Pesquisa Exata confirma liderança ampla de Dino, com Roseana em segundo e tendência de definição em turno único

 

Flávio Dino lidera com 60%, seguido de Roseana Sarney (31%), Maura Jorge (4%) e Roberto Rocha (3%); Odívio Neto e Ramon Zapata não pontuaram, segundo o Exata

Independentemente da polêmica que possa provocar por ter sido divulgada sem o tripé nulos/brancos/indecisos, revelando apenas os chamados “votos válidos”, a nova pesquisa do instituto Exata, divulgada na edição de ontem do Jornal Pequeno, trouxe a público apenas confirmações, sem qualquer dado que pudesse causar a mais leve agitação no cenário da corrida ao Palácio dos Leões. A primeira e mais destacada é a de que o governador Flávio Dino (PCdoB) aparece com 60% das preferências na massa dos votos válidos, um cacife que alcançado e que, se mantido, lhe dará a reeleição em turno único. A segunda confirmação: a ex-governadora Roseana Sarney tem 31% das intenções de voto, já revelados em outras pesquisas, o que a consolida, portanto, como o principal adversário do governador. A terceira: bem atrás dos dois surge a ex-prefeita Maura Jorge (PSL) com 4% das intenções de voto, seguida do senador Roberto Rocha (PSDB), com 3%. Depois, aparece o fantasma da já inexistente candidatura do ex-deputado Ricardo Murad (PRP), com 2%. Odívio Neto (PSOL) e Ramon Zapata (PSTU), que não pontuaram. Exceto uma pequena variação nos percentuais, que sequer ameaça as posições, a nova pesquisa nada difere de outros levantamentos recentes.

O governador Flávio Dino se mantém na liderança da corrida embalado pelo bom conceito como gestor público e pela posição que vem ocupando no cenário político estadual e nacional. O gestor público trabalha entre 12 e 14 horas por dia e nos tempos mais recentes suspendeu idas à praia aos Domingos para embrenhar-se pelos municípios, inaugurando, inspecionando e até mesmo lançando obras. Comanda um Governo com os pés no chão e eficiente, sustentado por um controle draconiano dos recursos públicos. Os resultados em educação, saúde, assistência social, infraestrutura, e por aí vai, têm uma forte marca reformadora e o colocam sempre na cabeça das listas em que chefes de Estados são avaliados. Politicamente, Flávio Dino está consolidado dentro e fora do Maranhão como a principal liderança no pós-sarneysismo, com cacife para completar a transição iniciada em 2014, abrindo caminho para uma nova geração de políticos que se forma no estado. Daí não surpreender o fato de ele liderar a corrida em busca da reeleição.

A ex-governadora Roseana Sarney mostra fôlego ao alcançar 31% das preferências nos votos válidos, mas não o suficiente para projetar um crescimento que inverta o quadro atual. Não há dúvida de que a ex-governadora é uma liderança de peso, mas muito distante do que foi até em 2010, quando se reelegeu em turno único, com o apoio declarado do então presidente Lula da Silva (PT), vencendo um ex-governador Jackson Lago (PDT) politicamente castigado pela cassação e já gravemente debilitado pelo câncer que o levaria em 2011, e um Flávio Dino já deputado federal, mas ainda deslanchando no cenário estadual. Pesam contra ela o fato de ter governado o Maranhão por mais de 12 anos e representar uma corrente política que já foi dominante, mas que se encontra duramente enfraquecida e tentando se reagrupar depois da acachapante derrota que sofreu em 2014. Com os 31%, a ex-governadora mostra que é um adversário respeitável, mas visivelmente sem condições de ir mais longe. A campanha dirá qual o seu real tamanho político e eleitoral.

Tecnicamente empatados (a margem de erro é de 3,2%), Maura Jorge (4%) e Roberto Rocha (3%) travam uma guerra na poeira da corrida às urnas, alimentando uma situação mostrada nos levantamentos mais recentes. Nascida candidata a partir de uma “invenção” do deputado federal Aluísio Mendes (Podemos), Maura Jorge vem dando seguidas demonstrações de audácia política, como lance de perseguir e conseguir se tornar o braço do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no Maranhão, ocupando um espaço que nem imaginava quando entrou na corrida aos Leões. Ao contrário, o senador Roberto Rocha, que primeiro nasceu candidato dele mesmo e agora representa nada menos que o PSDB, o que lhe dá vantagens que outros aspirantes – como o deputado estadual Eduardo Braide (PMN), por exemplo –, mas ele não tem mostrado gás para crescer e virar o jogo.

A pesquisa, enfim, traduz com alguma precisão a realidade política do Maranhão neste momento, sinalizando fortemente que o cenário mostrado reúne as condições para ser confirmado nas urnas.

Em Tempo: A pesquisa Exata/JP foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número MA-06768/2018. Foram ouvidos 1.404 eleitores entre os dias 15 e 20 de julho. A margem de erro é de 3,2 pontos.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Lula lidera com intenções de votos no mesmo patamar de Flávio Dino

Lula da Silva tem 66%, seguido de Jair Bolsonaro (13%), Marina Silva (6%), Ciro Gomes (4% ), Geraldo Alckmin (2%) e Álvaro Dias (1%) das intenções de voto no estado

Está escrito nas estrelas que se for candidato ao Palácio do Planalto, mesmo preso, o ex-presidente Lula da Silva (PT) terá 66% dos votos no Maranhão, patamar equivalente ao do governador Flávio Dino (60%), que é defensor intransigente da sua candidatura. Ao mesmo tempo, pesquisa chama a atenção para o fato de que as posições dos demais presidenciáveis estão distanciadas dos seus candidatos a governador. Jair Bolsonaro tem 13% das intenções de voto enquanto Maura Jorge tem apenas 4%. Terceira colocada com 6%, Marina Silva (Rede) não tem sequer um candidato a deputado federal anunciado pelo seu partido, como se essa agremiação simplesmente não existisse no estado. Ciro Gomes (PDT), que tem a simpatia sem compromisso do governador Flávio Dino, podendo vir a ser o candidato da sua aliança se Lula não vingar, tem apenas 4%. Geraldo Alckmin (PSDB), por sua vez, detém 2% das intenções de voto, percentual quase igual ao do candidato tucano a governador, Roberto Rocha, que tem 3%. Álvaro Dias (Podemos) surpreendeu com 1% das intenções de voto. Manuela D`Ávila (PCdoB) – para quem o governador Flávio Dino dará seu voto se a candidatura for mantida – não pontuou. E Guilherme Boulos (PSOL), que igualmente ao candidato do seu partido a governador, Odívio Neto, também não pontuou. Vale anotar que Henrique Meireles (MDB), candidato da ex-governadora Roseana Sarney, não foi nem lembrado na investigação do instituto Exata.

 

PRE alerta entidades evangélicas para que evitem propaganda eleitoral ilegal

A Recomendação da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) no sentido de que instituições religiosas não promovam atos de apoio a candidatos que possam ser interpretados como propaganda eleitoral foi um recado direto às chamadas denominações evangélicas, a começar pela mais importante e politicamente influente delas, a Assembleia de Deus. A iniciativa da PRE é oportuna, mas de alguma maneira chegou tarde, uma vez que essas Igrejas estão atuando como verdadeiros segmentos políticos, com vieses partidários e candidatos definidos. Para definir candidatos, os líderes estão apresentando até plataformas com itens variados, como se entidades evangélicas e os fiéis que as formam sejam instituições e cidadãos diferenciados, com mais direitos do que o cidadão comum. Isso não cabe numa democracia com regras eleitorais bem definidas como a do Brasil.

São Luís, 25 de Julho de 2018.

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