PMDB ajusta comando, isola Murad e decide que, se quiser, Roseana será candidata em São Luís

 

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Roseana Sarney, Roberto Costa e Fábio Câmara são opções do PMDB para São Luís 

 

Em convenção realizada ontem, o PMDB decidiu que pode ter dois caminhos na corrida sucessória à Prefeitura de São Luís: poderá lançar candidato próprio – que pode ser a ex-governadora Roseana Sarney, o deputado estadual Roberto Costa ou o vereador Fábio Câmara – ou articular uma aliança que resulte no lançamento de um candidato de outro partido – que pode ser, por exemplo, o deputado estadual Edilázio Jr., do PV. O comando partidário descartou qualquer possibilidade de ceder a vaga de candidato ao ex-deputado Ricardo Murad, que foi isolado dentro da agremiação, não participando nem do Diretório Municipal nem da Comissão Executiva, as duas maiores instâncias de decisão do partido. O presidente estadual do PMDB, senador João Alberto, disse que a vaga de candidato a prefeito de São Luís é preferencialmente de Roseana Sarney. “Se ela quiser, o PMDB está pronto para ir à luta”, disse o senador, acrescentando que se o partido não lançar candidato próprio, estará aberto a negociações, sem restrição a nomes.

Com essas decisões, o PMDB sai na frente nos preparativos para a corrida ao Palácio de la Ravardière. Essa antecipação é uma resposta às seguidas crises que o partido enfrentou desde o desastre eleitoral de 2014, quando seu candidato a governador, Lobão Filho, foi derrotado pelo candidato do PCdoB, Flávio Dino; o seu candidato a senador, Gastão Vieira, perdeu para Roberto Rocha (PSB) e só conseguiu eleger três deputados federais e quatro deputados estaduais. A convenção municipal de ontem foi o primeiro passo concreto para os novos tempos que o partido terá de enfrentar sem estar no poder. Nesse novo contexto, seus líderes acreditam que o PMDB do Maranhão, a começar pelo de São Luís, tem gás para dar uma guinada e reverter essa situação.

O projeto de lançar candidato próprio a prefeito é arrojado em todos os aspectos. Se o candidato pemedebista for Roseana Sarney, o partido entrará numa empreitada de risco muito elevado. Isso porque, se ela vencer a corrida, tudo bem, o PMDB e o que restou do Grupo Sarney voltarão ao poder. Mas se ela protagonizar um desastre eleitoral, o partido perderá tudo na Capital e, mais que isso, “queimará”, quem sabe de maneira irreversível, o seu trunfo principal para uma eleição majoritária em 2018 ao Governo do Estado ou ao Senado. E a julgar pelas pesquisas divulgadas até agora, a ex-governadora tem aparecido com desempenho tímido, que se perde na poeira de uma rejeição avassaladora.

Para alguns pemedebistas, parece mais lógico o partido testar a nova geração nas urnas de São Luís. Jovem, já com boa experiência e conhecedor dos problemas da Capital, o deputado Roberto Costa foi reeleito com densa votação na Capital, já conheceu o caminho das pedras como candidato a vice-prefeito em 2008 e nada teria a perder. No mesmo contexto se enquadra o vereador Fábio Câmara, político jovem e ousado, com bom desempenho na Câmara Municipal, detém as credenciais necessárias para se habilitar como candidato. Tanto Costa quanto Câmara têm boas chances de se viabilizar num embate com o prefeito Edivaldo Jr. (PTC) e a deputada federal Eliziane Gama (PPS).

A opção de integrar uma aliança tem vários vieses. Primeiro: se essa aliança incluir o PT e os demais partidos do Grupo Sarney, tendo como candidato um nome da nova geração, como o deputado Edilázio Jr. (PV), ou, numa hipótese remota, viesse a apoiar, Bira do Pindaré (PSB), João Castelo (PSDB) ou Gastão Vieira (PROS), o partido naturalmente teria sua importância encolhida, mas com chances de permanecer vivo, dependendo do resultado. Ciente das dificuldades do PMDB, o senador João Alberto garante que nesse caso não haverá restrição a qualquer nome. Assim, o PMDB poderá até integrar uma coligação em torno do prefeito Edivaldo Jr., como também pode marchar com a deputada federal Eliziane Gama. Não serão, nos dois casos, alianças fáceis, pela distância que separa o PMDB do PTC e do PPS. Mas como em política até boi voa, e em alguns casos, até com asa quebrada, é prudente aguardar o que vem por aí.

 

PONTOS & CONTRAPONTOS

Murad de fora

ricardo 9O resultado da convenção realizada ontem pelo braço do PMDB de São Luís foi um sinal claro de que no partido não há mesmo espaço para o ex-deputado Ricardo Murad, nem para sua herdeira política, a deputada estadual Andrea Murad. O ex-deputado foi ejetado da direção partidária e não ganhou de quebra vaga no Diretório nem na Executiva. Com essa decisão, o comando pemedebista eliminou todas as possibilidades de Murad vir a ser candidato a prefeito de São Luís pela agremiação. O que lhe restou foi, primeiro o direito de espernear, mas se o fizer, será em vão; e segundo o direito de se desfiliar e procurar outro pouso partidário, sendo ou não candidato a prefeito. E pelo que está desenhado, não adiantará tentar ocupar espaço no partido pela via da Executiva estadual, porque ali também as portas estão fechadas para qualquer projeto que o envolva.

Plano B

O ex-deputado Ricardo Murad certamente não engolirá a seco o isolamento que lhe foi imposto no PMDB de São Luís. Acostumado à refrega política, na maioria das vezes contra adversários duros na queda, o ex-todo-poderoso secretário estadual de Saúde e atual todo-poderoso secretário de Governo da Prefeitura de Coroatá, comandada pela sua mulher, Tereza Trovão, pode até não declarar guerra ao comando partidário, mas vai se mexer de maneira ostensiva. Talvez até para colocar em prática o seu o “Plano B”, que é abandonar o PMDB e assumir de vez o comando de direito – pois já o exerce de fato – do PTN no Maranhão, que tem como presidente o seu genro, o deputado estadual Souza Neto. Enfim, não será por falta de partido que Ricardo Murad deixará de ser candidato a prefeito de São Luís.

Agora não

lobão filhoNos bastidores do PMDB muito se falou do suplente de senador Lobão Filho como nome para disputar a prefeitura de São Luís. Ele, porém, não manifestou qualquer interesse no assunto, e vem, a cada dia, se distanciando mais da ciranda partidária, focado que está na delicada situação do pai, senador Edison Lobão (PMDB). Revelações mais recentes, como a de que André Serwy, um amigo da família Lobão, teria sido usado para receber propina destinada ao senador agravaram ainda mais a situação do ex-ministro de Minas e Energia. O próprio Lobão Filho tem dito a amigos que o seu futuro político vai depender do desfecho da Operação Lava Jato em relação ao senador Edison Lobão. O que significa dizer que, no momento, ele está fora da corrida ao Palácio de la Ravardière e de qualquer outro projeto político-partidário. Faz todo sentido.

 

São Luís, 24 de Julho de 2015.

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