Todos os posts de Ribarmar Correa

A 120 dias das eleições, corrida ao Palácio dos Leões desacelera e entra em “banho maria”

 

Carlos Brandão e Weverton Rocha estão na frente, seguidos de Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim, e de Simplício Araújo, Enilton Rodrigues e Hertz Dias, que não conseguem sair do ponto de partida

Faltando exatos 120 dias para as eleições, o quadro da disputa pelo Governo do Maranhão encontra-se num momento de “banho maria”. São sete pré-candidatos, estando o governador Carlos Brandão (PSB) e o senador Weverton Rocha (PDT) brigando pela dianteira; o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Jr. (PSD) e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio (PSC) travando uma guerra de vida ou morte no campo intermediário pela terceira colocação, e o suplente de deputado federal Simplício Araújo (Solidariedade), Enilton Rodrigues (PSOL) e Hertz Dias (PSTU) estacionados no ponto de partida, aparentemente sem condições de absorver gás para arrancar em busca de uma posição menos incômoda. O foco principal, claro, está na disputa pela cabeça, que de acordo com a última pesquisa, realizada no início de maio, há cerca de um mês, portanto, a vantagem estava com o governador Carlos Brandão, tendo ele interrompido a liderança do senador Weverton Rocha. E num segundo plano, as atenções estão voltadas para o embate entre Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim, tendo o primeiro aparecido na última pesquisa com uma vantagem mínima sobre o segundo, dentro da margem de erro, ou seja, uma situação absolutamente indefinida.

No início de maio, o governador Carlos Brandão conseguiu definir sua chapa, confirmando o advogado Felipe Camarão (PT) como vice, enquanto o ex-governador Flávio Dino (PSB) confirmou sua pré-candidatura a senador, inclusive preenchendo a vaga de primeiro suplente com a vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PCdoB). A definição antecipada foi apontada como um ganho político importante para o governador, que então mais à vontade para buscar suporte político e eleitoral ao seu projeto de reeleição. A chapa Brandão/Dino ganhou o peso político que esperava com a confirmação da aliança PSB/PT, com o aval do ex-presidente Lula da Silva, líder folgado na corrida presidencial, com vantagem excepcional no Maranhão, onde sua campanha será coordenada pelo ex-governador Flávio Dino. Por conta de uma cirurgia no rim, Caros Brandão, suspendeu temporariamente sua pré-campanha.

No contrapeso, o senador Weverton Rocha não se abalou com a perda de suporte político dentro da aliança governista e, sem perder tempo, consolidou o rompimento com o grupo que o fez senador em 2018, e foi buscar munição política e suporte eleitoral na seara adversária. Seu primeiro passo foi romper declaradamente com o ex-governador Flávio Dino, e no mesmo impulso tornar mais agressiva sua disputa comum o governador Carlos Brandão. Numa guinada surpreendente, Weverton Rocha bandeou-se para o campo bolsonarista, primeiro engrossando, junto com seus apoiadores mais próximos, as fileiras da pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição, de quem foi inimigo declarado. Em seguida firmando uma aliança com o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL), entregando-lhe a vaga de pré-candidato a vice, para a qual o chefe maior do bolsonarismo no Maranhão indicou o seu fiel escudeiro, o deputado estadual Hélio Soares (PL). Com a ausência temporária de Carlos Brandão, Weverton Rocha aproveitou para intensificar sua campanha, inclusive em São Luís.

O embate entre Edivaldo Jr., lastreado por dois mandatos bem-sucedidos na Prefeitura de São Luís, e Lahesio Bonfim, que tem como lastro um mandato e meio igualmente bem-sucedido de prefeito de São Pedro dos Crentes, pela terceira colocação no ranking das preferências na verdade tem como objetivo principal alcançar e tomar o lugar do atual segundo colocado, o senador Weverton Rocha. Assim como o governador e o senador, os ex-prefeitos trabalham com a ideia de dois turnos, acreditando, cada um ao seu modo, e com base nos números de agora, ter condições enfrentar o governador Carlos Brandão, no round final da corrida ao Palácio dos Leões. Embora ainda seja cedo para cravar uma visão definitiva, não é exagero registrar que os três pré-candidatos restantes não deram até agora sinais de que ainda podem largar.

O período junino servirá a todos os pré-candidatos como um período especial para pedir votos, mas o jogo para valer só será jogado mesmo quando o governador Carlos Brandão retomar sua pré-campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Flávio Dino mantém fogo cerrado contra o ´orçamento secreto`

Flávio Dino: crítico implacável do  “orçamento secreto” criado no Congresso Nacional

O ex-governador Flávio Dino (PSB) avança para se tornar um inimigo implacável do chamado “orçamento secreto”, por meio do qual deputados federais e senadores usam bilhões de reais de recursos orçamentários em emendas que não precisam ser identificadas. Para ele, “o orçamento é secreto, mas o roubo é público”. Trata-se, na sua avaliação, de “uma estranha e nova equação implantada no Brasil”.

Flávio Dino tem usado as redes sociais e eventuais entrevistas para manter uma crítica severa ao polêmico instrumento parlamentar de manipulação de recursos públicos, convencido de que muito dinheiro está sendo desviado por essa brecha sem regra clara.

Em um dos posts mais recentes sobre o assunto, o ex-governador bateu forte: “Todos os dias são revelados escândalos do tal ´orçamento secreto`, que é inconstitucional, ilegal e imoral”. E avisou, a quem interessar possa: “Se chegar ao Senado, lutarei pelo fim dessa invenção e jamais usarei dinheiro de ´orçamento secreto`.

A julgar pelo que têm dito as pesquisas sobre a corrida à única vaga em disputa na Câmara Alta nessas eleições, o chamado ´orçamento secreto` vai ganhar um inimigo implacável, que conhece as regras do jogo e sabe o que fazer para varrê-lo da vida pública nacional.

 

MDB maranhense pode deixar Lula se Simone Tebet decolar

Se decolar, Simone Tebet poderá contar com José Sarney e Roseana Sarney

É de expectativa o clima no braço maranhense do MDB em relação à disputa para a presidência da República. O que restou do chamado Grupo Sarney, incluindo o ex-presidente José Sarney, que é presidente de honra do partido no plano nacional, e a ex-governadora Roseana Sarney, que preside o partido no estado, está dividido. O grupo maior, controlado pelos dois líderes, mantém, agora mais discretamente, o projeto de apoiar a candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT), enquanto outra banda, bem menor, da qual participa, por exemplo, o deputado federal Hildo Rocha, avaliza a ainda instável aliança MDB/PSDB/Cidadania em torno da senadora emedebista Simone Tebet. Tudo pode mudar se a aliança partidária for confirmada e a senadora mato-grossense consolidar seu projeto de candidatura e decolar nas intenções de voto, criando, por exemplo, poder de fogo para desbancar Ciro Gomes (PDT) do terceiro lugar. Nesse caso, José Sarney e Roseana Sarney poderão respaldaras aposta do MDB.

São Luís, 03 de Junho de 2022.

Velten assume garantindo estabilidade institucional e interinidade sem sobressaltos nem rupturas

 

Governador interino, Paulo Velten entrega título de propriedade a moradora da Vila Palmeira, acompanhado do chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira (d)

“Estou aqui para dar sequência às ações do Governo, assegurar a estabilidade institucional, o perfeito funcionamento da máquina administrativa, sem sobressaltos, sem rupturas. Esse é o nosso propósito”. Feita pelo desembargador Paulo Velten, presidente do Tribunal de Justiça, ao assumir ontem, interinamente, o Governo do Estado, para cobrir a licença de 10 dias pedida pelo governador Carlos Brandão (PSB), que convalesce de uma cirurgia, a declaração chamou a atenção por ser, ao mesmo tempo, um compromisso institucional e um posicionamento político. Foi um complemento ao que dissera, minutos antes, o secretário-chefe da Casa Civil, o experiente militante político Sebastião Madeira, para quem a posso do chefe do Poder Judiciário no comando interino do Poder Executivo: “Estamos aqui em um ato de absoluta normalidade democrática. O presidente do Tribunal de Justiça aqui, com todo o direito e todas as honras, assume o Governo do Estado”. O compromisso institucional assumido pelo governador interino e a normalidade democrática observada pelo chefe da Casa Civil deram a medida da maturidade institucional e da estabilidade política que o Maranhão está vivendo, mesmo no contexto de um clima de crise gerado pelos arroubos antidemocrático do presidente Jair Bolsonaro (PL).

A primeira frase do já governador interino Paulo Velten começou com o compromisso de “dar sequência” às ações do governo, e continuou garantindo a “estabilidade institucional”, tendo os dois focos o objetivo de garantir o “perfeito funcionamento da máquina administrativa”, e mais do que isso, “sem sobressaltos, sem rupturas”. Falaram, ao mesmo tempo, o magistrado culto e consciente que comanda a máquina judiciária estadual e o político que todo homem público da sua estatura tem guardado, que que só ganha evidência em situações como a de agora. O seu discurso foi dirigido a uma plateia formada por magistrados – entre eles o desembargador Ricardo Duailibe, que assumiu interinamente a presidência do TJ -, e secretários de Estado e servidores do topo da hierarquia funcional do Poder Executivo, além, claro, de seus familiares.

A julgar pelos seus movimentos e declarações, Paulo Velten pareceu ter-se sentido tão ou mais à vontade na condição de governador do Estado do que sob o peso da toga reluzente de desembargador. E deixou claro que não avançará um milímetro além da condição de interino – mesmo tendo plenos poderes -, mas que também não será um substituto eventual deslumbrado com os encantos e os mimos do mais poderoso cargo público do Maranhão. Tanto que não titubeou no seu o primeiro compromisso externo, Vila Palmeira, ontem comandou a entrega de 250 títulos de regularização fundiária e a distribuição de uma tonelada de pescados a famílias carentes.

– É uma sequência importante que o Governo do Estado tem dado para a regularização fundiária no Maranhão inteiro. Essa política acalma a cidade, traz uma importante função social de acolhimento, de organização da urbanização, sem falar que o cidadão passa a contar com um importante ativo financeiro – disse no seu discurso. Ele mostrou que se inteirou cuidadosamente do assunto e turbinou a abordagem com a sua visão de magistrado com formação política, principalmente quando assinalou que “essa política acalma a cidade”. Como magistrado, Paulo Velten tem noção muito clara e abrangente dos problemas que afetam comunidades periféricas, sendo as distorções fundiárias um dos mais graves.

O fato é que no primeiro dos dez dias da sua interinidade no comando no Governo do Estado, o desembargador Paulo Velten deu clara demonstração de que o Poder Executivo está em mãos conscientes e confiáveis. Isso significa dizer que o governador Carlos Brandão pode cuidar da sua saúde em paz, recarregando suas baterias o suficiente para enfrentar adversários sedentos de poder. Os sinais indicam os quatro meses que faltam para a corrida às urnas serão marcados por embates duros e decisivos.

PONTO & CONTRAPONTO

 

Brandão divulga mensagem dizendo que está bem e que participará do São João

Carlos Brandão convalesce de cirurgia em São Paulo

Em meio a uma marola de interrogações criada por adversários, para colocar em dúvida as informações sobre o seu estado de saúde, o governador licenciado Carlos Brandão (PSB) divulgou ontem uma mensagem na qual ele coloca as coisas nos seus devidos lugares. Do Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, onde encontra-se internado, ele disse o seguinte:

“Olá meus amigos e minhas amigas do Maranhão. Como vocês estão acompanhando pelas redes sociais, eu tive de vir a São Paulo fazer uma pequena cirurgia, uma cirurgia preventiva. A cirurgia foi um sucesso. Estou aqui sendo acompanhado por médicos que já me acompanham há muitos anos. Estou cumprindo agora o protocolo, o pós-operatório, que é um pouquinho chato e demorado. Mesmo assim, estou acompanhando tudo, pela internet e pelo telefone. Ontem mesmo fiz uma reunião com todos os secretários, e pudemos colocar muita coisa em dia. Portanto, estou acompanhando tudo de perto, fazendo o que mais gosto: gestão e política. Quero dizer para vocês que estou com muita saudade, em especial ao povo maranhense, que eu adoro, um povo que me dá energia quando eu o abraço, quando o olho nos olhos. Em breve estarei com vocês. E podem ter certeza: participando do maior São João do Brasil, que está sendo um sucesso. Gente, um grande abraço e obrigado pelas orações, obrigado por todo o apoio e pelas mensagens de solidariedade”.

A aparência pouco alterada e a firmeza das suas declarações, inclusive avisando que retornará ao Maranhão a tempo de participar do “maior São João do Brasil” e, claro, da pré-campanha pelo voto, mostraram que os criadores da marola exageraram na dose e perderam tempo.

 

Edivaldo Jr. muda estratégia e parte para o corpo-a-corpo numa pré-campanha mais agressiva

Edivaldo Jr. com Camila Holanda, faz corpo-a-corpo em feira de Itapecuru Mirim

O ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD) parou fez as contas e decidiu sair a campo com uma pré-campanha mais agressiva e intensa na corrida ao Governo do Estado. Tem dois objetivos imediatos. O primeiro é desgarrar-se do pré-candidato do PSC, Lahesio Bonfim, com quem divide a terceira colocação, segundo as pesquisas mais recentes, e ganhar força para alcançar e ultrapassar o senador Weverton Rocha (PDT), que está brigando na cabeça com o governador Carlos Brandão (PSB). Ele abandonou a estratégia inicial de visitar municípios reunindo-se com líderes em locais fechados e adotou o corpo-a-corpo, distribuindo panfletos e conversando diretamente com os eleitores nas ruas. E com um dado novo: a companhia da mulher, Camila Holanda, jovem, ativa e conhecida como o seu mais entusiasmado cabo eleitoral. Adotou a nova estratégia sábado passado em Bacabal, e deu continuidade esta semana, em Itapecuru Mirim, levando o propósito de percorrer o Maranhão nos próximos dois meses.

São Luís, 02 de Junho de 2022.

Velten substitui interinamente Brandão em processo que mostra maturidade das instituições maranhenses   

 

Paulo Velten assume o Governo na licença de Carlos Brandão

Diferentemente do que acontece no plano federal, onde a relação entre os Poderes está sendo marcada pela tensão, esta causada pela postura antidemocrática do presidente da República, no Maranhão os Poderes do Estado alimentam há tempos uma convivência dentro dos princípios estabelecidos pela Constituição Maranhão. Exemplo maior disso é a normalidade com que se dá a substituição temporária do governador Carlos Brandão (PSB), que por causa de uma cirurgia no rim, foi obrigado a licenciar-se por 10 dias, período em que o comando do Poder Executivo será exercido pelo recém empossado presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten. Pela ordem da cadeia sucessória, o substituto imediato do governador, que não tem vice, é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), mas por conta das exigências da legislação eleitoral, ele preferiu se ausentar do estado, para não ser obrigado a assumir e perder o direito de candidatar-se à reeleição para a Assembleia Legislativa. O desembargador Paulo Velten inicia hoje o dia passando a presidência do Tribunal de Justiça ao seu 1º vice, desembargador, para assumir o Poder Executivo com plenos poderes, conforme estabelece a Carta Magna do estado.

A substituição temporária de governador é uma prova de que o Maranhão alcançou a maturidade institucional desde que os chefes do Poder Executivo estadual voltaram a ser escolhidos pelo voto direto, na década de 1980 do século passado, mais efetivamente a partir de 1987, com o governador Epitácio Cafeteira, que teve como vice João Alberto. João Alberto assumiu várias vezes, sendo o período mais longo uma viagem de duas semanas que Epitácio Cafeteira fez à Coréia do Sul, chefiando uma missão comercial àquele País na condição de embaixador plenipotenciário., nomeado pelo então presidente José Sarney. Com a saída de Epitácio Cafeteira, em 1990, para disputar o Senado, João Alberto se tornou governador efetivo. Durante seu governo de 11 meses, ele foi substituído temporariamente pelo então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Carlos Braide – pai do atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide – e pelo então presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Emésio Araújo.

Os governadores que se seguiram foram substituídos eventualmente pelos seus vices, embora tenha havido casos de rompimento político entre eles. José Ribamar Fiquene substituiu várias vezes o governador Edison Lobão, assumindo em definitivo quando titular saiu para disputar o Senado em 1994. A governadora Roseana Sarney teve uma boa relação com o vice, João Alberto, no primeiro mandato (1995/1998), tendo ele assumido várias vezes. Mas a convivência com José Reinaldo Tavares, vice do segundo mandato (1999/2002), foi tumultuada, chegando tempos depois ao rompimento, logo após o escândalo da Lunus, quando ela saiu para disputar o Senado, depois de amargar o fracasso do seu projeto de disputar a presidência da República. José Reinaldo (2002/2006) teve uma relação muito tumultuada com seu vice, o jovem Jurandir Filho, que chegou a ser impedido à força de entrar no seu gabinete no Palácio Henrique de la Rocque.

Não houve tensão entre o governador Jackson Lago (2007/2009), e seu vice, Luís Carlos Porto, que assumiu três vezes durante os dois anos de duração do Governo. O mesmo se deu com Roseana Sarney e João Alberto (2009/2010), período em que João Aberto assumiu várias vezes, sendo que em três ocasiões se afastou para dar vez ao deputado Marcelo Tavares, então presidente do Poder Legislativa, e ao deputado estadual Marcos Caldas, que assumiu na mesma condição. No seu último mandato, Roseana Sarney abriu a vaga várias vezes para seu vice, Washington Oliveira, que comandou o Governo e renunciou em 2014 para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado, tendo ela permanecido no cargo até dezembro daquele ano, quando passou o cargo ao então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Arnaldo Melo, que fechou o mandato.

O governador Flávio Dino teve relacionamento de excelência com seu vice, Carlos Brandão, a quem passou o comando do Estado em várias ocasiões ao longo de sete anos e três meses, quando renunciou para se candidatar ao Senado, enquanto seu sucessor, agora na condição de titular, tenta a reeleição. Ao longo dos dois mandatos, por circunstâncias diversas, a pedido de Flávio Dino, Carlos Brandão se afastou para dar vez ao então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Humberto Coutinho, e aos presidentes do Tribunal de Justiça, desembargadores José Joaquim Figueiredo dos Anjos e Lourival Serejo.

A chegada, hoje, do desembargador-presidente Paulo Velten ao comando do Poder Executivo, autorizado pela Assembleia Legislativa para substituir interinamente o governador Carlos Brandão, ainda que numa circunstância decorrente de um problema de saúde, é a continuidade de um processo de amadurecimento das instituições democráticas no Maranhão.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tão logo assuma, Paulo Velten cumprirá intensa agenda na Ilha

Paulo Velten deixará temporariamente o Palácio da Justiça, onde trabalha,  para despachar no Palácio dos Leões

Ao assumir oficialmente o Governo do Estado, o desembargador Paulo Velten cumprirá uma intensa agenda de compromissos dentro e fora do Palácio dos Leões, mas todos na Ilha de Upaon Açu. Seu primeiro movimento será reunir o staf palaciano, que é comandado pelo chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, para dar e receber orientações sobre o funcionamento do governo. Após essa reunião de trabalho, às 10h, o governador interino Paulo Velten se deslocará para o bairro Vila Palmeira, onde entregará títulos de regularização fundiária. Após o almoço, às 14h, o chefe do Executivo irá à Raposa, onde presidirá o ato de inauguração do Colégio Militar Tiradentes XII, após o que visitará obras do Governo em andamento no município. Por volta das 17h30, já de volta a São Luís, participará da cerimônia de posse do novo defensor público geral do Estado, Gabriel Soares.

 

Glaubert Cutrim fica no comando da Assembleia até o retorno de Othelino Neto

Glaubert Cutrim comandará a Assembleia Legislativa na ausência de Othelino Neto

O presidente da Assembleia Legislativa, Othelino Neto (PCdoB), ausentou-se do Maranhão, para não ser obrigado assumir o Governo do Estado. A explicação é simples: de acordo com a legislação eleitoral, se ele assumir nesse período, só poderá se candidatar a governador, perdendo o direito de tentar renovar seu mandato parlamentar, que é o seu objetivo maior. Na sua ausência, o comando da Assembleia Legislativa ficou o 1º vice-presidente, deputado Glaubert Cutrim (PDT), que comandou a sessão em que o parlamento estadual aprovou o pedido de licença de 10 dias formulado pelo governador Carlos Brandão. Ele se encontra em São Paulo para concluir o tratamento decorrente de uma cirurgia para a retirada de um cisto no rim. Othelino Neto permanecerá ausente do estado até o fim da licença, quando o desembargador Paulo Velten retornará ao comando do Poder Judiciário.

São Luís, 01 de Junho de 2022.

 

Josimar de Maranhãozinho indica Hélio Soares, seu homem de confiança, para vice de Weverton

 

Hélio Soares será vice de Weverton Rocha indicado por Josimar de Maranhãozinho, chefe do bolsonarismo no MA

O senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT ao Governo do Estado, já tem companheiro de chapa. Trata-se do deputado estadual Hélio Soares (PL), indicado ontem pelo homem-forte do partido no Maranhão, deputado Josimar de Maranhãozinho, dentro do acordo firmado há duas semanas com o pré-candidato pedetista. O anúncio foi feito ontem à noite por Josimar de Maranhãozinho, na presença do prefeito de Igarapé Grande, Erlânio Xavier (PDT), presidente da Famem e homem de confiança e braço direito do senador Weverton Rocha. Com a indicação de Hélio Soares, que formalmente é o presidente do PL no Maranhão, o pré-candidato do PDT ao Governo do Estado amarra em definitivo sua relação com as duas pontas do bolsonarismo no estado, a comandada por Josimar de Maranhãozinho, que controla a base partidária do presidente Jair Bolsonaro no estado, e a que tem à frente o senador Roberto Rocha (PTB), candidato à reeleição já contando com o apoio declarado do senador pedetista e seu grupo, conforme declaração dele próprio.

A escolha do deputado estadual Hélio Soares para ser o pré-candidato a vice na chapa do senador Weverton Rocha não se deu pelo seu poder de fogo político e eleitoral, mas pelo fato de o parlamentar ser homem da extrema confiança de Josimar de Maranhãozinho na seara política, atuando como operador dos seus movimentos nas articulações pré-eleitorais. A relação entre o líder e o liderado nesse caso é tão forte que Hélio Soares aceitou participar de uma aventura, que pode ser bem-sucedida, mas também tem grande probabilidade de resultar num tremendo fiasco. Tanto que a possibilidade inicial de indicar a deputada Detinha foi descartada exatamente pelo fato de a empreitada eleitoral do senador Weverton Rocha carregar uma enorme taxa de risco. Ou seja, Hélio Soares entra nessa corrida consciente de que pode vir a ser vice-governador, mas que também pode terminar sem mandato.

Atualmente no exercício do quinto mandato intercalado de deputado estadual, Hélio Soares nasceu político nas facilidades proporcionadas pela Cemar em outros tempos. Mais recentemente, já sem aquela poderosa fonte de poder, ele andou vivendo a gangorra da política. Em 2010, em meio à volta de Roseana Sarney (PMDB) ao poder, conquistou seu terceiro mandato com 41.673 votos. Em 2014, num revés desconcertante, saiu das urnas com minguados 15.520 votos. Com faro apurado, encontrou em Josimar de Maranhãozinho o seu novo caminho, o que lhe assegurou voltar à Assembleia Legislativa quatro anos depois com 38.555 votos. Nesse mandato, tem atuado com braço direito de do chefe do PL no plano político e partidário, e como uma espécie de conselheiro da deputada Detinha (PL) e um tipo de coordenador da bancada do PL, formada, além deles, pelos deputados Vinícius Louro e Pará Figueiredo.

Tarimbado como um sobrevivente no jogo parlamentar e experimentado nas entranhas da política miúda, o deputado Hélio Soares não foi escolhido para vice de Weverton Rocha exatamente pelos seus atributos políticos e eleitorais. Ele foi indicado para cumprir uma missão: ser o preposto do deputado federal Josimar de Maranhãozinho num eventual governo comandado pelo senador Weverton Rocha. Se fosse uma opção política e eleitoral no sentido mais amplo, a escolha teria recaído sobre outro nome, no caso a deputada Detinha, que iniciou sua carreira parlamentar como campeã de votos para a Assembleia Legislativa – mais de 88 mil. Sua experiência o faz saber que está entrando num jogo de desfecho ainda imprevisível, mas com alguns rumos já desenhados.

Ao tomar conhecimento da escolha, o senador Weverton Rocha saudou o companheiro de chapa, ratificando a escolha do chefe do PL, ciente de que guinada do centro-esquerda para a direita conservadora o vinculará fortemente ao projeto de poder do presidente Jair Bolsonaro (PL), com desdobramentos imprevisíveis.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Weverton “morde a isca” e responde a estocada de Lahesio sobre sua idoneidade

Lahesio Bonfim fez Weverton Rocha “morder a isca”

“Em cada canto que chego em nosso Maranhão conheço as pessoas pelo nome, porque convivo com cada região. Não sou um forasteiro”. Foi essa a reação do senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT a governador, ao ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, igualmente pré-candidato do PSC ao Governo do Estado, que em entrevista ao Jornal Pequeno, publicada na edição de domingo (29), dissera que o pré-candidato pedetista, que apontou como seu “principal adversário”, “é um político que não tem pudor com dinheiro público, e por isso o Flávio Dino não o escolheu”. Ainda que tímida, dada mais para minimizar do que para confrontar, a resposta do senador Weverton Rocha chegou ao meio político como uma prova de que ele “mordeu a isca” jogada espertamente pelo ex-prefeito Lahesio Bonfim com o objetivo de atraí-lo para o embate direto e, por essa via, deixar de escanteio o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr. (PSD). Ele também tem interesse de partir para o combate frontal com o senador Weverton Rocha ou com o governador Carlos Brandão (PSB), pré-candidato à reeleição e que, segundo as últimas pesquisas, ultrapassou o pré-candidato pedetista e está na liderança da corrida às urnas.

O quadro é o seguinte: Carlos Brandão e Weverton Rocha brigam na frente, e se mantiverem esses desempenhos, irão disputar um 2º turno. Edivaldo Jr. e Lahesio Bonfim travam luta idêntica cerca de dez pontos percentuais atrás, e não terão outro caminho que não desgarrarem-se um do outro, de modo que o vencedor dessa peleja intermediária avance, alcance e atropele o segundo colocado. Poderá ganhar assim a condição de disputar o 2º turno com quem chegar na liderança, que no momento é o governador Carlos Brandão, o que faz do senador Weverton Rocha o alvo preferencial de Edivaldo Jr. e de Lahesio Bonfim.

Ciente de que não há outro caminho, Edivaldo Holanda Jr. iniciou um ataque ameno, utilizando as inserções do seu partido para dizer que ele não quer briga, porque enquanto os outros brigam, ele trabalha. Todos perceberam a tática, que não alcançou nenhum dos seus objetivos. Mais ousado e, ao que parece, mais determinado a chegar onde pretende, Lahesio Bonfim aproveitou a entrevista ao Jornal Pequeno – feita pelo competente e experiente jornalista Manoel dos Santos Neto -, e disparou o pesado petardo colocando em xeque a idoneidade de Weverton Rocha como homem público, acrescentando que esse teria sido o motivo pelo qual o senador não foi ungido candidato da aliança governista à sucessão estadual articulada pelo ex-governador Flávio Dino. Habituado a “ignorar solenemente” ataques à sua atuação política, o pré-candidato pedetista a governador deu sinais de que sentiu a pancada. Do contrário, não teria ensaiado uma defesa em forma de contra-ataque. Curiosamente, ele sinalizou de ter-se incomodado com a declaração do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, mas optou por uma reação amena.

O problema é que Lahesio Bonfim, que se tornou conhecido por declarações polêmicas, algumas agressivas, percebeu que acertou na mosca na estocada no pré-candidato pedetista, e já disse a um interlocutor que vai jogar pesado para ser um dos que disputarão o 2º turno, seja seu adversário o governador Carlos Brandão, seja o senador Weverton Rocha. Se ele avançar e tornar os ataques mais contundentes, o senador Weverton Rocha não terá outro caminho que não o da reação, mesmo sabendo dos riscos que é trocar disparos verbais com um franco-atirador. O mesmo deve acontecer com Edivaldo Jr., que logo se dará conta de que colocar uma pele de cordeiro por sobre os ombros e pregar o bom-mocismo em meio a um embate que vale uma vaga no turno decisivo da disputa é uma estratégia de altíssimo risco. A começar pelo fato de que também pode entrar na alça da mira verbal do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, que, como ele, confia na proteção de Jesus Cristo.

O fato é que o tempo das gentilezas e dos cuidados éticos na corrida ao Palácio dos Leões parece estar chegando ao fim, para ceder lugar ao tempo da crueza.

 

Faltam vices para três pré-candidatos a governador

Edivaldo Jr., Lahesio Bonfim e Simplício Araújo ainda sem vice

Com a definição do deputado estadual Hélio Soares (PL) como vice na chapa do senador Weverton Rocha (PDT), as atenções se voltam para os pré-candidatos a governador Edivaldo Holanda Jr. (PSD), Lahesio Bonfim (PSC) e Simplício Araújo (Solidariedade), que ainda não escolheram seus companheiros de chapa. Edivaldo Holanda está em busca de uma aliança que possa ampliar o horizonte do PSD, podendo também formar uma chapa “puro sangue”, com um vice do próprio partido. Lahesio Bonfim pode ter um vice indicado pelo presidente do seu partido, deputado federal Aluízio Mendes, ou pode formar chapa com uma indicação do PTB, feita pelo senador Roberto Rocha. Finalmente, Simplício Araújo ainda não emitiu sinais de que esteja articulando a definição de um companheiro de chapa, até mesmo pelo fato de que oito entre dez observadores apostam alto que seu objetivo real e concreto é uma cadeira na Câmara Federal.

São Luís, 31 de Maio de 2022.

 

Eleitorado de São Luís (15% do estadual) será intensamente disputado por Brandão, Weverton e Edivaldo Jr.  

 

Carlos Brandão, Weverton Rocha e Edivaldo Jr. vão jogar pesado pelos mais de 700 mil votos de São Luís

Os movimentos mais recentes da pré-campanha para o Governo do Estado indicam que os pouco mais de 700 mil eleitores de São Luís, que representam cerca de 15% do eleitorado maranhense, serão “caçados” intensamente pelos candidatos ao Palácio dos Leões, tornando elevada a dificuldade de se fazer qualquer previsão a respeito de quem levará a melhor na disputa. Dos sete pré-candidatos, o governador Carlos Brandão (PSB), o senador Weverton Rocha (PDT) e o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., por razões diversas, têm cacife para investir em campanhas fortes, com a perspectiva de saírem bem votados no principal município do Maranhão. Além disso, a corrida pelo voto na Cidade de la Ravardière será fortemente influenciada por vozes importantes, como a do prefeito Eduardo Braide (sem partido) e a do ex-governador Flávio Dino (PSB). Nesse contexto, a votação de cada candidato poderá ser decisiva para o desfecho da eleição em todo o estado.

O governador Carlos Brandão tem a seu favor, em primeiro lugar, o fato de ter nascido em São Luís – e não em Colinas, como muita gente pensa -, onde estudou e se formou em veterinária, e onde iniciou e deu segmentos à sua vida pública, duas vezes como deputado federal e como secretário de Estado de Meio Ambiente e chefe da Casa Civil no Governo José Reinaldo.  Ao longo dos sete anos e três meses como vice-governador, participou ativamente do Governo Flávio Dino. Agora governador titular e concorrendo à reeleição, tem orientado sua equipe a não deixar pendência na cidade. Aliados seus apostam alto num bom desempenho do governador na sua cidade-natal, citando o apoio das militâncias do PSB, do PT e do PCdoB.

O senador Weverton Rocha não é natural de São Luís – ele nasceu em Imperatriz -, mas sua presença na vida política da cidade é marcante em alguns aspectos. Foi na capital que iniciou sua vida política como militante do Movimento Estudantil, e depois como um dos quadros do PDT e como um dos ungidos pelo líder pedetista Jackson Lago, tendo atuado fortemente nos bastidores das suas gestões. Ao mesmo tempo em que se credenciou como uma nova liderança na Capital, tem também no seu currículo, até hoje, a nebulosa reforma do Ginásio Costa Rodrigues. Tem investido forte na cooptação de vereadores. Ninguém porém tem dúvida de que, embalado pela ativa militância do PDT, poderá ele alcançar forte e decisivo naco do eleitorado da Capital.

Por sua vez, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr., que comandou a cidade por oito anos, tem a vantagem de ser ludivicense de nascença. Além dos dois mandatos de prefeito, o pré-candidato do PSD tem no currículo dois mandatos de vereador de São Luís, onde ele tem concentrado boa parte dos seus esforços. Edivaldo Jr. administra também a vantagem de contar com forte apoio na comunidade evangélica, principalmente a da Assembleia de Deus. Sua gestão como prefeito produziu um resultado positivo, com itens como a reforma do Centro, com destaque o circuito integrando Praça Deodoro/Rua Grande/ Praça João Lisboa, entre outras obras de vulto. Ele e o comando do PSD acreditam que São Luís lhe dará suporte.

Em meio do que pode ser uma disputa intensa entre esses pré-candidatos – e sem descartar que outros aspirantes aos Leões tenham bom desempenho na Capital -, vozes importantes podem influenciar no resultado. É o caso do prefeito Eduardo Braide, que vinha trilhando em zona neutra, mas se posicionou na corrida ao Senado, anunciando seu apoio ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha (PTB), e também informando que em breve revelará seu pré-candidato a governador. E o ex-governador Flávio Dino, que tem suas raízes políticas fincadas na cidade, e que além de pedir votos para ele próprio, encontra-se em ação pedindo votos para o governador Carlos Brandão.

Em Tempo: Como a Justiça Eleitoral ainda não divulgou o eleitorado credenciado para o pleito de outubro, o número de eleitores de São Luís usado nesse comentário é uma estimativa baseada no eleitorado oficial para as eleições municipais de 2020: 4.758.629 no estado e 699.954 na capital.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lahesio Bonfim sai na frente e chama Weverton Rocha para o confronto

Lahesio Bonfim chama Weverton Rocha para o confronto

“Meu principal adversário é um político que não tem pudor com dinheiro público, e por isso Flávio Dino não o escolheu”. O petardo disparado pelo pré-candidato do PSC, Lahesio Bonfim, em entrevista ao jornalista Manoel dos Santos Neto, do Jornal Pequeno, atingiu o senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT. E revelou que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, que aparece em 4º nas pesquisas de intenção de votos, decidiu sair na frente para confrontar o pré-candidato pedetista, numa estratégia de viabilizar sua participação num eventual 2º, que ele próprio acredita será com o governador Carlos Brandão (PSB). A lógica sugeria que essa iniciativa seria de Edivaldo Holanda Jr., também com o objetivo de se desgarrar do pré-candidato do PSC, com o objetivo de alcançar Weverton Rocha. Mas, ao contrário, quem saiu na frente foi Lahesio Bonfim, que decidiu partir para a guerra contra Weverton Rocha atropelando o ex-prefeito de São Luís. A postura ousada do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes contrasta com a de “bom moço” que não gosta de briga adotada pelo ex-prefeito de São Luís. Se vai alcançar ou não esse objetivo o tempo vai dizer, mas o fato a ser anotado é que ele ousou o suficiente para colocar-se na dianteira no mapa do confronto anunciado.

 

Roseana e José Sarney terão de dizer se apoiam Simone Tebet ou Lula da Silva

Simone Tebet vai querer definição de José Sarney e Roseana Sarney

A confirmação da senadora mato-grossense Simone Tebet como candidata da aliança MDB/PSDB/Cidadania à Presidência da República teve forte repercussão na definição de posições partidárias. A primeira situação criada envolve exatamente o MDB, cujas lideranças no Maranhão são a ex-governadora e o ex-presidente da República, José Sarney, emedebistas de proa no estado e no plano nacional. Não é segredo a predileção da ex-governadora e do ex-presidente da República pela pré-candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT). Com a definição do partido por Simone Tebet, os dois líderes maranhenses terão de decidir se continuarão apoiando Lula da Silva ou se arquivam o projeto petista e embarcam na locomotiva da pré-candidatura da senadora por Mato Grosso.

São Luís, 30 de maio de 2022.

 

Braide entra no jogo eleitoral, declara apoio a Roberto Rocha e diz que grupo decidirá candidato aos Leões

Com gestão sob controle, apesar dos problemas,  Eduardo Braide entra na guerra eleitoral

Bem antes do que muitos imaginavam, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (sem partido), começou a se posicionar em relação à corrida eleitoral do ano que vem, declarando apoio à pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição. E o fez ontem, durante entrevista à TV Mirante, durante a qual disse também que ainda não tem definido o nome que apoiará para o Governo do Estado, mas avisando que essa tomada de posição será feita pelo grupo que o apoiou na corrida à Prefeitura, sem, no entanto, identifica-lo. Com esse movimento, o prefeito do maior e mais importante colégio eleitoral do Maranhão, sai da chamada zona de conforto, para entrar na disputa eleitoral. Sem partido político desde que deixou o Podemos, em fevereiro, Eduardo Braide deve ter uma atuação personalizada, o que está dentro do script que ele rascunhou desde que assumiu o comando administrativo da Capital, em janeiro de 2021.  E pelo que corre nos labirintos das especulações, o prefeito de São Luís tende a apoiar a pré-candidatura do senador Weverton Rocha (PDT), que após o fracasso do seu candidato, deputado Neto Evangelista, que concorreu pelo DEM, apoiou sua candidatura no 2º turno, contra o deputado estadual Duarte Jr., que concorreu pelo Republicanos.

A explicação para o apoio ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha vai muito além do argumento que o parlamentar tem apoiado sua gestão com recursos federais. O motivo principal está no fato de que ele mantém o ex-governador Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado, entre os primeiros na sua cota de desafetos políticos. O deputado estadual Eduardo Braide foi líder do Governo Flávio Dino na Assembleia Legislativa – um líder atuante, diga-se -, mas rompeu com o governador quando ele decidiu apoiar o projeto de reeleição do então prefeito Edivaldo Holanda Jr., então filiado ao PDT, em 2016, tendo concorrido, sem conseguir eleger-se. Em 2018, pressionado para ser candidato a governador contra Flávio Dino (PCdoB), o então deputado se elegeu deputado federal com mais de 180 mil votos, a maioria em São Luís, sendo o segundo mais votado.

A eleição contundente para a Câmara Federal credenciou Eduardo Braide para a disputa da Prefeitura de São Luís em 2020. Favorito desde as primeiras pesquisas, ele teve como principal oponente o deputado estadual Duarte Jr., que disputou pelo Republicanos, então o partido do vice-governador Carlos Brandão e apoiado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL). Eduardo Braide venceu no 1º e no 2º turno, numa campanha que o afastou muito do vice-governador e o levou ao rompimento definitivo com o então governador Flávio Dino. Vem daí a motivação política do seu anunciado apoio ao projeto de reeleição do senador Roberto Rocha.

A posição do prefeito de São Luís é aguardada com expectativa, mais do grupo que espera o apoio do que pelo grupo que considera adversário. Se prevalecer a lógica, a tendência do prefeito é declarar apoio ao senador Weverton Rocha. Mas chamou a atenção o fato der que na entrevista de ontem Eduardo Braide não ter citado o senador Weverton Rocha como apoiador da sua gestão com verbas federais. Mesmo assim, é difícil imaginar o prefeito declarando apoio ao seu antecessor, Edivaldo Holanda Jr. (PSD), a quem fez ontem uma crítica indireta ao avaliar como “malfeita” a nova licitação para os transportes coletivos da Capital. É, em escala mais ampla, a mesma situação em relação ao governador Carlos Brandão, que foi o principal apoiador de Duarte Jr. que, até onde se sabe, será o seu grande adversário na disputa pela Prefeitura em 2024.

Mas como em política o imprevisível costuma surpreender, não dá para confirmar uma tendência. Ou seja, só o prefeito de São Luís dirá o nome que quer no palácio vizinho.

 

 PONTO & CONTRAPONTO

 

Duas informações chamaram a atenção na pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial

Lula da Silva amplia vantagem sobre Jair Bolsonaro, que pode tumultuar processo eleitoral

A primeira, claro, é a ampliação da vantagem do ex-presidente Lula da Silva (PT), que tem 48% das intenções de voto, sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL), pré-candidato à reeleição, que aparece com 27%, situação que lhe dá 58% contra 33% num eventual 2° turno.

A outra informação é altamente positiva, mas traz com ela uma nuvem de preocupação. O Datafolha quis saber o que os brasileiros pensam da urna eletrônica. Nada menos que 78% responderam que aprovam. Só que em pesquisa anterior, os que aprovavam somavam 85%. Ou seja, a estratégia criminosa do presidente Jair Bolsonaro de tentar minar a credibilidade do sistema de votação brasileiro vem ganhando adeptos, podendo dar a ele o argumento que precisa para tumultuar o processo.

 

Mulheres se mobilizam por mais participação na política

Eliziane Gama, Márcio Jerry e Clay Lago participaram do seminário de ontem, na Assembleia Legislativa

São Luís será palco hoje de uma grande mobilização convocada pela Frente Maranhense de Mulheres na Política com o objetivo de estimular mulheres a participarem da vida política do estado e do processo eleitoral, candidatando-se principalmente a cadeiras nos parlamentos estadual e federal. O movimento foi iniciado ontem com um seminário realizado com o apoio da Assembleia Legislativa sobre o tema “Mais Mulheres na Política”. Na caminhada de hoje, as mulheres lançarão uma Carta Aberta aos Maranhenses.

Ontem, o movimento realizou o seminário “Seminário Estadual Mais Mulheres na Política”, no auditório “Neiva Moreira”, da Assembleia Legislativa, que apoia a iniciativa. No seminário, as participantes discutiram termas como “Mulheres na Política”, “Mais Mulheres na Política”, Mais Mulheres nas democracias” e mais Mulheres das eleições”. Na sua fala, a senadora Eliziane Gama (Cidadanias), criadora da Frente Maranhense Mais Mulheres na Política, defendeu esforços para que as mulheres, que hoje representam apenas 14% dos detentores de mandato no país, avancem para alcançar a paridade, ou seja, 50% nas casas legislativas.

Hoje, uma caminhada saindo da Praça Deodoro, reunirá centenas de mulheres em favor do movimento, que se deslocarão para a Rua Grande até a praça João Lisboa. Na caminhada, as integrantes do movimento tentarão convencer mulheres indecisas a participarem ativamente da vida política da sua cidade, do estado e do País. O movimento pretende estimular mulheres a se filiarem a partidos políticos e, se possível, se candidatarem às eleições do ano.

São Luís, 28 de Maio de 2022.

 

Petistas ligados a Weverton querem tirar Camarão e emplacar Zé Inácio como vice de Brandão

 

Zé Inácio quer a vaga de vice já preenchida por Felipe Camarão

O braço maranhense do PT decidiu reabrir a discussão sobre a indicação pelo partido do companheiro de chapa do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição, ao adiar para os dias 04 e 05 de junho o Encontro Tático que estava agendado para este fim de semana. O motivo do adiamento foi a decisão do deputado Zé Inácio (PT) de questionar a indicação do advogado e ex-secretário de Estado da Educação Felipe Camarão para a vaga de pré-candidato a vice na chapa de Carlos Brandão, de modo a que ele próprio seja avaliado para a vaga. A imprevista alteração na agenda do partido, que já tinha como certa a chapa Carlos Brandão/Felipe Camarão, está sendo comemorado como uma “vitória” da pequena e barulhenta dissidência do PT, alinhada ao projeto de candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) a governador, e que exige também que o partido lance o sociólogo Paulo Romão como candidato do Senado, ao invés de apoiar a candidatura do ex-governador Flávio Dino (PSB). Com a mudança, os petistas colocam em dúvida a relação do PT com o PSB e passam para o eleitorado a impressão de que o partido está dividido. Isso num momento em que Weverton Rocha amplia sua aliança com setores bolsonaristas, com apoio entusiasmado da ala dissidente do PT.

Para quem não sabe, o chamado Encontro Tático é parte da preparação do PT nas as campanhas eleitorais. Nele, as lideranças do partido discutem candidaturas, examinam o contexto das disputas, avaliam o potencial das candidaturas, medem o peso e o poder de fogo das alianças, e tomam decisões sobre mudanças, que são enviadas como propostas à cúpula nacional da agremiação, que tem a palavra final sobre tudo o que lhe é proposto. No caso maranhense, a ideia da dissidência alinhada ao pré-candidato pedetista, agora em parte apoiada pelo deputado Zé Inácio, é desfazer o que já foi definido e acertado ao longo de meses de negociações do ex-governador Flávio Dino e o governador Carlos Brandão com a cúpula nacional do PT, a começar pelo próprio ex-presidente e pré-candidato a presidente Lula da Silva, e com o aval da cúpula do partido no Maranhão.

Os autores do pedido de adiamento do Encontro Tático justificam a iniciativa com o argumento segundo o qual as lideranças do partido terão mais tempo para avaliar a situação e as propostas de alteração, principalmente em relação à vaga de vice-governador. Em que pese a fantasia senatorial do sociólogo Paulo Romão e o esforço quase obstinado do ex-vereador Honorato Fernandes para atrelar o PT maranhense à candidatura do senador Weverton Rocha, o grande objetivo é rifar o ex-secretário Felipe Camarão, recém convertido ao petismo, para que a vaga de vice seja ocupada por um “petista orgânico”, no caso o deputado Zé Inácio, criando várias categorias de petista.

O problema é que, caso o PT resolva trocar Felipe Camarão por Zé Inácio – o que não está sendo admitido sequer hipoteticamente pelo comando da aliança PSB/PT no Maranhão -, o resultado seria uma troca de “uma dúzia por meia dúzia”. E a explicação é simples: mesmo sendo um militante linha de frente do PT, com experiência e um bom naco de credibilidade, o deputado Zé Inácio não tem o potencial eleitoral do ex-secretário Felipe Camarão, hoje um nome estadualizado e que, para muitos, seria um dos mais votados se disputasse uma cadeira na Câmara Federal. Além disso, a intenção clara, e para muitos inexplicável, dos chefes da barulhenta e politicamente inexpressiva dissidência petista é criar constrangimentos ao governador Carlos Brandão e ao ex-governador Flávio Dino.

Todos os sintomas e indícios sugerem que entre as decisões que o braço maranhense do PT tomará no Encontro Tático agora agendado para o início der junho estará a confirmação de Felipe Camarão como vice de Carlos Brandão e de Flávio Dino como o candidato a senador a ser apoiado pelo partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Maranhãozinho jogo quando diz que PL ainda não decidiu apoiar Roberto Rocha

Roberto Rocha ainda não tem mesmo o apoio de Josimar de Maranhãozinho?

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) estaria fazendo jogo de cena quando diz que nada está definido em relação ao apoio do seu partido à pré-candidatura do senador Roberto Rocha (PTB) à reeleição. Fonte com trânsito fácil no seu QG garante que os acertos que fez em Brasília teriam incluído, além da aliança com o senador Weverton Rocha para o Governo do Estado, o apoio do PL ao projeto de reeleição de Roberto Rocha. Essa negociação teria passado pelo presidente nacional do PL, Waldemar Costa Neto, pelo presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP/AL), e pelo presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que estariam seguindo orientação do Palácio do Planalto. Josimar de Maranhãozinho detém, de fato, o controle quase absoluto do PL no Maranhão, mas nessas eleições, por conta do “fator” Jair Bolsonaro (PL), ele não estaria dando um passo sem se articular com Brasília. E, embora não simpatize muito com o projeto do senador, não tem como ficar indiferente à situação dele.

 

Federações já criadas têm posições definidas no Maranhão

Carlos Brandão e Flávio Dino têm o apoio de duas das três federações já criadas, inclusive a que inclui o PT de Lula da Silva, pré-candidato a presidente 

O TSE aprovou ontem (26), por unanimidade, a criação de duas novas federações partidárias, a primeira unindo PSDB e Cidadania, e a outra juntando PSOL e Rede. A primeira, unindo PT, PCdoB e PV, foi aprovada na terça-feira (24).

A grande novidade desse processo eleitoral, a federação, ao contrário da coligação, mantém os partidos juntos durante os quatro anos seguintes, atuando com unidade programática e dividindo os recursos do Fundo Partidário. Na prática, a medida veio salvar siglas que, devido ao baixo desempenho eleitoral, corriam o risco de não cumprir a cláusula de barreira, instrumento que restringe o acesso ao Fundo Partidário e ao horário gratuito de TV e rádio.

No Maranhão, a primeira federação criada, unindo PT, PCdoB e PV integra a base da pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição e a do ex-governador Flávio Dino ao Senado. A primeira criada ontem, juntando PSDB e Cidadania, partidos atualmente controlados pela senadora Eliziane Gama (Cidadania), também estão na base da chapa Carlos Brandão/Flávio Dino.

Já a terceira federação, formada por PSOL e PV segue caminho independente. Isso porque o PSOL já definiu Enilton Rodrigues como pré-candidato a governador, não se sabendo ainda qual será o espaço do Rede na chapa.

São Luís, 27 de Maio de 2022.

Já era previsto: Maranhãozinho enfrenta dificuldade para unir grupo em torno de Weverton

 

Josimar de Maranhãozinho: parte do seu grupo  não quer Weverton Rocha, nas quer a reeleição de Carlos Brandão

O deputado federal Josimar de Maranhãozinho não vai entregar ao senador Weverton Rocha (PDT) o pacote completo de suportes previsto no acordo para apoiar a pré-candidatura dele ao Governo do Estado, como anunciou em live na noite de segunda-feira (23). Essa possibilidade foi por ele admitida ontem, em entrevista à Rádio Mirante AM, durante a qual informou que o grupo que controla não está unido em torno do pré-candidato do PDT, existindo nas suas fileiras segmentos que preferem se alinhar à pré-candidatura do governador Carlos Brandão (PSB) à reeleição. Ele citou o exemplo do deputado federal Marreca Filho, cujo pai, o ex-deputado federal e ex-prefeito de Itapecuru Mirim Júnior Marreca, é o controlador do Patriotas no estado, não quer apoiar o senador Weverton Rocha por ter mais afinidade política com o governador Carlos Brandão. Nos bastidores, sabe-se que vários dos 40 prefeitos eleitos com o apoio de Josimar de Maranhãozinho são a favor do projeto de reeleição do governador, já tendo alguns deles se posicionado nessa direção dentro do grupo.

A rigor, excetuando o PSB e o PCdoB, praticamente todos os partidos enfrentam situações como essa. O próprio PDT, presidido pelo senador Weverton Rocha e carro-chefe do seu projeto de candidatura, está sendo sacudido por segmentos que não o apoiam, tendo alguns nomes destacados, como o do ex-deputado federal Julião Amin, por exemplo, declarado apoio ao governador Carlos Brandão. O caso do PL é mais impactante porque Josimar de Maranhãozinho sempre passou a impressão de que controla um grupo sem dissidência, quadro agora exposto com um retrato bem diferente. A resistência dos Marreca ao acordo firmado por Josimar de Maranhãozinho com o senador Weverton Rocha mostra que o poder de fogo do chefe do PL tem limite. E mais, mostra que nesse jogo ganha quem tem suporte mais sólido.

Os traços de fragilidade do comando de Josimar de Maranhãozinho sobre o grupo talvez explique a quase indiferença demonstrada pelos líderes da aliança PSB/PT/PCdoB/PP/Cidadania/PSDB, que tem Carlos Brandão como candidato à reeleição e o ex-governador Flávio Dino (PSB) como candidato ao Senado, em relação ao anúncio de aliança com Weverton Rocha. Parte dessa atitude pouco preocupada se deve ao fato de que o comando da aliança governista já trabalha com a adesão de parte das fileiras de Josimar de Maranhãozinho ao governador. O chefe do PL sabe disso e já o admitiu nas entrelinhas das suas declarações em entrevistas recentes, como a de ontem, que foi a mais esclarecedora dessa opereta.

Vale registrar também o fato de o chefe do PL haver confirmado que o acordo para apoiar o governador Carlos Brandão não foi fechado porque não lhe fora dada a vaga de candidato a vice-governador, preenchida por Felipe Camarão, indicado pelo PT, nem a de primeiro suplente na chapa de Flávio Dino para o Senado, já ocupada pela vice-prefeita de Pinheiro, Ana Paula Lobato (PCdoB).

A conversa com o senador Weverton Rocha foi diferente. Com sua base política e partidária minada e perdendo consistência, e sem perspectiva de alcançar reforço por outro caminho, o líder pedetista aceitou ceder a vaga de pré-candidato ao PL em troca do apoio à sua pré-candidatura. Eles firmaram um acordo partidariamente normal e lícito, mas politicamente muito estranho, ficando Josimar de Maranhãozinho com o poder de fazer a indicação, que, segundo ele próprio, será feita em junho. Na bolsa de especulações o nome mais forte é o da deputada estadual e pré-candidata a deputada federal Detinha (PL), esposa do chefe do PL, ou a advogada Fabiana Villar (PL), sua sobrinha, que foi secretária de Agricultura no Governo Flávio Dino e candidata a vice-prefeita de São Luís em 2020, na chapa encabeçada pelo estadual Duarte Jr., candidato do Republicanos.

No plano da aparência, que é importante como fator de mídia, a aliança com Josimar de Maranhãozinho, pode ter sido uma boa cartada para o senador Weverton Rocha. Mas do ponto de vista político e eleitoral propriamente dito, a união pode dar luz a um grande fiasco.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Visita de Othelino a Velten reafirma relação harmoniosa entre Legislativo e Judiciário

Othelino Neto e Paulo Velten: clima descontraído e boas relações entre os Poderes 

Enquanto no plano nacional os Poderes Legislativo e Judiciário encontram-se em clima de confronto institucional e político, por conta das provocações golpistas do presidente Jair Bolsonaro (PL), no Maranhão a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Justiça mantêm-se independentes, mas afinados na seara institucional, convivendo dentro da harmonia prevista na Constituição. Foi esse o clima que dominou a visita que o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB), fez ontem ao novo presidente do Poder Judiciário, desembargador Paulo Velten.

Ao sair do Palácio Clóvis Bevilacqua, sede do Tribunal de Justiça do Maranhão, o presidente da Assembleia Legislativa revelou a pauta que orientou a conversa. “Conversamos sobre assuntos importantes para o Legislativo e para o Judiciário, entre eles projetos de lei que tratam da reestruturação administrativa do Tribunal e que, em breve, serão enviados à apreciação do Parlamento estadual”, disse Othelino Neto, que fez a visita acompanhado do procurador-geral da Assembleia Legislativa, Tarcísio Araújo.

Por seu turno, o presidente do TJMA, Paulo Velten, informou ao visitante que dará continuidade ao trabalho do ex-presidente da Corte, desembargador Lourival Serejo, mantendo sempre o bom relacionamento institucional entre os dois Poderes: “Estamos dando sequência ao excelente trabalho desenvolvido pelo desembargador Lourival Serejo, que teve todo o apoio da Assembleia Legislativa em sua gestão. O parlamento sempre tratou com muita atenção e prioridade os projetos de organização do Judiciário. E eu fico feliz em ouvir do presidente Othelino Neto que esse relacionamento institucional positivo terá continuidade”.

 

Márcio Jerry bate martelo e anuncia que buscará novo mandato na Câmara Federal

Bom desempenho político e partidário pode reelegê-lo

Depois de ter frequentado listas de possíveis candidatos a vice na chapa do governador Carlos Brandão (PSB) e de prováveis nomes para primeira suplência na chapa do ex-governador Flávio Dino (PSB), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) anunciou ontem que será candidato à reeleição. A decisão de tentar renovar o mandato é justa e faz todo sentido, à medida que Márcio Jerry, além de ser o mais ativo parceiro de Flávio Dino, foi, de longe, o nome mais influente dos sete anos de Governo do PCdoB. Bem articulado, dono de ampla e sólida cultura política, e com a experiência de anos e anos de militância iniciada no movimento estudantil, nos anos 80 do século passado, Márcio Jerry tem tido papel decisivo no Governo do Estado. Primeiro como líder partidário, reconhecido pelo trabalho que vem realizando para manter de pé o PCdoB, que preside; como assessor e conselheiro do governador Flávio Dino, papel que exerceu como secretário de Comunicação e Articulação Política, e depois na pasta das Cidades; e como deputado federal atuante, uma das vozes mais duras da oposição ao presidente Jair Bolsonaro e seu governo. É apontado como um dos atuais membros da bancada maranhenses que renovarão seus mandatos.

São Luís, 26 de Maio de 2022.

Aliança Lula/Brandão/Dino está definida e caminha para a consolidação, apesar das pressões adversárias

 

Lula da Silva confirma aliança com Carlos brandão e Flávio Dino, em São Paulo

O Maranhão está fora da lista de estados onde o PT está enfrentando dificuldades para montar alianças em torno da pré-candidatura do ex-presidente Lula da Silva à Presidência da República. Isso significa dizer que, mesmo pressionados pelas fortes investidas do PDT, comandadas pelo senador Weverton Rocha, pré-candidato do partido ao Governo do Estado, o PSB, comandado pelo ex-governador Flávio Dino, pré-candidato ao Senado, tendo o governador Carlos Brandão candidato à reeleição, e o PT, que indicou Felipe Camarão como pré-candidato a vice, acertaram todos os detalhes e pendências, estão se articulando e já falam praticamente a mesma linguagem, e começam, de fato, a preparar o roteiro de campanha incluindo a chapa Lula da Silva/Geraldo Alckmin. Os fatos mais recentes mostram que, apesar de todos os esforços que fez para atrair o apoio de Lula da Silva, o senador Weverton Rocha perdeu essa disputa. O ex-presidente vai com Carlos Brandão, empurrando o pré-candidato do PDT a buscar aliados na base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) no Maranhão, como foi o caso do deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) e seu grupo.

Até pouco tempo atrás, os grandes jornais, assim como os portais de notícia mais influentes, davam o Maranhão como item certo entre os estados com problemas para montar essa equação, mas esse cenário mudou. Na segunda-feira, por exemplo, o jornal O Globo publicou uma reportagem sobre o assunto, mostrando os entraves para alianças em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, e na qual faz apenas o seguinte registro sobre o Maranhão: “A tendência é que Lula também atue para que o PT do Maranhão apoie a reeleição do governador Carlos Brandão (PSB), que assumiu o cargo após a renúncia de Flávio Dino (PSB), pré-candidato ao Senado”. Ou seja, as nuvens cinzentas sobre a aliança, espalhadas por uma fatia dissidente do PT maranhense, foram definitivamente dissipadas.

As evidências de que PSB e PT caminhavam nessa direção foram surgindo com os fatos. Um deles, a minúscula e zoadenta fatia do PT, comandada pelo ex-vereador de São Luís Honorato Fernandes e fortemente influenciada pelo senador Weverton Rocha, tentou mais uma vez, mas sem sucesso, melar a aliança PSB/PT espalhando que o Encontro Tático do PT, programado para o final deste mês, para o partido definir suas estratégias e metas de campanha, seria adiado por conta de diferenças internas em relação à indicação de Felipe Camarão como vice de Carlos Brandão. A informação era falsa e, ao contrário do que foi dito, o encontro foi confirmado para o dia 29, tendo como item central da pauta a confirmação da aliança com PSB e PCdoB. No evento, os líderes petistas definirão táticas de campanha, com foco central nas candidaturas de Lula da Silva, de Carlos Brandão e de Flávio Dino.

Também não passou de mise-en-scène o encontro do sociólogo Paulo Romão (PT) com o deputado estadual Adriano Sarney (PV), numa tentativa de usar a federação PT/PCdoB/PV para dar sentido ao seu projeto de candidatura ao Senado pelo PT. Integrante da política e eleitoralmente fraca dissidência petista, Paulo Romão vem teimando em se manter como pré-candidato do PT ao Senado, quando o partido já fechou questão no apoio a Flávio Dino. Na visão da cúpula, nada disso muda a decisão do partido de marchar para as urnas com Carlos Brandão e Felipe Camarão para o Governo, e Flávio Dino para o Senado. Os dissidentes petistas levarão a questão para o Encontro Tático do partido, mas é quase certo que seu pleito será arquivado.

Uma das mais nítidas evidências de que a aliança com o PT é fato consumado foi o início, ontem, da campanha partidária do PSB, na qual o ex-governador Flávio Dino e o governador Carlos Brandão participam do mesmo clipe, mostrando uma integração pouco vista nas relações eleitorais no Maranhão. A propaganda partidária do PSB chega depois que Edivaldo Holanda Jr., usando o espaço do seu partido, o PSD, usou o discurso do “bom moço”, que não briga e só trabalha. Também o clipe do PSC, no qual Lahesio Bonfim se apresenta como um gênio, assim como Simplício Araújo, dono de solução para todos os problemas do estado. E, finalmente, Weverton Rocha, que tenta dizer que o Maranhão não está bem e que ele tem a solução para todos os problemas.

A campanha iniciada na segunda-feira (23) pelo PSB poderá funcionar como poderoso contrapeso ao que já foi levado ao ar nessa fase. E também ao acordo que tornou possível a aliança entre o pré-candidato pedetista Weverton Rocha e o deputado federal Josimar de Maranhãozinho.

PONTO & CONTRAPONTO

Pré-candidatura presidencial de Simone Tebet cria situação embaraçosa para José e Roseana Sarney

Pré-candidatura de Simone Tebet cria situação incômoda para José Sarney e Roseana Sarney

A possibilidade, agora concreta, de a senadora mato-grossense Simone Tebet (MDB) vir a se consolidar como pré-candidata presidencial da chamada “terceira via”, que ganhou um grande reforço com a desistência do ex-governador de São Paulo João Doria (PSDB), colocou a ex-governadora Roseana Sarney e o ex-presidente José Sarney em estado de alerta. Integrantes graduados da cúpula nacional do MDB, os dois emidebistas já demonstraram várias vezes sua inclinação pelo projeto de candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT), de quem foram aliados durante os oito anos em que ele esteve no Palácio do Planalto. Se a construção da “terceira via” vingar, a ex-governadora e o ex-presidente ficarão numa situação no mínimo delicada, já que será criada um ambiente difícil. Até onde se sabe, Lula da Silva conta com o apoio dos dois ex-aliados, que se afastaram do PT durante o movimento pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, que ambos apoiaram abertamente e que resultou na ascensão do vice-presidente Michel Temer (MDB). Os próximos passos do movimento pela construção de uma candidatura presidencial de centro, para quebrar a polarização Lula da Silva/Jair Bolsonaro, serão decisivos para definir o futuro de José e Roseana Sarney.

 

Aliança Weverton/Josimar aumenta o desafio de Edivaldo Jr.

Edivaldo Jr. desafio

A anunciada aliança Weverton Rocha/Josimar de Maranhãozinho tirou de vez o ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr. (PSD) da zona de conforto em que se encontrava, atuando com o objetivo de alcançar e ultrapassar o pré-candidato pedetista, para se tornar o principal adversário governador Carlos Brandão. Na avaliação de um aliado do pré-candidato do PSD, a aliança PDT/PL reforça o pré-candidato pedetista, dando-lhe condições eleitorais para ultrapassar a barreira do 1º turno e disputar o turno decisivo com o governador Carlos Brandão. Isso significa que o ex-prefeito de São Luís tem pela frente o hercúleo desafio de tirar do jogo o senador Weverton Rocha ou o governador Carlos Brandão.

São Luís, 25 de Maio de 2022.

Maranhãozinho fecha com Weverton e vai indicar o vice, que pode ser a deputada Detinha

 

Weverton Rocha acerta com Josimar de Maranhãozinho a aliança para a disputa pelo Governo do Estado

Josimar de Maranhãozinho (PL) bateu o seu martelo e decidiu firmar aliança com o senador Weverton Rocha, pré-candidato do PDT, na disputa para o Governo do Estado. A decisão foi tomada no fim de semana e anunciada ontem, durante uma live ao longo da qual o parlamentar revelou o acordo e as condições em que ele se dará. O item principal do acerto é que Josimar de Maranhãozinho indicará o candidato a vice na chapa de Weverton Rocha. E pelo que correu ontem à noite nos bastidores, na forma ainda de especulação, o pré-candidato a vice será a deputada estadual Detinha, esposa de Josimar de Maranhãozinho, que em princípio disputaria uma cadeira na Câmara Federal. Ao comentar o item-chave da negociação com o senador Weverton Rocha, Josimar de Maranhãozinho disse que a vaga de vice lhe foi oferecida, quando se sabe que esse era seu trunfo.

A opção por uma aliança com Weverton Rocha foi, na verdade, uma reviravolta, orientada por vozes de Brasília, para estancar a tendência do parlamentar no sentido de apoiar o governador Carlos Brandão (PSB). A aliança com o PL leva o senador Weverton Rocha definitivamente para a seara bolsonarista, tendo, entre outras consequências, a restrição a que ele adote um discurso duro contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha. Mais do que isso, pela primeira vez na história tira o PDT do bloco democrático de centro-esquerda, para situá-lo na órbita da extrema-direita, já Josimar de Maranhãozinho será o seu principal que parceiro.

Josimar de Maranhãozinho, que controla três deputados federais, quatro deputados estaduais, cerca de 40 prefeitos e várias dezenas de vereadores, jogou todas as cartas que podia jogar para chegar a esse acordo. Primeiro encenou a personagem de pré-candidato a governador, que era balela, uma vez que, por conta das suspeitas que lhe pesam sobre os ombros, ele talvez não pudesse ser candidato. Depois, colocou as cartas tendo a vaga de vice como contrapartida ao seu apoio – tentou emplacar o seu vice na chapa de Carlos Brandão, mas não obteve sucesso. Usou o mesmo argumento com Weverton Rocha, que fez as contas do desgaste e resolveu pagar para ver – com o detalhe que ele, se derrotado, continua senador, enquanto os seus aliados vão para casa.

Ao anunciar o acordo, Josimar de Maranhãozinho contou que reuniu seus aliados e fez uma eleição, com chapa e tudo, para que eles fizessem a escolha. Curiosamente, a maioria votou sem escolher, mas dando autorização para que o chefe escolhesse, ele próprio, sozinho, o candidato do seu grupo. E ele, então, “pensou”, “pensou”, e escolheu o senador Weverton Rocha, com quem já vinha conversando há tempos. Numa outra versão, a escolha se deu porque o chefe do PL foi “aconselhado” por vozes de Brasília a se afastar do grupo liderado pelo ex-governador Flávio Dino (PSB), sob pena de ser retaliado no processo de cassação que corre na Câmara Federal. Certas de que ele dificilmente entraria nessa disputa, teriam recomendado o chefe do PDT no Maranhão.

Não há dúvida de que a aliança com Josimar de Maranhãozinho turbina fortemente a pré-candidatura de Weverton Rocha, já que o chefe do PL controla um grupo expressivo. Mas, por outro lado, poderá ser o seu Calcanhar de Aquiles. Do ponto de vista eleitoral, o chefe do PL pode dar ao pré-candidato do PDT um cacife expressivo. Mas do ponto de vista político, Weverton Rocha poderá sofrer consequências por se aliar ao chefe do grupo cujo líder pode ser um tremendo ficha-suja, que dará suporte à campanha do presidente Jair Bolsonaro no Maranhão.  Ao contrário do que aconteceria se ele declarasse apoio a Carlos Brandão, na aliança com Weverton Rocha ele entra com o (a) vice, o que lhe dá poder de fogo para dar cartas na campanha.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Eduardo Nicolau vence eleição e deve comandar o Ministério Público em novo mandato

Eduardo Nicolau obteve vitória

O procurador-geral de Justiça, Eduardo Nicolau, deu ontem o primeiro e decisivo passo para renovar o mandato por mais dois anos. Ele foi o mais votado no processo eleitoral do Ministério Público do Estado do Maranhão, e será o cabeça da lista formada por dois nomes, para que o governador Carlos Brandão (PSB) faça a escolha e a nomeação, devendo manter a tradição de nomear o mais votado.

Num pleito tranquilo, com a participação 324 eleitores – 293 promotores e 31 procuradores de Justiça -, Eduardo Nicolau recebeu 264 votos, enquanto seu concorrente, o promotor José Augusto Cutrim Gomes, recebeu 115. Ao contrário de tempos não muito distantes, quando o órgão ministerial viveu um longo período tensionado por uma “guerra” de grupos, o processo transcorreu sem problemas nem tensões, mostrando que o MP/MA é hoje uma instituição sólida e madura.

A reeleição do procurador geral Eduardo Nicolau não surpreendeu. Ela foi fruto de um grande pacto informal, que ganhou forma à medida que seu primeiro mandato foi mostrando uma gestão firme, que colocou o Ministério Público acima da fogueira das vaidades e o fez funcionar como um eficiente fiscal da lei. Ao mesmo tempo, o atual procurador geral de Justiça trabalhou para manter a unidade do Ministério Público, o que lhe valeu credibilidade e autoridade para se candidatar a novo mandato. Sua votação foi a renovação da carta de crédito dada por seus pares.

 

Candidatura de Lahesio tem dois objetivos

Lahesio Bonfim

Corre nos bastidores que o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), tem dois objetivos nessa corrida ao Palácio dos Leões. O primeiro é ser governador do Maranhão, claro, estando ele acreditando, de verdade, que será eleito. O outro objetivo a ser alcançado é: não sendo eleito governador, fazer lastro político e eleitoral para disputar a Prefeitura de Imperatriz em 2024.

São Luís, 24 de Maio de 2022.