Grande número de candidatos viáveis pode levar à eleição de dois senadores com pouca representatividade

Disputa entre Weverton Rocha, Eliziane Gama, André Fufuca,
Roseana Sarney, Roberto Rocha, Duarte Jr., Lahesio Bonfim,
Pedro Lucas Fernandas, Hilton Gonçalo, Franklin Douglas e
Antônia Cariongo pode levar a baixa representatividade

A se manter esse quadro da disputa para as duas cadeiras no Senado, o Maranhão corre o risco de eleger dois senadores com baixa representatividade. No momento, são pré-candidatos ao Senado os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT), ambos candidatos à reeleição; os deputados federais André Fufuca (PP), Duarte Jr. (Avante), Roseana Sarney (MDB) e Pedro Lucas Fernandes (União), o ex-senador Roberto Rocha (Novo), o ex-prefeito de São Pedro dos Crentes Lahesio Bonfim (Novo), o ex-prefeito de Santa Rita Hilton Gonçalo (Mobiliza), o advogado e jornalista Franklin Douglas (PSOL) e a militante política Antônia Cariongo (PSOL).  Nesse caso, serão nada menos que 11 candidatos brigando pelas vagas, num cenário em que pelo menos quatro deles têm cacife para se eleger, três brigam bem e os demais não têm qualquer chance de chegar lá.

De acordo com as pesquisas sobre a corrida senatorial, os dois senadores são os mais bem lastreados com material político. Num caso que vem assombrando o meio político e surpreendendo os observadores, Weverton Rocha protagoniza uma situação inacreditável: tem o apoio de dois grupos que disputam o Governo do Estado, o liderado por Orleans Brandão (MDB) e o comandado por Felipe Camarão (PT), contando também com o aval do presidente Lula da Silva (PT) e do governador Carlos Brandão (MDB). Já senadora Eliziane Gama entra na briga como a única candidata do PT, que lhe dá apoio total e irrestrito, e tem sua pré-candidatura turbinada pela bênção do presidente Lula da Silva e de toda a base governista federal, muito combustível inflar o seu projeto de renovar o mandato. Os dois estarão entre os cinco mais votados, com possibilidade de eleição.

Dono de amplo e denso lastro político, e tendo no currículo uma produtiva e elogiada passagem pelo Ministério do Esporte, André Fufuca encabeça um projeto consistente, que já alcançou o aval de mais de 100 prefeitos, entre eles os de nove das 15 maiores cidades do Maranhão, a começar por Imperatriz, faltando-lhe somente o aval de uma candidatura ao Governo do Estado para deslanchar de vez. Lançada há menos de um mês e de maneira surpreendente, a pré-candidatura do deputado federal Duarte Jr. é até aqui um projeto pessoal e isolado, como, aliás, têm todos os seus projetos eleitorais, aí incluídas duas tentativas de chegar à Prefeitura de São Luís. O deputado federal Pedro Lucas Fernandes não existe como pré-candidato a senador, mas é politicamente forte, uma boa e justificada expectativa de que ele possa entrar nessa disputa. Os três têm potencial para serem bem votados.

O ex-senador Roberto Rocha (Novo) está na corrida desde o início, colocando-se primeiro como pré-candidato a governador, mas depois resolveu brigar por uma cadeira no Senado, para o que vem mostrando potencial de disputa com boa colocação nas pesquisas. Com o lastro de quem recebeu quase 1 milhão de votos na disputa para o Governo do estado em 2022, Lahesio Bonfim não repetiu a mesma performance como pré-candidato a governador e desistiu e se candidatou ao Senado. São pré-candidatos que podem apostar em boas votações.

A deputada federal Roseana Sarney ainda não cravou oficialmente que disputará uma cadeira no Senado, mas o seu nome está colocado sem que ela o retire, o que significa dizer que está no jogo e aguardando o momento certo para confirmar a pré-candidatura ou anunciar que tentará a reeleição. Na condição de caso à parte, ela tem cacife para disputar.

Hilton Gonçalo vem mantendo-se coerente com o seu projeto de candidatura a senador, percorrendo o Maranhão em busca de apoio numa agenda intensa. Nesse cenário, Franklin Douglas é um quadro qualificado, com sólida formação e incansável militância, tem como lastro candidaturas a prefeito de São Luís e o plebiscito que deu meia passagem aos estudantes de São Luís. É o caso da militante política Antônio Cariongo, atuante nos movimentos sociais. Os três estão no jogo, mas até aqui sem chance de boas votações.

O fato é que, como se trata de uma corrida aberta, há uma clara indicação de que os votos serão muito disputados, podendo diminuir a representatividade dos dois eleitos.

PONTO & CONTRAPONTO

Roberto Rocha faz pausa na pré-campanha ao Senado e pode revisar o seu projeto eleitoral

Roberto Rocha

Devido a problemas de saúde – um quadro de hipertensão arterial descontrolada –, o ex-senador Roberto Rocha (Novo) suspendeu temporariamente a sua pré-campanha ao Senado. A parada se dá exatamente no momento em que o seu partido, e com ele a extrema-direita maranhense, entra em ebulição por conta da guinada do ex-prefeito de São Pedro dos Crentes, Lahesio Bonfim, desiste da pré-candidatura ao Governo do Estado e anuncia-se pré-candidato a senador.

A confusão estabelecida dentro do partido e das fileiras do bolsonarismo no Maranhão desencadeou rapidamente uma forte onda de especulações. Uma delas prevê que o Novo estaria inclinado a ungir Roberto Rocha à condição de pré-candidato a governador, projeto com o qual ele não concordaria “de jeito nenhum”.

Outra especulação chutou que Roberto Rocha trocaria de lugar com o filho, Roberto Rocha Filho (Novo), pré-candidato a deputado federal, que migraria para uma pré-candidatura ao Senador, abrindo o espaço de aspirante à Câmara Federal para o pai. A especulação surpreendeu, porque Roberto Rocha declarou, reiteradas vezes, que não mais aceitaria ser deputado federal, “nem de graça”.

Ao mesmo tempo, há no Novo uma avaliação de que o ex-senador Roberto Rocha terá enormes dificuldades para se eleger senador, diante do poder de fogo dos concorrentes – os senadores Eliziane Gama (PT) e Weverton Rocha (PDT), e o deputado federal André Fufuca (PP), além do deputado federal Duarte Jr. (Avante), somando ainda o outro pré-candidato a compor com Orleans Brandão (MDB), a ser anunciado a qualquer momento pelo governador Carlos Brandão (MDB).

Por essa avaliação, o Novo acredita que Roberto Rocha pode se eleger deputado federal, fazendo com que o braço maranhense do partido desembarcasse em Brasília no ano que vem com, pelo menos, um deputado federal. Isso porque diante do cenário atual, dificilmente levará um senador e um deputado federal.

Não será surpresa, portanto, se na sua convalescência o ex-senador reflita e revise o seu projeto eleitoral.

Fábio Gentil aposta numa vaga de pré-candidato a primeiro suplente de senador com Fufuca ou Pedro Lucas

Fábio Gentil

O Grupo Gentil, que no momento domina a política de Caxias com o prefeito Gentil Neto, a deputada federal Amanda Gentil (PP) e a deputada estadual Daniella Jadão (MDB), está mergulhado em expectativa. É que o chefe maior dessa corrente, o ex-prefeito Fábio Gentil (União), pode ser alçado à condição de pré-candidato a primeiro suplente numa chapa de pré-candidato a senador.

Se o nome a ser anunciado a qualquer momento pelo governador Carlos Brandão for o deputado federal André Fufuca (PP), quase ninguém duvida de que Fábio Gentil será o nome para a primeira suplência, uma vez que o grupo tem definido o ex-ministro do Esporte como pré-candidato indiscutível a uma das vagas de senador.

E se, por outro lado, o escolhido for o deputado federal Pedro Lucas Fernandes (União), Fábio Gentil poderá ser indicado para a vaga de pré-candidato à primeiro suplência, já que é membro do partido, portanto candidato natural à vaga.

Fábio Gentil vem trabalhando intensamente para viabilizar esse projeto na seara senatorial. Tanto que, ao se filiar ao União Brasil, ele declarou que estava à disposição do partido para entrar na briga por uma das vagas no senado. Não conseguiu a cabeça, mas poderá conseguiu a primeira suplência.

São Luís, 12 de Junho de 2026.

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