Gaeco desmonta esquema que desviou emendas, constrange a Câmara Municipal e bombardeia a candidatura de Beto Castro a presidente

Beto Castro chega ao IML mais distante da presidência da Câmara de São Luís

A Operação Benedict, realizada ontem em São Luís pelo Ministério Público por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), numa ação conjunta com a Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic) e com a Polícia Militar, desbaratou uma organização criminosa que teria desviado nada menos que R$ 9 milhões de emendas parlamentares em São Luís. A operação produziu duas situações bombásticas. Primeiro atingiu em cheio a Câmara Municipal, onde a suposta organização atua. E segundo, atingiu em cheio o vereador Beto Castro (Avante), em cuja residência foram encontrados R$ 715 mil em espécie, um carro de luxo e uma arma de fogo ilegal – uma pistola 11 Milímetros, de uso exclusivo das Forças Armadas, pelo que ele foi detido e depois liberado.  Foram cumpridos 17 mandados, sendo 12 de busca e apreensão e cinco de prisão.

A Operação Benedict é desdobramento de uma investigação que vem senso realizada há três anos, e apanhou também o ex-vereador Umbelino Filho, que perdeu o mandato ainda na legislatura anterior. O foco do Gaeco e da Seic é o desvio de R$ 9 milhões de emendas por uma organização que teria o vereador Beto Castro como cérebro e maior beneficiário. A movimentação de promotores e delegados em corredores e gabinetes do parlamento da Capital causou um forte constrangimento nos demais vereadores, que nada puderam fazer diante do peso da denúncia.

Além do desmonte da organização criminosa, que agia a partir de gabinetes do parlamento ludovicense, a ação do Gaeco pode ter sido um tiro certeiro, sem clemência, no projeto de candidatura do vereador Beto Castro à Câmara Municipal de São Luís, que tem o aval do atual presidente, vereador Paulo Victor (PSB). Numa movimentação iniciada ainda no ano passado, Beto Castro se lançou candidato à sucessão presidencial no que seria uma dobradinha com o presidente Paulo Victor. A eleição se daria em abril, e se Beto Castro fosse eleito, apoiaria a candidatura do presidente Paulo Victor à Assembleia Legislativa. Além desse, Beto Castro reponde a outros processos que o ligam a esquemas criminosos.

O esquema foi por água abaixo depois que o Supremo Tribunal Federal decidiu que eleições para presidência de Casas parlamentares, a começar pelas Câmaras Municipais, só podem ser realizadas a partir de três meses antes da posse. E como a posse nos parlamentos se dá no início de fevereiro, a eleição só pode ocorrer em outubro do ano anterior. A mudança desmontou o plano do presidente Paulo Victor, que desistiu da candidatura à Alema, mas manteve a candidatura de Beto Castro à presidência da Câmara Municipal, onde ele chegou a ter o apoio de nada menos que 22 dos 31 vereadores.

Não é possível afirmar se o vereador Beto Castro vai desistir da candidatura ou será catapultado da corrida à presidência da Câmara Municipal. Mas não há qualquer dúvida de que a operação de ontem, na qual a polícia o prendeu por porte ilegal de uma arma que nenhum civil pode portar, e ainda encontrou em seu poder quase R$ 1 milhão, foi um baque inesperado e impiedoso na sua candidatura. Ontem mesmo nos bastidores do Palácio Pedro Neiva de Santana já se especulava sobre articulações para definir um novo candidato à sucessão do presidente Paulo Victor. Além disso, aliados do vereador Marquinhos Silva (União), que também concorre à presidência da Câmara, começaram a pregar a saída de Beto Castros numa tentativa de fortalecer o seu adversário.

Numa avaliação mais aberta, a situação do vereador Beto Castro constrange a Câmara Municipal como um todo, deixa o vereador-presidente Paulo Victor numa situação delicada, pode afetar a pré-candidatura do deputado federal Duarte Jr. (Avante) ao Senado e, numa escala ampliada, causa certo incômodo à pré-candidatura de Orleans Brandão (MDB) ao Governo do Estado em São Luís.

PONTO & CONTRAPONTO

Josimar de Maranhãozinho coloca o PL na base da pré-candidatura de André Fufuca ao Senado

André Fufuca entre Josimar de Maranhãozinho
e Detinha, que lhe declararam apoio

“André Fufuca hoje é o nosso pré-candidato ao Senado e será o nosso senador”. A declaração, feita pelo deputado federal licenciado Josimar Maranhãozinho, feita, no domingo, num encontro regional do PL em Governador Nunes Freire, selou o apoio do partido à pré-candidatura do deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) ao Senado. O líder maior do PL consolidou assim uma previsão feita por ele próprio há algumas semanas.

O apoio do PL, presidido no Maranhão pela deputada federal Detinha, é uma poderosa reforço ao projeto senatorial do ex-ministro do Esporte. Isso porque o PL representa um grupo política e eleitoralmente muito expressivo. São quatro deputados federais, cinco deputados estaduais, pelo menos 28 prefeitos e algumas dezenas de vereadores espalhados por diversas regiões do estado.

Esse reforço se soma a um batalhão de mais de 100 prefeitos que na semana passada declararam apoio a André Fufuca num vídeo que surpreendeu o meio político e os demais pré-candidatos ao Senado, uma vez que com a manifestação ele deu uma demonstração de que o seu projeto de disputar uma cadeira no Senado está estruturado.

A declaração de apoio do PL chega no momento em que André Fufuca aguarda o posicionamento do governador Carlos Brandão (MDB) em relação ao nome para ocupar a vaga de pré-candidato a senador numa aliança com Orleans Brandão, pré-candidato do MDB ao Palácio dos Leões.

Provavelmente avaliando que o apoio do PL pode ser um diferencial nesse processo, André Fufuca agradeceu a declaração de Josimar de Maranhãozinho: “Recebo com muita alegria, motivação e, principalmente, orgulho”.

Com Eliziane definida, Camarão abre diálogo para a outra vaga de candidato ao Senado

Felipe Camarão: vaga para
o Senado está em aberto

O vice-governador Felipe Camarão, pré-candidato do PT ao Governo do Estado, não fechou questão ainda em relação à vaga de senador aberta na sua chapa. Uma já está definida com a senadora Eliziane Gama (PT), que além de representar o partido, tem o aval da cúpula nacional do PT e do próprio presidente Lula da Silva. A outra vaga encontra-se em aberto, em que pese o fato de o comando partidário haver indicado o senador Weverton Rocha (PDT) como seu ocupante.

Numa postagem recente, Felipe Camarão deixou claro que não abraça a indicação de Weverton Rocha, afirmando que a questão encontra-se em aberto dentro do partido. Garantiu que está conversando com vários nomes, a começar por André Fufuca (PP), que aponta como nome forte para firmar uma aliança em torno da sua pré-candidatura.

Para Felipe Camarão, que aposta no crescimento da sua pré-candidatura, principalmente depois da saída de Lahesio Bonfim (Novo), o principal critério para o preenchimento da vaga ainda aberta de pré-candidato a senador é o alinhamento do pretendente ao projeto de reeleição do presidente Lula da Silve e, por via de desdobramento, à sua pré-candidatura ao Governo do Estado.

O senador Weverton Rocha se encaixa na primeira parte do critério, pois apoia o presidente Lula da Silva, mas contraria no segundo, por não apoiar declaradamente Felipe Camarão, uma vez que já declarou apoio a Orleans Brandão (MDB). Já André Fufuca também é alinhado ao presidente Lula da Silva, mas ainda não se posicionou com clareza em relação a pré-candidato a governador, mas pode se posicionar com Orleans Brandão se for escolhido para a vaga aberta, ou com Felipe Camarão, se a aliança governista escolher o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União).

Felipe Camarão afirma não fazer restrições, desde que o pretendente se encaixe nesse perfil.

São Luís, 16 de Junho de 2026.

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