Risco de derrota a Lula fez o PT do Maranhão sair da zona de conforto e entrar na guerra pelo voto

Felipe Camarão assumiu o comando da
campanha de Lula da Silva no Maranhão

O PT do Maranhão acordou e resolveu agir como um partido cujo líder maior, o presidente Luka da Silva, encontra-se numa guerra eleitoral de vida ou morte. Ao contrário de como agiu no 1º turno da eleição presidencial, provavelmente pela certeza de que, mais uma vez, o presidente venceria seu adversário com larga maioria no estado, deixando a campanha correr solta, a postura da agremiação agora mudou. O prognóstico de uma vitória arrebatadora no Maranhão foi confirmado, com presidente Lula da Silva saindo das urnas com 63,99% da votação, ou seja, 2.566.301, enquanto o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL) obtendo menos da 30,90%, o equivalente a 1.239.040 votos. Mas na votação geral no país, o presidente acabou em segundo, com 1,90 ponto percentual atrás do candidato bolsonarista.

A derrota do presidente Lula da Silva no 1º turno acendeu o alerta vermelho na seara petista maranhense, assim como aconteceu em todo o País. O fato de haver confirmado sua liderança com uma votação substantiva estado deixou de ser uma vantagem, e levou líderes petistas, a começar pelo vice-governador Felipe Camarão, a saírem às ruas para reverter a situação. O desafio tem sido convencer mais de 1 milhão de eleitores que não votaram no dia 04 a comparecerem às urnas e, claro, votar no presidente.

Como não se via há muito, o PT maranhense, que vinha chamando a atenção pela divisão entre as candidaturas de Felipe Camarão e Orleans Brandão (MDB), saiu da zona de conforto e foi à luta à caça de votos para Lula da Silva. Nos últimos 15 dias, o PT se mostrou um exército aguerrido, exibindo uma surpreendente capacidade de mobilização ao promover manifestações em universidades públicas, nas ruas do centro e em bairros populosos.

O vice-governador Felipe Camarão guardou as mágoas da derrota na disputa para o Governo, em grande medida causada pelo próprio partido, assumiu a condição de líder da banda petista que o reconhece como tal. E atuando com o apoio da senadora Eliziane Gama (PT) e do deputado federal reeleito Márcio Jerry (PCdoB) e outros graúdos da esquerda maranhense, como os deputados estaduais do próprio PT não reeleitos Carlos Lula e Rodrigo Lago, partiu para a luta. Para a surpresa de muitos, a postura aguerrida do PT tem produzidos resultados inesperados: as manifestações organizadas pelo partido têm reunido milhares de pessoas e mantido o ânimo em relação à reeleição do presidente Lula da Silva. Tem sido assim em São Luís e em algumas cidades grandes, como Caxias, Timon, Imperatriz.

Agora, além dos atos isolados, a cúpula do grupo progressista se dedica também à preparação da visita do presidente Lula da Silva ao Maranhão no próxima terça-feira, dia 20. A cúpula da base de apoio conta com o suporte de Gilberto Carvalho, ex-secretário da Presidência da República e atual secretário Nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho, um dos principais assessores do presidente e um dos principais organizadores da campanha presidencial. Sua presença há três dias em São Luís dá a medida do significado da visita de Lula da Silva ao Maranhão nesta rodada decisiva da eleição para o Palácio do Planalto.

Segundo uma fonte petista, pelo que estava rascunhado ontem, o grande evento de campanha de Lula da Silva em São Luís começará com uma carreata que percorrerá grandes avenidas da Capital e culminará comum grande ato Cidade Operária.

A tropa bolsonarista sentiu o golpe nacional e se deu cinta de que Lula da Silva pode ampliar a sua votação excepcional no Maranhão. Tanto que trouxe às pressas, ontem, o deputado federal alagoano Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro a São Luís para confirmar a visita do candidato do PL no dia 21.  

PONTO & CONTRAPONTO

Entrevista na Globo: Lula deu aula de como combater as desigualdades no Brasil e driblar ciladas

Lula da Silva na entrevista na Globo

Aconteceu de novo. Na entrevista de ontem na Rede Globo, a tarimbada apresentadora Renata Lo Prete tentou colocar o presidente Lula da Silva (PT) nas cordas, mas o chefe da Nação mostrou que aos 80 anos está na plenitude da sua lucidez, dando um show de experiência.

Como já era esperado, a experimentada jornalista começou tentando jogar a crise no Supremo Tribunal Federal no colo do chefe do Poder Executivo. Lula da Silva reagiu externando toda a sua indignação com o envolvimento de ministros com a máfia do Banco Master, defendendo a apuração de tudo, sem restrição, e cobrando a conta de quem deve. E esclareceu: a crise do Supremo não é problema seu, é do País, tem de ser resolvida, e depois da solução, o Poder Judiciário tem de ser reformado. Não deixou espaços para cascas de banana.

O presidente desmistificou de vez a catilinária do corte de gastos como a solução de todos os problemas econômicos do País, pregada por economistas liberais, que só pensam na felicidade do grande capital, pouco se importando com a situação da de fato, que é a circulação de dinheiro na grande massa da população. Lula resumiu o problema numa equação simples: economia ruim é aquele em que poucos concentram enormes riquezas enquanto a maioria se vira com quase nada.

O líder petista reconheceu que o problema da dívida pública é grave, mas foi curto e direto ao afirmar que em Governo por ele comandado isso não será resolvido cortando recursos de programas sociais como o Bolsa-Família, como sugerem os porta-vozes do grande capital, a exemplo dos comentaristas da Rede Globo. A ênfase com que Lula da Silva defendeu os investimentos do Governo em programas sociais desarmou a entrevistadora.

Em resumo: na entrevista de ontem no horário nobre da Rede Globo, fechando o Jornal Nacional, Lula da Silva deu uma aula sobre como desmontar arapucas.

Deputados eleitos mais jovens têm origem política distinta

Natália do Júnior Garimpeiro e Túlio Rezende:
renovação com diferentes origens políticas

Os deputados estaduais eleitos Natália do Júnior Garimpeiro (?), 21 anos, e Túlio Rezende (MDB), 22 anos, desembarcarão na Assembleia Legislativa, em fevereiro do ano que vem, com a difícil e importante tarefa de representar a renovação plena da política maranhense.

Natália do Júnior Garimpeiro, na verdade Natália Silva Melo chegará à Assembleia Legislativa na esteira de uma eleição que chamou muito a atenção, a começar pelo seu nome eleitoral: Natália do Júnior Garimpeiro. Mentor político, patrono e financiador da sua candidatura, Júnior Garimpeiro é o controverso prefeito de Centro Novo do Maranhão, que ganha rios de dinheiro com ouro garimpado legal e ilegalmente, segundo a Polícias Federal, que já o prendeu duas vezes. Com curso superior incompleto – não revelou qual -, e sem registro de ação política na sua família, ela exercerá seu mandato com o desafio de mostrar que reúne as condições para representar a novíssima geração de políticos maranhenses.

O mesmo desafio enfrentará Túlio Rezende, na verdade Túlio Martins Rezende, que desembarcará na Assembleia Legislativa com DNA político dos dois ramos da sua família. Sua mãe é a deputada Andrea Rezende, filha do médico balsense Francisco Martins, que foi deputado estadual constituinte; seu pai é o médico e ex-deputado de quatro mandatos Stênio Rezende, que teve problemas com a Justiça e foi obrigado a passar o bastão para a esposa e agora para o filho. Aos 22 anos e com curso superior incompleto, Túlio Rezende vai representar a nova face de um grupo político com as virtudes e os defeitos da política tradicional.

Vale torcer para que os dois busquem o caminho da renovação.

São Luís, 16 de Outubro de 2026.

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