Brandão dá mais tempo para escolher vice e desatar nó górdio para definir um dos candidatos ao Senado alinhados a Orleans

Carlos Brandão vai ter de escolher entre André Fufuca,
Pedro Lucas Fernandes, Roseana Sarney e Iracema Vale
para um das vagas de pré-candidato ao Senado

O governador Carlos Brandão (MDB) adiou para a semana que começa hoje a definição do outro pré-candidato ao Senado e do pré-candidato a vice-governador que comporão a chapa encabeçada por Orleans Brandão (MDB) como candidato ao Governo do Estado. A previsão do governador, anunciada sábado (6), em Peritoró, era que os nomes fossem definidos e anunciados na semana que passou, mas uma série de empecilhos o levaram a adiar a definição e o anúncio dos escolhidos. Em relação ao vice, o governador está à procura de um nome de São Luís, que seja agregador e tenha potencial eleitoral. Já no que respeita ao outro candidato a senador, existem nomes de sobra, o que exige do governador Carlos Brandão uma cuidadosa engenharia política para acomoda-los. Nesse contexto estão se movimentando os deputados federais André Fufuca (PP), Pedro Lucas Fernandes (União) e a deputada federal Roseana Sarney (MDB).

A escolha do companheiro de chapa de Orleans Brandão é uma operação sem maiores problemas. Existem vários nomes com o perfil desenhado pela cúpula da aliança governista, como o deputado estadual Neto Evangelista (MDB), que se movimenta para ganhar a vaga, tendo inclusive declarado o seu interesse, e como o ex-prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Jr., que passou oito anos no cargo e conhece a realidade política e eleitoral da Capital. A ciranda das especulações já apontou a deputada estadual Helena Duailibe (Republicanos) e a primeira-dama de Paço do Lumiar, Maedja Campos. Num outro viés, o nome mais lembrado para a vaga de vice de Orleans Brandão pé a presidente da Assembleia Legislativa, deputada Iracema Vale (MDB), mas nas conversas nos bastidores corre que ser candidata a vice-governadora não está no seu leque de opções para outubro, tanto que ele tem dito que se prepara para buscar a reeleição.

O fato é que escolher o candidato a vice-governador para a chapa de Orleans Brandão não é um problema para o governador Carlos Brandão. Trata-se apenas de buscar o nome política e eleitoralmente mais adequado.

Em relação à outra vaga de pré-candidato ao Senado – uma já foi preenchida com o senador Weverton Rocha (PDT) -, o quadro é politicamente muito mais complexo. O governador tem poucas opções sobre a mesa. A primeira é entregar a vaga à federação União Progressista (União/PP), que pode indicar o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União) ou o deputado federal e ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP). E pode também optar por um nome do MDB, que tem a deputada federal Roseana Sarney como primeira opção, e a deputada-presidente Iracema Vale como alternativa forte. O problema é que são quatro nomes com peso para apenas uma vaga, e a escolha de um deles pode produzir uma situação de desconforto dentro da aliança governista.

Se mantiver a aliança com a federação União Progressista e escolher Pedro Lucas Fernandes, o ex-ministro André Fufuca, que já está em pré-campanha há mais de um ano, vai procurar outro caminho. Mas se, ao contrário, o escolhido for André Fufuca, Pedro Lucas Fernandes permanecerá buscando a reeleição, porque não era o seu projeto ser candidato a senador. A escolha de um deles repercutirá na banda sarneysista do MDB – a começar pelo próprio ex-presidente José Sarney -, que reivindica a vaga para a deputada federal Roseana Sarney, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Vai ser difícil ao MDB negar-lhe a vaga, e essa dificuldade vem se avolumando a cada conversa. Finalmente, alguns veem a possibilidade remota de um grande acordo em torno da deputada Iracema Vale.

O fato concreto é que o projeto de candidatura de Roseana Sarney, embalado pelo apoio da família e por boa parte do MDB, é o nó górdio que o governador Carlos Brandão precisa desatar para montar a chapa majoritária encabeçada por Orleans Brandão. Ele prevê que o nó será desatado durante essa semana, mas há quem avalie que isso só ocorrerá depois da festança junina.

PONTO & CONTRAPONTO

Novo busca uma saída para disputar os Leões após o vácuo aberto com a desistência de Lahesio Bonfim

Jeisael Marx, com Leonardo Arruda, pode ser
a opção do Novo para o Governo do Estado

O partido Novo entrou em crise aguda com a guinada de Lahesio Bonfim abrindo mão da candidatura a governador e se anunciando como pré-candidato ao Senado. O movimento protagonizado pelo ex-prefeito de São Pedro dos Crentes rompeu o eixo central do projeto político e eleitoral do Novo no Maranhão, a começar pelo fato de que a desistência desmontou o palanque da direita radical e bolsonarista no Maranhão.

A reação inicial do presidente do braço maranhense do Novo foi a de que o partido poderá lançou outro candidato ao Governo ou aliar-se a outro projeto. A outra opção aos Leões seria o ex-senador Roberto Rocha, que vem pontuando bem nas pesquisas como pré-candidato assumido ao Senado. É improvável que Roberto Rocha abra mão do seu projeto senatorial para entrar numa disputa já polarizada entre Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB), e com o vice-governador Felipe Camarão (PT) tentando se viabilizar com o poderoso aval do presidente Lula da Silva.

Na semana passada, uma luz tênue foi acesa no túnel em que o Novo foi metido com a desistência de Lahesio Bonfim, com a declaração do jornalista Jeisael Marx de que está disposto a ser o pré-candidato do Novo ao Palácio dos Leões. Com a experiência de jornalista que conhece a párea política e a de uma candidatura à Prefeitura de São Luís em 2024, Jeisael Marx pode ser a saída que o Novo precisa para manter Roberto Rocha e Lahesio Bonfim como pré-candidatos ao Senado.

IPS: oito municípios do Maranhão estão entre os 10 piores do Nordeste em qualidade de vida

O ranking IPS dos 10 piores do Nodeste

É ao mesmo tempo surpreendente e constrangedora a revelação de que, segundo o Índice de Progresso Social Brasil (IPS) 2026, nada menos oito dos dez municípios nordestinos com pior qualidade de vida estão no Maranhão. Nesse ranking denunciador apenas um município da Bahia e um de Pernambuco. Nenhum do vizinho Piauí.

Os maranhenses são Peritoró, Cajari, Marajá do Sena, Amarante do Maranhão, Fernando Falcão, São Félix de Balsas, Arame e Montes Altos.

O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil é definido a partir das informações de 57 indicadores colhidos em fontes públicas oficiais, e usa uma metodologia que avalia o desempenho dos municípios em necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. A pontuação varia de zero a 100 e considera fatores ligados à saúde, educação, segurança, moradia, saneamento básico, inclusão social, acesso à informação e qualidade ambiental.

Governado pelo médico Josué Pinho da Silva Jr., mais conhecido como “Doutor Jr.” (PP), Peritoró (20,7 mil habitantes) é o último da fila, o que lhe impõe a condição de ser o município com pior qualidade de vida do Maranhão, de todo o Nordeste, e que ocupa a 5.555ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros.

A situação lastimável dos oito piores municípios maranhenses coloca o Maranhão numa posição constrangedora, que alimenta o adjetivo de “pior” estado do Brasil, em que pesem os muitos esforços feitos para mudar de vez essa imagem incômoda. Ao mesmo tempo, coloca os prefeitos dessas unidades municipais na berlinda e diante do desafio de reverter essa realidade.

Nesse contexto, a revelação atinge em cheio o prefeito de Arame, Pedro Fernandes (União). Ex-vereador de três mandatos em São Luís e deputado federal por cinco mandatos consecutivos, tendo entrado para a história da Câmara Federal por não haver faltado a nenhuma sessão durante essas duas décadas, Pedro Fernandes elegeu-se prefeito de Arame em 2020 e se reelegeu em 2024 com a marca de político sério e comprometido com o projeto maior de melhorar qualidade de vida do povo maranhense.

Sua reeleição se deveu ao fato de Pedro Fernandes ter sido apontado como um dos mais eficientes e corretos prefeitos do Maranhão, o que leva à indagação: por que, então, a maioria dos 20,7 mil habitantes de Arame vive numa situação tão ruim, como aponta o IPS?  A indagação vale para os prefeitos os outros sete municípios maranhenses listados pelo IPS, a começar pelo de Peritoró.

Com a palavra, os senhores prefeitos.

São Luís, 14 de Junho de 2026.

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