MDB decide hoje se continua sob orientação conservadora ou entrega o comando político à ala jovem

 

João Alberto continuará presidente tendo como vice Roberto Costa ou Hilo Rocha para resolver a crise

Em meio às turbulências de duas tempestades que o atingem diretamente, uma em escala nacional, causada pelas desventuras do seu ex-comandante supremo, o ex-presidente Michel Temer, foi preso sob a acusação de corrupção, foi solto por uma liminar, mas corre o risco de voltar para a cadeia em pouco tempo -, e  outra no plano regional, provocada pela decisão do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos, de abandonar o barco emedebista e se filiar ao DEM, o MDB do Maranhão realiza hoje reunião para escolher seu novo comando. A guerra que vinha se desenhando há até pouco tempo pela presidência não acontecerá, já que por um grande acordo interno, o ex-governador João Alberto continuará presidente, cargo que já exerce há 26 anos. Mas o entendimento termina aí, uma vez que o deputado estadual Roberto Costa, que lidera a ala jovem mobilizada para assumir as rédeas do partido, e o deputado federal Hildo Rocha, ligado a setores mais conservadores, que vinham medido forças pela presidência, travam agora um duelo igualmente acirrado pela vice-presidência da agremiação.

Tido por todos como a máquina partidária mais organizada e estruturada da região, com sede própria e contas em dia, e que já foi também a mais poderosa força política no estado, tendo como guru maior o ex-presidente José Sarney, o MDB maranhense é um partido mergulhado numa profunda crise. Destroçado nas gerais eleições de 2014, quando perdeu o comando do Estado, e praticamente liquidado nas de 2018, quando perdeu todo o seu poder de fogo, com a evaporação do seu poder no Senado, o partido caminhou rapidamente para uma crise interna. Diante do desastre nas últimas eleições, com a derrota acachapante de Roseana Sarney e Edison Lobão, e insatisfeita com o domínio absoluto dos cardeais, a ala jovem do partido, comandada pelo deputado Roberto Costa, reivindicou o comando partidário, determinada a dar uma guinada radical no destino da legenda Maranhão.

A gravidade da crise interna foi claramente definida quando, ainda em dezembro passado, a ex-governadora Roseana Sarney se dispôs a substituir ao ex-governador João Alberto na presidência, colocando-se como solução para a crise. Numa reação até pouco tempo inadmissível, a ala jovem rejeitou a proposta de Roseana Sarney, ganhando inclusive o apoio de boa parte da ala conservadora. Roberto Costa e Hildo Rocha avisaram que se Roseana Sarney fosse candidata a presidente, eles também se candidatariam e disputariam o cargo na convenção. A surpreendente reação acirrou ainda mais a crise. Depois de três meses de tensas negociações internas, as forças concordaram em manter João Alberto – que é bem aceito nas duas alas – na presidência, reivindicando a vice-presidência.

A reunião de hoje poderia ser o desfecho de uma grande conciliação, mas não será. Isso porque o acordo para a permanência de João Alberto na presidência foi firmado na seguinte condição: o presidente cuidará da administração da máquina partidária, mas na prática as decisões políticas do partido serão conduzidas pelo vice-presidente. Daí a disputa aberta entre o deputado estadual Roberto Costa e o deputado federal Hildo Rocha. E como a escolha dos membros da Executiva não será feita pelo voto, mas pela força que cada um tem no Diretório estadual, o embate entre Costa e Rocha se dará nos bastidores.

Na guerra pela vice-presidência, Roberto Costa defende a renovação partidária, por acreditar que depois de tanto tempo de hegemonia e fechado sob o comando dos Sarney, o MDB maranhense precisa se abrir, buscar novos rumos, fazendo uma Oposição equilibrada ao Governo Flávio Dino, e só a ala jovem pode fazer isso. Já Hildo Rocha quer manter uma linha mais dura contra o Governo estadual, apostando que o partido pode se reciclar mantendo o confronto acirrado com o dinismo e sem entregar o comando à ala jovem. No final da tarde de hoje o mundo político saberá para onde irá o MDB sem os Sarney no comando direto e efetivo do partido.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Tentando evitar perdas, Sarney e Roseana acompanham o desfecho da crise em Brasília

José Sarney e Roseana Sarney estão em Brasília, longe da confusão doméstica

O ex-presidente José Sarney e a ex-governadora Roseana Sarney não devem participar da reunião que definirá o futuro do MDB no Maranhão. Ao dois encontram-se em Brasília operando para, pelo menos, minimizar os efeitos da pancada que o MDB nacional amargando depois que perdeu parte da sua bancada na Câmara Federal, tem o maior número de senadores, mas perdeu o poder no Senado e, principalmente, com a perda do controle da máquina federal, onde mantinham um grande número de afilhados. A nota da coluna Radar, da última edição da revista Veja, na qual José Sarney reclama classificando de “molecagem” a demissão de mais de duas dezenas de afilhados pelo novo presidente do Senado, o amapaense Davi Alcolumbre (DEM), dá bem a medida da situação em que o ex-presidente e a ex-governadora se encontram. Nesse contexto de um revés atrás do outro José Sarney e Roseana Sarney preferem manter distância da agitação que move hoje o MDB do Maranhão, sobre o qual já não exercem o poder de outros tempos.

 

Mesmo esperada no MDB, saída de Assis Ramos foi golpe duro para o partido

Levado por Juscelino Rezende (à esquerda), Assis Ramos (o quarto da esquerda para a direita) é recebido pelo presidente ACM  Neto (à direita) e pela cúpula do DEM

A pancada só não foi maior porque já era esperada. Foi assim que um emedebista de proa definiu a decisão do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos, de abandonar a barca emedebista para se filiar ao DEM. Caso típico de outside na política do Maranhão, que se elegeu prefeito da segundo maior e mais importante município do Maranhão aproveitando a brecha aberta pelo erro monumental do PDT de insistir na candidatura furada da enfermeira Rosângela Curado, Assis Ramos nunca assumiu efetivamente uma identidade emedebista, e todas as suas atitudes, como a de não aceitar a presidência do partido, que lhe foi oferecida como solução para a crise, indicavam que mais cedo ou mais tarde ele deixaria a agremiação. Com a sua saída, o MDB perdeu muito do seu peso político.

 

Irlahi Moraes assume a posição de maior estrela municipal do MDB no Maranhão

Irlahi Moraes, de Rosário, passa a ser a estrela maior do MDB 

Com a saída do prefeito de Imperatriz, Assis Ramos, o posto de maior de estrela do partido na seara municipal passa a ser ocupado por Irlahi Moraes, prefeita de Rosário, hoje a mais importante cidade administrada por um emedebista no Maranhão. Irlahi Moraes é um quadro raro de coerência partidária. Ela ingressou no PMDB ainda muito jovem, ainda nos anos 80 do século passado, tornando-se discípula do então presidente da agremiação, o deputado federal Cid Carvalho, um dos mais competentes caciques políticos que o Maranhão conheceu. Mesmo com a queda de Cid Carvalho, tragado pela CPI dos Anões do Orçamento no Congresso Nacional e passando PMDB do Maranhão ao controle do Grupo Sarney, no início dos anos 90, quando João Alberto assumiu a presidência, Irlahi Moraes se manteve fiel ao partido, sofreu altos e baixos na sua trajetória política, mas teve sua dedicação e persistência recompensadas ao eleger-se prefeita de Rosário em 2012 e reeleger-se em 2016, encerrando um ciclo em que vários prefeitos rasparam os cofres do município e caíram em desgraça políticos. No novo cenário, a prefeita de Rosário ganha, cm justiça, peso maior na estrutura do MDB maranhense.

 

Destaque

Othelino Neto e Rodrigo Lago viabilizam apoio a Santa Helena, que sofre com a cheia do Rio Turiaçu

Rodrigo Lago, Othelino Neto, Jorge Malhadeira e Zezildo Almeida discutem a dramática situação da população Santa Helena causada pela cheia do Rio Turiaçu

As fortes e intensas chuvas estão causando estragos e transtornos em vários municípios da Baixada Ocidental. Santa Helena, por exemplo, está sofrendo as consequências do transbordamento do Rio Turiaçu, que causam inundação em boa parte do município, com danos severos na sede. A situação dramática levou o prefeito Zezildo Almeida (PTB), acompanhado do presidente da Câmara Municipal, vereador Jorge Malhadeira, a procurar o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Othelino Neto (PCdoB) em busca de apoio. Othelino Neto intermediou uma reunião com o secretário de Estado de Comunicação e Articulação Política, Rodrigo Lago, a quem pediu providência no sentido de conseguir ajuda para o município, que é um dos mais importantes da região.

A inundação desabrigou pelo menos três mil famílias em Santa Helena, que tem 45 mil habitantes. O prefeito Zezildo Almeida relatou os esforços que está fazendo para dar apoio aos desabrigados, mas os recursos da Prefeituras são parcos e ele precisa urgentemente da ajuda do Governo do Estado. O deputado Othelino Neto, que conhece bem a situação de Santa helena, reforçou o apelo do prefeito junto ao secretário Rodrigo Lago, argumentando que neste momento o município precisa de uma atenção especial. “O prefeito Zezildo tem me mantido informado da situação e tem feito o que pode para socorrer essas pessoas, que tiveram que sair das suas casas. Já são mais ou menos três mil famílias provisoriamente desabrigadas, por conta dessa enchente que não estava programada. O governador Flávio Dino já autorizou o envio de cestas básicas, o Corpo de Bombeiros já está na cidade, além da Força Estadual de Saúde, com seus profissionais e medicamentos. Enfim, nosso objetivo é fazer com que diminua, o mais rápido possível, o sofrimento da população até que elas possam voltar para as suas casas”, assinalou o presidente da Assembleia Legislativa.

O secretário Rodrigo Lago afirmou que o Governo do Estado já iniciou um plano emergencial para auxiliar a população de Santa Helena, garantindo insumos e apoio técnico. Ele destacou que, ainda no início da gestão do governador Flávio Dino, foi montado um comitê permanente de acompanhamento de desastres naturais, que tem atuado, principalmente, no período chuvoso.

– A Prefeitura de Santa Helena tem dado essa assistência imediata e o Governo do Estado está ajudando. Acionamos, no início da semana, o Corpo de Bombeiros, que já encaminhou equipe ao local para prestar assistência à população e apoio técnico para a Prefeitura, no sentido de decretar o estado de emergência em razão do desastre natural. Essa assistência chegará à população de forma que, imediatamente, a gente consiga dar uma resposta para quem está precisando, enquanto o Governo Federal é acionado e pode mandar, também, apoio para a população – destacou o secretário Rodrigo Lago, articulador político do Governo

São Luís, 05 de Abril de 2019.

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