Roseana mantém distância das denúncias e acusações que atingem seu último período de governo

 

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Roseana distante das acusações contra seu governo

Um assunto tem dominado as rodas de conversa sobre política nos últimos dias: o silêncio da ex-governadora Roseana Sarney em relação à Operação Sermão aos Peixes, uma ação conjunta da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria Geral da União, que investiga suposto desvio de pelo menos R$ 300 milhões do pacote de R$ 2,2 bilhões repassados pelo Fundo Nacional da Saúde para o Sistema Estadual de Saúde entre 2009 e 2014 e cuja maior parte foi investida no megaprograma “Saúde é Vida”. A operação tem como alvo principal o ex-deputado Ricardo Murad, o todo-poderoso secretário de Estado da Saúde naquele que foi o último período de governo dela. Na visão de quem está fora do olho do furacão, a ex-governadora já deveria ter se manifestado, por ser ela, em última análise, a responsável maior por tudo o que aconteceu no seu governo, ainda que eventualmente não possa ser acusada diretamente desse ou daquele malfeito.

Não se sabe se por estratégia – se for, é muito sofisticada, pois é difícil entendê-la – ou por não fazer a leitura correta dos furacões que a vêm alcançando, é fato que, aos olhos de muitos, a ex-governadora vem perdendo tempo precioso sem reagir às acusações feitas pelos órgãos de investigação e controle em relação a supostos desvios isolados ocorridos no seu governo. Desde o início do ano, mais de uma dezena de acusações de desvio já foram feitas pelo novo Governo, por meio da Secretaria de Estado de  Transparência e Controle; ela já foi alvo de acusação na Operação Lava Jato; recentemente, o chefe da Casa Civil no seu governo foi preso por suposto envolvimento num ainda fumacento caso de corrupção, e agora o maior programa do seu governo, comandado por seu cunhado, auxiliar, portanto, da sua mais absoluta confiança, ganha as manchetes como duto de desvios milionários.

Em meio a todos esses fatos, a ex-governadora Roseana Sarney se mantém distante, como fazendo de conta que nada tem a ver com cada um deles. Às acusações do novo governo por meio da Secretaria de Transparência e Controle e de ações da Polícia Civil em busca de colocar as suspeitas em pratos limpos, a reação da ex-chefe do Governo tem sido eventual, com uma ou outra declaração em que usa o chavão da “perseguição política”, do “ódio político”, sem nunca entrar na essência da acusação, para negá-la ou admitir que houve distorções.  Quando estourou a bomba da Operação Lava Jato, acionada pela declaração do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, segundo a qual a então governadora teria recebido R$ 1 milhão do esquema de corrupção para turbinar sua candidatura à reeleição, ela deu uma ou duas declarações a respeito, e a partir daí se fechou em copas, delegando ao seu advogado o poder de falar a respeito.

Mais recentemente, a Justiça mandou prender preventivamente o empresário João Abreu, chefe da Casa Civil no seu governo, sob a acusação de ter participado de um esquema de corrupção envolvendo o pagamento de precatório milionário à empreiteira Constran. Somente depois de mais de 48 horas, a ex-governadora veio a público com uma nota mal escrita, sem um roteiro pensado, enfim, uma manifestação mal alinhavada e de um primarismo sem igual, na qual ela reclama da prisão do ex-auxiliar e acusa o governador Flávio Dino (PCdoB) de ser o responsável por tudo, movido por ódio político e por sede de vingança.  Quem leu a nota com um pouco mais de cuidado ficou perplexo.

Essa curiosa postura da ex-governadora em relação aos petardos que estão atingindo o seu mais recente período de governo chegou ao ponto máximo na Operação Sermão aos Peixes, na qual PF, MPF e CGU, com base em relatórios do COAF – órgão da Receita Federal que controla a movimentação de dinheiro no país -, investiga desvios milionários no Sistema Estadual de Saúde. A Operação levou uma dezena de envolvidos para a cadeia, baseada em planilhas que demonstram que parte dessa dinheirama teria sido repassada a candidatos a prefeito e a vereador – principalmente de Coroatá – e que teve como alvo maior o ex-secretário Ricardo Murad. Ele teve sua residência “visitada” por agentes federais, que levaram computadores e obras de arte, e foi levado coercitivamente à sede da PF, onde foi interrogado durante 15 horas. Uma semana se passou e a ex-governadora Roseana Sarney não veio a público para dizer o que pensa sobre a constrangedora situação, nem por declaração verbal nem por manifestação escrita.

Ninguém duvida que a ex-governadora sabe o que está fazendo. Afinal, gostem ou não seus adversários, ela é antenada, habilidosa, tarimbada e, embora não pareça, é dona de uma argúcia política incomum, além de contar com o mais experiente e hábil político do Maranhão e do país, o ex-presidente José Sarney, conselheiro dos sonhos da maioria dos políticos. Deve saber também que tal comportamento estimula as interpretações mais diversas, a começar pela que acha que ela não fala porque não tem o que dizer, o que acaba sendo mal interpretado. A explicação mais provável é que a política Roseana Sarney não se aposentou e que sonha com as urnas em 2018. E quanto mais longe de confusão ela puder ficar, mais ela se recolherá. O problema é que isso conta para fortalecer argumentos de adversários e para fragilizar sua imagem política diante do eleitorado.

 

 

PONTOS & CONTRAPONTO

 

Situação de Murad põe PMDB em expectativa

murad 1A Operação Sermão aos Peixes causou forte impacto dentro do PMDB. Primeiro porque o principal atingido foi o ex-deputado Ricardo Murad, que independentemente das diferenças internas, é um dos quadros mais importantes do partido. Além disso, deixou a agremiação em estado de alerta máximo, já que depois da já superada encrenca da convenção, começava um período de distensão, que poderia levar a um grande acordo dentro do partido, possivelmente até com a candidatura do ex-deputado Ricardo Murad à Prefeitura de São Luís. A operação fez com que os líderes do partido puxassem o freio de mão, passando a acompanhar atentamente os seus desdobramentos. E a posição é a mais óbvia possível: se Murad sair inteiro desse processo, há grandes possibilidade de ele vir a ser o candidato do partido para enfrentar o prefeito Edivaldo Jr. (PDT) e a deputada federal Eliziane Gama (Rede). Se não, o partido vai procurar alternativa para participar do processo eleitoral na Capital.

 

Sozinho ou compondo

gastão 3O ex-deputado federal Gastão Vieira estuda de fato a possibilidade de vir a entrar na briga pela Prefeitura de São Luís. Líder e comandante do PROS no Maranhão, Gastão não enxerga ainda uma aliança na qual possa encaixar o seu partido, embora já se saiba que está em andamento um movimento que poderá levá-lo a compor com o prefeito Edivaldo Jr. (PDT). Nessa possível negociação, Gastão tem um trunfo importante: o seu partido tem pelo menos um minuto e meio de tempo no rádio e na TV, que poderá ser usado pelo prefeito. Em tempo: em matéria de aliança, Gastão Vieira por enquanto só descarta um acerto com o PMDB, de onde saiu.

 

São Luís, 21 de Novembro de 2015.

Um comentário sobre “Roseana mantém distância das denúncias e acusações que atingem seu último período de governo

  1. MEU CARO, ESCREVES BEM. PORÉM, AS TUAS ANÁLISES É DE PISAR EM OVOS ( MORDE E ASSOPRA). NA VERDADE – E VOCÊ SE ESQUIVA DELA – ROSEANA É PRODUTO DE MARKET DA SUA PRÓPRIA MÍDIA , E TODOS QUE TEM UM MÍNIMO DE CONSCIÊNCIA POLÍTICA SABE DISSO. QUEM ACOMPANHOU A TRAJETÓRIA DESSA SENHORA, COMO GESTORA ,SABE BEM O QUE ESCREVO, FALTA LHE INTELECTO ( LONGE DE QUERER SER ARROGANTE, MAS ESSA É A PURA VERDADE). CASO , ELA SE AVENTURE A CONTESTAR OS RESULTADOS DA APURAÇÃO DA PF, CGU E MPF VAI SER MAIS VERGONHOSO AINDA, TALVEZ ATÉ PIOR QUANDO TENTOU EM REDE NACIONAL JUSTIFICAR AS DEGOLAS EM PEDRINHAS E OS PRECATÓRIOS PAGOS INDEVIDAMENTE À CONSTRAN

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