O embate jurídico/político que o prefeito Eduardo Braide (PSD) trava no momento com a Câmara Municipal por haver contestado judicialmente a Lei nº 7.729/25, que aumentou o salário do chefe do Executivo de R$ 25 mil para R$ 38 mil, um reajuste de 52%, fixando também o subteto remuneratório municipal, o que levou a um pedido de impeachment, que será admitido ou não pelos vereadores nesta terça-feira (9), se resultar na perda do mandato, produzirá também bombástica consequência política. Isso porque, se for cassado com base na Lei Complementar nº 64/90, conhecida como Lei da Ficha Limpa, Eduardo Braide, que lidera as intenções de voto mesmo sem se declarar candidato, será tornado inelegível por oito anos, ficando de fora, portanto, da corrida ao Palácio dos Leões até 2034.
As consequências políticas que essa crise institucional poderá produzir podem virar pelo avesso a disputa pelo Governo do Estado, alterando a posição dos candidatos já assumidos e abrindo caminho para novos cenários. Se na hipótese de o impeachment vingar e o elenco de postulantes à sucessão do governador Carlos Brandão continuar o mesmo, pelo menos em princípio a disputa se dará entre o secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), que lidera o cenário sem Eduardo Braide, e o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), com possibilidade – no caso não tão remota -, de o vice-governador Felipe Camarão entrar na briga, seja como candidato do PT, seja como representante do PSB.
A chave para o equilíbrio dessa hipotética equação seria exatamente para onde migrariam as intenções de voto de Eduardo Braide. É claro que, nesse caso, dificilmente os seus 35% de intenções se bandeariam para um só candidato, mas numa disputa com três postulantes, a concentração de 10% a 20% num deles faria uma enorme diferença nesse jogo. Daí a lógica recomendar que se, numa hipótese remotíssima, o prefeito de São Luís ficar de fora da disputa pelo Palácio dos Leões, sua influência na corrida poderá ser decisiva.
Isso porque o seu afastamento, se vier a ocorrer, não se dará por desvio de conduta, corrupção ou coisa parecida, mas pelo simpático gesto de ele recusar um aumento de salário imposto, que ele acha injusto. Por mais que seja utilizado o argumento de ele se negar a acatar um aumento no subteto – que ele calcula custará R$ 28 milhões anuais aos cofres do município, o que vai pesar na avaliação do eleitor é a recusa do aumento do seu salário. Quando veio a público conclamar o eleitorado a se mobilizar para acompanhar o voto “do seu vereador” na sessão em que a Câmara, por maioria, admitirá ou não, o processo de impeachment, o prefeito Eduardo Braide sabia exatamente o que estava fazendo, usando argumento poderosíssimo: “Eles vão decidir se vão me tirar ou se vão me deixar continuar trabalhando”. Não foi sem razão que o tarimbado vereador Astro de Ogum (PCdoB) percebeu sintomas de confusão no ar e se apressou em gravar uma mensagem tentando colocar o trem nos trilhos.
Não há dúvida de que o pedido de impeachment do prefeito Eduardo Braide mexeu com o comando de cada uma das campanhas. O de Orleans Brandão se manteve quieto, aparentemente indiferente; o de Lahesio Bonfim também preferiu silenciar a dar pitado na crise; enquanto o de Felipe Camarão, ao contrário, a começar por ele próprio, saiu em defesa do prefeito de São Luís, vendo na ação o dedo de adversários – “Eles querem ganhar por W0”, disparou o petista, apontando o dedo para a seara governista. Só que nada nesse sentido veio à tona, pelo menos até o fechamento dessa edição.
Tarimbado no jogo das pressões, e conhecedor dos caminhos do Direito Público, o prefeito Eduardo Braide tem se mantido na trincheira e contra-atacando. Ontem mesmo protocolou no Tribunal de Justiça do Maranhão um recurso extraordinário em que pede ao presidente da Corte, desembargador Froz Sobrinho, que encaminhe o caso ao Supremo Tribunal Federal.
PONTO & CONTRAPONTO
Brandão fecha o ano com o cacife de estar entre os dez melhores do país
O governador Carlos Brandão (sem partido) fechou a semana em clima de alto astral. E o motivo principal foi um dado da pesquisa Real Time Big Data, só divulgado na quinta-feira da semana passada, na qual aparece na lista dos dez governadores melhor avaliados. De acordo com o levantamento, o mandatário maranhense aparece em nono lugar com 66% de aprovação.
O ranking encontrado pela Big Data é o seguinte: Ratinho Junior (Paraná – PSD) – 85%, Helder Barbalho (Pará – MDB) – 82%, Rafael Fonteles (Piauí – PT) – 81%, Renato Casagrande (Espírito Santo – PSB) – 81%, Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul – PP) – 78%, Fábio Mitidieri (Sergipe – PSD) – 72%, Mauro Mendes (Mato Grosso – União) – 70%, Paulo Dantas (Alagoas – MDB) – 68%, Carlos Brandão (Maranhão – sem partido) – 66% e João Azevêdo (Paraíba – PSB) – 64%.
O governador do Maranhão que, pelo menos até aqui, não será candidato ao Senado em 2026, é melhor avaliado do que três governadores que estão ensaiando candidatura à presidência da República e que não aparecem entre os dez melhor avaliados nas suas bases. O primeiro deles é o de São Paulo, Tarcísio de Freira (Republicanos), o segundo é o de Goiás, Ronaldo Caiado (União), e o terceiro é o de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). E ainda de estrelas, como o gaúcho Eduardo Leite (PSD).
Carlos Brandão fecha o ano, portanto, numa posição confortável na visão do eleitorado, com cacife para, se quiser, ser senador sem maiores problemas.
Candidatura de Flávio Bolsonaro foi ignorada por quem de fato dá as cartas no PL no Maranhão
Apoiada no Maranhão por membros da extrema direita com pouco peso político e eleitoral, como o deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB), a vereadora de Flávia Berthier (PL) e o presidente na legenda na Capital, Felipe Arnon, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro não recebem bênção de quem de fato tem cacife para falar em nome do PL no Maranhão: o deputado federal Josimar de Maranhãozinho, que preside o partido no estado.
Quem conhece os altos e baixos que marcaram a relação de Josimar de Maranhãozinho com o ex-presidente Jair Bolsonaro suspeita que parlamentar maranhense tende a não mover uma palha pelo filho 01. Josimar de Maranhãozinho encarou uma disputa de vida ou morte partidária com Jair Bolsonaro, que exigiu do presidente nacional do partido, Waldemar Costa Neto, que o destituísse do comando estadual do partido e o entregasse a um aliado seu, que no caso seria o ex-senador Roberto Rocha. Não deu certo.
Numa nova investida, Jair Bolsonaro levou a melhor, conseguindo destituir a deputada Detinha, a mais votada do estado em 2022, do comando do PL Mulher no Maranhão, entregando o posto para a inexpressiva vereadora Flávia Berthier, alargando e aprofundando ainda mais o fosso que os separava.
Josimar de Maranhãozinho, Detinha, Pastor Gil e Júnior Lourenço ignoraram solenemente o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, e a menos que haja uma reviravolta imprevista, vão continuar em silêncio, aguardando o desenrolar dos fatos.
São Luís, 07 de Dezembro de 2025.


