Eleição de Braide pôs o “brandonismo” em quarentena, quase desmontou o “dinismo” e colocou o sarneysismo em xeque

Carlos Brandão sairá com governo bem avaliado;
Felipe Camarão tenta manter o “dinismo” de pé
e Roseana Sarney vê o fim do sarneysismo

O desfecho da eleição para governador do Maranhão e senador produziu uma série de mudanças no cenário político estadual. Além de eleger Eduardo Braide (PSD), um político sem grupo – pelo menos até aqui -, as urnas desmontaram todos os segmentos articulados que contra ele se posicionaram, a começar pela aliança articulada pelo governador Carlos Brandão (MDB), colocou o grupo Sarney em xeque, assim como os escassos remanescentes do que foi chamado “dinismo”. Sem nenhum representante parlamentar a partir de 1º de janeiro, depois de 60 anos com influência decisiva na vida política do estado, o sarneysismo desaparecerá de vez, sendo lembrado somente pela presença do ex-presidente José Sarney (MDB) como uma legenda no cenário político estadual.

A derrota de Orleans Brandão (MDB) na corrida ao Governo do Estado foi um desastre político cujo ônus recaiu inteiramente sobre o governador Carlos Brandão, que foi o mentor e o patrono desse projeto sucessório cheio de riscos. Político experiente, com vivência ampla no jogo do poder, que teve participação efetiva na eleição de Jackson Lago (PDT) em 2006, por exemplo, o governador Carlos Brandão desenhou um projeto sucessório arrojado, mas com muitas e fatais falhas de cálculo. O resultado é que o mandatário maranhense irá para casa sem nada, mas pessoalmente reconhecido por muitas realizações do seu Governo, principalmente em São Luís e Imperatriz, o que lhe dará fôlego para projetar o seu futuro para 2030.

O mesmo se aplica ao chamado Grupo Dinista, que foi praticamente dizimado, perdendo feio na corrida aos Leões com o vice-governador Felipe Camarão (PT) e na disputa pelas duas cadeiras no Senado. Será lembrado apenas pela senadora Ana Paula Lobato (PSB), pelos deputados federais Rubens Júnior (PT) e Márcio Jerry (PCdoB) entre os 18 deputados federais, e apenas o deputado estadual Leandro Bello (PSB) como um verdadeiro herói da resistência entre os 42 deputados que comporão a nova Assembleia Legislativa. O vice-governador Felipe Camarão tenta dar sobrevida ao grupo, mas não irá a lugar algum se Flávio Dino permanecer no Supremo Tribunal Federal.

Mas o desdobramento mais efetivo e mais simbólico da corrida eleitoral de 2026 é o fim do sarneysismo. A não eleição da deputada federal Roseana Sarney na corrida ao Senado funcionou como um estridente “basta” na existência do sarneysismo como grupo político ativo no Maranhão e fora dele. Isso porque, a partir do primeiro minuto de 2027, não haverá um só Sarney com mandato, pois nenhum membro da nova geração da família assumiu o legado político criado ao longo de seis décadas pelo ex-governador, ex-senador e ex-presidente da República José Sarney, a exemplo do ex-deputado estadual Adriano Sarney, que não teve garra para dar sobrevida ao sarneysismo.

O que lhe restará de espaço político será o braço estadual do MDB, que provavelmente sairá do controle do governador Carlos Brandão já no ano que vem. Isso porque, como manda a implacável lógica da política, políticos da estatura dos deputados federais eleitos Iracema Vale (MDB) e Hildo Rocha (MDB), por exemplo, dificilmente se submeterão ao comando de Orleans Brandão, atual presidente regional do partido. Ficarão igualmente desconfortáveis se Roseana Sarney, sem mandato, deixando de ser, portanto, a maior referência emedebista, tentar voltar ao comando da legenda no Maranhão. É improvável que o deputado federal reeleito Júnior Lourenço venha a se interessar pelo comando partidário. E a deputada federal eleita Larissa DP, então, nem se fala.

E tudo indica que a tarefa hercúlea de comandar o MDB do Maranhão recairá sobre os ombros do prefeito de Bacabal, Roberto Costa (MDB) que é forte aliado dos Sarney, mas compreende a dimensão da virada causada pela perda de poder que está a caminho, com a eleição de Eduardo Braide.

PONTO & CONTRAPONTO

Camarão e Orleans sinalizam caminhos diferentes na corrida de Lula no 2º turno

Felipe Camarão já faz campanha para Lula;
Orleans Brandão não se posicionou ainda

Derrotados na disputa pelo Palácio dos Leões, o vice-governador Felipe Camarão (PT) e o ex-secretário de Assuntos Municipalistas Orleans Brandão, anunciaram rumos diferentes de agora por diante.

Em clima de tensão dentro do PT, após críticas que fez à postura do partido no 1º turno das eleições, o vice-governador Felipe Camarão assumiu a posição de coordenador da campanha do presidente Lula da Silva no Maranhão, contrariando alguns cardeais do partido. Disposto a tomar iniciativas para fortalecer a posição do presidente Lula da Silva no Maranhão, o vice-governador chegou a propor a presença do vice-governador Eduardo Braide (PSD), do governador Carlos Brandão (MDB) e de Orleans Brandão no palanque do presidente no Maranhão.

– Não tenho problema nenhum de dividir o palanque do Lula com quem quer que seja – postou Felipe Camarão nas suas redes sociais, visivelmente animado e, ao que parece, disposto a fazer que for possível para devolver a atenção que recebeu do presidente da República na campanha do 1º turno.

Por sua vez, Orleans Brandão, que durante a campanha do 1º turno incluiu o apoio ao presidente Lula da Silva em todas as suas falas, avisou que está saindo da cena política para passar mais tempo com a família e retornar às atividades empresariais. E sem fazer qualquer referência à campanha presidencial no 2º turno, avisou que logo retornará à cena política.

Presidente regional do MDB, Orleans Brandão vem sinalizando interesse em retornar à cena política “em breve”, o que pode ser um recado avisando que disputará uma Prefeitura em 2028 ou um mandato parlamentar ou o próprio Governo do Estado em 2030.

Ex-prefeitos Edivaldo Jr. e Conceição Andrade viram a derrota do seu candidato em São Luís

Edivaldo Jr. e Conceição Andrade viram
seu candidato perder em São Luís

Dois ex-prefeitos de São Luís, Edivaldo Jr. (MDB), diretamente, e Conceição Andrade (MDB), indiretamente, saíram derrotados nas urnas de 2026. Ele foi candidato a vice-governador na chapa de Orleans Brandão, enquanto ela trabalhou duro pela eleição do emedebista e da candidata do MDB ao Senado, Roseana Sarney (MDB).

Edivaldo Jr. apostou alto na candidatura a vice-governador. Mas o resultado foi um fracasso retumbante para ele. Primeiro porque o eleitorado de São Luís não atendeu aos seus apelos, mostrando que a sua liderança é frágil na Capital, que ele comandou por oito anos.

Edivaldo Jr. projetou que, se eleito vice-governador, tentaria voltar à Prefeitura de São Luís em 2028, provavelmente enfrentando a prefeita Esmênia Mirante. A eleição de Eduardo Braide (PSD) foi uma pancada que deixou o ex-prefeito de São Luís abalado.

Há muito distante das urnas, agora dedicada a curtir a sua aposentadoria, ex-prefeita Conceição Andrade abraçou com entusiasmo a candidatura de Roseana Sarney ao Senado e do deputado federal Hildo Rocha (MDB) à reeleição. Só comemorou a vitória de Hildo Rocha.

São Luís, 08 de Outubro de 2026.

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