
arquivado por Paulo Victor (abaixo), e lidera,
disparado, a corrida sucessória em São Luís, à frente de Orleans Brandão, Felipe Camarão e Lahesio Bonfim
Se a eleição para governador do Maranhão fosse realizada agora, o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), teria nada menos 80,1% dos votos do eleitorado ludovicense, seguido do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), que teria 8,5%, do vice-governador Felipe Camarão (PT) com 3,7%, e do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (novo), com 2,7% – insatisfeitos e indecisos somariam 5,4%.
A pesquisa foi divulgada ontem pelo instituto Datailha em meio ao forte clima de agitação política causado pelo pedido de cassação do prefeito Eduardo Braide, providencialmente mandado para o arquivo pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Victor (PSB), que se baseou num argumento técnica e politicamente irretocável: a questão que motivou o tal pedido ainda depende de decisão do Supremo Tribunal Federal, o que torna precipitada qualquer manifestação do Legislativo ludovicense sobre o tema, por ele definido como “complexo” e “sensível”. Vale lembrar que o pedido se baseia no fato de o prefeito haver questionado na Justiça a Lei 7.726/25, que aumentou o seu salário de R$ 25 mil para R$ 38 mil e definiu o teto remuneratório do município e na qual foi agregado um jaboti reajustando os salários de maios de 400 auditores da ativa e aposentados.
Independentemente das várias “teorias da conspiração” que circularam no meio político e fora dele como com sendo a grande motivação por trás da ação contra o prefeito, assinada por um auditor aposentado, o fato é que o episódio arremessou de vez o prefeito Eduardo Braide para o epicentro da corrida ao Palácio dos Leões, mesmo tendo ele mantido intacta um silêncio obstinado, mas estratégico, sobre o assunto. E o fato é que, tenha sido ou não uma armação incentivada por adversários, o tiro saiu pela culatra, porque Eduardo Braide, que andava meio retraído, foi catapultado, sem fazer um só esforço, para a seara sucessória. E, mais do que isso, mostrou uma força e estatura políticas sem precedentes desde o prefeito Jackson Lago, que saiu do Palácio de La Ravardière em abril de 2004 e assumiu o Palácio dos Leões em janeiro de 2005.
Na noite de sexta-feira (5), diante da notícia de que haviam protocolado um pedido de cassação contra ele por conta da sua resistência à lei que aumentou seu salário em 52%, o prefeito Eduardo Braide disparou nas redes sociais uma mensagem por meio da qual politizou o caso e emparedou a Câmara Municipal. Ele foi direto ao ponto: Estão querendo passar o meu mandato porque eu não aceitei que aumentassem o meu salário”. E prosseguiu: os vereadores de São Luís votar, na terça-feira, se querem cassar meu mandato ou me deixar trabalhar”. E foi fez o xeque mate: “Vocês devem acompanhar o voto do seu vereador, para saber se ele quer me cassar ou quer que eu continue trabalhando”. A mensagem produziu os elementos de uma tempestade perfeita
A reação de Eduardo Braide fulminou, primeiro, o projeto de algum vereador que gostaria de vê-lo cassado, e depois colocou o presidente da Casa, Paulo Victor, na seara da razão. Em vez de embrenhar-se pelo cipoal traiçoeiro da política, ele preferiu se calçar em argumentos técnicos, o que mostrou com um discurso equilibrado e lúcido na sessão de ontem: “Ainda não há pronunciamento definitivo do Judiciário sobre este tema. Diante deste cenário cabe à presidência fazer uma ponderação: dar início ao processo de cassação de prefeito pela não execução de uma lei que ainda está submetida a julgamento definitivo da Suprema Corte é, neste momento, muito temerário”. E arrematou: “Estamos diante de um tema sensível, complexo, que atingiu centenas de servidores. Esta Casa atuou para corrigir erros administrativos, mas não podemos transformar isso em instrumento de instabilidade institucional. A cassação é a medida mais extrema da democracia” e que não será usada sem “fatos inequívocos e comprovados”.
Antes do final da manhã, São Luís estava livre de uma grave crise institucional, com desdobramentos imprevisíveis; a Câmara Municipal respirava aliviada pela desativação de uma bomba, e o prefeito Eduardo Braide estava livre do pedido de cassação e instalado de novo na locomotiva sucessória ao ser informado que é aprovado por 95% o seus conterrâneos, que tinha o apoio de 90% deles contra o processo de cassação, e que, se a eleição para governador fosse agora, nada menos que 80% lhe dariam o voto.
Resta agora aguardar sua palavra sobre se será ou não candidato a governador.
Em Tempo: A pesquisa Datailha ouviu 705 pessoas em 06 de dezembro de 2025, tem margem de erro de 3,7 pontos percentuais, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.
PONTO & CONTRAPONTO
Dino defende debate sobre emendas impositivas, que ferem a autoridade do presidente da República
Por iniciativa do ministro Flávio Dino, o Supremo Tribunal Federal poderá fechar sua agenda de 2025 com um dos mais importantes e necessários debates relacionado com o equilíbrio na relação entre os Poderes Executivo, Legislativo e o próprio Judiciário e que diz respeito diretamente à integridade do sistema presidencialista do País. Trata-se da constitucionalidade das chamadas emendas impositivas, aquelas que o é obrigado a bancar. Hoje, as emendas impositivas existem nas Assembleias Legislativas, obrigando o Poder Executivo estadual a bancá-las, e nas Câmaras Municipais, impondo a mesma obrigação aos prefeitos.
Incluídas na Constituição de 2015 por uma polêmica decisão do Congresso, tais emendas sempre foram vistas como uma anomalia que desequilibra a relação entre o Legislativo e o Executivo. Isso porque muitos enxergam intromissão do Legislativo no Executivo, ferindo gravemente o sistema presidencialista, à medida que a regra impõe ao presidente a obrigação de librar recursos para essas emendas.
A discussão foi parar no colo do ministro Flávio Dino, que tem nas mãos um processo de questionamento dessa prerrogativa do Legislativo em detrimento da autoridade e autonomia do presidente da República. Flávio Dino poderia muito bem se safar da bomba, desativando o seu pavio ou retardando a sua avaliação, mas na condição de “xerife” que decidiu investigar o destino dos recursos de emendas como as “pix”, que ninguém sabe onde vão parar, resolveu agora colocar as emendas impositivas em debates, para avaliar-se a constitucionalidade.
É uma outra frente de guerra com o Congresso Nacional, mas o ministro mostra que está determinado a seguir em frente, doa a quem doer, deixando senadores, deputados federais, deputados estaduais e vereadores irados, uns por medo, outros por acharem que o que está aí é o correto. Vale lembrar que anualmente as emendas impositivas “sequestram” uma gorda fatia do Orçamento da União.
Se vai mesmo disputar vaga no senado, Mical Damasceno deve procurar um novo partido
A deputada Mical Damasceno (PSD) continua reclamando do fato de o seu nome não haver sido incluído nas pesquisas que mediram recentemente a corrida ao Senado em 2026. Em discurso há dois meses, ela anunciou que estava abrindo mão de tentar a reeleição para a Assembleia Legislativa e concorrer a uma cadeira na Câmara Alta, concorrendo com os senadores Weverton Rocha (PDT) e Eliziane Gama (PSD), com o ministro do Esporte André Fufuca (PP), entre outros, e com a possibilidade, ainda que remota, de o governador Carlos Brandão (sem partido) vir a pleitear uma cadeira.
Nas suas falas até agora, a deputada Mical Damasceno não deixou muito claro o que a levou a entrar nessa seara, onde parece não ter qualquer chance. Ora joga a responsabilidade nas costa de Jesus Cristo em nome de quem diz fazer tudo na vida, e ora insinua que consultou as suas bases e elas lhe disseram que esse é o caminho a seguir. Há, porém, que diga que, antevendo dificuldades para se reeleger, apesar da sua base evangélica de linha radical e bolsonarista, a candidatura ao Senado seria uma jogada para promover o seu nome e melhorar suas chances de renovar o mandato de deputada estadual.
Se pretende ser mesmo candidata ao Senado, a deputada Mical Damasceno deve procurar outro partido, porque, segundo uma fonte segura ouvida pela Coluna, ela não tem a menor chance de conseguir a indicação do seu atual partido, o PSD, que tem o prefeito Eduardo Braide como manda chuva estadual e a senadora Eliziane Gama como virtual candidata da agremiação à reeleição.
Portanto, se pretende mesmo candidatar-se ao Senado, a primeira providência da deputada Mical Damasceno será procurar um novo partido.
São Luís, 09 de Dezembro de 2025.

