD, no próximo dia 4 de Agosto, em ato solene em Brasília, comandado pelo presidente da agremiação, Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo.

A explicação é simples: há nesses partidos vozes que defendem essa frente pela necessidade de uma candidatura majoritária de peso para liderar as chapas para a disputa proporcional, como é a tradição política. O argumento é que, espalhadas em diferentes campos, esses partidos podem ser severamente prejudicados nos seus projetos de eleger deputados estaduais e federais.

Para essas vozes, a prioridade não será exatamente a eleição do candidato a governador, mas a importância que ele terá como a principal referência da campanha a ser levada a todos os recantos do Maranhão. Lembram que, por ter ação política concentrada na Capital, Edivaldo Holanda Jr. será obrigado a percorrer o estado inteiro, para produzir a capilaridade que a sua candidatura precisa para ganhar consistência. E nesse embalo, candidatos a deputado federal e estadual desses partidos estarão juntos.

São Luís, 28 de Julho de 2021.

Movimentos do PDT e decisão do PSD mostram a força de Dino no cenário político maranhense

 

Líder inconteste, Flávio Dino continua tentando o consenso entre Carlos Brandão e Weverton Rocha na corrida ao Governo do Estado em 2022, coimo aconteceu no fim de semana durante eventos em Coroatá e Lagoa do Mato, onde foi feito o registro

Os fatos que movimentaram o meio político na semana passada contribuíram muito para o desenho do cenário sucessório no Maranhão, que já começa a ganhar traços e cores com alguma nitidez. Dois deles se diferenciaram dos demais, por rascunharem caminhos em dois campos da disputa sucessória. O primeiro foi o esforço em vão do PDT para convencer o mundo de que o PT pode apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado. O outro foi a informação – não confirmada nem desmentida – de que a chapa majoritária do PSD, a ser encabeçada pelo ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., não terá candidato a senador, com a possibilidade de o candidato a governador declarar apoio à candidatura do governador Flávio Dino (PSB) à Câmara Alta. As duas situações, distantes em matéria de seara partidária e envolvendo pré-candidaturas diferentes, tem um ponto comum: o poder de fogo do governador Flávio Dino.

Os esforços de porta-vozes do PDT para mostrar alguma possibilidade de o PT vir a apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado ocuparam parte do noticiário, mas se revelaram improdutivo. O melhor exemplo foi a tentativa de usar o ex-ministro José Dirceu com esse objetivo. José Dirceu veio ao maranhão de férias, hospedou-se na residência de veraneio do senador Weverton Rocha, deslocou-se depois para São Luís, onde participou de ato do PT não relacionado com sucessão, e fez uma inexplicável visita à Famem – o rico histórico político do petista não registro vínculo seu com municipalismo. Em meio a essa movimentação, a presidente nacional do PT, Gleise Hoffmann, provocada pelo blog Atual 7, mandou um recado direto: José Dirceu veio ao Maranhão em viagem particular, não pertence à direção nacional e não falaria pelo partido. Numa batida mais forte, o presidente do PT no Maranhão, Augusto Lobato, fulminou as investidas do PDT declarando, em vários momentos, que o partido do ex-presidente Lula da Silva caminha para apoiar a candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB).

A má semana para o projeto pedetista começou com a improdutiva incursão do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, em São Luís, onde tentou em vão convencer o governador Flávio Dino a declarar apoio ao senador Weverton Rocha. Foi embora dizendo que “temos de ganhar o coração do governador”. Ganhou, claro, o direito de continuar tentando. O que significa dizer que o governador Flávio Dino tem poder decisório nesse jogo.

A decisão – não confirmada nem desmentida, vale repetir – dos comandos nacional e regional do PSD de atender a pedido do seu virtual candidato a governador, ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., para não lançar candidato a senador, dando-lhe abertura para declarar apoio à candidatura do governador Flávio Dino ao Senado configura um fato inédito. É certo que o governador não declarará apoio à candidatura do ex-prefeito, mas Edivaldo Holanda Jr. dá uma demonstração de honestidade política colocando na mesa o apoio decisivo que recebeu de Flávio Dino nas duas vezes em que disputou a Prefeitura de São Luís, e de ter-lhe virado as costas não atendendo ao chamamento para apoiar a candidatura de Duarte Jr.. É uma dívida gigantesca, que o ex-prefeito pretende pagar em parte reduzindo o plantel de adversários do governador na corrida senatorial.

Essas duas situações, a primeira indireta, e a segunda explícita, dão uma dimensão precisa do que é o poder de fogo político do governador Flávio Dino. E a explicação está num conjunto de fatores, sendo o primeiro deles o fato de o governador praticar uma política com visível e sólida base ética, com fidelidade a princípios e respeito às alianças partidárias, apostando sempre em candidaturas de consenso. O outro fator é que Flávio Dino abre espaço para aliados, realizando um Governo de coalizão, mas não usa a máquina como moeda de troca. O que mostrou até aqui foi uma prática política diferenciada, que lhe dão estatura para ser decisivo em situações como essas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

PP vai para a Casa Civil e continuar apoiando Governo, mas sem abrir portas para Bolsonaro

Jair Bolsonaro:  não se filiará ao PP sem crise 

A ida do presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, para a Casa Civil, e mesmo levando em conta o fato de que o seu segundo maior líder, o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira, não escancara as portas do partido para abrigar o presidente Jair Bolsonaro e sua turma, mesmo tendo ele declarado amor pelo Centrão. Há vozes dentro da agremiação que defendem o apoio ao Palácio do Planalto e que concordam que a pedra seja mantida sobre os pedidos de impeachment. Mas não querem nem saber da hipótese de serem colegas de partido do presidente. Os argumentos são fortes, e começam com a lembrança do que Jair Bolsonaro fez com o PSL, o qual tentou tomar de assalto, mas teve o ataque duramente repelido. Também lembram o que o Partido da Mulher Brasileira, que preconceituosamente foi convencido a mudar de nome e de comando para recebê-lo com sua tropa, mas a tentativa de domínio gerou uma grave crise interna, que acabou por inviabilizar a “invasão” bolsonarista. E finalmente, o Patriotas, que rachou com a aproximação do presidente e seus seguidores, tornando fracassada a terceira tentativa de encontrar um partido num intervalo de três meses. Em relação ao PP, seus principais líderes ainda não se manifestaram sobre aceno do presidente da República, mas na turma do miolo pepista há vozes dizendo em alto e bom tom que a aliança com Jair Bolsonaro termina com o apoio no Congresso Nacional. No Maranhão, o deputado André Fufuca, que preside o braço local e tem voz de peso no comando nacional, não parece nem um pouco interessado em entregar sua fonte de poder ao senador Roberto Rocha, como especulam algumas fontes.

 

Rayssa Leal, mais do que um fenômeno, um exemplo

Rayssa Leal, fenômeno que nasceu e se fez só e sem apoio, e que pode ser exemplo

A Coluna rende sinceras homenagens à skatista imperatrizense Rayssa Leal, a Fadinha, 13 anos, que ontem, enquanto o Brasil ainda dormia, eliminou concorrentes dos cinco continentes e conquistou a Medalha de Prata na Olimpíada de Tóquio, só perdendo exatamente para uma japonesinha da sua idade, mas também com o prazer de estar à frente de outra japonesinha da sua idade. Ela venceu no Skate Street, sagrando-se a primeira mulher e mais jovem brasileira a conquistar uma medalha olímpica nessa modalidade. Com seu feito, turbinou a autoestima do brasileiro, que anda maltratada.

Rayssa merece todos os louros, todas as honras e todas as homenagens agora e pelo o resto da sua vida, pois entrou para a História por um caminho especial, bem diferente do que trilham apoiados desde os primeiros passos, como ocorre nos países onde a formação esportiva é levada sério.

O caminho especial que a levou a Tóquio foi traçado por ela própria. Isso porque aprendeu e aprimorou o uso do skate por ela mesma, contando apenas com o apoio dos pais, que respeitaram a escolha da filha, feita ainda criança, e lhe deram o embalo com seus parcos recursos. A medalhista olímpica não saiu de uma escola de skate, não aprendeu com mestres experientes, e só ganhou apoio técnico depois que andou assombrando o Brasil e o mundo com seu talento excepcional. E foi isso que a levou a conquistar campeonatos e prestígio em diferentes cantos do planeta.

Mesmo amparada como integrante da delegação brasileira, condição por ela conquistada vencendo as eliminatórias para alcançar o passaporte para o Japão, Rayssa Leal ganhou a prata olímpica com seu próprio esforço. Ela não saiu de uma academia, não foi instruída por especialistas nem foi bancada com patrocínios milionários. Só passou a receber o amparo do Comitê Olímpico nacional quando já estava feita, por seus próprios méritos, aos 12 anos. Como muitos outros atletas brasileiros, alguns medalhados, a heroína do Tocantins não saiu de uma escola de um centro de treinamento bancada pelo Governo brasileiro nem recebeu os estímulos necessários para a formação de um atleta. Aprendeu sozinha, tombando nas praças e calçadas de Imperatriz, às vezes vestida de fada, encantando os que a viam dominando com maestria incomum a, às vezes, indomável prancha com rodas. Certamente sem nem metade do suporte recebido pela japonesinha que a superou e pela outra japonesinha que deixou para trás

Rayssa Leal é um fenômeno sem tirar nem por. E seu feito deve contribuir para que o Brasil deixe de produzir “bolhas” de atletas e passe a ver a educação física, os esportes em geral como parte da formação dos brasileiros.

São Luís, 27 de Julho de 2021.

Assembleia tem feito a sua parte e deputados brigarão por reeleição divididos em três grupos

 

O primeiro grupo: Othelino Neto, Duarte Jr., Detinha, Andreia Rezende, Marco Aurélio, Thaíza Hortegal , Daniella Tema, Edson Araújo, Glaubert Cutrim, Mical Damasceno, Roberto Costa, Zé Inácio, Rildo Amaral, Arnaldo Melo, Yglésio Moises, Vinícius Louro e Ana do Gás. O segundo grupo: Wellington do Curso, Paulo Neto, Neto Evangelista, Wendell Lages, Hélio Soares, Leonardo Sá, Fábio Macedo, Ciro Neto, Carlinhos Florêncio, César Pires, Antônio Pereira, Adriano Sarney, Adelmo Soares, Helena Duailibe, Pastor Cavalcante, Rafael Leitoa, Ricardo Rios e Zito Rolim. E o terceiro grupo: Edivaldo Holanda, Pará Figueiredo, Ariston Ribeiro, Socorro Waquim, Betel Gomes e Fábio Braga.

Quando voltarem ao trabalho parlamentar no início de agosto, após cumprir recesso de duas semanas, os 42 deputados estaduais do Maranhão já atuarão politicamente em ritmo de corrida às urnas. Em grande parte dos seus mandatos mergulhados no isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, atuais integrantes da Assembleia Legislativa tiveram de redobrar esforços para evitar que o distanciamento social causasse um afastamento político desastroso. Ao mesmo tempo, sob o comando firme e equilibrado do presidente Othelino Neto (PCdoB), durante um ano e meio o parlamento reuniu-se à distância, por meio de vídeoconferência – vale lembrar, adotado pioneiramente antes do Congresso Nacional -, o parlamento maranhense não fugiu da responsabilidade e teve participação decisiva no combate à pandemia, validando em votações e apoiando na prática, todas as medidas propostas pelo governador Flávio Dino (PSB). Ou seja, os deputados maranhenses fizeram sua parte, o que os credencia para buscar novo mandato no pleito de 2022.

No que se refere ao potencial eleitoral visando as urnas no ano que vem, a Assembleia Legislativa encontra-se hoje composta, grosso modo, por três grupos, os quais, de acordo com algumas avaliações, se diferenciam pelo que se ouve no meio político sobre o cacife de cada parlamentar e seus partidos, já que não mais existirá coligação partidária em eleição proporcional. O primeiro grupo reúne 17 deputados, vistos como detentores de cacife eleitoral para renovarem seus mandatos – nesse grupo estaria a deputada Cleide Coutinho, mas ela anunciou aposentadoria. O segundo grupo, formado por 18 parlamentares, é uma espécie de “centrão”, com todos os integrantes em condições de brigar pela reeleição, sendo que boa parte deles alcançará esse objetivo, ficando parte em suplências importantes. E o terceiro grupo, com seis membros, é formado deputados cujo cacife eleitoral é impreciso, difícil de mensurar, embora se saiba que entre eles há os que podem se reeleger e os que dificilmente se reelegerão.

O primeiro grupo é formado pelos deputados Othelino Neto (PCdoB), Duarte Jr. (PSB), Detinha (PL), (PDT), Andreia Rezende (DEM), Marco Aurélio (PCdoB), Thaíza Hortegal (PP), Daniella Tema (DEM), Edson Araújo (PSB), Glaubert Cutrim (PDT), Mical Damasceno (PTB), Roberto Costa (MDB), Zé Inácio (PT), Rildo Amaral (Solidariedade), Arnaldo Melo (MDB), Yglésio Moises (PDT), Vinícius Louro (PL) e Ana do Gás (PCdoB). O presidente Othelino Neto é um dos líderes desse grupo, mas pode ser alçado para outra esfera, podendo até mesmo disputar o voto majoritário, sem, no entanto, descuidar sua preparação para tentar a reeleição. Na mesma linha, Duarte Jr. pode tentar a reeleição, ou investir num sucessor e se candidatar à Câmara Federal. Os demais deputados desse grupo são bem articulados, têm bases fortes e apoiadores importantes, o que torna quase certo que eles renovem seus mandatos.

Integram o segundo grupo os deputados Wellington do Curso (PSDB), Paulo Neto (DEM), Neto Evangelista (DEM), Wendell Lages (PMN), Hélio Soares (PL), Leonardo Sá (PL), Fábio Macedo (Republicanos), Ciro Neto (PP), Carlinhos Florêncio (PCdoB), César Pires (PSD), Antônio Pereira (DEM), Adriano Sarney (PV), Adelmo Soares (PCdoB), Helena Duailibe (Solidariedade), Pastor Cavalcante (PROS), Rafael Leitoa (PDT), Ricardo Rios (PDT) e Zito Rolim (PDT). Os deputados desse grupo buscam legitimamente a renovação dos seus mandatos. Todos são políticos atuantes no parlamento e alguns detentores de bases fortes, mas também muito divididas, como Wellington do Curso em São Luís, Leonardo Sá em Pinheiro, Ciro Neto em Presidente Dutra, Rafael Leitoa em Timon e Carlinhos Florêncio em Bacabal, para citar alguns exemplos. Todos estão no jogo, podendo surpreender nas urnas, “para mais ou para menos”.

O terceiro grupo reúne deputados cujos potenciais eleitorais são absolutamente imensuráveis: Edivaldo Holanda (PTC), Ariston Ribeiro (Republicanos), Socorro Waquim (MDB), Pará Figueiredo (PSL), Fábio Braga (Solidariedade) e Betel Gomes (PRTB). A deputada Socorro Waquim, por exemplo, tem cacife forte em Timon, o quarto maior eleitorado do Maranhão, mas muito dividido. Já do deputado Pará Figueiredo pouco se sabe a respeito da sua ação política, o que torna frágil qualquer previsão. É o caso também do deputado Fábio Braga, em que pesem a influência e o poder de fogo da família Fecury. Por sua vez, o deputado Edivaldo Holanda terá vida mais fácil se Edivaldo Holanda Jr. vier a ser candidato ao Governo do Estado pelo PSD.

Esse é um rascunho de agora, que poderá sofrer muitas alterações expressivas até às convenções partidárias marcadas para daqui a um ano. Até lá, a Assembleia Legislativa vai continuar trabalhando, os deputados vão percorrer suas bases em busca de apoio, as novas regras eleitorais serão definidas pelo Congresso Nacional, incluindo o voto distrital misto, o chamado “Distritão”, que, se adotado, mudará expressivamente a guerra pelo voto proporcional. Mas se a eleição fosse agora, o cenário seria o acima rascunhado.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tendência de Bolsonaro entrar para o PP preocupa André Fufuca e alivia Marreca Filho

André Fufufa herdou a preocupação de Marreca Filho, que se livrou do fardo

A busca do presidente Jair Bolsonaro por um partido político, que começa a ficar tensa à medida que se aproxima o prazo limite para que ele volte a ser um chefe de Estado dentro de uma das mais importantes regras da legislação eleitoral, a de pertencer a uma agremiação, cria duas situações no Maranhão.

A primeira é que, com o descarte da filiação do presidente no Patriotas, o deputado federal Marreca Filho, que preside o partido no estado, mergulhou no mar do alívio. Isso porque, se Jair Bolsonaro se filiasse ao partido, seguramente os graúdos do bolsonarismo exigiriam que o comando do partido no Maranhão fosse entregue ao senador Roberto Rocha, sem partido desde que perdeu o comando do PSDB para o vice-governador Carlos Brandão, e decidido a se filiar à agremiação que aceitar a filiação do presidente da República. Os Marreca já estavam se preparando para reagir à ordem de entregar o partido para o senador Roberto Rocha,

A outra situação é inversa: o deputado federal André Fufuca, que preside o PP no Maranhão perdeu o bom humor diante das especulações, alimentadas pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, de que seu destino partidário deverá ser a sua agremiação. A preocupação maior é também com fato de que o pacote incluiria também a entrega do comando do partido ao senador Roberto Rocha, pré-candidato bolsonaristas ao Governo do Estado. Mesmo correndo riscos, André Fufuca estaria disposto a resistir.

Além de não serem simpáticos o projeto de o presidente Jair Bolsonaro e sua trupe ingressarem em seus partidos, os deputados federais Marreca Filho e André Fufuca têm outro ponto em comum: não abrem mão de continuar na aliança partidário liderada pelo governador Flávio Dino.

 

Passagem de Dirceu pelo Maranhão não impactou a corrida sucessória

José Dirceu: curtiu suas férias nos Lençóis e foi embora sem se envolver na disputa no estado

Muito barulho e nenhum resultado concreto produzido pela incursão do ex-ministro José Dirceu (PT) ao Maranhão. E a explicação é simples: José Dirceu veio ao Maranhão de férias, para curtir os Lençóis, que ele não conhecia. Na passagem por São Luís, conversou informalmente com a cúpula do PT no estado, sempre lembrando que não tem cargo no comando do PT em veio autorizado a avaliar e definir a relação do PT com os demais partidos. Rumores e factoides criados sobre a visitado petista ilustre foram pulverizados rapidamente, uma vez que ninguém deu a mínima, principalmente depois que a presidente nacional do partido, deputada federal Gleise Hoffmann, cantou a pedra em Brasília: José Dirceu fez uma viagem particular, sem nenhuma relação com o partido no Maranhão.

São Luís, 25 de Julho de 2021.

Brandão leva vantagem sobre Weverton no jogo para atrair o apoio do PT

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha disputam o apoio do braço do PT do Maranhão

Augusto Lobato, presidente do PT no Maranhão, em declaração ao jornalista Jorge Vieira, conforme registrado em seu blog: “Minha posição é por aliança com Brandão, pois acredito que ele estará ao lado de Lula na campanha presidencial, mas quem vai decidir (…) é a direção nacional”. Gleise Hoffmann, presidente nacional do PT, em declaração ao blog Atual 7, produzido pelo blogueiro Yuri Almeida, sobre especulação de que o PT estaria se inclinando para o senador Weverton Rocha (PDT): “Não tem nada decidido. Zé Dirceu foi a passeio, pelo que me disse. Qualquer articulação aí [no Maranhão] envolverá a direção estadual e nacional do PT”.

As declarações dos presidentes estadual e nacional do PT mostram que o partido está firme na base partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), mas que ainda não bateu martelo a respeito de quem apoiará para a sua sucessão, mas, ao mesmo tempo, não esconde a inclinação pela candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Há, de fato, uma banda do PT, que faz zoada, mas não tem peso nas decisões do partido, que demonstra simpatia pela candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), tanto quanto há no PDT militantes que fazem restrições à candidatura do senador Weverton Rocha, que é hoje o grande nome da legenda pedetista e tem força na direção nacional do partido. Hoje, o ex-ministro José Dirceu, que está no Maranhão de férias, o maior líder do PT depois de Lula da Silva, conversará com a direção estadual do partido em com o governador Flávio Dino sobre as conjunturas federal e estadual.

Até aqui, o desenho dessa relação partidária tem sido o seguinte: o PT, que já participa do Governo no comando de três secretarias, teve seu único deputado estadual, Zé Inácio, nomeado vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa, e acaba de incorporar nas suas fileiras ninguém menos que o secretário de Educação, Felipe Camarão, um dos “homens de ouro” do Governo Flávio Dino, além do fato de que muitos petistas estão espalhados nas mais diferentes áreas do Governo do Estado. Dentro da mais evidente lógica política, o PT tende a apoiar mesmo o vice-governador Carlos Brandão, com quem seus líderes – o presidente estadual Augusto Lobato, e o presidente municipal – estão e conversas avançadas com o futuro governador do Maranhão.

O PT é um partido pragmático, e o seu braço maranhense já tem larga experiência em se harmonizar com contrários. Nos dois Governos de Lula da Silva e nos dois de Dilma Rousseff, a agremiação petista esteve de braços dados com o Centrão, naquele mesmo período, o PT do Maranhão integrou a base de apoio partidário dos dois últimos Governos de Roseana Sarney (MDB), de 2009 a 2014. E certamente não encontrará nenhuma dificuldade de conviver com Carlos Brandão, seja como vice, seja como governador titular a partir de 2 de Abril do ano que vem, mesmo tendo ele nascido politicamente na base de apoio do então governador José Reinaldo Tavares (2002/2004), no qual atuou fortemente como chefe da Casa Civil, e como integrante do PSDB, inimigo visceral do petismo, pelo qual se elegeu deputado federal.

A relação do PDT com o PT tem sido muito complicada. Nesse momento, por exemplo, o pré-candidato do partido a presidente, ex-ministro Ciro Gomes, que em 2018, ao não passar para o 2º turno da eleição presidencial, embarcou para a França, contribuindo decisivamente para a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre o candidato petista Fernando Haddad. No presente, dispara quase que diariamente ataques verbais violentos a Lula da Silva, tencionando e tornando muito complicada a relação do PDT com o PT. No plano maranhense, vez por outra dispara sua metralhadora verbal contra o governador Flávio Dino.

Esse roteiro vem deixando o PDT com muita dificuldade para arranjar aliados para a grande guerra eleitoral do ano que vem, no Maranhão e em todo o País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem vez no Patriotas, Jair Bolsonaro tenta agora armar para controlar o PP

André Fufuca estaria sob pressão de Jair Bolsonaro e Roberto Rocha

Rejeitado pelo Patriotas, que rachou, tendo a banda contrária às filiações levado a melhor, o presidente Jair Bolsonaro estaria agora articulando para dar uma de “filho pródigo” e voltar ao PP, ao qual já foi filiado. Alguns bolsonaristas sem eixo imaginaram a unificação de PP, DEM e PSL formando um partido que seria a alma do Centrão no Congresso nacional, com 150 deputados federais e 15 senadores. Comandados por três cobras criadas (o senador piauiense Ciro Nogueira, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, e o deputado federal pernambucano Luciano Bivar), porta-vozes dos três negaram o projeto, tendo o PSL anunciado que já tem candidato a presidente, o apresentador paulista Luiz Datena. O DEM nem se dignou a tocar no assunto, e várias vozes do PP foram categóricas: apoiá-lo, sim, mas tê-lo de novo como um dos seus, nem pensar. No Maranhão, o PP vai continuar sob o controle férreo do deputado federal André Fufuca, que o tem desde 2016, quando assumiu após tirá-lo do então deputado Waldir Maranhão. Sobre sucessão estadual, André Fufuca já manifestou a intenção de apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), mas ressalvando que poderá mudar de posição, levando esse apoio a Carlos Brandão. E por isso é difícil imaginar que o partido dos Fufuca venha a sair da base do governador Flávio Dino para apoiar o projeto de poder do senador Roberto Rocha. É o caso do DEM, comandado pelo deputado federal Juscelino Filho, que deve apoiar o vice-governador Carlos Brandão. E o PSL, que sob o comando do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, deve apoiar a candidatura do senador pedetista.

 

MDB vai priorizar reeleição de deputados federais e estaduais

Prioridades do MDB nas eleições

O MDB começa a definir sua estratégia para as eleições proporcionais. No caso da Câmara Federal, vai mesmo lançar a ex-governadora Roseana Sarney, sua atual presidente, para liderar a chapa, devendo priorizar esforços para a reeleição dos deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo. No caso da briga por cadeiras na Assembleia Legislativa, a prioridade é a reeleição dos deputados Roberto Costa, seu vice-presidente, Socorro Waquim e Arnaldo Melo. Isso não deve diminuir a preocupação do partido com nomes como Lobão Filho, que já disputou até o Governo do Estado e tem o cacife da Família Lobão, e Victor Mendes, que já foi  deputado estadual e deputado federal.

São Luís, 23 de Julho de 2021.

Armações tentam desviar foco do PSD, mas Edivaldo Júnior vai mesmo é disputar os Leões

 

Edivaldo Holanda Jr. e Edilázio Jr.: projeto do primeiro é chegar ao Palácio dos Leões

Mesmo que ele próprio não tenha feito ainda tenha confirmado cabalmente, o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., é mesmo candidato a governador, segundo o presidente do seu partido, o PSD, deputado federal Edilázio Jr., em declarações que ganharam força em pesquisas cujos números revelaram viabilidade a esse projeto de poder. O potencial político e eleitoral entusiasmou tanto o PSD, que Edivaldo Holanda Jr. ganhou liberdade para não se posicionar contra a candidatura do governador Flávio Dino ao Senado, ainda que a aliança partidária que vier a liderar lance um candidato a senador. As falas do chefe partidário e os percentuais de intenção de voto garantem o ex-prefeito na lista dos nomes que estão, de fato, na corrida ao Palácio dos Leões. E com um dado importante: a entrada dele no jogo por um dos pedaços do que já foi o Grupo Sarney pode reagrupá-los animou as pedras do tabuleiro e acendeu sinal de alerta amarelo nos QGs do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), do senador Weverton Rocha (PDT) e do senador Roberto Rocha (sem partido).

Diante do que está posto, não há qualquer dúvida de que Edivaldo Holanda Jr. esteja, efetivamente, na corrida ao Palácio dos Leões. E com um objetivo cristalino: vencer a eleição. A ilação primária de que ele quer disputar a sucessão do governador Flávio Dino para se manter em evidência, e com isso tentar voltar à Prefeitura de São Luís em 2024 não tem pé nem cabeça. Faria algum sentido se o prefeito Eduardo Braide desse uma de João Dória, desdissesse tudo o que dissera na campanha e depois de eleito e abandonasse o Palácio de la Ravardière para tentar chegar ao Palácio dos Leões. Ainda assim, Edivaldo Holanda Jr. também não poderia usar as eleições de 2022 visando enfrentar a então prefeita Esmênia Miranda, que, vale lembrar, é do PSD, seu novo partido. Como não há qualquer sinal de que o atual prefeito cometerá essa imprudência política, a ilação perde sentido. Até porque, no caso, agora sem o apoio do governador Flávio Dino (PSB), Edivaldo Holanda Jr. enfrentaria um Eduardo Braide cheio de gás, sendo quase certo que sofreria uma derrota acachapante.

Os movimentos políticos do ex-prefeito até aqui, com alguns momentos marcados por polêmica – entre eles sua espantosa e ainda ecoante omissão na disputa à sua sucessão na Prefeitura de São Luís -, têm demonstrado que ele é um animal político inteligente, com discernimento suficiente para só entrar em disputa com boa margem de segurança e correr apenas o risco que tenciona toda corrida eleitoral. Está claro, portanto, que o que menos lhe interessa agora é agendar um confronto com o prefeito Eduardo Braide para 2024. Esse embate poderá até ser projetado, mas com certeza só depois que as urnas de 2022 revelarem o tamanho do seu cacife político e eleitoral., que poderá surpreender, para mais ou para menos.

Político pragmático, Edivaldo Holanda Jr. tem feito contas e mais contas cujos resultados o têm levado a acreditar que há espaço para sua candidatura num tabuleiro em que as peças-chave são o futuro governador Carlos Brandão, o senador Weverton Rocha e, numa escala reduzida, o senador Roberto Rocha. Se não estivesse determinado a ser governador e se contentasse com uma cadeira na Câmara Federal, teria permanecido no PDT, apesar de algumas rusgas internas, ou se abrigado no PSB do governador Flávio Dino, que com certeza o receberia de braços abertos. Fonte com trânsito na cúpula do PSD revela que o ex-prefeito tem convicção de que a eleição não será resolvida em turno único e que aposta alto de que será sua uma das vagas do segundo turno.

É claro que em política as coisas mudam, podendo evoluir ou regredir, mas estão sempre em movimento. Mas até aqui, o ex-prefeito de São Luís mantém inalterado o seu projeto de jogar no tudo ou nada pelo Palácio dos Leões.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Ascensão de Ciro Nogueira à Casa Civil fortalecerá André Fufuca

André Fufuca vai se fortalecer com Ciro Nogueira na chefia da Casa Civil

O iminente desembarque do senador piauiense Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, na chefia da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro, desbancando um general, deve repercutir no cenário político estadual. O grande beneficiário da ascensão será o deputado federal André Fufuca, que tem espaço considerável na cúpula nacional do partido. Um dos mais tarimbados e espertos integrantes membros do Congresso Nacional e integrante destacado do núcleo duro do Centrão, Ciro Nogueira é linha de frente da correte para a qual Governo só sobrevive alimentando congressistas com verbas e emendas. E colocar em prática pelo menos parte do seu ideário de prática política, o deputado André Fufuca e seus aliados entrarão na corrida eleitoral com a faca e o queijo na mão. Vale lembrar que o jovem e competente representante do PP na bancada maranhense aprendeu parte do que sabe com ninguém menos que o deputado fluminense e presidente da Câmara Federal Eduardo Cunha (MDB), de quem foi pupilo aplicado durante o primeiro mandato.

 

Vice-líder “força a barra” ao dizer que presidente “mandou” viaturas para o Maranhão

Viaturas compradas com recursos do Fundo Nacional de Segurança, que na verdade pertencem aos estados

Não se discute que Aloísio Mendes (PSC) é um deputado federal atuante, que trabalha duro pelos municípios que lhe deram votos e que por seu desempenho parlamentar foi alçado ao posto de vice-líder do Governo Bolsonaro. Não há também como negar que, agente federal por profissão, fez bom trabalho como secretário de Segurança Pública no último Governo de Roseana Sarney, tendo iniciado sua trajetória no Sistema Estadual de Segurança Pública implantando duas grandes inovações: o Grupo Tático Aéreo (GTA) e o Grupo de Operações Especiais (GOE), na Polícia Militar.

Mas forçou a barra ao declarar que o Governo do Estado tem de cuidar bem das 120 viaturas policiais compradas com recursos do Fundo Nacional de Segurança “mandados para o Maranhão pelo presidente Jair Bolsonaro” tirou um naco do brilho do parlamentar que ele tem sido. (Curiosamente, essa expressão “o presidente mandou recursos para tal estado” virou jargão inadequado no atual Governo da República).

Isso porque os recursos do Fundo Nacional de Segurança são controlados pela União, mas pertencem aos Estados. E até as pedras de cantaria de São Luís e as paredes do Congresso e do Ministério da Justiça sabem que os recursos do FNS estão sendo liberados devido à forte pressão que os estados, seus verdadeiros donos, por meio dos seus governadores, entre eles o maranhense Flávio Dino, com o apoio das bancadas, das quais faz parte o deputado Aloísio Mendes, têm feito para equipar as polícias estaduais. Vale lembrar que o FNS é bilionário, e que, infelizmente, a liberação dos seus recursos é feita a conta gotas e por conveniência política.

O que se espera é que o deputado Aloísio Mendes, com a força política e parlamentar que detém, pressione o ministro da Justiça, Anderson Torres, e o próprio presidente Jair Bolsonaro (sem partido), para liberar mais recursos para a Segurança Pública do Maranhão.

São Luís, 22 de Julho de 2021.

Como evento fora de época, reunião de Lupi com Dino foi válida, mas sem ganhos para Weverton

 

Weverton Rocha, Flávio Dino, Carlos Lupi e Márcio Jerry: conversa válida, e nada mais

O senador Weverton Rocha (PDT) deu um passo importante para a consolidação do seu projeto de chegar ao Palácio dos Leões ao articular a reunião de ontem do presidente nacional do seu partido, Carlos Lupi, com o governador Flávio Dino (PSB). Tudo correu como previsto, a conversa aconteceu em clima descontraído, com Carlos Lupi tentando obter o apoio explícito antecipado do governador à candidatura do senador. E o desfecho foi o esperado: provavelmente por considerar ainda muito cedo e para não correr o risco de quebrar a estabilidade da aliança que lidera, o governador Flávio Dino manteve sua posição de trabalhar para a construção de uma candidatura de consenso dentro da aliança partidária situacionista, que pode ser o senador pedetista ou o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), ou ainda – quem sabe? – uma terceira via. Weverton Rocha e Carlos Lupi sabiam como o governador reagiria naturalmente à “investida”, mas o passo que deram foi politicamente válido, ainda que algumas avaliações o tenham visto como “desnecessário” e “inócuo”.

Nesse ambiente de disputa, um desenho está muito claro, e só não a enxerga quem não quer: o senador Weverton Rocha é um pretendente fortíssimo à sucessão do governador Flávio Dino. É jovem e arrojado, recém-saído de uma eleição na qual triturou adversários, comanda um partido que tem mais de 40 prefeitos, dispõe de uma megaestrutura por meio da qual embala sua ação política, tem a seu favor uma grande e ativa rede de comunicação, e vem usando ostensivamente a condição de senador para embalar o seu projeto de poder para 22. No meio político é apontado como um “trator” e “cumpridor de compromisso”. E mesmo algumas vozes que não o apoiam reconhecem que ele está no jogo, turbinado e na linha de frente da disputa. Nada fora do script.

Por outro lado, um exame mais apurado sobre a caminhada do senador Weverton Rocha em direção ao Palácio dos Leões mostra que ela vem sendo marcada por alguns desencontros causados na área de coordenação, e casos de precipitação na área de comunicação. São situações estranhas, que não fazem muito sentido na construção de um projeto de candidatura, e que de alguma maneira têm contribuído para colocar, aqui e ali, o senador em situação desconfortável. Os exemplos mais evidentes são contradições relacionadas com o apoio partidário à sua caminhada.

Há alguns meses, seus apoiadores na área de comunicação cantaram como certo e irreversível o apoio do DEM ao pré-candidato do PDT. Semanas depois, porém, o ex-deputado Stênio Rezende, um dos chefes do partido, anunciou seu apoio à candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Pouco tempo depois, o próprio presidente do DEM, deputado federal Juscelino Filho, teria feito a mesma afirmação. Naquele mesmo momento, o presidente do PP, deputado federal André Fufuca, declarou apoio a Weverton Rocha, mas com a ressalva de que essa posição poderá ser mudada mais na frente. Não bastasse isso, aliados do senador pregaram que o PT – que vem conversando com Carlos Brandão – estaria se aproximando de Weverton Rocha. Provocada sobre o assunto, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleise Hoffmann, foi taxativa: nada existe nesse sentido. E diante da mesma insinuação envolvendo o PCdoB, vozes do partido também descartaram, pelo menos em princípio, o apoio ao senador pedetista.

Forjado no movimento estudantil do qual evoluiu para a Juventude do PDT, partido do qual se tornou líder inconteste no Maranhão e um dos chefes no plano nacional, Weverton Rocha conhece o caminho das pedras e tem lastro suficiente para não tropeçar em terreno plano. Sabe, por exemplo, que o cenário em que viabilizou sua candidatura ao Senado é radicalmente diferente do que levará ao Palácio dos Leões. E que a reunião de ontem pareceu um evento fora de época, que nada produziu, a não ser a impressão de que poderia ter sido evitada.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Governador anunciou a boa nova: caiu a maioria das restrições contra a pandemia

Flávio Dino anuncia redução drástica e saudável das restrições de combate à pandemia do novo coronavírus

O governador Flávio Dino fez ontem o anúncio mais agradável dos últimos tempos: flexibilizou radicalmente as medidas restritivas para o enfrentamento do novo coronavírus. A queda das restrições foi anunciada em coletiva e se deveu ao que a Ciência e a racionalidade pregaram: o avanço da vacinação.

Liberou a realização de eventos para até 400 pessoas em ambientes abertos, restabelecendo o direito de reunião e a volta das farras pagodeiras de fim de semana, bem como a reabilitação da agenda folclórica, o que certamente injetará muito ânimo na vida de São Luís, uma cidade que respira alegria.

Os cinemas e teatros e teatros serão reabertos, com algumas restrições, mas nada que lembre as suas portas cerradas, com a telona apagada e os palcos sem vida.

Na mesma linha, igrejas e templos poderão funcionar com 100% da sua capacidade, o que também devolverá normalidade à prática religiosa, tão restringida nesses dois últimos anos.

As escolas públicas e privadas reabrirão em Agosto para funcionar em regime híbrido, com parte dos alunos frequentando a escola e parte assistindo aulas pelo sistema remoto, num processo que poderá mudar inteiramente no ano que vem.

Também a administração pública retomará seu funcionamento pelo regime presencial, exceto para gestantes, que continuarão trabalhando remotamente, e grupos de risco, que poderão voltar ao trabalho presencial depois de serem integralmente imunizados.

Mas, atenção: o novo coronavírus e suas variantes perigosas continuam no ar, o que significa dizer que o uso da máscara e do álcool em gel não foram abolidos. Continuam valendo para vacinados e ainda não vacinados.

 

Dirceu se reunirá amanhã com Dino, mas a conversa será informal

José Dirceu: férias em Barreirinhas e conversa com Flávio Dino

O ex-deputado e ex-ministro José Dirceu deve se reunir amanhã com o governador Flávio Dino. O maior nome do PT depois do ex-presidente Lula da Silva chega a São Luís depois de alguns dias de férias em Barreirinhas, hospedado na casa de veraneio do senador Weverton Rocha, e será recebido pelo governador Flávio Dino para uma conversa informal, sobre a conjuntura nacional e, provavelmente, sobre a participação do PT na aliança que comandará para as eleições do ano que vem. Mas erra quem imagina que José Dirceu vai tomar decisões sobre o seu partido. E a explicação é simples: provocada pelo blog Atual 7 sobre a presença do ex-ministro no Maranhão, a presidente do PT, deputada federal Gleise Hoffmann, foi clara e direta ao informar que José Dirceu está no Maranhão em viagem pessoal, sem qualquer relação com o partido. Isso, é claro, não o impede de conversar e trocar impressões com o governador Flávio Dino sobre o cenário político nacional e seus desdobramentos no Maranhão. Até porque o governador admira o ex-ministro e vice e versa.

São Luís, 21 de Julho de 2021.

Sem líder para juntá-los, pedaços do que foi o Grupo Sarney tendem a seguir caminhos próprios

 

Roseana Sarney, Edilázio Jr., Aloísio Mendes e Adriano Sarney: sem sintonia e afastados por falta de um líder

As primeiras evidências têm mostrado que, ao contrário do que rascunharam algumas previsões, por falta de um líder forte e agregador, as correntes remanescentes do Grupo Sarney tendem a seguir rumos diferentes, inviabilizando esforços para que se unam em torno de um projeto eleitoral para 2022. A lógica fria da política indicava que, ao assumir o comando estadual do MDB, depois de encarar o poder de fogo da ala mais jovem do partido, a ex-governadora Roseana Sarney seria naturalmente alçada à condição de líder e comandaria uma articulação para juntar esses pedaços numa frente. No entanto, os partidos comandados por políticos nascidos das entranhas do sarneysismo parecem inclinados a seguir cada um o seu próprio rumo na corrida sucessória estadual. Não surgiram até aqui sinais de que eles estejam, de fato, interessados numa aliança visando a disputa para o Palácio dos Leões.

Algumas evidências mostram esse desinteresse. Sob o comando de Roseana Sarney, o MDB, por exemplo, o parece mesmo decidido a abrir negociações com os mais diversos pré-candidatos a governador, sinalizando que participará a aliança que lhe for interessante, podendo apoiar o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (a caminho do PSD), ou até mesmo o senador Roberto Rocha, se vier de fato a entrar na disputa. Descartando sua própria candidatura, Roseana Sarney tem dito que todos os pré-candidatos “são bons”, e que por isso quer o MDB dialogando com todos eles, para depois escolher um deles.

Por sua vez, o PSD, liderado pelo deputado federal Edilázio Jr., levou meses alinhavando a filiação do ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., vendo nele um forte trunfo na disputa para o Governo do Estado. O ex-prefeito, que deixou o PDT, caminha para formalizar sua filiação no PSD já com o desafio de ser candidato a governador, como aspiram os líderes do partido. Nas manifestações sobre o assunto, nem Edilázio Jr. nem o deputado estadual César Pires e nem o próprio Edivaldo Holanda Jr. fez qualquer declaração manifestando interesse numa eventual aliança com o MDB. Diferentemente do que se esperava, vêm deixando no ar a impressão de que uma aliança com o MDB não é exatamente o que o projeto do partido prevê. Na prática não demonstra interesse na reagrupação do MDB.

Na mesma linha tem se conduzido o PSC, comandado pelo deputado federal Aloísio Mendes., atual vice-líder do Governo Bolsonaro no Congresso Nacional. Pelo menos por enquanto, o parlamentar e seu partido parecem mais inclinados a tocarem seus projetos isoladamente, não demonstrado interesse nem pela estratégia do MDB de articular alianças ouvindo outros partidos. Há conversas nos bastidores prevendo que o PSC pode vir a se aliar ao PSD em torno da virtual candidatura do ex-prefeito de São Luís, ou seguir a orientação do Palácio do Planalto juntando-se à provável candidatura do senador Roberto Rocha, ainda sem partido.

E agora, o deputado estadual Adriano Sarney, que preside o PV no Maranhão, emerge de um mergulho temporário avisando que está avaliando se se candidata à reeleição ou se parte para tentar uma cadeira na Câmara Federal. Na sua conversa, o herdeiro do ex-deputado federal Sarney Filho, que foi lançado há oito anos como o futuro do Grupo Sarney, não dá a menor importância à possibilidade de juntar os cacos, dando a impressão de que seguirá sozinho.

As situações desenhadas até agora não indicam que esses partidos se juntarão numa aliança em torno de uma chapa com candidatos a governador e a senador. A expectativa natural era a de que, investida no comando do MDB, Roseana Sarney usasse seu prestígio na seara sarneysista para liderar um movimento que juntasse o seu partido com PSC e PSD. Mas os fatos estão desmontando essa possibilidade, uma vez que a ex-governadora, que durante mais de duas décadas teve nas mãos o comando absoluto do então poderoso Grupo Sarney, que reunia mais de uma dezena de partidos, não dá sinais de que tem força política suficiente para articular e liderar uma aliança formada a partir das sobras do sarneysismo.

Se não forem articulados pelos deputados federais Edilázio Jr. e Aloísio Mendes, os pedaços do que já foi o Grupo Sarney continuarão espalhados. Exatamente por falta de um líder.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Conversas de Dino com Lupi e Dirceu terá basicamente a mesma pauta

Flávio Dino ouvirá Carlos Lupi e José Dirceu sobre disputa sucessória estadual e federal

O governador Flávio Dino (PSB) tem duas conversas partidárias importantes agendadas para essa semana, uma com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, e outra com o atual eminência parda do PT, José Dirceu. Não precisa grande esforço para saber que o roteiro será o mesmo. Carlos Lupi chega a São Luís nas próximas horas para tentar convencer o governador Flávio Dino a apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado, e trocar figurinhas a respeito da corrida ao Palácio do Planalto, na qual PDT se encontra sendo arrastado para o abismo com a pré-candidatura do ex-governador cearense Ciro Gomes. José Dirceu, que já se encontra no Maranhão curtindo os Lençóis Maranhenses e deve chegar a São Luís na Quinta-Feira, tentará convencer Flávio Dino a abraçar logo a candidatura do ex-presidente Lula da Silva como fato consumado, e a examinar a possibilidade de encontrar um espaço majoritário para o PT na corrida ao Palácio dos Leões.

Uma fonte com trânsito no “núcleo de ferro” garante que o governador Flávio Dino já sabe exatamente o que dirá aos dois aliados, e sem o risco de abrir crise na relação com o PDT e com o PT.

 

Feitas as contas, o Republicanos repôs a perda, mas o PTB perdeu mesmo

Gil Cutrim turbinou o Republicanos; Mical Damasceno recebeu um partido fraco

Alguns observadores estão fazendo contas equivocadas em relação a posições de partidos que deram guinadas recentes no Maranhão. Dois exemplos: Republicanos e PTB.

O Republicanos sofreu grande perda política com a migração do vice-governador Carlos Brandão para o PSDB. Não se discute que a saída um quadro que daqui a nove meses e dias será elevado ao posto de governador titular representou um jato gelado no poder de fogo do partido. Mas não se pode ignorar que o fato de que o que dá força, peso político e futuro a um partido é ter nos seus quadros o maior número possível de deputados federais. Vem daí a conclusão de que, ao atrair o deputado federal Gil Cutrim para seus quadros, o braço maranhense do Republicado perdeu a perspectiva de ter o governador, mas ganhou, e muito, em estatura no plano nacional.

Já o PTB sofreu uma perda não reparada, por ato ditatorial e desconectado da realidade praticado por seu presidente, ex-deputado federal Roberto Jefferson, que dominado por um bolsonarismo abjeto, destituiu o deputado federal Pedro Lucas da presidência do braço maranhense e praticamente o expulsou do partido, entregando o seu comando à deputada estadual Mical Damasceno. Nesse caso, o partido perdeu feio com a perda do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, que pelas regras atuais é a moeda forte de qualquer agremiação partidária.

Como se vê, regiamente compensado, o Republicanos vez beicinho, mas não reclamou muito da saída do vice Carlos Brandão. Já o PTB encolheu expressivamente ao perder o deputado federal Pedro Lucas Fernandes, apesar da euforia que tomou conta do seu novo chefe, a deputada estadual “terrivelmente evangélica” Mical Damasceno.

São Luís, 20 de Julho de 2021.

Com sete nomes, a disputa para os Leões é pautada pelo embate travado entre Brandão e Weverton

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha, Edivaldo Jr., Josimar de Maranhãozinho, Lahesio Bonfin, Simplício Araújo e Roberto Rocha estão no jogo pelo Palácio dos Leões

Faltam ainda 15 meses para a corrida às urnas, regras que podem mudar expressivamente as eleições proporcionais e o sistema de votação ainda estão em debate dentro e fora do Congresso Nacional, o presidente da República continua um pária partidário e a prioridade nacional permanece inalterada: o combate ao novo coronavírus pela vacinação. Nada disso, porém, tem impedido que no Maranhão, ao contrário do que ocorrem em boa parte dos estados, a disputa pela sucessão do governador Flávio Dino já esteja em curso, com concorrentes informalmente definidos, cinco deles assumidos – o vice-governador Carlos Brandão (PSDB), o senador Weverton Rocha (PDT), o prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSL), o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD), o deoutado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e o secretário de Indústria e Comércio Simplício Araújo (SD) -, e um ainda indefinido, o senador Roberto Rocha, sem partido. Nesse cenário, a grande disputa está se desenhando entre Carlos Brandão e Weverton Rocha, no primeiro momento pela vaga de candidato da aliança liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), e se não houver acordo, travarão o confronto direto no 1º turno.

Carlos Brandão e Weverton Rocha encontram-se em plena peleja pela viabilização política e eleitoral, numa exibição de músculos que tem chamado a atenção. Mesmo com uma estrutura mais modesta – só conta com o suporte do partido e com a condição de vice-governador, o que lhe dá espaço de visibilidade eventual, Carlos Brandão ocupa todos os espaços que lhe são abertos, alguns surpreendentes: Sexta-Feira, apareceu em horário nobre da TV para saudar os vaqueiros nordestinos e lembrar que foi ele, como deputado federal, o autor da Lei que criou o Dia do Vaqueiro. O vice-governador tem cumprido agenda intensa representando o governador Flávio Dino em atos e inaugurações em São Luís e no interior, e cumpre roteiro de conversas com deputados, prefeitos, vereadores e lideranças da sociedade civil, a começar por empresários. Exibe visível otimismo.

Por sua vez, o senador Weverton Rocha opera uma estrutura gigantesca na base da sua pré-candidatura: o poder de fogo do mandato senatorial, que lhe permite distribuir milhões em emendas a municípios, conta com a máquina política da Federação dos Municípios (Famem), comandada pelo prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), seu braço direito e coordenador das suas campanhas, e com programas de rádio e TV que lhe dão apoio aberto, sem reservas. De uns tempos para cá, Weverton Rocha tem aparecido em horário nobre da TV exibindo suas ações como “o senador do Maranhão”. Ao mesmo tempo, cumpre intensa e movimentada agenda de incursões por municípios, reunindo prefeitos e lideranças, numa prova inconteste de que tem “fôlego” para manter ostensiva pré-campanha, por meio da qual demonstra que está decidido a “chegar lá”.

Embora não se tenha declarado pré-candidato a governador, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Júnior chegou ao tabuleiro sucessório pelas palavras do chefe do seu novo partido, o PSD, deputado Edilázio Jr., e não disse nem sim nem não. Além disso, circulou a informação de que sua candidatura teria sido definida como prioridade pelo comando nacional do partido. E para completar, foi incluído e apareceu bem em três pesquisas recentes, o que consolidou a posição em que foi colocado pelas vozes autorizadas do PSD. Atualmente, ninguém do meio político duvida do seu projeto de chegar aos Leões. Por sua vez, o deputado federal Josimar de Maranhãozinho vem mantendo o discurso de que é candidato, mas todas as avaliações apontam inconsistência nesse projeto, havendo quem enxergue nele, no máximo, um potencial candidato a vice.

O prefeito Lahesio Bonfim entra na corrida como um pré-candidato solitário, sem ter sequer o apoio do seu partido, cujo novo chefe no Maranhão, deputado federal Pedro Lucas Fernandes, é linha de frente da pré-candidatura de Weverton Rocha, um problema que terá de resolver até setembro. Mesmo assim, está em campanha aberta, com outdoors espalhados Maranhão a fora, bancados, segundo ele, por um movimento da direita no estado. Tem se apresentado como “o melhor prefeito do Maranhão” e garantido, em entrevistas, que não abre mão da candidatura. Outro candidato assumido, o secretário Simplício Araújo, que é suplente de deputado federal, entrou na disputa pela vaga de candidato da aliança situacionista protagonizando um saudável gesto de ousadia política, e por ser detentor de condições que lhe permitem ousar: comanda um partido, tem uma base eleitoral razoável e tem feito um bom trabalho como secretário de Indústria e Comércio. Nove entre dez observadores o veem como candidato a deputado federal.

Nesse contexto, o senador Roberto Rocha, cujo mandato termina em 2022, se movimenta como uma grande incógnita. Será candidato a governador? Tentará renovar o mandato de senador? Tentará caminho de volta à Câmara Federal? Ele ora sinaliza interesse pelos Leões, ora insinua que tentará a reeleição contra o governador Flávio Dino. Parece decidido a resolver seu futuro nas urnas depois que se filiar a um partido, que deve ser o do presidente Jair Bolsonaro, a quem atrelou fortemente sua vida política.

Como é visível, a corrida para o Palácio dos Leões já está, de fato, em franco andamento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

Assembleia fez a sua parte e entra em recesso por 15 dias

Othelino Neto soube conduzir a Assembleia Legislativa e manter os parlamentares mobilizados em mais um período sob a sufocante crise causada pela pandemia

Começa hoje, oficialmente, e termina no dia 1º de Agosto, o recesso da Assembleia Legislativa. Serão 15 dias em que os deputados estaduais estarão desobrigados das sessões e das reuniões de comissões técnicas do Poder Legislativo. No período legislativo que começou em fevereiro e terminou ontem, sob o comando do presidente Othelino neto (PCdoB), a Assembleia Legislativa se reuniu na maioria das vezes, por vídeoconferência – sistema no qual o parlamento maranhense foi pioneiro -, uma vez que as sessões presenciais foram suspensas por conta do novo coronavírus. Apesar das dificuldades de comunicação, o presidente Othelino Neto atuou criando as condições para que os deputados mantivessem o ritmo de trabalho, agindo também para mantê-los mobilizados, o que aconteceu de maneira satisfatória: a Assembleia funcionou, aprovou e rejeitou matérias, registrando uma produção bem acima que as previsões pessimistas feitas no início do período legislativo.

Nesse período de recesso, os parlamentares aproveitarão para intensificar as incursões nas suas bases eleitorais, com foco nos preparativos para as eleições do ano que vem, quando tentarão renovar seus mandatos, enfrentando seus pares e uma implacável concorrência dos que estão de fora querendo entrar.

 

Um servidor público assume o comando do TCE, onde o nepotismo reinou

Washington Oliveira: um servidor e militante no coimando do TCE

Na próxima Quarta-Feira (21), vai acontecer o até pouco tempo impensável: um servidor público federal, forjado nas lutas sindicais e na militância petista, que chegou a vice-governador na chapa de Roseana Sarney em 2010 por acordo partidário, e que, também por acordo político, ganhou a cobiçada cadeira de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE), chegando na semana passada ao cargo de presidente com a renúncia do conselheiro Nonato Lago, será aclamado presidente da Corte de Contas. O beneficiário desse processo é o servidor federal, sindicalista e militante graduado do PT Washington Oliveira.

Sua ascensão ao comando do TCE difere radicalmente da esmagadora maioria das nomeações feitas nas últimas décadas, nas quais predominaram o nepotismo ostensivo praticado pelos chefes políticos do Maranhão. Não é o caso, por exemplo, do conselheiro Raimundo Nonato Carvalho Lago Jr., que renunciou à presidência para se aposentar. Irmão de Jackson Lago, ele chegou à Corte de Contas indicado pelo governador Epitácio Cafeteira, com quem manteve sólida amizade. Durante o Governo Cafeteira, Nonato Lago foi assessor especial da Casa Civil e atuava no Palácio dos Leões como médico à serviço do governador.

Outras nomeações se encaixam no nepotismo que dominou a vida do TCE. Newton Bello Filho foi nomeado pelo pai, o governador Newton Bello, para o cargo com pouco mais de 20 anos. A família Sarney emplacou o advogado Evandro Sarney, irmão de José Sarney, que em seguida garantiu cadeira para o cunhado, Albérico França Ferreira, que teve seu filho, Álvaro César França Ferreira, também nomeado para a Corte. Antes de deixar o cargo, o governador Luiz Rocha emplacou seu cunhado, Raimundo Oliveira Filho, que funcionava como contador do chefe do Governo. Na mesma linha, o governador Edison Lobão emplacou seu irmão, o ex-deputado estadual Yedo Lobão.

Depois de Álvaro Ferreira, o TCE parece ter deixado de ser manipulado pelo nepotismo na formação do seu Conselho. Dois conselheiros políticos foram bancados pela Assembleia Legislativa, à qual a Corte é institucionalmente subordinada: os ex-deputados Jorge Pavão e Edmar Cutrim, e um servidor da Casa, José Ribamar Caldas Furtado. Apesar do caráter político da sua ascensão, Washington Oliveira chega ao comando do TCE sem ter no currículo a mancha do nepotismo.

São Luís, 18 de Julho de 2021.