Mesmo sob forte pressão, Brandão e Braide continuam em silêncio sobre a disputa presidencial

Eduardo Braide e Carlos Brandão:
silêncio sobre a corrida presidencial

Como se posicionarão o governador Carlos Brandão (MDB) e o governador eleito Eduardo Braide (PSD) em relação ao 2º turno da eleição presidencial entre o presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). No 1º turno, o líder petista recebeu 2.566.301 votos (63,99%) contra 1.293.040 (30,90%) do representante do bolsonarismo. Agora, com a mudança radical no cenário político estadual, partidários dos dois candidatos se mobilizam, com os apoiadores de Lula da Silva se movimentando para ele repetir ou, se possível, ampliar a vantagem, enquanto os partidários de Flávio Bolsonaro tentam juntar forças para melhorar o desempenho dele na última volta. Nesse contexto, todas as avaliações concluem que a participação direta do governador e do governador eleito pode fazer a diferença no resultado da votação do dia 25.

O governador Carlos Brandão não fez ainda qualquer sinalização a respeito de como se posicionará, mantendo até aqui silêncio sepulcral em relação à corrida presidencial. A lógica sugere que o seu caminho natural é o presidente Lula da Silva, a quem apoiou no 1º turno, principalmente que ele teve importância decisiva no portfólio de obras do Governo do Estado, a começar pela duplicação da Avenida Litorânea, e muitas outras ações. A derrota de Orleans Brandão (MDB), que fez campanha pregando aliança com Lula da Silva, que apoiou e fez campanha para Felipe Camarão, criou um mal-estar no chamado Grupo Brandão. O PT cobra o apoio do governador ao presidente, e o próprio Felipe Camarão “convocou” o governador para se engajar na campanha de Lula da Silva.

O problema é o fato de Lula da Silva não haver apoiado Orleans Brandão, que foi derrotado na disputa pera o Governo do Estado, criou um fosse de mágoas entre o Palácio dos Leões e o Palácio do Planalto. Além disso, prefeitos e deputados aliados do governador e simpáticos à candidatura de Flávio Bolsonaro estão pressionando fortemente o mandatário maranhense a apoiar o candidato bolsonarista. Nos bastidores, corre que o governador Carlos Brandão estaria conversando com seus aliados para tomar uma decisão ao longo dessa semana. A expectativa é que Orleans Brandão se posicione junto com o tio e padrinho político, seja com Lula da Silva, seja com Flávio Bolsonaro, ou ficar em campo neutro.

Por sua vez, o governador eleito Eduardo Braide, que não apoiou nenhum candidato presidencial no 1º turno, incluindo Ronaldo Caiado, do seu partido, está inclinado a permanecer na seara da neutralidade, seguindo a posição do presidente do seu partido, Gilberto Kassab. Ao longo da campanha do 1º turno, Eduardo Braide foi várias vezes provocado sobre eleição presidencial, e numa delas durante o debate na TV Mirante, ele foi claro: “Tem candidato indo para a direita, tem outro para a esquerda, eu quero é levar o Maranhão para a frente”. E manteve esse mote até agora, em que pesem as pressões para que se posicione.

Eduardo Braide usa um argumento pragmático para justificar a sua neutralidade em relação à corrida presidencial. Lembra que durante o seu primeiro mandato como prefeito de São Luís (2021 a 2024), conviveu dois anos com o presidente |Jair Bolsonaro e outros quatro anos com o presidente Lula da Silva, tendo convivido com os dois sem maiores problemas. E acredita piamente que poderá manter o mês o padrão de convivência com o presidente Lula da Silva, a quem não faz restrições, ou com Flávio Bolsonaro, com que pode estabelecer uma relação produtiva.

 Para Eduardo Braide, mais importante do que apostar todas as suas fichas numa relação com o Governo Federal, é organizar as finanças do Governo e aplicar bem os recursos próprios do Estado.

Em resumo: enquanto para o governador Carlos Brandão é muito difícil permanecer em silêncio, para o governador eleito Eduardo Braide a neutralidade faz todo sentido.

PONTO & CONTRAPONTO

Vice de Braide se mantém discreta, mas terá papel importante no Governo

Elaine Cordeiro: aposta na
capacidade de Eduardo
Braide como gestor

A eleição acachapante de Eduardo Braide (PSD) para o comando do Estado não alterou a serenidade da vice-governadora eleita Elaine Cordeiro (PSD). Os bons ventos da vitória nas urnas mexeu com a sua condição de empresária bem situada em Imperatriz e na Região Tocantina, onde comanda um próspero negócio de vendas de pneus, mas não a ponto de mudar a sua postura discreta.

Iniciante na vida pública, e já como vice-governadora, o que lhe dá a perspectiva de um dia vir a ser governadora do Maranhão, Elaine Cordeiro começa a se envolver com o desafio de governar um Estado. Motivada pela cultura empresarial, que exige a arte do gerenciamento e não tolera erros, ela aposta todas as suas fichas que o Governo do qual participará será bem sucedido pela capacidade do governador eleito Eduardo Braide como gestor.  

– Braide é um gestor. Eu sempre acreditei que um Governo precisa de um gestor. Ele fez uma boa gestão em São Luís e tem toda capacidade de fazer isso no Maranhão – declarou em entrevista recente, na qual acrescentou: “Ele só pôde fazer uma boa gestão em São Luís porque teve uma equipe técnica, comprometida com o propósito de cuidar bem de São Luís”.

Pelos sinais emitidos pelo governador eleito, a vice-governadora assumirá papel relevante no Governo além de atuar como substituta eventual do governador. Ela vai ocupar a versão tocantina do Palácio dos Leões, instalada pelo governador Carlos Brandão em Imperatriz, e de lá coordenar todas as ações do Governo nas regiões Tocantina e Sul.

Não eleição de Roseana marcará saída dos Sarney da cena política maranhense

Roseana Sarney: saindo de cena

A deputada federal Roseana Sarney (MDB) teria tomado uma decisão irrevogável: encerrado o seu mandato atual, no dia 30 de janeiro do ano que vem, ela deixará de vez a vida pública. Sua retirada incluirá também a vida partidária.

O problema é que essa decisão, que teria sido tomada pela deputada Roseana Sarney com o aval do marido Jorge Murad, produz duas consequências.

A primeira será retirada definitiva da família Sarney do cenário político após 65 anos de vida pública desde a eleição de José Sarney para o Governo do Estado em 1965, já que não haverá nenhum Sarney exercendo mandato a partir de 1º de fevereiro de 2027.

O outro desdobramento será o vácuo a ser aberto no braço maranhense do MDB. Isso porque, mesmo havendo outros membros da família Sarney filiados ao partido, a começar pelo ex-presidente José Sarney, eles não terão mais poder para ditar as regras. (Nas condições atuais, o sucessor natural do comando do partido será o prefeito de Bacabal Roberto Costa, que é vice-presidente regional e o chefe emedebista mais próximo de Roseana Sarney e do ex-presidente José Sarney).

Se essa informação vier a ser confirmada, a não eleição de Roseana Sarney para o Senado marcará, de fato, o fim de uma era na política do Maranhão.

São Luís, 13 de Outubro de 2026.

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