Problemas se agravam, pressionam, mas bancada federal não se mobiliza para unir forças

 

bancada minguada
Apenas seis deputados foram à reunião de terça-feira  no Ministério dos Transportes

Os três senadores e 18 deputados federais que formam a representação maranhense no Congresso Nacional encontram-se diante de uma espécie de encruzilhada com vários rumos à sua frente, mas sem que nenhum lhes dê  garantia de ser a escolha certa. Pressionados pelos graves problemas que maltratam a vida dos maranhenses – duplicação da BR-135, sucateamento do aeroporto de São Luís, investimentos para ampliação do Porto do Itaqui, ameaça de fechamento da Universidade Federal do Maranhão, indefinição quanto ao futuro do esqueleto da Refinaria Prêmio, para citar apenas os mais evidentes – e cujas soluções dependem da boa vontade do Palácio do Planalto e dos novos controladores do cofre da República, os congressistas maranhenses parecem não saber o que fazer.

A política institucional, aquela que alimenta a relação entre os Poderes constituídos, em especial a convivência de Legislativo e Executivo, tem regras muito claras. A principal delas é que um depende do outro, especialmente nos momentos de crise, exatamente o cenário em que o Brasil político está se movimentando. O lógico seria, portanto, que a bancada maranhense unisse força política e uma boa dose de pragmatismo e, em vez de cada um puxar a manta para seus pés, formasse um exército espartano, unido, compacto, definisse uma pauta de itens prioritários e colocasse as cartas na mesa dos lideres governistas, fazendo o jogo bruto da troca. Sim, porque parece que, mesmo já nas cordas e sob risco de ir à lona, a presidente Dilma Rousseff e seus ministro parecem só conhecer essa forma de relação.

Mesmo com o ministro da Fazenda chorando miséria e pedindo a “compreensão” do povo brasileiro, não é possível aceitar a atual situação da BR-135, a única ligação rodoviária entre a Ilha de São Luís e o resto do mundo, especialmente no trecho entre Estiva e Bacabeira: um corredor de rodovia de mão dupla, por onde trafegam milhares de veículos todos os dias e que há anos amarga a alcunha de “Estrada da Morte”, dado o elevado número de tragédias, sobretudo o Campo de Perizes, onde as ocorrências são quase diárias. O projeto de duplicação foi feito sob pressão, a licitação da obra foi feita sob pressão, o início dos trabalhos aconteceu também sob pressão. E como a pressão cessou, a obra parou.

Seria injusto afirmar que senadores e deputados estão de braços cruzados em relação à paralisação da duplicação da “Estrada da Morte”. São frequentes as reuniões com dirigentes do DNIT, responsável pela execução, e com o ministro dos Transportes, ao final das quais é sempre dita aos congressistas uma explicação lustrosa, uma desculpa bem armada e uma promessa de encher olhos, que os levam a anunciar boas novas que não se concretizam. O detalhe é que nenhum desses encontros mobilizou toda a bancada: os três senadores e os 18 deputados, em que pesem os esforços do seu coordenador, o deputado federal Pedro Fernandes (PTB). E a explicação para essa não mobilização vai da omissão pura e simples, passa por explicações nada convincentes e alcança as diferenças políticas.

Para se ter uma ideia da dispersão de força da bancada, o coordenador Pedro Fernandes agendou uma reunião com o ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, para exatamente pressionar pela conclusão da duplicação da BR-135 até Bacabeira. Compareceram apenas seis dos 18 deputados: Pedro Fernandes, José Reinaldo Tavares (PSB), Júnior Marreca (PEN), Vitor Mendes (PV), João Marcelo (PMDB) e Weverton Rocha (PDT), e nenhum senador. E um detalhe mais curioso ainda: dos seis deputados presentes, três não fazem mais parte da base de apoio do governo: José Reinaldo, Pedro Fernandes e Weverton Rocha – podem votar com o governo, mas já não são tratados como governistas “roxos”. É elementar calcular que 18 deputados valem três vezes mais que seis, e que três senadores valem muito, mas muito, mais que nenhum. Essa é uma conta cartesiana, não tem como ser contestada.

Ontem, um discurso do deputado César Pires (DEM), na esteira de outro, feito terça-feira pela deputada Graça Paz (PSL), assanhou mais uma vez a Assembleia Legislativa em relação ao tratamento que o Maranhão vem recebendo do Governo Federal no que respeita a esses problemas. E entre as inúmeras declarações fortes que foram feitas, uma, do deputado César Pires, ecoou com mais estridência: “Temos de agir, assumir nossa responsabilidade e tentar, nós mesmos, resolver os problemas causados pela omissão dos nossos representantes em Brasília”.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

 

Na oposição. E aí?

André FufucaTrata-se de um fato isolado, mas tem tudo a ver com a dispersão de força da bancada federal do Maranhão. Na terça-feira, a CPI do BNDES, invenção do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para criar problemas para a presidente Dilma Rousseff, realizou sua segunda reunião para tomar decisões com o objetivo de escarafunchar mesmo as entranhas do banco e, assim, infernizar mais ainda a situação do governo. Sabendo antecipadamente da manobra, líderes governistas entraram no circuito e formaram uma tropa de choque, para combater a tropa comandada por Cunha. E quem faz parte da turma do presidente da Câmara na CPI do BNDES? Ninguém menos que o deputado federal André Fufuca. Ou seja, o jovem o Fufuca está na contramão do governo, logo, a bancada não conta com seu voto. Na segunda-feira, André Fufuca participou da reunião em que o reitor Natalino Salgado apresentou a seis deputados federais o dramático quadro financeiro da UFMA e pediu-lhes socorro. Como o parlamentar do PEN vai cobrar se o seu voto já está amarrado com os adversários do governo? Talvez ele possa responder.

 

Entra e sai

castelo 1-horzVoltam a circular rumores segundo os quais o senador Roberto Rocha, que se elegeu pelo PSB, estaria preparando sua volta ao PSDB. Os mesmos rumores dizem que o maior empecilho para a retucanização do parlamentar é o PSB, cujo comando já avisou: se Rocha se desfiliar, o partido entrará na Justiça para tomar-lhe o mandato, já que não há motivo que justifique a desfiliação. Além disso, o deputado federal João Castelo teria comunicado ao comando tucano que no PSDB maranhense não há lugar para ele e para o senador, e que, se a mudança vier a ocorrer, o senador entrará por uma porta e o ex-prefeito de São Luís sairá por outra. Pode ser apenas rumores, mas há quem garanta que não.

 

São Luís, 19 de Agosto de 2015.

 

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