Weverton ocupa espaço na cúpula do Senado e amplia suas chances de reeleição

Weverton Rocha: espaço generoso no Senado
reforça sua corrida à reeleição

Em meio à turbulência que estremece o tabuleiro político do Brasil com a proximidade das eleições de 2026, o senador maranhense Weverton Rocha (PDT), que está em fim de mandato e se movimenta para brigar pela reeleição, ganha protagonismo surpreendente no cenário político nacional. Em duas semanas, ele ocupa espaço especial em dois assuntos extremamente sensíveis, designado que foi pelo presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União/AP), para relatar dois projetos politicamente explosivos: a indicação do advogado geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, e o projeto que atualiza a lei do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

São duas matérias complicadas, que estão exigindo do senador maranhense todo o jogo de cintura possível para acomodar o que estão propondo as duas tendências dominantes no Senado da República: a base governista, que se manifesta favorável à indicação de Jorge Messias para a Suprema Corte e está dividida em relação à decisão do ministro Gilmar Mendes quanto as regras para impeachment de ministro do STF, e a oposição, que vem se mobilizando para votar contra a indicação do advogado geral da União, e tenta incendiar a Casa contra a decisão do ministro Gilmar Mendes sobre as regras para o impeachment de membros do STF.

Escolado nesse jogo e muito bem articulado com o presidente do Senado, de quem é parceiro há tempos, o senador Weverton Rocha sabe que no primeiro caso o seu papel é mais de articulador do que de relator, uma vez que nenhum senador se posicionará a favor ou contra Jorge Messias baseado no seu relatório, já que a votação é política. Qualquer mudança de voto será resultado de no jogo político e não porque o relator tenha dito isso ou aquilo a respeito do indicado no seu relatório. A votação que Jorge Messias vier a receber nada terá a ver com o relatório do senador Weverton Rocha, seja ele favorável ou contrário à indicação.

No caso da relatoria do projeto de lei que atualiza as regras para o impeachment de ministro da Suprema Corte há uma diferença acentuada, tendo o relator papel crucial e decisivo na construção do relatório. De acordo com o que foi divulgado ontem, o senador Weverton Rocha vem atuando como um verdadeiro equilibrista, à medida que a linha que adotou foi a de equilibrar o jogo aproveitando sugestões de todos os lados, inclusive aproveitando o básico da decisão do ministro Gilmar Mendes no que diz respeito ao quórum necessário de senadores para que uma proposta de impeachment seja admitida. Weverton Rocha está montando o relatório para garantir a aprovação do projeto.

Parlamentar ativo, tanto no campo político quanto na seara legislativa, com várias leis úteis aprovadas e algumas posições polêmicas – como a favorável à controversa e natimorta PEC da Blindagem, por exemplo -, o senador Weverton Rocha andou muito próximo do escândalo dos descontos criminosos nos contracheques de aposentados do INSS e de outras confusões, mas saiu ileso de todas. Conseguiu espaço amplo na cúpula do Senado, ora como líder do PDT, ora como porta-voz do governo em articulações complicadas.

A visibilidade que ganha agora como relator das duas matérias que estão mexendo com o Senado e o Palácio do Planalto lhe dá mais gás para intensificar a sua campanha pela reeleição. Ele entra na corrida eleitoral apontado com favorito em todas as pesquisas em que tem o ministro do Esporte, André Fufuca (PP) e senadora Eliziane Gama (PSD) como concorrentes, só caindo para segundo colocado nos levantamentos em que disputa com o governador Carlos Brandão (sem partido) e com a deputada federal Roseana Sarney (MDB). Na corrida sucessória, ele fala em recomposição da base governista, mas está firmemente associado à pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo.

  Nas rodas de conversa política quase ninguém duvida da sua reeleição.

PONTO & CONTRAPONTO

Nota da Câmara esclarece pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide

Eduardo Braide: pedido de cassação

A divulgação, ontem, pela Câmara Municipal, de nota oficial sobre o pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide (PSD), protocolado por um auditor municipal aposentado, sob a acusação de supostos infração político-administrativa e crime de responsabilidade pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que regula o reajuste salarial do prefeito e estabelece o teto remuneratório no âmbito municipal, colocou um pouco de freio nas tensões causadas pelas declarações do chefe do Executivo Municipal.

E meio a um certo disse-não-disse com informações enviesadas sobre o assunto, a nota da Câmara Municipal esclareceu o que de fato está acontecendo, a partir da ação ali protocolada, e o que ficou claro foi o seguinte: a ação pede a cassação do prefeito pelo não cumprimento da Lei 7.729/25, que reajustaria seu salário (de R$ 25 mil para R$ 38 mil, mais de 50%) e o de cerca de 400 servidores do município, entre eles auditores da ativa e aposentados e pensionistas.

Informa também que “o caso terá tramitação ordinária, observando os prazos legais, os princípios do contraditório e da ampla defesa e a total transparência do processo”. Isso traduzido, significa dizer que o documento será tecnicamente examinado pela área jurídica da Câmara e depois será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça, para só depois, se for o caso, ser submetida à votação pelo plenário.

Antes dessa análise, os vereadores admitirão ou não o pedido, que é o que deve acontecer na sessão de terça-feira (9). Se admitirem, processo começa a tramitar; se não, será mandado para o arquivo morto do Palácio Pedro Neiva de Santana.

No vídeo que postou quinta-feira nas redes sociais, o prefeito Eduardo Braide resumiu a questão à sua decisão de não aceitar o reajuste do seu salário, sem se referir ao fato de que a ação focou mais na reivindicação de auditores, que seriam beneficiados com reajuste salarial gordo se o prefeito tivesse acatado o aumento do seu próprio salário.

O prefeito também convocou a população a se posicionar, o que causou reações preocupadas na Câmara Municipal, como a do experiente vereador Astro de Ogum (PCdoB). Ele contestou em parte a fala de Eduardo Braide, dizendo também uma meia verdade ao afirmar que a ação não está relacionada ao aumento do salário do prefeito, mas à reivindicação dos auditores. O fato é que as duas coisas estão umbilicalmente associadas.

Não será surpresa se uma solução vier a ser encontrada no final de semana prolongado, com as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, de quem o prefeito Eduardo Braide é devoto.   

Bolsonaro escolhe filho senador sem preparo para ser candidato a presidente em seu nome

Flávio Bolsonaro: desempenho pífio no Senado

Inelegível, o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu seu filho nº 01, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para ser o candidato do PL à presidência da República em 2026, preferindo assim uma “solução familiar” para manter o nome no jogo político nacional, ainda que o projeto venha a naufragar nas urnas, segundo a avaliação de alguns analistas da cena política nacional.

Salvo seus esforços para ser simpático e uma certa flexibilidade como articulador no campo político, o senador Flávio Bolsonaro é um completo fracasso como congressista, estando entre os senadores que menos produziram como legisladores.

O seu jeito meio afável esconde um sujeito de preparado duvidoso. Nas suas conhecidas intervenções em debates e sabatinas no Senado e fora dele, ele tem apanhado feio, principalmente quando se manifesta em relação às regras institucionais. É um advogado que parece nunca haver estudado Direito, embora exiba um diploma de bacharel.

A prova maior das suas limitações para ser senador está nas diversas vezes que tentou enfrentar o então senador Flávio Dino em sabatinas no Senado, como ministro da Justiça e como indicado para o Supremo Tribunal Federal. Ele foi simplesmente destruído em todas as tentativas que fez de colocar o senador maranhense em situação complicada. Quem assistiu ao vivo sentiu um misto de pena e indignação com a falta de substância e da sofrível inteligência política do senador que representa o Rio de Janeiro. As provas estão nos inúmeros registros em vídeo que circulam na internet.

Os mesmos analistas que avaliaram ontem a sua indicação para candidato presidencial do bolsonarismo foram unânimes em uma conclusão: com o seu nível de preparo – ou grau de despreparo -, Flávio Bolsonaro será triturado nos debates entre candidatos a presidente da República.

Tudo isso sem contar o Caso das Rachadinhas, a famosa e intrigante loja de chocolates num shopping carioca e o fato de morar numa mansão em Brasília cuja prestação mensal quase equivale ao seu salário de senador, entre outros problemas.

Outra impressão de muitos observadores é a de que a sua candidatura é um balão de ensaio.

São Luís, 06 de Dezembro de 2025.

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