Anistia para golpistas: dos deputados maranhense já definidos, maioria é contra

Dos já decididos, Allan Garcez e Josivaldo JP são a
favor da anistia aos golpistas, enquanto Hildo Rocha,
Márcio Jerry, Rubens Júnior, Ivan Júnior
e Aluísio Mendes são contra

Resolvido o destino da primeira denúncia sobre envolvimento na tentativa de golpe de estado, com a decisão do Supremo Tribunal Federal, por sua 1ª Turma, de tornar réus o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu grupo mais próximo, que, daqui a alguns meses, poderão ser condenados a até 40 anos de cadeia ou serem absolvidos, as atenções se voltam agora para o projeto da anistia que a banda bolsonarista do Congresso Nacional tenta emplacar para livrar os participantes do fatídico 8 de janeiro de 2023. O jornal O Estado de S. Paulo fez um levantamento para identificar a posição dos 513 deputados federais em relação ao projeto, e o resultado foi: 190 favoráveis, 126 contra e 104 ficaram no muro. Entre os 18 deputados maranhenses, dois disseram ser a favor do projeto de anistia, cinco disseram ser contrários, cinco não quiseram responder e seis simplesmente não retornaram ao chamado de O Estadão.

Os dois favoráveis à anistia para os golpistas de 8 de janeiro são os deputados Allan Garcês e Josivaldo JP. O primeiro é de extrema-direita e bolsonarista “raiz”, que está no exercício do mandato na vaga do deputado André Fufuca, atual ministro do Esporte. O segundo é de direita, mas não exibe o grau dessa posição ideológica, sendo claro que joga para agradar ao eleitorado bolsonarista na região Tocantina.

Contra o projeto de anistia para os golpistas se posicionaram os deputados Hildo Rocha (MDB), que junta a posição do partido com sua convicção pessoal contra os planos golpistas da direita bolsonarista; Ivan Júnior (União), suplente de centro-direita recém-chegado à Câmara Federal; Márcio Jerry (PCdoB) é contra por convicção pessoal e segue a linha geral da esquerda da qual o seu partido é parte histórica; Rubens Júnior (PT) é contra o projeto por convicção pessoal e em alinhamento com a posição do PT; e Aluísio Mendes (Republicanos), que é de direita, integra a ala menos radical do bolsonarismo, mas defende a ordem institucional.

Os deputados que não quiserem responder à pesquisa formam um grupo política e ideológicamente plural, que vai do centro à extrema-direita. A deputada Detinha (PL) é de direita, faz parte da nata do PL, mas não fecha com o radicalismo bolsonarista. Duarte Júnior (PSB) manifesta independência em relação ao partido, que já se posicionou contra a anistia. Júnior Lourenço (PL) segue a linha de independência em relação ao bolsonarismo; Márcio Honaiser (PDT) surpreende, uma vez que o seu partido já está posicionado contra a anistia para os golpistas do 8 de janeiro; e Pedro Lucas Fernandes (União), atual líder da bancada federal do partido, tem posição definida, mas não quer externa-la ainda.

Os seis deputados que não retornaram à provocação de O Estadão formam um grupo predominantemente de centro-direita, que tem dúvidas em relação ao projeto de anistia. Amanda Gentil (PP), por exemplo, é uma jovem parlamentar identificada com a democracia; Cléber Verde (MDB) é um parlamentar experiente, identificado com a democracia plena, que é a posição do seu partido; Fábio Macedo (Podemos) é posicionado à direita democrática, deve seguir o seu partido; Josimar de Maranhãozinho (PL) é de direita, mas não segue a cartilha golpista do bolsonarismo; Marreca Filho (PRD) deve seguir a linha do seu partido; e Pastor Gil (PL) é da direita dura pregada pela ala bolsonarista da Assembleia de Deus.

É claro que entre os que não quiseram responder e os que não retornaram estão deputados com suas convicções formadas a favor e contra a anistia e os que ainda, embora seja lógico supor que boa parte esteja sobre o muro da indefinição. Assim como os já posicionados, esses parlamentares sabem que, nesse caso, uma anistia é uma faca de dois gumes, que pode dar aos anistiados uma consciência democrática, mas também pode lhes dar munição para continuar tentando quebrar a ordem e mergulhar o Brasil de novo numa ditadura, como pediram seus cartazes.

No momento, vale o registro de que a maioria não aprova a polêmica proposta de perdão.

Em Tempo: as posições dos deputados federais foram inicialmente divulgadas pelo bem informado Blog do John Cutrim.

PONTO & CONTRAPONTO

Flávio Dino fechou seu voto lembrando que “ditadura mata”

Flávio Dino votando na sessão da 1ª Turma

Muito comentado o voto com que o ministro Flávio Dino recebeu a denúncia da Procuradoria Geral da República e o voto do ministro-relator Alexandre de Moraes que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e seu grupo mais próximo, réus por tentativa de golpe de estado.

Com a autoridade de ministro da Justiça que montou a resistência e o combate ao movimento golpista de 8 de janeiro, o ministro Flávio Dino acatou, literal e integralmente, o voto do ministro-relator e fundamentou sua posição com uma série de argumentos, sendo que dois chamaram mais a atenção.

No primeiro, ele concorda totalmente com o fundamento segundo o qual houve, sim, uma tentativa de golpe no Brasil, tramado pelo presidente Jair Bolsonaro, que em vez de reconhecer a derrota nas urnas, passar o comando do País ao presidente eleito Lula da Silva (PT) e se preparar para 2026, preferiu mergulhar na instabilidade, e diante do fracasso do plano golpista, fugiu para Miami, refúgio dos ricos brasileiros nos EUA.

O outro argumento do ministro se baseou no fato de que quando as defesas se manifestaram, nenhum advogado dos acusados contestou a afirmação de que houve tentativa de golpe. Todos eles reconheceram que o regime democrático foi gravemente ameaçado por planos golpistas, mas que seus constituintes não participaram deles.

E no final, o ministro fez uma advertência: “Ditadura mata!”

Fato ocorrido em hospital mostrou como Roberto Costa quer a gestão pública de Bacabal

Roberto Costa joga
duro contra desvios

Se algum bacabalense tinha alguma dúvida quanto a seriedade do prefeito Roberto Costa (MDB), o episódio ocorrido recentemente num hospital da rede municipal foi um recado direto e preciso de como o serviço público tem de funcionar sob sua gestão. O relato foi feito por ele próprio numa reunião posterior com servidores municipais.

Ao chegar ao Hospital Socorrão, numa ação de inspeção, o prefeito Roberto Costa deparou com a seguinte situação: uma mãe teria sido orientada por um médico do hospital a realizar uma tomografia em seu filho numa clínica particular, quando o hospital tem condições de realizar o exame gratuitamente.

Diante do fato, revelador de um crime cometido por um servidor contra um cidadão, o prefeito Roberto Costa reagiu, indignado, primeiro fazendo um pix no valor do exame (R$ 426,00) em favor da mulher e mandou um recado direto, que não deixou nenhuma dúvida: “Profissional que trabalhar na Prefeitura de Bacabal e não respeitar a população, não ficará na gestão do prefeito Roberto Costa”.

E em seguida determinou a realização de uma sindicância para apurar o episódio. Avisando que sua gestão praticará a regra de “tolerância zero” com qualquer tipo de desvio de conduta funcional.

Quem conhece Roberto Costa um pouco mais sabe que ele não tergiversa em situações como essa. Costuma resolver no ato, doa a quem doer.

São Luís, 27 de Março de 2025.

Iracema mostra firmeza e acredita que Supremo confirmará sua eleição de presidente da Alema

Descontraída, Iracema Vale entregou exemplares da nova
edição da Constituição do Maranhão aos deputados;
no registro com o deputado Osmar Filho (PDT)

Cem dias depois de ter sido reeleita para um novo mandato de dois anos como presidente da Assembleia Legislativa, eleição que resultou empatada (21 a 21) e desempatada pelo critério da maior idade, que lhe favoreceu por ser mais velha que o concorrente – o deputado Othelino Neto (Solidariedade) – , a deputada Iracema Vale (PSB) está no exercício pleno do cargo. Sua permanência, no entanto, está condicionada a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN), impetrada no Supremo Tribunal Federal, por meio da qual o partido do deputado Othelino Neto contesta o resultado questionando o critério da maior idade como fator de desempate. Na Suprema Corte, a relatora da ação, ministra Cármen Lúcia, com o aval da PGE e CGU, reconheceu o critério como constitucional, validando o resultado da eleição. O primeiro ministro a votar, Alexandre de Moraes, manifestou restrição ao critério, mas reconheceu a validade da eleição. O segundo, Dias Toffoli, suspendeu o julgamento com um pedido vistas, com prazo até meados de junho para se manifestar.

Foi nesse contexto, mais tensionado ainda pelo julgamento, pela 1ª Turma da Suprema Corte, da denúncia que poderá tornar réus, por tentativa de golpe de estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua turma, ou inocentá-los, que a presidente Iracema Vale conversou ontem com jornalistas sobre a pendência em relação à sua eleição. Ela surpreendeu pela segurança com que tratou do assunto e pela consciência de que poderá festejar a confirmação do pleito ou encarar um revés. Tranquila e manifestando consciência de que está no epicentro de um tornado político cuja motivação vai muito além da eleição em si, a presidente da Assembleia Legislativa aguarda uma decisão favorável, não acreditando que haja mudança na eleição.

– Eu sinceramente não acredito em mudança do resultado da eleição. Mas, de qualquer forma, garanto que estou muito tranquila quanto a isso, seja qual for a decisão do Supremo – declarou a presidente, com a segurança de quem está sustentada em lastro jurídico denso. E nesse estado de ânimo, ela acrescentou, avisando que está na luta usando os fatos: o critério da maior idade para desempate em eleição presidencial na Assembleia Legislativa é legítimo e está previsto no Regimento Interno da Casa desde 1991. E é para mostrar esse argumento que ela tem mantido audiências com ministros da Suprema Corte – aguarda, por exemplo, a definição de data para conversar com o ministro Flávio Dino.

Enquanto isso, em meio à ponte-aérea São Luís/Brasília, onde atua para colocar as coisas nos seus devidos lugares, a presidente Iracema Vale trabalha para que esse clima de forte expectativa não influa no funcionamento do Poder Legislativo, que segue a sua rotina no campo institucional: “Sigo trabalhando, do jeito que vocês sabem como trabalho: ouvindo as pessoas, fazendo a boa política. Seja como presidente, ou como deputada, eu seguirei atuando da mesma forma”.

Iracema Vale não está só nesse campo de batalha político. Além dos demais membros da Mesa Diretora, ela conta com um grande número de deputados, tendo ainda o aval do governador Carlos Brandão, que preside o seu partido, o PSB. Ao longo do processo, várias agremiações partidárias lhe declararam apoio ingressando na ação como amicus curiae – PSB, MDB, Republicanos e União Brasil. Ou seja, a presidente da Assembleia Legislativa tem usado sua experiência, habilidade e coragem política nesse embate.

Ela sabe que seu principal adversário, o deputado Othelino Neto, joga com força e aposta alto nesse desfecho, que pode manter o Poder Legislativo no curso atual de alinhamento institucional com o Poder Executivo ou mudar radicalmente os rumos da instituição, com desdobramentos políticos imprevisíveis, e principalmente no que diz respeito às eleições gerais do ano que vem. Isso porque, dependendo do cenário político a ser montado em 2026, a presidência da Assembleia Legislativa terá peso decisivo.

PONTO & CONTRAPONTO

Brandão tem recebido estímulos de prefeitos para ser candidato ao Senado

Carlos Brandão: estimulado por prefeitos
a se candidatar a senador em 2026

O governador Carlos Brandão (PSB) caminha para uma situação em que dificilmente deixará de ser candidato a senador. É que por onde ele passa, já começa a ouvir manifestações isoladas, mas expressivas, o apontando como nome forte para a Câmara Alta.

Mas o ponto forte dessa motivação são os prefeitos com os quais conversa, tanto em encontros informais, em eventos formais e em audiências. A quase totalidade dos dirigentes municipais tem dito que se ele for candidato terá o apoio deles.

Carlos Brandão vem amadurecendo nitidamente o projeto de disputar uma cadeira no Senado da República, que tem sido o destino natural dos governadores bem-sucedidos. Por conta de diferenças com parte da sua base, ele chegou a pensar em permanecer no Governo até o final do mandato, mas de umas semanas para cá, sem fazer declarações, vem emitindo sinais claros de que o seu caminho deve ser uma chapa tendo o vice-governador como candidato a governador, e ele a um mandato senatorial.

Os estímulos que vem recebendo de prefeitos têm sido uma forte injeção de ânimo, que vem mudando a posição inicial do governador em relação ao pleito do ano que vem

Movimentação de Felipe Camarão acende luz amarela para Eduardo Braide

Felipe Camarão e Eduardo Braide: movimentação e sinal de alerta

A movimentação do vice-governador Felipe Camarão (PT), que passou a participar da agenda do governador Carlos Brandão em São Luís e no interior, assumindo a condição de pré-candidato ao Governo do Estado, acendeu luz amarela no gabinete principal do Palácio la Ravardière, onde o prefeito Eduardo Braide (PSD) monta o seu projeto de candidatura.

Até aqui líder nas pesquisas feitas para medir a corrida ao Palácio dos Leões, o prefeito de São Luís sabe que sua liderança se deveu em parte ao cacife que conseguiu pela reeleição acachapante, e em parte por conta de uma fase nebulosa do vice-governador Felipe Camarão, que agora está virando o jogo e entrando para valer na corrida sucessória.

A perspectiva de aliados do vice-governador prevê que as próximas pesquisas ainda trarão o prefeito de São Luís na liderança, mas poderão trazer o vice-governador escalando numa curva de crescimento.

A declaração do experiente ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa (PDT), afirmando que se Felipe Camarão não sentar na cadeira de governador, Eduardo Braide pode vencer a eleição, foi vista no meio político como um alerta que o grupo governista deve levar em contas. Principalmente o vice-governador Felipe Camarão, que não esconde sua animação com a o novo cenário.

São Luís, 26 de Março de 2025.

Federação Brasil Esperança muda comando e reforça coro por chapa com Camarão e Brandão

Entre Francimar Melo (PT) e Márcio Jerry (PCdoB),
Adriano Sarney assume o comando
da Federação Brasil Esperança no Maranhão

A passagem de comando no braço maranhense da Federação Brasil Esperança (PT/PV/PCdoB), com a saída do deputado federal Márcio Jerry (PCdoB) e a ascensão do ex-deputado estadual Adriano Sarney (PV) ao posto de presidente, mais do que um mero movimento de rodízio na burocracia partidária, determinado por um acordo nacional, representou o posicionamento desses três partidos em relação à corrida sucessória, sendo eles declaradamente favoráveis à formação de uma chapa tendo o vice-governador Felipe Camarão (PT) como candidato a governador e o chefe do Executivo Carlos Brandão (PSB) concorrendo a uma cadeira no Senado da República. Eles reforçam uma tendência que começou a ganhar força nas últimas semanas, sinalizando que está em curso um processo de superação das diferenças que afastaram o governador Carlos Brandão do ex-senador Flávio Dino, atual ministro do STF. A senha para esse novo ambiente foram as reiteradas declarações do secretário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB) afirmando que seu projeto é ser deputado federal, descartando entrar na briga pelo Palácio dos Leões.

Além de mostrar que estão afinados no plano geral, os três partidos deixaram no ar o recado segundo o qual vão entrar em campo agora, trabalhando pela viabilização política da chapa Camarão/Brandão, e também correndo em busca de viabilidade eleitoral para os seus candidatos a deputado federal e deputado estadual. Atualmente, existe um enorme desequilíbrio entre PT, PV e PCdoB. O primeiro saiu das urnas de 2022 apenas com o vice-governador, um deputado federal, sem nenhum deputado estadual. O PV maranhense não elegeu ninguém naquele pleito. O PCdoB levou a melhor, elegendo um deputado federal e cinco deputados estaduais, salvando a lavoura da Federação Brasil Esperança. O projeto cristalizado ontem tem como objetivo a eleição de representantes dos três partidos em 2025.

No plano majoritário, o braço maranhense da Federação Brasil Esperança trabalha com a lógica e se incorpora a um movimento que começa de fato a ganhar força em torno do vice-governador Felipe Camarão e do governador Carlos Brandão, repetindo a bem-sucedida fórmula de 2014 e 2018, com a chapa Flávio Dino/Carlos Brandão, eleita duas vezes no 1º turno. Para os chefes da Federação, a começar pelo presidente do PT, Francimar Melo, essa chapa é o caminho natural desses partidos e mais nove agremiações partidárias que formam a base de sustentação do governador Carlos Brandão, que comanda o poderoso braço do PSB no estado.

O coro pela chapa Camarão/Brandão ganha força a cada semana, já tendo um volume expressivo de apoiadores. Na semana passada, por exemplo, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União), que apoiou a candidatura do senador Weverton Rocha (PDT) em 2022, declarou que, mesmo não pertencendo ao grupo mais próximo do Palácio dos Leões, apoia a chapa tendo o governador como candidato a senador e o seu vice a governador. Manifestação no mesmo sentido foram feitas pelo ministro do Esporte, André Fufuca (PP), que trabalha para viabilizar sua candidatura a uma das vagas de senador, já tendo declarando que espera fazer dobradinha com o governador Carlos Brandão.

A chave desse projeto está nas mãos do governador Carlos Brandão, que é, de fato, o detentor das condições políticas para decidir os rumos da sua própria sucessão: é bem avaliado, comanda um Governo bem-sucedido e tem uma relação bem ajustada com a grande maioria dos prefeitos. Ele ainda não se pronunciou, mas o gesto de colocar o vice-governador Felipe Camarão na ciranda governistas de atos e inaugurações é um forte indicador de que deve seguir o caminho natural de fazer o sucessor e passar oito anos em Brasília como senador da República. Analistas de diversas tendências avaliam que sua permanência no Governo seria o fim da sua carreira, que até aqui tem sido linear e bem-sucedida em todos os aspectos.

Os líderes da Federação Brasil Esperança no Maranhão sabem o que estão fazendo quando defendem o “caminho natural” para a sucessão no estado.

PONTO & CONTRAPONTO

Ex-prefeito prevê vantagem de Braide em 2026 se Camarão não assumir o Governo

Luciano Leitoa: previsão
lógica para 2025

Repercutiu nos bastidores políticos a declaração do ex-prefeito de Timon, Luciano Leitoa (PDT), segundo a qual o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), pode ser eleito governador em 2026 se o vice-governador Felipe Camarão não assumir o Governo, concorrendo à reeleição no cargo.

Para ele, que faz oposição ao governador Carlos Brandão e conhece bem o cenário político estadual, principalmente a região Leste, onde atua, se o chefe do Executivo não renunciar em abril do ano que vem para se candidatar ao Senado, não passando o cargo para o vice-governador, o cenário se tornará favorável ao prefeito de São Luís. Vale lembrar que as pesquisas feitas até aqui para identificar as tendências para 2026 apontam o prefeito da Capital na liderança com vantagem expressiva.

O prefeito de São Luís nada declarou ainda sobre se será ou não candidato. Ele se reelegeu em turno único, com mais de 70% dos votos, e protagonizou alguns movimentos: o apoio à candidata bolsonarista Mariana Carvalho, do Republicanos, em Imperatriz e a decisão que o levou ao comando estadual do PSD.

Do ponto de vista da lógica avaliando o cenário do momento, o ex-prefeito de Timon faz uma previsão coerente. O problema é que a tendência dessa corrida sucessória é evoluir exatamente para o que ele prevê como obstáculo para Eduardo Braide.

Supremo decide hoje se transforma Bolsonaro em réu por trama golpista

Jair Bolsonaro terá futuro
definido pelo STF

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terá seu futuro definido hoje pelo Supremo Tribunal Federal. Os 11 ministros da Corte Suprema decidirão se recebem ou não a volumosa e explosiva denúncia contra o ex-mandatário e uma penca de assessores, na qual são acusados de tramar um golpe de estado, cujo ponto alto foi a manifestação de 8 de janeiro de 2023, com a invasão e depredação das sedes dos três Poderes, em Brasília, por manifestantes bolsonaristas que passaram meses acampados numa praça pedindo que as Forças Armadas tomassem o poder na marra.

Baseadas na delação do tenente-coronel Cid, que durante quatro anos como ajudante de ordem, foi os olhos, os ouvidos e homem da mais absoluta confiança do então presidente da República, e nas investigações da Polícia Federal, a denúncia da Procuradoria Geral da República reúne provas robustas.

Elas mostram que nos dois últimos anos do Governo Bolsonaro o Palácio do Planalto foi transformado num ninho golpista, no qual foram tramadas toda sorte de armação para evitar a volta do presidente Lula da Silva (PT) ao poder pelo voto direto, o que aconteceu, apesar dos esforços. Além disso, os “gênios” do projeto de golpe chegaram ao delírio criminoso de planejar o assassinato do presidente Lula da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes, da Suprema Corte.

O golpe não foi dado porque os comandantes do Exército e da Aeronáutica não fecharam com o projeto golpista, que foi apoiado pelo comandante da Marinha, que agora nega tudo, apesar das provas irrefutáveis.

Se a denúncia, que é consistente, for aceita pela Suprema Corte, o ex-presidente Jair Bolsonaro será transformado em réu e responderá a processo que pode levá-lo para a cadeia daqui a alguns meses. Se a denúncia não for aceita, será arquivada e o ex-presidente e sua turma ficará livre para continuar tramando.

Atenção: o acatamento ou não da denúncia da Procuradoria Geral da República nada tem a ver com a inelegibilidade do ex-presidente, que foi decidida por maioria na instância maior da Justiça Eleitoral. Culpado ou inocente, Jair Bolsonaro continuará inelegível.

São Luís, 25 de Março de 2025.

Brandão aponta 2025 como “o ano da colheita” e cumpre maratona de inaugurações a caminho de 2026

Carlos Brandão inaugurando o 183º Restaurante
Popular, urbanização em Buritirana, pavimentação
em Imperatriz e na homenagem a José Sarney

Numa das suas declarações mais emblemáticas feitas no início do ano, mais precisamente no discurso que pronunciou na Assembleia Legislativa, na abertura do ano legislativo, no dia 2 de fevereiro, o governador Carlos Brandão (PSB) disse que 2025 será “o melhor ano do seu Governo”, porque será “o ano da colheita”. De lá para cá, decorridos quase dois meses, o governante maranhense tem cumprido uma agenda frenética de eventos e inaugurações nas mais diversas regiões do estado. A última semana, iniciada no sábado (15), na Região Tocantina, Carlos Brandão encarou uma maratona que incluiu a entrega de novos espaços e equipamentos científicos para a UemaSul, a festiva inauguração em Buritirana do 183º Restaurante Popular, avançando no compromisso de levar esse programa aos 217 municípios – hoje já alcançou 163. Acompanhado da primeira-dama Larissa Brandão, o governador participou das duas noites do Lava-Pratos de Imperatriz, que atraíram multidões na simbólica Avenida Bernardo Saião.

O dado a mais dessa agenda, que fez muita diferença no foco político da ação governamental, foi a presença de um animado vice-governador Felipe Camarão (PT) na comitiva, composta também pelo chefe da Casa Civil Sebastião Madeira (PSDB), o experiente ex-prefeito de Imperatriz, e do secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão (MDB), o mais ativo integrante do núcleo político do Governo, os quatro muito bem cotados para as eleições do ano que vem. Na sua maratona, o governador entregou parte da sua agenda ao vice-governador, que recebeu a incumbência de representa-lo em inaugurações importantes em Montes Altos, Campestre do Maranhão, Ribamar Fiquene e Davinópolis, numa relação que está turbinando o potencial político e eleitoral do virtual candidato à sua sucessão. Na sexta-feira, ainda em São Luís, Felipe Camarão fora escalado para inaugurar, em nome do governador, uma quadra esportiva e um auditório no Colégio Militar Tiradentes I, enquanto o mandatário entregava duas novas escolas na região da Estiva. Junto com o vice-governador estava o secretário de Assuntos Municipalistas.

Na segunda-feira, o governador desembarcou cedo em Barreirinhas, acompanhado da presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), e do prefeito Vinícius Vale (MDB), onde entregou um necessário e providencial Centro de Hemodiálise, reduzindo o vaivém de ambulâncias na região. Na terça-feira, depois de compromissos em São Luís, Carlos Brandão embarcou para Brasília, onde cumpriu compromissos políticos e administrativos, e participou, na Câmara Federal, como convidado especial, da homenagem ao ex-presidente José Sarney (MDB) como o grande condutor da transição do País da ditadura militar para a democracia, há 40 anos. Ainda em Brasília, cumpriu agenda em ministérios, e declarou apoio à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. De volta a São Luís, Carlos Brandão dedicou a sexta-feira a uma intensa agenda de audiências com prefeitos, que começou às 9h e terminou por volta das 21h, com rápido intervalo para o almoço.

O intenso trabalho do Governo nas mais diversas áreas e nas mais diversas regiões do estado tem uma associação lógica com as relações políticas, que têm como foco as eleições de 2026. O governador Carlos Brandão trabalha com um olho nos bons resultados administrativos e com outro nas urnas do ano que vem. E quando convoca o vice-governador Felipe Camarão, emite sinais de que está disposto a colocar em marcha a ideia original da chapa Camarão/Brandão, em sintonia com o presidente Lula da Silva (PT) e a fatia dinista do seu grupo, com a qual está estremecido, mas com nítida possibilidade de realinhamento.

Com as finanças ajustadas, sem maiores problemas de caixa, o governador Carlos Brandão está colocando em marcha uma locomotiva cuja primeira parada se se dará em 3 de abril do ano que vem, quando ele decidirá se passa ou não comando ao seu sucessor. Os primeiros movimentos indicam que ele pensa seriamente em passar oito anos em Brasília como senador da República. Tem cacife para isso.

PONTO & CONTRAPONTO

Nascimento iminente da Federação PP/União deve alterar o cenário partidário no Maranhão

André Fufuca, Juscelino Filho e Pedro Lucas
Fernandes: mais força se Federação
PP/União for confirmada

O mundo político maranhense está fazendo as contas sobre o que pode vir a ser a Federação que deve unir eleitoralmente o PP e o União Brasil. E os números iniciais dão forma a uma potência partidária e eleitoral, que começa com uma brigada formada por três deputados federais (André Fufuca [ministro do Esporte], Juscelino Filho [ministro das Comunicações] e Pedro Lucas Fernandes [líder do União na Câmara Federal], cinco deputados estaduais, nada menos que 47 prefeitos e pelo menos três centenas de vereadores.

Como se vê, será uma máquina político-partidária para ninguém botar defeito, a começar pelo fato de que reúne nada menos que os três deputados federais mais bem-sucedidos da atual bancada, dois deles ministros de Estado e um responde por uma das bancadas mais influentes da Câmara Federal. Os três são jovens, ativos e ambiciosos e miram o Palácio dos Leões, com legitimidade suficiente para isso. André Fufuca deve encarar a disputa por uma cadeira no Senado, enquanto Juscelino Filho e Pedro Lucas Fernandes, em princípio, vão tentar a reeleição.

Outro pilar que mostra a força dessa provável Federação são as prefeituras controladas por essas legendas. São 27 controladas pelo União, entre elas Santa Inês e Vitorino Freire, e 20 pelo PP, lista que começa por Imperatriz e segue por Caxias, para citar apenas as duas mais importantes. E os cinco deputados estaduais, se atuarem em sintonia política, formam uma bancada com respeitável poder de fogo.

Não é sem razão, portanto, que os ministros André Fufuca, que controla o PP estadual, e Juscelino Filho, que juntamente com o líder Pedro Lucas Fernandes, comanda o braço maranhense do União, não esconderam seu entusiasmo com a Federação cuja formação só depende de alguns detalhes.

Em princípio, se efetivamente montada, a nova máquina partidária fará parte da aliança comandada pelo governador Carlos Brandão (PSB).

Caxias será palco de uma disputa dura, mas tem cacife para fazer até três deputados estaduais e dois federais

Cláudia Coutinho, Catulé Jr. e Daniella: luta dura
pelos votos caxienses, que podem reeleger os três

A ascensão do suplente Catulé Júnior (PP) como deputado titular, ocupando a vaga aberta por Rildo Amaral (PP), eleito prefeito de Imperatriz, mas representando o grupo de oposição local, deve alterar expressivamente o eixo da disputa para a Assembleia Legislativa em Caxias, que está representada também pelas deputadas Cláudia Coutinho (PDT), que representa o Grupo Coutinho, e Daniella (PSB), que atua em nome do Grupo Gentil.

Na visão de alguns observadores, será uma luta titânica pelos pouco mais de 100 mil eleitores da Princesa do Sertão. Os três são políticos apoiados por grupos bem estruturados, sendo que os dois primeiros têm a vantagem de serem da terra e contam com bases capilarizadas por apoiadores, familiares e amigos, enquanto a terceira, natural de Presidente Dutra, conseguiu construir um espaço com o apoio decisivo do seu principal apoiador.

Se bem trabalhado, com discursos corretos e posições identificadas com a cidade, que é diferenciada pela intensidade da sua vida política, o tamanho do eleitorado é suficiente para eleger até três deputados estaduais, dando um lastro potencial de 30 mil sufrágios para cada um. É claro que essa conta não vale, servindo apenas para mostrar que a cidade tem peso político e eleitoral suficiente para ter uma representação como a de agora, com três deputados.

Além disso, se as campanhas forem bem articuladas e se voltarem para o município, Caxias poderá eleger dois deputados federais, um pela associação dos grupos Gentil e Coutinho, que pode lançar a deputada federal Amanda Gentil à reeleição, e outro pela Oposição, hoje concentrada no Grupo Marinho, cujo líder, Paulo Marinho Jr. (PL), disputou a eleição de prefeito voto a voto com o vencedor Gentil Neto (PP).

Os próximos tempos mostrarão quem vai ser quem na corrida às urnas.

São Luís, 23 de Março de 2025.

Sarney foi o protagonista da semana em que o País comemorou os 40 anos do fim da ditadura militar

José Sarney recebe a placa de Davi Alcolumbre e
ocupa a tribuna do Senado. Carlos Brandão,
participou do ato na Câmara Federal, e José Sarney
recebe o diploma de homenageado do
presidente da Câmara Hugo Motta, na presença
do líder do União, Pedro Lucas Fernandes

Muitos fatos relevantes aconteceram no Brasil nos últimos dias. Com atraso de três meses, o Congresso Nacional aprovou o Orçamento da União destinando R$ 58 bilhões para emendas parlamentares, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP) se “exilou” nos EUA, o governador Carlos Brandão anunciou o pagamento dos servidores no pós-Carnaval, o ministro Juscelino Filho (Comunicações) reuniu a imprensa maranhense para fazer um balanço das atividades da pasta no Maranhão, o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o secretário Orleans Brandão (Assuntos Municipalistas) deram uma demonstração pública de que começam a entrar em sintonia visando 2026, e por aí vai. Mas, em meio a tudo isso, a semana foi mesmo protagonizada pelo ex-presidente José Sarney (MDB), homenageado pelo presidente Lula da Silva, em ato no Palácio do Planalto na segunda-feira (17), e nas duas Casas do Congresso Nacional, na terça e na quinta-feira, como o grande condutor da transição da ditadura militar para a democracia nos 40 anos da volta do Brasil ao estado democrático de direito.

O ex-presidente da República foi reconhecido pelo Senado da República, que o saudou como o grande protagonista do processo de redemocratização, dedicando-lhe, na terça-feira (18), uma sessão especial e uma placa alusiva à condução do país naquele período tenso, mas que fechou com a promulgação da Constituição de 1988, feita pela Assembleia Nacional Constituinte convocada por ele em 1986. Na Casa onde exerceu cinco mandatos consecutivos, sendo que em quatro deles atuou como seu presidente e do Congresso Nacional, José Sarney discursou forte, exaltando o regime democrático e repudiando a ação politicamente nefasta dos órfãos já envelhecidos da ditadura militar.

O presidente da instituição, senador Davi Alcolumbre (União/AP), e quase uma dezena de senadores, a começar por Jorge Cajuru (PSB/GO), autor da iniciativa que propôs a homenagem, o saudaram, não só como o comandante efetivo da transição democrática, mas também pelos serviços prestados ao país e ao Congresso Nacional ao longo dos seus mais de 60 anos de atividade política formal. O Supremo Tribunal Federal participou do evento com o ministro Dias Toffoli, que na sua fala destacou o papel do ex-presidente no processo de redemocratização.

Na quarta-feira (19), José Sarney foi homenageado pela Câmara Federal, onde exerceu dois mandatos antes de se tornar governador do Maranhão em 1966. Ali, além do presidente Hugo Motta e líderes partidários, marcaram presença o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso – que no mesmo dia, à tarde, abriu a sessão da Suprema Corte fazendo registro da homenagem ao ex-presidente -, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, representando o presidente Lula da Silva (PT), e o governador Carlos Brandão (PSB), que foi chamado para a mesa como convidado de honra.

Houve, como é natural em política, vozes que tentaram minimizar a importância do ex-presidente no processo de redemocratização, esquecendo que o movimento pelo fim da ditadura só ganhou corpo quando o então senador José Sarney, que presidia a Arena, rompeu com o regime, renunciou ao posto e criou a Frente Liberal com o mineiro Aureliano Chaves e o pernambucano Marcos Maciel. Foi o seu movimento que fortaleceu a oposição ao regime num processo que culminou com a eleição do mineiro Tancredo Neves (MDB) pelo Colégio Eleitoral, tendo José Sarney como vice. Os poucos “opositores” de José Sarney nas comemorações dos 40 da volta da democracia no Brasil falaram em vão.

O ex-presidente da República entrou no fim de semana certamente exausto por conta da movimentação que encarou do alto dos seus 94 anos. Mas cumpriu a agenda com ânimo redobrado pela consciência de que fez a sua parte na construção de uma democracia forte, capaz de resistir e reagir a tentativas de desestabiliza-la como foi o 8 de Janeiro de 2023.

PONTO & CONTRAPONTO

Denúncia de agressão a mulher tirou Dalton Arruda da Assembleia Legislativa

Acusado de agressão à
mulher, Dalton Arruda
não ficou na Alema

A Assembleia Legislativa conseguiu se livrar de uma mácula que certamente a perseguiria como instituição pelo resto dos tempos. Sem alarde, e colocando as coisas nos seus devidos lugares, a presidente Iracema Vale (PSB) e outros membros da Mesa, ouvindo também as lideranças e a bancada feminina, articularam para que o 5º suplente de deputado estadual Dalton Arruda (PSD), não cobrisse a licença do deputado titular Eric Rocha (PSD).

Acusado de ter agredido a própria esposa, Dalton Arruda chegou ao plenário do Poder Legislativo depois de uma espantosa, fumacenta, inacreditável e extremamente suspeita cadeia de “desistências” dos suplentes César Pires (1º), Ricardo Seidel (2º, mas que é vereador em Imperatriz e atualmente exerce a função de secretário de Segurança do Município, não tendo interesse em assumir por 120 dias), e o terceiro suplente (a Coluna não conseguiu identificar), “sobrando” para Dalton Arruda, que assumiu, com pompa e circunstância.

A reação não demorou, com várias denúncias veiculadas nas redes sociais, ganhando corpo com a mobilização da bancada feminina e a movimentação de grupos ligados aos direitos humanos, que se posicionaram junto à Mesa Diretora da Casa, pedindo não só a saída do deputado interino como também a cassação da sua condição de suplente.

Na contramão da esmagadora maioria, a deputada Mical Damasceno (PSD), defendeu Dalton Arruda, reconhecendo que ele agrediu a mulher, mas que agora “é um novo homem”. A posição da deputada, que é evangélica radical, bolsonarista de proa e defensora da submissão total da mulher ao “macho”, gerou duras críticas e até pedidos de cassação.

Ao mesmo tempo, o 1º suplente César |Pires surpreendeu o mundo tentando assumir o mandato, mas sua tentativa não vingou, uma vez que, diante da baita confusão, o titular Eric Costa decidiu suspender e reassumiu o mandato, despachando Dalton Arruda para casa.

Paulo Victor busca em Brasília apoio à prática de esportes em São Luís

Paulo Victor ganha apoio de André Fufuca

Depois de conseguir do governador Carlos Brandão (PSB) à medida que proíbe a circulação de veículos na Avenida Litorânea das 4h às 6h30 às segundas, quartas e sextas-feiras, para uso exclusivo de práticas esportivas, o presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSB), foi além, dessa vez em Brasília.

Ele bateu às portas do Ministério do Esporte, onde foi recebido efusivamente pelo ministro André Fufuca. Na audiência, o presidente do parlamento ludovicense apresentou ao ministro uma série de pleitos, todos destinados a desenvolver o esporte amador em São Luís.

Foi uma conversa produtiva, segundo a sua avaliação, à medida que o ministro André Fufuca foi receptivo, tendo assumido o compromisso de viabilizar o que for possível. O vereador-presidente Paulo Victor retornou de Brasília certo de que, somando os benefícios já alinhavados com o Governo do Estado aos que vierem do Ministério do Esporte, a juventude de São Luís vai ter um ganho expressivo de incentivo à prática esportiva.

São Luís, 22 de Março de 2025.

Agora mais transparentes, emendas parlamentares são a tábua de salvação de grande parte da bancada

Bilhões de reais serão destinados a emendas parlamentares no Orçamento da União

Ao mesmo tempo em que impôs ao presidente Lula da Silva (PT) a obrigação de conseguir um superávit fiscal de R$ 15 bilhões, o Orçamento da União aprovado ontem pelo Congresso Nacional manteve praticamente intacto o poder de fogo de deputados federais e senadores no que diz respeito às emendas parlamentares, para as quais foram destinados nada menos que R$ 58 bilhões. A diferença é que, por causa da cruzada do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, as emendas foram retiradas de um labirinto que tornava impossível a identificação do parlamentar autor e, em alguns casos, nem mesmo a destinação dos recursos, tornando o processo mais transparente, com a identificação do “pai” e o rastreamento da dinheirama. Deputados e senadores vão movimentar mais dinheiro do que os ministérios da Educação e da saúde juntos.

Esse cenário mergulhou no alívio deputados federais e senadores, que depois de forte pressão, conseguiram manter um bolo de recursos monumental. Eles temiam que a crise causada pelas regras quase criminosas que norteavam o uso de emendas parlamentares, com a revelação de que muitas delas não chegavam ao destino com seu valor original, reduzisse drasticamente o montante destinado às emendas parlamentares. Isso porque, se tal ocorresse, pelo menos metade da bancada federal maranhense, incluindo deputados federais e senadores, estaria fora do jogo pela reeleição.

Com esses recursos, deputados federais deixaram de fazer política na verdadeira acepção do termo, que é legislar, fiscalizar, cobrar, criticar, denunciar e também apoiar governos. Antes do botim das emendas, deputados federais desembarcavam em São Luís às sextas-feiras, procuravam jornais e emissoras de rádio e de TV para dizer o que aconteceu ao longo da semana e, eventualmente, destacar ou criticar ações do Governo do Estado, porque era necessário e importante informar o eleitorado sobre sua atuação. Depois que passaram a ter acesso aos milhões de reais das emendas, congressistas se tornaram políticos distantes dos espaços de opinião, se comunicando apenas por redes sociais.

Esse novo modelo de parlamento criou tipos curiosos de parlamentar. Um exemplo: o deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL) é hoje conhecido no país inteiro como um poderoso negociador de emendas. É acusado de “comprar” emendas e passa-las adiante, mediante comissão, e por isso foi tornado réu pelo Supremo Tribunal Federal. Outro exemplo: o deputado federal Josivaldo JP (PSD) assombrou Imperatriz e cidades da região comandando calçamento de ruas e rasgando estradas vicinais, agindo como um verdadeiro prefeito. Existem prefeitos que apostam mais nas emendas dos deputados federais do que em investimentos do Governo do Estado e da própria União nos seus municípios. Aqui e ali estoura um escândalo, como foi o caso do deputado federal Juscelino Filho (União), hoje ministro das Comunicações, acusado pela Polícia Federal de desviar recursos de emendas que destinou a Vitorino Freire, onde sua irmã era prefeita. Ele nega enfaticamente.

Até agora não há notícia de que um parlamentar ou um prefeito tenha ido parar na cadeia por conta de desvio de recursos de emendas.

O fato é que a execução do Orçamento da União aprovado ontem vai garantir a permanência de boa parte da bancada no campo das boas graças dos prefeitos e, por via de desdobramento, do eleitorado, garantindo investimentos que certamente se transformarão em votos. Todos os deputados federais e senadores que formam a bancada maranhense, sem nenhuma exceção, têm nas emendas parlamentares o carro-chefe das suas campanhas. E pelo menos até aqui a maioria deles tem dado a destinação correta aos recursos, não havendo registro de denúncias além das que estão atingindo fortemente o deputado federal Josimar de Maranhãozinho.       

 Vale lembrar que, com a transparência assegurada pelas medidas do ministro Flávio Dino e pelas correções feitas pelo próprio Congresso Nacional, a situação é bem mais republicana.

 PONTO & CONTRAPONTO

Ato em escola militar reúne Felipe Camarão e Orleans Brandão em clima de harmonia

Felipe Camarão e Orleans Brandão:
sinal de unidade na base
governista em evento presenciado por Astro de Ogum

O evento foi simples: a inauguração de uma quadra esportiva e reforma do auditório do Colégio Militar Tiradentes I, com a presença de alguns secretários e do vereador Astro de Ogum (PCdoB). Mas ganhou um simbolismo político muito além do fato em si por conta da presença do vice-governador Felipe Camarão (PT) e do secretário extraordinário de Articulação Municipalista, Orleans Brandão (MDB). Os dois tiveram a honraria de descerrar placa, em perfeito clima de harmonia, levando o secretário de Articulação Política, Rubens Pereira, a registrar um fato como um ato político importante. E foi mesmo.

Foi uma demonstração cabal de que o vice-governador Felipe Camarão decidiu cuidar da própria vida reforçando seus laços políticos com o governador Carlos Brandão (PSB), criando assim as condições para que em abril do ano que vem o chefe do Executivo renuncie, o vice assuma e os dois formem chapa majoritária para disputar o Governo do Estado e uma das vagas no senado da República.

O secretário Orleans Brandão fez o que a situação permite: ocupou o lugar que o prestígio político lhe assegura, cacifando seu nome para disputar uma cadeira na Câmara federal, como ele próprio tem afirmado. Mas também operando com a expectativa de vir a ser candidato a governador numa traumática situação de racha na aliança governista.

O que chamou a atenção no evento corretamente exaltado por Rubão Pereira como uma demonstração de unidade e harmonia no Governo foi realmente esse clima. Primeiro a presença dos dois “concorrentes”, e depois o ambiente de descontração criado pelos dois, passando a impressão de que o projeto original está finalmente ganhando corpo.

E o que é mais importante: com o aval do governador Carlos Brandão.

Bira do Pindaré mantém distância da crise e mantém firme apoio a Brandão

Bira do Pindaré exibe a bandeira do Maranhão em evento sobre agricultura familiar na Codevasf

Em meio à crise que distancia brandonista e dinista, um nome de peso político tem se mantido afastado, preferindo cuidar da sua vida, o ex-deputado federal e atual secretário de Agricultura Familiar Bira do Pindaré, que presidiu o PSB no Maranhão até passar o bastão para o então governador Flávio Dino, que o repassou para o governador Carlos Brandão.

Alertado pelo amargo tropeço eleitoral de 2022, quando não conseguiu a reeleição para a Câmara Federal, Bira do Pindaré se afastou do rame-rame partidário, assumiu o comando da (SAF) e mergulhou no trabalho.

Ele se recusou a entrar nessa guerra, por entender que como membro de proa do PSB, sua obrigação partidária é contribuir para o sucesso do Governo do PSB. E tem feito isso trabalhando duro para cumprir as metas da pasta, visando o bom desempenho do Governo e, naturalmente, investindo no projeto de voltar à Câmara Federal em 2026.

Nesta semana, por exemplo, ele esteve em Brasília, onde participou, em Brasília, do I Workshop “Agricultura Irrigada e Desenvolvimento Regional”, promovido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e pela Codevasf. No evento foram apresenta ações, projetos e potencialidades da agricultura irrigada em estados que integram a área de atuação da Codevasf, a exemplo do Maranhão.

Quem o conhece garante que ele mantém ligação com o dinismo, mas não abre mão do compromisso que mantém com o governador Carlos Brandão, de quem é um dos auxiliares mais leais.

São Luís, 21 de Março de 2025.

Ex-prefeitos se preparam para brigar por vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa

Sebastião Madeira, Fábio Gentil, Edivaldo Jr., Luciano Genésio, Ivo Rezende,
Luciano Leitoa, Eric Silva, Assis Ramos e Hilton Gonçalo: ex-prefeitos que
podem brigar por vagas na Câmara Federal ou Assembleia Legislativa

Enquanto deputados federais e estaduais se movimentam na busca da reeleição, um grupo expressivo de ex-prefeitos se prepara para brigar por cadeiras na Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Nomes como Sebastião Madeira (Imperatriz), Fábio Gentil (Caxias), Edivaldo Holanda Jr. (São Luís), Luciano Genésio (Pinheiro), Ivo Rezende (São Mateus), Luciano Leitoa (Timon), Eric Silva (Balsas), Assis Ramos (Imperatriz) e Hilton Gonçalo (Santa Rita) se movimentam com intensidade em busca de suporte para encarar as urnas visando vagas na bancada federal ou cadeiras no parlamento estadual. Difícil medir o cacife de cada um, mas não há dúvidas de que são políticos tarimbados, que podem fazer a diferença numa eleição decisiva como a programada para 2025.

Nome consolidado na Região Tocantina e adjacências, respaldado por quatro mandatos de deputado federal, dois de prefeito da Princesa do Tocantins e agora como integrante no “núcleo de ferro” do governador Carlos Brandão (PSB), Sebastião Madeira (PSDB) vem trabalhando na abertura de caminho para chegar à Assembleia Legislativa. Em Caxias, corre nas rodas de conversa que, com a vantagem de quem fez o sucessor, o ex-prefeito Fábio Gentil (Republicanos) se prepara para encarar as urnas, sem definir ainda se na direção de Brasília ou de São Luís. O problema de Fábio Gentil é resolver o destino da filha, deputada federal Amanda Gentil (Republicanos) e da companheira e aliada, deputada Daniella (PSB).  É o caso também de Luciano Genésio (PP), que aposta no seu prestígio em Pinheiro para chegar à Assembleia Legislativa, embora alguns afirmem que ele pretende morar quatro anos em Brasília.

No meio político, nove entre dez vozes garantem que o ex-prefeito de São Mateus, Ivo Rezende (PSB), com o cacife de quem foi presidente das Famem, se movimenta na direção do Palácio Manoel Beckman. Ao que tudo indica, será o mesmo destino do ex-prefeito de São Luís Edivaldo Holanda Jr., que está em busca de uma condição partidária segura para tentar viabilizar o projeto. Nessa rota, sinais vindos de Timon indicam que o ex-prefeito Luciano Leitoa (PDT) estaria focado no projeto de voltar à Assembleia Legislativa.

Vozes da Região Sul sopram que o ex-prefeito de Balsas, Eric Costa (PDT), que não fez o sucessor, mas saiu bem avaliado, e está se preparando para encarar as urnas no ano que vem, não se sabe ainda se tentará a Assembleia Legislativa, no lugar da sua mulher, a deputada Dra. Viviane (PDT), ou se tentará a Câmara Federal, fazendo dobradinha com a parlamentar. É mais ou menos a situação do ex-prefeito de Imperatriz, Assis Ramos (União), que terminou seu segundo mandato muito mal avaliado, pode disputar vaga na Assembleia Legislativa com a ex-mulher, deputada Janaína (Podemos), que parece disposta a brigar pela reeleição.

Nesse universo de ex-prefeitos politicamente ativos e em movimento pré-eleitoral, a situação mais diferenciada é a do ex-titular de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza). Ele poderia disputar cadeira na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa, mas tem se movimentado na direção de um projeto bem mais ambicioso: dependendo da situação em 2025, pretende brigar por uma vaga no Senado, ou até mesmo entrar na corrida pelo Palácio dos Leões. Mas há quem afirme que seu destino mais provável é a Câmara Federal,

Isso significa dizer que os atuais deputados federais e estaduais sabem que enfrentarão concorrentes fortes, com poder de fogo principalmente nas sedes dos municípios, onde atuaram como prefeitos. Os que tiveram bom desempenho certamente terão seus legados transformados em votos. E os que deixaram a desejar podem pagar o preço da rejeição nas urnas.       

PONTO & CONTRAPONTO

Restauração da estátua de São José dá nova vida ao Santuário de Ribamar

Ladeado pelo prefeito Júlio Matos e padre Cláudio Roberto, o governador
Carlos Brandão inaugura a restauração da estátua
de São José de Ribamar com o Menino Jesus

A estátua de São José de Ribamar segurando a mão do Menino Jesus, de 33 metros de altura, inaugurada em 1998 e que se transformou na maior expressão da fé católica do Maranhão, fortalecendo a cidade de São José de Ribamar como um concorrido centro do catolicismo, foi entregue ontem após uma cuidadosa reforma que a livrou de desgastes naturais. A obra restaurada foi inaugurada ontem pelo governador Carlos Brandão (PSB), acompanhado do prefeito Júlio Matos (Podemos) e do padre Cláudio Roberto, reitor do Santuário de São José de Ribamar.

A reforma foi feita pelo autor da obra, escultor Sinval Floriano Veloso, que trabalhou cerca de um ano e meio na restauração. E o resultado é que a escultura ganhou de novo o brilho e a beleza que sempre atraíram missionários e romeiros das mais diferentes regiões do País, dando a São José de Ribamar o status de santuário no sentido religioso e polo turístico no aspecto cultural e econômico.

Visivelmente entusiasmado com a entrega da obra, o governador Carlos Brandão declarou: “É um momento de muita alegria para o Governo do Estado concluir a revitalização e devolver à sociedade esse monumento tão importante. A população e o padre (Cláudio Roberto) estavam reivindicando a recuperação deste grande monumento religioso, que é a estátua de São José de Ribamar, em frente à Baía de São José”.

O secretário de Infraestrutura, Aparício Bandeira, explicou que a escultura passou por recuperação estrutural, com serviços de renovação e modernização do revestimento, requalificação das contenções do monumento, requalificação da rampa de acesso, impermeabilização das superfícies, serviços de pintura e urbanização.

O padre Cláudio Roberto definiu a obra como vetor de capaz de potencializar o turismo religioso, a cultura e a atividade comercial na região: “É um investimento grandioso em cultura, fé e religiosidade. Aqui vem muita gente e, durante as nossas festas, cresce o comércio, cresce o trabalho para o povo, então a renda cresce”. E o prefeito Júlio Matos emendou: “Não tenho dúvida que é uma obra de fé, uma obra que já vinha sendo há muito tempo solicitada para outros prefeitos, mas como as condições são precárias, o governador veio e trouxe a fé. Temos só que agradecer essa grande obra efetuada pelo governador, que foi prometida e cumprida”.

A população católica de São José de Ribamar está animada com a volta do Padroeiro

Eliziane se movimenta para decidir se fica no PSD ou migra para outro partido

Eliziane Gama: avalia cenário
para decidir para onde vai

Definida a sua posição no PSD, onde foi alçada à vice-presidência nacional, sem relação direta com o prefeito Eduardo Braide, que ficou com a presidência estadual do partido, a senadora Eliziane Gama inicia agora uma delicada articulação com o objetivo de consolidar sua candidatura à reeleição.

Não será uma equação fácil de montar. Isso porque, em princípio, ela permanece como quadro proeminente da aliança liderada pelo governador Carlos Brandão (PSB). Essa condição a impede de integrar uma eventual chapa pelo prefeito de São Luís, que vem emitindo sinais fortes de que poderá deixar a Prefeitura para disputar o Governo do Estado em 2026.

A senadora conversou na semana passada com o governador Carlos Brandão, a quem comunicou formalmente o seu novo status partidário. Nada vazou da conversa que os dois mantiveram, mas a julgar pelo clima mostrado nas imagens, foi um encontro de aliados e de eventuais concorrentes, já que o governador desponta como o nome mais forte para uma das vagas no Senado.

Eliziane Gama tem tempo suficiente para fazer todas as consultas – uma delas com o presidente Lula da Silva (PT), que a tem em alta conta -, para definir o rumo que seguirá no ano que vem. Ela tem de resolver se fica no PSD e embarca na chapa de Eduardo Braide ou muda de partido e permanece na aliança liderada pelo governador Carlos Brandão, pela qual, por enquanto, são pré-candidatos o próprio governador, o senador Weverton Rocha (PDT) e o ministro André Fufuca (PP).

São Luís, 20 de Março de 2025.

Camarão se movimenta para disputar o Governo em chapa com Brandão para o Senado

Felipe Camarão e Carlos Brandão, a chapa ideal
da aliança situacionista para 2026

Ao participar do Lava-Pratos de Imperatriz e realizar um périplo por municípios da Região Tocantina, fazendo contatos e conversando, o vice-governador Felipe Camarão (PT) produziu a sinalização mais recente e enfática de que está decidido a estabilizar a sua relação política com o governador Carlos Brandão (PSB) e, nessa toada, conquistar o seu apoio para chegar ao Governo do Estado. Parece ter compreendido que o caminho é a montagem de uma chapa na qual ele seja o candidato ao Palácio dos Leões e o atual chefe do Executivo concorra a uma cadeira no Senado. A julgar pelos seus movimentos, o vice-governador parece convencido de que ele próprio tem de brigar pelo seu espaço e que a linha do confronto e da pressão não vai funcionar.

A lógica que parece mover o vice-governador é simples: atualmente, o seu aliado ideal para sair do Palácio Henrique de la Rocque e chegar ao Palácio dos Leões é o governador Carlos Brandão, que tem todas as cartas nas mãos. A principal delas é a decisão de renunciar em abril do ano que vem para concorrer ao Senado e abrindo caminho para que o vice se torne governador. Se essa crise se agravar e o governador decidir permanecer no cargo até o final, o vice-governador terá seus movimentos travados e não sairá de onde está. Ou seja, a candidatura de Felipe Camarão ao Governo só existirá se Carlos Brandão deixar o Governo em abril do ano que vem. Isso independente de ele ser apoiado pelo presidente Lula.

O segundo ponto é também muito claro. O governador Carlos Brandão é quem tem hoje poder de fogo político para aproximar o vice-governador Felipe Camarão dos segmentos políticos que fazem a ponte dos candidatos majoritários com o eleitorado, sendo os prefeitos peças-chaves nesse processo. Se não houver um pacto político e eleitoral firme entre o governador e o vice-governador, boa parte, se não a maioria ampla dos prefeitos, seguirá a orientação do governador Carlos Brandão, principalmente se a aliança for inviabilizada e ele decidir permanecer no cargo. Nesse caso, os ventos poderão soprar favoravelmente em favor do candidato que ele vier a lançar.

Esse cenário parece óbvio, e tudo indica que o vice-governador decidiu se posicionar e viabilizar a sua candidatura, certo de que apenas ser politicamente situado no dinismo e pertencer à ordem dos cristãos novos do PT não serão suficientes para leva-lo ao comando do Estado. Jovem, inteligente, tecnicamente competente, já tendo sido testado e aprovado como gestor, e bem relacionado com os mais diversos segmentos da sociedade civil organizada, Felipe Camarão tem as credenciais para pleitear a governança do Maranhão pelas urnas de 2026. Só precisa de um suporte político sólido para ter seu nome capilarizado no eleitorado. E esse suporte se chama Carlos Brandão.

A força política e o potencial eleitoral do governador Carlos Brandão pode ser medida com dados cristalinos. É bem avaliado em São Luís e tem o apoio total dos prefeitos de Imperatriz, Timon, Caxias, Bacabal, Santa Inês, Coroatá, Chapadinha, Barreirinhas, Pedreiras, Barra do Corda, Grajaú, Balsas e Paço do Lumiar, para citar apenas uma dúzia de grandes municípios, E como ele próprio disse na entrevista a O Globo, tem boas relações com católicos e evangélicos e é “assim” com o pessoal ao agro. Ou seja, chega com facilidade onde o vice-governador Felipe Camarão teria alguma dificuldade para chegar.

Nesse contexto, os movimentos recentes do vice-governador indicam que ele está tomando a dose certa do pragmatismo que todo político arrojado precisa para chegar onde pretende. No caso, Felipe Camarão parece ter chegado à conclusão de que o seu caminho para o Palácio dos Leões será muito mais viável numa dobradinha em que o governador Carlos Brandão seja candidato ao Senado. É claro que todo acordo pressupõe condições e concessões de parte a parte, e isso se resolve com as cartas sobre a mesa. E sem esquecer que o grande adversário é o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), que se fortalece a cada dia.

PONTO & CONTRAPONTO

Destaque

Sarney é homenageado no Senado como o grande condutor da transição para a democracia

José Sarney discursa na tribuna do Senado
e recebe placa de Davi Alcolumbre

O ex-presidente José Sarney (MDB) foi homenageado ontem pelo Senado da República em ato comemorativo dos 40 anos da volta do Brasil ao estado democrático de direito com o fim da ditadura militar, que infelicitara o país durante 21 anos. José Sarney se tornou presidente com a morte do presidente eleito Tancredo Neves, de quem era vice. Como o presidente, o líder maranhense conduziu, com habilidade e competência política, evitando conflitos que pudessem levar o país a um retrocesso. Hoje com 94 anos, o líder exibe um currículo que o tornou o político mais longevo entre os brasileiros, tendo sido deputado federal duas vezes, governador do Maranhão, senador da República por seis mandatos, tendo presidido a Casa por quatro períodos, e presidente da República por cinco anos. A homenagem do Senado o reconhece como o estadista que construiu as pontes que recolocaram o Brasil nos trilhos da democracia.

A homenagem ao ex-presidente da República lotou o plenário da Câmara Alta, com a presença de senadores, deputados federais e ministros de tribunais superiores, como o Supremo Tribunal Federal. O senador-presidente Davi Alcolumbre (União/AP) entregou uma placa alusiva ao evento a José Sarney, que foi distinguido pelo senador Jorge Kajuru (PSB-GO), autor do requerimento que originou o ato, e pelo deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), sobrinho de Tancredo Neves. Foi ainda saudado pelo ministro Dias Toffoli (Supremo) e pelos senadores Rodrigo Pacheco (União-MG), Renan Calheiros (MDB-AL) e Eduardo Braga (MDB-AM) entre outros parlamentares que se manifestaram.

O que eles disseram sobre José Sarney:

Davi Alcolumbre: “Com serenidade e compromisso, garantiu a estabilidade do país, pavimentando o caminho para a Constituição de 1988 e consolidando as bases do Estado democrático de direito. O presidente José Sarney desempenhou um papel crucial em um dos períodos mais desafiadores e transformadores da história brasileira”.

Deputado federal Aécio Neves (PSDB): “À primeira vista, presidente Sarney, parece existirem dois Tancredo: um, extremamente ameno no trato e nas palavras; outro, corajosamente radical nas ações e nos gestos. A fusão dos dois fez um homem por inteiro, comprometido sempre com a ordem democrática, absolutamente leal aos compromissos assumidos. Honrando sempre a palavra empenhada, transformou-se num interlocutor necessário na cena política brasileira durante décadas”.

Senador Jorge Kajuru: “O então senador José Sarney foi peça-chave para a transição democrática e para o nascimento da Nova República. Ao romper com o extinto PDS, herdeiro da antiga Arena, partido que dera sustentação política ao regime militar, José Sarney se transformou no maior fiador da redemocratização, integrando a chapa presidencial de oposição ao lado de Tancredo Neves, outro homem público histórico, inesquecível e eterno. (…) Graças à sua apurada sensibilidade e incomparável experiência política, Sarney logrou realizar uma transição sem traumas para a vida democrática”.

Senador Renan Calheiros (MDB): “José Sarney, digo absolutamente sem hesitar, é o pai, o coração e os olhos da democracia brasileira moderna. Sem ele não teríamos chegado aqui com nossas instituições fortes, estáveis, que já foram testadas inúmeras vezes, esbanjando vitalidade. Sem ele, seríamos ainda uma republiqueta caótica e atrasada”.

Senador Rodrigo Pacheco: “Presidente Sarney, ao longo desses anos e dessas décadas, se confunde com esse processo de amadurecimento democrático que vai, repito, desde a interrupção do momento e da fase ditatorial, mas que passa por uma promulgação de Constituição, pela estabilidade monetária com o plano real, que passa por políticas sociais, para se conferir cidadania e o mínimo de dignidade à pessoa humana, de acordo com aquela Constituição que V. Exa. ajudou a conceber. Então, V. Exa., Presidente Sarney, pode ter o sentimento absoluto de dever cumprido pelo que prestou a esta nação ao longo dessas décadas.

Senador Eduardo Braga (MDB/AM): “Sua coragem e determinação, sem valentia, mas com perseverança, Presidente Sarney, nos garantiram a Constituição cidadã de 1988, consolidando não só a retomada das eleições diretas para todos os níveis em nosso país, como também os direitos e garantias individuais, abrindo o horizonte do país para outras conquistas”.

Ministro Dias Toffoli (Supremo): “Vossa Excelência foi esse condutor tão paciente, tão resiliente, tão tranquilo, mas ao mesmo tempo tão firme, porque V. Exa. não deixou morrer em suas mãos a democracia. Se a democracia não morreu é porque V. Exa. teve a capacidade de sofrer todos os tipos de ataques, todos os tipos de críticas e todos os tipos de agressões, de maneira calma, pacífica, sem jamais erguer a voz. V. Exa. merece todos os elogios”.

Em Tempo: com informações da Agência Senado.

São Luís, 19 de Março de 2025.

Brandão fala da relação com Dino, confirma afastamento, mas nega rompimento, e deixa 2026 em aberto

Carlos Brandão: jogo aberto e franqueza

Franca e oportuna a entrevista do governador Carlos Brandão (PSB) ao jornal O Globo, publicada na sua edição desta segunda-feira. Sem afetação nem traço de mágoa, apenas lamentando a situação política criada no Maranhão, ele descortinou a relação com o ministro Flávio Dino (STF), de quem foi parceiro a partir das eleições de 2006, vice por sete anos e três meses, alinhado nas eleições de 2022 e dele se afastou em 2024. O governador confirma que eles estão sem qualquer contato desde que Flávio Dino assumiu cadeira na Suprema Corte, em fevereiro do ano passado.

Em tom moderado, como o de quem não quer briga, mas que também não está disposto a ser tutelado, Carlos Brandão esclarece, sem entrar em detalhes e em definitivo, que o mal-estar foi gerado por insatisfação de deputados ligados ao ministro Flávio Dino por conta de espaço na sua gestão. Nesse ambiente de tensão, ele admite que o Senado seria seu caminho natural, mas que só vai tratar disso em 2026, deixando no ar também a possibilidade de permanecer no Governo até o final do mandato.

“Há alguma insatisfação por espaço, e acabam envolvendo o próprio ministro. Acho que, depois de governar, é preciso esquecer que foi governador”, declarou Carlos Brandão, acrescentando: “Quando tem muita interferência, começa a ter problema”. E logo em seguida, fazendo questão de afirmar que o cordão político que os liga ainda não foi inteiramente partido: “Estamos politicamente afastados, mas não rompidos”.

O governador reclama da judicialização de questões locais, que são levadas à apreciação da Suprema Corte, como a nomeação do advogado Flávio Costa para o Tribunal de Contas do Estado, que permanece emperrada no STF: “Tem um grupinho no estado ligado ao ministro que cria essa situação e leva a nível de Supremo. O que a gente esperava é que não tivesse interferência do Supremo, lamento muito isso. É muito ruim o Judiciário entrar nessa esfera. Espero que seja resolvido. Tentei algumas vezes (falar com o ministro), mas não prosperou”.

Carlos Brandão defende uma relação política sem ranço ideológico, como foi a sua reaproximação com o Grupo Sarney, do qual estava afastado desde as eleições de 2006: “Em 2022 eu me aproximei muito do grupo do presidente José Sarney. Foram nossos adversários por dois mandatos, mas hoje estamos muito próximos. Há pessoas do MDB que participam do meu governo, e eles entregaram a presidência do partido para o meu irmão (Marcus Brandão). Estamos alinhados. (…) O Flávio sempre foi muito ferrenho adversário dos Sarney, é uma pessoa mais ideológica. Eu não sou assim, tenho boa relação com os evangélicos, com o agro. Eles me adoram”.

Na entrevista, o governador Carlos Brandão comentou a situação do presidente Lula da Silva (PT) aos olhos da opinião pública e avaliou que a queda de popularidade do chefe da Nação e do Governo do PT é momentânea e que a situação pode ser revertida. Falou de ações do seu Governo, da redução do ICMS para a cesta básica, dos programas sociais. E afirmou que o Maranhão se encontra nos trilhos do equilíbrio fiscal e que tem um grande programa de obras para colocar em marcha. E avaliou o cenário político nacional e o futuro do seu partido, o PSB. E desenhou também o ambiente político do Maranhão para 2026, no qual é figura central:

Seu plano para 2026 é Senado?

“Existe uma condição natural de o governador se candidatar para o Senado, mas isso é algo que eu só vou discutir em 2026. Por mais que eu queira, preciso saber como pensam os 13 partidos da minha base. Se antecipar a discussão, as pessoas ficam focadas na política e não enxergam suas entregas”.

Em resumo: à sua maneira, o governador Carlos Brandão colocou as cartas na mesa e jogou aberto.

PONTO & CONTRAPONTO

Juscelino Filho vê chapa Camarão/Brandão como o caminho natural em 2026

Juscelino Filho defende
chapa Camarão/Brandão

Enquanto a entrevista do governador Carlos Brandão ecoava com forte repercussão no meio político, o ministro das Comunicações, Juscelino Filho, defendia o fim do conflito, propondo a candidatura do vice-governador Felipe Camarão (PT) ao Governo do Estado e a do governador Carlos Brandão (PSB) ao Senado, como o desdobramento natural da aliança político-partidária que ainda se mantém forte no Maranhão. Em relação a ele próprio, deixou no ar duas possibilidades: reeleger-se deputado federal, mas colocando-se também no cenário da disputa por uma vaga no Senado, dependendo, claro, das circunstâncias.

A manifestação do ministro das Comunicações se deu em resposta a uma oportuna provocação feita pelo jornalista Glauco Ericeira durante entrevista na qual Juscelino Filho apresentou um balanço das atividades do Ministério das Comunicações no Maranhão.

Nas respostas que deu sobre o cenário político do Maranhão, o ministro, que é deputado federal licenciado e hoje um dos nomes mais destacados do União Brasil no Congresso Nacional, fez questão de pontuar que não é aliado de proa do governador Carlos Brandão, mas que torce pelo sucesso do seu Governo e acha que ele deve ser candidato ao Senado na chapa em que o vice-governador Felipe Camarão, já na condição de governador, concorra à reeleição.

Manifestando nítido bom senso e reforçando sua posição de independência em relação ao Palácio dos Leões, o ministro não vê razão nem vantagem política no confronto alimentado por brandonistas e dinistas, avaliando que isso não beneficia ninguém. Para ele, os dois grupos devem buscar o entendimento em favor do que de fato importa, que são benefícios para a população.

Com esse posicionamento, o ministro mostra maturidade política e amplia o coro das vozes que defendem a chapa PT/PSB para Governo e Senado.  

Ex-deputado paulista comete erro grosseiro ao tentar diminuir o papel de Sarney na redemocratização

José Sarney foi injustiçado por Vilmar Rocha

O ex-deputado federal Vilmar Rocha (PSD/SP) está tumultuando o roteiro da redemocratização quando afirma que foi Aureliano Chaves, então vice de João Figueiredo, quem conduziu a redemocratização. Ele está confundindo as bolas, à medida que mistura redemocratização com transição para a democracia.

O ex-presidente José Sarney nunca disse que liderou a luta contra a ditadura, até porque do lado oposicionista, o grande timoneiro do processo foi o deputado Ulysses Guimarães. José Sarney fez a sua parte quando renunciou à presidência da Arena e, juntamente com o mineiro Aureliano Chaves e o pernambucano Marco Maciel, rompeu com o regime e formou a Frente Liberal contra Paulo Maluf e a favor de Tancredo Neves. Esse movimento levou José Sarney a ser o vice de Tancredo Neves e, com a morte deste, à presidência da República.

O que o ex-deputado Vilmar Rocha faz, portanto, é misturar alho com bugalho e tentar confundir luta pela redemocratização com a transição da ditadura para o regime democrático. Quando se tornou titular da presidência da República, José Sarney assumiu, efetivamente, o comando da transição, e foi ele quem, com habilidade, paciência e tolerância, administrando crises e rompantes de Ulysses Guimarães e sua turma, e também os brados dos generais insatisfeitos, conseguiu evitar confrontos e assim garantiu a instalação e o funcionamento da Assembleia Nacional Constituinte, acabou a censura, reabilitou sindicatos e tirou partidos de esquerda da clandestinidade, devolvendo ao país a democracia plena. E sem qualquer trauma, passou o bastão presidencial para Fernando Collor por eleição direta em 1989.

O ex-deputado Vilmar Rocha precisa repensar suas declarações, porque comete um erro grosseiro contra o ex-presidente José Sarney.

São Luís, 18 de Março de 2025.

Sarney celebra os 40 anos da posse como o presidente que fez a transição da ditadura para a democracia

José Sarney faz o juramento de posse no Congresso Nacional como o 30º presidente
da República e, já com a faixa, é cumprimentado pelo deputado Ulysses Guimarães

Folha: Como o sr. quer ser lembrado?

José Sarney: “Como o presidente que fez a transição democrática no Brasil, que conseguiu implantar um regime democrático duradouro, é o período mais longo da nossa história sem nenhum hiato (de autoritarismo). E isso graças ao desempenho que tive na Presidência, de conciliador, de homem do diálogo, que sempre acreditou nas instituições democráticas. Em resumo, eu diria que a democracia não morreu nas minhas mãos e continua de maneira extraordinária, sendo a segunda (maior) democracia no mundo ocidental”.

A aspiração do ex-presidente da República, José Sarney (MDB) é mais que justa. Isso porque, quando assumiu o cargo interinamente, na condição de vice-presidente eleito, com a doença do presidente eleito Tancredo Neves (MDB), na manhã do dia 15 de março de 1985, há 40 anos, portanto, parecia um mandatário fraco, controlável e, na visão de muitos, destinado a ser destituído a qualquer momento. Afinal, a tarefa principal do novo presidente da República era fazer a transição da ditadura militar para a democracia. Poucos acreditavam que, substituindo ao líder Tancredo Neves, em quem a Nação depositara suas esperanças, José Sarney teria condições e estatura para liderar essa passagem. Todos os que navegaram no pessimismo e na má vontade, morderam a língua, pois o político maranhense, testado nas lutas contra o coronelismo vitorinista, foi o presidente certo, no lugar certo e na hora certa para liderar o processo.

Não foi fácil. Durante os 37 dias de interinidade, José Sarney fez tudo o que Tancredo Neves havia planejado: nomeou ministros que não conhecia, teve de conviver com uma equipe na qual havia integrantes que o queriam ver pelas costas – até o general-chefe do SNI prestava contas ao deputado Ulysses Guimarães (MDB), que dava as cartas, ignorando o presidente da República. Mesmo assim, José Sarney usou toda a sua paciência e habilidade para conviver com uma situação quase irreal. Usou os recursos políticos e os contatos que tinha e começou a transição: devolveu liberdade aos partidos políticos, reabilitou sindicatos, recriou a UNE, tirou o Partido Comunista da clandestinidade e, meses mais tarde, convocou a Assembleia Nacional Constituinte.

A situação começou a mudar, sem pressa nem trauma, a partir de 22 de abril, com a morte do presidente eleito Tancredo Neves. Titularizado no cargo, José Sarney começou a dar passos de autonomia em relação ao mandonismo da casta emedebista liderada por Ulysses Guimarães, só que agora como o 30º presidente da República Federativa do Brasil, detentor, portanto, dos cordéis do poder, e não mais como um vice governando por algum tempo. E foi a partir dessa mudança ao mesmo tempo radical e dramática na situação política do País, que José Sarney começou, efetivamente, a trabalhar a transição, que consistiu, em primeiro lugar, em acalmar e enquadrar alguns segmentos fortes das Forças Armadas, a começar por generais contrários ao fim da ditadura. Com o apoio de líderes militares, como o ministro do Exército, general Leônidas Pires, já identificados com a volta da democracia, Sarney foi aos poucos desmontando a resistência da caserna, evitando, ao mesmo tempo, que vozes da situação acirrassem os ânimos.

– E sem nenhum levante, sem nenhum tiro – lembrou ele na célebre e esclarecedora entrevista que concedeu ao jornalista e historiador Benedito Buzar na virada do século.

Ao longo do seu mandato presidencial – que seria de seis ano, mas a Constituinte tirou um ano, e não tirou mais um porque ele reagiu -, José Sarney trilhou sobre duas linhas. Numa, a transição para a democracia –  a restauração do pleno estado democrático de direito, a abolição da censura, a confirmação da anistia – que muitos tentaram –rever, a volta das eleições diretas em todos os níveis e a consolidação das instituições criadas pela Constituição Cidadã de 1988 – suporte testado definitivamente nas maquinações golpista do presidente Jair Bolsonaro (PL), que culminaram com o trágico, mas corretamente reprimido, 8 de janeiro de 2023.

Na outra linha, José Sarney administrou o País, abrindo as portas para conectar o Brasil ao resto do mundo, usando a diplomacia como nenhum governante fez antes dele. No front interno, injetou gás na máquina pública, na criação dos programas sociais – como o Vale Transporte e o Programa do Leite, os dois mais abrangentes e mais célebres -, e buscando saídas para modernizar o País no campo econômico, o que levou à revolução do Plano Cruzado, em 1986, que mudou a face econômica do Brasil para sempre, gerando desdobramentos como o Plano Real, que norteia a economia do País há mais de duas décadas. Saiu deixando uma inflação galopante, mas com uma economia preparada para enfrentar os tempos que viriam, como o desastre que foi o governo do seu sucessor, Collor de Mello. Deixou ainda símbolos de desenvolvimento como a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Carajás, para citar dois exemplos.

O Senado da República realizará, nesta terça-feira (18), uma sessão solene para homenagear personalidades que lutaram pela democracia. José Sarney está no topo da lista. Isso porque cresce nos brasileiros a avaliação de que, mesmo não tendo sido eleito pelo voto direto, José Sarney foi um presidente em toda a sua plenitude, tendo sido o principal construtor e avalista da democracia reinante no Brasil atual.

PONTO & CONTRAPONTO

Orleans Brandão joga com habilidade ao falar sobre sucessão em 2026

Orleans Brandão: discurso
político inteligente

Politicamente inteligente o posicionamento do secretário extraordinário de Assuntos Municipalistas, Orleans Brandão (MDB), em relação à participação dele no processo eleitoral do ano que vem.

O mundo político inteiro sabe e comenta que ele é nome forte para ser lançado candidato ao Palácio dos Leões, caso o governador Carlos Brandão (PSB) resolva permanecer no cargo abrindo mão de disputar uma cadeira no Senado. Comenta também que suas chances são reduzidas se o governador renunciar em abril de 2026 para pleitear um mandato senatorial.

Entrevistado pelo blogueiro Carlinhos, em Trizidela do Vale, Orleans Brandão jogou no melhor estilo raposa. Primeiro, disse que seu rumo é brigar por uma cadeira na Câmara Federal. Mas, logo em seguida, completou dizendo que o comandante do processo é o governador Carlos Brandão e que a discussão sobre candidaturas majoritárias só será feita no ano que vem.

Ou seja, caminha para a Câmara Federal, mas poderá rever esse projeto, já que não se excluiu do processo.

Paulo Victor acertou com a iniciativa de interditar a Litorânea para a prática esportiva

Paulo Victor: acerto

O presidente da Câmara Municipal de São Luís, vereador Paulo Victor (PSB) acertou em cheio com o projeto de interditar a Avenida Litorânea para veículos motorizados (ônibus, automóveis, caminhões motos), às segundas, quartas e sextas-feiras das 4h às 6h30, para permitir a práticas de esportes.

O governador Carlos Brandão (PSB) abraçou o projeto e decretou a regra, ele próprio fazendo questão de inaugurar a novidade.

Todas as evidências indicam que a iniciativa é um sucesso, principalmente para ciclistas, maratonistas, velocistas, que terão em três dias na semana, e nas manhãs de domingo, espaço garantido e seguro para fazer as suas práticas.

Na peça publicitária que divulga a interdição da Litorânea, o presidente Paulo Victor faz questão de expor uma logomarca da Câmara Municipal de São Luís, aludindo ser a iniciativa uma ação do Legislativo e não do vereador.

São Luís, 16 de março de 2025.