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UFMA fortalece a cultura e marca os 200 anos da Imprensa maranhense homenageando jornalistas

 

Neiva Moreira, José Sarney e Bandeira Tribuzi homenageados pela UFMA no registro dos 200 anos da Imprensa no Maranhão, iniciativa sob o coimando do reitor Natalino Salgado

A Universidade Federal do Maranhão, conhecida e respeitada por todos como UFMA, dá novos e largos passos na sua consolidação como a grande, inesgotável e indispensável fonte de conhecimento do Maranhão, e, como tal, fazendo também as vezes de guardiã da rica memória produzida ao longo dos séculos nesse privilegiado e diferenciado pedaço do mundo. Um desses passos foi a instituição do “Mérito Cultural”, concedido, na semana que passou, a personalidades que, de fato, contribuíram decisivamente para preservação e evolução da ímpar e estimulante cultura maranhense. O outro passo, a ser consumado hoje, no início da noite, será a entrega da “Comenda dos 200 Anos de Fundação da Imprensa no Maranhão” a 50 profissionais que se dedicaram e ainda se dedicam ao Jornalismo, homenageando também o seu consolidado e prestigiado Curso de Comunicação, por onde passou a maioria deles. Duas iniciativas de extrema importância no sentido de valorizar a Cultura e sua magia, e o Jornalismo e o seu papel decisivo na construção histórica do Maranhão desde a circulação da primeira edição de “ O Conciliador do Maranhão”, no dia 21 de abril de 1821, dois séculos atrás, até os dias atuais.

Tão importante como valorizar a cultura, homenageando os que a ela se dedicam nos seus mais diversos aspectos, é fazê-lo quando a identidade cultural de um povo está ameaçada, como acontece nos dias atuais. Nesse sentido, dar a dimensão correta da Imprensa no contexto histórico é igualmente necessário, principalmente em tempos sombrios, de negação dos valores democráticos, nos quais o obscurantismo, filho da ignorância e do primarismo, tenta se impor com o objetivo de suprimir liberdades e enquadrar a evolução histórica nos seus padrões tacanhos. Ao valorizar a produção cultural livre e colocar a Imprensa – com todos os seus acertos, erros e contradições – no patamar das atividades essenciais, a UFMA está dizendo ao mundo, à sua maneira, um sonoro “não” aos que tentam frear e distorcer o processo evolutivo.

Para homenagear a Imprensa laureando 50 profissionais destacados nas diferentes áreas da produção jornalística –  Jornalistas, empreendedores, produtores e pesquisadores, e ainda um grupo de Jornalistas escolhidos por votação popular -, a UFMA foi criteriosa na escolha dos nomes. A lista levou em conta as diferentes áreas, destacando personalidades superlativas como Neiva Moreira, gigante do Jornalismo como empreendedor e como repórter e redator; José Sarney, o gigante da política e homem de letras que sempre apostou no Jornalismo; Bandeira Tribuzi, o poeta maior que fundou jornal e fez de tudo na sua produção; Ribamar Bogea, o desassombrado empreendedor e editor; Bernardo Almeida, o dirigente e cronista de escol; e o célebre fotógrafo Dreyfus Azoubel, entre muitos outros que se destacaram nesse desafiador mister.

A lista completa é a seguinte, por categoria:

Jornalista: Alberico Carneiro, Benedito Buzar, Bernardo Almeida, David Peres, Djalma Rodrigues, Félix Alberto Lima, Herbert Fontenele, José Louzeiro, José Raimundo Rodrigues, Amaral Raposo, José Ribamar Gomes, Josilda Bogea, Manoel dos Santos Neto, Marcelo Rodrigues, Márcia Coimbra, Nascimento Moraes Filho, Neiva Moreira, Othelino Nova Alves, Pergentino Holanda Silva, Jurivê Macedo, Raimundo Borges, Ribamar Correa, Roberto Fernandes, Sebastião Negreiros e Sidney Pereira.

Empreendedores: Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço), Ribamar Bogea, José Sarney, Moacyr Sposito, Pedro Freire e Sergio Godinho.

Pesquisadores: Zefinha Bentivi, Marcelo Galves e Sebastião Jorge.

Produção Jornalística: Célio Sérgio Serra Ferreira, Dreyfus Azoubel e César Hypolito.

Outros Profissionais: Francisco Melo Filho e Chafi Braide Júnior.

E um grupo de Jornalistas escolhidos por votação popular:  Douglas Pinto, Douglas Cunha, Edvânia Kátia, Jailson Mendes, Bandeira Tribuzi, Carlos da Cunha, Lukas Carvalho, Marcos Saldanha, Mário Linconl e Paulo Melo.

A relação de laureados com o “Mérito Cultural” representa expressivamente os muitos que atuaram e atuam no amplo e diversificado universo cultural do Maranhão, como o grande cronista e produtor cultural Américo Azevedo Neto, o músico Antônio Padilha, o consagrado maestro Fernando Moucherek, a pintora Dila, a arquiteta Kátia Bogea, a atriz Lúcia Nascimento, o professor Mario Cella, o teatrólogo e produtor cultural Tácito Borralho, a pesquisadora Zelinda Lima, Deusamar Rocha dos Santos, Izaura Silva, Jandir Silva Gonçalves, João da Cruz Atenas, José Ribamar Neres Costa, Marlene Barros Ribeiro, Nerine Lobão Coelho, Pe. Luigi Risso e Pureza Lopes Loiola, além de Antônio Pereira da Costa e Maria Michol Pinho de Carvalho.

Com as duas iniciativas, comandadas pelo reitor Natalino Salgado – que também já está na história da instituição como um dos seus maiores timoneiros -, a UFMA presta um serviço inestimável à memória do Maranhão. O reitor justifica a honraria com o indiscutível argumento do mérito que cada homenageado detém. “Todos são merecedores das honrarias”, disse. E com o envolvimento direto do vice-reitor e diretor de Comunicação, professor e jornalista Marcos Fábio. Nesse ambiente de efervescência cultural, apesar das sombras que rondam as fontes do bem, o “Mérito Cultural” nasce destinado a ser um poderoso instrumento de valorização da cultura do Maranhão, principalmente pelo fato de reconhecer, em vida ou in memorian, aqueles que a fazem, cultivando assim a sua essência. A Comenda dos 200 Anos de Fundação da Imprensa no Maranhão foi criada para resgatar a trajetória da Imprensa maranhense, para a qual foi fundamental o envolvimento de profissionais que se entregaram e se entregam ao trabalho de informar como um ideal de vida. (Honrado por estar entre os homenageados, o autor da Coluna se integra a essa falange de idealistas que lutam em defesa da liberdade de informar).

Em Tempo: A entrega da Comenda dos 200 Anos de Fundação da Imprensa do Maranhão ocorrerá hoje, às 18 horas, no Centro Pedagógico Paulo Freire, com transmissão pelo Canal Institucional da UFMA no YouTube.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Juscelino Filho e Pedro Lucas conversam sobre comando do União Brasil no Maranhão

Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes:  acordo sobre o União Brasil

Todas as avaliações feitas até aqui indicam que o União Brasil, resultante da união do DEM com o PSL será a maior força partidária a ser formada para as eleições do ano que vem, a começar pelo fato de que será o partido com mais deputado federal e mais dinheiro para gastar no esforço para atrair o eleitor. Tanto que, à medida que o partido vai se consolidando, aumentam as tensões pelos seus controles regionais. No Maranhão, falta decidir quem vai comandar a nova legenda entre os deputados federais Juscelino Filho, que comandava o DEM, e Pedro Lucas Fernandes, que dirigia o PSL. Os dois estão conversando e, ao que tudo indica, estão trabalhando para encontrar uma solução que atenda a ambos, preservando o braço maranhense do União Brasil de tremores logo no nascimento. A solução deve sair início do próximo ano.

 

PSOL mantém coerência e mantém pré-candidatura de Enilton Rodrigues

Enilton Rodrigues (d) e Coriongo formarão a chapa do PSOL

Na contramão da linha de ação mais aberta orientada pela direção nacional, o PSOL manteve o padrão das suas decisões no Maranhão no que diz respeito à corrida, afastando a possibilidade de alianças e lançando candidato próprio ao Governo do Estado. O escolhido para capitanear a chapa foi o engenheiro Enilton Rodrigues, que teve sua pré-candidatura lançada ao final de uma Conferência Eleitoral realizada pelo partido. Antônia Coriongo foi escolhida para disputar o Senado. Com a definição da pré-candidatura de Enilton Rodrigues, o PSOL fecha todas as portas para alianças no campo mais conservador, só podendo se juntar aos partidos  mais à esquerda, como PSTU, PCB e PCO que estão quase mortos. A decisão de lançar candidato próprio e de se fechar para alianças tem pelo menos o mérito da coerência, que raramente faz parte do mundo da política partidária.

São Luís, 21 de Dezembro de 2021.

Apoio declarado de Adriano Sarney pode ser senha para aliança do Grupo Sarney com Carlos Brandão

 

Adriano Sarney declara apoio a Carlos Brandão

De todos os eventos ocorridos na semana relacionados com a sucessão no Governo do Estado, o fato de maior peso político foi o discurso do deputado estadual Adriano Sarney, presidente do braço do PV no Maranhão, declarando apoio dele e do partido à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) a governador. Não se trata de um apoio que lhe garanta um caminhão de votos nem lhe assegura vantagens do tipo tempo de rádio e TV. A importância está no farto der que a manifestação do deputado Adriano Sarney pode ser a senha para que o que restou do Grupo Sarney, tendo o MDB como segmento mais forte e organizado, está se movimentando na mesma direção, em que pese aí o fato de a ex-governadora Roseana Sarney ainda esteja fazendo charme com as duas dezenas de pontos percentuais que vem obtendo nas pesquisas de intenção de voto.

Por maior que seja a sua autonomia política como parlamentar de segundo mandato e presidente de partido, o deputado Adriano Sarney não tomaria uma decisão dessas sozinho. Ele no mínimo consultou o pai e guru político, o ex-deputado federal Sarney Filho, atualmente secretário de Meio Ambiente do Governo do Distrito Federal. É provável que ele tenha também conversado com o avô e líder maior do grupo, o ex-presidente José Sarney (MDB), podendo ter também trocado uma ideia com a tia, a ex-governadora Roseana Sarney, que preside o MDB maranhense. Mas a fonte principal das suas orientações política é mesmo o ex-deputado Sarney Filho, que ainda tem muitos aliados no Maranhão, o que dá à manifestação do herdeiro um peso político a ser considerado por Carlos Brandão na montagem da sua base de apoio.

Uma fonte bem situada no território sarneysista sugere que, como o PV, a tendência do MDB é somar força com o vice-governador, não havendo no momento sinais fortes de inclinação pela pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). O líder pedetista esteve, de fato, na pauta emedebista, mas uma série de movimentos reduziu seu cacife no grupo, ainda que ele continue tendo vozes emedebistas que advogam a aliança MDB/PDT. Com uma série de gestões e conversas, Carlos Brandão reverteu a tendência pró-Weverton Rocha dentro do MDB. O resultado positivo das investidas inverteu a tendência pró-Brandão, que segundo a fonte da Coluna é hoje majoritária dentro do MDB e de outros segmentos do grupo.

Além da afinidade existente pelo fato de Carlos Brandão haver ingressado na política pelas mãos do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB) quando o sarneysismo era a força dominante no Maranhão, contribui para a posição do presidente do PV o fato de a eleição de Weverton Rocha para o Senado haver interrompido a trajetória política de Sarney Filho, depois de um mandato de deputado estadual e nove mandatos de deputado federal. Não se trata de dar o troco, mas da dificuldade de um adversário cuja eleição fragilizou o PV no estado. Ao que tudo indica, Adriano Sarney aposta que numa aliança com Carlos Brandão o PV pode ganhar uma sobreviva, inclusive com sua possível reeleição para a Assembleia Legislativa.

A declaração de apoio de Adriano Sarney, como já foi sugerido, pode ser o sinal verde para que o grupo como um todo se mobilize no apoio a Carlos Brandão. É verdade que ainda há tempo para muitas marchas e contramarchar na corrida sucessória, com o senador Weverton Rocha se movimentando para manter a base que construiu até aqui e acrescentar ao seu cacife pelo menos parte dos segmentos ainda alinhados ao ex-presidente José Sarney. Mas nesse momento, a tendência nítida é que na pisada do PV as principais correntes do grupo, a começar pelo MDB, reforcem a base do vice-governador Carlos Brandão.

É essa a fotografia da corrida sucessória do Maranhão no momento.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Executivo e Legislativo encerram ano em perfeita sintonia

Othelino Neto, Flávio Dino  e Márcio Jerry: sintonia fina entre Legislativo e Executivo 

O governador Flávio Dino (PSB) e o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) têm dado seguidas demonstrações de que não misturam as relações institucionais com as de natureza partidária. Os dois chefes de Poder pertencem ao mesmo grupo, mas estão trilhando caminhos diferentes na corrida sucessória, com o chefe do Executivo apoiando a pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB), enquanto o chefe do Legislativo é apoia a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). Na audiência, presenciada pelo secretário das Cidades, Márcio Jerry, presidente do PCdoB, o presidente do Legislativo relatou ao chefe do Executivo a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que vai nortear a aplicação de R$ 22,5 bilhões previstos de receita no exercício do ano que vem. Informou também a aprovação da MP 372/2021, proposta pelo governador, concedendo reajuste linear de 9% para os servidores público a partir de fevereiro. O governador foi oficialmente informado da aprovação Projeto de Lei 403/2021, que institui o Estatuto Estadual dos Povos Indígenas, criando também o Sistema Estadual de Proteção a Comunidade Tradicionais, o que cola o Maranhão na vanguarda da luta em defesa dos povos indígenas.

“Conversamos sobre a pauta extensa que tivemos na Assembleia Legislativa nesta que foi a última semana antes do recesso parlamentar. Fizemos um resumo deste ano, onde nós tivemos essa relação de harmonia e respeito com o Poder Executivo, apreciando projetos importantes para o Estado”, avaliou Othelino Neto.

Flávio Dino agradeceu o apoio dos deputados estaduais: “Nessa audiência eu tive a oportunidade de agradecer ao presidente Othelino, ao líder do Governo, o deputado Rafael Leitoa (PDT), e a todos os parlamentares que nos ajudaram em um ano de tantas dificuldades sanitárias, econômicas e sociais, a concretizar bons projetos, desde a alocação de emendas parlamentares para a realização de obras em várias cidades do nosso estado, assim como também, essa atividade legislativa, intensa, importante e produtiva. A minha palavra é de agradecimento por essa relação harmônica, uma relação eficiente, ajudando nosso estado a superar os obstáculos nacionais hoje existentes”.

 

Vitória da esquerda no Chile é comemorada por Flávio Dino

Gabriel Boric: eleição comemorada pela esquerda brasileira

A eleição do novo presidente do Chile, Gabriel Boric, 35 anos, um deputado de esquerda saído do movimento estudantil e que se consagrou como o mais votado da História chilena, repercutiu fortemente no Brasil, e com ênfase especial no Palácio dos Leões. No Brasil, as forças de esquerda estão vendo no pleito chileno a confirmação de uma tendência iniciada na Argentina no ano passado e que pode ser consolidada no País em no ano que vem, se Lula da Silva (PT) mantiver a performance que vem mostrando nas pesquisas realizadas até aqui. O resultado da eleição chilenas é uma péssima notícia para o presidente Jair Bolsonaro (PL), que apostava alto na eleição do candidato da extrema-direita José Antônio Kast – que civilizadamente reconheceu a derrota com 60% dos votos apurados e telefonou para o vencedor cumprimentando-o “pelo triunfo” e colocando-se à disposição para ajudar seu governo “no que for possível”, abraçando o apelo por união feito pelo presidente eleito. No Maranhão, o governador Flávio Dino, que como Gabriel Boric, saiu do Movimento Estudantil, esteve na Câmara Federal e se elegeu governador numa onda de mudanças, comemorou o resultado da eleição chilena. Ilustrando a mensagem, Flávio Dino postou milhares de chilenos cantado um hino que termina com a célebre frase-manifesto: “O povo, unido, jamais será vencido!”.

São Luís, 20 de Dezembro de 2021.

Oposição segue dividida e sem líder para a guerra eleitoral no Maranhão

 

Roberto Rocha, Josimar de Maranhãozinho e Lahesio: nenhum sinal de união para a corrida eleitoral de 22

A menos que haja uma improvável reviravolta e os grupos resolvam se juntar, a Oposição marchará para as urnas dividida em três frentes no que diz respeito à sucessão para o Governo do Estado. Faltando pouco mais de dez meses para as eleições, não há sinais de que o senador Roberto Rocha (saindo do PSDB), o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e o prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim tenham sequer aberto canais de comunicação para conversar a sério sobre o assunto. Em princípio, tudo indica que os três candidatos oposicionistas tentarão seguir seus próprios caminhos no 1º turno, para uma possível união de forças no 2º, caso a eleição não seja decidida em turno único. O problema é que, dos três pré-candidatos a governador assumidos, o mais destacado, senador Roberto Rocha, não parece interessado em decidir logo o seu rumo, e os outros dois, Josimar de Maranhãozinho e Lahesio Bonfim, enfrentam problemas graves, um no campo pessoal, e o outro na seara política.

Ainda no PSDB, mas aparentemente sem nenhuma condição de nele permanecer, já que o controle da legenda no Maranhão está com o vice-governador Carlos Brandão, o senador Roberto Rocha tende a ingressar no PSL, seguindo o presidente Jair Bolsonaro. Só que o PL é controlado com mão de ferro pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que é pré-candidato declarado ao Governo do Estado. Há que garanta que os dois estão conversando para ajustar os ponteiros no sentido de como o papel de cada um na corrida eleitoral. Qualquer que seja o entendimento entre os dois, se de fato houver, a Oposição eliminará um candidato a governador, já que ambos não poderão disputar o mesmo mandato, o que leva a crer que o caminho será a composição de uma chapa com um disputando o Governo e outro o Senado.

Sem revelar até agora se será candidato ao Governo ou tentará se reeleger para o Senado, o senador Roberto Rocha faz uma pré-campanha de natureza eminentemente técnica, defendendo uma mudança na estrutura fiscal e tributária do Brasil, reflexo da sua condição de relator da Reforma Tributária no Senado, que, por um pacote de motivos os mais diversos, não ata nem desata. Sua ação é o seminário “Descomplica!”, no qual defende mudanças fiscais e promete “menos impostos e mais empregos”, e que já realizou em Imperatriz, Balsas, Caxias e São Luís, reunindo empresários, curiosos e apoiadores. Além disso, alimenta seu espaço na política maranhense conversando com aliados e trocando farpas cortantes e ácidas eventuais com políticos governistas de proa, como o presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, e até mesmo com o governador Flávio Dino (PCdoB). É improvável que anuncie seu rumo ainda neste ano.

Seu iminente colega de partido e provável companheiro de chapa, Josimar de Maranhãozinho, vive um momento infernal, com a Polícia Federal no seu encalço por ordem da Justiça, investigando a suspeita de o parlamentar é o cabeça de um amplo e milionário esquema de corrupção por meio de desvio de dinheiro de emendas parlamentares. Josimar de Maranhãozinho nega enfaticamente envolvimento na falcatrua, mas imagens e conversas gravadas pela PF estão minando fortemente a sua imagem e a sua base políticas. O parlamentar tem dito e repetido que é vítima de perseguição e que sua pré-candidatura está mantida. Há quem avalie que seu futuro depende de um posicionamento de Roberto Rocha.

Se por um lado vem surpreendendo pelo desempenho nas pesquisas de opinião, tendo alcançado 8% de intenções de voto em uma delas, o prefeito Lahesio Bonfim não tem sido bem-sucedido no campo partidário. Ele deixou o PSL e apostou alto que sua filiação ao PTB lhe daria também o comando do partido no Maranhão, o que aumentaria expressivamente o seu cacife político. Tropeçou feio, porque chegou a se anunciar como presidente do partido, mas foi duramente desautorizado pelo comando nacional petebista, que confirmou a deputada estadual “terrivelmente evangélica” Mical Damasceno no comando da agremiação trabalhista no Maranhão. Rumores sugerem que sua candidatura corre riscos.

Vele, portanto, repetir que, a menos que haja uma reviravolta, a Oposição caminha para as urnas mergulhada em problemas.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Folha de pessoal consumirá 51,8% do Orçamento do Maranhão para 2022

Flávio Dino e Carlos Brandão vão administrar um orçamento modesto

O Governo do Maranhão vai administrar um Orçamento de R$ 24,1 bilhões ao longo de 2022, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovadas ontem pela Assembleia Legislativa. A gestão desses recursos se dará em dois períodos, sendo os três primeiros meses sob o comando do governador Flávio Dino, e os nove meses restantes sob a responsabilidade do governador Carlos Brandão, que participou da elaboração. A bolada parece substancial e passa a ideia de que o Governo terá dinheiro de sobra para gastar. Ledo engado, pois um único dado mostra que o cenário financeiro do Governo para 2022 não será lá essas coisas: nada menos que 51,8%, ou seja, R$ 12,5 bilhões, estão amarrados para pagamento de pessoal, sobrando pouco mais de R$ 10 bilhões custeio, serviços essenciais (educação, saúde, infraestrutura, etc.) e o que sobrar para investimentos.

Foi um trabalho cuidadosamente montado pelo deputado Roberto Costa (MDB) na Comissão de Orçamento da Casa, e que mereceu elogios do presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB).

 

Imagem confirma racha no grupo de Luís Fernando em São José de Ribamar

Ao lado de Weverton Rocha, Eudes Sampaio, (camisa azul) vai na contramão de Luís Fernando

Um registro fotográfico da festa de confraternização do senador Weverton Rocha com seus apoiadores em São Luís chamou a atenção de muitos observadores: a presença, aparentemente entusiasmada, do ex-prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio, na linha de frente do movimento do pré-candidato pedetista. A primeira conclusão óbvia: Eudes Sampaio, que é filiado ao PTB, se afastou do seu aliado, o também ex-prefeito Luís Fernando Silva, que lhe presenteou com um mandato quase inteiro no comando do quinto maior município maranhense. Eudes Sampaio não valorizou o presentão e o perdeu nas urnas, por inabilidade política ao não conseguir a reeleição disputando com o arqui-inimigo e também ex-prefeito Júlio Matos (PL), hoje um dos “homens de ouro” do deputado Josimar de Maranhãozinho. Como é sabido, Luís Fernando Silva é um dos destaques do time que está assessorando o vice-governador Carlos Brandão. A presença efusiva de Eudes Sampaio no time do senador Weverton Rocha confirma que a base do montada por Luís Fernando Silva em São José de Ribamar rachou de vez.

Brasília, 17 de Dezembro de 2021.

 

Mesmo com tensão elevada entre Brandão e Weverton, Dino aposta num acordo para unir grupo

 

Flávio Dino acredita num entendimento entre Carlos Brandão e Weverton Rocha para manter grupo unido

Por mais duraque esteja sendo a disputa entre o vice-governador Carlos Brandão (PSDB) e o senador Weverton Rocha (PDT) pela vaga de candidato a governador da aliança partidária governista, e por mais agressivo que seja o tom dos apoiadores líder pedetista em relação a ele e ao seu Governo, o governador Flávio Dino (PSB) tem dito em entrevistas e a interlocutores que acredita ainda ser possível um entendimento que uma as duas correntes. E nas declarações, ele tem deixado claro que essa possibilidade não se esgotará no final de janeiro, independentemente do resultado da reunião em que será dada a martelada final sobre o futuro das duas candidaturas. O governador aposta que a redução da aceleração nesse período de final de ano será a oportunidade para que boas conversas sejam entabuladas no sentido de que as forças se desarmem e encontrem pontos de convergência que eliminem as diferenças e abram caminho para a unidade.

Ao mesmo tempo, o governador Flávio Dino sabe que ainda não é difícil colocar Carlos Brandão e Weverton Rocha numa mesa de negociação, mas sabe também que a temperatura entre os dois aumenta a cada dia, na mesma proporção, reduzindo assim o campo de entendimento. Com a experiência que detém, Flávio Dino está consciente dos limites da possibilidade de entendimento entre os dois pré-candidatos, estando preparado tanto para comandar um grupo unido quanto para administrar um confronto direto entre o ambos.

A chave para um entendimento é a desistência de um deles. E em qualquer conversa ainda possível os dois têm argumentos fortes para manter seus projetos de candidatura.

Carlos Brandão colocará na mesa sua história de secretário-chefe da Casa Civil do Governo José Reinaldo, e como homem mais próximo do governador, teve papel importante no trabalho político e eleitoral no movimento que resultou na eleição de Jackson Lago (PDT) contra Roseana Sarney em 2006. Juntará a isso dois mandatos de deputado federal eficiente, sete anos como vice-governador marcados pela lealdada e pela participação efetiva nas ações do Governo, o que lhe dá hoje a condição de assumir o comando do estado com segurança. E conta politicamente com o apoio do governador Flávio Dino e do ex-governador José Reinaldo Tavares (PSDB), podendo contar também com o aval da ex-governadora Roseana Sarney (MDB). Além disso, será governador a partir de abril, com direito a se reeleger para um só mandato, oportunidade que dificilmente obterá no futuro. Ou seja, um roteiro quase cartesiano, sem atalhos e amparado pela lógica que move a política.

Weverton Rocha exibirá como cacife uma história de vivência política iniciada na adolescência como militante no movimento estudantil, por meio do qual chegou ao comando da Juventude do PDT com o aval de Jackson Lago, líder maior do partido. Dono de visão larga, saltou da militância partidária para a Câmara Federal, primeiro como suplente e depois como titular. Foi secretário de Esporte e Juventude no Governo Jacson Lago e, em seguida, ocupou espaço no comando nacional do PDT, que o levou a ser um dos principais assessores do presidente do partido, Carlos Lupi, no comando do Ministério do Trabalho. Presidente do PDT no Maranhão, elegeu-se senador em 2018. Decidiu não aguardar a disputa de 2026, decidindo entrar na briga pelo comando do Estado, abrindo mão de quatro anos de mandato senatorial.

Em resumo: Carlos Brandão argumenta, com base na sua trajetória, que essa é a sua vez. Por seu turno, Weverton Rocha avalia que esse é o momento de queimar seus cartuchos. Há quem veja a ruptura como fato consumado, mas há também quem enxergue espaço para um acordo que devolva a unidade são grupo. É esse ponto que o governador, com sua paciência, espera encontrar e viabilizar pela conversa política madura e franca.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Roseana pode pode tropeçar em jogo sobre candidatura

Roseana Sarney 

Ainda que agora sem ser levada muito a sério, a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) continua jogando sobre sua participação nas eleições do ano que vem. Mais de um ano atrás, diante da primeira pesquisa apontando-a como líder nas intenções de voto, ela declarou-se inclinada a disputar o Governo do Estado. Logo depois, numa revelação feita por esta Coluna, ela anunciou seu projeto de disputar uma cadeira na Câmara Federal. De lá para cá, vem alterando essa posição, mesmo tendo várias vezes declarado o arquivamento do projeto governamental. Agora, dois dias depois do anúncio de que o instituto de pesquisa Escutec haver comunicado que não mais a incluirá nas pesquisas, ela volta a insinuar a possibilidade de disputar o Governo, mesmo sabendo quer, mais do que sua vontade, o que a impede de entrar na briga é a astronômica rejeição que as mesmas pesquisas mostram. A ex-governadora sabe que esse jogo pode prejudicar o seu desempenho como candidata a deputada federal com o objetivo de alcançar uma votação que abra caminho para a eleição de outros candidatos do MDB. Resta saber até quando ela vai continuar jogando.

 

PSB acertou elegendo Bira do Pindaré líder na Câmara Federal

Bira do Pindaré

Não surpreendeu a eleição do deputado Bira do Pindaré para líder da bancada do PSB na Câmara Federal, com mandato a ser iniciado em Fevereiro. A eleição pode ser vista por dois aspectos. O primeiro é a trajetória do parlamentar, um político de esquerda com bandeiras bem definidas, bem posicionado, bem articulado e bem visto pelo seu partido e pelos seus pares, reunindo, portanto, condições plenas para liderar a bancada socialista. O segundo é que provavelmente o PSB decidiu assumir posições mais duras em relação ao Governo, tendo no deputado Bira do Pindaré um quadro com posições firmes, de atuação coerente e com capacidade de articulação para posicionar corretamente a bancada nas grandes decisões da Câmara Federal.

São Luís, 16 de Dezembro de 2021.

Weverton e Brandão mostram força e se preparam para o confronto se não houver unidade

 

Acima: Weverton Rocha lota casa de festa em confraternização com aliados. Embaixo: Carlos Brandão recebe o apoio formal do PSB, al qual deve se filiar

Os dois primeiros dias da semana foram de intensa movimentação política em torno da sucessão no Governo do Estado dentro da base governista. Na noite de segunda-feira, afirmando que sua candidatura é irreversível, o senador Weverton Rocha (PDT), pré-candidato a governador, reuniu centenas de apoiadores numa grande casa de festas de São Luís para uma comemoração que, na verdade, foi um ato de demonstração de força em reposta à reunião de duas semanas atrás (29/11), quando o governador Flávio Dino (PSB) declarou seu apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB, a caminho do PSB) à sua sucessão. Ontem, Carlos Brandão, como que numa reação ao desafiador ato do pedetista, comemorou o apoio formal do PSB, ampliando assim a base partidária da sua pré-candidatura, reforçando a agenda que o levou a reunir 20 deputados estaduais que o apoiam. Em meio os dois movimentos, o governador Flávio Dino, em entrevista à revista “Fórum”, confirmou seu apoio a Carlos Brandão e reafirmou sua disposição de continuar conversando até o final de Janeiro em busca da unidade do grupo. “Agora é um jogo de paciência”, disse.

Weverton Rocha reuniu deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores, apoiadores e militantes do PDT que o apoiam, aos quais fez um discurso marcado pela reafirmação do seu projeto de candidatura. “O foguete não vai dar marcha à ré”, disse, pontuando também com cobranças, advertências e até ameaça sutil de rompimento com o governador Flávio Dino. Suas palavras externaram com clareza máxima sua contrariedade com a decisão do governador de optar por apoiar o projeto de candidatura do vice-governador. Tanto que em dado momento insinuou, de maneira cuidadosa, que o PDT poderá até rever sua decisão de apoiar a candidatura de Flávio Dino ao Senado: “Que o governador tenha muito discernimento para conduzir esse cenário e ter o apoio de todos aqui. Este grupo aqui está de acordo com ele, com o nome dele para senador. Esse é o momento de discernimento, tranquilidade e, acima de tudo, muita união e gratidão”.

Com o ato, Weverton Rocha avisou que está de pé, com sua base de apoiadores mobilizada e determinado a seguir em frente, de continuar conversando, mas deixando claro que se o governador Flávio Dino não revir sua posição e mantiver o apoio a Carlos Brandão, o seu caminho será partir para o confronto direto com o vice-governador.

No seu campo de ação, cada vez mais movimentado, o vice-governador Carlos Brandão viu seu cacife partidário aumentar com a declaração de apoio do PSB à sua pré-candidatura, feita pelo presidente do partido, deputado federal Bira do Pindaré. Até então, somente o governador havia declarado apoio ao vice; agora, o seu partido, que está se fortalecendo, entra oficialmente na base de apoio da pré-candidatura do vice-governador. Com a declaração do PSB, Carlos Brandão passa a contabilizar o apoio oficial de cinco partidos – os outros são PCdoB, Cidadania, PROS e PTC, que agora se chama Agir 36. Ele continua conversando com parlamentares e dirigentes municipais, líderes da sociedade civil e chefes partidários, tendo seus apoiadores, entre eles a maioria dos deputados estaduais, também reafirmado suas posições.

O cenário do momento é reflexo direto da posição tomada pelo governador Flávio Dino na reunião do final de Novembro, não há dúvida. Grande e decisiva parte da classe política estava aguardando essa definição para analisar o ambiente para também se posicionar. Aliados de Weverton Rocha fazem as contas e garantem que no momento ele tem o apoio declarado de 72 prefeitos, o equivalente a 30% dos 217 líderes maranhenses, em quanto aliados de Carlos Brandão garantem que ele já conta com mais de 50, número que, segundo afirmam, “aumenta todo dia”. Weverton Rocha é, por exemplo, apoiado pelo prefeito de Pinheiro, Luciano Genésio (PP), enquanto Carlos Brandão conta com a prefeita de Paço do Luar, Paula da Pindoba (PCdoB).

É esse o jogo de agora, com os dois pré-candidatos da base governista montando seus “exércitos” de apoiadores para o possível confronto direto previsto pelo chefe pedetista, caso o poder conciliador do governador não seja suficiente para unir as duas forças.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Dino reafirma que Maranhão paga o maior piso salarial para professor de todo o País

Com o reajuste médio de 9% concedido pelo governador Flávio Dino aos servidores do Estado, e que entrará em vigor as partir de Fevereiro do ano que vem, o Maranhão se distancia dos demais estados no que diz respeito aos salários pagos a professores da rede pública. Com o reajuste, um professor da rede pública maranhense com dedicação de 40 horas semanais receberá piso de R$ 6.867,68, enquanto o de R$ 20 horas receberá a metade, ou seja, R$ 3.433,84. Para se ter uma ideia do que isso significa, o piso a ser pago aos professores de 20 horas semanais no Maranhão é maior do que o piso nacional da categoria, que é de R$ 3.349,56. Não existe mais nenhum argumento que contradiga a afirmação de que o Maranhão é o estado que melhor paga professor em todo o País.

 

Othelino Neto anuncia abono de R$ 500 para servidores do Legislativo

Othelino Neto

Além do reajuste salarial de 9%, os servidores da Assembleia Legislativa terão um reforço financeiro para cobrir os gastos de fim de ano. Por decisão do presidente do Poder, deputado Othelino Neto (PCdoB), com o apoio da mesa Diretora, eles receberão um abono de R$ 500,00, na forma de auxílio-alimentação, que será repassado na folha do próximo mês. O abono foi sugerido pelo Sindicato dos Servidores da Assembleia do Maranhão. Ao anunciar a concessão do bônus, o presidente do Legislativo o justificou como como um reconhecimento ao trabalho eficiente e dedicado dos servidores daquele Poder. “É, também, uma maneira de colaborarmos com a superação das dificuldades impostas pela crise econômica e o aumento da inflação com a consequente perda do poder de compra que todos sofreram nesse período”, assinalou o parlamentar.

São Luís, 15 de Dezembro de 2021.

Camarão se movimenta para ocupar a cobiçada vaga de candidato a vice de Brandão

 

Felipe Camarão pode ser companheiro de chapa de Caros brandão, mas tem desafios a vencer dentro e fora do PT

Tendo vencido a semana como uma mera opção, na repercussão do arquivamento de um projeto bem mais audacioso e arrojado – ser candidato ao Governo do Estado -, a possibilidade de o secretário de Estado da Educação, Felipe Camarão, vir a ser o nome do PT para a vaga de vice na chapa a ser liderada pelo vice-governador Carlos Brandão (PSDB) virou um dado a ser realmente levado em conta no tabuleiro da corrida sucessória. A turbinagem transformou a ideia ocupou espaço dentro e fora da aliança partidária liderada pelo governador Flávio Dino (PSB) e ganhou, se não a forma definitiva, os contornos de um projeto que reúne todas as condições de ser montado e vingar. E foi o próprio Felipe Camarão quem deu gás a essa impressão ao participar, sábado (11) de um evento organizado pela vereadora Concita Pinto (PCdoB), cujo marido, o ex-deputado estadual J. Pinto, anunciou sua desfiliação do PDT e deve migrar para um partido da base de apoio da candidatura do tucano Carlos Brandão.

Jovem e com um surpreendente lastro de bom gestor para sua idade, e que tem as mais de mil Escolas Dignas e os Iemas como resultados do trabalho que o tornou membro destacado da equipe do governador Flávio Dino, Felipe Camarão sempre deixou escapar, por formas diversas, sinais claro de que ingressaria na política partidária. À sua maneira, o próprio governador estimulou esses recados, que foram intensos nas articulações para a definição de candidaturas à Prefeitura de São Luís em 2020, situação que o levou a se filiar ao DEM, um dos símbolos da direita liberal, onde manteve presença discreta. Há alguns meses, no entanto, deu uma guinada partidária radical, migrando para o PT, o símbolo maior da esquerda democrática, com o objetivo inicial de disputar uma cadeira na Câmara Federal. Porém, na esteira desse movimento, se lançou, em Agosto, e com estridência, candidato a candidato a governador. O projeto sobreviveu 15 semanas, mas foi para o arquivo no dia 29 de Novembro, quando Flávio Dino anunciou seu apoio à pré-candidatura de Carlos Brandão.

Felipe Camarão não é um aventureiro. Ele chegou onde chegou porque conseguiu se tornar uma das principais referências da sua geração no serviço público do Maranhão. Ganhou importância como militante político no grupo liderado pelo governador Flávio Dino exatamente pela sua eficiência como gestor e sua movimentação na tarefa de dar suporte político ao Governo, o que nem todo secretário consegue. Seu ingresso na política partidária, portanto, foi um desdobramento natural dos resultados que alcançou em um Governo de sólida base política. Se sua pré-candidatura a governador foi uma estratégia para ser candidato a deputado federal ou a vice-governador, vale registrar que bem elaborada e que está produzindo os resultados projetados. O fato é que Felipe Camarão está no jogo político e se movimenta agora no centro do tabuleiro sucessório, tornando-se o primeiro nome a ser considerado efetivamente para ser candidato a vice-governador.

Com seus movimentos, Felipe Camarão conseguiu vários bons resultados, sendo principal deles a façanha de desembarcar no PT e em pouco tempo se tornar a mais viável opção do partido para representá-lo como número dois numa chapa com boas chances de vencer a eleição. E nesse caso, é bom lembrar, com um horizonte a perder de vista. Isso porque, vale ressaltar, se o vice-governador – que assumirá o Governo em abril – se reeleger, seu vice será o candidato natural à sucessão em 2026. Ou seja, o que em princípio parece ser apenas uma vaga de vice para cumprir as formalidades, é na verdade um enorme painel de possibilidades políticas, que pode alcançar a década de 2030, se a etapas forem cumpridas a contento. E a julgar pelo que vem mostrando, o secretário de Estado da Educação vem mostrando que conhece o roteiro e está disposto a encontrar o caminho das pedras.

Mas como ensinam os sábios da política, nada é fácil nesse jogo. Se está mesmo disposto a ser candidato a vice na chapa de Carlos Brandão, Felipe Camarão tem, de imediato, três desafios: ganhar a indicação do PT, obter o aval do governador Flávio Dino e seus aliados, e receber o “de acordo” do cabeça da chapa.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton perde aliados, mas deve montar estratégia para consolidar a base

Weverton Rocha: hora de estancar a sangria na base política da sua pré-candidatura

O senador Weverton Rocha (PDT) deve se reunir com o comando da sua pré-campanha para definir estratégias que possam estancar os focos de erosão da base política da sua pré-candidatura. Perdas recentes, como o prefeito de Cantanhede, Zé Martinho “Kabão”, filiado ao PDT, e o prefeito de Coroatá, Luís Filho, do PT, que haviam lhe declarado apoio, mas mudaram de posição, têm lhe causado não só desgaste político, mas também eleitoral. Os dois casos foram perdas significativas. “Kabão” é eleitoralmente forte em Cantanhede, e Luís Filho tem força para influenciar boa parte do eleitorado coroataense. Há alguns dias, o prefeito de Peritoró, Josué Pinho (PP), que semanas antes havia declarado apoio à sua candidatura, recebeu Carlos Brandão em clima festivo, indicando uma mudança de rumo. Chama a atenção o fato de o coordenador da sua pré-campanha, principal assessor político e vice-presidente do PDT, Erlânio Xavier, que preside a influente Famem, não tenha encontrado argumentos para manter os dois prefeitos como aliados do senador. Outro caso emblemático é o do ex-vereador de São Luís e ex-deputado estadual Jota Pinto (PDT), um bom operador de campanhas eleitorais na Ilha, que no final da semana anunciou sua saída do PDT para ingressar na base de apoio de Carlos Brandão. Político atento, que conhece bem esses movimentos, o senador Weverton Rocha, que garante estar no jogo como “foguete sem marcha à ré”, certamente conceberá um plano de reação.

 

Vereadores da Capital querem disputar cadeiras na Assembleia Legislativa

Osmar Filho e Marcial Lima na relação dos vereadores candidatos

Pelo menos uma dezena de vereadores de São Luís estaria se movimentando por uma cadeira na Assembleia Legislativa. O pré-candidato mais assumido da Casa é o presidente Osmar Filho (PDT), que integra a linha de frente do projeto de candidatura do senador pedetista Weverton Rocha, assim como os pedetistas Raimundo Penha e Nato Júnior, que muitos acreditam serão candidatos. Estariam também de olho em gabinete do Palácio Manoel Beckman nomes de peso, como Marcial Lima (Podemos), líder do prefeito Eduardo Braide (Podemos) na Câmara Municipal, que pode ter na chapa seu colega de partido Otávio Soeiro. Há quem diga que o experiente Chico Carvalho, hoje no comando do PROS, estaria propenso a tentar encerrar sua longa e movimentada carreira com um mandato estadual.  Esses e outros projetos de candidatura entre vereadores da Capital só serão confirmados depois do Carnaval.

São Luís, 14 de Dezembro de 2021.

Ainda sem partido, Roberto Rocha se movimenta para decidir se disputará o Governo ou o Senado

 

Roberto Rocha: o desafio de decidir o futuro como linha de frente de Jair Bolsonaro no Maranhão

O senador Roberto Rocha tem uma providência a tomar e uma escolha a fazer. Diretamente relacionadas com as eleições do ano que vem e, claro, com o seu futuro político, ambas estão em gestação. A providência: resolver a sua vida partidária, uma vez que continua membro do PSDB – o que lhe permitiu votar na prévia para a escolha do candidato tucano presidente, mesmo partidário declarado do presidente Jair Bolsonaro (PL) – ele está inclinado a ingressar no PL, que no Maranhão é comandado de maneira quase absolutista pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho. Já decidido a disputar um mandato majoritário, cuida agora escolher entre o Governo do Estado o Senado. No momento, conversa com vozes da Oposição, provavelmente procurando pontos de amarração para uma aliança que lhe dê suporte para enfrentar o (ou os) candidato governista. Mantém silêncio pétreo sobre o assunto.

Roberto Rocha é um político experiente, nascido em berço de articulações e amadurecido exercendo mandatos, todos obtidos com boas votações. Ao mesmo tempo, sempre surpreendeu pela imprevisibilidade em relação a filiação partidária, tendo no currículo uma considerável lista de partidos pelos quais passou, já tendo transitado num raio ideológico que começa na direita conservadora, no velho PDS, passando pelo centro (PMDB e PSDB), até alcançar a esquerda moderada como membro do PSB, de onde deu meia-volta, retornou ao centro (PSDB), podendo agora retroagir ainda mais se desembarcar no PL, símbolo da direita liberal e expressão máxima do Centrão. E deve fazê-lo como aliado linha de frente do presidente Jair Bolsonaro, voz-capitã da extrema-direita.

No que diz respeito ao mandato majoritário que pretende disputar, o senador Roberto Rocha só tem duas opções, que são as únicas disponíveis: ou encara a corrida ao Palácio dos Leões medindo força com o senador Weverton Rocha (PDT), o vice-governador Carlos Brandão – que na verdade disputará a reeleição como governador -, o ex-prefeito de João Luís Edivaldo Holanda Jr. e o prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PTB). E se for para outro partido, a lista de concorrentes poderá incluir Josimar de Maranhãozinho, com quem provavelmente dividirá espaço no PL. Como se vê, se a escolha for concorrer ao gabinete principal do Palácio dos Leões – onde o seu pai, Luiz Rocha, deu as cartas durante quatro anos (1983/1987) -, enfrentará um time de candidatos fortes, com chances reduzidas de chegar lá.

E se a sua opção for por pelo Senado, será candidato à reeleição para a única vaga a ser colocada em disputa, e com o desafio de enfrentar ninguém menos que o governador Flávio Dino (PSB), um adversário muito – mas muito mesmo – difícil de ser batido.

Vale registrar que as hipóteses levantadas e os cenários rascunhados são frutos das observações do momento político que o Maranhão está vivendo, que exibe certo grau de previsibilidade. É oportuno também assinalar que tais observações são feitas a 40 semanas das eleições, um espaço de tempo considerável, ao longo do qual, em tese, muita coisa pode acontecer, dependendo do grau de estabilidade do desenho político. No caso maranhense, as posições governistas são bem mais fortes e estáveis do que as oposicionistas, com margem reduzida para reveses, tanto na disputa para o Governo do Estado quanto na corrida ao Senado da República. Outro registro cabível é o desempenho mediano do senador nas pesquisas publicadas até agora.

É nesse contexto que o senador Roberto Rocha terá de se situar e se movimentar na guerra pelo voto, e ainda por cima carregando o que até aqui tem a forma e o peso de um enorme fardo, a candidatura do presidente Jair Bolsonaro à reeleição, marcada por forte e, ao que parece, irreversível rejeição.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Camarão deixa a corrida aos Leões, mas sai com robusto cacife político

Felipe Camarão: projeto arrojado e efêmero produziu lucro político

O secretário Felipe Camarão (Educação) decidiu arquivar seu efêmero, mas estridente e rumoroso, projeto de sair candidato do PT ao Governo do Estado. A decisão foi tomada depois que o governador Flávio Dino bateu martelo em apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB). Com a movimentação, Felipe Camarão deu um show de argúcia política, conseguindo, em pouco tempo, criar uma situação que lhe abriu as portas para uma candidatura promissora à Câmara Federal, uma seara onde a disputa será renhida pelo poder de fogo político e eleitoral de parte dos pré-candidatos, a começar pelos atuais membros da bancada, alguns do quais são pesos pesados, e de interessados, como a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), por exemplo. Depois de surpreender ao migrar do DEM para o PT, onde foi recebido como uma estrela, Felipe Camarão surpreendeu o mundo ao se lançar candidato a candidato do PT ao Governo do Estado. Nos meses em que sustentou o projeto, ocupou todos os espaços, mexeu com os demais pré-candidatos e sacudiu o seu próprio partido, que chegou a considerar a confirmação do projeto de candidatura. A reunião do dia 29 de novembro, porém, tirou o trem neopetista dos trilhos e tornou inviável a rota pretendida. Felipe Camarão entrou forte nessa jogada e saiu mais forte ainda, tendo praticamente consolidado os espaços políticos para trabalhar sua candidatura a deputado federal, ganhando de quebra a estatura de um bom nome do PT para a vaga de candidato a vice-governador.  Coincidência ou não, sua primeira manifestação como ex-candidato a candidato foi uma declaração de apoio ao vice-governador Carlos Brandão.

 

Othelino Neto aproveitou como raposa a boa provocação de Márcio Jerry

Othelino Neto: tirando proveito da boa provocação de Márcio Jerry

Se tirou o fim de semana para descansar – o que é improvável -, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), o fez em estado de graça e com a autoestima em alta. Motivo: ele foi a personagem política da semana, tendo ocupado todos os espaços do mapa político maranhense desde que o presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, sugeriu seu nome para candidato a vice na chapa liderada pelo vice-governador Carlos Brandão. Nada nesse jogo teria sido tão oportuno e estimulante ao presidente da Assembleia Legislativa nesse momento. E com muita habilidade, jogando como uma raposa tarimbada, ele transformou o fato em gás político e eleitoral. Para começar, respondeu com leveza à saudável provocação do igualmente hábil Márcio Jerry, recusando a sugestão sem dizer não nem fechar portas. Ao mesmo tempo, cuidou de reafirmar sua participação no projeto de candidatura do senador Weverton Rocha ao Governo do Estado, sinalizando claramente que ela é irreversível, aconteça o que acontecer. Mas, como sentenciam as velhas e sábias raposas, declaração política é feita para não valer muito tempo, principalmente em momentos de definição como agora. O diferencial é que, sem fazer estardalhaço, Othelino Neto usou com inteligência a provocação feita por Márcio Jerry, que também saiu por cima com a repercussão do gesto.

São Luís, 12 de Dezembro de 2021.

 

PT abre guerra doméstica pelo poder e atrai sombras ao seu projeto de poder

 

Francimar Melo (camisa verde) assumirá a presidência do PT maranhense no lugar de Augusto Lobato (camisa azul ao seu lado) a partir de 1º de Janeiro, em 20 dias

O comando nacional do PT decidiu fazer valer um acordo firmado na eleição da direção estadual do partido, que obriga o atual presidente, Augusto Lobato, a dividir o mandato de quatro anos com seu adversário na disputa, Francimar Melo, assegurando que o novo presidente assuma o comando do braço maranhense da agremiação no dia 1º de janeiro de 2022, ou seja, daqui a três semanas. A consumação dessa medida pode promover uma guinada radical na posição do PT em relação à corrida para o Governo do Estado. Isso porque, enquanto o atual presidente vem mantendo a declaração de apoio à pré-candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB, podendo migrar para o PSB), o seu sucessor está avisando, em alto e bom som, que vai abrir discussão sobre candidaturas ao Governo do Estado, usando o argumento segundo o qual o partido tem um pré-candidato, Felipe Camarão, cujo projeto não deve ser descartado. E tudo isso com o partido sendo a base do ex-presidente Lula da Silva, o pré-candidato mais bem situado nesta fase da corrida ao Palácio do Planalto.

A verdade é a seguinte: se já vinha fervendo internamente por conta das profundas divisões que o mantêm em constante ebulição, a súbita troca de comando, com a ascensão de uma corrente então afastada do poder, pode mergulhar o PT maranhense numa crise de desfecho imprevisível no que diz respeito à corrida sucessória. Primeiro porque o novo comando pode desfazer o compromisso assumido com o vice-governador Carlos Brandão, para reabrir o debate interno sobre candidatura, colocando o projeto de Felipe Camarão na abertura da sua lista de prioridades, podendo também criar um ambiente que possa favorecer o pré-candidato do PDT, senador Weverton Rocha.

O braço maranhense do PT, que tem seu núcleo básico formado por grupos das suas diversas correntes, não é um partido der fácil relacionamento. As correntes que lhe dão vida têm posições diferentes acerca da sucessão estadual, o que torna difícil, quase impossível mesmo, uma tomada de posição unanime e tranquila sobre quem apoiar para trabalhar no Palácio dos Leões. E o caldo pode ser ainda mais entornado se prevalecer o projeto do novo presidente de reabrir o debate interno sobre candidatura ao Governo do Estado, criando o risco de prejudicar a boa articulação da agremiação em relação ao apoio à candidatura presidencial do partido. A impressão que o partido passa é de que o ex-presidente Lula da Silva não precisa de partido para manter a condição de favorito, segundo as pesquisas.

Um dos problemas internos é que não há consenso sobre a contrapartida ao seu apoio, cujo pacote o inclui, entre outros nos itens, o precioso apoio de Lula da Silva ao candidato do partido escolhido ao Governo do Estado, e um bom tempo de rádio e TV na propaganda eleitoral, que tem o valor de ouro em pó no “mercado” eleitoreiro, e a participação da sua militância, que é reconhecidamente aguerrida. Daí a voz dominante do partido pregar a indicação do vice ao candidato que vier a ter o apoio do partido. E muito provavelmente é o que pretende o novo comando petista quando mantém de pé o projeto de candidatura do secretário Felipe Camarão. Isso porque, segundo corre nos bastidores, ele teria sinalizado estar aberto a conversar nesse sentido, deixando claro que que qualquer decisão tem de passar pelo governador Flávio Dino.

Os atuais líderes do PT, incluindo o vai assumir a presidência no primeiro dia do ano que vem, sabem que tudo o que o partido não precisa agora é de uma crise que amplie e aprofunde ainda mais as diferenças que desgastam sua saúde política. O seu projeto de levar Lula da Silva de volta ao poder é grande demais para ser arranhado por uma guerrinha doméstica.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Investigações sobre Maranhãozinho pode levar a prefeitos por ele apoiados

Júlio Mato

As investigações que revelaram o grande esquema financeiro do deputado federal e chefe do PL maranhense Josimar de Maranhãozinho colocaram em estado de alerta vermelho os prefeitos eleitos com sua ajuda, entre eles Júlio Matos, de São José de Ribamar. Todas as evidências sugerem que Júlio Matos estava, é certo, em condições eleitorais de vencer o pleito, mas precisava de recursos para movimentar a máquina de apoio. Josimar de Maranhãozinho foi decisivo nesse suporte, bancando parte expressiva da campanha com a sua poderosa engrenagem financeira. Pelo que está sendo revelado, é quase certo que as investigações conduzirão aos beneficiários direto das injeções financeiras na campanha, o que coloca Júlio Matos na linha de frente desse time.

 

Parte dos prefeitos do Republicanos se move para apoiar Carlos Brandão

Cléber Verde

Não seria tranquilo de todo o clima nas entranhas do Republicanos, cujo presidente, deputado federal Cléber Verde, declarou apoio ao pré-candidato a governador Weverton Rocha (PDT). Boa parte dos 25 prefeitos do partido, porém, foi eleita com o apoio do vice-governador Carlos Brandão, então filiado ao partido, tendo migrado depois para o PSDB. Agora, uma parte desses está se movimentando no sentido de apoiar o vice-governador na corrida aos Leões, a exemplo do prefeito de Caxias, Fábio Gentil, que não esconde sua posição. Não há um movimento organizado nem se sabe exatamente quantos prefeitos eleitos pelo Republicanos estão nessa situação. Mas é sem dúvidas uma fatia expressiva. Tarimbado nesse jogo e avesso a crises, o presidente Cléber Verde cuida do assunto com a máxima discrição.

São Luís, 11 de Dezembro de 2021.

Weverton se movimenta para chegar ao final de janeiro com pré-candidatura turbinada

 

Weverton Rocha falando em uma das várias edições do projeto “Maranhão mais feliz”, base da sua pré-campanha, que pretende reforçar até o final de janeiro

Os intensos movimentos feitos recentemente para fortalecer o projeto de candidatura do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) tiveram impacto forte no tabuleiro onde se movem as pedras para a sucessão do governador Flávio Dino (PSB), mas não causaram estrago maior na base do projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT). Em meio à repercussão da iniciativa do presidente do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, de sugerir o nome do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, que é do seu partido, para companheiro de chapa do vice-governador, o senador pedetista reafirmou seu projeto e avaliou que o grupo básico de apoio à sua pré-candidatura permanece unido. Sem se manifestar explicitamente sobre movimentos de Carlos Brandão, Weverton Rocha deixou claro, em momentos diversos, que sua pré-candidatura está de pé, com o mesmo apoio, e se tornou irreversível.

– Sou muito orgulhoso de contar com o apoio de uma senadora (Eliziane Gama [Cidadania]), presidentes de partidos (deputados federais Cléber Verde [Republicanos], Juscelino Filho [DEM] e André Fufuca [Progressista]) deputados federais, deputados estaduais e do presidente da Assembleia. E o mais importante, esse projeto tem a preferência do povo do Maranhão, que é quem decidirá o futuro do nosso estado – declarou o pré-candidato pedetista, num aviso claro de que está firme no jogo sucessório.

Além da base política e partidária, que avalia como densa e sólida, Weverton Rocha sustenta o argumento de que está no páreo motivado pelos números das pesquisas sobre a corrida sucessória divulgadas até aqui, nas quais ele só perde em intenções de voto para a ex-governadora Roseana Sarney (MDB), e nos cenários em que ela não é incluída, o senador assume a liderança, com diferenças fora da margem de erro sobre os demais concorrentes: Carlos Brandão, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), Roberto Rocha (a caminho do PL), Lahesio Bonfim (PTB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Felipe Camarão (PT) e Simplício Araújo (SD). Na média das pesquisas, o senador Weverton Rocha aparece com percentuais de intenção de voto superiores a 20%, ficando os três primeiros da relação disputando a segunda colocação. Vale lembrar os elevados percentuais “nenhum”, “não sabe” e “não respondeu”, o que indica que a disputa está em aberto.

Weverton Rocha aposta alto nas articulações e movimentos que fará nas próximas semanas, projetando chegar turbinado ao final de janeiro, quando os líderes do grupo governista sentarão para decidir sobre a amarração final da candidatura que os representará na corrida às urnas. Nesse sentido, ela trava uma guerra dura, difícil, de desfecho imprevisível, mas, reconheça-se, politicamente civilizada, sem ataques pessoais nem pugilato verbal com o vice Carlos Brandão, que também mantém a postura correta. O senador e seus aliados estão confiantes de que chegarão à hora da decisão com sua pré-candidatura consolidada, pronta para receber o apoio da maioria do grupo partidário. Não há, porém, dentro do grupo que o apoia, a convicção de que ele consiga reverter a tendência criada com o apoio declarado do governador Flávio Dino ao vice-governador, o que leva muitos deles a admitir o líder pedetista está se preparando para o embate direto com Carlos Brandão.

Parte do trabalho de fortalecimento do projeto eleitoral de Weverton Rocha está desafio de estancar focos de crise na sua base partidária, como, por exemplo, a tensão que vem dominando o Cidadania, cuja executiva estadual decidiu não seguir a senadora Eliziane Gama, que o apoio, para aliar-se a Carlos Brandão. Forjado no jogo pesado do movimento estudantil e nas duras batalhas da Juventude do PDT com o MDB Jovem nas ruas de São Luís, o senador sabe que tem um grande desafio pela frente, e tem mostrado que está disposto a encará-lo, confiante de que pode vencê-lo, mas ciente de que corre o risco de sofrer um duro golpe na sua bem-sucedida carreira política.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Vice: Othelino Neto usa habilidade para recusar sugestão de Márcio Jerry

Ao lado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do procurador gera de Justiça, Eduardo Nicolau, Carlos Brandão e Othelino Neto participaram ontem, em clima descontraído, da abertura do 11º Congresso do Ministério Público cujo tema é adequado à realidade do Brasil: “O Ministério Público na Promoção das Liberdades Democráticas”

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto, usou toda a sua polidez política para recusar a sugestão feita pelo presidente do seu partido, o PCdoB, deputado federal Márcio Jerry, para que ele seja companheiro de chapa do vice-governador Carlos Brandão (PSDB) na corrida ao Governo do Estado. Sem se referir ao fato em si, o parlamentar usou suas redes sociais para reafirmar seu ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT).

Político já tarimbado, que começa a viver a maturidade nesse campo minado de sutilezas que podem alavancar e enterrar projetos de poder, Othelino Neto respondeu a Márcio Jerry sem fechar todas as portas. Ele sabe, com clareza solar, que o fato de pertencer aos quadros do PCdoB é um dado limitador dos seus movimentos. Mas sabe também que, tome a posição que tomar, não será hostilizado dentro da agremiação comunista. Mas também não parece interessado em alimentar a condição de peça destoante num partido cujas decisões são sempre unânimes. Daí a possibilidade de ele migrar para o PDT.

Os políticos de raiz costumam dizer que em política não é surpresa boi voar. Conhecedor profundo do assunto, o advogado Sálvio Dino, pai do governador Flávio Dino, costumava acrescentar que na política do Maranhão boi voa de asa quebrada. De agora até as convenções partidárias de julho, tendo como escala a abertura da janela partidária em março muita água no leito da corrida sucessória.

 

Sarney renova carteira da OAB e diz que sua maior causa foi redemocratizar o Brasil

José Sarney presta juramento como advogado ao receber carteira renovada da OAB

“Eu tive um cliente [a população brasileira] que me deu uma causa, que foi redemocratizar o Brasil”, declarou ontem o ex-presidente José Sarney (MDB) no ato de renovação da sua carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na sede da instituição. A carteira, de nº 279, a segunda mais antiga do Maranhão, lhe foi entregue pelo atual presidente da OAB/MA, Thiago Diaz, na presença de conselheiros e advogados, entre eles o decano da advocacia maranhense, Valeriano Américo de Oliveira.

Não foi uma frase ilustrativa do momento, mas uma declaração com força histórica, exatamente por traduzir fielmente o papel de liderança que ele exerceu no processo de redemocratização. Quando assumiu no lugar do presidente eleito Tancredo Neves (PMDB), de quem era vice, Sarney encontrou o país mergulhado na mais absoluta incerteza quanto ao futuro. A democracia estava de volta, um governo civil, eleito indiretamente, mas dentro das regras vigentes, havia sido instalado; ao mesmo tempo, forças reacionárias, que queriam a manutenção da ditadura, se movimentavam tentando inflamar os quartéis, onde muitos não se conformavam com a perda do poder.

Político de centro-direita convicto, de formação liberal, José Sarney usou toda sua habilidade, paciência e tolerância na administração da crise que se desenhava, e aos poucos foi acalmando o ambiente e consolidando a transição, que consumou com a eliminação dos mecanismos de exceção, restaurando as liberdades civis, como a partidária, e a convocando a Assembleia Nacional Constituinte, tirando, por exemplo, o PCdoB da clandestinidade. Foi graças à sua visão política e ao seu traquejo que a Nova República foi consolidada com a promulgação da nova Constituição, devolvendo aos brasileiros o estado democrático de direito e iniciando um novo e decisivo momento na sua História, infelizmente hoje ameaçado por adoradores da ditadura hoje instalado no poder.

Em Tempo: Não é só a carteira da OAB atualizada que orgulha o ex-presidente José Sarney. Ele também faz questão de renovar periodicamente a sua carteira de Jornalista, que atualiza a cada biênio, ora por meio do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, ora por na Federação Nacional dos Jornalistas, em Brasília.

São Luís, 10 de Dezembro de 2021.