Flávio Dino mantém ação política e amplia espaço na Oposição como opção para disputar o Planalto

 

Flávio Dino fala a jornalistas alternativos na Fundação barão de Itararé sobre o País

Ainda não é fato consumado, e certamente a consumação ainda vai demorar algum tempo, mas são cada vez mais fortes os sinais de que o governador Flávio Dino (PCdoB) caminha para liderar uma frente de esquerda como como o mais credenciado candidato de Oposição na corrida presidencial de 2022. Essa tendência se evidenciou mais uma vez na semana passada, mais precisamente na sexta-feira (29), em São Paulo, quando ele foi entrevistado por jornalistas independentes e ligados a órgão alternativos de imprensa, no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Submetido a uma intensa sabatina sobre o presente e o futuro político do Brasil, o governador do Maranhão defendeu enfaticamente a formação deu uma grande frente de esquerda e a adoção do chamou de “flexibilidade tática”, criando as condições para a apresentação de uma agenda positiva para o País.

Antes, da entrevista na Fundação Barão de Itararé, Flávio Dino participou do lançamento do embrião de uma frente de esquerda, juntamente com o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), do presidente nacional do PSOL, Guilherme Boulos, e do presidente do PSB, Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba.

Com uma visão ampliada na conjuntura política nacional, Flávio Dino tem se destacado como a mais equilibrada e enfática voz oposicionista. Tanto que na entrevista aos jornalistas alternativos, ele foi enfático ao afirmar que “o que precisamos ter é essa dimensão da luta política e institucional”. E chamou a atenção para o fato de que o poder político do Brasil encontra-se nas mãos de um presidente fraco, sem consistência política e retrógrado no campo ideológico, e que se firmou devido ao fato de o chamado centro democrático – MDB e PSDB – “perdeu substância e qualidade nas últimas décadas”. Na sua interpretação acerca de como levar a esquerda novamente ao poder, não pode haver “abordagens sectárias”, e é preciso buscar o “homem médio”, o cidadão comum.

O governador identifica no atual presidente da República, não o líder de um movimento política e ideologicamente definido, mas apenas um “filho legítimo de um ethos nazifascista que privilegia o conflito”, movido pela “retórica do inimigo”. Esse ânimo só contribui para acirrar contradições como democracia e autoritarismo, pobres e ricos, nacionalismo e imperialismo. Aponta que o Estado democrático de direito está “objetivamente em risco”. E alerta, em tom elevado: “Não temos o direito, pela nossa experiência histórica trágica, de minimizar esse risco”.

Ciente das armadilhas que no atual cenário político nacional, Flávio Dino insiste na mobilização da esquerda, abrindo caminho também para uma composição com o centro, alertando: “É importante fazer os alertas certos para não combater os inimigos errados”. E provocado sobre o fator Ciro Gomes (PDT) na corrida presidencial, o governador do Maranhão é taxativo:  “Claro que Ciro é uma liderança do nosso campo político. Com seu patrimônio de erros e acertos, como todos nós. Agora, expurgá-lo? Isso eu não aceito de jeito nenhum”. Ao contrário de próceres da esquerda, Flávio Dino trata Ciro Gomes como um aliado, certamente lembrando de que, quando esteve no Maranhão, no início de 2018, como pré-candidato a presidente, Ciro Gomes declarou que Flávio Dino “foi a melhor coisa que apareceu na política brasileira”.

O fato é que, embira não seja ainda unanimidade na faixa que vai do centro à esquerda, Flávio Dino já é uma das principais referências. E diante da pergunta direta feita pelo escritor Fernando Morais – autor de biografias célebres como “Chatô” e “Olga” -, sobre se é candidato à Presidência da República, o governador respondeu lembrando que está para completar 51 anos (em 30 de abril) e o que fez até agora – juiz federal, deputado e governador – já o deixa feliz. Qualquer outro rumo depende de “um processo muito mais amplo, coletivo”. Nos bastidores partidários, porém, corre a quase certeza de que sua candidatura tem rumo e deverá se tornar irreversível depois das eleições municipal de 2020.

Em Tempo: O presente comentário teve como eixo matéria produzida pelo jornalista Vitor Nuzzi (Rede Brasil Atual), publicada na íntegra no Blog do Garrone em 29/03/2019.

 

PONTO & CONTRAPONTO

 

Se for mesmo lançada pelo SD em São Luís, Helena Duailibe é nome a ser considerado

Helena Duailibe pode ser candidata à Prefeitura de São Luís pelo Solidariedade

Não surpreendeu a especulação segundo a qual o comando estadual do Solidariedade poderá lançar a deputada estadual Helena Duailibe como candidata a prefeita de São Luís. Esse projeto é acalentado pela parlamentar há muito tempo, estando entre os objetivos da sua carreira política. Helena Duailibe tem lastro para entrar nessa guerra. Primeiro atuou como médica, o que a levou à Secretaria Municipal de Saúde e à pasta estadual da mesma área, tendo criado uma teia de apoios no município e no estado com força suficiente para mantê-la e ao marido, o vereador Afonso Manoel no complicado tabuleiro da política. Militante da direita católica, estando entre os líderes mais destacados dos movimentos reformistas da Igreja em São Luís e em todo o estado, Helena Duailibe surpreendeu ao eleger-se deputada estadual num ambiente em que muitos apostavam que ela não seria eleita. Sua presença na Assembleia Legislativa tem mostrado que ela sabe se movimentar nesse cenário, onde já viveu altos e baixos – depois de ter sido a poderosa secretária de Saúde do Governo José Reinaldo Tavares, ela ocupou o cargo em São Luís no Governo João Castelo, tendo sido demitida pelo prefeito numa entrevista de rádio. Se manteve discreta, elegeu-se vereadora em 2012, abriu mão da reeleição em 2016 para dar vaga ao marido Afonso Manoel e preservando seu cacife para 2018, quando saiu das urnas para a Assembleia Legislativa. Se a candidatura vingar, será um nome a ser observado com atenção.

Palácio dos Leões deve escolher entre Marco Aurélio e Clayton Noleto para disputar em Imperatriz

Marco Aurélio e Clayton Noleto: nomes fortes para a Prefeitura de Imperatriz com o apoio do do governador Flávio Dino e da base governista

As conversas que correm nos bastidores do Governo começam a desenhar o caminho por meio do qual o Palácio dos Leões pretende levar um aliado à Prefeitura de Imperatriz. Na base governista, dois nomes ganham destaque, o deputado estadual Marco Aurélio (PCdoB) e o secretário de Estado de Infraestrutura, Clayton Noleto. Segundo uma fonte bem informada e confiável com trânsito na seara governista, o aspirante eleitoralmente mais forte é o deputado Marco Aurélio, apontado como líder em todas as pesquisas feitas até agora. Político considerado e respeitado na base do governista pelo seu trabalho parlamentar, Marco Aurélio não esconde de ninguém que sonha com a candidatura e que está disposto a entrar na briga. Ao mesmo tempo, se mantém numa posição discreta, evitando pressionar o Palácio dos Leões. Já o secretário Clayton Noleto, que é militantes do PCdoB, segundo a mesma fonte, é também nome muito forte na cúpula do partido, principalmente pela sua eficiência como secretário. O fato é que é que o governador Flávio Dino, que tem o apoio da maioria dos imperatrizenses, tem na sua mesa de decisões dois nomes em condições de disputar para valer com o prefeito Assis Ramos (MDB), que já avisou que está se preparando para renovar o mandato.

São Luís, 02 de Abril de 2019.

2 comentários sobre “Flávio Dino mantém ação política e amplia espaço na Oposição como opção para disputar o Planalto

  1. Corrêa, te conheço a muito tempo. Jornalista de prestigio , imparcial, bom texto. Hoje te vejo a bajular esse asqueroso governador. Melancólico fim.Triste isso. Levanta a cabeça , parece que tua saída do EM te desequilibrou. Para com devaneios amigo, esse governador é uma fraude . Só isso.

    1. Caro Carlos Gomes
      Não tenho vocação para bajular. Se você se desarmar em relação ao governador Flávio Dino, verá que todas as minhas observações a respeito dos passos que ele está dando fazem todo sentido. É o trem da História, meu caro, e nesse momento ele está no comando, mantendo-o sobre os trilhos em forte aceleração. Quanto a mim, saiba que todas as noites deito sem remorsos e durmo o sono dos justos, inclusive pela certeza de que sempre o terei como um leitor que aguarda anciosamente a próxima edição da Coluna. Abraço.

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