Não bastasse toda a movimentação registrada até aqui, a corrida pelas duas cadeiras no Senado continua produzindo notícias. Na última quinzena, três bombas: a decisão da deputada federal Roseana Sarney (MDB) de não concorrer a uma das cadeiras, o aviso dramático feito pelo ex-senador Roberto Rocha (Novo) de que também estaria em dúvida sobre se será ou não candidato, e finalmente a denúncia de suposta maquinação para detonar o projeto de candidatura do deputado federal Duarte Jr. (Avante). O que chama a atenção nesses três fatos é que os seus protagonistas estão na linha de frente entre os pré-candidatos com mais poder de fogo para disputar as eleições com potencial para saírem das urnas com passaporte para morar oito anos em Brasília.
Roseana Sarney deixa a seara eleitoral para cuidar da saúde. Ela abre mão do apoio milhares e milhares de eleitores, que agora terão de procurar um novo para dedicar os votos. Roseana vinha liderando a corrida com um bom cacife, mas também aparecia como campeã de rejeição. Avaliou corretamente que melhor seria não concorrer, tendo também perdido o interesse em tentar a reeleição de depurada federal. Parte da decisão da ex-governadora foi motivada pelo seu estado de saúde, e parte por diferenças dentro do seu partido, o MDB, com grupos querendo-a candidata, e outros preferindo que ela se aposentasse. Com a sua saída da corrida ao Senado, milhares de eleitores terão de procurar outro(s) candidatos, que já estão na briga por eles. E como os Sarney não dão ponto sem nó Roseana Sarney, construíram uma situação por meio da qual tentarão manter membros da família na seara política.
A situação mais curiosa é a do ex-senador Roberto Rocha (Novo). Ele dedicou boa parte dos últimos três anos tentando conseguindo um partido sobre o qual tivesse controle absoluto. Não conseguiu. Sem outra opção desembarcou no Novo, uma agremiação de extrema-direita com um verniz de modernidade, que havia lançado Lahesio Bonfim ao Governo do Estado. Bem posicionado nas pesquisas, obteve do partido chancela para se candidatar ao Senado, tentando, ao mesmo tempo, se impor como referência. O tempo virou quando Lahesio Bonfim decidiu abandonar o projeto de chegar aos Leões e se repaginar como pré-candidato a senador. Roberto Rocha entrou em parafuso, e sua primeira reação foi tentar brecar o movimento de Lahesio Bonfim, mas perdeu o timing pensou desistir do Senado e tentar o Governo do Estado. Não deu certo, porque o comando do Novo parece ter avalizado a guinada de Lahesio Bonfim para a órbita do pré-candidato do PSD aos Leões, Eduardo Braide. O movimento mais recente de Roberto Rocha foi produzir uma grande nuvem de dúvida sobre ser ou não ser pré-candidato, prometendo revelar os responsáveis pela sua desventura.
O caso do deputado Duarte Jr. chama a atenção pelo fato de que forças estariam pressionando o seu partido, o Avante, para lhe negar legenda, deixando-o fora da briga por uma das cadeiras da Câmara Alta. Duarte Jr. acerta na mosca quando denuncia a sua situação como produto de uma trama de adversários, motivada pela sua condição de líder nas pesquisas. Isso porque, em condições normais, não faria nenhum sentido um partido como o Avante abrir mão de um deputado federal com a sua estatura, e que ainda por cima tem nítida probabilidade de ser senador. A trama para prejudica-lo nada tem a ver com diferenças internas no Avante. Ela é fruto da posição que Duarte Jr. ganhou como pré-candidato a senador, ameaçando pré-candidaturas. Como nada tem sido fácil para ele no campo político, o parlamentar dificilmente perderá a condição de pré-candidato do Avante e vai chegar às urnas uma boa carga de favoritismo.
O fato é que Roseana Sarney perdeu alguns anéis, Roberto Rocha perdeu todos os anéis, e Duarte Jr. pode ter salvado os seus.
PONTO & CONTRAPONTO
Sob a liderança de Roberto Costa, Bacabal reúne milhares em apoio a Orleans Brandão

Brandão, Iracema Vale, Fernanda Heluy e Florêncio Neto
Bacabal virou o epicentro do movimento Por Todo o Maranhão, liderado pelo pré-candidato do MDB ao Governo do Estado, Orleans Brandão. Ali, sob a liderança do prefeito Roberto Costa (MDB), dirigentes municipais de toda a Região do Médio Mearim se reuniram num ato político que concentrou milhares de pessoas. Na avaliação de um observador presente, foi um dos momentos mais expressivos da pré-campanha de Orleans Brandão na sua maratona pelo interior do estado.
O ato político de Bacabal foi um evento diferenciado. Por vários motivos. Primeiro porque a cidade é comandada por uma liderança forte, o prefeito Roberto Costa, que além de ter uma visão larga e moderna de gestão, é um político por excelência, porque tem a noção saudável de que a boa política é o caminho para resolver os problemas da sociedade. Nessa visão se encaixam os deputados estaduais Davi brandão (MDB) e Florêncio Neto (MDB), aliados de proa do prefeito Roberto Costa e partidários militante da pré-candidatura de Orleans Brandão Esse time foi reforçado com o anúncio de que o grupo liderado pelo prefeito Roberto Costa apoiará a pré-candidatura da deputada-presidente da Alema, Iracema Vale (MDB), à Câmara Federal.
No seu discurso, o prefeito Roberto Costa deixou claro que a explicação para o seu apoio a Orleans Brandão vai muito além de uma relação partidária. Tem a ver também com a postura do então secretário de Assuntos Municipalistas em relação a Bacabal: “Se vocês confiam no nosso trabalho, eu posso dizer que tenho em Orleans um parceiro presente, que sempre esteve ao lado de Bacabal. Sempre que precisei buscar soluções para o nosso povo, encontrei apoio. É essa parceria que queremos fortalecer para continuar levando benefícios à nossa população.”
Na contrapartida, Orleans Brandão reafirmou sua parceria com Roberto Costa: “Por onde eu tenho andado, eu tenho visto que o povo do Maranhão abraçou esse projeto. Muito obrigado a cada um de vocês que acreditam e caminham conosco.”
A fala do pré-candidato do MDB foi dirigida aos prefeitos Didi Mota (Lago dos Rodrigues), Professora Cici (Conceição do Lago Açu), Aurélio da Farmácia (Pio XII), Doutor Júnior (Peritoró), Emanuel Filho (São Luís Gonzaga) e Vaval Gomes (Olho d’Água das Cunhãs), além de ex-prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas da região.
Prisão de Cutrim traz de volta o Caso Tech Office; Governo deve se manifestar
Delegado federal aposentado, que esteve no auge da carreira ainda no tempo da ditadura, e que ganhou prestígio como secretário de Segurança Pública em dois dos quatro Governos de Roseana Sarney, e com a vivência de dois mandatos de deputado estadual, Raimundo Cutrim, que hoje exerce o cargo secretário estadual de Assuntos Legislativos, está em prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica, por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
O motivo da prisão: Raimundo é acusado de ter agido para atrapalhar as investigações do Caso Tech Office – o assassinado a tiros do empresário João Bosco Oliveira, por Gibson Cutrim Jr., em frente ao edifício, na presença do vereador Beto Castro (Avante) e do advogado Daniel Brandão, que acompanhavam a vítima. O atirador confessou o crime, deu uma primeira versão à Polícia estadual, mas depois, transferido para Brasília por decisão do Superior Tribunal de Justiça, refez o seu depoimento. Na nova versão, o secretário Raimundo Cutrim é apontado como mentor de uma estratégia para alterar o roteiro do crime.
Mesmo se tratando de um caso motivado por interesses envolvendo o assassino e a vítima, o assassinato de João Bosco Oliveira ganhou forte repercussão, à medida que muitos viram nos seus desdobramentos traços da sua relação com a guerra política em curso no Maranhão.
A prisão de Raimundo Cutrim cria embaraços para o Governo do Estado, uma vez que ele é um secretário de Estado no pleno exercício das suas funções. O Palácio dos Leões deve se manifestar a qualquer momento sobre o assunto.
São Luís, 19 de Julho de 2026.

