Senado: guinada de Fufuca para Braide deixa Brandão entre Pedro Lucas, Roseana e Duarte Jr.

Aliança de André Fufuca com Eduardo Braide
abriu caminho para Carlos Brandão escolher entre
Pedro Lucas Fernandes, Roseana Sarney e Duarte Jr.

A guinada do deputado federal André Fufuca (PP) rompendo com a aliança governista encabeçada por Orleans Brandão (MDB) e se tornando pré-candidato a senador na chapa do ex-prefeito de São Luís Eduardo Braide (PSD) impôs um amplo redesenho na definição de candidaturas à Câmara Alta. O movimento deu a Eduardo Braide a definição do primeiro pré-candidato a senador na sua chapa, permitindo que escolha o outro nome com mais tranquilidade. E, ao mesmo tempo, abriu mais espaço para o governador Carlos Brandão (MDB) articular a escolha do outro companheiro de chapa do pré-candidato do MDB ao Palácio dos Leões, tendo como opções os deputados federais Roseana Sarney (MDB), Pedro Lucas Fernandes (União) e Duarte Jr. (Avante). Nesse plano majoritário, o governador move suas pedras para escolher também o pré-candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão.

Qualquer avaliação isenta sobre a guinada de André Fufuca para aliar-se a Eduardo Braide foi uma jogada madura, bem avaliada e que pode produzir bom resultado para ambos. São políticos jovens e bem posicionados, têm projeto de poder com muitos pontos em comum e estão embalados por ventos generosos soprados pelas pesquisas mais recentes. O ex-prefeito de São Luís se move com pontos percentuais que o garantem no segundo turno, se não houver decisão no primeiro turno. O ex-ministro do Esporte aparece quase sempre entre os quatro nomes com maior potencial na disputa para o Senado, estando com uma campanha estruturada e lastreada por apoio declarado em mais de uma centena de municípios, entre eles os maiores do estado, a começar por Imperatriz.

André Fufuca fez a composição com Eduardo Braide usando a inteligência política de não romper com o governador Carlos Brandão de maneira dramática, preferindo fazê-lo conversando e agradecendo o que a relação entre os dois entre os dois produziu. Isso o protegeu da pecha de traidor. Esse contexto foi muito bem traduzido pelo próprio Orleans Brandão que, exibindo serenidade política, minimizou o fato assinalando que cada um tem o direito de seguir o seu próprio rumo.

Na cúpula da aliança governista, o governador Carlos Brandão articula – “com muito cuidado”, como ele próprio tem dito -, a escolha do outro candidato ao Senado. Até prova em contrário, e isso pode acontecer, o seu trabalho está concentrado em Pedro Lucas Fernandes, Roseana Sarney, Duarte Jr.. São fortes os sinais de que há preferência por Pedro Lucas Fernandes, político centrado e aliado de primeira hora do Governo e da pré-candidatura de Orleans Brandão. Roseana Sarney, detentora de enorme cacife político, é o contrapeso que complica a escolha, uma vez que tem o aval da ala sarneysista do MDB estadual e da cúpula nacional do partido. E Duarte Jr., jovem e ousado, que tem potencial de crescimento e movimenta-se como uma espécie de “terceira opção” dentro da aliança governista.

Nesse contexto, continua-se aventando a possibilidade de deputada-presidente Iracema Vale vir a ser escolhida para a outra vaga de pré-candidato ao Senado, ao mesmo tempo em que ganha mais corpo a sua provável “convocação” para assumir a vaga de pré-candidato a vice-governador, enquanto ela própria tem dito que o seu caminho é o da reeleição para a Assembleia Legislativa. Na terça-feira, por exemplo, liderou um grupo de pré-candidatos do MDB à Assembleia Legislativa com o pré-candidato a governador Orleans Brandão.

Ao mesmo tempo em que contribuiu para acelerar os movimentos de Eduardo Braide na busca do nome para a outra vaga de pré-candidato a senador, a guinada de André Fufuca injetou gás nas articulações do governador Carlos Brandão para escolher o nome que fará dobradinha com o senador Weverton Rocha (PDT), já escolhido para uma das vagas. Pedro Lucas Fernandes não faz movimentos precipitados, Roseana Sarney avisa que só tratará do assunto no seu retorno a São Luís, no final deste mês, e Duarte Jr. continua se declarando pré-candidato independente, mas dificilmente dirá “não” se o governador Carlos Brandão “convocá-lo” para o desafio.

PONTO & CONTRAPONTO

Neto Evangelista sai da briga pela vice de Orleans e avisa que vai brigar pela reeleição

Neto Evangelista anuncia
pré-candidatura à reeleição

O líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado Neto Evangelista (MDB), não mais aspira a vaga de candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão (MDB). O ponto final nesse movimento foi colocado por ele próprio, ontem, num vídeo em que declarou, sem rodeios: “Eu serei candidato a deputado estadual. Estarei para a reeleição”.

Neto Evangelista dedicou pelo menos um mês da sua preparação para as eleições de outubro fazendo gestos para o Palácio dos Leões e para a cúpula do MDB em que manifestou interesse na vaga de candidato a vice. Chegou a declarar que estava “à disposição do grupo” para esse desafio.

Lastreado por quatro mandatos na Assembleia Legislativa e tendo São Luís como a sua principal base eleitoral – que herdou do seu pai, o deputado João Evangelista – Neto Evangelista avaliou melhor o cenário e decidiu investir todo o seu gás político no projeto de reeleição.

Assim como não respondeu ao seu movimento inicial de aspirante à vaga de vice, a cúpula do MDB também não se manifestou sobre a sua declaração de desistência. E a conclusão óbvia é a de que tanto a cúpula emedebista quando o Palácio dos Leões preferem-no como pré-candidato à reeleição.

Lahesio alimenta discurso contraditório para justificar sua saída da corrida aos Leões

Lahesio Bonfim: contradições

O ex-prefeito dos Crentes, Lahesio Bonfim (Novo), insiste numa explicação nada convincente, por que não faz sentido algum, para sua desistência de disputar o Governo do Estado e candidatar-se ao Senado da República. Em entrevista ao UQ Podcast, ele manteve e repicou a mesma conversa: “Eu sinto que as ruas desejam uma mudança como poucas vezes neste estado. Existe uma vontade imensa de mudar. As ruas querem uma mudança, as ruas não querem uma nova oligarquia neste estado, e eu senti isso”.

O mantra do ex-pré-candidato ao Governo do Estado remete naturalmente a uma indagação: se ele “sentiu” nas ruas o desejo do povo por mudança, porque então desistiu da pré-candidatura, já que vinha se apresentando como a inovação política personificada e pregando uma arrojada proposta de mudança, rejeitando a instauração de “uma nova oligarquia” no Maranhão?

Ele tem dito e repetido que sua decisão não foi “um cálculo eleitoral” nem “pragmatismo partidário”. As duas afirmações também não fazem nenhum sentido na vida real dos políticos e dos partidos políticos. Primeiro porque não existe político que não faça cálculo eleitoral. E segundo, porque o pragmatismo é um traço essencial da personalidade de todo partido político.

É verdade que o eleitorado quer mudanças, pois esse é o processo natural da evolução política. E isso remete a uma verdade que o ex-prefeito sentiu na pele no seu período de pré-campanha e não quer admitir: o seu discurso, às vezes confuso e às vezes agressivo, não convenceu.

A prova é o fato indiscutível de que ele começou com o cacife de quem foi o segundo colocado na disputa de 2022, com 25% dos votos, deixando para trás o senador Weverton Rocha (PDT), mas viu esse lastro derreter a cada manifestação.

E se continuar navegando nessa prancha de contradições, vai enfrentar o “desejo do povo por mudança” também no seu projeto de ser senador.

São Luís, 20 de Junho de 2026.  

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