Brandão leva vantagem sobre Weverton no jogo para atrair o apoio do PT

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha disputam o apoio do braço do PT do Maranhão

Augusto Lobato, presidente do PT no Maranhão, em declaração ao jornalista Jorge Vieira, conforme registrado em seu blog: “Minha posição é por aliança com Brandão, pois acredito que ele estará ao lado de Lula na campanha presidencial, mas quem vai decidir (…) é a direção nacional”. Gleise Hoffmann, presidente nacional do PT, em declaração ao blog Atual 7, produzido pelo blogueiro Yuri Almeida, sobre especulação de que o PT estaria se inclinando para o senador Weverton Rocha (PDT): “Não tem nada decidido. Zé Dirceu foi a passeio, pelo que me disse. Qualquer articulação aí [no Maranhão] envolverá a direção estadual e nacional do PT”.

As declarações dos presidentes estadual e nacional do PT mostram que o partido está firme na base partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB), mas que ainda não bateu martelo a respeito de quem apoiará para a sua sucessão, mas, ao mesmo tempo, não esconde a inclinação pela candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Há, de fato, uma banda do PT, que faz zoada, mas não tem peso nas decisões do partido, que demonstra simpatia pela candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), tanto quanto há no PDT militantes que fazem restrições à candidatura do senador Weverton Rocha, que é hoje o grande nome da legenda pedetista e tem força na direção nacional do partido. Hoje, o ex-ministro José Dirceu, que está no Maranhão de férias, o maior líder do PT depois de Lula da Silva, conversará com a direção estadual do partido em com o governador Flávio Dino sobre as conjunturas federal e estadual.

Até aqui, o desenho dessa relação partidária tem sido o seguinte: o PT, que já participa do Governo no comando de três secretarias, teve seu único deputado estadual, Zé Inácio, nomeado vice-líder do Governo na Assembleia Legislativa, e acaba de incorporar nas suas fileiras ninguém menos que o secretário de Educação, Felipe Camarão, um dos “homens de ouro” do Governo Flávio Dino, além do fato de que muitos petistas estão espalhados nas mais diferentes áreas do Governo do Estado. Dentro da mais evidente lógica política, o PT tende a apoiar mesmo o vice-governador Carlos Brandão, com quem seus líderes – o presidente estadual Augusto Lobato, e o presidente municipal – estão e conversas avançadas com o futuro governador do Maranhão.

O PT é um partido pragmático, e o seu braço maranhense já tem larga experiência em se harmonizar com contrários. Nos dois Governos de Lula da Silva e nos dois de Dilma Rousseff, a agremiação petista esteve de braços dados com o Centrão, naquele mesmo período, o PT do Maranhão integrou a base de apoio partidário dos dois últimos Governos de Roseana Sarney (MDB), de 2009 a 2014. E certamente não encontrará nenhuma dificuldade de conviver com Carlos Brandão, seja como vice, seja como governador titular a partir de 2 de Abril do ano que vem, mesmo tendo ele nascido politicamente na base de apoio do então governador José Reinaldo Tavares (2002/2004), no qual atuou fortemente como chefe da Casa Civil, e como integrante do PSDB, inimigo visceral do petismo, pelo qual se elegeu deputado federal.

A relação do PDT com o PT tem sido muito complicada. Nesse momento, por exemplo, o pré-candidato do partido a presidente, ex-ministro Ciro Gomes, que em 2018, ao não passar para o 2º turno da eleição presidencial, embarcou para a França, contribuindo decisivamente para a vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre o candidato petista Fernando Haddad. No presente, dispara quase que diariamente ataques verbais violentos a Lula da Silva, tencionando e tornando muito complicada a relação do PDT com o PT. No plano maranhense, vez por outra dispara sua metralhadora verbal contra o governador Flávio Dino.

Esse roteiro vem deixando o PDT com muita dificuldade para arranjar aliados para a grande guerra eleitoral do ano que vem, no Maranhão e em todo o País.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Sem vez no Patriotas, Jair Bolsonaro tenta agora armar para controlar o PP

André Fufuca estaria sob pressão de Jair Bolsonaro e Roberto Rocha

Rejeitado pelo Patriotas, que rachou, tendo a banda contrária às filiações levado a melhor, o presidente Jair Bolsonaro estaria agora articulando para dar uma de “filho pródigo” e voltar ao PP, ao qual já foi filiado. Alguns bolsonaristas sem eixo imaginaram a unificação de PP, DEM e PSL formando um partido que seria a alma do Centrão no Congresso nacional, com 150 deputados federais e 15 senadores. Comandados por três cobras criadas (o senador piauiense Ciro Nogueira, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, e o deputado federal pernambucano Luciano Bivar), porta-vozes dos três negaram o projeto, tendo o PSL anunciado que já tem candidato a presidente, o apresentador paulista Luiz Datena. O DEM nem se dignou a tocar no assunto, e várias vozes do PP foram categóricas: apoiá-lo, sim, mas tê-lo de novo como um dos seus, nem pensar. No Maranhão, o PP vai continuar sob o controle férreo do deputado federal André Fufuca, que o tem desde 2016, quando assumiu após tirá-lo do então deputado Waldir Maranhão. Sobre sucessão estadual, André Fufuca já manifestou a intenção de apoiar a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), mas ressalvando que poderá mudar de posição, levando esse apoio a Carlos Brandão. E por isso é difícil imaginar que o partido dos Fufuca venha a sair da base do governador Flávio Dino para apoiar o projeto de poder do senador Roberto Rocha. É o caso do DEM, comandado pelo deputado federal Juscelino Filho, que deve apoiar o vice-governador Carlos Brandão. E o PSL, que sob o comando do deputado federal Pedro Lucas Fernandes, deve apoiar a candidatura do senador pedetista.

 

MDB vai priorizar reeleição de deputados federais e estaduais

Prioridades do MDB nas eleições

O MDB começa a definir sua estratégia para as eleições proporcionais. No caso da Câmara Federal, vai mesmo lançar a ex-governadora Roseana Sarney, sua atual presidente, para liderar a chapa, devendo priorizar esforços para a reeleição dos deputados federais Hildo Rocha e João Marcelo. No caso da briga por cadeiras na Assembleia Legislativa, a prioridade é a reeleição dos deputados Roberto Costa, seu vice-presidente, Socorro Waquim e Arnaldo Melo. Isso não deve diminuir a preocupação do partido com nomes como Lobão Filho, que já disputou até o Governo do Estado e tem o cacife da Família Lobão, e Victor Mendes, que já foi  deputado estadual e deputado federal.

São Luís, 23 de Julho de 2021.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *