Com obras e forte articulação política, Brandão fecha cerco à base de Braide na Ilha de Upaon Açu

Carlos Brandão atrai Júlio Matos (São José de Ribamar) e Eudes Barros (Raposa) para a base de apoio a Orleans Brandão, minando espaço de Eduardo Braide, que continua inaugurando obras sem dizer que é candidato

A inauguração, nesta quinta-feira, do complexo litorâneo da Ponta D`Areia, coincidência ou não, é parte de uma ampla e decisiva estratégia do governador Carlos Brandão (sem partido) para consolidar o prestígio de comandar um Governo empreendedor, que investe bem na Capital e, na mesma toada, ampliar o espaço político e eleitoral do candidato governista à sua sucessão, o secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), na Ilha de Upaon Açu. Duas audiências ocorridas nesta semana no Palácio dos Leões, uma com o prefeito de São José de Ribamar, Júlio Matos (Podemos), e outra com o prefeito de Raposa, Eudes Barros (PL), foram reveladoras de que o Palácio dos Leões vai jogar forte para “quebrar” o poder de fogo eleitoral do prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), nos quatro municípios da Grande Ilha.

A estratégia do governador Carlos Brandão de fortalecer o seu candidato ao Palácio dos Leões é óbvia e faz todo sentido. Começa com o fato de que, somados, São Luís (750 mil), São José de Ribamar (123 mil), Paço do Lumiar (79 mil) e Raposa (23 mil) irão para as urnas com cerca de 1 milhão de eleitores, o equivalente a 20% do eleitorado do Maranhão. É a região mais densamente povoada do estado e costuma ser decisiva nos embates eleitorais majoritários.

As pesquisas mais recentes estão informando que a esmagadora maioria desse exército de eleitores tende a votar no prefeito de São Luís, caso ele se lance candidato a governador. Numa crise recente por causa do aumento de salário que ele rejeitou, o prefeito Eduardo Braide foi brindado com a informação, levantada pelo instituto DataIlha, dando conta de que nada menos que 80% do eleitorado das Capital lhe dará o voto caso ele se candidate aos Leões. Daí projeto administrativo-político colocado em prática pelo governador Carlos Brandão visando ampliar o espaço de Orleans Brandão na maior e mais importante cidade do Maranhão e seus satélites metropolitanos.

Além das grandes obras em São Luís, como a extensão da Avenida Litorânea, a Avenida Metropolitana e a revitalização da Ponta D`Areia, entre outras, o governador Carlos Brandão deu dois passos decisivos para fortalecer Orleans brandão na Ilha. No início da semana, recebeu em audiência nos Leões o prefeito Júlio Matos, de São José de Ribamar, e ontem fez o mesmo com o prefeito de Raposa, Eudes Barros. Lastrado no viés municipalista do seu Governo, o mandatário acertou obras e benefícios para os dois municípios, abrindo caminho para alianças em torno de Orleans Brandão – que, aliás, participou das duas reuniões. Com a iniciativa, junta as duas correntes – a outra é liderada pelo ex-vereador Dudu Diniz (MDB) e pela deputada Iracema Vale (PSB).

Ao alinhavar uma relação política, com desdobramento eleitoral, com os mandatários de São José de Ribamar e Raposa, que não faziam parte do listão de aliados do Governo, o governador Carlos Brandão “fecha o cerco” a Eduardo Braide na Ilha de São Luís. Isso porque já conta com o apoio total do prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos (PSB), seu aliado de primeira hora e que tem como vice-prefeita Mariana Brandão (MDB), irmã de Orleans Brandão.

Fechado nos seus cálculos no Palácio de la Ravardière, avaliando se deixará a Prefeitura de São Luís para entrar na briga pelo Governo do Estado, o prefeito Eduardo Braide certamente está acompanhando atentamente os fortes movimentos administrativos e políticos do governador Carlos Brandão na Ilha de Upaon. O prefeito de São Luís, que liderou quase quatro dezenas de pesquisas no último ano, viu seu nome em segundo lugar – num empate técnico com o pré-candidato governista – no primeiro levantamento (Econométrica) do ano para medir a corrida às urnas nos próximos nove meses.

Qual será o desfecho dessa forte investida do governador Carlos Brandão na Ilha de São Luís? Ainda é cedo para avaliar. Mas com a experiência política que acumulou, o governador faz uma aposta bem articulada, que certamente está levando prefeito ludovicense a avaliar muito bem o passo que vai dar a qualquer momento, seja anunciando as sua candidatura, sejas comunicando que prefere continuar onde está.

PONTO & CONTRAPONTO

Senado: Weverton Rocha perde espaço na Grande Ilha e é ameaçado por Roberto Rocha e Eliziane Gama

Weverton Rocha perde espaço na Grande Ilha
para Roberto Rocha e Eliziane Gama

A pesquisa Econométrica sobre a corrida ai Senado registrou dados surpreendentes em relação ao posicionamento do eleitorado da Grande Ilha, ou seja, São Luís, São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa. Nessa região, o senador Weverton Rocha (PDT), que aparece como o segundo colocado em cenário com o governador Carlos Brandão (sem partido) e a deputada federal Roseana Sarney (MDB), aparece atrás do ex-senador Roberto Rocha (a caminho do Novo) e Eliziane Gama (PSD).

O desempenho do senador pedetista na Ilha chama a atenção pelo fato de ser ele produto político típico de São Luís, nascido nas fileiras do movimento estudantil secundarista e na Juventude do PDT, sob a liderança direta de Jackson Lago.

Numa disputa com a participação do governador Carlos Brandão, este tem 14% das intenções de voto na Grande Ilha, seguido de Roberto Rocha (14%) e de Eliziane Gama (11%). Weverton Rocha aparece na quarta posição com 8,3% das intenções de voto.

Já no outro cenário quem lidera é Roberto Rocha (13%), seguido de Eliziane Gama (12%), Roseana Sarney (9,9%) e Weverton Rocha com 8,7% das intenções de voto, praticamente empatado com o ministro André Fufuca, que aparece com 8,1% das preferências.

Ou seja, na região em que, pela lógica e por conta da sua história de militância, deveria ter desempenho robusto, o senador Weverton Rocha é o quarto colocado nos dois cenários das intenções de voto na Ilha de São Luís.

Em Tempo: no primeiro cenário, o quadro geral da pesquisa aponta o governador Carlos brandão como favorito para uma vaga, com 21,8%, seguido de Weverton Rocha e Roberto Rocha rigorosamente empatados com 11,6% cada para a outra vaga. No cenário com Roseana Sarney, no quadro geral ela lidera para primeira vaga, com 13% das intenções de voto, sendo a segunda vaga disputada voto a voto por Weverton Rocha (12,7%) e Roberto Rocha (12,2%).

Para melhorar sua posição, o senador Weverton Rocha precisa melhorar o seu desempenho na Ilha, que é o seu berço político e eleitoral.

Definição da data da eleição vem mudando o cenário da disputa pelo comando da Câmara de São Luís

Paulo Victor vê sua estratégia para eleger Beto Castro
ser desmanchada e o avanço de Marquinho Silva

A definição, por decisão do Supremo Tribunal Federal, de que a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís tem de ser realizada três meses antes da posse, ou seja, a partir do início de novembro, e o recesso legislativo esfriaram completamente a corrida para presidência do parlamento ludovicense.

A estratégia alinhavada pelo presidente Paulo Victor (PSB) para viabilizar a candidatura do vereado Beto Castro (Avante) à sua sucessão no comando da Casa e a dele próprio para a Assembleia Legislativa foi praticamente desmontada. A ideia era fazer a eleição antes das eleições gerais, beneficiando diretamente os dois projetos. Agora, a eleição na Câmara Municipal ocorrerá depois das eleições gerais, desvinculada, portando, de qualquer base de apoio dos candidatos a governador.

Com essa mudança radical, a candidatura do vereador Beto Castro, apoiada pelo presidente Paulo Victor, que começou como um furacão, perdeu pique e mergulhou no mar das incertezas.

As 25 manifestações de apoio que chegou a receber entre os 31 vereadores estariam hoje reduzidas a 17, e com tendência nítida de mais perdas, segundo um vereador ouvido pela Coluna. Já o seu oponente, o vereador Marquinhos Silva (União), que se lançou há cerca de um ano com apenas o seu voto, estaria hoje contabilizando 11 votos, num cenário com três votos ainda indefinidos.

Nas contas do vereador ouvido pela Coluna, a disputa vai se acirrar de tal modo que poderá aparecer uma terceira via.

São Luís, 23 de Janeiro de 2026.

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