As diversas correntes do braço maranhense do PT vão aproveitar o reinado de Momo para tentar definir uma posição que mobilize pelo menos a maioria do partido em relação à corrida ao Palácio dos Leões. Como é corrente, confirmado inclusive pelo deputado federal Rubens Pereira Júnior, um dos mais destacados quadros da legenda, os vários grupos petistas estão divididos em três “teses”, uma que defende a união do partido em torno da candidatura do vice-governador Felipe Camarão, outra que prega uma aliança do PT com o governador Carlos Brandão (sem partido) em torno da candidatura do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), e uma terceira, que está propondo uma aliança do partido com o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD). Nos últimos dias, o debate dentro do PT se intensificou, depois que a cúpula nacional do partido reafirmou apoio ao projeto de candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões, independentemente de ele assumir ou não o Governo do Estado.
A posição da direção nacional do partido está colocando as correntes petistas maranhenses contra a parede, e o argumento é fatal: o presidente Lula da Silva será candidato à reeleição e precisa que o braço maranhense do PT esteja unido em torno desse projeto, de preferência com um candidato a governador, no caso o vice-governador Felipe Camarão, já que não existe outro nome da legenda em condições de entrar nessa peleja. Além disso, Felipe Camarão já tornou irreversível o seu projeto de candidatura, exatamente não acreditar que o PT venha a negar-lhe legenda, o que abriria uma crise sem precedentes na história do partido.
Os articuladores petistas trabalham com duas situações possíveis. A primeira é a possibilidade de o vice-governador Felipe Camarão venha a assumir no bojo de um grande acordo com o governador Carlos Brandão, que renunciaria ao cargo no início de abril para se candidatar ao Senado em dobradinha com o candidato petista ao Governo. A outra seria o vice-governador Felipe Camarão renunciar e se candidatar a deputado federal – nesse caso, o governador Carlos Brandão renunciaria para se candidatar ao Senado, retirando a candidatura de Orleans Brandão entregando o Governo à presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (PSB), que comandaria a eleição indireta de um governador tampão.
O problema é que o governador Carlos Brandão só aceita conversar sobre qualquer acordo se o vice-governador Felipe Camarão renunciar à vice-governança. Por seu turno, o vice-governador só aceita conversar se o item principal da conversa for a renúncia do governador Carlos Brandão e sua candidatura ao Senado. Carlos Brandão e Felipe Camarão estão irredutíveis. O governador tem dito a diferentes interlocutores que não há hipótese de vir a renunciar para Felipe Camarão assumir o Governo, enquanto Felipe Camarão reafirma em todas as suas falas públicas que não abre mão nem do cargo de vice-governador nem da candidatura aso Governo do Estado.
Dentro do PT as correntes estão caminhando para um impasse, que se confirmado resultará num racha, como aconteceu em 2014, quando uma banda do partido apoiou a candidatura do empresário Edinho Lobão (MDB), aliado da presidente Dilma Rousseff (PT), e outra foi para as urnas apoiando a candidatura de Flávio Dino (PCdoB). O problema é que na banda que quer a aliança do PT com o MDB em torno da candidatura de Orleans Brandão estão petistas graúdos que além de ocuparem cargos no Governo estão alinhavando candidaturas à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa. As conversas internas, ora amenas, ora tensas, até agora não produziram um desfecho, uma vez quer as lideranças não conseguem chegar a um acordo, mesmo com a manifestação do comando nacional do partido pré-candidatura de Felipe Camarão ao Governo.
Dentro do PT há quem acredite e quem não acredite que as correntes petistas posicionadas possam encontrar um caminho comum durante o reinado momesco. A única vantagem é que o ponto convergente é a candidatura do presidente Lula da Silva à reeleição.
PONTO & CONTRAPONTO
Líderes do MDB firmam posição a favor da candidatura de Orleans ao Governo
Uma decisão foi tomada dentro do braço maranhense do MDB: resistir, até onde for possível, à possibilidade de retirar a pré-candidatura do seu presidente estadual, Orleans Brandão, ao Governo do Maranhão. Encabeçada pelo ex-presidente Marcus Brandão, essa posição é apoiada pelo ex-presidente José Sarney, pelos deputados federais federal Roseana Sarney e Cleber Verde, prefeito de Bacabal Roberto Costa e pelo ex-senador João Alberto, entre outros líderes do partido.
A avaliação é que com a permanência do governador Carlos Brandão no cargo as chances de eleição do emedebista Orleans Brandão são reais. Há também quem defenda no partido a candidatura da deputada federal Roseana Sarney ao Senado, apostando alto que, recuperada da luta tenaz que ela trava contra o câncer e com uma campanha bem armada, a ex-governadora tem condições de brigar com chances por uma cadeira na Câmara Alta, conforme mostram as pesquisas. Além disso, o MDB poderia sair das urnas com três deputados federais.
O otimismo que reina nas fileiras emedebistas aumenta quando seus líderes calculam que na janela partidária de março o partido deve ganhar parte dos deputados aliados do governador Carlos Brandão que vão deixar o PSB. O MDB pode ganhar, por exemplo, a filiação da presidente da Assembleia Legislativa a exemplo da presidente do Poder Legislativo, deputada Iracema Vale, que inicialmente esteve inclinada a se filiar ao PDT, mas há quem diga que seu caminho deve ser o MDB.
Nos bastidores do MDB há uma torcida para que o governador Carlos Brandão se filie ao partido em março. E a perspectiva é a de que, caso decida concorrer ao Senado, o fará pelo partido. E mais: mesmo que permaneça no cargo, sua filiação ao MDB impulsionará as candidaturas majoritárias e proporcionais do partido.
Governador quer nomear logo o interventor em Turilândia
O governador Carlos Brandão deve nomear nesta segunda-feira (26), ou no máximo na terça-feira (27), o interventor em Turilândia, cumprindo decisão do Tribunal de Justiça por meio da Seção de Direito Público, que referendou, na sexta-feira (23), por unanimidade, liminar a favor da medida expedida pelo relator do caso, desembargador Gervásio Protásio dos Santos determinando intervenção do Governo do Estado no município de Turilândia por um período de 180 dias.
O mandatário tem 15 dias para cumprir a medida, mas corre a informação segundo a qual ele não pretende usar esse prazo, preferindo de pronto providenciar a nomeação do interventor. Trata-se de uma medida de prerrogativa exclusiva do governador, que deve escolher um interventor com experiência técnica, conhecimento do funcionamento da máquina administrativa de uma prefeitura, além de alguma habilidade política.
De acordo com fonte política com trânsito no Palácio dos Leões, o governador Carlos Brandão está preocupado com a situação administrativa do município, que com o afastamento e a prisão do prefeito Paulo Curió (União), a primeira-dama Eva Curió e da vice-prefeita Tânia Karla União), está sendo “administrado” pelo presidente da Câmara Municipal, o vereador José Luiz Araújo Diniz (União), ele também afastado do mandato e em prisão domiciliar e usando tornozeleira eletrônica.
O fato é que a situação administrativa de Turilândia, de onde Paulo Curió e sua turma são acusados de roubar R$ 56 milhões, caminha para o caos, com os serviços paralisados e servidores sem salário, além de inúmeros em atraso, como funcionamento das escolas e postos de saúde e a limpeza pública. O interventor terá o desafio de colocar a casa em ordem no prazo de seis meses.
São Luís, 25 de Janeiro de 2026.


