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Como senador ou ministro, Flávio Dino será nome forte no cenário nacional dos próximos anos

Flávio Dino e Nicolau Dino: carreiras independentes na magistratura federal e no Ministério Público Federal

Adversários do senador eleito Flávio Dino (PSB) tentam reduzir o seu tamanho político sugerindo que ele está disputando vaga de ministro na equipe que o presidente eleito Lula da Silva (PT) vai montar para governar. A última provocação diz que o ex-governador do Maranhão estaria sendo rifado em favor de dois membros destacados do PSB, o ex-governador de São Paulo, Márcio França, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara. Ambos estariam cotados para o ministério e, de acordo com as insinuações dos seus adversários, poderão ocupar cargos para os quais Flávio Dino foi lembrado. Não satisfeitos, dizem agora que a possível indicação do procurador da República Nicolau Dino, irmão de Flávio Dino, para comandar a Procuradoria Geral da República, pode inviabilizar o projeto do senador eleito de ser ministro. As provocações – que animam o meio político, diga-se – não levam em conta o fato de que tudo o que foi dito até agora sobre a composição do ministério está limitado ao campo da especulação, uma vez que o presidente eleito não soltou nenhuma pista nesse sentido.

Hoje uma das vozes políticas mais respeitadas do País – sem nenhum favor – o senador eleito Flávio Dino não deu até aqui nenhuma declaração que leve à conclusão de que ele está realmente interessado em ser ministro. Quem sinalizou nessa direção foi o próprio Lula da Silva, num discurso para milhares de pessoas em São Luís, no qual disse com todas as letras que, se eleito, queria o ex-governador do Maranhão como membro do seu ministério. Várias vezes indagado sobre o assunto, Flávio Dino agradeceu a lembrança, mas deixou claro que não queria estender a conversa sobre o assunto.

Desde o anúncio da vitória de Lula da Silva nas urnas, na noite de 30/09, veículos de comunicação, a começar pelos mais importantes, como os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, por exemplo, montaram listas e mais listas com nomes cotados para o ministério, todas elas incluindo o senador eleito Flávio Dino, sendo a maioria apontando-o para o Ministério da Justiça, mas também para duas outras pastas: Casa Civil e Integração Nacional. Flávio Dino manteve absoluta coerência ao desconversar sobre esse tema.

Ontem, em meio à marola causada pela informação segundo a qual o procurador geral de Justiça adjunto Nicolau Dino seria candidato à sucessão do atual procurador geral, Augusto Aras, e que tal candidatura inviabilizaria eventual escolha de Flávio Dino para o Ministério da Justiça. Para começar, uma coisa não tem nada com a outra, uma vez que PGR e Ministério da Justiça não guardam qualquer ligação institucional. Flávio Dino foi juiz federal e Nicolau Dino entrou para o Ministério Público Federal, cada um seguindo o seu próprio caminho, sem nenhum choque. Dono de uma carreira impecável no Ministério Público Federal, Nicolau Dino é atualmente procurador-geral da República adjunto, estando, portanto, legitimamente credenciado para pleitear o cargo de procurador geral da República, independentemente de o seu irmão vir a ser ministro da Justiça.

Nos sete anos e três meses em que foi governador, o hoje senador eleito Flávio Dino enfrentou muitas batalhas jurídicas envolvendo a PGR, não tendo havido um só caso em que se aludiu a possibilidade de “cooperação” entre os dois irmãos. Ao contrário, houve situações em que o procurador da República Nicolau Dino se posicionou contrariamente à pretensão do Governo do Maranhão.

Finalmente, no que diz respeito à especulação envolvendo Márcio França e Paulo Câmara, vale assinalar que, embora representem estados economicamente mais fortes que o Maranhão, não alcançam a estatura política de Flávio Dino. O ex-governador paulista Márcio França perdeu a vaga de senador por São Paulo para o astronauta bolsonarista Marcos Ponte (PL), e o governador Paulo Câmara viu sua candidata ao Governo do de Pernambuco, Marília Arraes (Solidariedade), ser derrotada por Raquel Lyra (PSDB), que vai levar os caciques conservadores pernambucanos de volta ao comando daquele estado. Já o senador eleito pelo Maranhão comandou uma vitória em que fez cabelo, bigode e barba.

E para encerrar, vale outro registro: com o grande número de bolsonaristas eleitos para o Senado, pelo menos nesse primeiro momento, Flávio Dino já é visto por todos os analistas como peça fundamental na base governista no Poder Legislativo.      

PONTO & CONTRAPONTO

Bancada maranhense dará maioria a favor das mudanças no Orçamento propostas por Lula

Márcio Jerry e Aluísio Mendes: visões diferentes na tarefa de ajustar o Orçamento

Uma grande movimentação deve mobilizar a atual bancada federal para a aprovação, nas próximas semanas, do Orçamento da União para 2023 com as mudanças propostas pela equipe do presidente eleito Lula da Silva (PT), para desmontar as bombas de efeito retardado fabricadas pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). As alterações orçamentárias pedidas pelo futuro mandatário visam resolver problemas complicados, como garantir a continuidade do Auxílio Brasil, no valor de R$ 600,00, e a criação de mecanismos que permitirão ao novo Governo reajustar o salário mínimo com base no crescimento do PIB nos últimos cinco anos, além da inflação do ano anterior, o que significará a concessão de aumento real para o piso salarial do país.

Os articuladores designados pelo presidente eleito estão se desdobrando para fazer a mobilização, que conta com o aval do presidente da Câmara Federal, Arthur Lira (PP-AL) e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O governador reeleito Carlos Brandão (PSB) e o senador eleito Flávio Dino (PSB) participam desse esforço.

Mesmo abrigando bolsonaristas de proa – como o senador Roberto Rocha (PTB), que está em fim de mandato -, a fatia maranhense do Congresso Nacional não é majoritariamente hostil ao presidente eleito Lula da Silva. Os senadores Eliziane Gama (Cidadania) e Weverton Rochas (PDT), assim como os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Rubens Jr. (PT), Pedro Lucas Fernandes (UB), André Fufuca (PP), Bira do Pindaré (PSB), Zé Carlos (PT), João Marcelo (MDB), Josimar de Maranhãozinho (PL), Júnior Lourenço (PL), Marreca Filho (Patriotas), Cléber Verde (Republicanos) e Gil Cutrim (Republicanos) devem apoiar as mudanças propostas pelo presidente eleito. Já os deputados Aluísio Mendes (PSC), Josivaldo JP (PSD), Pastor Gildenemyr (PL), Hildo Rocha (MDB), Juscelino Filho (UB) e Edilázio Jr. (PSD), bolsonaristas assumidos e militantes, poderão trabalhar em sentido contrário.

Começa o processo sucessório na Famem

Erlânio Xavier convoca a eleição que vai tirá-lo do poder na Famem

O presidente da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem), Erlânio Xavier (PDT) está convocando os prefeitos filiados para uma assembleia no final deste mês, quando serão formalizadas a data e as regras da eleição da nova Mesa Diretora da entidade municipalista. O atual presidente não pode mais ser candidato, e já existem dois candidatos declarados: Ivo Rezende (PSB), prefeito de São Mateus, e Bruno Silva (PP), prefeito de Coelho Neto. Outros nomes poderão surgir até o início de janeiro.

A eleição será realizada em janeiro, e deve marcar a derrubada da última coluna de sustentação política do projeto de poder do senador Weverton Rocha (PDT). Vice-presidente estadual do PDT e coordenador da campanha do chefe maior do seu partido ao Governo do Maranhão, posição reforçada com a presidência da entidade que congrega os prefeitos maranhenses, Erlânio Javier apostou alto que iniciaria 2023 como homem-forte do Governo do Maranhão. Não deu. Se tentar fazer o sucessor, é muito provável que venha a amargar outra derrota acachapante. Quando passar o cargo ao seu sucessor na Famem, voltará à planície como prefeito de Igarapé Grande.

São Luís, 04 de Novembro de 2022.

Flávio Dino mostra que pode comandar o Ministério da Justiça atuando para despolitizar a PF e a PRF

Flávio Dino: visão madura e abrangente sobre as corporações policiais federais

Instituições de Estado como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Federal precisam ser desideologizadas, para que voltem a atuar com o necessário profissionalismo, de modo a evitarem situações como o bloqueio de rodovias por grupelhos insatisfeitos com o resultado de uma eleição sobre a qual não recai qualquer traço de irregularidade. É o que pensa o senador eleito Flávio Dino (PSB) e expressado em entrevista concedida ontem ao jornal O Globo. As declarações de Flávio Dino reforçaram a certeza de que, caso venha ser escolhido pelo presidente Lula da Silva (PT) para o Ministério da Justiça, como está sendo especulado, o Governo terá na pasta um quadro preparado para colocar a PRF e a Polícia Federal (PF), também fortemente afetada pela ideologização durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) – novamente nos trilhos da institucionalidade.

Com a experiência de quem foi juiz federal, deputado federal e governador do Maranhão, Flávio Dino está convencido de que nessa eleição houve aparelhamento das instituições para fins partidários, apontando as ações da PRF no domingo como “fora do padrão”. No caso do bloqueio de rodovias por grupelhos de caminhoneiros bolsonaristas, sua avaliação é a de que a PRF não atuou como deveria diante de crimes perpetrados em flagrante, limitando-se a observar.

– Temos, infelizmente, essa ideologização de instituições que devem ser de Estado, ou seja, apartidárias. Uma coisa é a posição pessoal de cada cidadão ou cidadã, que deve sempre ser protegida. Agora, ele não pode usar sua função pública, a farda e o armamento ara militar a favor de uma posição ideológica – declarou o senador eleito, lembrando que isso foi visto também no Ministério Público e no Judiciário.

Do alto da sua experiência profissional e vivência institucional, Flávio Dino chama a atenção para a gravidade da situação e recomenda prudência no processo de desideologização de instituições como a PRF, por exemplo. “É preciso que a gente vá conversar com calma com essas corporações, porque a imensa maioria dos que as integram também não concordam com essa ideologização”, diz, numa clara demonstração de que conhece a natureza dessas corporações e sabe que nesse aspecto elas não podem ser olhadas como um todo. E lembra que quando governou, o presidente Lula da Silva teve muito respeito com as Forças Armadas e com a Polícia Federal.

– Agora, o desafio é maior, é preciso trazer essas corporações, sobretudo o Sistema de Justiça e Segurança Pública, para a legalidade. Não é trazer para a esquerda. Não é trocar um aparelhamento por outro. É colocá-lo a serviço de uma visão republicana, de fato, democrática – assinalou.

Flávio Dino deixou claro que essas posições foram amadurecidas ao longo da sua trajetória na vida pública, atuando nos três poderes (Judiciário, Legislativo e Executivo), o que lhe dá uma visão mais abrangente e diferenciada dessa realidade. É o somatório de mais de uma década como juiz federal – quando lidou diretamente com essas corporações -, um mandato de deputado federal – tempo em que atuou efetivamente como legislador – e dois mandatos de governador do Maranhão, quando teve o Sistema Estadual de Segurança Pública sob seu comando direto. Nenhum dos citados até agora para o Ministério da Justiça reúne tais credenciais, o que reforça seu cacife, ao que se soma sua afinidade política com o presidente da República eleito e sua posição no PSB.

Na entrevista a O Globo, não é possível identificar a preferência do ex-governador do Maranhão, se está apostando no convite para a pasta da Justiça, para a Casa Civil, ou ainda para a Integração Nacional, ou na conclusão de que o melhor mesmo é assumir seu mandato de senador, por meio do qual poderá atuar com mais liberdade e desenvoltura como legislador e como articulador político. Quem o conhece sabe que ele se encaixa perfeitamente nos dois perfis. Mas, comprometido com o futuro imediato do País e do novo Governo, sinaliza que a palavra final é a do presidente Lula da Silva.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão age com firmeza e PM desbloqueia BR-135 e libera o acesso a São Luís

Carlos Brandão: posição firme para desmontar bloqueios em rodovias no Maranhão por bolsonaristas insatisfeitos

O governador Carlos Brandão (PSB) deu mais uma demonstração de que por trás da sua aparente timidez está um governante com personalidade forte e com capacidade de tomar decisões firmes em meio a situações grave. Foi um dos primeiros governadores a atender à decisão do presidente do TSE, ministro Alexandre Moraes, e colocar a Polícia Militar em ação contra bloqueio ilegal de rodovias por bolsonaristas insatisfeitos. Por sua determinação, a PM rompeu o bloqueio na BR-135, na BR-010, em Imperatriz, e em Balsas, onde a ação policial foi aplaudida pela população.

Nas redes sociais, ao anunciar que a PM havia desbloqueado a BR-135, na entrada de São Luís, o governador foi categórico: “Não permitiremos desrespeito com o processo democrático. A principal entrada de São Luís não pode ser interditada, nem qualquer outro trecho, por quem desrespeita o resultado do processo democrático das eleições. O nosso governo tomará as medidas cabíveis, obedecendo o que a lei determina, para promover a segurança dos maranhenses”.

Eliziane admite aceitar cargo na equipe de Lula, se for convidada

Eliane Gama: citada como opção

Não somente o senador eleito Flávio Dino (PSB) está sendo citado como ministeriável nas mais diversas listas que circulam sobre a composição da equipe do presidente Lula da Silva. Também a senadora Eliziane Gama (Cidadania), que teve participação importante na campanha do líder petista ao participar de movimento de líderes evangélicos pró-Lula, contrariando a orientação do Conselho de Pastores da Assembleia de Deus do Maranhão, foi citada, ainda que de maneira tímida, como ministeriável.

Em entrevista ao programa Ponto Final, da Rádio Mirante AM, comandado pelo jornalista Jorge Aragão, a senadora declarou que, se for convocada pelo presidente Lula da Silva para ocupar um cargo no Governo, está pronta para aceitar, mas se sua tarefa for permanecer no Senado dando apoio ao Governo, ela também está pronta.

Jornalista por formação e com a experiência de dois mandatos de deputada estadual, um de deputada federal e no exercício de mandato senatorial, a política maranhense é um quadro qualificado, dotada de sólidos conhecimentos acerca da realidade social e econômica do Maranhão e do Brasil, e com uma visão amadurecida da máquina pública. Reúne cabedal suficiente para sair-se bem no comando de um ministério da área social, por exemplo.

– Se o meu nome for colocado para dar apoio ao Governo do presidente [no Congresso Nacional], estarei pronta para apoiar. E se for para participar do governo, também estarei pronta. Estou para somar com o Brasil […] somar com esse processo de transformação de nossa nação – disse.

Difícil, porém, imaginar dois maranhenses na equipe ministerial de Lula da Silva, sendo mais provável a convocação do senador eleito Flávio Dino.

São Luís, 02 de Novembro de 2022.

Brandão freia especulação e avisa que novo Governo só será montado em fevereiro

Carlos Brandão avisa que reforma administrativa só será feita em fevereiro

Para conter uma onda de especulações a respeito de nomes para compor o novo Governo, o governador Carlos Brandão (PSB) aproveitou uma entrevista a uma emissora de rádio para mandar um recado aos interessados e especuladores: a montagem da nova equipe só será feita em fevereiro do ano que vem, depois que o novo Governo da República estiver devidamente instalado. Sua intenção é formar uma equipe afinada com o Governo central, para que as relações institucionais e de cooperação Estado/União aconteçam de maneira produtiva e sem maiores dificuldades. O governador deixou no ar a impressão de que pretende fazer uma reforma ampla, mas sinalizou que alguns nomes da equipe atual deverão continuar nos seus cargos. A ideia básica é formar um Governo com prevalência técnica, uma vez que o seu foco principal é realizar uma gestão eficiente, de resultados. Partidos aliados poderão indicar nomes, mas a palavra final será a do chefe do Executivo, que poderá acatar ou rejeitar a indicação.

Antes da definição do próximo presidente da República, o governador Carlos Brandão estava preocupado, ciente que, se o presidente Jair Bolsonaro (PL) se reelegesse, ele enfrentaria muitas dificuldades, e precisaria montar uma equipe que pudesse construir um diálogo com um Governo Federal politicamente hostil. A eleição do ex-presidente Lula da Silva (PT) muda completamente esse cenário, abrindo caminho para a formação de uma equipe essencialmente técnica, mas com jogo de cintura para dialogar sem tensões com seus interlocutores na Esplanada dos Ministérios. O governador quer tirar o Maranhão do isolamento o em relação ao Governo Federal nos últimos seis anos – dois do sob o presidente Michel Temer (MDB), e quatro sob o presidente Jair Bolsonaro.

Pastas como Fazenda, Educação, Saúde, Cultura, Turismo, Infraestrutura, Desenvolvimento Social e Segurança Pública são cruciais. Os titulares dessas secretarias no novo Governo terão de ser dotados de qualificação técnica e de habilidade política para dialogar com seus correspondentes na esfera federal. Essa relação, que tem sido impraticável com o Governo Jair Bolsonaro, que trata adversários políticos como inimigos, sem levar em conta as necessidades dos estados, será plenamente viável no Governo Lula da Silva. O próprio presidente eleito anunciou a abertura das portas durante a campanha eleitoral.

Mesmo com a vantagem de quem conhece o Governo em profundidade, o governador Carlos Brandão tem grandes desafios pela frente, o que torna mais especial ainda a escolha do novo secretariado. Para citar um exemplo: o novo secretário de Desenvolvimento Social terá a desafiadora tarefa de administrar uma rede de mais de duas centenas de restaurantes populares. Outro exemplo: o titular da Saúde terá de assumir a responsabilidade de comandar a hoje gigantesca estrutura hospitalar, tendo ainda o desafio de ampliá-la e de manter sintonia fina com o Ministério da Saúde. Capitanear estruturas como essas exige qualificação técnica, experiência operacional.

Um dos seus mais enfáticos motes de campanha foi dar continuidade e ampliar os programas sociais do Governo Flávio Dino, e implantar novas ações de grande abrangência. Para tanto, o governador deve abrir espaço para a indicação de nomes por partidos aliados para a montagem do novo secretariado. Mas já avisou que receberá as indicações e avaliará os nomes, sobre os quais terá a palavra final, podendo aproveitá-los ou recusá-los. Além de tecnicamente qualificado, o indicado terá de ser probo, sem qualquer rasura na trajetória.

Circula nos bastidores a especulação de que o governador Carlos Brandão não pretende mexer no núcleo básico da sua equipe, devendo Luís Fernando Silva permanecer secretário de Planejamento e Orçamento, Sebastião Madeira chefe da Casa Civil e José Reinaldo Tavares titular da pasta de Programas Estratégicos. No mais, a reforma administrativa poderá alcançar todo o primeiro escalão ou parte dele. O alcance das mudanças dependerá do perfil do novo Governo Federal e do horizonte que for desenhado pelo presidente Lula da Silva em relação ao Maranhão.  

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino não embarca em listas de ministeriáveis

Flávio Dino: cautela em relação às listas de ministeriáveis

Mesmo apontado como “o único nome certo para o ministério até agora”, segundo matéria publicada ontem pelo jornal Valor Econômico, o senador eleito Flávio Dino (PSB) está usando toda sua experiência e sua habilidade política para não cair na teia das especulações a respeito do seu futuro em relação ao Governo do presidente Lula da Silva. Seu nome aparece com destaque nas mais diversas listas de ministeriáveis, elaboradas por jornais, canais de TV, portais de notícias e outros canais de informação. Todas as citações o relacionam primeiramente com o Ministério da Justiça e, em segundo plano, com a Casa Civil e a pasta da Integração Nacional. Porém, mesmo tendo ouvido do então candidato Lula da Silva a intenção de tê-lo na sua equipe de Governo, o ex-governador do Maranhão só trabalha com uma certeza, a de que será senador da República, com disposição para dar suporte político, legislativo e institucional ao próximo Governo. Além disso, só o presidente eleito Lula da Silva sabe.

André Fufuca sai bem na foto e entra para a História

André Fufuca (d) ao lado de Arthur Lira na declaração histórica

O Maranhão político foi tomado de surpresa com a presença do deputado federal reeleito André Fufuca (PP) ao lado do presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP), na histórica declaração de apoio ao resultado da eleição presidencial e na defesa do sistema eleitoral e das regras constitucionais. O jovem parlamentar não deu um pio sobre o assunto, mas assegurou sua presença na História política do Brasil de uma imagem de um momento decisivo na vida do País. Vale lembrar que o deputado André Fufuca não é um papagaio de pirata. Ele já foi vice-presidente e já presidiu a Câmara Federal, já foi vice-presidente e ocupou a presidência nacional do PP por vários meses, e atualmente é líder da bancada federal do partido, o que lhe garante estatura para estar ao lado do presidente Arthur Lira naquele ato crucial para a estabilidade democrática do país tencionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

São Luís, 01 de novembro de 2022.

Eleição de Lula fortalece Brandão e Dino e recoloca o Maranhão nos espaços de Brasília

Lula da Silva celebra a vitória, que teve importante participação do Maranhão com Flávio Dino, Carlos Brandão e Felipe Camarão

A vitória de Luís Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência da República sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) vai tirar o Maranhão do isolamento em relação ao Governo Federal. Ganham projeção nesse novo cenário, em escala maior, o governador reeleito Carlos Brandão (PSB) e o senador eleito Flávio Dino (PSB), que entraram de cabeça na corrida ao voto e trabalharam sem descanso para fortalecer a candidatura do ex-presidente dentro e fora do Maranhão, comandando, de maneira determinada, a campanha do petista no estado. O trabalho árduo e desafiador dos dois foi decisivo para que Lula da Silva tivesse saltasse de 68,8% dos votos (2.603.454) obtidos no 1º turno para 71,1% (2.663.849) no 2º turno, um resultado muito próximo da diferença dele sobre Jair Bolsonaro nos votos totais do país. Além do prestígio eleitoral do ex-presidente no Maranhão, Carlos Brandão e Flávio Dino abraçaram a candidatura do petista como uma questão de “vida ou morte”, exatamente por saberem que a reeleição do presidente seria um golpe muito duro no Maranhão. Com esse resultado, o governador Carlos Brandão terá um parceiro no comando da República e o senador Flávio Dino um motivo especial para trabalhar duro pela estabilidade política e institucional.

Em qualquer situação, Lula da Silva teria votação majoritária no Maranhão, isso ninguém discute. Mas o tamanho dessa vitória certamente seria menor não fosse o trabalho diuturno, insistente e incansável dos dois líderes da aliança governista. Carlos Brandão, ainda administrando a recuperação da sua saúde, não faltou a um só compromisso que assumira durante a campanha, sem deixar o comando do Governo em segundo plano. Flávio Dino foi para as ruas, comandando caminhadas, carreatas e concentrações em comícios nas mais diversas regiões do estado. Vitoriosos nas urnas na primeira volta, e certos de que o candidato petista teria a maioria dos votos do estado, poderiam deixar o trem seguir sem condutor. Mas fizeram exatamente o contrário: compraram a briga, arregaçaram as mangas e foram à luta. O resultado de ontem mostrou que o envolvimento direto dos dois líderes na campanha foi decisivo para a ampliação da vantagem.

Num plano mais aberto, Flávio Dino terá um papel político abrangente no Governo do presidente Lula da Silva. Sua experiência de ex-juiz federal, ex-deputado federal e ex-governador por dois mandatos, somada à estatura política que ele conseguiu além das fronteiras do Maranhão, o credenciam para exercer um papel de maior relevância. Há quem o veja como futuro ministro da Justiça, cargo que se encaixa no seu perfil e lhe dá espaço para atuar como articulador. Mas há também quem enxergue nele um senador com credenciais para atuar como um articulador da base governista no Congresso Nacional, onde o presidente Lula da Silva vai precisar de suporte competente e confiável para conviver com uma oposição bolsonarista que, pelo menos no início, tentará de tudo para desestabilizar o Governo e com isso alimentar o monumental e perigoso racha nacional.

O presidente eleito tem dado repetidas demonstrações de que não faltará para com o Maranhão. Nas diversas conversas que teve com o governador Carlos Brandão, Lula da Silva repetiu a recomendação para que o governador lhe apresente cinco projetos importantes para o estado. Carlos Brandão disse que atenderá a recomendação, mas deixou claro que além disso vai trabalhar para uma sintonia fina com Brasília, que abra as portas ministeriais. E nesse sentido, o vice-governador Felipe Camarão (PT) terá papel importante na interlocução do Governo do Maranhão com o Governo de Brasília. Nesse contexto, viabilizar cinco projetos é importante, mas é tão ou mais importante será estabelecer uma convivência fácil e produtiva.

O Brasil ganhou com a vitória de Lula da Silva, obtendo a garantia de que permanecerá na seara da democracia plena, e nesse contexto, o Maranhão está na linha de frente dos estados cujos governos e as lideranças mais influentes estarão alinhadas com o futuro Governo que será instalado na República no dia 1º de janeiro do ano que vem, daqui a dois meses, portanto.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane ganha espaço no entorno lulista e é chamada por Lula de “minha querida senadora”

Eliziane Gama deve terpapel importante na base do Governo Lula da Silva no Senado

Sem o tamanho político do governador Carlos Brandão nem do senador eleito Flávio Dino, mas na condição de um quadro hoje importante do Congresso Nacional, a senadora Eliziane Gama (Cidadania), ganhou espaço no entorno do presidente eleito Lula da Silva, que ontem a chamou de “Eliziane, minha querida senadora do Maranhão” na abertura do seu primeiro discurso.

Eliziane Gama não chegou ao entorno do presidente eleito por acaso nem forçando barra. Além de ser oposição dura ao Governo de Jair Bolsonaro, a senadora maranhense assumiu o desafio de se colocar contra a orientação expressa dos chefes da Assembleia de Deus no Maranhão, que exigiram dela apoio ao presidente Jair Bolsonaro. A atitude da senadora rompeu a crosta que os chefes assembleianos e estimulou muitos evangélicos a apoiarem o petista.

A atenção carinhosa do presidente eleito foi um sinal claro de que o presidente Lula da Silva conta com a senadora Eliziane Gama na base do seu Governo.

Weverton volta à cena declarando voto em Lula

Weverton Rocha reapareceu para votar e declarar voto em Lula

Submergido desde a dramática noite de 2 de Outubro, quando as urnas anunciaram que ele havia ficado em terceiro lugar na corrida ao Governo do Estado, atrás do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (PSC), o senador Weverton Rocha (PDT) reapareceu ontem, para votar e, com o “L” feito com os dedos polegar e indicador da mão esquerda, revelando seu voto no candidato do PT, Lula da Silva.  Nas suas redes sociais, ele postou a seguinte declaração: “Hoje é dia de exercermos a nossa cidadania de acordo com a nossa consciência e com muita paz”.

O voto no líder petista foi o primeiro sintoma de que o senador, que preside o PDT no Maranhão, refletiu profundamente durante o seu recolhimento, e está fazendo a caminhada de volta ao seu eixo político e ideológico, afastando-se do projeto de poder impulsivo que contaminou e fragilizou sua candidatura, minou a sua base política e o jogou nos braços do bolsonarismo, a ponto de ter como vice o deputado estadual Hélio Soares, presidente formal do PL maranhense e partidário entusiasmado da candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) à reeleição.

A sucessão de erros impôs uma dura e inesperada derrota ao senador, que no seu recolhimento temporário deve ter feito um mea culpa e iniciado o caminho de volta ao eixo central da sua carreira.

São Luís, 31 de Outubro de 2022.

Cinco milhões de maranhenses dirão hoje o que querem e o que não querem para o seu futuro

Jair Bolsonaro e Lula da Silva representam realidades muito diferentes para o Maranhão

Nada menos que 150 milhões de brasileiros devem ir hoje às urnas para escolher o presidente da República, e com ele o futuro do País. Diante deles, dois caminhos: um conservador, retrógrado em muitos aspectos, com forte viés autoritário e mais identificado com os ricos e com a parte mais abastada da classe média, mas que conseguiu penetração da massa popular, e que tem como representante e chefe quase absoluto o presidente Jair Bolsonaro (PL), que tenta a reeleição; o outro, um projeto de social democracia, já testado, mais identificado com a grande massa popular, e que defende valores democráticos e culturais identificados com as origens brasileiras, tendo como presidente o ex-presidente Lula da Silva (PT). Nessa equação, pouco mais de cinco milhões de maranhenses vão escolher o futuro imediato do estado entre Jair Bolsonaro e Lula da Silva, já tendo sinalizado com clareza sua preferência no 1º turno, escolhendo o ex-presidente com 68% dos votos e rejeitando o presidente com apenas 26% dos votos. Ao fazer sua escolha, o eleitorado maranhense dirá quem e o que será dominante na vida política e cultural do Maranhão.

Se optar pela reeleição do presidente Jair Bolsonaro, a maioria do eleitorado maranhense dirá que quer a permanência do senador Roberto Rocha (PTB) – que será ex-senador a partir de janeiro -, pregando o bolsonarismo no Maranhão mesmo sem mandato, e junto com ele, os deputados federais Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Júnior Lourenço, Pastor Gildenemyr (PL), Aluísio Mendes (PSC), Josivaldo JP (PSD), Juscelino Filho (União Brasil), e deputados estaduais como a extremista evangélica Mical Damasceno (PSD), por exemplo. Vai fortalecer os clubes de atiradores (CACs), sujeitos fortões, tatuados e sem miolo, os grandes proprietários de terras e grandes empresários, o avanço desordenado do agronegócio nas diversas regiões do estado, atropelando a agricultura familiar. Respaldará a transformação das igrejas evangélicas em partidos políticos informais e a dos seus dirigentes em agentes da repressão política. O avanço de itens culturais como o que há de pior na chamada música sertaneja, a falta de incentivo às manifestações culturais. E, finalmente, a permanência do ex-prefeito de São padro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC) como sua expressão política máxima, brigando com Roberto Rocha e Maura Jorge para decidir quem será o porta-voz do governo central. E com o neobolsonarista Simplício Araújo (SD) engrossando o coro. Serão tempos difíceis para o Maranhão.

Se a maioria do eleitorado brasileiro, com o apoio da fatia maranhense, optar pelo ex-presidente Lula da Silva, estarão em alta o governador Carlos Brandão (PSB), o vice-governador Felipe Camarão (PT), os senadores Flávio Dino (PSB) e Eliziane Gama (Cidadania), os deputados federais Márcio Jerry (PCdoB), Duarte Jr. (PSB), Rubens Jr. (PT), André Fufuca (PP), Pedro Lucas Fernandes (União Brasil), e os deputados estaduais Othelino Neto (PCdoB), Rafael Leitoa (PSB), Arnaldo Melo (PP), Roberto Costa (MDB), entre outros. A cultura de base do Maranhão, como o bumba-boi e o tambor de crioula continuarão em patamar justo, enquanto a música maranhense continuará em alta pelas vozes de Josias Sobrinho, Sérgio Habib, Cesar Teixeira, e na força de projetos culturais sólidos como o Boi Barrica. A Igreja Católica continuará consolidada, os restaurantes populares continuarão alimentando milhares todos os dias. E do alto dos seus mais 90 anos, o ex-presidente José Sarney (MDB), um dos patronos da redemocratização, continuará dando lições de política, como sua carta recente em defesa do Supremo Tribunal Federal. Serão tempos de muita esperança para os maranhenses.

As opções são claras em todos os seus vieses. De um lado, a direita cuja banda mais ativa se tornou rancorosa, belicista e agressiva, comandada pelo que há de mais retrógrado nesse campo e cujos líderes pregam o ódio e inibem o posicionamento da direita mais consciente e democrática e mantêm o País em clima permanente de tensão e com riscos de retrocessos. Do outro, uma visão mais humana e mais democrática de política e de sociedade, situada mais à esquerda, mas muito longe dos seus extratos mais radicais, o que a torna política, cultural e socialmente mais confiável, sem riscos de retrocessos.

Com a palavra, o eleitor.

PONTO & CONTRAPONTO

Eliziane ganha respeito ao manter apoio a Lula, apesar da pressão de pastores

Eliziane Gama ganha espaço na base de apoio a Lula da Silva

Nos últimos dias, a senadora Eliziane Gama (Cidadania), que teve atuação discreta durante a campanha do 1º turno das eleições, do qual saiu em baixa, uma vez que seu marido não se elegeu deputado estadual e seu irmão, deputado federal. No segundo turno, a senadora, que é evangélica de raiz, não aceitou a pressão dos líderes maranhenses da Assembleia de Deus para que ela declarasse apoio ao presidente Jair Bolsonaro. E seguindo a linha de ação dos seus aliados no estado, abraçou a candidatura do ex-presidente Lula da Silva. A reação firme da senadora maranhense ao assédio dos chefes assembleianos foi destacada no cenário nacional, tendo ela se tornado uma referência na campanha do líder petista.

Nesse caso, chamou a atenção a atitude dos líderes da Assembleia de Deus no Maranhão. Isso porque, além de cometerem a inaceitável incoerência de transformar a denominação religiosa num braço ativo, quase um partido político, da campanha do presidente Jair Bolsonaro, cometeram, pública e abertamente, o crime de chantagem eleitoral. Uma mancha que dificilmente será apagada na história da Assembleia de Deus no Maranhão.

Weverton não se manifesta sobre 2º turno

Weverton Rocha nos últimos momentos da campanha

Uma pergunta que não quer calar: como votará o senador Weverton Rocha (PDT) no 2º da eleição presidencial? Terceiro colocado na corrida ao Palácio dos Leões, depois de romper com suas origens e aliar-se ao braço bolsonarista no Maranhão, o senador saiu do circuito sem deixar pista a respeito do seu caminho no 2º turno. Muito se especulou a respeito de como o senador se manifestará neste domingo decisivo. A aposta mais viável – que a Coluna endossa – é a de que ele votará no ex-presidente Lula da Silva. Mas há quem diga que o senador votará no presidente Jair Bolsonaro, havendo também quem o veja votando em branco. Difícil imaginá-lo omisso numa situação como essa, não é da sua natureza, nem da sua conveniência. Weverton Rocha é maduro suficiente para compreender que derrota nas urnas faz parte do processo democrático, do qual ele tem sido parte ativa. E sabe também que a decisão de hoje terá impacto decisivo no seu futuro político.

São Luís, 30 de Outubro de 2022.

Márcio Jerry agita meio político ao afirmar que “pode sim” ser candidato a prefeito de São Luís

Márcio Jerry na entrevista à jornalista Silvia Teresa, no programa Direto ao Ponto, da TV Assembleia

“Me sinto muito à vontade para, em sendo o caso, ser sim, candidato a prefeito de São Luís”. A declaração é do deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB), feita ontem em entrevista ao programa Direto ao Ponto, da TV Assembleia, apresentado pela jornalista Silvia Tereza. O parlamentar explicou, porém, que não estava ali anunciando candidatura, mas apenas admitindo a possibilidade de, num amplo debate, dentro da aliança governista. “Eu conheço essa cidade, porque é aqui que eu vivo, convivo, interajo, estudo, pesquiso e milito politicamente”, acrescentou. E na justificativa de possível candidatura, disparou contra a gestão do prefeito Eduardo Braide (sem partido): “São Luís precisa de uma alternativa. Nós estamos cum uma experiência administrativa muito ruim, insípida”.

É verdade que a iniciativa de tratar do assunto não foi dele, mas da entrevistadora, que o provocou. Inicialmente o parlamentar avaliou que ainda é muito cedo para definições em relação às eleições municipais de 2024, mas suas declarações em seguida foram reveladoras de que ele está levando muito a sério a possibilidade de entrar na briga. Isso quer dizer que seu nome está posto e que ele tem disposição para participar efetivamente de um grande debate para a escolha de um nome. “Esse debate é inevitável. E, com toda modéstia, se fosse para ser um concurso público para, entre os candidatos, saber quem conhece mais São Luís, eu me candidataria e venceria esse concurso”, declarou o parlamentar, que é presidente do PCdoB no Maranhão.

Ainda que de maneira meio atravessada, e fazendo a ressalva de que “ainda é cedo”, o deputado federal Márcio Jerry entra na corrida à Prefeitura de São Luís num momento extremamente delicado da política nacional, o segundo turno da disputa presidencial, cujo desfecho, qualquer que seja ele, produzirá fortes repercussões no tabuleiro da política estadual. E também no momento em que o governador Carlos Brandão, que vai dar as cartas na seara governista, ainda depende da definição de domingo para, só depois, montar seu novo Governo. Portanto, nada será definido antes de fevereiro do ano que vem.

Nenhum interessado na Prefeitura de São Luís se movimenta sem levar em conta o fato de que o grande candidato a ser vencido será ninguém menos que o prefeito Eduardo Braide. Ele aguarda o desfecho da eleição nacional e a acomodação das forças vencedoras para, primeiro, resolver o seu destino partidário, após o que entrará no circuito como aspirante assumido à reeleição. Se o seu governo se mantiver como agora, sem delongas e causando em todos a impressão de que sua gestão está dando certo, ficará feio. Enfrentá-lo nas urnas será um desafio e tanto, até mesmo para um político forte e experiente como o deputado Márcio Jerry.

Com a tarimba das raposas felpudas, e com a experiência de quem coordenou a campanha do então deputado federal Edivaldo Holanda Jr. (PSD) à Prefeitura de São Luís, em 2012 e em 2016, e foi um dos chefes mais ativos guerra pelo voto na campanha do governador Flávio Dino em 2014 e em 2018, o deputado federal Márcio Jerry conhece como poucos o mapa político e eleitoral de São Luís. Ele sabe o que está fazendo quando aceita uma provocação feita pelo prefeito e responde revelando sua disposição de chegar ao Palácio de la Ravardière.

O deputado Márcio Jerry poderá entrar no jogo em 2024 enfrentando, além de Eduardo Braide, o ex-prefeito Edivaldo Holanda Jr. e o deputado federal Duarte Jr. (PSB), até aqui tido por muitos como o mais forte adversário do prefeito Eduardo Braide, com quem se bateu em 2020. Sua posição será sumariamente fortalecida se ele obtiver o aval do governador Carlos Brandão e o apoio do senador Flávio Dino.

PONTO & CONTRAPONTO

Debate: Lula mantém equilíbrio e consegue neutralizar as investidas de Bolsonaro

Lula da Silva pautou o debate e deixou Jair Bolsonaro desarmado

Quem assistiu ao debate de ontem na Rede Globo entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Lula da Silva (PT), com isenção jornalística, livre, portanto, do condicionamento imposto pela paixão de posicionado, foi dormir com a forte impressão de que o líder petista conseguir neutralizar as investidas do candidato do PL e foi para casa apontado como vencedor do confronto decisivo. Não foi uma vitória demolidora, com a força de um nocaute, mas foi obtida por pontos em cada round, o suficiente para desarmar o presidente Jair Bolsonaro e conduzir o enfrentamento de maneira propositiva e sob controle. Adotada de maneira eficiente pelo candidato do PT, a estratégia de não “bater boca” nem trocar insultos com o adversário funcionou a olhos vistos. Lula da Silva usou sua vasta experiência para mostrar a fragilidade de Jair Bolsonaro como gestor.

Lula da Silva não vacilou, não se deixou atingir pelas provocações de Jair Bolsonaro, conseguindo pautar o debate com o maior número de proposições. Mostrou-se um candidato equilibrado, cauteloso, mas muito seguro nas suas afirmações, principalmente em relação a temas polêmicos, como aborto e corrupção. Demonstrou conhecimento sobre todos os temas lhe foram propostos, recorreu pouco a papéis e não usou “colinha” escrita nas mãos. Conseguiu desviar-se da maioria das “cascas de banana” que o presidente atirou no seu caminho, ao mesmo tempo que deixou o candidato do PL sem respostas ou respondendo de maneira confusa. Usou o espaço com movimentos medidos, evitando ombrear-se com Jair Bolsonaro. Lula da Silva foi mais comedido e optou por falar direto com o telespectador, evitando o máximo possível se aproximar do presidente. Se movimentou sempre saindo da bancada, índice para a câmera e retornando à bancada. Se não dominou completamente a cena, fez o suficiente para neutralizar o adversário, que foi preparado para provocá-lo e desestabilizá-lo. Lula terminou sua participação com uma mensagem serena, mas firme, pedindo votos.

Jair Bolsonaro não conseguiu escondeu a tensão. Usou todo o seu arsenal de adjetivos depreciativos contra o ex-presidente, mas a maneira como falou e se movimentou no cenário tirou dele a serenidade que precisava para dar mais credibilidade às suas declarações. Pareceu ter cumprido o roteiro que lhe prepararam, mas a sua intensa movimentação, andando de pernas abertas e preocupando-se em atacar o adversário com munição recorrente – petrolão, aborto, relações com Cuba e Venezuela, etc.. Não conseguiu potencializar nenhum desses temas contra o adversário. Em alguns momentos pareceu perplexo ante investidas de Lula da Silva, como que apanhado de surpresa e sem a “colinha” para socorrê-lo. O presidente tentou várias vezes se aproximar do ex-presidente, mas foi por ele repreendido com um sonoro “Não quero você perto de mim”. O presidente Jair Bolsonaro terminou o debate com o seu bordão recorrendo ao “Deus acima de todos”.

Qualquer avaliação honesta do debate certamente chegou à conclusão de que o ex-presidente da República teve desempenho mais eficiente do que o atual presidente, sem tê-lo nocauteado.

São Luís, 29 de Outubro de 2022.

Brandão e Dino: com Lula, o melhor dos mundos; com Bolsonaro, convivência complicada

Carlos Brandão e Flávio Dino terão relações positivas com Lula da Silva, de quem são aliados de primeira hora, e tensas com Jair Bolsonaro, de quem são adversários de primeiro plano

Um dos estados mais fortemente posicionados na disputa presidencial, o Maranhão, mesmo sem o peso de unidade federada rica, é visto com potencial para ganhar um papel politicamente relevante, tanto num governo liderado pelo ex-presidente Lula da Silva (PT), quanto numa eventual continuidade do presidente Jair Bolsonaro (PL). Os dois representam situações radicalmente antagônicas, cada uma com seus porta-vozes maranhenses no Congresso Nacional. No epicentro do cenário produzido por um governo lulista ou bolsonarista estarão duas figuras centrais, o governador reeleito Carlos Brandão (PSB), no campo executivo, e o futuro senador Flávio Dino (PSB), no campo legislativo. Se as urnas de domingo confirmarem a tendência pró-Lula da Silva, o governador e o senador atuarão alinhados na convivência com um governo aliado. Se a tendência não se confirmar e o presidente Jair Bolsonaro for reeleito, o cenário muda radicalmente para os dois, que terão de conviver com um governo hostil. Carlos Brandão e Flávio Dino estão plenamente cientes dessa realidade e se preparam para se ajustar a que vingar nas urnas.

A eleição de Lula da Silva abrirá as portas do Palácio do Planalto e dos ministérios ao governador Carlos Brandão, que será tratado com a distinção dos aliados de proa. Tal situação já foi conversada informalmente nos diferentes encontros do governador com o candidato do PT, tanto que o próprio Lula da Silva revelou, em fala pública, que recomendara a Carlos Brandão a definição de projetos importantes a serem levados a Brasília tão logo seu governo seja instalado, caso seja eleito. Um governo do petista tirará o Maranhão do isolamento imposto pelo Palácio do Planalto. O governador do Maranhão fará parte da base de apoio do presidente, ocupando o espaço conquistado pela aliança do PT com o PSB.

Se, por outro lado, o presidente Jair Bolsonaro conseguir a reeleição, o governador Carlos Brandão terá dias difíceis pela frente. Não há qualquer sinal de que continuando no Palácio do Planalto o presidente Jair Bolsonaro mude sua posição em relação aos integrantes da aliança PT/PSB no Maranhão. A seu favor, o governador Carlos Brandão tem a experiência de quem sabe como funciona a relação institucional dos governos estaduais com o governo da União, conhece os limites do poder do presidente e dos direitos dos estados, o que lhe dá as condições para costurar uma convivência minimamente produtiva. Tremores acontecerão, mas nada que inviabilize o governo do Maranhão.

No caso do senador Flávio Dino, seu projeto de mandato será um com um governo de Lula da Silva e outro com um governo Jair Bolsonaro. Num eventual governo petista, Flávio Dino desembarcará no Senado com a responsabilidade de trabalhar para garantir governabilidade, que será fragilizada pelas forças bolsonaristas que ganharam espaço no Congresso Nacional, especialmente na Câmara Alta. Poderá exercer o mandato senatorial como líder e articulador, que pode ser decisivo para um governo petista. Nos bastidores permanece forte a especulação de que num governo de Lula da Silva será convocado para comandar o Ministério da Justiça, um cargo que muitos apontam como ideal para o ex-governador, que é ex-juiz federal. Em resumo: num eventual governo petista Flávio Dino terá força.

Se der Jair Bolsonaro nas urnas de domingo, o senador Flávio Dino será oposição destacada. Ali, enfrentará a banda governista, que terá em seus quadros o ex-juiz Sérgio Moro, com quem provavelmente travará fortes embates, uma vez que o ex-chefão da Lava-Jato já deu sinais claros de que atuará em defesa do governo bolsonarista. A julgar pelo seu discurso antes, durante e depois da campanha estadual, não resta nenhuma dúvida de que o mais novo senador do Maranhão será uma pedra no sapato do presidente da República.

Não se discute que a política tem um grau elevado de imprevisibilidade, mas no que diz respeito às relações do governador Carlos Brandão e do senador Flávio Dino com o Palácio do Planalto habitado por Lula da Silva ou por Jair Bolsonaro nos próximos quatro anos serão radicalmente diferentes.

 PONTO & CONTRAPONTO

Pesquisa Datafolha aponta estabilidade na vantagem de Lula sobre Bolsonaro

A pesquisa Datafolha divulgada ontem funcionou como um choque de alta tensão no campo bolsonarista em todo o País e teve o poder de injetar mais ânimo na seara lulista. O instituto apurou que, com 49% das intenções de voto, o ex-presidente Lula da Silva (PT) a mantém vantagem, enquanto que o presidente Jair Bolsonaro (PL) oscilou para menos e está com 44% das intenções de voto. Para alguns analistas com os pés no chão, se não houver um fato relevante com poder para alterar as últimas horas de campanha, o líder petista deve ser vitorioso das urnas. O “deve”, no caso, vem do quadro de estabilidade nas posições, e da dianteira que o ex-presidente Lula da Silva conseguiu em Minas Gerais, que para muitos analistas será decisiva nessas eleições. Esse cenário de derrota iminente está tirando o presidente Jair Bolsonaro do eixo, tornando-o um candidato tenso, enquanto que Lula da Silva exibe segurança. É como os dois vão chegar no debate de hoje, na Rede Globo, que para boa parte dos observadores terá peso decisivo no resultado das urnas neste Domingo.

TV Assembleia amplia serviços jornalísticos e espaço no YouTube

Edwin Jinkings comanda o processo de inovações na TV Assembleia, como o programa “Direto ao Ponto”

A TV Assembleia do Maranhão ganhou ontem um atestado de veículo de comunicação maduro e detentor de estatura e prestígio ao ultrapassar a marca de 130 mil inscritos no seu canal no YouTube, ingressando, já bem situada, no ranking das principais emissoras maranhenses com melhor desempenho nas redes sociais. A conquista não caiu do céu nem foi dada de graça. É fruto de muito trabalho, de bons projetos e apostas bem alinhadas com a realidade de uma empresa de comunicação pública e relativamente jovem. Por trás das arrojadas e bem-sucedidas iniciativas está o jornalista Edwin Jinkings, diretor de Comunicação da Assembleia Legislativa, auxiliado pela jornalista Silvia Tereza, diretora-adjunta, e com o suporte de uma boa equipe de profissionais de Jornalismo e de suporte técnico.

O crescimento da emissora no YouTube é 100% orgânico e resultado de exibições de telejornal diário, reportagens especiais, programas, transmissões ao vivo das sessões plenárias, das audiências públicas e de eventos que realizados na instituição legislativa. Ações que mobilizam diariamente toda a equipe de profissionais da emissora, que se esforça para oferecer conteúdo jornalístico de boa qualidade aos internautas. Daí vem a explicação para o fato de que as visualizações dos vídeos da TV Assembleia já bateram a marca dos 23 milhões. Entre as reportagens mais assistidas no canal estão “Agosto Dourado”, que incentiva o aleitamento materno, com quase cinco milhões de visualizações, e “Tesouros do MA: conheça o Ritual da Menina Moça”, que mostra a tradição da nação indígena Guajajara, com mais de três milhões de visualizações.

Responsável direto pelo avanço produtivo da TV Assembleia, Edwin Jinking explica: “Alcançar esse público muito nos alegra. Isso é resultado, também, de um grande esforço da nossa equipe, que trabalha integrada e com muito profissionalismo. Quanto maior o alcance, mais levamos o nosso importante conteúdo para todo o Maranhão, outros estados brasileiros e a alguns países. Que venham mais seguidores”.

Silvia Tereza, que além de diretora adjunta é apresentadora do bem-sucedido programa de entrevistas “Direto ao Ponto”, avalia que o profissionalismo e o alto nível de comprometimento de toda equipe da TV Assembleia são pontos chaves para o crescimento do espaço da emissora no YouTube: “O canal da TV Assembleia do Maranhão no YouTube está entre os que têm o maior número de seguidores ou inscritos em relação às demais emissoras do estado. Isso se deve ao nosso volume de transmissões, lives, que cresceu nos últimos cinco anos, e, também, ao potencial dos vídeos de reportagens e produções do nosso veículo legislativo”.

Vale registrar que as inovações que estão dando estatura à TV Assembleia são inteiramente avalizadas pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Othelino Neto (PCdoB), que é jornalista por formação, sabedor, portanto, da importância de uma emissora dessa natureza.

São Luís, 28 de Outubro de 2022.

Já são dois candidatos ao comando da Famem; disputa ganhará força após eleição presidencial

Bruno Silva entra na disputa com Ivo Rezende pelo comando da Famem, que deve atrair outros candidatos na próxima semana

Um dos principais termômetros da política maranhense, a Federação de Municípios do Estado do Maranhão (Famem), que congrega a maioria dos 217 prefeitos, entra, agora efetivamente, no radar dos grupos políticos e partidários, por causa do processo sucessório, que deve ser realizado em Janeiro, com a eleição da nova diretoria. Dois prefeitos – Ivo Rezende (PSB), de São Mateus, e Bruno Silva (PP), de Coelho Neto -, expoentes da novíssima geração de políticos maranhenses, se lançaram candidatos a presidente da entidade, emitindo fortes sintomas de que a disputa será dura e envolverá muito mais do que as aspirações de cada um deles. Outros prefeitos estão de olho no comando da entidade, que deveria tão somente ser porta-voz do municipalismo no Maranhão, mas que foi transformada num braço político poderoso a serviço de quem está no comando, caso do senador Weverton Rocha (PDT), que controla a entidade por meio do seu homem de confiança, Erlânio Xavier (PDT), prefeito de Igarapé do Meio e vice-presidente estadual do PDT.

O prefeito de São Mateus, Ivo Rezende, ainda não tem o apoio formal do seu partido, mas todos os sinais sugerem que ele não entrou nessa disputa somente pela sua vontade de comandar a entidade. Nos bastidores, correm rumores de que o prefeito de São Mateus deve receber o aval do PSB. Por outro lado, o prefeito de Coelho Neto, Bruno Silva, tem como patrono o deputado federal André Fufuca, que comanda o PP no Maranhão e tem peso expressivo na política federal. Tanto Ivo Rezende quanto Bruno Silva são prefeitos engajados e enxergam na Famem um instrumento de ação política que extrapola sua natureza como entidade municipalista.

Isso está acontecendo porque a entidade foi colocada sob o controle do senador Weverton Rocha, que na troca de comando em 2017, estreou seu mandato senatorial movendo céu e terra para eleger Erlânio Xavier presidente da entidade. A eleição do vice-presidente do PDT deu uma imensa massa de poder ao projeto do senador Weverton Rocha de chegar ao Palácio dos Leões, cacife reforçado com a eleição de mais de 40 prefeito em 2020, tornando-o, à vista de muitos, um candidato quase imbatível na disputa pelo Governo do Estado. O seu projeto ficou ainda mais claro em janeiro do ano passado, quando acionou todo o poder de fogo da sua máquina política para reeleger Erlânio Xavier, numa disputa ferrenha contra o prefeito reeleito de Caxias, Fábio Gentil (Republicanos), apoiado pelo então vice-governador e pré-candidato a governador Carlos Brandão.

Mesmo duramente derrotado nas urnas, passando de favorito a terceiro colocado na corrida ao Palácio dos Leões, vencida em turno único pelo governador reeleito Carlos Brandão, o senador Weverton Rocha provavelmente tentará emplacar o sucessor de Erlânio Xavier, que também chega ao final do segundo mandato politicamente emagrecido. Mas são poucos no meio político os que acreditam que ele terá fôlego para bancar uma candidatura com alguma viabilidade. E se perder o comando agora, dificilmente o terá de volta, podendo considerar uma perda quase definitiva.

A entrada dos prefeitos de São Mateus e de Coelho Neto, dois municípios de peso nas regiões onde estão situados, na disputa, tira o protagonismo do senador pedetista e do atual presidente, seu lugar-tenente. A começar pelo fato de que os dois aspirantes à presidência da Famem são alinhados ao Palácio dos Leões, o primeiro tendo como patrono o ex-prefeito Miltinho, e o segundo tem o aval do deputado federal reeleito André Fufuca, aliado do governador Carlos Brandão, e um dos chefes nacionais do PP, e que planeja passos políticos mais arrojados nas próximas eleições.

Outros nomes certamente surgirão nas próximas semanas, principalmente depois do desfecho da eleição presidencial no próximo domingo. Isso quer dizer que a Famem vai continuar com dois eixos, o das ações municipalistas e o do seu uso como máquina de ação política e eleitora do grupo que vier a comandá-la.

 PONTO & CONTRAPONTO          

Brandão joga aberto sobre montagem do novo Governo e relação com políticos

Carlos Brandão manda recados sobre montagem do novo Governo e relação com lideranças aliadas e adversárias

Numa entrevista que concedeu nesta semana ao jornal Folha de S. Paulo, o governador Carlos Brandão (PSB) mandou dois recados à classe política do Maranhão, incluindo aliados e adversários. No primeiro, avisa como será a participação de partidos aliados no seu próximo Governo. No segundo, diz como será sua relação com os políticos aliados e adversários.

Primeiro: “Os partidos que nos ajudaram a tendência é ocuparem espaço no governo. Qual é a nossa preocupação? É a indicação de um quadro técnico qualificado. O partido que nos ajudou, compôs a nossa base, não tem nenhum problema fazer indicação. Só que tem o crivo da qualificação técnica, o histórico dessa pessoa”.

Segundo: “A gente tem que desarmar o palanque. Eu me conduzi de modo diferente aqui. Nos debates, não parti para a agressão. Acabou a eleição, o palanque está desmontado. Estou aberto aqui no Palácio dos Leões [sede do governo] para receber qualquer deputado. Receber não significa que terá privilégio. É lógico que nossos apoiadores terão uma atenção diferenciada, mas os que não apoiarem não serão discriminados”.

Mais claro, impossível.

Roberto Costa se solidariza com a senadora Eliziane Gama

Roberto Costa: solidário com Eliziane Gama

“Eliziane tornou-se uma figura política nacional exatamente pela sua fidelidade cristã e atuação política permanente em defesa dos direitos humanos e das minorias. Ela conquistou o respeito não somente do Maranhão, mas também do Brasil”.

Foi como o deputado Roberto Costa (MDB) se solidarizou com a senadora Eliziane Gama (Cidadania), diante da agressiva posição da cúpula da Assembleia de Deus no Maranhão, perlo fato de a parlamentar haver declarado apoio ao ex-presidente Lula da Silva (PT) na disputa pela presidência da República.

O líder emedebista foi mais longe ao afirmar que sua solidariedade à senadora Eliziane Gama não se limita ao episódio, mas alcança sua história política ao longo dos mandatos como deputada estadual, deputada federal e senadora. E concluiu: “Tenho certeza de que sua posição está em sintonia com os anseios da nossa população, principalmente da parte mais pobre”.

São Luís, 26 de Outubro de 2022.

Maranhão: com forte apoio, Lula pode aumentar votação; sem líderes, Bolsonaro pode emagrecer ainda mais

Lula da Silva deve vencer de novo Jair Bolsonaro no Maranhão

Não será surpresa se, independentemente do resultado da disputa no âmbito nacional, o ex-presidente Lula da Silva (PT) sair das urnas maranhenses com mais de 68,84% dos votos (2.603.454), podendo chegar aos 80% da votação no próximo domingo, impondo mais uma dura derrota ao presidente Jair Bolsonaro (PL), que no 1º turno recebeu 26,02% (983.861) no estado. E os motivos estão muito claros: a esmagadora maioria dos maranhenses acreditam no ex-presidente Lula da Silva, não gostam do presidente Jair Bolsonaro e estão em sintonia com as principais lideranças políticas do estado – o governador reeleito Carlos Brandão (PSB), o senador eleito Flávio Dino (PSB), o vice-governador eleito Felipe Camarão (PT) e o presidente da Assembleia Legislativa o deputado estadual reeleito Othelino Neto (PCdoB), partidários do candidato petista. Já o presidente Jair Bolsonaro, além de ser rejeitado pela maioria dos eleitores maranhenses, continua com uma campanha sem líderes, feita apenas por apoiadores, que estariam se mobilizando para dar uma demonstração de força com grandes carreatas entre sexta-feira (28) e sábado (29), como fizeram na véspera do 1º turno em São Luís e em algumas das maiores cidades do estado.

A menos que haja uma reviravolta fantástica, fora de todos os níveis de previsão, o candidato do PT será o vencedor das eleições no Maranhão, e muito provavelmente com uma votação bem maior do que a que recebeu no 1º turno. Isso porque, além da afeição política que desfruta no eleitorado maranhense desde sua primeira campanha vitoriosa, em 2002 e repetida em 2006, Lula da Silva conta com sólidos aliados no estado. Atualmente, o grupo que lhe dá sustentação é a aliança articulada pelo ex-governador e senador eleito Flávio Dino e cujo comando está com o governador reeleito Carlos Brandão. O governador e o senador eleito decidiram mergulhar de cabeça na campanha do 2º turno, com a determinação de aumentar o cacife eleitoral do líder petista.

Desde a semana passada, os líderes da aliança PSB/PT/PCdoB estão comandando atos gigantescos em todo o estado, como a grande caminhada que uniu maranhenses e piauienses na Ponte da Amizade, que liga Timon (MA) e Teresina (PI); um movimento, no domingo, que reuniu uma multidão em São Luís, que começou na Avenida Litorânea e terminou sobre a Ponte José Sarney, além de gigantescos “arrastões” em cidades como Chapadinha e Coelho Neto. Uma série de atos está programada para até sábado, véspera da eleição. O clima é de visível animação, com líderes e militantes pró-Lula da Silva mostrando otimismo.

A campanha do presidente Jair Bolsonaro se dá no Maranhão por “geração espontânea”, sem a ação aberta e ostensiva de líderes, contando apenas com a movimentação de grupos formados com os esforços de apoiadores. O ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim (PSC), que ficou em segundo lugar na disputa pelo Governo do Estado com forte apoio de bolsonaristas, saiu de cena, e só depois de ser duramente cobrado, gravou declarações de apoio ao presidente no 2º turno. O deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que comanda o PL, partido do presidente, no Maranhão, saiu de cena, fazendo de conta que sua agremiação não tem candidato ao Planalto. Homem de proa na bancada bolsonarista na Câmara Federal, o deputado federal Aluísio Mendes (PSC) não tem feito campanha ostensiva pró-Bolsonaro. Assim como eles, outros bolsonaristas, como o deputado federal não reeleito Edilázio Jr. (PSD).

E o senador Roberto Rocha, o mais assumido partidário do presidente Jair Bolsonaro, está com seu prestígio político e eleitoral tão em baixa, que prefere ganhar notoriedade tentando confrontar com o ministro-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, que sequer se dignou a responder a sua provocação, ou seja, não lhe deu nenhuma importância. E no que diz respeito à corrida pelo voto, que é o que de fato interessa ao presidente da República nesse momento, não se soube de alguma ação de caça ao voto liderada pelo senador.

É esse o contexto que indica que todos os ventos estão soprando no sentido de que, pelo menos, a votação do 2º turno será, no mínimo, a repetição do 1º turno, podendo chegar ao aumento aspirado pelos líderes da campanha lulista no Maranhão.

PONTO & CONTRAPONTO

A guinada radical de Simplício Araújo para a extrema direita

Simplício Araújo: revelou sua identidade ideológica

Numa guinada sem precedentes na política estadual, o suplemente de deputado federal Simplício Araújo, que comanda o Solidariedade no Maranhão, saiu do grupo pró-Lula da Silva (PT), liderado pelo ex-governador e senador eleito Flávio Dino (PSB), onde passou oito anos camuflado, para mostrar agora a sua verdadeira identidade ideológica: a extrema direita, e declarar-se apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL). Suplente de deputado federal duas vezes seguidas, ele ganhou a presidência do SD no Maranhão, e nessa condição participou de arranjos partidários que o levaram à Secretaria de Indústria, Comércio e Energia nos dois períodos do governador Flávio Dino. Na avaliação geral, foi um secretário ativo e realizou ali um bom trabalho, dialogando com a classe empresarial e atuando de maneira eficiente na pandemia. Todavia, numa guinada que ninguém conseguiu explicar até agora, Simplício Araújo decidiu ser candidato a governador, falando alto e ameaçando seguir outro caminho se não fosse ele o candidato do grupo dinista aos Leões. Não foi escolhido e, num outro lance destrambelhado, se lançou candidato solo, sem eira nem beira, migrando para a oposição num processo lento, confuso e absolutamente inexplicável. Ao longo da campanha, foi triturado por ele próprio, num inacreditável processo de autodestruição política. Terminou a eleição atrás de Hertz Dias (PSTU), com míseros cinco mil votos, quando poderia, se tivesse mantido a coerência, ter se elegido deputado federal. Na sua guinada, ele deu mais um passo na contramão da esmagadora maioria dos maranhenses, e aderiu ao presidente Jair Bolsonaro, com quem assumiu ter total afinidade ideológica. Onde vai parar, só o tempo dirá.

Memória

Sacada genial de João Alberto mudou o curso da eleição de 1990 entre Lobão e Castelo

João Alberto teve a sacada que minou João Castelo e elegeu Edison Lobão governador do Maranhão em 1990

Em 1990, portanto há 32 anos, o Maranhão assistiu a uma virada espetacular na disputa para o Governo do Estado.

De um lado, estava o senador João Castelo (PDS), embalado pela força avassaladora do então presidente Fernando Collor (PRN), que naquele momento era o todo-poderoso da política nacional. Do outro, o senador Edison Lobão (PMDB), apoiado pelo governador João Alberto e pelo ex-presidente José Sarney (PMDB), que estava em baixa, tentando eleger-se senador pelo Amapá, já que o PMDB lhe negara vaga no Maranhão.

Com a força de Collor e embalado pelo slogan “Agora é Castelo”, lançado por um comercial convincente, no qual o prestigiado ator Lima Duarte completava dizendo que a “mudança só depende de nós”, João Castelo liderou todo o 1º turno. Lobão, por sua vez, fez a campanha possível, apostando numa virada improvável no 2º turno.

Divulgados os resultados, a cúpula da campanha de Edison Lobão se reuniu à noite na residência de veraneio do governador, em São Marcos, para analisar o cenário e tomar decisões.

Liderada pelo ex-presidente José Sarney, que havia sido eleito senador pelo Amapá, a reunião começou tensa, com uma discussão acirrada sobre o que fazer. Em meio ao clima pesado, o governador João Alberto pediu a palavra, todos se calaram, e ele disparou:

– O slogan da campanha é “Agora é Lobão”.

Todos aprovaram com entusiasmo, pois a ideia resolveu metade dos problemas da campanha. Além de firmar o slogan demolidor, a cúpula decidiu, já por volta da meia-noite, que o “Agora é Lobão” deveria amanhecer nos muros mais visíveis de São Luís e de algumas cidades, como Imperatriz, por exemplo.

Foi um corre-corre, mas o fato é que o “Agora é Lobão” amanheceu em muitos muros, principalmente em São Luís, desnorteando fortemente a campanha de João Castelo, que pretendia prosseguir com o slogan “Agora é Castelo”, mas o viu prejudicado.

Houve reações iradas na cúpula castelista, protesto registrado na Justiça Eleitoral, tentativa de apagar o que fora pintado nos muros. Nada, porém, foi suficiente para mudar o curso da campanha de Edison Lobão, agora turbinada por um slogan de poder avassalador.

O resultado foi que o genial insight do governador João Alberto turbinou a campanha de Edison Lobão, que virou o jogo e venceu a eleição por boa margem.  

São Luís, 25 de Outubro de 2022.      

Brandão mostra segurança e começa a dar forma e cara ao seu Governo

Carlos Brandão: firmeza nas decisões e palavra final no comando do Governo do Estado

Quem imaginou que Carlos Brandão (PSB) seria um governador inseguro e influenciado por terceiros, tropeçou na avaliação. O governante reeleito do Maranhão vem dando seguidas demonstrações de que governa em sintonia com seus principais aliados, mas tem a palavra final sobre tudo o que diz respeito ao Poder Executivo, a começar pelas decisões de Governo, sobre o qual tem domínio total desde que assumiu, no início de abril. “Até agora, ele não vacilou em nenhuma tomada de decisão”, disse à Coluna um dos seus mais próximos aliados. E é com esse cacife e esse senso de autoridade que o governador reeleito vai aos poucos moldando rapidamente a imagem do seu Governo ainda embrionário. E foi com base nessa linha de ação que decidiu manter o Governo funcionando a pleno vapor, e vai preparando, para depois da diplomação como governador reeleito, a montagem do seu novo Governo, a ser instalado em janeiro. Ao mesmo tempo, Carlos Brandão chamou para si a tarefa de comandar a campanha do ex-presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, avisando que só depois do 2º turno se dedicará a montar as peças da sua equipe de governo.

Nos primeiros dias da sua gestão, o governador Carlos Brandão atuou de maneira discreta e cautelosa, o que agora é explicado pelo fato de que, naquele momento, ela já começava a ser afetado pelo problema de saúde. E para evitar que a situação se tornasse mais grave mais à frente, com a confirmação da dificuldade na saúde, ele tomou todas as providências no campo administrativo, para poder se afastar, sem maiores problemas, por 45 dias. No mês e meio que permaneceu em São Paulo, e com a anuência do governador interino, desembargador Paulo Velten, Carlos Brandão participou de todas as decisões de Governo por meio de vídeoconferência, realizando de pelo menos duas reuniões virtuais por dia com membros do secretariado. Recuperado, deu ao Governo um ritmo de maratona, inaugurando e anunciando obras, e anunciando decisões, como a criação do curso de Medicina na UEMA, entre outras.

No campo político, o governador comandou a vitória da sua coligação no 1º turno das eleições, que resultou na sua reeleição e na eleição do ex-governador Flávio Dino (PSB) para o Senado, e com aliados na Câmara Federal e muita força na Assembleia Legislativa. Além disso, foi um dos principais apoiadores do ex-presidente Lula da Silva (PT) no Maranhão, onde o petista alcançou 68% dos votos, contra 26% obtidos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Foi do governador reeleito, por exemplo, a meta de elevar a votação do ex-presidente para 80% no estado, anunciada na segunda-feira (3/10), quando, juntamente com o senador eleito Flávio Dino, liderou comício na Praça Deodoro. Ali, ele convocou a militância aliada, a “enfrentar o sol e a lua”.

Ainda no campo político, independentemente do resultado da eleição presidencial, o governador Carlos Brandão parece determinado a evitar que divisões políticas criem situações de tensão no Maranhão. E deixou isso claro ontem, quando divulgou nas suas redes proposta no sentido de que as diferenças políticas sejam superadas, avisando que está aberto ao diálogo, e que no seu Governo não retalia adversários eleitorais. E foi mais claro: “Em eleição é natural que haja disputa e acirramento de ânimos. Mas no Governo não há espaço para ódio nem perseguição. Governamos para o Maranhão, para melhorar a vida do povo”. E deu uma demonstração prática ao receber o comando da Fetaema, a mais importante entidade que congrega sindicatos de trabalhadores rurais no Maranhão, que no 1º turno das eleições atuou alinhada ao candidato do PDT, senador Weverton Rocha. Na parte mais informal da conversa, disse que “isso é página virada”.

As decisões e atitudes do governador reeleito Carlos Brandão são reveladoras de que ele sabe onde está, sabe o que está fazendo e sabe onde quer chegar. E com a certeza de que terá o apoio do seu maior aliado, o senador eleito Flávio Dino e seu grupo.

PONTO & CONTRAPONTO

Democrata convicto e um dos patronos da ordem institucional, José Sarney sai em defesa do Supremo

José Sarney: patrono da democracia cobra respeito ao Supremo Tribunal Federal

Em meio à ameaça de caos institucional feita pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), na reta final da campanha eleitoral, e antevendo a possibilidade de concretização de um projeto de poder autoritário com a intensificação de uma catilinária primitiva contra o Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente José Sarney (MDB), do alto dos seus mais de 90 anos, faz um eloquente chamado ao País no sentido de que, independentemente de partidarismo ou ideologia, os brasileiros se unam em defesa da mais sólida e necessária instituição do Brasil, a Corte maior do Poder Judiciário. Democrata por essência, com o ativo de quem conduziu a transição que tirou o Brasil da ditadura militar e o recolocou nos trilhos da democracia, autor que foi da convocação da Assembleia Nacional Constituinte, geradora da ordem institucional vigente, baseada nos pilares da democracia, o ex-presidente da República dá uma lição de civilidade política com a carta em defesa do Supremo Tribunal Federal. O maior recado da sua iniciativa é o que lembra que Judiciário fraco é o caminho para as tiranias, exatamente o que pretende o atual presidente da República. Segue a manifestação do ex-presidente José Sarney, que deve ser lida e refletida por todo cidadão de bom senso:

O Supremo Tribunal Federal nunca faltou à Nação. É sobretudo nos momentos difíceis como o que vivemos que ele assegura os direitos humanos, individuais, difusos e sociais, o Estado de Direito, o governo das liberdades e sobretudo a democracia, que não existe sem a Justiça.

Fui o orador do Centenário do STF e ressaltei que Machado de Assis dizia que sua vitaliciedade dava à Casa uma consciência da duração perpétua, responsável que fora, era e é pela unidade nacional.

Na sofrida história brasileira foram fechados o Executivo e o Legislativo, nunca o Judiciário. Rui Barbosa declarou: “Eu instituo esse Tribunal venerando, severo, incorruptível guarda vigilante desta terra”. A estrutura do País repousa sobre o Supremo Tribunal Federal que será sempre a base da democracia e da liberdade.

Minha solidariedade à Suprema Corte e a seus Ministros, que zelam pelas instituições. Sem um Supremo forte e íntegro não há democracia e os direitos individuais desaparecem.

Devemos nos reunir todos, sem partidarismo ou ideologia, e prestigiar o Supremo Tribunal Federal. É ele que guarda a Constituição, nossa garantia como Nação democrática.

José Sarney

Prefeito de São Mateus confirma candidatura à presidência da Famem

Ivo Rezende

Na edição de sexta-feira (21/10), a Coluna comentou o monumental obstáculo que a Operação Arconte – feita pela Polícia Federal para desmontar esquemas de corrupção em cinco prefeituras maranhenses, entre elas São Luís, São José de Ribamar e Caxias – colocou no caminho que poderia levar o prefeito caxiense, Fábio Gentil, à presidência da Famem. E apontou, em primeira mão, o prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), como um nome forte da seara governista, para disputar o comando da entidade municipalista. A informação de RepórterTempo assanhou os bastidores municipalistas e parte da blogosfera, que manifestaram surpresa, mas que caíram “na real” quando o próprio prefeito Ivo Rezende referendou o registro com a confirmação da sua candidatura.

A revelação de RepórterTempo deflagrou a corrida sucessória na Famem, que a partir de janeiro deixará de ser uma peça fundamental no arsenal político do senador Weverton Rocha.

São Luís, 23 de Outubro de 2022.