Posição da direção nacional muda situação no PSB e abre caminho para Bira do Pindaré disputar Prefeitura de São Luís

 

bira e psb
Bira do Pindaré é cumprimentado por Carlos Diqueira ao lado de Rossini Corrêa

 

Errou quem apostou que o PSB ficaria à margem da corrida eleitoral em São Luís. Na quinta-feira, em Brasília, o secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, deputado estadual licenciado Bira do Pindaré, ouviu do presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, que é prioridade para o PSB ter um candidato à Prefeitura de São Luís. E mais: em razão dessa posição, o comando nacional da agremiação socialista deverá apressar o processo de escolha do candidato, sendo as opções o próprio Bira do Pindaré e o senador Roberto Rocha. A declaração do presidente Carlos Siqueira injetou toneladas de ânimo no secretário de Ciência e Tecnologia, avisou ao senador Roberto Rocha que ele tem de jogar aberto, e chamou à razão o deputado federal José Reinaldo Tavares, que vem descartando os projetos de candidatura do próprio partido e declarando, ostensivamente, apoio à candidatura da deputada federal Eliziane Gama (Rede).

Até a reunião de Brasília – que aconteceu na presença de sociólogo, advogado e escritor Rossini Corrêa, um dos fundadores do PSB no Maranhão -, Bira do Pindaré encontrava-se numa situação complicada dentro do partido. Determinado a disputar a Prefeitura de São Luís, ele via a cada dia o seu projeto de candidatura perder consistência política por causa do confronto alimentado dentro da agremiação pelo senador Roberto Rocha e pelo ex-governador e deputado federal José Reinaldo. A declaração enfática do presidente do partido pode mudar radicalmente o cenário, pois funcionará como pressão para uma solução interna.

É possível que a manifestação do presidente nacional do PSB tenha sido causada pela repercussão do convite feito ao deputado Bira do Pindaré pelo presidente do Solidariedade no Maranhão, Simplício Araújo, que comanda a Secretaria de Estado de Indústria e Comércio. Decidido a fortalecer o partido no Maranhão depois da saída do ex-deputado Domingos Dutra – que entrou para o PCdoB para disputar a Prefeitura de Paço do Lumiar com as bênçãos do Palácio dos Leões -, Araújo jogou uma cartada alta, tentando atrair, além de Bira do Pindaré, o nacionalmente conhecido e respeitado juiz Márlon Reis, com a ideia de lançá-lo candidato à Prefeitura de Imperatriz. O convite, que trouxe no bojo uma proposta sedutora: se entrar no Solidariedade, terá garantida sua candidatura a prefeito de São Luís, animou o secretário de Ciência e Tecnologia, que certamente viu no episódio um mecanismo natural de pressão contra o PSB. A declaração do presidente da agremiação mostrou que ele estava certo.

A partir de agora, Bira do Pindaré tem as condições de convidar Roberto Rocha e José Reinaldo Tavares para sentar e discutir qual o rumo do PSB na corrida ao Palácio de la Ravardière. Político antenado e ciente do tamanho do seu cacife no partido como senador e presidente do Diretório de São Luís, Roberto Rocha sabe que chegou a hora de abrir o jogo para valer, deixando claro se será ou não candidato a prefeito de São Luís. Rocha sabe também que sua candidatura, se confirmada, trará um risco político enorme, que ele não tem necessidade de correr, já que se apresenta claramente com disposição para dar voos mais altos, e uma derrota na Capital será um desastre para o projeto maior. A confirmação da candidatura do senador seria também como abrir a porta do PSB e mandar Bira do Pindaré embora, e, nesse caso, o Solidariedade seria o seu caminho natural depois do convite de Simplício Araújo.

O fato é que a declaração do presidente nacional do PSB dizendo que o partido tem de ter candidato a prefeito em São Luis teve força suficiente para alterar a situação dentro do PSB. E não há dúvida de que Bira do Pindaré foi o grande beneficiado, em condições, portanto, de virar o jogo e sair candidato pelo partido, podendo também deixar o PSB e se candidatar pelo Solidariedade.

Em tempo: o encontro do deputado licenciado Bira do Pindaré com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, em Brasília, foi testemunhado pelo sociólogo, advogado, escritor e professor universitário Rossini Corrêa, um dos fundadores do PSB no Maranhão. O partido nasceu no início da década de 1980 do século passado em São Luís pela articulação de um grupo que, além de Rossini Corrêa, foi integrado por Guilherme Freire, Valdelino Cécio, Ribamar Corrêa, entre outros, que assinaram o livro de fundação da agremiação. Nesse mais de 30 anos. O PSB passou por muitas mãos, tendo sido inclusive controlado pelo ex-deputado Ricardo Murad, com o apoio do então deputado federal José Carlos Sabóia e do advogado  e ex-deputado federal José Antonio Almeida Silva.

 

 

PONTO & CONTRAPONTO

Prisão de prefeito pode mudar cenário político em Santa Inês
ribamar alves taradão
Ribamar Alves chega à Delegacia escoltado por policiais

Se ganhou um candidato a prefeito de São Luís, que pode ser o senador Roberto Rocha ou o deputado licenciado Bira do Pindaré, o PSB corre, desde ontem, o risco de perder o seu candidato a prefeito de Santa Inês, o prefeito Ribamar Alves, um dos seus quadros mais importantes no estado e que agora enxerga nuvens muito cinzentas sobre o seu projeto de reeleição. O Maranhão inteiro foi surpreendido pela prisão de Ribamar Alves sob a acusação de haver estuprado uma missionária vendedora de livros, que teria apenas 17 anos. A opereta de mau gosto é simples: a jovem foi oferecer livros ao prefeito e ele prometeu comprar uma quantidade bem maior do que a que lhe era oferecida se recebesse em troca favores sexuais. Versões diferentes relataram que os dois acabaram num quarto de motel e transaram. Depois, ela foi à polícia e acusou o prefeito de tê-la estuprado. Ele se defende dizendo que os dois fizeram sexo sim, mas “consentido”. A menos que um deles resolva falar a verdade, trata-se de um caso em que ninguém jamais saberá o que de fato aconteceu. Independente do desfecho desse imbróglio, a acusação funcionou como um petardo poderoso no projeto de reeleição de Ribamar Alves, principalmente porque o burburinho tirou do arquivo e requentou  outra denúncia, esta de 2013 em que a vítima foi a juíza de direito Larissa Castro, que o denunciou por assédio. A notícia caiu como uma bomba no meio político, dando origem inclusive à especulação de que Alves poderá abrir mão da candidatura e sair do páreo, o que pafrece3 blefe do especulador. O deputado Sousa Neto (PTN) pode ser o grande beneficiário desse desastre moral que poderá fazer com que o prefeito de Santa Inês, que já foi duas vezes deputado federal e poderia estar mo melhor momento da sua carreira, entre para a História como  um reles estrupador.

 

São Luís, 29 de Janeiro de 2016.

 

 

 

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